Marte da Discórdia Follow story

littlefatpanda Josi (littlefatpanda)

“Gustavo estava cara a cara com um caos em combustão e, sem tirar os olhos divertidos da cena que se desenrolava à sua frente, permitiu-se sorrir.” O casamento entre Giuliana e Hugo gerou uma quantidade significativa de narizes torcidos nos familiares italianos e franceses, sobretudo nos oito filhos do casal, provenientes de casamentos anteriores. Marte da Discórdia nunca fez tanto sentido, e a cidade parece haver sido nomeada em homenagem às famílias e à rivalidade entre as origens, que aparentemente os seguiu desde a Europa até o Brasil. Em meio à desavenças, romances, problemas, amores, ódio, irmandade e união, eles acabarão por descobrir o verdadeiro significado de "família". Narrada em terceira pessoa, esta história aborda o desenvolvimento de diversos personagens, ou seja, todos são personagens principais.


Romance Young Adult Romance For over 18 only.

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Prólogo

— Puta que pariu!

Não soube-se ao certo quem havia exclamado com tanta espontaneidade, mas sequer importou, já que toda a atenção estava voltada para o tumulto no meio da pista de dança.  

Era de se ponderar como aquele pedaço de camarão chegou aos cabelos do noivo, bem como o que havia levado a noiva a escorregar e formar uma nuvem branca de vestido ao chão. No entanto, tudo ocorrera tão rápido que nenhum dos envolvidos sentia-se na necessidade de assumir a culpa para eles próprios.

A verdade era que tudo havia começado com Christophe. Ora, se o adolescente não houvesse implicado com Elisabetta, sabendo do temperamento da italiana, ela jamais o teria empurrado. Como consequência, Chris jamais teria esbarrado no garçom que, por sua vez, jamais teria permitido a oscilação da bandeja em mãos e derramado champanhe pelo chão. Julien não tivera culpa, só estava correndo com uma gama de camarões em mãos, em direção à sua mesa. Porém, Gustavo jamais o teria segurado pelo braço antes do mais novo ter a chance de escorregar no chão molhado, desequilibrando ambos e espatifando-se no chão ao amortecer a queda do garoto. Neste momento, em que o camarão nas mãos do garoto resolveu levantar vôo, este jamais teria pousado tragicamente nos cabelos negros do noivo. Noivo este que estava com o corpo arqueado para frente, com o intuito de segurar sua noiva que, por sua vez, houvera corrido para segurar ambos Gustavo e Julien. Por fim, ela jamais teria escorregado no caminho e caído de bunda no chão molhado.

Se fossem perfeitamente honestos, tudo havia desencadeado simultaneamente, e quando menos se esperara, a pista de dança houvera virado uma confusão.

Gustavo levantou-se rapidamente, juntando o primo de onze anos também, gracioso, e limpou ambas as roupas sociais com as mãos. Seu primo já voltava para a mesa com vergonha, seu pai já havia corrido para acudir sua noiva, e Gustavo não deixava de pensar que foram sortudos por não haverem caído em cima do espumante.

Não podia dizer o mesmo sobre sua nova madrasta.

— Meu amor, você ‘tá bem? — perguntou Hugo, preocupado, ao tentar ajudar sua noiva a levantar. Mas Giuliana era um poço de júbilo, ainda mais naquele dia tão especial, então pôs-se a rir.

— Ah, que confusão! — exclamou ela, ainda rindo, ao aceitar as mãos de seu marido e pôr-se em pé. — Sim, ‘tô bem — confirmou, para os convidados que haviam se aglomerado ao redor. — Por favor, não parem a música! — pediu ao DJ, em cima do palco.

E assim, com tão pouco, a festa recomeçou como se nada houvesse acontecido. A música recomeçara, o chão fora limpo com agilidade pelos funcionários, e a italiana aproveitou a deixa – o vestido tomado de espumante – para pôr uma segunda vestimenta, aquele vestido mais curto que já devia ter posto antes mesmo da festa pós-casório. 

Aquela não havia sido a primeira e nem seria a última confusão daquela noite. O mesmo se podia dizer do último ano que se passara, e dos que estavam por vir.

Não eram tão diferentes entre si, as duas famílias unidas naquele salão.

