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A história é uma surpresa, mas sei que vão adorar. É bem diferente.


Fanfiction Series/Doramas/Soap Operas For over 18 only.

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S02#12 - TUT


INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

Fade in.

[Som: John Willians - Os Caçadores da Arca Perdida]

Um deserto. O vento varre a areia.

Scully passa na frente da câmera, correndo, esbaforida, usando camisa, calça, botas e segurando um facão. Usa um rabinho de cavalo. Pára. Vira-se pra trás.

SCULLY: - (GRITA) Mulder, ele foi por ali! Atrás daquela rocha!

Corta pra Mulder, que vem correndo, saindo do meio de uma ruína, cercada de palmeiras, segurando o chapéu na cabeça com as mãos. Caracterizado como Indiana Jones, com um rolo de corda atravessado no ombro. Chicote na cintura também. Os dois correm pelo deserto, perseguindo alguma coisa.

MULDER: - Vou pela esquerda!

Mulder corre pra esquerda. Scully segue pela direita. Os dois correndo como loucos. Dão a volta na rocha e encontram-se cara a cara.

SCULLY: - Mas como? Eu o vi, Mulder!

MULDER: - Ele não passou por mim.

SCULLY: - Nem por mim!

Mulder guarda a arma. Está cansado, respirando com dificuldades.

SCULLY: - (ASSUSTADA) Mulder, o que era ele?

MULDER: - (IRRITADO) Como vou saber? Não tenho respostas pra tudo, ‘senhora Ciência’!

Scully suspira desanimada. Abaixa a cabeça e revira a areia com o pé.

Câmera de afastamento. Aos poucos, surge a panorâmica do lugar. Percebe-se primeiramente um rio. Ao fundo, a esfinge e as três pirâmides do Egito.

VINHETA DE ABERTURA: A VERDADE ESTÁ LÁ FORA... CORRA!!!!!!!!


BLOCO 1:

Arquivos X – 7:47 A.M.

Scully entra na sala, segurando sua pasta. Mulder está pendurando no mural, um artigo de jornal com várias fotos. Scully olha pra ele. Mulder vira-se, sorrindo.

MULDER: - (EMPOLGADO) Não vai acreditar!

SCULLY: - Primeiramente um bom dia, porque não dormimos juntos. Segundo, espere eu largar minhas coisas e então podemos discutir se acredito ou não no que você vai dizer.

Mulder aproxima-se de Scully e lhe dá um beijo rápido no rosto. Está empolgado, como criança que ganhou um doce, não dando muita atenção pra ela.

MULDER: - Hoje o maior sonho da minha vida vai se realizar.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Ganhou na loteria?

MULDER: - Não. Mas o FBI vai patrocinar o meu sonho.

SCULLY: - Vai correr na Maratona da Independência!

MULDER: - Não! Scully, venha até aqui, olhe pra esse mural.

SCULLY: - Quem são essas pessoas, Mulder?

MULDER: - Era isso que estava esperando você perguntar.

Mulder aponta pra primeira foto e vai seguindo cada uma por ordem.

MULDER: - Este é Phillip McKen, fotógrafo. Morreu na Terça-feira, às 8:12 da noite. Este é Tom Lewis, jornalista. Morreu na Terça-feira, 8:13 da noite. Este daqui é o Professor Harry Muller, egiptólogo da Universidade da Carolina do Sul. Morreu às 8:14, da Terça-feira. Esta é a Professora Susan Carvell, arqueóloga da Universidade de Kansas. Morreu às 8:15, Terça-feira. Este é Donald Carvell, filho da professora Carvell. Morreu às 8:16, Terça-feira.

Scully olha pra Mulder, fazendo beiço.

SCULLY: - Mulder, desde quando tem tara pela seção de óbitos do jornal?

MULDER: - Não...

SCULLY: - O que há de comum entre eles, Mulder, com exceção da terrível coincidência de terem morrido um minuto após o outro, no mesmo dia?

MULDER: - Todos eles se conheciam, Scully. Trabalhavam juntos na recuperação e registro de antiguidades egípcias, no Egito. Pra ser mais exato, o último trabalho deles foi no sarcófago de Tutankamon. O mesmo faraó que já matou muitas pessoas, inclusive os descobridores de sua tumba.

SCULLY: - Eu não acredito! Mulder, deixe o miserável descansar em paz! Não vai me dizer que foram vítimas da maldição de um faraó egípcio, morto há mais de dois mil anos!

MULDER: - Há mais de três mil anos, Scully, pra ser mais exato.

SCULLY: - Acha que o FBI vai pagar uma excursão pra irmos ao Egito investigar pirâmides e maldições?

Mulder pega duas passagens sobre a mesa. Balança-as na cara de Scully.

MULDER: - A embaixada americana no Egito está preocupada. O governo Egípcio também. Digamos que a ressurreição da maldição de Tutankamon vai afastar turistas e dólares... Já proibiram as visitas ao lugar. As famílias dos mortos estão assustadas, e querem que o governo traga de volta os corpos de seus familiares. Estamos em época de eleição. Quer mais algum motivo?

SCULLY: - ... Egito? Tem mosquitos por lá, Mulder! Tem terroristas muçulmanos e árabes!

MULDER: - E tem Tutankamon e pirâmides. Agora pegue suas coisas, Scully. E leve repelentes! Vai ter muito trabalho pra você.

SCULLY: - Não vou exumar todos esses corpos, vou?

MULDER: - Vai. Mas sabe qual é o lado bom nisso?

SCULLY: - E tem lado bom nisso, Mulder?

MULDER: - Não há mistérios, Scully. A sua ciência pode explicar as mortes.

SCULLY: - Como assim?

MULDER: - Teremos muito tempo dentro do avião. Agora vá pra casa, faça as malas, pegue o protetor solar.

SCULLY: - Mulder, você está empolgado com isso, não é mesmo?

MULDER: - (FELIZ) Scully, desde criança eu tenho fascínio pelo Egito. Agora tenho a chance de conhecê-lo! Ah, me faz um favor.

SCULLY: - O quê?

MULDER: - (EMPOLGADO) Tem uma máquina fotográfica legal pra emprestar? Vou levar rolos de filmes! Não, pensando melhor, vou levar uma câmera de vídeo... Não. Vou levar as duas coisas!

Scully olha pra Mulder, admirada com o entusiasmo. Os olhos dele brilham de felicidade.

MULDER: - (AGITADO) Vamos, depressa! Não podemos perder o avião! Vá, Scully! Anda logo! Pego você em casa!

SCULLY: - Já fez suas malas?

MULDER: - (NERVOSO) Já estão no carro. Corra antes que o Skinner mude de ideia! Anda!

SCULLY: - Não acredito! Lá vou eu pra África de novo... Acho que vou comprar uma casa por lá, mas bem longe do mar!


10:09 A.M.

[Som: John Willians - Os Caçadores da Arca Perdida]

No avião, Mulder sentado ao lado de Scully. Lendo um pedaço de papel.

SCULLY: - O que é isso, Mulder?

MULDER: - Lista.

SCULLY: - Lista? De lugares históricos e museus?

MULDER: - Não. O Frohike quer uma miniatura de sarcófago, o Langly uma pedra do Vale dos Reis, o Byers...

Scully tira o papel das mãos dele. Guarda em seu bolso.

SCULLY: - Deixe isso comigo, Mulder. Mulheres vão às compras.

Scully tira uma lista do outro bolso. Abre-a.

SCULLY: - Mamãe quer um lenço. A Tara um vestido...

Scully guarda a lista. Mulder sorri.

SCULLY: - Parece que estamos de férias. Mulder, não se empolgue demais! Pode esquecer o motivo de irmos pra lá.

MULDER: - Não vou esquecer, Scully. Vamos entrar na tumba de Tutankamon!

SCULLY: - Mulder, de repente você está com um brilho intenso nos olhos... Tá feliz, não tá?

MULDER: - Posso morrer, Scully. Mas depois de pisar naquele lugar. Ai, meu braço tá doendo!

SCULLY: - Eu falei. Devia ter aplicado no bumbum.

MULDER: - Ninguém aplica nada no meu bumbum, Scully! A pior parte da viagem são essas malditas vacinas!

SCULLY: - Tá, quer me falar o que eu tenho a ver com esse caso? Sei que está doidinho pra fazer isso.

