O enigma de Jackson Follow story

sorasaki SoraSaki

Mark estava amargurado por não ver o namorado direito, por conta do trabalho, mal imaginava as surpresas que o esperariam no seu dia. Era aniversário do mais velho e Jackson bolou vários planos para entregar o bendito presente. Mas, como nem tudo na vida é como a gente planeja, Jackson teve que ir de improviso mesmo.


Fanfiction Bands/Singers For over 18 only.

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Vai no improviso mesmo!


A porta do quarto foi aberta devagar às 23h57 daquela segunda-feira. Com muito cuidado andou nas pontas dos pés, até perto da cama existente do outro lado do quarto.

O rosto do garoto deitado estava meio contorcido, parecia ter um pesadelo ou algo do tipo, o cenho franzido, a franja já grudava na testa onde algumas gotículas de suor já se faziam presentes; os olhos pareciam inquietos por baixo das pálpebras, que se encontravam fechadas e comprimidas, firmes em angústia aparente.

Não esperava chegar e encontrar o outro naquele estado de sofrimento inconsciente. Com o que será que sonhava? Seu plano era apenas entrar sorrateiro, deixar a pequena caixa ali no móvel ao lado da cama, junto com um bilhete escrito à mão, talvez parar para observar um pouco daquele que tanto ama em seu sono e, sairia de fininho indo dormir na sala para esperar o despertar dele, para enfim poderem de fato, conversar corretamente.

O plano parecia que correria bem pelos seus cálculos, mas aquele tipo de expressão sofrida no rosto de Mark já estava lhe passando angústia por consequência. Já fazia 4 minutos que estava ali divagando sobre o que fazer a seguir, sem ter certeza se seguia com a ideia original ou se pulava para um plano B, inexistente ainda.

No entanto, Mark começou a se remexer na cama, ainda com o cenho franzido. Jackson não sabia o que fazer, queria tornar a noite do outro mais tranquila, que precisava descansar, ultimamente só trabalhava e não saia mais para canto algum com os amigos deles. Jackson que vivia viajando por causa do trabalho como cantor solo, agora se culpava pela situação do namorado, se é que ainda podia chamá-lo assim.

Eles não se viam de fato a quase um mês, apenas mensagens aqui e ali quando tinha tempo. E na última semana foi mais complicado, pois com o encerramento da sua turnê, ele ainda foi em alguns fan meetings, deu entrevistas em rádios e revistas, e teve todo processo de gravação do DVD que seria lançado no mês seguinte, em comemoração do sucesso que foi a promoção daquele último comeback.

Mas o caso era que, Mark sempre dizia que estava tudo bem. Obviamente estranhou um pouco as respostas que foram ficando mais distantes e as mensagens mais frias. Porém não quis tirar conclusões precipitadas; sabia que o amor deles era verdadeiro e que não iria desaparecer diante da primeira dificuldade que aparecesse, já tinham passado por muita coisa juntos e continuariam assim por longos anos, pelo menos se dependesse de Jackson.

Foi assim que planejou terminar tudo e voltar para casa a tempo do aniversário do outro. Queria fazer uma grande surpresa, a fim de recuperar os sorrisos brilhantes e aquela felicidade que só ele sabia como exprimir de forma tão fofa. Voltou dois dias antes sem que Mark soubesse, para organizar tudo e, então chegar até o presente momento em que já não sabia mais qual seria a melhor escolha: sair do quarto, ou ficar ali com o outro.

Em mais um remexer do corpo alheio, Jackson pode claramente ouvir, “Jack… Volta… Não me deixe”. Prendeu a respiração achando que Mark tinha acordado, mas suspirou aliviado ao ver que sua surpresa ainda iria acontecer. Porém seu coração apertou diante do murmúrio dito com a voz arrastada e sonolenta, por estar ainda sonhando… Sonhando com ele.

