E os namoradinhos? Follow story

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Cansada de ouvir a mesma pergunta dos parentes em todo Natal, Marina resolve tomar uma medida drástica esse ano. Ela precisa de um rapaz para se passar por seu namoradinho durante a ceia. Com a ajuda de um amigo, acaba encontrando esse rapaz na figura de Daniel. Endividado até o pescoço, ele aceita o desafio em troca de uma grana que o ajudará a limpar o nome e tirá-lo dos órgãos de crédito. Para convencerem como casal apaixonado, Daniel e Marina se aproximam para combinar os detalhes da falsa história de amor e mergulham de cabeça na farsa. Talvez... mergulhem até demais.


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#natal #romance
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Procura-se um namoradinho

  

NOTAS INICIAIS: 

Shortfic original escrita por mim, portanto, sem plágio. 

A história foi desenvolvida para o desafio de dezembro do grupo Ficwriter Facts - Fábrica de Histórias.

A capa é um modelo do Canva.

O livro "Procura-se um marido" da diva Carina Rissi serviu como fonte de inspiração. 

Ela terá 7 capítulos e, como já está bem adiantada, não resisti e tô postando. Será concluída até 31/12/2018, fé em Cher.

Boa leitura e comentários são bem-vindos ♥


***


De uma maneira geral, adoro essa época do ano. Ver a cidade colorida por enfeites polares que não combinam com o nosso verão infernal é controverso, porém muito engraçado. Trocar presentes com a brincadeira de amigo oculto pode ser bem divertido e uma ótima oportunidade para pedir algo que queremos há muito tempo — claro, dentro de um orçamento viável a todos os participantes. Receber o décimo terceiro salário e ter a falsa ilusão de que ficamos ricos é maravilhoso. Reclamar, mas não conseguir ficar indiferente à música Então é Natal, da Simone, que toca à exaustão nas lojas e supermercados abarrotados de gente. Testemunhar o misterioso descongelamento anual do rei Roberto Carlos, que sempre ressurge para mais um especial natalino. Enfim, são tantas emoções, bicho!

Por outro lado, tem uma coisa que me irrita profundamente nas celebrações de fim de ano. Os parentes que brotam de todos os lados e se instalam na casa dos meus pais durante elas. Para ser mais específica, uma pergunta inconveniente que adoram soltar no ar como quem não quer nada. Muito pior do que a batida É pavê ou pacumê?, temos a terrível e muito sem noção E os namoradinhos?

Sério, poucas coisas no mundo despertam um instinto assassino em mim. Essa pergunta é uma delas. Já perdi as contas de quantas desculpas inventei e quantas respostas atravessadas disparei para minar essa piadinha imbecil. Mas ela sempre volta no ano seguinte como uma assombração de arrepiar a nuca e, cada vez mais, com um tom de cobrança que não faz o menor sentido.

Como se fosse fácil encontrar alguém que valha a pena namorar. Como se fosse minha obrigação encontrar a alma gêmea perdida nesse mundo enorme. Ou como se tivesse algo errado comigo por simplesmente ter cansado de procurar e preferido ficar solteira mesmo. Aliás, estou muito bem assim, obrigada. Aquele ditado popular — Antes só do que mal acompanhada — é meu lema de vida.

Além disso, sempre tive prioridades muito importantes com as quais me preocupar. Até os 17 anos, eram os estudos regulares. Depois, a preparação ensandecida para o vestibular. Em seguida, não enlouquecer com a faculdade de Letras. Atualmente, me concentrar nos trabalhos, no estágio, no emprego que tenho em paralelo com os estudos cada vez mais puxados, em conciliar tudo isso com os meus pequenos prazeres que se resumem a: livros e quadrinhos para me entreter das leituras complicadas da faculdade, séries maravilhosas para maratonar sempre que posso e o que restou da minha vida social.

Veja bem, não sou nenhuma santa. Entre uma etapa e outra, tive alguns rolos — e não eram de papel higiênico, juro! Alguns namoricos breves, ficantes e paixões que infelizmente não deram certo. Mas relacionamento sério do tipo que fazemos questão de expor no status do Facebook? Namoro firme que sobrevive até o fim do ano e evita a perguntinha idiota dos parentes chatos que tanto me atormenta? Nunca.

— Já sei! É isso! — grito de repente, ao me dar conta de algo muito elementar. — Como eu não pensei nisso antes? É uma ideia brilhante!

Olho para o meu melhor amigo, André, que está deitado na minha cama, com as costas apoiadas na cabeceira e os olhos marejados por mais uma morte trágica em Greys Anatomy. Ele também parece ter levado um baita susto, já que levou a mão ao peito e me encara um tanto abismado. Será que gritei muito alto?

— Você quer me matar do coração, Marina?

Certo, isso responde minha pergunta. Sem me desculpar, no entanto, exponho o insight maravilhoso que brotou nos meus neurônios:

— Eu preciso de um namoradinho.

Um V se forma entre as sobrancelhas de André.

— Você sabe que eu sou gay, né, minha flor?

Reviro os olhos e procuro o controle remoto pela cama. Pauso a maratona da sofrência, me ajeito sobre as pernas dobradas e explico melhor o que tenho em mente:

— Eu preciso de alguém que finja ser meu namorado na frente da minha família. Durante a ceia de Natal, sabe?

Meu amigo e colega de faculdade me encara de um jeito surpreso e incisivo, como se eu fosse um extraterrestre e ele não soubesse como retribuir o contato imediato.

— Por quê?

Expiro profundamente, relaxando os ombros.

— Porque eu estou cansada de não ter um namoradinho para apresentar nessa época do ano.