MULDER: - Boa ideia. Scully, em 1922, o egiptólogo inglês, Howard Carter e Lord Carnavan descobriram a tumba de Tutankamon, originalmente chamado de Tutankhaten. Até então, das 60 tumbas descobertas no Vale dos Reis, a única que não havia sido saqueada e continuava sob total ignorância de sua existência, era a dele. Imagina o fascínio de Carter e sua equipe diante do achado! Foi quando tudo começou. Membro por membro da equipe começou a morrer misteriosamente. Os jornais da época, revoltados por Carter ter dado prioridade jornalística para apenas um jornal, começaram a largar manchetes sobre a maldição do faraó. As pessoas criaram um mito em cima de Tutankamon. Na realidade, há alguns anos atrás, uma americana faleceu dias depois de voltar do Egito, tendo visitado a mesma tumba.

SCULLY: - Onde entra a ciência?

MULDER: - Aí está. O que pensa de um lugar fechado, por séculos, com uma pessoa que morreu sabe-se lá de quê?

SCULLY: - Vírus.

MULDER: - Aspergilus Níger.

SCULLY: - Um fungo altamente nocivo, que ataca pessoas com pouca ou nenhuma imunidade.

MULDER: - Viu? Estamos buscando um fungo, não uma maldição.

SCULLY: - Mulder, você concordando comigo? Eu até acredito em aliens, mas você acreditando na ciência?

MULDER: - Eu acredito na ciência, Scully. Só não gosto quando ela fica rabugenta. A ciência sempre nos ajudou. O pensamento científico nem tanto. Estamos a caminho do século 21 e até agora, o modo de pensar ciência se remonta ao final do século 16, quando surgiu a revolução científica. Nos três conceitos básicos que orientam a ciência: mecanicismo, reducionismo e cartesianismo.

SCULLY: - Fale sua teoria, Mulder. Sei que está doido pra falar.

MULDER: - Ponto 1: O mecanicismo observa um fenômeno como uma engrenagem mecânica, repetitiva, portanto previsível. Sabemos que não é verdade. Nada se repete sem sofrer alguma transformação.

SCULLY: - Concordo.

MULDER: - Ponto 2: O reducionismo diz que ciência é tudo que pode ser comprovado objetivamente. Reduz um fenômeno à sua manifestação concreta. Como se houvesse apenas uma verdade absoluta! Apenas um ângulo de visão.

SCULLY: - É, faz sentido...

MULDER: - Ponto 3: O cartesianismo divide o fenômeno em partes para compreender o todo. E na metade do caminho, de tanto se preocupar com a parte da parte da parte, esquece qual era o todo que estava analisando. É como pedir um exame para comprovar cientificamente que você sente dor.

SCULLY: - ...

MULDER: - Assim não podemos provar a existência de alienígenas ou de qualquer outra coisa, dentro desses conceitos de ciência. Acha que o Fumacinha não sabe disso? Por que colocou você pra me contrariar? Porque sabe que as pessoas creem no que a ciência diz. A palavra final é científica, Scully. Se disser ao leigo pra não colocar o dedo na tomada porque leva choque, ele não vai colocar. Porque a ciência disse que existe a eletricidade. Provou que ela existe, porque todo o dia ele acende a luz quando chega em casa. Mas mesmo assim, ele não vê a eletricidade. Entende?

SCULLY: - ... Mas na verdade, Mulder, quando seu conceito paranormal se enfrenta com meu conceito científico e não achamos respostas na ciência...

MULDER: - Arquivamos como inconclusivo. Por quê? Porque a paranormalidade não é resposta. Na real, Scully, se parar pra pensar, meu trabalho é inútil. Não posso concluí-lo nunca!

Scully suspira.

MULDER: - O que foi?

SCULLY: - Mulder, não confunda minha crença. Acha que não questiono a maneira como a ciência é feita? Por isso existem os chamados cientistas malucos ou excêntricos. Aqueles que pesquisam o teletransporte, o espaço em busca de bactérias e vida...

MULDER: - Me diz que entrou no clube deles, vai.

SCULLY: - ... Faço minha carteirinha de sócia na próxima semana.

MULDER: - Eu te amo, sabia?

SCULLY: - Não confunda, Mulder. Eu ainda sou cientista. Crenças depois, primeiro provas. Pelo mesmo motivo que você. Mostrar a verdade e esfregar na cara deles! Se a minha ciência pode ser a prova que você precisa, assim será. Porque preciso das suas maluquices pra ponto de partida.


Aeroporto Internacional do Cairo – 12:13 A.M. – hora local

Mulder anda de um lado pra outro, nervoso. Scully o observa.

MULDER: - Vou matar alguém da embaixada. Onde está o nosso guia? Eu não falo um palavrão nessa língua!

SCULLY: - Acalme-se, Mulder.

MULDER: - Por que todo mundo fica olhando pra você, Scully?

SCULLY: - Talvez porque eu seja ruiva.

Mulder fica olhando pra Scully. Ela se assusta.

SCULLY: - O que foi?

MULDER: - Não tinha notado.

SCULLY: - O quê? Há algo de errado?

MULDER: - (DEBOCHADO) Não. Você se parece com a Cleópatra. Se pintasse os cabelos de preto...

SCULLY: - Pára, Mulder!

MULDER: - Ah, me deixa fazer piadas. Pelo menos o tempo passa mais depressa.

SCULLY: - Mulder, o que acha de uma serpente malvada me atacar essa noite?

MULDER: - Scully, estou fora se pintar algum Júlio César acompanhado de um Marco Antônio...

[Som: John Willians - Os Caçadores da Arca Perdida]

Um sujeito baixinho, usando turbante e túnica passa por eles. Pára.

HAMURABI: - Agentes Mulder e Scully?

MULDER: - Ah, Deus, até que enfim!

HAMURABI: - Sou Hamurabi. A embaixada me mandou como seu guia.

MULDER: - (INCRÉDULO) Hamurabi? Das leis de Hamurabi?

Mulder cochicha pra Scully.

MULDER: - Mantenha-se afastada desse sujeito. A lei de Hamurabi era olho por olho, dente por dente. Ladrões eram punidos tendo suas mãos arrancadas. Se olhasse pra outro homem que não fosse seu marido, perdia os olhos.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Deus! Isso não é justo! Estaria cega!

Mulder olha pra Scully, irritado. Scully segura o riso.

HAMURABI: - Venham, vou levá-los ao hotel. Ficarão bem acomodados. Amanhã partiremos para o Vale dos Reis. Vamos levar um pesquisador americano conosco.

MULDER: - Quem é ele?

HAMURABI: - Um arqueólogo e egiptólogo chamado Mort McGuire.

Mulder olha pra Scully.

MULDER: - (DEBOCHADO) Isso não estava no ‘roteiro da agência de turismo’.

SCULLY: - Mulder, sempre há surpresas em viagens.

MULDER: - Tudo bem, eu brigo depois. Quero chegar no hotel, tomar um banho e sair.

SCULLY: - (INCRÉDULA) Sair na noite? Você? Fox Mulder, o eremita?

MULDER: - Estamos no Cairo, Scully! Acha que vou ficar trancado no quarto?

SCULLY: - Mulder, acho que devemos nos mudar pra cá. Você viveria melhor.

MULDER: - Sem piadas, Scully. O Hamurabi aí pode cortar sua língua. Só espero que o táxi não seja um camelo.

Mulder pega as malas. Hamurabi o ajuda. Caminham pra fora do aeroporto. Há uma limusine. Mulder arregala os olhos.

MULDER: - Vou beijar o traseiro do Skinner!

HAMURABI: - Devemos ter cuidado, agente Mulder. Americanos não são bem vindos por aqui. Temos terroristas.

Hamurabi bate no vidro.

HAMURABI: - Blindado. Todo o cuidado é pouco. Mas vamos dar uma volta pela cidade. Serei o guia de vocês 24 horas.

MULDER: - Durante a noite, dispenso seus serviços.

Hamurabi olha pra Scully. Sorri.

HAMURABI: - Tudo bem, agente Mulder. Durante a noite, não precisará de segurança ou tradução.

Scully fica indignada.


Hotel Osíris - 2:19 A.M.

Scully e Mulder entram no quarto.

SCULLY: - Ah, adorei o passeio!

MULDER: - Deixei minhas malas no meu quarto, por via das dúvidas. Não confio na embaixada americana...

SCULLY: - Mulder, você tinha razão. Esse lugar é mágico!

Mulder vai até a janela. Abre as cortinas. Scully tira os sapatos e atira-se na cama.

MULDER: - (TRISTE) A miséria dessa gente é que entristece, sabia? Um povo que teve tanta fartura, tanta majestade, um dos berços da cultura da civilização, o maior porto da antiguidade... Como podem ter chegado a isso?

SCULLY: - ... Mulder, acho melhor não falarmos sobre política, ou invadirão aquela porta e me levarão como comunista.

MULDER: - (SURPRESO) Sério?

SCULLY: - Pare. Esqueça. Sabe que sou rebelde. Não quer saber sobre minhas concepções políticas.