Queria ficar feliz pelo namorado estar a sonhar consigo, mas só conseguiu se culpar por sua vida corrida e a que ponto levou seu namorado, para que tivesse um pesadelo, com ele provavelmente o abandonado sem dar notícias. Sim, já dramatizava tudo o que se passava naquele pesadelo, o coração pesado pelas emoções não muito boas, que iam querendo tomar espaço num lugar que pertencia apenas a Mark e seu amor por ele.

Eu te amo tanto Jack… Por favor… Fica comigo”. E aquilo foi a melhor coisa que poderia ter ouvido naquele instante. Se em algum momento duvidou do peso dos sentimentos do outro por si, ali já nem sombra da dúvida se via presente. A vontade de beijar o namorado agora era forte, de se declarar e dizer tudo que planejou para o amanhecer do dia. Queria gritar o quanto amava Mark Tuan. O quão fundamental ele foi em sua vida, desde quando eram jovens que nada sabia da vida, com seus 18 anos. O quão especial foi quando se declararam, após discutirem porque Jackson queria desistir de ser cantor, seu sonho, e Mark irritado tacou uma garrafa de água nele, dizendo que era idiota por fazer pouco caso de si mesmo quando seria um dos melhores cantores da geração deles, o apoiando e depois soltando um, “Não sei como fui me apaixonar por meu melhor amigo idiota”. 

Depois de toda confusão, Jackson resolveu ouvir Mark e ainda o pedindo em namoro com um beijo, daqueles cinematográficos. Nunca imaginou que o impulso daquela época duraria mais de 10 anos, assim como sua carreira de cantor, que alavancou pouco depois do namoro de fato se estabilizar. Agora ele com 30 e Mark com 31 anos, sentia que estava na hora de mudar a fase da sua vida.

Então, após as lembranças que vieram rápidas na sua mente, lembrou que seu Mark ainda precisava descansar e, dormir bem era parte do que Jackson considerava descansar. Resolveu adotar seu plano B improvisado, especialmente depois das declarações sonâmbulas de Mark, dormiria ali com ele, na cama mesmo. Já estava em roupas de dormir de qualquer forma quando entrou no quarto e, depois do claro pedido para ficar ali, óbvio que nada mais tiraria Jackson dos braços do seu amado.

Aproveitou que a cama do mais velho era de casal pois as vezes Jackson dormia em seu apartamento quando voltava para a cidade. Eles não exatamente moravam juntos, Mark tinha aquele apartamento alugado; enquanto Jackson morava com os pais ainda, gostava de ficar um pouco com a família também, quando conseguia. O único problema era que atualmente, as duas casas eram em cidades diferentes, como sempre, deixando o tempo deles juntos cada vez mais escasso, conforme as agendas foram se apertando. Mark era dono de uma grife de roupas, a XCIII; ele não saia tanto da cidade, viajava apenas para alguns eventos de desfiles, ou seja, não passava tanto tempo longe do seu pequeno apartamento, apesar de passar o dia trabalhando em seu escritório e ateliê.

Já passava da meia-noite. Então, com cuidado, Jackson levantou o edredom que cobria o outro, empurrando levemente o corpo de Mark para não acordá-lo, pois estava deitado no meio da cama. Ao conseguir um pouco mais de espaço ali, apenas se deitou em movimentos leves ainda tentando não acordar o outro. Assim que conseguiu enfim se cobrir, foi aproximando-se de Mark com atenção, observando o vinco presente na testa dele. Quando suas pernas já se encostavam e o corpo todo estava muito próximo, ele sussurrou um simples “Eu estou aqui meu amor, durma bem e feliz aniversário”. Tocou a face de Mark com carinho e como mágica o outro foi relaxando o corpo e expressão angustiada. 

Era como se o mais velho tivesse sentido sua presença ali e escutado a declaração, porém sabia que não era isso. Ou era, porque o corpo e o subconsciente de Mark reconheceram a sua presença e voz, mesmo enquanto dormia. Sem muito mais se enrolar, puxou com cuidado o namorado para seus braços, seus rostos próximos e no mesmo travesseiro; então com um beijo na testa ele se permitiu acompanhar, um Mark agora tranquilo em seu sono, um pequeno sorriso se formou nos lábios de ambos, mesmo que não tivessem consciência disso.


