Inner Beauty - A aposta Follow story

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Quem olha Eloise Taylor não imagina o que se esconde atrás daquele belo rostinho de menina doce. Ela é simplesmente tudo que uma garota é aconselhada a não ser: Agressiva, impulsiva, indelicada, competitiva e com dom para encrencas fora do comum. Mas sua maior fama é de apostadora compulsiva. Não importa a intensidade da competição ou o quão impossível ela pareça, Eloise vai tentar até vencer. A aposta era até bem clássica: Levar um garoto muito bonito numa festa da escola e quem vencesse levava um valor em dinheiro. Só que para Eloise tinha mais a ver com dignidade do que a grana em si, por isso tudo de-veria ser levado a sério, perder não era uma opção. Quando entrou no time Black Eagle o plano era simples: Conquistar os gêmeos Cooper. Seu alvo era Devan Cooper o rapaz perfeito que levaria ela a vitória, enquanto Dillan Cooper o carrasco sádico baixinho com poucos atrativos disposto estragar tudo se ela não ganhasse sua confiança. E de repente estava perdendo mais que uma aposta.


Romance Young Adult Romance For over 18 only. © O enredo e os personagens contidos nessa estoria me pertence.

#humor-negro #comédia #Mphantom #aposta #Inner-Beauty #capitão
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Eu fiz de novo


Burra, burra, burra e Burra! Como eu pude aceitar aquilo?! Estava na cara de que era uma cilada, se brincar, Kelly tinha armado isso desde o início da semana e estava só esperando a chance certa de atacar. E agora? Bom, parabéns para mim, estou ferrada!

Cheguei à verídica conclusão de que sou do tipo de pessoa que não aprende com os erros, quantas vezes não caí nessa conversa de aposta? E cá estou eu na mesma enrascada correndo para casa em busca de uma solução! Sim, Eloise Taylor, você é uma completa idiota impulsiva!!!

Não era segredo para ninguém sobre meu espírito de competitividade, quando alguém me desafiava... Ahhh... Eu não conseguia dizer ‘não’ e sair com o rabo entre as pernas! Sempre aceitei a ideia de ter muitos defeitos, mas com certeza covarde não é e nunca seria um deles!

—John!!!—Gritei por meu irmão do meio quando entrei em de casa na expectativa que realmente estivesse, por sorte não precisou de outro berro, ele apontou a cabeça vindo da cozinha estranhando o tom, na verdade, já conhecia meu timbre de “eu fiz merda de novo”.

—Qual é a encrenca dessa vez?—Questionou já com desdém indo até a sala e sentando para ouvir a história, o que me faz pensar que isso realmente acontece com frequência.

Um fato, era sempre assim que eu conseguia me safar das enrascadas em que me metia, eu tinha um dom para me meter em encrencas e quatro grandes irmãos mais velhos para me tirar delas.  

Afinal, ser caçula tem suas vantagens. E apesar deles pegarem no meu pé desde que eu nasci e terem todos requisitos padrões para irmãos pé no saco, confesso que crescer no meio deles me deu um certo aprendizado sobre o mundo dos garotos, pelo menos uma parte dele.

Minha mãe sempre dizia que eu era uma das raras exceções de meninas que conseguiam falar a língua masculina sem perder o dialeto feminino. O que posso dizer? Eu cresci assistindo futebol, basquete, jogando vídeo game, participando de lutas e com rock infiltrando em meus ouvidos há mais de dezesseis anos! Fica difícil não absorver o que se tem no meu meio natural!

John e Stuart eram os únicos que ainda moravam em casa comigo e meus pais, enquanto os dois mais velhos Ian e Karl, já estavam se virando lá fora e com direito a nova família – Ian já está indo para o terceiro filho, obviamente não aprendeu muito com as aulas de educação sexual constrangedoras da mamãe, se não com certeza não teria engravidado a namorada aos dezoito, para ser franca, teria medo.

Mas tecnicamente isso não quer dizer muita coisa, volta e meia estão sempre enfornados aqui para assistir todos os jogos em família ou qualquer desculpa para não ter que cozinhar e fazer uma boca livre aqui em casa – povinho folgado.

