chiisanahana Chiisana Hana

Em um mundo onde Shiryu já não existia, Shunrei se perguntava se teria forças para recomeçar sem ele. Episode G Assassin.


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O Que Ele Disse


Os personagens de Saint Seiya pertencem a Masami Kurumada e os do Episode G Assassin a Megumu Okada. Com minhas fics não obtenho nenhuma espécie de lucro.


Aviso: SPOILERS DO EPISODE G ASSASSIN. LEIA POR SUA CONTA E RISCO.


Notas Iniciais: O mangá Episode G Assassin trata de multiversos, universos paralelos coexistindo, e no universo onde a história principal se passa, Shiryu está vivo. Porém em certo ponto ele tem lembranças do outro universo onde ele e os companheiros estão mortos. Desde esse capítulo do mangá que tenho vontade de escrever sobre a Shunrei desse universo onde ele morreu, mas eu não sabia bem como fazer. Hoje veio a ideia, felizmente estou de férias e deu pra escrever material para uns três capítulos que eu não sei quando vão sair, talvez logo, talvez não, porque agora vou parar com essa e voltar a trabalhar em Sobrado Azul...



São gotas de memória estas lágrimas novas

Nós somos almas em uma história inesquecível

As infinitas vezes que você virá me procurar

Nos meus quartos vazios

Inestimável

Indescritível

Sua ausência que me pertence

Somos indivisíveis

Somos iguais e frágeis

E nós já estamos tão longe...”(1)



Capítulo I – O que ele disse


Shunrei acordou sobressaltada com as batidas apressadas à porta. Já passava das dez da manhã mas ela ainda dormia porque ultimamente sofria de insônia e só conseguia pegar no sono quando já estava amanhecendo.

Por um momento, pensou que poderia ser Shiryu, mas logo se deu conta de que ele não bateria. Mesmo assim, alegrou-se por acreditar que podia ser alguém da Fundação Graad trazendo notícias dele ou mesmo para levá-la para cuidar dele onde ele estivesse. Vestiu um robe por cima da camisola e correu para abrir a porta. Deparou-se com um homem desconhecido, de terno e gravata pretos, com óculos escuros de estilo aviador e uma expressão tão neutra que chegava a ser incômoda.

– Senhorita Shunrei? – ele perguntou.

Ela confirmou com a cabeça.

– Em nome da Fundação Graad – ele começou em um tom monótono e desprovido de emoção, oferecendo a ela um envelope branco –, venho oferecer minhas sinceras condolências pelos falecimentos do senhor Shiryu e do senhor Dohko.

– Falecimento? – ela indagou, tentando processar a palavra. – Como assim?

Pareceu-lhe que o mundo inteiro estava girando rápido demais.

– Eles pereceram na batalha – o homem prosseguiu. Estendeu novamente o envelope impelindo-a a segurá-lo, o que ela fez com as mãos trêmulas. – Sinto muito por sua perda.

– O-onde estão os corpos? – Shunrei perguntou com a voz tão trêmula quanto as mãos.

– Não sei dos detalhes, senhorita. Talvez expliquem algo no envelope que lhe entreguei.

Ela o abriu furiosamente. Em um pequeno texto impresso, a Fundação novamente lhe dava condolências, lamentava as mortes trágicas de Shiryu e Dohko e informava que não foi possível recuperar os corpos, mas que providenciaram lápides simbólicas no Santuário, junto dos demais companheiros mortos.

– Como assim não foi possível? – ela gritou desesperada. – Eles precisam ser sepultados! Precisam ser sepultados aqui, na terra que eles amavam, perto de mim!

– Não sei detalhes, senhorita – repetiu o homem no mesmo tom monocórdio. Depois, compadecido do desespero dela, acrescentou: – Talvez o senhor Tatsumi possa lhe dizer algo. Novamente, sinto muito por sua perda.

Então ele se virou e simplesmente foi embora. Desolada, Shunrei sentou no chão ali mesmo na porta.

– Ele está morto… – repetiu como se ainda tentasse entender. – O Mestre também está morto. Os dois mortos. Meu Deus do céu! Por que deixou acontecer? E eu nem tenho os corpos para um funeral adequado! Eles podem estar jogados por aí!

O peito dela doía como se fosse explodir e havia uma pressão estranha no ar, como se o mundo inteiro quisesse esmagá-la com seu peso.

Ela releu a carta da Fundação.

– “Não foi possível recuperar os corpos”. Não foi possível!! Como? Por quê?

Dentro do envelope, notou outro papel: um cheque com uma soma considerável de dinheiro em nome dela como “compensação pelas perdas”.

– Desgraçados! Acham que pagam as vidas deles com dinheiro!?

Ela atirou o cheque e a carta no chão e se deitou ali mesmo. Só queria chorar e chorar até desidratar, morrer seca como uma flor velha e ir para o outro mundo encontrar seu Shiryu.