>>~~~*~~~<<


Na manhã seguinte, Mark começava a despertar daquela maravilhosa noite de sono, não se lembrava de dormir tão bem naquele mês. A consciência acordando aos poucos, as pálpebras ainda com preguiça, lembrava de ser seu aniversário e, se permitiu tirar o dia de folga dos compromissos no trabalho. Começando a raciocinar e cogitando levantar ou voltar a dormir, finalmente, notou que havia mais alguém na cama consigo. 

No susto momentâneo arregalou os olhos agora mais despertos e em alerta por segundos, até ver quem estava o abraçando de forma desajeitada. Os cabelos sedosos espalhados pelo travesseiro, a boca bonita, de lábios tentadores entreaberta numa respiração profunda, a expressão relaxada enquanto dormia; a quanto tempo não tinha aquela visão? Seu coração parecia comemorar por ele, uma verdadeira festa acontecia em seu peito, já comemorando pelo que já considerava como presente de aniversário do outro; resolvendo afogar as angústias que vinha sentindo, com a falta de contato que tinham nos últimos tempos. Agora queria apenas sentir que era real a presença dele ali em sua cama.

Hipnotizado e atraído pelo que ainda dormia, ficou a observar mais um pouco, agora tocando com amor e cuidado o rosto de Jackson, registrando todos os detalhes e sentindo o coração ficar satisfeito com o afeto que se deixava mostrar; como costumava ser comum de si normalmente, antes de ser tomado por sentimentos confusos de ciúmes, de atenção e inveja que sentia daqueles que podiam passar mais tempo com seu namorado.

Enquanto Mark ainda se perdia nos próprios sentimentos que faziam carnaval dentro da mente e coração, Jackson já abria os olhos notando o carinho que agora recebia na nuca. O homem mais velho claramente parecia concentrado em algo que estava apenas em sua mente, pois não viu o sorriso se formar na boca de Jackson. Como não era bobo nem nada, apenas foi aproximando o rosto do que ainda divagava e, então lhe deu um beijo, com direito a mordidinha nos lábios.  Na surpresa do ato, Mark soltou baixo, um meio gemido, meio grito de surpresa, não teve tempo de corresponder ou agir.

― Bom dia amor da minha vida! Vamos, você pode ir tomar banho e se arrumar, ficar ainda mais bonito do que já é. ― Jackson estava radiante.

― Como… Quando você chegou Jack?! ― Mark não conseguia acreditar ainda nos fatos esfregados em sua face.

― Mark-pooh… Cheguei ontem aqui, vim para passarmos seu aniversário juntos. Por isso, vai logo se aprontar pra tomarmos café e sair. Depois você pode me perguntar o que quiser meu anjo. ― Tentou não dar nenhum spoiler do que se tratavam seus planos ou presentes de aniversário. Ainda não era a hora de entregar, era melhor o outro estar pronto logo para a saída programada àquele dia.

― Ok ok, estou indo, Aish! Depois quero conversar com você… ― Com um último olhar inquisidor, Mark foi em direção ao banheiro da suíte para fazer as higienes matinais e se aprontar para sabê-se lá o que.

Jackson se levantou e rumou ao banheiro do corredor, lá se arrumaria também para a saída deles e, para entregar finalmente os presentes. Tomou um banho rápido e, foi arrumar a cama enquanto esperava Mark voltar ao quarto, pensando no plano C agora, já que o plano A era aquele no qual ele dormia na sala e, o outro encontrava a surpresa no criado mudo ao lado da cama com o bilhete; o plano B não tinha uma continuação exata após dormirem juntos; logo o que restou, foi planejar rapidamente outra saída para o desenrolar da entrega do presente. 

