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That's why I can't love you in the dark


 




“(...)I can't love you in the dark

It feels like we're oceans apart

There is so much space between us

Maybe we're already defeated(...)”


As lágrimas escorriam pela face alva, marcando a pele como açoites a lhe manchar. Os olhos fechados, enquanto a cascata de dor transbordava no silêncio daquele cômodo.

Hinata fungava em meio ao choro, como se puxasse com todas as forças a dignidade, mas nada vertia, apenas choro. O mais silencioso e doloroso dos choros. Na penumbra daquele quarto, luz não se propagava, só um ou outro som de soluço que insistia em fazer-se audível, mesmo que a jovem Hyuuga tentasse abafá-los veementemente.

As batidas na porta entregaram que ela não estava sozinha, como havia imaginado. Provavelmente Hanabi iria falar sobre o encontro, ou pior, seu pai a atarefaria com algum assunto com o qual, no momento, ela não queria tratar.

—  Hinata? —  a voz que chegou aos seus ouvidos era forte, porém tranquila. Tal como o esperado para alguém que pertencesse aquele clã.

A jovem passou o dorso das mãos sobre o rosto, apertando-as com mais afinco contra os olhos já inchados pelo choro, buscando esconder o que era inegável. Caminhou lentamente até a porta, abrindo-a, enquanto olhava para baixo, escondendo a face pelas sombras que o corpo a sua frente projetava.

—  P-posso ajudar? —  a voz saiu num fio, a garganta embargada e a vontade de sentar ali mesmo e voltar a chorar.

—  Eu quem te pergunto.

Era a voz suave que a fazia respirar fundo e concentrar-se em tudo aquilo. Neji estava ali, na porta de seu quarto oferecendo-se para ajudá-la.

Não era de seu feitio entregar-se num abraço, pois era aquela a fraqueza que seu pai tentava dia após dia expurgar de seu corpo e alma. Mas rendeu-se ali, ao carinho que era raro ver nas ações do primo, dando uns passos em sua direção, abraçando-o fazendo seu rosto esconder no torso alheio. Não esperava nada além de músculos rígidos e uma postura pronta para afastá-la… mas não aconteceu. Pelo contrário. Hinata surpreendeu-se quando a mão firme de Neji puxou-lhe para ainda mais perto, enquanto seu queixo apoiava-se em sua cabeça. Aquela era a sua deixa para desabar… e chorar. E o fez, sem medo, molhando as vestes alheias enquanto fungava e soluçava.

Ficaram assim, abraçados na porta do quarto, até que Hinata aquietasse o choro e colocasse pra fora toda a angústia que a sufocava lentamente. Ao se afastar, olhou para cima, encontrando aqueles orbes nublados que tanto parecia com os seus. Mas sempre tão distintos. Era impossível que o rosto não tornasse rubro com a intensidade que os olhos de Neji passavam.

Não esperava também que ele tão prontamente a tocasse no rosto, enxugando-lhe as lágrimas, acariciando a maçã do rosto com seu polegar.

—  Obrigada… —  novamente a voz que sequer passava de um sussurro, para muitos, mas para ele sempre chegava em alto e bom som, porque ele a notava.

—  Não por isso. —  Havia pesar em sua voz, algo que Hinata não conseguiria notar naquele momento. Era de fato pesado o fardo de apenas assisti-la. De saber que ela se doava à quem sequer a notava, como ele notava.

—  Como… como sabia que estava aqui? —  recuou mais dois passos, e deslizou a mão esquerda levemente afastando-a do corpo de Neji, arrastando o dorso de suas falanges na pele recoberta por ataduras de treinos. Sentindo por fim que seus dedos encontraram barreira e abrigo, junto aos da destra de Neji. Entrelaçando-os aos dele de forma involuntária. Mas muito bem percebida por ele, que olhou para baixo.

—  Estava observando você.

Claro, ela pensou que fosse apenas por ordem de seu pai. Que seu primo zelasse por seu bem estar. Era exagerado, mas costumes e tradições não se extinguiam da noite pro dia.

