neith Camila Gomes

Nea Karlsson reúne alguns amigos para um acampamento em um fim de semana. O que ela não contava é que seria raptada por um assassino que estava a solta na região. Nisso ela virá a luta do assassino entre a fera e o humano, entre o egoísmo e o altruísmo. Descobrirá que dentro da caverna do desespero há um fio de luz da esperança.


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#romance #sequestro #killer #deadbydaylight #thewraith #neakarsson #survivor #sobrevivente
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Capítulo único

Não era a primeira vez que eu passaria o fim de semana fora de casa. Meus pais estavam acostumados com esse meu modo de vida. Era só mais um acampamento de fim de semana com alguns amigos que fiz assim que cheguei da Suécia.

Confesso que sempre tive problemas com relacionamentos em geral, mas com esses meus novos amigos consegui construir uma amizade sólida. Eram eles: Dwight (um nerd magricela super gentil), Meg (uma atleta nata), Feng Min (uma chinesa que sabe tudo sobre tecnologia) e Jake (um aspirante em engenharia).

Resolvemos marcar em um fim de semana  das férias de julho para irmos a um bosquenuma pequena cidade no interior da Pensilvânia, não muito longe de onde morávamos.

Chegamos lá por volta de nove da noite. O tempo estava fresco e a lua brilhava com intensidade iluminando bem o lugar onde estávamos.

- Que tal darmos um passeio para conhecer esse lindo bosque? – sugestionei.

- Acho melhor fazermos isso amanhã – falou Dwight com certo temor e olhando para os lados.

- Qual é Dwight? – falou Jake dando um leve tapa no ombro do amigo – está com medo?

- É perigoso demais andar por aqui a noite – respondeu o nerd – já ouvi falar que tem um serial killer que ronda essa região.

- Isso é lenda urbana – falei – se tiver mesmo é só correr.

- Conheço um lugar que tem uma história bem sinistra – Feng Min disse apontando para a direção norte – fica por ali.

Todos nós olhamos Dwight esperando que ele decidisse ir conosco. Mesmo com medo ele veio.

Antes montamos as duas barracas. Pegamos o que precisávamos e fomos para o passeio noturno. Depois de andarmos quase um quilometro chegamos ao local. Era um ferro velho abandonado. Um cheiro de borracha queimada tomava conta do ambiente e Feng começou a contar a história daquele tenebroso lugar. Mas eu não estava prestando atenção e comecei a caminhar e acabei me perdendo do grupo.

Olhei para trás e lá estava eu sozinha com uma lanterna, um pacote de amendoim no bolso e a lua iluminando o meu caminho. Comecei a sentir medo após ver a sombra de um homem alto por detrás de um muro feito de carros amassados. Escondi-me atrás de um carro velho e lembrei-me de uma história que Dwight me contou uma vez. Era de uma entidade que vivia de sacrifícios humanos e havia um assassino  que trabalhava  para ela. Será que isso era real?

De repente ouvi um grito feminino de desespero e meu coração estremeceu. Sai do meu esconderijo e fui em direção ao som daquele clamor e vi Feng Min pendurada em um gancho pelo ombro direito. Quando ela me avistou fez um sinal com os braços para que eu fosse logo socorre-la e sussurrava:

- Nea, venha rápido.

Com dificuldade tirei-a daquele gancho e perguntei o que havia acontecido e onde estavam os meninos. Ela estava prestes a me falar quando ficou com os olhos arregalados e uma feição de puro horror. Olhei para trás e vi o dono da sombra que me atemorizou minutos antes, ele tinha olhos brancos brilhantes e assustadores. Quando estava prestes a correr junto com Feng, ele me puxou com força pelo braço me distanciando cada vez mais da minha amiga. Só podia ouvi-la gritar meu nome. Comecei a me debater, mas ele bateu com algo em minha cabeça e desmaiei.

Acordei em um quarto escuro com algumas velas acesas, o que me ajudava ver as poucas coisas que tinham ali. Levantei-me com um pouco de dificuldade, passei a mão na minha cabeça e olhei-a, estava sangrando. Olhei para o lado e vi a sombra do homem que provavelmente era o mesmo que havia me golpeado. Ele chegou próximo a mim com um kit de primeiros socorros e logo reconheci que era um dos da Meg. Quando ele se sentou a minha frente eu me afastei dele me arrastando mesmo sentada, mas ele alcançou minha canela e a puxou dizendo com uma voz grave:

- Você está machucada! Tenho que tratar de você.

Eu não esta entendendo, aquele não é serial-killer que todos falavam? Penso que ele deveria me matar, mas isso não aconteceu. Ele fez um gesto com a mão me chamando para próximo dele e mesmo estranhando eu fui. Assim que sentei próximo a ele, percebi que tirou a mascara. Instintivamente virei para ver seu rosto, mas ele me impediu virando minha cabeça para o lado. Permaneci como ele queria para que terminasse o curativo.