Não teve sequer a chance de dizer a ele o quanto o amava, não teve a alegria de experimentar um beijo dele, não sabia nem mesmo se era correspondida da mesma forma, mesmo assim queria ir com ele. Não fazia mais sentido viver sem ele e sem o Mestre.

– Não faz mais sentido – ela repetiu e se levantou decidida, com uma coisa martelando na mente. As pernas vacilaram e ela se apoiou na porta, tentando recobrar as forças. – Eu vou com eles… – murmurou e caminhou descalça rumo ao topo da cachoeira.

Em breve estaria acabado. Era só se jogar do patamar de pedra mais alto e estaria feito. Logo encontraria seu amado. Mas estava tão fraca e tonta que não sabia se conseguiria chegar. As pernas pareciam pesar uma tonelada e cada passo exigia um esforço tremendo.

– Shunrei – ela ouviu a voz dele chamando seu nome tão claramente como se ele estivesse do lado. – Shunrei!

– Shiryu? – ela indagou incrédula.

– Você não vai fazer isso! – ele gritou em um tom bastante incisivo. – Não vai se matar! Ouviu bem? Não vai!

Ela parou ainda sem acreditar na própria audição e virou-se na direção da voz. Ele estava ali, parado diante dela, usando sua armadura de Dragão que agora estava diferente.

– É você mesmo? Você não morreu?

– Eu morri, Shunrei… – ele agora falava de um modo sofrido, quase um lamento.

– Mas como…? Como está aqui falando comigo?

– Eu tive de vir para impedi-la de fazer isso, minha querida.

– Querida… – ela repetiu. – Você nunca me chamou assim...

– Eu não sabia como lidar com o que sentia… E eu tinha uma missão… Eu não podia me dedicar a você como gostaria…

Por mais que ele quisesse soar tranquilizador, as palavras foram como um duro golpe nela. Não queria ter nenhuma mágoa dele, ainda mais agora que se foi, mas precisava colocar para fora sua dor.

– Eu estava aqui o tempo todo esperando... Esperando uma palavra que fosse, um gesto… Somente uma palavra e nós… Por que me deixou sofrer com a dúvida todos esses anos?

– Eu sei… Queria ter feito diferente, mas agora é tarde para lamentar… Mas não tenho muito tempo, por favor me escute.

– Quero ir com você. Não me deixa aqui, Shiryu. Eu não quero viver sem você. Vamos ficar juntos do outro lado.

– Você tem que viver! Foi por você também que me sacrifiquei, para salvar esse mundo onde você vive. Vai desperdiçar meu sacrifício e o dos meus irmãos?

– Shiryu… eu não consigo mais...

– Você vai pegar aquele cheque da Fundação e vai embora daqui. Não quero que fique sozinha na montanha. Não é seguro. Vá embora! Pegue o cheque e vá para onde tem outras pessoas que entendem o que você está sentindo. E prometa pra mim que não vai fazer uma besteira!

– Eu não posso prometer isso… Dói tanto…

– Prometa, Shunrei! Eu não vou poder descansar em paz se você se matar. Eu não sou uma pessoa como você, não estou no mesmo lugar para onde você irá. Você é boa e pura, só fez o bem na vida, na hora do seu julgamento, a balança só pesará coisas boas. Eu tenho muito sangue nas mãos, ainda que tudo tenha sido por uma causa nobre… Preciso ir agora… mas prometa que vai viver, Shunrei. Vamos, prometa!

– Eu prometo – ela disse mesmo sem saber se conseguiria cumprir.

– Eu estarei de olho em você… Eu te amo, minha pequena. Eu sempre te amei. Lamento não ter dito isso em vida. Agora é tarde, mas quero que saiba disso. Saiba que eu sempre te amei.

– Shiryu…

Então ele deu um beijo no rosto dela e desapareceu.

– Shiryu! – ela gritou e adormeceu.

Quando abriu os olhos, ainda confusa e um pouco tonta. Estava caída no meio do caminho, suja de poeira e folhas secas, e não sabia se sonhou ou se Shiryu veio mesmo para impedi-la de cometer suicídio.

– Ele disse que me amava – murmurou, sentando-se no chão. De repente, percebeu que não sentia mágoa por ele não ter dito em vida porque, no fundo, ela sempre soube. Conseguia sentir o calor na bochecha onde ele beijou ou estava delirando? – Ele disse que eu tenho que viver… Vá para onde tem outras pessoas que entendem o que você está sentindo – ela repetiu o que ouviu no sonho.

Com muito custo, Shunrei levantou-se do chão. Arrastando os pés, foi caminhando para casa, decidida a fazer o que ele disse.


Continua…


(1) Giorgia, Gocce di Memorie

Dec. 29, 2018, 8:58 p.m. 0 Report Embed Follow story
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