André me analisa por longos instantes antes de voltar a se manifestar:

— O que aconteceu com o papo de que está muito bem sozinha e não deve satisfações a ninguém?

Também penso um pouquinho antes de abrir meu coração:

— Eu estou bem e não devo nada a ninguém mesmo, só que... também estou farta de virar motivo de piada por causa disso. Fingir demência não adianta mais. Dizer que minha prioridade é estudar, trabalhar e que não tenho tempo para relacionamentos soa como desculpa esfarrapada para os meus parentes. O que é um absurdo, eu sei, mas é assim que eles pensam e isso me tira do sério. Tentar chocá-los com alguma resposta malcriada também não cola mais. Eu preciso apresentar alguém esse ano. Preciso muito!

André passa a mão pelos cabelos castanhos e depois esfrega a barba rala em seu queixo. Pensa, pensa e pensa até que dá de ombros e diz:

— Bom, nós podemos tentar o Tinder.

Balanço a cabeça em sinal de negação e coloco os pingos nos is:

— Não, você não entendeu. Eu não quero um namorado de verdade, só quero alguém que finja ser por uma noite. Falta pouco mais de uma semana para o Natal, André. Eu tenho que ser realista e prática. Não dá tempo de encontrar o verdadeiro amor, então preciso do fake mesmo.

— Você tem sérios problemas, garota... — Ele ri, visivelmente impressionado com o plano.

Cruzo os braços, um pouco impaciente.

— Vai me ajudar ou não? Aposto que você conhece alguém disposto a ajudar uma garota com sérios problemas. Você é cheio dos contatinhos.

André desmancha o sorriso e arqueia as sobrancelhas, ficando muito pensativo logo depois. Irritantemente pensativo e mergulhado num absoluto e misterioso silêncio. A demora me enche de receio e de esperança na mesma proporção. Para incentivá-lo, pego o celular sobre o criado-mudo, abro o WhatsApp e mostro as centenas de mensagens no grupo da família.

— Em uma semana, cada uma dessas pessoas vai me perguntar E os namoradinhos? Isso é um caso de vida ou morte, André! Vida ou morte da minha autoestima, claro, mas é grave do mesmo jeito. Vamos lá, pensa bem, pensa com carinho e pensa logo.

Meu amigo passa o olhar pelas mensagens e depois se volta para mim. Solta a respiração e finalmente desembucha:

— Muito bem, talvez eu conheça um cara, que conhece outro cara, que tem um amigo que talvez tope participar dessa maluquice.

Empolgada, deixo o receio para trás e me encho de esperança apenas. Dou alvíssaras e bato palmas enquanto comemoro:

— Eu sabia! Você é um anjo! Muito obrigada!

André levanta o indicador em sinal de ressalva e pontua devagar:

— Até onde eu sei, esse cara está com o nome sujo, devendo pra Deus e o mundo, pendurado no Serasa e SPC. Não tenha ilusões, bebê, ele não vai te ajudar de graça.

Sem ver o menor problema nisso, rapidamente apresento uma solução:

— Tudo bem, eu pago. Dou todas as minhas economias, se for preciso. Uma mão lava a outra, certo?

André me encara com assombro de novo.

— O seu desespero é tocante, sabia?

— Por falar nisso, quando vai conversar com ele? Eu tenho pressa! Preciso conhecê-lo o mais rápido possível.

Meu amigo pega o controle remoto, recosta-se melhor junto à cabeceira e aperta o play. Nossa série favorita e desidratante volta a ecoar pelo quarto parcialmente iluminado pela luz da TV.

— Assim que terminarmos esse episódio. Se eu sobreviver, óbvio.

Confesso que fico frustrada e muito ansiosa ao ouvir isso, mas acho que não estou no direito de reclamar, sei que estou pedindo um favor e tanto. Então tento me concentrar nas falas dos personagens e finjo serenidade. Não funciona. Volto a olhar as mensagens no grupo da família que sempre fica muito movimentado nessa época do ano. Geralmente, eu silencio as notificações, mas querem saber?

Enquanto André funga, disfarçando o choro emocionado por mais um acontecimento penoso no Hospital Memorial Grey-Sloan, começo a digitar.

“Saudade de todos vocês! Mal vejo a hora de estarmos todos juntos de novo! Quero muito que conheçam...”

Cutuco André e pergunto despretensiosa:

— Ei, só por curiosidade, qual o nome do meu futuro namoradinho?

Abaladíssimo pela tragédia que o seriado dramatiza além da conta, ele não percebe que estou com o celular em mãos e demora a entender a questão também.

— Daniel. Por quê?

— Nada não — desconverso bem dissimulada. 

Aproveito que André é fisgado pelo drama da Dra. Meredith de novo e retomo a mensagem, digitando freneticamente:

“... o Daniel, meu namorado lindo e cheiroso! Pois é, gente, parece que eu não sou imune à cupidez afinal. Fui flechada em cheio e eu estou nas nuvens até agora!”

Completo a mentira com uma enxurrada de coraçãozinhos e emojis apaixonados, ao mesmo tempo em que luto para não cair na risada ao imaginar a cara dos meus parentes ao lerem isso e se darem conta que a fatídica pergunta que adoram soltar durante a ceia não poderá ser levantada esse ano.

Segundos depois, tenho que colocar o celular no modo silencioso porque as respostas à minha bomba pipocam sem parar no grupo. Profundamente satisfeita, respiro fundo, sorrio e volto a assistir.

Com certo pânico, no entanto, lembro que o tal Daniel ainda não topou participar da farsa. Oops...

Dec. 19, 2018, 11:02 a.m. 0 Report Embed 1
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