Por essa razão não tinha muita serventia correr atrás do Karl ou do Ian – Mesmo porque eles não seriam úteis nessa encrenca.

Em casa temos Stuart que é um nerd, adora computadores e o raio de sol para ele é como laser, então ele só sai de noite e na maioria das vezes nem à noite porque é quando seus amigos virtuais esquisitos estão online – se é que ele tem amigos –, e um anti-social é tudo que não preciso no momento. Por essa razão fui pedir a ajuda ao John, ele é mais sociável e no momento o que eu precisava tinha a ver com isso.

—Me enfiei numa aposta!—Fui direto ao ponto.

—De novo, Eloise!?—Resmungou enfadonho.—Você tem algum problema, né?! É a terceira vez no mês!—Essa era a parte ruim do John, com vinte e dois anos e ele já acha que é um completo adulto!

—Sem sermões, Ok!?—Ergui a mão frente a seu rosto para que parasse.—A Kelly armou para cima de mim, ela me fez apostar na frente da turma inteira! Eu preciso ganhar ou vou ser desmoralizada naquele baile idiota de inverno! Minha honra está em jogo!—Ele suspirou coçando a cabeça... Não tinha tanta pressa, afinal ia ser praticamente no final do ano.

—O que você apostou?—Minhas apostas sempre envolviam força física ou qualquer atitude de sorte, mas precisei engolir seco para confessar o que era dessa vez, coisa que até mesmo eu não concordava muito em fazer, porém minha reputação estava em jogo.

—Como o quê? Estamos falando da Kelly sem miolos, então apostamos algo estúpido e fútil! Que meu par no baile vai ganhar o concurso...—Ele me fitou incrédulo, mirei os lados evitando a nova bronca.

—Eloise!!!—Revidou em um tom alto... É, eu já imaginava essa reação.

—Tá! Eu sei, burrice, criancice, clichê, mas vamos pular para a parte em que você pensa em alguém bem gostoso que possa ir ao baile comigo!—Meu irmão girou os olhos zangado.

Certo, existia um bom motivo pelo qual eu procurara justamente o palhaço do meu irmão John para me ajudar nisso, ele era membro do comitê de esporte da comunidade, uma espécie de inspetor... Ou sei lá, provavelmente é algum cargo idiota que ninguém quer. Tudo que eu sei é que tinha que manter a sociabilidade com um bocado de garotos enquanto repassava informações entre outras coisas pelos clubes de esportes públicos da região – ou seja, era garoto de recados.

—Sim ou não?—Perguntei quando fez cara feia e girou o corpo se levantando pensativo.

—A beleza é só um ponto de vista!—Desconversou caminhando de volta para a cozinha, eu peço um nome e ele vem com filosofia barata.

—Meu ponto de vista precisa de um alto, cabelos louros macios, olhos claros e se não for pedir demais um pouco musculoso!—Retruquei rapidamente, tenho notado que os perfis de hoje em dia não exigem muita força física e como eu tenho que agradar a escola e não os meus gostos, desse jeito já servia.

—Você acabou de se descrever de uma forma masculina...—Fiz careta, sério?

—Ahh, qual é John?! O que custa você me apresentar uns caras bonitos?

—Custa paciência! Além disso, você tem uns legais na sua lista de ex! O Howard até antes de ontem te mandou um buquê flores!—Fiz careta fingindo uma ânsia de vômito.

—Eu odeio buquê de flores, não servem para nada e os homens só dão quando fazem merda!

—Mat não nega pra ninguém que ainda gosta de você!

—Ele é grudento e fala comigo como se eu fosse um filhote de cachorro!—Deu até um arrepio.

—Caio?

—Muito mimado, eu digo ‘não’ e ele diz que vai contar para mãe dele!

—Jonathan?

—Cruzes! Ele é um idiota! Eu disse que estava com cólica e o cara me deu um laxante!—Revidei já encerrando aquela lista, okay, eu sei que me entediava muito rápido com os namorados que arrumava, mas o que eu poderia fazer se eu tinha o péssimo azar de me envolver só com imbecis?

—Não posso te apresentar alguém dos clubes para depois você brincar com ele e devolver logo em seguida e ele vir para cima de mim no final, Eloise!