Porém percebeu o quão paranóico estava sendo com todos esses planos para o aniversário de Mark, apenas porque estava nervoso com a reação que viria dele. Estava tão angustiado com a crescente distância que estavam tomando um do outro, que simplesmente resolveu dar um passo a mais naquele relacionamento. Tinha se dado conta de que se sentia mais feliz com tudo a sua volta quando estava junto do namorado. E por querer que fosse um momento marcante e importante na vida de ambos, estava ali fazendo mil planos, com medo de que algo pudesse dar errado de última hora.

Em meio aos pensamentos de Jackson, que se encontrava com a caixinha na mão, Mark entrou no quarto encontrando tudo organizado e o mais novo parado perto da janela do outro lado da cama e com um pequeno embrulho em mãos, distraído observando o objeto. A visão do momento lhe aquecendo o coração, lembrando de como amava profundamente o homem que era seu namorado e, desde de sempre seu melhor amigo.

― Jack? O que é isso na sua mão? ― Mark perguntou, curioso.

― A-ah, bom, eu acho que já está na hora ―  disse, meio nervoso e mentalizando que daria tudo certo. Respirou fundo enquanto via o quão bonito Mark se encontrava naquelas roupas alinhadas ao corpo magro e esbelto; a camiseta branca com listras e a jaqueta jeans por cima combinando com a calça, de fato, belo em todas as roupas que já o viu vestir.

O mais novo andou a passos contados até o outro, o coração parecia que sairia pela boca ou ele engasgaria com ele entalado na garganta, de tanto que batia. Desistindo de tudo que planejou, resolveu seguir o que sentia no momento e dizer sinceramente àquele que era tão importante e especial em sua vida; seu maior presente, sua maior felicidade. Pegou na mão do mais velho, sentindo a textura suave e macia da pele ainda morna do banho recente, respirou fundo e começou.

― Mark Tuan, você é tudo que eu tenho de mais precioso comigo, sabia? Desde a adolescência, na qual só fazíamos traquinagens pela escola, até a nossa formatura e início de carreira, você foi e ainda é meu melhor amigo, sempre será. Você foi aquele que nunca deixou de acreditar em mim, quando eu mesmo já havia desistido dos meus maiores sonhos, me apoiou e aconselhou, tranquilizou o meu coração na época mais difícil e confusa da minha vida. Qual foi a minha real felicidade e, agradeço todos os dias por isso, quando ouvi sua declaração, talvez desajeitada e nervosa, por já estar tão saturado quanto eu, de mentir que o que tínhamos era só uma grande amizade; mesmo com as discussões que tivemos depois, eu nunca fiquei tão feliz e confuso ao mesmo tempo, afinal você disse que me amava como eu te amava! 

Jackson fez uma pausa. Enquanto acariciava a mão de Mark, subiu o olhar aos olhos que já estavam brilhantes dando indícios de lágrimas por vir, ele parecia emocionado, então lhe deu um sorriso afável e repleto de amor, assim prosseguindo no seu discurso e declaração ao mais velho:

― Depois de tudo isso, nós passamos por muitos perrengues na nossa vida corrida, nossas profissões nos consumindo conforme os anos foram passando, nosso tempo juntos reduzido e nosso namoro à distância começando a querer gelar as coisas entre nós… Eu percebi Mark, eu notei para onde tudo estava caminhando e, refleti por uns bons meses sobre nossa situação. Você é o amor da minha vida, eu tenho certeza disso, a pessoa que quero passar todos os dias junto, até estarmos velhos o suficiente para começarmos a repetir a mesma história para os filhos do vizinho e, quem sabe os nossos próprios… O que eu quero dizer, é que eu não vou abrir mão de uma vida ao seu lado; mas também não queria ter que abandonar tudo o que conquistamos, então depois de muito pensar, eu consegui resolver o enigma que nossa vida se tornou, sabe. E foi assim que tomei a decisão de dar um passo seguinte para ambos, se você quiser claro, mas espero que considere muito bem minha proposta, meu amor. Espero que goste do seu presente de aniversário querido. Saiba que eu te amei, amo e amarei sempre, não tenha tantas dúvidas sobre isso! Está duvidando do grande Jackson Wang, senhor Mark Tuan?! ― Dando uma gargalhada ele apenas acariciou o rosto do mais velho e conectou os lábios separando em seguida, com os rostos ainda próximos ― Feliz aniversário meu amor! ― Finalmente entregou a pequena caixa nas mãos do outro.