MULDER: - Quero. Nunca conversamos sobre política. Será que temos algo em comum?

SCULLY: - Digamos que “globailusão” e “republicanos” seja um dos meus pontos preferidos de crítica... ‘Encerrando a transmissão’. Precisamos dormir, Mulder. Temos areia pela frente amanhã de manhã.

Mulder senta-se na cama.

MULDER: - Ah, estou tão deslumbrado que nem sei se vou conseguir fechar os olhos.

SCULLY: - Precisa, Mulder. Amanhã o dia será longo. Temos apenas umas duas horas pra dormir.

MULDER: - (RINDO) Estou no Egito! Não acredito! E de pensar que à essas horas estaria chegando no FBI!

SCULLY: - Mulder, vem sonhar um pouquinho, mas dormindo.


BLOCO 2:

Vale dos Reis – 6:37 A.M.

[Som: John Willians - Os Caçadores da Arca Perdida]

Panorâmica do local.

Mulder e Scully descem de um jipe. Mulder vestido como Indiana Jones. Scully como ‘Scully Jones’. Mulder fica estático, admirando tudo. Scully, com cara de sono.

SCULLY: - (BOCEJANDO) Estou com sono.

Mulder a empurra pra frente.

MULDER: - Vamos lá, Scully, anime-se. Está no Vale dos Reis, no Egito, sabe o que é isso? Diz que o nascer do sol visto daqui é lindo. Eu não perderia isso por nada.

SCULLY: - Estou exausta, Mulder! E tenho 5 corpos para fazer autópsia!

MULDER: - Relaxa. Curta a paisagem.

Hamurabi chega num camelo. Desce.

HAMURABI: - Me desculpem, mas esse é o melhor meio de transporte.

Scully olha pro camelo. Aproxima-se.

SCULLY: - Tadinho! Como é o nome dele?

HAMURABI: - Camelo.

SCULLY: - Original, não? ... Ele morde?

HAMURABI: - Não, os camelos são os melhores amigos dos homens.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Mulder, lembre-se de levar um camelo pro seu apartamento. Vai combinar com a decoração.

Scully começa a afagar o camelo e a conversar com o animal.

SCULLY: - Oi, camelinho! Eu sou a Dana.

Mulder olha pra Hamurabi. Faz um gesto com a mão sinalizando que Scully é louca.

MULDER: - (DEBOCHADO) Está com sono, não ligue pra ela. Fica assim biruta quando está muito tempo sem dormir.

HAMURABI: - Não, não está biruta. Esse não é um camelo comum. Ele é inteligente.

MULDER: - (DEBOCHADO) Ah, um camelo inteligente? Ele faz truques como andar de bicicleta?

HAMURABI: - Não, mas se precisar de ajuda assobie.

MULDER: - Ah, ele é a versão do Tornado, o cavalo do Zorro?

HAMURABI: - E adora as mulheres... É um camelo inteligente.

MULDER: - (ENCIUMADO) Se ele encostar uma pata nela, eu o transformo em salsicha!


9:23 A.M.

Scully levanta-se do banco de trás do jipe, com cara de sono. O sol está rachando. Scully sai do jipe. Mulder está conversando com um homem. Scully vai até eles.

MULDER: - Scully, esse é McGuire. Mort McGuire. Arqueólogo.

McGUIRE: - E egiptólogo. Muito prazer, senhorita.

SCULLY: - (SONOLENTA) Com prazer é mais caro.

Scully afasta-se, arrastando-se de sono. Caminha em direção as tumbas, onde Hamurabi está parado. McGuire olha pra Mulder.

MULDER: - (DEBOCHADO) Não ligue, ela fica assim quando não dorme. Aliás, acho que vou colocar essa explicação numa placa e pendurar no pescoço dela, pra não ter que repetir sempre.

Os dois saem caminhando em direção as tumbas escavadas na areia.

McGUIRE: - Por via das dúvidas, fechamos o acesso aos turistas. Tutankamon foi o único rei que foi deixado em sua tumba. As pessoas têm curiosidade para ver a múmia ali dentro. Pedimos à polícia para deixar um guarda no local.

MULDER: - Cinco pessoas de uma equipe morreram. Não houve mais relatos? Algum turista?

McGUIRE: - Não. Já havíamos fechado o local por duas semanas, enquanto eles estudavam alguns hieróglifos e limpavam as pinturas.

MULDER: - Sabiam dos riscos de contaminação?

McGUIRE: - Sabiam. Os guias sempre alertam os turistas pra não tocarem em nada.

Scully aproxima-se deles.

SCULLY: - O Aspergilus Níger é um fungo que ataca apenas pessoas com problemas de imunidade. Mesmo que permanecesse na pintura, ou espalhado pelas paredes, não acham coincidência que 5 membros de uma única equipe seriam imunologicamente debilitados?

Mulder olha pra ela.

MULDER: - Venho com a ciência e agora você pula fora?

SCULLY: - Vou até o necrotério, Mulder. Me ligue se descobrir algo. Vou fazer as autópsias.

Scully aproxima-se do jipe. Hamurabi vai com ela.

HAMURABI: - (GRITA) Agente Mulder!

MULDER: - Sim?

HAMURABI: - Cuide do Camelo!

Mulder olha pro camelo. Assobia. O Camelo vai até ele. Mulder olha pra McGuire. Pega o arreio do camelo. Dá tapinhas na cabeça do camelo.

MULDER: - Gostei disso. Bom camelo. Acho que vou levá-lo pra Washington... (DEBOCHADO) Ah, não dá. Você não fala inglês!

O camelo fica ruminando e olhando pra Mulder.

MULDER: - Acho que ele fala... Deve ser um camelo poliglota.

Mulder tenta puxar o camelo, mas o camelo empaca. Mulder puxa, o camelo não anda.

McGUIRE: - Ficou zangado com você.

MULDER: - Ah, ele que fique aqui! Conhece bem o lugar.

Mulder sai andando ao lado de McGuire. O camelo vai atrás deles.


Necrotério da Universidade do Cairo – 12:47 P.M.

Scully retira as luvas. Joga no lixo. Retira a máscara. Sai do necrotério. Hamurabi está sentado, lendo o jornal. Levanta-se.

SCULLY: - Pode me conseguir um café? Ou vou cair com a minha cara em cima de um daqueles cadáveres contaminados.

HAMURABI: - Não acha melhor dormir um pouco antes de continuar com isso? Pode acabar sofrendo um acidente, se cortando ou se contaminando.

SCULLY: - Não, estou bem. Preciso de respostas rápidas.

HAMURABI: - Encontrou o que procurava?

SCULLY: - Se houvesse um médico pra me ajudar, estaria feliz.

HAMURABI: - Vou conseguir um. Aliás, vou conseguir uma equipe. Deixe comigo, sou uma pessoa de grande influência por aqui.

SCULLY: - E vai ficar lá dentro traduzindo tudo pra mim?

HAMURABI: - Sem problemas, doutora Scully. Eu não preciso olhar para os cadáveres.

Hamurabi sai. Scully se espreguiça. Mexe a cabeça, o pescoço. Um enfermeiro passa por ela e sorri. Um moreno muito bonito, cor de jambo. Scully sorri. Ele segue pelo corredor. Scully o acompanha com os olhos.

SCULLY: - Nossa! Acho que vou deixar o Mulder investigando múmias e vou investigar os vivos...


4:18 P.M.

Scully ainda no necrotério. Agora mais acordada. Os médicos saem. Scully olha as radiografias. Hamurabi aproxima-se.

HAMURABI: - Achou o que queria?

SCULLY: - Achei. Hamurabi, precisamos encontrar o Mulder. Mas antes, tem algum lugar legal pra comer alguma coisa?

HAMURABI: - Gosta de comida egípcia?

SCULLY: - Prefiro descobrir isso no jantar. Quero um hambúrguer. Um gostoso, suculento e engordurado hambúrguer. E uma Coca. Eu preciso de uma Coca-Cola!

HAMURABI: - Vamos lá, levo a senhorita.

SCULLY: - Ah, Hamurabi, você é um doce, sabia? O que faria aqui sem você?

HAMURABI: - Ora, é minha função, doutora.

SCULLY: - Vamos lá, deve estar com fome também. Hoje é por minha conta.


Vale dos Reis - 6:31 P.M.

Scully desce do jipe. Mulder sai da tumba de Tutankamon, tirando as luvas e a máscara.

MULDER: - Ora, ora, se não é a minha parceira. Chegou para ver o pôr do sol?

SCULLY: - Achou alguma coisa?

Mulder tira um tubo do bolso.

MULDER: - Talvez o seu Aspergilo.

