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xhasashi Hasashi Rafs

Polnareff não sabia se o que sentia era recíproco ou unilateral. Entretanto, esperava que um milagre de Natal respondesse todas as suas perguntas. [Avdol x Polnareff]


Fanfiction Anime/Manga Not for children under 13.

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Capítulo único

Polnareff tamborilava os dedos na grade da varanda, olhava para Paris tão linda como nunca, iluminada pelas luzes de Natal. Observava as famílias andando alegremente pela calçada, os casais apaixonados tirando algumas fotos e a Torre Eiffel tão linda e majestosa ao fundo daquela bela paisagem. Suspirou o cheiro dos croissant recém saídos do forno na padaria próxima ao apartamento que vivia, passou as mãos pelos braços que já estavam começando a ficar sem as cicatrizes de alguns meses atrás.

Como será que ele estava?

Ao contrário do que pensou - e sonhou em seus piores pesadelos -, não havia perdido ninguém naquela viagem ao Egito de quase seis meses atrás. Saíram machucados, quase entre a vida e a morte, mas vivos e com a sensação de dever cumprido; salvaram a Senhora Holly, aproveitaram uma ótima temporada de férias (ainda que conturbadas) e se divertiram, de certa forma. Entretanto, um sentimento ainda crescia em seu peito, um que tentou por milhares de vezes negar que estava ali: Era saudade.

Por quê sentir falta de alguém que conheceu a tão pouco tempo? Qual a razão de se afeiçoar tão fácil a uma pessoa que mal conviveu?

Gostava de dizer que Paris era a cidade do amor, das paixões intensas e...foi em outro lugar, tão distante, que havia encontrado afeto e um sentimento que nunca havia sido contemplado por ele. Tudo era muito confuso, diferente e bom; ainda que não soubesse exatamente o que fazer, tinha a sensação que talvez...só por algum momento, não era uma loucura tão grande assim.

Foi de maneira gradual, primeiro passou a achar bonito a maneira na qual ele se comportava, em seguida, foi o timbre de sua voz..sempre tão calma e serena. Teve certeza que estava ferrado quando o viu pela primeira vez, sem todas aquelas roupas típicas que vestia, e percebeu que ali havia um homem como ele...e lindo. Simplesmente lindo.

Passou a rir de si mesmo e das besteiras que pensava, por Deus...Avdol nunca corresponderia seus sentimentos, não da forma que desejava. Claro que ouvia constantemente os conselhos de Kakyoin sobre isso, tentava achar coragem de algum lugar e dizer de uma vez tudo que queria, porém, era sempre vencido por sua covardia  A admiração que tinha por ele, era quase uma devoção a uma divindade, porque era assim que Polnareff olhava para Avdol: Como um Deus. Sempre tão sábio, poderoso, com as palavras certas no momento certo e se convencia novamente que estava enlouquecendo aos poucos.

- Argh, merde. - Reclamou, batendo com a mão na grade.

Ouviu um rosnado seguido de um latido que o obrigou a olhar para trás; revirou os olhos e acabou rindo. Iggy estava ali, sendo o mesmo cachorro folgado de sempre, com a diferença que agora era o seu companheiro de apartamento. Ainda não se davam tão bem, mas...aprenderam a se respeitar.

Um barulho estridente começou a ali, novamente o cachorro reclamou por ser tirado do seu sono, fazendo Jean rir ainda mais da impaciência e mau-humor daquele pequeno animal com uma personalidade tão...distinta. Caminhou até o responsável pelo toque, sentou em sua cama, pegou o telefone e colocou em sua orelha.

— Alô?!

— Não é assim que atende os amigos, Polnareff. – Ele sorriu, reconhecendo a voz do outro lado.

— Kakyoin mon ami! – Exclamou, abrindo um sorriso. —  Achei que tinha esquecido de mim.

— Sem dramas, Polnareff.

— Não é drama, você fica com o Jotaro o tempo inteiro e esquece dos amigos. É possível ter os dois, sabe?! - Sabia que Kakyoin havia revirado os olhos, principalmente após ouvir um longo suspiro vindo dele.

— Jean, espero que o Iggy grude na sua cara pra te fazer calar a boca. - Foi a vez do francês rir alto.