—Ora, não compare! Vai que dessa vez é diferente? É só você não me apresentar um babaca e não vai acontecer a mesma coisa!—Eu confesso que estava enrolando meu irmão, sei que dificilmente vou encontrar alguém para seguir meu ritmo.

Lise, você sabe que os caras que valem a pena não se parecem com esses que seu ponto de vista quer, não é?!—Ele se aproximou de mim de novo com ar de lá vem sermão novamente.—... Esquece isso, você odeia a Kelly mesmo.

—E por que acha que eu quero tanto ganhar?! Estou louca para esfregar na cara dela!—Disse sorrindo com desejo de vingança e ele soltou uma risadinha desistente.

—Agora você me lembrou o...—Parou subitamente a frase sem que eu pudesse entender.

Ele tinha acabado de abrir a geladeira e parou por um momento com o refrigerante na mão, parecia pensativo olhando vago para o nada. Estava tramando algo. John continuou parado olhando para o nada, mas com certeza estava pensando em alguma coisa que me perguntei se seria ou não bom pra mim, afinal ele é meu irmão e na maioria das vezes tirar sarro é mais divertido que ajudar.

—Quem?—Ele voltou a si me lançando um olhar que sinceramente me deu medo.

—Quer saber, eu conheço alguém...—Disse em quase um sussurro misterioso.—...Eu sou homem, não acho caras bonitos...—Rolei os olhos, por que os homens veem tanto problema em admitir que acham outros bonitos?—...Mas já vi muitas garotas suspirando por esse.—Colocou a bebida no copo e cogitou por um momento enquanto eu não compreendia nada, mas como parecia ser um assunto do meu interesse fiquei calada ainda que impaciente.

—Ótimo! Só me apresenta ele, você sabe que o resto eu me viro.—Ele sorriu de lado curtindo.

—Não é tão simples...—Fez uma pausa dramática desnecessária e concluiu com um sorriso suspeito.—...Só que tenho certeza que com ele você ganha.—Enfatizou bem tomando um gole do guaraná, isso sim era o que eu queria ouvir, embora ache todo esse mistério ridículo!

—Perfeito!—Exclamei.

—Não, não é tão perfeito assim, para chegar nele você vai ter que ralar!

—Como assim?—Esse suspense está me matando e acho que ele já notou isso.

—Vem comigo, Lise.—Disse num sorrindo.

Não estava me importando com os desafios, mesmo que ele tivesse namorada eu daria meu jeito. Sem querer me gabar... Só que eu diria que tenho conteúdo suficiente para fazer um garoto gostar de mim. Eu sabia o que maioria queria ouvir, os assuntos que geralmente eles detestam desenrolar, os lugares que preferiam frequentar e o que odiavam presenciar. Não era um dom, era o costume, depois de ouvir todas as reclamações de ex namoradas e comentários em grande parte nada agradáveis vindo tanto dos meus irmãos quanto dos amigos dele, eu diria que peguei o jeito sobre o que afinal define perfeição para cada um.

[...]

Eu já sabia que íamos a um dos clubes, mas não pensei que se tratava daquele esporte, eu sei sobre muitos, porém eu confesso que beisebol não era minha praia. Ouvia sempre um resultado cá e outro de lá, só que nunca havia nem jogado e muito menos assistido.

Sinceramente, o máximo que eu entendia era sobre rebater a bola e não deixar o adversário pegá-la.

—Esse é o problema? Eu aprendo sobre isso rapidinho!—Sussurrei pro meu irmão que adentrou as arquibancadas e sentou em um dos bancos tendo uma vista do jogo que acontecia nesse momento. Não havia ninguém além dos jogadores, uns gatos pingados pela extensa bancada que não estavam ali para assistir, então supus logo que fosse um treino.

—Acredite esse será seu menor problema...—Murmurou ele sorrindo de lado, seus olhos se mantinham firmes nas laterais do campo.—...Ahh! lá está ele, Lise!—Apontou o dedo enquanto eu buscava o rapaz do qual falava.