SCULLY: - Mande analisar. Estou cansada.

MULDER: - Vamos voltar pro hotel. Quero tomar um banho.

SCULLY: - Isso é necessário?

MULDER: - O banho?

SCULLY: - Não, as luvas.

MULDER: - Pra garantir, embora possa carregar o fungo nas roupas... Não é você que vive me criticando por colocar as mãos em substâncias estranhas? Agora reclama?

SCULLY: - Mulder, você está bem, tem suas defesas orgânicas.

MULDER: - Então não preciso me preocupar.

SCULLY: - ...

MULDER: - O que houve?

SCULLY: - Mulder, tem alguma coisa errada por aqui.

MULDER: - O que descobriu?

Scully olha pra McGuire que está saindo da tumba. Pega Mulder pelo braço e toma certa distância. Hamurabi fica parado, cuidando do camelo.

SCULLY: - Mulder, quatro das cinco vítimas foram contaminadas pelo fungo.

MULDER: - E a quinta vítima?

SCULLY: - Saúde perfeita.

MULDER: - Qual deles?

SCULLY: - A mulher.

MULDER: - Tem alguma relação pelo fato dela ser mulher?

SCULLY: - O Aspergilo não escolhe sexo, Mulder. Examinei todos eles, pedi exames... McKen, o fotógrafo, era portador de HIV, já em estágio de evolução. Lewis, o jornalista era fumante, estava com câncer em estágio inicial, mas em metástase. Provavelmente ele não sabia disso. O Prof. Muller, também tinha câncer em metástase. Donald Carvell, filho da professora Carvell, sofria de asma e estava com o pulmão seriamente comprometido.

MULDER: - E a Profa. Carvell?

SCULLY: - Carvell não tinha nada. Sua saúde era perfeita.

MULDER: - Scully, tem uma teoria?

SCULLY: - Ainda não, Mulder. Mas incriminar um fungo não basta. Uma vítima morreu e não apresentava células infectadas.

MULDER: - Acha que o rei Tut é o culpado?

SCULLY: - Quem?

MULDER: - Tut ou Tutankamon, como quiser.

SCULLY: - ‘Tut’ não tem nada a ver com isso, Mulder. O fato de não ter encontrado nenhuma evidência não significa que ela não tenha sido assassinada.

MULDER: - Envenenamento? Mas por quê? Quem envenenaria Carvell?

SCULLY: - Liguei pro Bureau e pedi a ficha completa dela. Pedi ao hospital exames detalhados de substâncias químicas, em todas as vítimas.

MULDER: - ...

SCULLY: - Vamos pro Cairo, Mulder. Preciso dormir! E temos uma longa viagem pela frente.

MULDER: - Scully, lamento te informar, mas vou ficar aqui.

SCULLY: - (INCRÉDULA) O quê?

MULDER: - Vamos levantar acampamento.

SCULLY: - Mulder, deixe o rei Tut em paz!

MULDER: - Se quiser voltar, volte. Eu vou ficar...

SCULLY: - (CHANTAGEANDO) Certo, Mulder. Vou dormir numa cama confortável, pela manhã verei a esfinge, as três pirâmides... Depois vou para Memphis...

MULDER: - Tudo bem, Scully. Amanhã vou visitar Carnac e Luxor...

SCULLY: - Mulder, porque não me avisou antes? Não trouxe roupas, preciso de um banho... Não acredito que vai vigiar essa droga de tumba a noite toda! Pra isso existem portas com grades, Mulder!

MULDER: - Tá, vou com você pro Cairo. Mas amanhã acamparemos aqui, combinado?


Hotel Osíris – Cairo – 11:49 P.M.

Mulder está deitado de bruços na cama, mexendo no laptop. Scully entra no quarto com uma garrafa de água mineral.

SCULLY: - O que procura?

MULDER: - ... Desculpe, estava lendo seus e-mails...

SCULLY: - (INDIGNADA) Quem te deu o direito?

MULDER: - Calma! Só li um que chegou do FBI.

SCULLY: - ... E o que diz?

MULDER: - Susan Carvell. Estava envolvida com as pesquisas da tumba do rei Akináton... Ela e seu namorado: Mort McGuire.

SCULLY: - McGuire?

MULDER: - Temos um suspeito, Scully. Além do rei Tut, que por coincidência, supostamente é filho de Akináton.

SCULLY: - Ahn?

MULDER: - Ainda não conseguiram autorização para fazer exames de DNA nas múmias, mas já encontraram semelhanças incríveis na estrutura facial de Akináton e Tutankamon.

SCULLY: - Mulder, precisamos interrogá-lo.

MULDER: - (VIAJANDO) Quem?

SCULLY: - (CARA DE DEBOCHE) A múmia de Akináton, Mulder. Pra ver se confessa a paternidade do ‘Tutinho’!

Scully abre a porta.

MULDER: - Onde vai?

SCULLY: - Interrogar algumas múmias...


12:07 A.M.

Na varanda do restaurante do hotel, McGuire observa a cidade. O céu está claro, a lua cheia. Um céu mágico, incógnito, perfeito. Scully aproxima-se da mesa dele.

McGUIRE: - Olá, amiga. Veio tomar um drinque e admirar a paisagem do Cairo? Se olhar bem, lá adiante temos o Nilo. O Nilo... O Egito é uma dádiva do Nilo, como disse Heródoto.

SCULLY: - Por que não nos disse que tinha uma caso com a Profa. Carvell?

McGUIRE: - Isso é relevante?

SCULLY: - (IRRITADA) É claro que sim! Em que estavam trabalhando?

McGUIRE: - Ela estava auxiliando no projeto da tumba de Tutankamon. Paralelo à isso, me ajudava nas investigações da tumba de Akináton.

SCULLY: - E o que investigavam?

McGUIRE: - Tentávamos traduzir alguns trechos nas paredes... Isso é importante?

SCULLY: - Se esconder mais alguma informação, senhor McGuire, pode se meter em sérias encrencas. Sua mulher tinha alguma doença grave? Estava doente?

McGUIRE: - Não que eu saiba.

SCULLY: - Como explicaria a morte dela?

McGUIRE: - Fungos?

Scully sorri.

SCULLY: - Esse tipo de fungo não ataca pessoas saudáveis.

McGUIRE: - Então devo concluir que Tut é o responsável?

SCULLY: - É mais plausível que um ser humano vivo planeje um assassinato do que uma múmia de mais de três mil anos, senhor McGuire.

Scully sai. McGuire a observa, cauteloso.


7:21 A.M.

Mulder está deitado na cama. Assistindo TV. Scully está olhando pela janela, tomando uma xícara de café. Mulder muda os canais.

MULDER: - Terrível. Não sei o que essa gente tá dizendo... Onde está a CNN?

Scully aproxima-se da TV e a desliga. Senta-se na cama.

SCULLY: - Mulder, ontem você falava sobre a ligação entre Tut e Akináton. O que sabe mais sobre isso?

MULDER: - Akináton foi um faraó muito maluco, Scully. Chamado Amenófis IV, ele instituiu apenas um deus, Áton. O deus sol. Por isso mudou seu nome para Akináton que significa ‘Áton está satisfeito’. Sua tumba foi encontrada no ponto onde o sol nasce no Vale dos Reis. A luz irradia sobre todas as outras tumbas, mostrando o quão pretensioso ele era. As pinturas de sua tumba refletem um faraó comum, uma nobreza comum, com corpos nada esbeltos e perfeitos. Para os egípcios, os faraós eram perfeitos, e isso causou um escândalo. Ele mandou que a palavra deuses fosse removida de todos os lugares e o nome de Áton também. Na verdade, ele se achava o próprio deus sol. Supõe-se que tenha sido assassinado por ser ‘subversivo’. Talvez sua esposa Nefertite tenha governado depois dele, até Tutankamon tomar o trono. Supõe-se que Tut era filho de Akináton com outra mulher. Tut restaurou a crença politeísta no Egito e tomou o trono aos nove anos, quando se casou. Morreu aos 19 anos de idade. Talvez tivessem medo que Tut seguisse os passos de seu pai.

SCULLY: - Por que McGuire mataria Carvell? Ela trabalhava em parceria com ele. Acredito que tentavam achar ligação entre os dois reis. Tentavam obter provas.

MULDER: - Scully, tem uma coisa que você não sabe. Arqueólogos gostam de seus nomes nos jornais. Quer minha teoria?

SCULLY: - Fale.

MULDER: - Aposto que McGuire e Carvell descobriram alguma coisa. McGuire queria apenas o seu nome ligado à descoberta.

SCULLY: - Supondo que ela tenha sido assassinada. Isso justificaria que McGuire a matasse para ficar com a fama sozinho.