Assim que terminou ele saiu de onde estava e logo chegou com uma garrafa com água e um copo de vidro. Colocou o líquido no copo e me ofereceu, pois minha garganta estava seca. Enquanto eu bebia vi o seu rosto. Aquela máscara assustadora feita do caule de alguma árvore escondia o rosto de um rapaz de tez negra com traços formosos e não posso negar, era muito atraente. Tinha um olhar furtivo, eu sabia que ele me olhava enquanto o meu para uma vela ou para o chão. Mas para a minha surpresa ele quebrou o silêncio.

- Nea é um nome bem diferente e bonito também.

- Não sou daqui – respondi após colocar o copo no chão – eu vim da Suécia.

- Também  não sou deste país.

- Percebi – eu falei no seu sotaque carregado. Mas por que veio aos Estados Unidos? E qual o seu verdadeiro nome?

Ele baixou a cabeça por alguns instantes, pegou o copo, a garrafa e saiu. Olhou para mim e falou:

- Me chamo Philip Ojomo.

Em seguida saiu da minha presença. Voltou para mim e me fez levantar com certa brutalidade, mas eu sentia o seu olhar que ele fazia isso com certa obrigação e não com vontade própria. Resolvi perguntar:

- Para onde irá me levar?

- A entidade quer você! – respondeu sem me olhar. Foi daí que lembrei da história que Dwight  e percebi então a veracidade dos fatos.

O espectro começou a me puxar fazendo eu caminhar até a porta. Consegui me desvencilhar dele e comecei a procurar alguma saída naquele lugar, mas eu não encontrava e um desespero bateu em meu coração fazendo  eu ir contra a parede. Virei-me e fiquei de frente com Ojomo. Podia sentir algo diferente e assustada estava para agredi-lo com as mãos, mas ele me pegou pelos pulsos e me prensou na parede. Philip tentava ser duro comigo, mas algo fazia com que essa dureza se desmanchasse. Até que ele baixou a cabeça para baixo e sussurrou:

- Eu não consigo.

Parece brincadeira, mas comecei a me encantar com seu comportamento. Ele parecia que estava com um choro contido e eu podia ouvir os seus soluços. Também baixei a cabeça e sussurrei:

- Então não o faça!

Ojomo me soltou, colocou as mãos no rosto e chorou copiosamente. Ousei a acariciar um de seus largos ombros e perguntei:

- Por que você precisa me levar para ela? Deixe-me ir embora e finja que nosso encontro nunca aconteceu.

- A entidade já sabe de você. Seu eu não te entregar... Tenho que me sacrificar...

Assim que ele disse isso senti uma pontada em meu coração. Ele continuou:

- Estou num caminho sem volta.

Em seguida Ojomo saiu da minha presença me deixando naquela casa por volta de três dias. Não sei para onde ele foi, mas apesar de conhece-lo a pouquíssimo tempo eu já estava sentindo sua falta. A sorte é que tinha comida naquele lugar e foi assim que me mantive até alguém me encontrar.

Mas Ojomo voltou. Sem demora ele me chamou para conversar. Perguntei se ele tinha conseguido conversar com a entidade.

- Não – respondeu tirando a máscara – eu vou deixar você ir embora.

- Mas e você? – perguntei.

- Não vejo mais continuar nesse caminho...

- Você pode vir embora comigo – falei sem pensar.

Ojomo acabou contando sua história e como se tornou vassalo da entidade. E finalizou dizendo:

- O que me resta é o sacrifício.

- Não fale isso – falei segurando seu rosto – vamos embora.

A casa que estava um pouco mais clara por causa do sol que batia nas frestas permitindo que eu visse com mais detalhes o seu rosto tão jovem, mas tão sofrido. Passei meu polegar pelos seus lábios carnudos e em seguida os beijei. Ele não impediu que eu fizesse isso e ficamos assim por alguns instantes, depois ele se afastou de mim e perguntou:

- Por que fez isso?

Pensou que foi uma retribuição por ele ter decidido polpa rinha vida, mas eu simplesmente falei sorrindo:

- Eu não sei...

Pela primeira vez eu o vi sorrir. Ele segurou minhas mãos, beijou cada uma e fez um pedido.

- Peço que não se esqueça de mim...

- Tenha certeza disso – eu respondi olhando-o firme.

A noite chegou e ele me levou para o próximo de onde era à entrada da propriedade de Azarav. Pude ver Dwight e Feng conversando  com dois policiais. Estes quando me viram me abraçaram eufóricos e perguntando onde eu estava.

- É  uma longa história  - falei apenas.

Olhei para trás e apenas ouvi o sino do espectro. Uma semana depois encontraram naquele lugar o corpo sem vida de um rapaz negro com várias feridas grandes pelo corpo. Feridas vindas de um sacrifício por causa de mim.

Aquele sacrifício foi a ultima canção de Ojomo.

Jan. 20, 2019, 5:19 p.m. 0 Report Embed Follow story
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The End

Meet the author

Camila Gomes Cristã, paulistana, amante de astronomia, games, dublagem, cultura asiática, mestra em shippar casais errados.

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