O estado atual de Mark? Bem, ele tremia de leve pelo choro contido e as fungadas que dava tentando segurar o choro emocional que se apossava de si, apenas deixava-o o mais fofo que o normal na visão de Jackson. O Tuan tinha pequenas lágrimas escorrendo pelo rosto pequeno, o mais novo limpou-as com os dedos, dando leves beijinhos no rostinho corado pelo choro. Mark nem sabia como reagir, apenas sorriu com o gesto do amado. As palavras não queriam sair, ou melhor, ele não conseguiria dizer nada depois da linda declaração do outro, não sem chorar igual recém-nascido depois do parto. Ele queria acalmar um pouco os sentimentos a flor da pele, para poder agradecer direito ao seu namorado, o melhor do mundo, pelo menos em sua opinião, que era a única que importava no momento de qualquer forma.

No entanto, Mark julgou que abrir o presente primeiro seria melhor do que tentar retribuir agora o afeto em palavras, como o outro fez; nunca se enganou tanto. Mal sabia que estaria, de fato, dez vezes mais emocional depois de abrir o bendito presente. Isso porque ele não queria chorar tão forte assim, pois com certeza seu rostinho ia ficar todo inchado, era uma reação natural pós-choro para si. Como todos os planos daquele dia, este de Mark também foi por água abaixo. O choro veio depois de analisar com atenção os objetos dispostos na pequena caixa. 

Dentro, continham três divisórias. Na primeira, dois colares, um de corrente prata, com o kanji de Wang talhado no pingente dela; o outro tinha a corrente de ouro, com o pingente talhado com o kanji de Tuan. Detalhe importante, Mark amava acessórios pratas, já Jackson preferia usar os dourados; o mais velho entendendo o que significava aquilo, já sentia mais e mais lágrimas descerem naturalmente. Na segunda divisória, foi ali que Mark queria gritar para o universo e chorar no colo de sua mãe, porque o homem da sua vida, estava de fato atingindo cada pedacinho que tinha se escurecido de amargura, com raios brilhantes de amor e esperança. Os anéis dourados, de circunferência e modelo simples, com apenas um pequeno ponto de cristal preso em cada um, para dar um charme a mais, eram alianças lindas; e Mark já chorava, soluçando. Porém, ficou confuso com o que viu na terceira divisória, afinal porque tinha uma chave ali?

Jackson assistia a todas as reações do outro com uma expressão amorosa, até chorando era lindinho, porém começava a se preocupar se o outro estava feliz mesmo com o presente e se ele tinha entendido. Estava apreensivo e começando a se questionar, se não deveria ter entregado o bilhete mesmo e deixado o mais velho ler, mas logo descartou o pensamento. Voltou a focar nas reações de Mark e achou melhor agir, tremia de leve pela respiração cortada pelo choro e os soluços que começavam a surgir. Não imaginou que ele choraria tanto assim, apesar de não ser incomum o fato do outro chorar facilmente, ele não sabia descrever o que o choro significava naquele instante. 

Empurrou o corpo de Mark para próximo da cama, o sentando ali de forma suave, em seguida ajoelhou-se por entre as pernas do outro. Tirou a caixinha bombástica das mãozinhas trêmulas do mais velho, colocando ao lado dele em cima da cama; segurou ambas mãos alheias entre as suas, fazendo carinho tentando tranquilizar os sentimentos e o choro compulsivo do namorado. Olhou nos olhos de Mark chamando a atenção dele e fazendo-o encarar de volta, muitos sentimentos sendo trocados entre os olhares, prevalecendo um sentimento acima de todos: o amor.