O telefone toca. Scully levanta-se. Atende.

SCULLY: - Agente Scully... Ah, senhor Thomas... Sim? ...

Mulder observa Scully. Scully desliga.

SCULLY: - Embaixada, Mulder... Estamos certos. Carvell foi envenenada. Precisamos de provas.

MULDER: - Provas? Vou te dizer como conseguiremos provas.

Mulder levanta-se.

MULDER: - Venha comigo. Vamos prender McGuire.

SCULLY: - Mas e as provas?

MULDER: - Venha comigo. Só queria ter permissão pra carregar uma arma!

Os dois saem do quarto. Caminham até o quarto de McGuire. Batem à porta.

MULDER: - Senhor McGuire! Agentes Mulder e Scully.

McGUIRE: - Ah, sim, só um momento.

[Som: John Willians - Os Caçadores da Arca Perdida]

McGuire abre a porta.

McGUIRE: - Prontos para irmos a Gizé?

MULDER: - Está preso pelo assassinato de Susan Carvell.

McGuire abaixa a cabeça.

MULDER: - Qualquer coisa que disser pode e será usada contra você num tribunal.

McGUIRE: - Vou me vestir. Me levarão pra embaixada?

MULDER: - Com certeza.

McGuire fecha a porta na cara deles.

Mulder tenta arrombar a porta. Os hóspedes dos outros quartos saem para fora, assustados. Mulder mete o pé na porta. Scully corre pra dentro. Eles procuram, mas não o encontram.

Scully vai até a janela. Vê McGuire correndo entre comerciantes.

SCULLY: - Mulder, lá está ele!

MULDER: - Não vamos pegá-lo, Scully. Mas já sabemos que foi ele. Aí está a prova. Vamos avisar a embaixada. A polícia local tomará providências.

SCULLY: - Caso encerrado então?

MULDER: - Não.

SCULLY: - Como não? Já sabemos que McGuire matou Carvell.

MULDER: - Mas não sabemos porquê, até pôr as mãos nele.

SCULLY: - (DESANIMADA) E temos de saber o porquê?

MULDER: - Scully, confie em mim. Tem alguma coisa errada por aqui. Estou sentindo isso.


Vale dos Reis – 4:18 P.M.

Scully, de máscara e luvas, analisa os fungos nas paredes da tumba de Tutankamon. Mulder pensativo, observa o sarcófago que está protegido atrás de uma meia parede.

SCULLY: - Impressionante, Mulder! De longe parece que a pintura está descascada, mas na verdade são fungos grudados nas paredes.

MULDER: - ... “Aqueles que penetrarem nesta tumba sagrada, logo serão visitados pelas asas da morte”.

SCULLY: - O que é isso?

MULDER: - O que os hieróglifos na entrada dizem.

HAMURABI: - (GRITA) Agente Mulder! Doutora Scully!!

Mulder aproxima-se da entrada do túmulo. Olha pro alto das escadas. Vê Hamurabi, suado e com um semblante assustado.

MULDER: - O que foi, Hamurabi? Desça aqui.

HAMURABI: - Não, eu não entro aí! Não há nada de bom aí.

MULDER: - O que aconteceu?

HAMURABI: - Um fato estranho!

MULDER: - Fale de uma vez, homem!

HAMURABI: - McGuire. O professor McGuire foi achado em sua casa. Morto!

MULDER: - Do que morreu?

HAMURABI: - Tut. Tut veio buscar sua alma! O Deus sol o levou. Amon está enfurecido!

Scully aproxima-se e olha pra Mulder.

HAMURABI: - Precisam ver! Precisam ver! Vamos, o helicóptero está esperando!

Mulder e Scully sobem as escadas. Um guarda egípcio se aproxima, fechando as grades da porta da tumba. Fica ali parado.


BLOCO 3:

Necrotério da Universidade do Cairo – 8:21 P.M.

Scully abre a porta da geladeira. Ergue o lençol que cobre o corpo. O corpo está todo queimado. Irreconhecível.

SCULLY: - Como aconteceu isso? Há testemunhas?

Um homem aproxima-se, bem vestido. É Larry, da embaixada americana.

LARRY: - Testemunhas disseram que a casa explodiu. Talvez tenha sido suicídio.

MULDER: - Ou acobertamento de provas. Scully, fique aqui. Quero que descubra se esse é o McGuire mesmo.

SCULLY: - Onde vai?

MULDER: - Adquirir cultura. Vamos, Hamurabi.

Mulder e Hamurabi saem. O homem da embaixada fica com Scully.


Museu do Cairo - 8:47 P.M.

Mulder bate à porta. Hamurabi ao lado dele. Um velhote atende.

VON HARTZ: - Estamos fechados. Não leu a placa?

MULDER: - (DEBOCHADO) Não, eu sou cego.

Hamurabi ri. Von Hartz olha invocado pra eles.

VON HARTZ: - O que quer?

MULDER: - Sou o agente Fox Mulder do FBI, embora não tenha minha insígnia pra comprovar.

VON HARTZ: - FBI? No Cairo?

MULDER: - É o professor Von Hartz?

VON HARTZ: - (DEBOCHADO) Não, sou a tia dele.

MULDER: - Meu amigo aqui me disse que você é o chefe do projeto Tutankamon. Tenho algumas perguntas.

O velhote abre a porta.

[corte]

Mulder e Von Hartz caminhando pelo museu. Hamurabi os acompanha à distância. Von Hartz pára na frente de uma máscara egípcia.

VON HARTZ: - A máscara mortuária de Tutankamon. Carter e Carnavan não imaginavam o esplendor de sua descoberta. A primeira tumba intacta encontrada, com todos os seus tesouros.

MULDER: - ...

VON HARTZ: - E de pensar que não estavam atrás de Tut, nem sabiam que ele existia. O nome de Tutankamon foi apagado da lista dos faraós na 19ª dinastia. Ramsés VI erigiu sua tumba sobre a do rei Tut. Nunca saberemos o real motivo de quererem seu esquecimento. Por isso as lendas sobre ele são fantásticas: Tut, o diabólico. Tut, o filho do mal. Mas Tut foi apenas um faraó, que morreu ainda adolescente, que teve o poder em suas mãos ainda quando criança. Pegou um Egito sofrido, castigado e revoltado. Não teve um governo fácil.

MULDER: - (IRRITADO) Conheço bem o assunto. Tirava 10 em História Antiga. Sabe o que o professor McGuire e a profa. Carvell estavam investigando?

VON HARTZ: - Sei que faziam pesquisas sobre a ligação de Akináton e Tut. E estavam escavando no Vale dos Reis.

MULDER: - Escavando? Escavando o quê?

VON HARTZ: - (DEBOCHADO) Dinossauros. Aqui no Egito procuramos dinossauros.

MULDER: - (IRRITADO) Quer usar essa máscara mortuária pra sempre? Acho que tenho um tubo de superbonder no bolso.

VON HARTZ: - Estão em busca de novas tumbas. Os arqueólogos sempre sonham em descobrir algo tão ou mais fantástico que a tumba de Tutankamon.

MULDER: - Acha que descobriram alguma coisa?

VON HARTZ: - Agente Mulder, apesar de McGuire ser um assassino, nós temos um código de ética entre os arqueólogos. Descobertas são mantidas em segredo, até que tenhamos noção do que se trata.

MULDER: - Também tenho um código de ética com o Bureau. Silêncio é cumplicidade e dá cadeia.

VON HARTZ: - ...

MULDER: - Então?

VON HARTZ: - Parece que Carvell descobriu a tumba de um sacerdote egípcio. Na tumba havia, além da múmia, um vaso de barro com pergaminhos que Carvell entregou à McGuire para tradução.

MULDER: - Sabe do que se trata?

VON HARTZ: - Isso pode dar cadeia, agente Mulder. O governo egípcio não sabe dessa descoberta.

Mulder olha pra Von Hartz, empolgado.

VON HARTZ: - Parece que se trata de um manuscrito da 12ª dinastia, que contém mensagens e rituais desconhecidos... do Livro dos Mortos.

MULDER: - Sabe onde ficam as escavações?

VON HARTZ: - Posso levá-lo até lá.

MULDER: - Ótimo. Vamos.

VON HARTZ: - Não podemos ir agora para o Vale dos Reis!

MULDER: - Por que não? A embaixada americana nos fornece um helicóptero.

Mulder pega o celular.

MULDER: - Scully? ... Vou para o Vale dos Reis, consegui pistas interessantes... Não era McGuire? ... Scully, pego você no hotel.

Mulder desliga.

MULDER: - Seu amigo forjou um falso suicídio para encobrir provas. Ele envenenou a profa. Carvell. Aposto que sei onde está escondido.