— Tudo bem, me diga, o qual a razão da ligação, mon ami?

— O Senhor Joseph quer reunir todos nós para passarmos o Natal juntos, acho que merecemos isso, certo?

Juntos.

O tempo pareceu parar por alguns momentos para Jean, principalmente por compreender que esse termo se referia a realmente todas as pessoas envolvidas na viagem do Egito. Odiava o fato de ter que pegar um avião para ir até o Japão - já que Joseph havia conseguido a proeza de despertar o trauma de transportes aéreos em todos os envolvidos na missão - e principalmente, ter que encarar sua paixão não resolvida.

— Polnareff? Morreu? - Kakyoin o trouxe de volta, fazendo Pierre respirar profundamente antes de responder. — Tudo isso é por causa dele?

Maldito. Pensou a respeito de Noriaki, porque sempre o maldito egocêntrico e orgulhoso tinha que de fato ser o dono da razão?

— Vai se foder. - O outro riu do outro lado da linha.

— Como sempre, estou certo. O que te aflige? - Talvez não fosse ruim conversar.

— É só difícil, Nori. Você sabe o que sinto e como me sinto, só não sei se isso é uma via de mão dupla ou é um sentimento unilateral.

— Você sabe como eu me sentia sobre o Jotaro, Polnareff. Se não dizer, não tem como saber se isso é recíproco ou não.

— Ele vai, não é? - A risadinha do amigo foi o suficiente para confirmar a sua pergunta. — Quando devo chegar? Levo o Iggy?

— Venha no dia 24 de manhã, e sim, traga o Iggy.

— Esse cachorro insuportável vai causar no avião, Kakyoin. E a culpa vai ser sua. - O ruivo riu, mas não sem antes interromper o amigo:

 Antes o seu cabelo que o meu. - Polnareff revirou os olhos novamente, e prosseguiu em silêncio. — Sobre o Avdol, confia em mim, tudo irá se resolver.

— E como você sabe? Eu não sei, Nori...eu realmente não sei, mon ami.

— Mas eu sei, você sabe, não é? Eu nunca passo frio, Jean…Estou sempre coberto de razão.

— Passa o telefone pro Jotaro, vou mandar ele calar a sua boca antes que comece esse discurso. - Interrompeu, fazendo Noriaki rir do outro lado.

 Eu vou desligar, te busco no aeroporto. Só por favor, venha e me avise a hora que irá chegar.

— Não se preocupe, você terá a minha presença.

— O Avdol também.

— Vai se foder, Kakyoin! - Ia continuar os xingamentos, mas ouviu uma longa risada e a chamada foi finalizada.

 

X

 

Polnareff admirava as luzes de Natal espalhadas por todo o aeroporto, havia ido ao Japão poucas vezes e estar ali novamente, por uma razão tão importante, era reconfortante. Iggy estava em seu colo, já que destruiu a caixa de transporte canino que estava. Andava calmamente por aquele ambiente repleto de pessoas espalhadas, até finalmente avistar uma cabeleira ruiva, que contrastava tão bem com as roupas verdes que ele insistia em usar. A cicatriz dos olhos estava mais amena, os brincos de cereja inconfundíveis estavam em sua orelha, como se lembrava a alguns meses atrás. Iggy se remexeu incomodado, saindo do colo de Jean e correndo até Kakyoin com certa dificuldade, já que sua pata ainda não havia se recuperado da luta com o Pet Shop.

Noriaki o pegou no colo, fazendo carinho na cabeça do cachorro que parecia feliz em vê-lo.

Polnareff xingou aquele maldito animal bipolar, por que com os outros era daquela maneira?

— Esse cachorro é um desgraçado mesmo. - Reclamou, jogando a bolsa no chão e abraçando o amigo. - Com você ele age assim!

— É sensato que fala, não é? - Noriaki gargalhou, fazendo Polnareff revirar os olhos.

— Eu senti sua falta, Kak. - Disse, abraçando novamente o melhor amigo.

— Obviamente, eu sou incrível. - Jean suspirou fundo, e nlele sorriu. - Eu também senti a sua, Jean. Vamos? O Jotaro está nos esperando lá fora.

— Como vocês dois estão? - Enquanto andavam, viu Kakyoin sorrindo.