—  Não é necessário me seguir, por ordens de meu pai. —  Estava ali o tom de voz que a herdeira do clã raramente usava. Firme e decidido. Não mais seria um estorvo e um peso para que outros carregassem.

—  Não o fiz por um pedido, fiz por interesse próprio.

Gelou. Estagnou com a boca entreaberta, quase (quase mesmo) balbuciando palavras desconexas, devido à surpresa. Olhou para os lados, para baixo (finalmente notando que estava de mãos dadas com Neji), para cima, mas buscando desviar daqueles olhos que tanto sabiam hipnotizar. Proferiu um ou cinco “hm”, como quem está disposto a falar, mas nada rompe.

—  Interesse próprio?

Uh, ela notou. E bem, ele também. Pois o rubro que atingia a face dela, também tingia a dele. Em menor escala, mas ainda visível. Pigarreou, apertando a mão dela com um pouco mais de força.

—  Às vezes… —  a pausa viera para lhe dar o discernimento necessário para prosseguir. —  preciso me assegurar de que você ficará bem, mesmo que desaba em lágrimas. —  A mão tocou-lhe novamente a face, não mais molhada. Acariciando-a de forma tão sutil quanto lhe era possível. Inclinou-se a frente, sabendo que qualquer movimento brusco a assustaria, como um predador encurralando a presa, foi sutil. O selar de lábios à testa alheia, bagunçando a franja da mais nova. —  Quando você sai por Konoha, para apenas dar de cara com o Naruto correndo atrás da Sakura. Eu sempre vou atrás de você, me certificando de que não se machuque ainda mais.

Era doloroso amá-la no escuro. Desejá-la quando ela amava e desejava outro. Restava-lhe ser o guardião, o que zela pelo bem estar, mesmo que isso significasse jamais tê-la consigo.

Estar com ela, era como observar a chuva dentro de uma redoma de vidro. Banhava à qualquer outro, que não ele. E como se o universo resolvesse brincar com seus sentimentos feridos, a chuva agora vinha com mais intensidade que os respingos de outrora. Assim como o trovão que tão logo dissipou-se no ar.

Hinata ainda observava-o, atônita. Ficando na ponta dos pés, para tão abusadamente selar os lábios na bochecha de Neji.

—  Obrigada.

Comentou mais vermelha que um rubi, fechando a porta e deslizando por ela até atingir o chão. Com vergonha, mas um pouco mais aliviada da dor que carregava ao peito. E sabia que a chuva que lavava agora os contornos de Konoha não era á única solução aos seus problemas… mas Neji.

Dec. 20, 2018, 6:52 p.m. 5 Report Embed 3
The End

Meet the author

Lux Noctis A verdade é que não há absolutamente nada de especial aqui.

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Post!
Kitsune 狐 Kitsune 狐
Suas fics NejiHina destroem meu coração tanto quanto o deixam quentinho haha Todas perfeitas demais!
Jan. 9, 2019, 4:32 p.m.
Azarashi Onna Azarashi Onna
Toda a ambientação da fic está maravilhosa, vou te falar que ela me deixou com muito gostinho de "quero continuação" hahahah. Neji é um gentleman da porra. <3 parabéns pela fic, bb!
Dec. 20, 2018, 7:29 p.m.

  • Lux Noctis Lux Noctis
    ♥ Já começo com coração, porque fiquei feliz sim. Eu mesma escrevi essa já pensando na continuação, que normalmente faço solta mesmo, para que possam ler uma, sem necessariamente ler a outra, e vice-versa. rs NEJI é muito meu nenê ♥ gentleman sim, fofo sim, queria sim. Agradeço por ler e vir aqui comentar. Beijos! Dec. 21, 2018, 5:39 a.m.
Inial Lekim Inial Lekim
Ain deos eu morro com essa dinâmica nejihina. Acho lindo ao mesmo tempo em que me destrói o coração <3
Dec. 20, 2018, 3:21 p.m.

  • Lux Noctis Lux Noctis
    É um morde e assopra diferenciado. Eu mesma fico entre o AWN e o MELDELS, QUE SAD! é confuso. Dec. 21, 2018, 5:32 a.m.
~