Vale dos Reis – 4:47 A.M.

Mulder, sentado à beira de uma fogueira. Scully sai de uma barraca.

SCULLY: - Sem sono?

MULDER: - Completamente.

SCULLY: - O corpo era de um aluno de McGuire.

MULDER: - Desgraçado! Tudo isso por causa de fama! Fama que teria, se não tivesse crescido o olho!

SCULLY: - O que é o Livro dos Mortos, Mulder?

MULDER: - Servia para facilitar a entrada dos mortos no céu, Scully. Era um conjunto de fórmulas mágicas. Muitos sacerdotes se enriqueceram com isso.

SCULLY: - Os Egípcios tinham algo em comum com os cristãos. Exceto pelo politeísmo, por deuses antropomórficos e zoomórficos. Eles também acreditavam em ressurreição, por isso preservavam seus corpos.

MULDER: - Ressurreição não é uma coisa lógica, Scully.

SCULLY: - Reencarnação é?

MULDER: - Como você pode voltar pro seu corpo depois de morto? É cientificamente provado que seu corpo se decompõe. Como pode se refazer novamente? Isso é absurdo e não é científico. Sua alma pode voltar pra outro corpo. Mas nunca pro mesmo.

SCULLY: - Mistérios de Deus, Mulder.

MULDER: - Ah, conversa fiada, Scully! Sabia que no ano de 325, a Igreja Católica fez o Conselho de Niceia? Sabe o que decidiram? Retirem a ideia de mediunidade do Catolicismo, Jesus agora é Deus e Maria é virgem! Tá na história, Scully. Pegue uma enciclopédia e pesquise.

SCULLY: - Mulder, a Igreja errou em muitos pontos e...

MULDER: - O que Jesus quis dizer com Elias já voltou e está entre nós? João Batista era o profeta Elias reencarnado! A Bíblia não pára de falar sobre espíritos, Scully. E pelo fato das pessoas dizerem que viram Jesus depois da morte, não significa que ele tivesse voltado pra seu corpo! Nem os apóstolos reconheceram Cristo depois que ele supostamente ressuscitou e apareceu pra eles. Por quê? Hum? Porque Cristo não estava no mesmo corpo!

SCULLY: - E como seu corpo desapareceu?

MULDER: - (DEBOCHADO) Mistérios, Scully. Mistérios extraterrestres. Já sabe, eu já tinha dito à você há muito tempo: Meu ET é o seu Deus. Jesus era um ET. Me queime na fogueira por causa disso. Sou herege, mas Cristo é extraterrestre!!!!

SCULLY: - ... Acho melhor encerrar o assunto. Nem vou dar respostas pra você. Melhor ignorar.

MULDER: - (EMPOLGADO) Tá. Vou te dar uma teoria. Imagine que amanhã a NASA mande uma nave tripulada pra Marte. Temos tecnologia pra isso. Os astronautas percebem que há um bando de seres, uns macaquinhos burros que habitam o planeta. Brigam muito, são selvagens, não têm inteligência. Então fazemos um cruzamento do nosso DNA com o deles. Tentamos o Adão 1, a Eva 1... Até que conseguimos uns macaquinhos inteligentes que começam a andar eretos. Ensinamos eles a plantarem, a cultivarem, ensinamos muitas coisas. Mas eles são muito brigões, se matam por qualquer coisa. Então instituímos uma coisa chamada religião e moral, que é pra assustar os macaquinhos e segurar o ímpeto selvagem deles. Deixamos alguns dos nossos padres, profetas... Deixamos alguns de nós para ensiná-los. Claro que os nossos são notáveis, e viram mitos para os macaquinhos. Então, sempre que podemos, vamos dar uma espiada neles, dos céus, de longe, pra ver como anda a nossa experiência. Até que um dia, um macaquinho olha pra cima e diz: Meu Deus! Existem extraterrestres!

Scully sorri.

MULDER: - Scully, os macaquinhos somos nós... O que assusta é que a criatura nunca pode superar o criador. E toda a criatura é feita com um propósito. Qual é o propósito deles?

SCULLY: - Não sabemos, Mulder. E talvez, nunca saberemos.

MULDER: - Scully, esses reis egípcios, que diziam ser filhos dos deuses, na verdade, podiam bem ser extraterrestres. Percebe como a paranormalidade sempre termina em extraterrestres? É como aquele joguinho do Kevin Bacon, que uma garotinha me falou. Sempre vai dar Kevin Bacon.

SCULLY: - Mulder, eu ainda tenho medo de ampliar meus horizontes como você. Eu tinha uma crença que de uma hora pra outra, foi por terra. Não pode imaginar como me sinto traída, enganada... Tudo é novo pra mim, Mulder. Me sinto uma nova mulher, com novos horizontes, com novas idéias e com muita coisa ainda pra aprender.

MULDER: - Espero ter esclarecido seu problema com os macaquinhos e com os faraós.

SCULLY: - Precisa me esclarecer muito mais, Mulder. Não sabia que tinha tanto conhecimento sobre tantas coisas.

MULDER: - Scully, você é curiosa. Se não fosse, não seria uma cientista. Curiosidade é a ferramenta.

SCULLY: - Acho que a Teoria da Evolução de Darwin caiu por terra pra mim.

MULDER: - Leia a Bíblia, Scully, sei que gosta. Lá vai achar o que procura. É só interpretar. E não veio do barro não. A tradução tá errada.

Scully deita a cabeça no colo de Mulder. Fecha os olhos.

MULDER: - ... Imagine como era esse lugar há muitos milhares de anos atrás... Deveria ser fantástico, mágico...

SCULLY: - Existe uma magia aqui, Mulder. O mundo civilizado começou por aqui.

MULDER: - Scully, se não fosse agente do FBI e psicólogo, seria arqueólogo, sabia? Gostaria de ter escolhido essa profissão. Chegaria mais rápido à verdade. Bem que eu podia ter algum filho curioso feito eu, que resolvesse estudar arqueologia!

SCULLY: - Vá com calma, Mulder. Nem sempre estamos prontos pra verdade.

O camelo aproxima-se. Scully levanta-se. Sorri.

SCULLY: - Ah, o camelinho!!!!!

MULDER: - Gostou desse bicho, não é Scully?

SCULLY: - Ah, ele é uma gracinha!

Scully levanta-se. Afaga o camelo.

SCULLY: - O que será que ele come, Mulder?

MULDER: - Sei lá! ... Papiro?

SCULLY: - Que maldade, Mulder! Por isso ele não gosta de você.

Hamurabi aproxima-se.

HAMURABI: - Já andou num desses, doutora?

SCULLY: - Nunca.

HAMURABI: - Quer tentar?

SCULLY: - (EMPOLGADA) Quero!

Mulder põe as mãos no rosto.

MULDER: - Perdi a mulher pra um camelo!

SCULLY: - (CURIOSA) Como faz?

HAMURABI: - Puxe o arreio dele pra baixo. Dê um tapinha nas costas dele.

Scully faz. O Camelo ajoelha-se. Scully ri. Sobe no camelo.

SCULLY: - E agora? Como faz pra ele andar?

MULDER: - (DEBOCHADO) Que tal o acelerador?

SCULLY: - Mulder!

MULDER: - Mas desista, você não alcança nos pedais do camelo.

HAMURABI: - Dá outro tapinha nele. Assim ele anda.

Scully faz. O camelo ergue-se. Scully se segura, empolgada.

SCULLY: - Ô, calma, camelinho, calma...


15 minutos depois...

Scully andando de camelo de um lado pra outro, como uma abobada. Faz caretas pra Mulder e desfila na cara dele. Mulder observa, incrédulo.

SCULLY: - Mulder, não quer tentar? É divertido!

MULDER: - Não, Scully. Mulheres dirigindo camelos são muito perigosas.

SCULLY: - Ah, Mulder! Encarne seu sonho de ser um egípcio! Faça de conta que é um faraó.

MULDER: - Faraós andavam em bigas, Scully, não em camelos. Camelo é coisa de pobre! É igual a andar de fusca verde com um adesivo escrito “We are the world” e tapetinhos de panos coloridos...

SCULLY: - Preconceituoso! Vamos camelinho, vamos!

O camelo sai andando. Scully ri, se divertindo com a novidade. Mulder começa a rir dela. Hamurabi senta-se ao lado dele.

HAMURABI: - Ela se parece com a Cleópatra.

MULDER: - ? Sério?