― Mark, você precisa se acalmar agora, veja, você mal está respirando direito meu amor. Vamos aos pouquinhos, tente inspirar e soltar o ar, você está todo fofinho assim, mas sei que vai se irritar depois por ter chorado tanto. Quero você só muito feliz e se sentindo muito amado por mim hoje.

As palavras ditas de forma calma e sussurradas na voz meio rouca de Jackson, junto ao carinho nas mão foram aos poucos tranquilizando o mais velho. Mark apenas pegou os lencinhos de papel, que costumava guardar na primeira gaveta do criado mudo ao lado da cama, enquanto Jackson foi e voltou com um copo de água, que se encontrava no móvel do outro lado da cama, Mark sempre levava um copo para caso sentisse sede durante a noite. 

O aniversariante assoou o nariz e tomou água tentando se acalmar aos poucos, fungou mais algumas vezes, mas já conseguia respirar normalmente agora. Olhou para Jackson que voltou a ajoelhar-se na mesma posição de antes. As mãos dele fazendo uma caricia suave em ambas coxas de Mark, tentando relaxar qualquer tensão no corpo do namorado.

― Eu não sei exatamente qual sua resposta ainda, mas se tiver restado qualquer dúvida, quero dizer em voz alta, para que não gere nenhuma insegurança no que o seu presente significa. Mark Tuan, você aceita se casar comigo para vivermos juntos até ficarmos velhinhos e no fim termos que nos encontrar na próxima vida para nos amarmos de novo?

O coração de Mark sofria efeitos desconhecidos agora, claramente sentindo tudo muito mais intenso, mas Jackson era intenso, não poderia esperar menos dele. As palavras e a promessa de se encontrarem na vida seguinte também, o fazendo corar e rir com a ideia tão romântica e mística. Aquele já sendo o melhor aniversário de sua vida. 

Agora, mais calmo, resolveu então responder o outro, que dava indícios de ansiedade pela sua resposta, como se não fosse óbvia o suficiente, quem se declarou primeiro foi ele naquela relação; bom agora estariam empatados, ou melhor, Jackson estava ganhando com o pedido de casamento no dia de aniversário. Riu de sua competição fictícia pra ver quem se declarava mais na relação, pensando que se mencionasse a palavra “competição” para o mais novo, ele estaria lascado, o outro era muito competitivo.

― É claro que quero me casar com você Jack! Esse já é meu melhor aniversário de todos! ― Abraçou o que estava ajoelhado, o trazendo mais para perto de seu corpo; se esmagaram num abraço apertado, sentia o outro rindo feliz e esfregando o rosto em seu pescoço dando leves selares na região, causando um pouco de cócegas; e agora ambos riam e se acariciavam, mostrando todo amor e carinho que não compartilhavam a tempos.

― Já estava ficando preocupado, porque você não dizia nada Markie!

― Eu estava emocionado seu pabo*, não conseguia falar sem chorar mais e, nem sairia nada coerente, aish**!

― Vem cá, deixa eu colocar ele pra você? ― disse Jackson, já com o colar prata em mãos.

Mark apenas abaixou um pouco a cabeça, ainda na mesma posição anterior, enquanto o outro num meio abraço prendia o colar ao seu pescoço, o pingente com o sobrenome Wang brilhando. Ganhou um beijinho na testa antes dele se afastar. Fez o mesmo que Jackson, pegou o agora o colar dourado e, prendeu o mesmo no pescoço do outro, com o mesmo gesto, porém desceu a mão direita ao pingente com seu sobrenome, Tuan, brilhando num dourado bonito. Aquilo era muito significativo para ele, era mais um reforço para dizer o quanto se amavam; sorriu com o pensamento de carregarem os mesmos sobrenomes. As alianças viriam depois, iam fazer alguma cerimônia para as famílias e amigos próximos com certeza. Porém, Mark lembrou de algo.