— Está tudo...incrível. Você sabe, a situação em minha casa não está das melhores, mas ao menos, a família Joestar me acolheu como filho.

Jean respirou fundo, podendo sentir a dor do amigo.

A família de Kakyoin não conseguia aceitar o fato do tal “acidente” muito mal explicado que quase matou o filho. Quando Jotaro e ele assumiram uma relação, não foi muito bem aceito, visto que para eles, a família Kujo/Joestar foi a culpada por Noriaki ter ido àquela viagem do nada e voltado com uma cicatriz nos olhos e entre a vida e a morte.

— Não precisamos falar sobre isso agora. - Polnareff sabia que aquilo era delicado para ele, não queria tocar em feridas que não estavam cicatrizadas.

Inclusive, as dele próprio.

Uma das razões de nunca conseguir falar como se sentia para Avdol era o peso que carregava em suas costas. Ele poderia estar morto, os três, na realidade. Talvez, se houvesse sido mais corajoso, não teria visto uma das pessoas mais importantes de sua vida passando por tudo aquilo e quase ter ido embora daquela forma.

A questão é que Jean se culpava por tudo que havia acontecido, e o fato da ideia de jamais conseguir dizer a ele que o amava era seu pior arrependimento.

Talvez devesse ser mais corajoso.

Infelizmente enxergava Avdol como algo inalcançável, que tudo que sentia era uma grande loucura. Noriaki costumava dizer que Polnareff não enxergava um palmo à sua frente, porém, não conseguia visualizar tudo que o amigo dizia. Ou melhor, jamais acreditava que aquela “relação” de amizade existia um sentimento além.

— Está nervoso? - Kakyoin perguntou, fazendo Jean retornar a realidade.

— Estou, você sabe. - Suspirou, soltando o ar lentamente pela boca na esperança de acalmar seus pensamentos.

— Você já foi mais confiante, Jean. - O ruivo deu um pequeno risinho, ainda que o francês quisesse xingá-lo, sabia que ele estava certo.

— Não é questão de confiança, talvez seja...culpa?! Não sei ao certo. - Olhou para Iggy, que dormia tranquilamente no colo de Kakyoin. Tentando ignorar todas as coisas que sentia.

— Somos adultos, responsáveis por nossos destinos, Polnareff. Nada do que aconteceu no Egito é culpa ou problema de alguém, fomos para lá por questões diferentes, com propósitos semelhantes. - Para alguém de apenas dezessete anos, Kakyoin às vezes tinha a razão. Mas jamais diria isso a ele.

— Sim, eu sei. - Passou as mãos em seu cabelo, agora um pouco mais decidido. - Mas vamos mudar de assunto, não estou interessado que seu namorado saiba disso. - Falou, avistando Jotaro com o mesmo semblante “de nada” encostado na parede a frente.

 

X

 

— O voo dele está atrasado. - Kakyoin respondeu, sentando-se ao lado de Polnareff.

Jean observava em silêncio o jardim da família Kujo, admirava o céu estrelado que havia sido um grande presente para aquele Natal. As luzes estrategicamente colocadas em um pinheiro enfeitado deixava tudo ainda mais belo. Não sabia ao certo de japoneses tinham o costume de comemorar a data, mas obviamente Holly fazia questão de enfeitar seu quintal e reunir seus familiares e amigos todos os anos, como aprendeu de seus pais.

Enquanto tentava assimilar todas as coisas que passavam por sua cabeça, ouvia Kakyoin falando sobre seus planos para o próximo ano e nesse momento percebeu que queria ser um amigo melhor, porque não conseguia se focar em mais nada além do seu próprio nervosismo.

Por que o maldito avião atrasou? Porque tinha que ser daquela forma?

Não negava para si mesmo o quanto temia por essas coisas, o medo de perder Avdol novamente era real e agonizante; sabia que devia ser mais confiante e menos pessimista, mas a ideia de não tê-lo ali era desanimadora.

Contudo, tentou olhar para o lado bom de tudo aquilo: O fato de poder ensaiar algumas coisas que falaria para Avdol, principalmente após a conversa muito esclarecedora que havia tido com Noriaki naquela tarde. Precisava resolver as coisas de uma vez, expor seus sentimentos para finalmente saber se seguiria em frente com ou sem ele.