HAMURABI: - Dizem que Cleópatra foi a pior governante egípcia. Que vendeu o Egito aos Romanos por causa de suas paixões avassaladoras. Discordo. Cleópatra foi uma mulher notável. Usou sua sedução para defender seu país. Preferiu morrer do que ser humilhada na frente de seu povo, pelo qual tanto lutou. Ela tinha sensualidade, senso de humor e inteligência. Nunca lhe disseram obrigado por tentar de tudo, até mesmo dar seu corpo em troca da liberdade de nosso país.

MULDER: - Hamurabi, como você, um guia e intérprete, nunca entrou na tumba de Tutankamon?

HAMURABI: - Sempre aviso, fico do lado de fora de qualquer tumba. Acredito nas maldições, agente Mulder. Não sabemos quem era Tut e porque morreu tão cedo. Não sabemos quem eram os faraós... Perdemos o elo que nos ligava ao passado. E os ensinamentos dos antepassados estavam mais próximos da verdade de nossas origens e por isso devem ser respeitados.

MULDER: - A maldição são fungos que permaneceram ali dentro.

HAMURABI: - Pode limpar o quanto quiser, mas eles sempre voltam... Não gosto daquele lugar. É mau. Prefiro seguir minha intuição. Nem meu camelo chega perto daquele túmulo.

MULDER: - Preciso ir à Memphis amanhã. Tenho que levar a Scully, mas não confio em Von Hartz aqui sozinho.

HAMURABI: - Ficarei com ele. Vocês podem achar meu primo em Memphis, ele os ajudará no que precisarem. Ele fala inglês perfeitamente. Estudou na universidade.

MULDER: - O que faz da vida, além de ser guia e intérprete?

HAMURABI: - Nada para ser preso, agente Mulder. Faço favores pras pessoas: compras, levo-as aos lugares mais baratos, aos melhores restaurantes... Quando estou de folga, ajudo minha irmã na feira. Tenho uma vida modesta mas feliz. E quando olho pra esse céu,  vendo as cores sangrentas da lua e das guerras que se cercam ao redor do meu país, mesmo assim agradeço à Deus por estar aqui. Esse é o meu país, agente Mulder. Se vocês americanos se orgulham de suas riquezas materiais e de seu poder sobre os homens, nós nos orgulhamos da nossa riqueza espiritual e do sorriso do nosso povo. Que mesmo sofrendo, ainda sabe sorrir.


Proximidades de Memphis – 11:59 A.M.

[Som: John Willians - Os Caçadores da Arca Perdida]

Um deserto. O vento varre a areia.

Scully passa na frente da câmera, correndo, esbaforida, usando camisa, calça, botas e segurando um facão. Usa um rabinho de cavalo. Pára. Vira-se pra trás.

SCULLY: - (GRITA) Mulder, ele foi por ali! Atrás daquela rocha!

Corta pra Mulder, que vem correndo, saindo do meio de uma ruína, cercada de palmeiras, segurando o chapéu na cabeça com as mãos. Caracterizado como Indiana Jones, com um rolo de corda atravessado no ombro. Chicote na cintura também. Os dois correm pelo deserto, perseguindo alguma coisa.

MULDER: - Vou pela esquerda!

Mulder corre pra esquerda. Scully segue pela direita. Os dois correndo como loucos. Dão a volta na rocha e encontram-se cara a cara.

SCULLY: - Mas como? Eu o vi, Mulder!

MULDER: - Ele não passou por mim.

SCULLY: - Nem por mim!

Mulder guarda a arma. Está cansado, respirando com dificuldades.

SCULLY: - (ASSUSTADA) Mulder, o que era ele?

MULDER: - (IRRITADO) Como vou saber? Não tenho respostas pra tudo, ‘senhora Ciência’!

Scully suspira desanimada. Abaixa a cabeça e revira a areia com o pé.

Câmera de afastamento. Aos poucos, surge a panorâmica do lugar. Percebe-se primeiramente um rio. Ao fundo, a esfinge e as três pirâmides do Egito.

SCULLY: - Não acredito, Mulder! Nós o perdemos!

Mulder senta-se na beira do rio. Observa as pirâmides.

MULDER: - Scully, eu...

SCULLY: - Fala.

MULDER: - ... Se não me engano, ele... Ah, esquece! Você vai me chamar de louco!

SCULLY: - ...

MULDER: - O que você viu?

SCULLY: - Mulder, vi um homem atravessando na frente do nosso jipe. Nós o atropelamos, mas ele não estava mais lá. Foi quando o vimos à metros de distância e fomos atrás dele.

MULDER: - Tá. Mas e o que viu?

SCULLY: - Um homem.

MULDER: - Um homem comum?

SCULLY: - ...

MULDER: - Scully, era impressão minha ou ele tinha uma cabeça de chacal?

SCULLY: - ... Acho que tinha. Mulder, que diabos está acontecendo por aqui?

MULDER: - Vamos voltar, Scully. Não foi um bom aviso.

SCULLY: - Como assim, Mulder? Não existem homens com cabeça de chacal que somem no nada.

Mulder levanta-se. Cruza os braços e olha pra Scully, questionando-a com os olhos.

SCULLY: - (GAGUEJANDO) Tá bom, eu vi! Eu vi, tá feliz?

MULDER: - Vamos embora.

SCULLY: - Vamos, porque meus miolos estão torrando nesse deserto e pra dizer a verdade acho que vimos uma miragem.

MULDER: - A miragem de Anúbis?

SCULLY: - Anúbis?

MULDER: - O Deus que guia os mortos, Scully, para o lugar de seu descanso. Não foi um bom aviso, vamos sair daqui.

Mulder começa a caminhar em direção ao jipe.

SCULLY: - (INDIGNADA) Ok, mister ‘Indiana Mulder’! O que estou fazendo nesse deserto escaldante, segurando um facão, assustada, investigando múmias e arqueólogos loucos, procurando papiros que falam de morte?

MULDER: - Certo, ‘Scully Jones’. Quer voltar pra Washington, volte. Eu vou ficar aqui.

Scully se irrita. Mulder encosta-se no jipe. Pega um cantil e bebe água.

SCULLY: - (IRRITADA) Você e sua mania incurável de me meter em encrencas! Já encerramos esse caso, sabia? É só entregarmos pra polícia local. Eles acharão McGuire.

MULDER: - Ah, acharão, não é mesmo? E o Livro dos Mortos?

SCULLY: - Não quero saber de livro dos mortos!

MULDER: - (IRRITADO, AOS GRITOS) Você é doida, sabia? Completamente biruta! Ontem queria saber de tudo, hoje quer ir embora.

SCULLY: - (GRITA) Talvez porque eu esteja descascando como uma cobra  debaixo desse sol!

MULDER: - Por falar em cobras, Scully...

Scully pula no colo dele. Mulder olha debochado pra ela.

SCULLY: - (GRITANDO DESESPERADA) Mate, Mulder! Eu odeio cobras! Não quero nem ver!

MULDER: - Eu só ia dizer que as cobras eram animais sagrados para os egípcios, só isso.

Scully desce do colo dele, com um beiço enorme. Abre a porta do jipe. Senta-se. Bate a porta com força. Cruza os braços, emburrada. Mulder entra no jipe. Liga-o.

MULDER: - Vamos voltar pro Vale dos Reis.

SCULLY: - Isso. Horas e horas de viagem, nesse maldito sol escaldante, comendo poeira!

MULDER: - Sei qual é o seu problema.

SCULLY: - Não tenho problema algum, ‘Buana’.

MULDER: - Tem. Há três dias não fizemos sexo. Está de mal humor.

Scully pega o facão.

SCULLY: - Cale a boca, Mulder! Ou vai perder uma coisa que vai sentir muita falta!

MULDER: - Uau!

SCULLY: - ... (EMBURRADA)

MULDER: - Você é perigosa, Scully... Muito perigosa. Esse facão não foi uma boa ideia... Vou reclamar aos executivos da emissora... Vou fazer um relatório: ‘Um milhão de dólares’ é pouco pra aturar você! Encerrem essa série de uma vez, antes que eu acabe morto!

SCULLY: - Mulder, quer ser castrado agora ou ao final da temporada? Hum?


BLOCO 4:

Vale dos Reis – 4:29 P.M.

Mulder e Scully descem do jipe. Mulder tira o chapéu e seca o suor da testa com o braço. Coloca o chapéu novamente. Olha pro acampamento. Vê apenas o camelo.

MULDER: - Ô, ô... Scully, tem alguma coisa errada por aqui.

Scully pega o facão de dentro do jipe. Mulder aproxima-se das barracas. Scully olha dentro de uma delas. Mulder procura nas outras.

SCULLY: - Não estão aqui.

MULDER: - Vou ver na tumba.

Mulder sai correndo. Scully olha pro camelo. Percebe que o animal está agitado.

SCULLY: - O que houve, camelinho?