Um tanto distante havia um garoto de porte alto carregando um saco, na verdade, ele arrastava o saco pelo chão, devia estar pesado, mas meu irmão tinha razão, as garotas deviam suspirar por ele. Seus cabelos amendoados combinavam com os olhos azuis cintilantes, eu só pude ver por que fui me aproximando e as características dele iam ficando mais visíveis e mais agradáveis – O cara era bonito, sem ‘mas’, a Kelly vai se matar quando me vir com ele.

 Era exatamente disso que eu precisava para vencer a aposta. Mas quando meu irmão segurou meu braço e com uma expressão negativa no rosto, percebi que ainda tinha coisa por vir.

—Não tão depressa irmãzinha, se chegar perto dele, pode conseguir uma conversa agradável, um convite pro lanche e depois de algumas horas ele vai deixar a gentileza de lado e você vai levar um fora... É isso que acontece com as garotas que geralmente dão em cima dele.—Desdenhei, ainda que estivesse surpresa que meu irmão soubesse o que acontece com as garotas do cara.

—Só que eu não sou como elas!

—Sei disso, mas Devan tem um padrão para firmar as coisas com as garotas.—Falou de um jeito misterioso. Franzi o rosto desconfiada, ele estava numa cara lerda de quem queria enrolar outra pessoa... Tãooo previsível!

—Que seria...?—Falei na expectativa que ele completasse de uma vez a porra da frase.

—Ele só leva uma menina a sério se o irmão dele fizer o mesmo.—Han?! Meu queixo caiu junto com a lógica.

—O quê? Como assim?—Perguntei rindo incrédula.

—Esse era o problema que eu estava te falando, Devan é simpático e tudo mais, só que não confia em garota nenhuma, ele só confia em meninas que o irmão dele confia, ou seja, para realmente conquistar ele, primeiro vai ter que ganhar o afeto do irmão.—Certo, essa é a história mais absurda que eu já ouvi e meus sensores de trote me dizem que o John não está sendo totalmente honesto comigo.

—Isso é curtição, não é?—Ele não me respondeu com palavras, entre os gritos de alguns garotos ele mirou os caras que estavam jogando e depois de apoiar o braço em mim, segurou meu rosto me fazendo fixar os olhos em uma direção.

—Olha ali...

Tudo que eu vi foi um garoto baixinho de pouco mais de um metro e sessenta com os cabelos da mesma cor do outro rapaz só que ao contrário dele, os desse baixinho eram mais curtos, e espetados. Ele corria em uma velocidade espantosa pelo campo dando a volta enquanto o lado adversário não podia fazer nada porque a bola estava longe dali. Mesmo distante já pude ver que seus olhos eram escuros e ele tinha a pele mais bronzeada que a do outro – ou era sujeira, o rapaz estava só a terra vermelha.

—Ele é rápido...—Comentei com meu irmão, em poucos minutos ele já tinha atravessado o campo inteiro, o que era surpreendente.

—É o nosso capitão do time e o nosso melhor jogador.—Falou no meu ouvido.—Acredite ou não, só que esses dois são irmãos gêmeos.—Certo, aquilo me deixou perplexa.

—Impossível! Só se for de pais diferentes!

—Não julgue, são diferentes sim, tanto fisicamente como também tem personalidades completamente contrárias, Devan é mais tranquilo e Dillan, que é o baixinho, é bastante agitado.—Semicerrei os olhos confusa.

—Se são gêmeos e são diferentes, então por que Devan admira tanto ele? Geralmente um gêmeo não odeia o outro?—Meu irmão sorriu largo.

—Não sei, mas esse não é o caso, eu acho que o Dillan tem todas as qualidades que ele queria ter.—Eu estava confusa, um cara bonito daquele tinha problemas com auto estima?—Ele é mais sociável, é inteligente, é independente, entre várias outras coisas... É por isso que se ele te aprovar, Devan não só vai gostar de você como também vai interpretar como alguém interessante para firmar algo!—Eu não gostei muito daquela conversa, não parecia certo conquistar o irmão que eu não queria, mas também não queria perder a aposta e o fato de eu me aproximar do esquisito não queria dizer que tinha que ter algo com ele.

—E como eu me aproximo dele?—Meu irmão sorriu com sarcasmo e esse era meu medo, John realmente estava aprontando algo, meu sensor de irmão sacana gritava isso.