Polnareff não era do tipo que se apaixonava com frequência, havia tido alguns pequenos casos e amores de verão, vivia intensamente sem se preocupar com sentimentos e relações.

Até o Egito, até ele.

No início cogitou que aquilo era gratidão e admiração, Muhammad era alguém que trazia o melhor de si mesmo em qualquer pessoa que se aproximasse, porém, com o tempo, percebeu que a vontade de estar perto ia além de uma simples amizade que fosse. A partir dali, cultivou uma paixão em segredo até o dia que achou que ele havia morrido. Aquelas noites foram as piores de sua vida, a culpa que sentia era tão grande quanto sua raiva. E então, novamente Avdol voltou, o salvando pela segunda vez.

Não apenas fisicamente, mas novamente ele foi a redenção para seus medos e inseguranças, a luz que faltava para acender algo em Polnareff que havia morrido a um certo tempo, fechou os olhos, ignorando tudo ao seu redor; apenas se permitiu respirar o fundo o cheiro das flores.

Percebendo que Kakyoin havia ficado em silêncio, levou suas mãos até o braço do amigo.

— Nori, você…- Olhou para o lado, e parou instantaneamente de falar.

Não era seu melhor amigo, estava muito longe disso.

—  O Kakyoin foi falar com o Jotaro. - Avdol respondeu, olhando para as mãos em seu braço com um sorriso no rosto. - Polnareff.

— Avdol…- Disse, ainda estático por vê-lo sorrindo.

Fazia tanto tempo, haviam tantas coisas a serem ditas e nada conseguia sair de sua boca. Ficou alguns segundos em silêncio, tentando acalmar as batidas do seu coração que passaram a ficar descontroladas. Os olhos dele pareciam tão bonitos como antes, o corpo de Muhammad continuava tão quente como se lembrava.

— Que sorte, não é? - Jean olhou para ele confuso. — Estarmos aqui, todos reunidos depois de todo esse tempo. - Continuou, vendo o francês assentir e olhar para frente.

— Também acho. - Pegou um cigarro dentro de seu bolso, acendendo e colocando em sua boca em seguida. — Você está bem?

— Estou. As coisas tem se ajeitado.  - Disse, observando o cachorro deitado mais a frente quase dormindo. - O Iggy se adaptou a sua casa?

— Ele já não arranca meus cabelos, aprendemos a conviver. - Avdol sorriu, abaixando a cabeça. – E você? O que tem feito desde a viagem?

— Viajando como sempre, tentando colocar os pensamentos em ordem depois do Egito. - Jean tragou o cigarro, se questionou como ele estava depois de tudo aquilo.

— O Egito foi...intenso. - Disse, olhando para um ponto em específico mais a frente.

Era difícil encará-lo, por mais que amasse olhar para Avdol.

— Diria que foi sorte.

— Eu não sei muito bem o que é isso. - Polnareff respirou fundo e soltou um pouco de fumaça para cima.

— Por que? - Muhammad sabia como Jean era, conseguia desvendar facilmente as entrelinhas daquele homem tão... dramático.

— É complicado, Avdol.

— Sou perfeitamente capaz de te entender.

Eu amo você. Foi o que Polnareff pensou em dizer, mas teve medo das reações. Ficou preocupado com o que ele diria, ser correspondido era uma loucura, certo? Ainda que Kakyoin dissesse que era possível, não dava para acreditar.

— Façamos o seguinte. - Começou. - Vamos ver o que as cartas dizem sobre a sua sorte.

— Acho que nem um milagre de Natal pode me fazer menos azarado. - Os dois sorriram um para o outro. - Tudo bem, vamos ver o que suas cartas dizem.

 

X

 

Polnareff olhava Avdol em silêncio, não precisava ser muito observador para saber que o momento de preparação para a mesa era essencial para ele. Havia um respeito, uma maneira muito peculiar de organizar cada um dos elementos que necessitavam estar ali.

Primeiro, arrumou a toalha em cima da mesa, em seguida, organizou as pedras em um círculo. Posicionou algumas velas ali, usando seu Stand para acendê-las. Colocou um copo de água e por fim, um incenso. Convidou Jean para se sentar, fazendo o mesmo depois.