É claro que havia uma grande diferença econômica entre eles, gerando diferentes vestes, posturas e comportamentos. Os Fontaine vinham de uma família francesa de classe alta, e os D’Angelo vinham de uma família italiana que, tendo o que comer na mesa, nada mais importava. Não eram pobres, mas em um geral, não davam muita importância para heranças que deixassem algo além de terras, cultura e amor, para os filhos e netos. Não se chama a Giuliana de “confeiteira” nos jornais por um acaso, já que vem seguido de “casou-se com o empresário da Imobiliária Fontaine”. Não importava que Hugo fosse um arquiteto e não um empresário, porque seu pai o era e se certificara de que seu nome pesasse com renomo e, bom, com exagero. Fontaine era um nome pesado, carregado não só de dinheiro, mas de arrogância e poder.

Só que os italianos eram tão orgulhosos quanto os Fontaine.

O italiano é conhecido por falar alto, por falarem todos ao mesmo tempo, por gesticular muito, por berrar, por apreciar demais a comida, por ser vaidoso, orgulhoso, e por colocar a família em primeiro lugar, por se entregar apaixonadamente. Italianos são seres apaixonantes, alegres e empenhados. Com os D'Angelo não é diferente. Já os franceses, conhecidos por serem reservados, também são diretos, pontuais e sem frescura. Eles possuem um bom ensino, sabem apreciar a natureza e a beleza pura, são desconfiados e orgulhosos, e levam um tempo a estabelecer amizades. Se um francês confia em alguém, provavelmente é para a vida toda. Os Fontaine herdaram as características francesas, apesar de, talvez, possuírem uma dose extra de arrogância, provindas de sua criação em um meio altivo.

Apesar da França e da Itália serem conhecidas por suas eternas rivalidades de marcas, culinária e costumes, isto apenas as tornavam bastante similares. Dividem a paixão por queijos e vinhos, sua pontualidade, sua forma de cumprimento, sua dedicação ao que fazem, a paixão devastadora e sua elegância.

Mas o detalhe maior desta história peculiar é que eles não eram apenas franceses e italianos. Eram brasileiros. Mesclados, híbridos, mestiços.

E talvez, só talvez, um pouco mais encrenqueiros.

Sentados na mesa destinada às famílias dos noivos, composta dos oito filhos de casamentos anteriores do casal, logo iniciou-se mais um conflito.

Gianluca fizera um comentário irônico acerca de Christophe, que rebateu na mesma hora mas fora ignorado, e ao ouvir o riso involuntário de Fabrizio, Cèline se intrometeu para defender o irmão mais novo. Gustavo tentou acalmar todos, calmo do jeito que era, mas não teve sucesso. Belamina aproveitou a deixa para reclamar mais uma vez de Cèline, e foi apoiada pela irmã, Elisabetta, que mais uma vez erguia a voz para Christophe. A gêmea, Charlotte, soltou um comentário impaciente acerca de Elisabetta, que foi acalmada por Fabrizio, mas tudo se perdeu quando Christophe gargalhou da italiana ao debochar, mais uma vez, de sua pavio curto. 

Christophe – e muitos diriam se tratar de carma –, estava prestes a ter a cara ensopada de Coca-Cola, via mãos ágeis de Elisabetta.

Gustavo estava cara a cara com um caos em combustão e, sem tirar os olhos divertidos da cena que se desenrolava à sua frente, permitiu-se sorrir. Não podia deixar de pensar nas letras formadas por pétalas de rosas brancas, sobre um tecido vermelho, na recepção do salão de festas:

Hugo Jacquez de La Fontaine & Giuliana Monteiro D'Angelo.

Aquelas palavras tão singelas, dispostas de maneira tão encantadora, que anunciavam o amor de duas pessoas e a união de duas famílias, também pressagiavam uma batalha ensandecida entre elas.

A verdadeira guerra estava prestes a começar, é verdade, mas será que as lanças não seriam de amor?

Não deixava de ser uma pena, no entanto, eles não perceberem que não se pode jogar contra o próprio time: ou todos vencem, ou todos perdem.

Jan. 3, 2019, 10:01 a.m. 0 Report Embed 0
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