—Deixa isso comigo...—Ele acenou para o tampinha que tinha acabado de pegar uma garrafa de água e veio para perto de nós.—Fala, capitão!

Esse baixinho era realmente o reverso do outro, era desengonçado, estava todo sujo de terra, tinha vários arranhões no rosto e em volta do braço, aparelho nos dentes e sobrancelhas que nunca deveriam ter visto uma pinça, eu vou ter mesmo que me aproximar dele?

Tá legal, eu me senti tentada a desistir de uma aposta pela primeira vez na vida!

Eu tornei a analisar aquela criatura tentando procurar semelhanças no irmão gêmeo e as únicas coisas parecidas que os dois tinham era o branco dos olhos e a cor do cabelo – o que não queria dizer muita coisa já que o cabelo do meu irmão também é castanho escuro.

Ele veio se aproximando da gente com um sorriso sem graça batendo a mão na roupa tirando o excesso de terra sem conseguir tirar a sujeira impregnada do uniforme que deveria ser branco com listras pretas, com as mangas pretas, até o nome do time ‘Black Eagle’ em preto no lado esquerdo da blusa estava meio amarronzado de terra – Como é que ele conseguiu essa proeza?

 Chacoalhou um pouco de água na boca e cuspiu logo em seguida ficando já de frente pra nós.

—Fala, Johnny!—Ele apertou a mão do meu irmão de forma marota e deu uma rápida olhada em mim sem muito o que dizer.—Vai ter reunião essa semana ou só veio ver o time ganhar?—Era estranho, para um garoto baixinho ele tinha uma voz grossa e meio rouca, alguma coisa era bonita nele, talvez de luzes apagadas dá para relevar certos aspectos desagradáveis na aparência como o corte de cabelo torto.

—Não, o comitê está meio que mais preocupado com os anabolizantes que encontraram nos pertences do clube de futebol americano, estava sabendo disso?

—Claro que sabia, os peitos do Derick estão maiores que os da minha mãe!—Eu tive que rir junto com meu irmão, o baixinho era engraçado.—Se aquilo não fosse esteroides eu diria que ele estava passando por uma puberdade complicada...

—O que comprova minha teoria de que a maioria dos jogadores de futebol americano são gays!—Meu irmão já me lançou o olhar desaprovador de sempre.

—De novo não, Lise, só diz isso por que não gosta do esporte, mas não pode ficar julgando.—Não era só por isso, já namorei um jogador desses e faltou pouco para confirmar minhas suspeitas.

—Não, mas ela está certa, nada contra, só que sete dos caras do clube são altamente duvidosos, sabe?!—Concordou o tampinha sorrindo.

—Claro que estou, futebol americano é quase um filme pornô gay, um bando de homens se amontoando um em cima do outro sem motivo.—O garoto a minha frente gargalhou concordando com a cabeça.

—Aí de repente o cara de baixo grita “Pow a bola tá outro lado” e o outro de cima diz “Então que bola é essa que estou segurando?!”,e aí?! Já era o cabaço!—OMG, assim que eu imaginei a cena não consegui me segurar, que cena bizarra! Meu irmão só assistia.

—É isso aí! Sem contar que é o único time que usa as animadoras de torcidas para lembrar a eles que são héteros...—Ok, eu confesso, se ia ser assim, talvez me aproximar dele não fosse tão difícil. Pode até ser que sejamos bons amigos!

—Certo, já chega vocês dois, não podem ficar dizendo que eles são gays por ai! Isso é MUITO ofensivo!—Até meu irmão estava rindo, a bronca dele foi mais por conveniências.

—Primeiro, não é não Sr. John certinho, a não ser que você ache que ser gay seja ofensivo! Ser um babaca enrustido dando uma de machão sim, mas quando não estão dando em cima do namorado da gente, eles são gente boa!—Brinquei o fazendo rir mais uma vez.

—Sua namorada é engraçada Johnny...—Disse apontando para mim, ECA! Ele acha que eu namoro meu irmão? Logo o John?!!

—Argh! Não, Deus me livre!—Sai de perto do John enojada, ele não entendeu muito bem.

—Ela é minha irmã, capitão! Acho que mencionei ela uma vez com você, ou foi com a Jade?—Ele soltou um “ahhh” sorrindo novamente e negando.