Os dois passaram a se olhar, Avdol mantinha a sua expressão sempre serena e calma, naquele momento precisava dar o melhor de si para que nada saísse errado.

— Nós vamos fazer um jogo diferente. - Começou. - Você fará uma pergunta objetiva, que a resposta precise ser sim ou não. As cartas dirão a sua sorte.

Pierre apenas assentiu, pensou um pouco sobre o que perguntaria e, quem sabe, aquele fosse o momento certo para dizer o que sentia. Percebeu que nos olhos do homem à sua frente, era onde gostaria de olhar por mais tempo. Que talvez, quem sabe, deveria saber a verdade de uma vez e parar de se penalizar tanto como estava fazendo a tanto tempo. E o mais importante, era ter a consciência se Avdol o corresponderia ou não.

— Mentalize a pergunta que você quer e...

— Você é apaixonado por mim também? - Interrompeu, falando em alto e bom tom o que queria. Avdol se espantou com a pergunta, seu coração acelerou muito mais rápido do que deveria.

Mas estava no meio de um jogo de cartas, não era o seus desejos que estavam ali, e sim o de outra pessoa.

— As cartas, Polnareff. Elas irão te responder, não eu.

Jean quis desistir, aquilo teria sido um não? Porém, se sentiu ridículo ao pensar nisso. Ele levava aquilo a sério, provavelmente não podia responder como gostaria, independente da resposta.

— Tudo bem, vou mudar a minha pergunta. - Respirou fundo, encontrando coragem o suficiente. — O Avdol está apaixonado por mim?

Jean apontou para uma carta que estava em cima da mesa, Muhammad a virou em seguida e recebeu um olhar confuso.

O Sol.

— O que isso significa? - Perguntou, vendo ele juntando as cartas novamente.

— A carta do sol representa sucesso, conquistas. Nesse caso, ela é uma resposta afirmativa para a sua pergunta.

Polnareff ficou estático, olhando para o homem à sua frente ainda sem saber o que dizer e como agir. Então era recíproco? As cartas haviam respondido, não Avdol; aquilo o deixou ainda mais confuso que estava. Entretanto, uma ponta de esperança se acendeu dentro dele.

— E então…- Foi a única coisa que conseguiria dizer, ainda que desejasse enchê-lo de perguntas.

— As cartas falam por mim, Jean. - Deixou o baralho ao lado da mesa, tocou levemente os braços de Polnareff e o olhou nos olhos.

Ele estava apaixonado, tudo que sentia, as dúvidas que teve por todo aquele tempo sendo respondidas de um jeito tão simples e direto, como Avdol; como tudo que amava naquele homem tão incrível que se dedicaria a venerar todos os dias se pudesse.

Os dois se levantaram juntos, parando um em frente ao outro; as mãos de Polnareff foram de encontro aos braços de Avdol, tocando ainda com receio, aproveitando o calor que emanava dele e se aninhou ali, o abraçou da maneira que gostaria a tanto tempo, sem receio de não ser correspondido ou levar o maior fora da sua vida.

— O espírito Natalino me trouxe sorte, ao que parece. - Disse, vendo Muhammad sorrir em seguida.

— O Natal pode trazer muitas coisas boas, Jean. - Respondeu, segurando delicadamente o rosto de Polnareff. - Coisas que ninguém imagina. - Eles se encararam por alguns minutos.

Polnareff passou os dedos pelas marcas do rosto de Avdol em um gesto de carinho. Começaram a se aproximar lentamente, até finalmente seus lábios se encostarem. Beijá-lo era surreal, e esse pensamento vinha de ambos, que a tempos escondem seus sentimentos de todas as pessoas, inclusive de si mesmos. Agora, estar ali um nos braços do outro não parecia mais sorte ou um mero milagre de Natal, estava mais para destino.  


 

Dec. 24, 2018, 6:34 p.m. 0 Report Embed 0
The End

Meet the author

Hasashi Rafs Faço estágio de Scorpion nas horas vagas, principalmente quando Plano Terreno precisa de salvação. Tenho sangue Uzumaki e dou aula de como lidar com Senju Cretino, interessados chamar no probleminha. Apaixonada por Mortal Kombat e a mama da igreja HashiMito.

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