― Jack...? Que chave é aquela ali dentro? É para abrir o que? ― Curioso, estava muitíssimo curioso, agora que já acalmava a euforia de antes.

― Ah sim, é uma das cópias da chave da nossa casa amor. Vamos nos mudar pra lá depois de casarmos. ― O sorrisinho junto da calma com que ele disse as palavras, deixaram Mark por um segundo desacreditado, mas a chave era real e… Ele não estaria brincando com algo tão sério assim, não diante de todas as circunstâncias envolvidas. Mark estava perplexo.

― Mas… Mas Jack! Como conseguiu comprar essa casa, ou melhor, quando? Afinal, e suas turnês, e as promoções musicais seguintes?! Eu não estou entendo é nada!

― Ah meu amor, se acalme ok, espere eu terminar de explicar. Lembra que eu disse que refleti durante meses, pensando sobre o nosso relacionamento? Então, eu cheguei a conclusão de que era de fato um momento de mudanças de fases, não só no nosso relacionamento, mas também na minha carreira. ― Mark já se preparava para dizer algo com uma expressão indignada, porém Jackson apenas pediu para continuar. ― Eu estou encerrando a minha carreira como cantor solo ativo agora, essa última turnê foi uma espécie de despedida, eu já havia tomado essa decisão antes de começar ela, três meses antes. Mas, não estou dizendo que estou largando tudo, ok? É apenas uma mudança de horizontes dentro da minha carreira como músico sabe. Vou trabalhar mais como compositor e produtor agora! Além de que estou com alguns planos e projetos mais longos, como expandir a minha agência, Team Wang, e torná-la uma empresa musical, em que possamos lançar outros artistas solos e quem sabe grupos num futuro. Atualmente já conversei com o presidente da empresa e ele disse que a venderia para mim, já que ele pretendia de qualquer forma, focar em outros ramos que também ocupa. Viu, vou continuar no ramo musical, porém com novas funções, não precisarei viajar tanto.

― Calma, isso é muita coisa e muita informação e, minha nossa, Jackson você é maluco!! ― Mark estava muito em choque e muito feliz, muitas coisas acontecendo, ainda bem que permanecera sentado ou teria caído pelo impacto das informações que recebia naquele dia.

Após uma crise de risos do mais novo, que agora se sentou na cama ao lado de Mark, ele sorriu maroto e sussurrou na orelha do mais velho:

― Viu amor. Agora que vamos casar, ter nossa própria casa e eu vou viajar menos; vamos nos ver todos os dias; sorrir juntos todos os dias; conversar todos os dias; dormir juntinhos todos os dias; nos abraçar todos os dias; beijar todos os dias; fazer amor todos os dias também… ― Um sorriso malicioso surgiu, quando os lábios de Jackson se encostaram na orelha esquerda de Mark ― Vou te amar todos os dias Markie, até depois do fim. Te amo muito meu Mark-pooh! ― Com um beijo estalado na bochecha quentinha do mais velho, Jackson estava satisfeito pelo impacto causado. Seu presente de aniversário foi um sucesso. Missão cumprida!

Já Mark, bem, ele estava em outra órbita depois da declaração fofa, porém cheia de promessas fogosas no meio. Sentia tantas coisas que poderia quase desmaiar. Quase. Ainda tinha um dia todo pra ser mimado pelo futuro marido e, pretendia se aproveitar muito dele agora que estavam juntinhos novamente.

Jan. 28, 2019, midnight 0 Report Embed 119
To be continued... New chapter Every 30 days.

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SoraSaki Taci, a.k.a Sora(空), vulgo SoraSaki • 24y • ♏ • Gosto de ler fanfics de animes e kpop, aceito recomendações com meus OTPs. Wattpad: https://www.wattpad.com/user/SoraSaki_ Spirit: https://www.spiritfanfiction.com/perfil/sorasaki

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