—Acho... Que falou sim...—Tomei a frente dando um empurrão no John. Falando de mim para estranhos, né panaca?

—Eloise Taylor.—Me apresentei sem medo, eu gosto de garotos com mentes poluídas e humor negro. Vamos nos dar muito bem se for assim!

—Dillan Cooper.—Tirou a luva da mão e apertou a minha.—Está conhecendo os clubes? Eu sugiro não ir para o departamento dos nerds do matrix, eles não veem uma garota de verdade há séculos, ficam animados até com rachadura de parede!—Eu ri mais uma vez junto ao meu irmão. Meu Deus, que horror!

—Minha nossa?! Ronan disse que ia pegar no pé deles, aquele lugar estava um caos de tanta bagunça, o que me lembra que o Black Eagle tem sido citado também, sabe como funciona o sistema Dillan?! Se a vistoria vir ai, vão levar uma advertência.—O baixinho fez uma careta suspirando em desagrado.

—Limpamos uma vez a cada três semanas, mais do que isso não dá. Ainda mais agora que estamos prestes a entrar na semifinal contra as escolas...—Eu fiquei boiando no papo dos dois.

—Então não achou assistente ainda?—O tampinha me deu uma olhada como se fosse um assunto delicado para se falar perto de mim.

—Encontrar... Eu encontrei, mas sabe como é?! Ela não aguentou o pique.—Franzi cenho achando aquela frase meio subjetiva, como se houvesse algo nas entrelinhas. Meu irmão me cutucou sorrindo para mim.

—Perfeito, por que a Eloise quer justamente ser assistente do time!—O quê?

—O quê?—O baixinho me fitou estranhando e eu mirei meu irmão que afirmou, essa era a ideia brilhante dele?—Ahh é, sim, eu quero ser assistente do time, quando eu começo?!—O capitão olhou para os lados surpreso e sem palavras.

—Você não é daquelas garotas frescas que tem nojo de tudo, não é?

—Claro que não! Eu moro na mesma casa que o John, sou bem forte com coisas nojentas!—Ele riu apesar do meu irmão não ter gostado da piada, mas verdade seja dita com quatro irmãos eu posso dizer que já presenciei cenas que nem de longe esse baixinho ou o time todo conseguiria superar para me surpreender.

—Muito bem...—Disse num longo suspiro depois de cessar o riso.—...Me acompanha então, vou te explicar algumas coisas.—Ele caminhou indo até um local que ficava ao lado do campo e eu o segui, mas meu irmão ficou parado.

—Você não vem John?—Ele negou com a cabeça.

—Não, tô indo pra casa, agora está com você! Boa sorte maninha.—Por que será que ele ainda tinha aquele olhar travesso no rosto como se tivesse pondo seu plano maléfico em jogo?

Ignorei por uns instantes esses pensamentos seguindo o capitão, andamos até lá dentro onde vários garotos estavam sentados nos bancos descansando e me fitaram um tanto espantados. Será mesmo só na matrix que não veem uma garota há séculos?

Quando olhei para o lado notei uma única garota ali, completamente de preto e olhar enfadonho... Era uma gótica que não foi nada com a minha cara.

—Você sabe o que uma assistente do time faz?—Perguntou ele parando no meio do caminho, até levei um susto. Pensei rapidamente na resposta.

—Dá assistência ao time?—Ele riu da resposta óbvia.

—É, só que um pouco além disso...—Ahh entendi.

—Opa! Não vou dormir com ninguém do time!—Ele riu novamente. Não era surpresa algo do tipo, quando meus irmãos mais velhos estavam em clubes assim sempre se engraçavam com as assistentes.

—O quê? Tá maluca? Não, aliás, eu deixo bem claro que se for mesmo ser assistente, precisa maneirar nas roupas, nada de saia curta, tope ou sei lá, algo do gênero! Sacou?—Ufa, saquei bem sacado!

—Não vão me dar um uniforme?

—A verba daqui é bem precária, por isso as assistentes não têm uniforme, pelo menos não por enquanto, até por que a Jade não ia aceitar vestir nada fora da sua paleta de cores obscuras.—Explicou ele em timbre debochado voltando a andar.

—Jade? Ela também é assistente?

—Não, ela é ajudante do time.—Boiei e acho que ele já esperava isso porque parou de andar novamente.

—Qual a diferença?

—Ela faz o que é necessário para o time.—Agora ele estava de frente pra mim com um olhar assustador.

—E eu?

—Faz o que EU mando!—Ele falava sério ou aquele sorriso estranho queria dizer que estava brincando?

—Então o cargo é assistente do capitão, não do time.—Disse com sarcasmo.

—Se você quiser pode dar assistência aos outros também só que...—Ele girou o corpo e assobiou tão alto que quase estourou meus tímpanos. Tinha a atenção dos que estavam só assistindo a gente agora.—Galera, essa é a Eloise, nossa nova assistente, e me parece que ela está disposta a receber pedidos! Alguém precisa de alguma coisa?

—Isso quer dizer que ela vai fazer o que a gente pedir?—Um dos garotos perguntou ansioso, espera! Não é bem assim que devia ser.—Nesse caso, pode me dar uma mãozinha aqui? Minhas costas estão doendo...—Murmurou ele se levantando com as mãos nas costas.

—Ahh eu também...—Aproveitou outro, fitei o baixinho cheia de raiva por ter que dizer aquilo.

—Certo, só o capitão manda!—Ele sorriu levando meu orgulho junto, voltou a circular pelo lugar.

—Então as coisas funcionam assim, se você fizer parte do time, vira ajudante...—Eu tinha que interromper.

—Como assim fazer parte? Eu já não faço parte?—Soltou um som de curtição mirando pra mim em seguida.

—Claro que não, para fazer parte do Black Eagle você tem que provar que vai honrar ele, não é simplesmente ir entrando como em qualquer outro lugar...—Eu não estava entendendo muito bem, e acho que ele percebeu quando franziu as sobrancelhas ou não franziu, difícil dizer com elas grudadas daquele jeito.—...Veja bem, eu conheço cada um que está aqui, eu sei o que querem e sei que nenhum desses garotos seriam capazes de vender informação ou fazer qualquer coisa que prejudicasse o time, isso é prova de que eles fazem parte da equipe e é isso que vai ter que me mostrar se realmente tiver interesse em entrar.—Que exagero! Parece até que eu entrei para uma organização secreta.

—O que está dizendo é que enquanto assistente não sou confiável e sou completamente descartável?—Cogitou consigo e depois suspirou.

—Maneira dramática de enxergar esse ponto, mas é por aí!—Ele continuou me olhando como se esperasse uma resposta, eu não ia desistir ali, só porque um baixinho resolveu complicar minha vida, eu ainda tinha uma aposta para vencer.

—Está bem, eu aceito o cargo temporário de assistente! Eu sei que logo vou convencer que sou confiável a vocês! —Disse com firmeza ele sorriu malevolamente.

—Não tem ‘vocês’, quem decide quem entra sou eu! E já que concorda...—Ele abriu uma porta de madeira que estava ali no canto e tirou um balde, um esfregão e uma luva junto a outros utensílios de limpeza.—...Comece com o banheiro, assistente. E tome cuidado... Tem quase dois meses que ninguém limpa isso aí!

 

Seu olhar me desafiava, ele parecia ter a certeza de que ia desistir ali mesmo, mas quer saber? Só me deu mais vontade de continuar, peguei tudo e sorri bem largo para ele indo até onde ele apontou ser o banheiro e me seguiu até lá. Certo, confesso que me senti tentada a desistir pela segunda vez quando vi a imundice que me esperava.

—Bom trabalho!—Disse aquele ser malvado me deixando sozinha com aquele cheiro horroroso e até as paredes estavam com um muco grudado que só Deus sabe o que era.

      Mas eu não ia parar ali.

Dec. 18, 2018, 8:06 p.m. 0 Report Embed 0
To be continued... New chapter Every Tuesday.

Meet the author

M Phantom Olá, meu pseudônimo como escritora é M.Phantom, porém pode me chamar de Mai. Minha conta principal por enquanto é no Nyahfanfiction: https://fanfiction.com.br/u/11663/ Ainda estou aprendendo a usar essa plataforma, em breve terão as demais fics que estão no Nyah e outras mais.

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