Scully sente o cano da arma em suas costas.

McGUIRE: - Solte o facão, agente Scully. Vire-se lentamente com as mãos aonde eu possa vê-las.

Scully solta o facão e vira-se. McGuire sorri.

McGUIRE: - Você e seu amiguinho xereta querem descobrir a verdade, não é mesmo? Pois vou revelar à vocês.

Corta para Mulder e Hamurabi que aproximam-se com as mãos erguidas. Von Hartz aponta um rifle pra eles.

McGUIRE: - Amarre os três. Vamos levá-los pra dar uma volta.


8:37 P.M.

[Som: John Willians - Os Caçadores da Arca Perdida]

Hamurabi dirige o jipe pelo deserto. McGuire, sentado no banco de trás, aponta a arma pra Hamurabi. Von Hartz, no banco da frente, aponta a arma pra Mulder e Scully, amarrados no banco de trás, ao lado de McGuire.

McGUIRE: - Pare ali, naquela colina.

Hamurabi pára o jipe. McGuire desce.

McGUIRE: - Venham, temos uma longa subida.

Eles começam a subir a colina de areia. McGuire e Von Hartz seguem atrás deles, mirando as armas.

McGUIRE: - Não tentem nenhuma gracinha. Eu sou mais rápido.

Eles continuam subindo. No topo, McGuire empurra Mulder.

McGUIRE: - Desçam.

MULDER: - Só há areia por aqui, desgraçado! Vai atirar em nós?

McGUIRE: - Deveria. Os animais e o sol se encarregariam de sumir com suas carcaças...

Eles descem. Há outra colina.

VON HARTZ: - Parem.

Von Hartz puxa algumas moitas, revelando uma passagem escavada na areia.

VON HARTZ: - Terão a honra de serem os primeiros a entrar nessa tumba.

MULDER: - Sabem de quem é?

McGUIRE: - Ainda não. Mas saberemos.

[Corte]

A sala repleta de pinturas egípcias. Mulder fica estarrecido.

McGUIRE: - Isto é ante sala. Atrás daquela parede existe um corredor.

Mulder olha pra parede. Percebe um buraco nela.

MULDER: - O que tem do outro lado?

VON HARTZ: - Não sabemos. Você vai descobrir.

MULDER: - Eu?

McGUIRE: - Agente Mulder, os egípcios tinham muitos truques para defender seus tesouros. Acha que sou doido de entrar aí?

VON HARTZ: - Pra isso trouxemos três cobaias. Acho que será o suficiente.

McGuire empurra Mulder até o buraco.

McGUIRE: - Leve essa lanterna. E não tente nenhuma gracinha. Sua amiguinha estará conosco.

Mulder coloca a lanterna pelo buraco. Vê um enorme corredor, que se estende além do alcance da luz. Mulder fecha os olhos.

MULDER: - Scully, esqueci de te dizer que desde que fiquei numa solitária por um mês, criei fobia de lugares escuros e fechados...

McGUIRE: - Muito comovente. Agora entre! E não faça besteiras.

[Som: John Willians - Os Caçadores da Arca Perdida]

Mulder respira fundo, assustado. Segura o chapéu. Passa pelo buraco. Quando põe os dois pés no chão, respira aliviado. Mira a lanterna nas paredes. Há vários escritos.

MULDER: - Eu queria ser arqueólogo, mas não à força! E também estava brincando quando disse que depois que colocasse meus pés no Egito poderia morrer em paz!

McGUIRE: - Vamos!

Mulder mira a lanterna no chão de pedras. Caminha com cautela. McGuire o observa pelo buraco na parede, com a arma apontada pra Mulder.

MULDER: - Tudo limpo... Até agora...

Mulder vai caminhando.

Close nos pés de Mulder. Uma das pedras afunda. Mulder fecha os olhos.

MULDER: - ‘Ai, ai, ai, ai, ai’...

McGUIRE: - O que aconteceu?

MULDER: - Pisei em algo que não devia.

McGUIRE: - Olhe pras paredes! O que há nelas?

Mulder mira a lanterna nas paredes. Vê de cada lado, um buraco.

MULDER: - Tem dois buracos.

McGuire ri. Olha pra Scully.

McGUIRE: - Muito bem, um já era. Você é a próxima. O idiota aí fica por último.

Scully se desespera.

SCULLY: - Mulder!!!!!!!!!!

Um estrondo. McGuire mira a lanterna pelo buraco e vê o corpo de Mulder no chão.

McGUIRE: - Muito bem, sua vez, doutora Scully.

McGuire empurra Scully pelo buraco. Lhe entrega uma lanterna.

McGUIRE: - Veja onde pisa e não toque em nada!

Scully entra. Vê Mulder. Caminha até ele. Agacha-se.

SCULLY: - Mulder!

Mulder pisca o olho pra ela. Scully disfarça.

SCULLY: - Está morto! Vocês o mataram!

McGUIRE: - Siga!

Scully olha pro corredor e não vê o final. Vira-se pra McGuire.

SCULLY: - Não posso. Tem uma parede aqui! Precisa quebrá-la!

McGuire pega uma picareta. Pega o facão. Passa pelo buraco.

McGUIRE: - Onde está a parede...

Estrondo. Scully levanta-se assustada. Mulder também.

Corta para o corpo de McGuire, cravado na parede, com uma lança atravessada pela cintura.

MULDER: - Mas como?

Von Hartz espia pelo buraco.

VON HARTZ: - Que diabos está havendo aí... Ah, meu Deus!

Hamurabi pega uma pá e acerta a cabeça de Von Hartz, que cai desacordado ao chão.

HAMURABI: - Vamos, amigos, saiam daí!

Os dois aproximam-se do buraco. Scully tropeça em algo e uma porta começa a sair da parede.

Os dois agentes correm, mas a porta de pedra fecha-os dentro do corredor. Mulder fica em pânico. Olha pra Scully, respirando fundo.

MULDER: - (DESESPERADO) Por que isso sempre acontece? Por  que as mulheres só fazem besteira? Por quê? Por quê?

SCULLY: - Cala a boca, Mulder!

Mulder tira o facão da mão de McGuire.

MULDER: - Teve o que merecia. Aí está a sua droga de fama!

Scully vai se encostar na parede.

MULDER: - (GRITA) Não faça isso!!!!!!!!!!!!

Scully dá um pulo, quase enfartando de susto.

SCULLY: - (INDIGNADA) Quer me matar do coração?

MULDER: - (IRRITADO/ GRITANDO) Quer nos matar, sua louca? Não toque em nada, me siga e olhe pro chão!

SCULLY: - Como vamos sair daqui?

MULDER: - (GRITANDO) Talvez como múmias, daqui há dois mil anos! Vão pensar que éramos deuses, porque nossa cor é diferente!

SCULLY: - Por que está gritando comigo?

MULDER: - (FURIOSO) Por que você nos meteu nessa!!!

SCULLY: - Ah, é? Então porque se fingiu de morto?

MULDER: - Não ia adivinhar que você ia tropeçar em alguma armadilha.

SCULLY: - Será que existe uma saída?

MULDER: - Não existem saídas em pirâmides e túmulos, Scully. Só entradas.

SCULLY: - Talvez devamos esperar pelo Hamurabi.

Mulder mira a lanterna pra frente.

MULDER: - Talvez. Mas pra sua sorte, acho que isso não é um túmulo. E estou muito, mas muito curioso.

Mulder caminha lentamente. Scully o segue. Mulder entrega o facão pra ela.

MULDER: - Fique com isso. Você e ele são uma dupla! Queria minha arma agora...

SCULLY: - Ia atirar em Múmias, Mulder?

MULDER: - Sim. Na múmia que me deixou trancado nesse lugar!

Scully faz um beiço. Mulder mira a lanterna. Há uma entrada toda cheia de hieróglifos.

MULDER: - Sabe ler isso?

SCULLY: - Claro que não!

MULDER: - (DEBOCHADO) Bom, você é poliglota, talvez soubesse.

SCULLY: - Sei... Mulder, sei o que está escrito aí.

MULDER: - (CURIOSO) O que diz?

SCULLY: - (DEBOCHADA/ REVIDANDO) Aqui diz: Mulder, você é um idiota. Assinado: A múmia!

MULDER: - (IRRITADO) Sem graça, Scully. Completamente patético e sem graça.

[corte]

[Som: John Willians - Os Caçadores da Arca Perdida]

Um enorme salão, com colunas douradas. Vasos quebrados, relíquias quebradas. Nenhum tesouro.

MULDER: - Scully, alguém chegou aqui muito antes de nós e levou o que tinha de interessante.

SCULLY: - Mulder, que lugar é esse?

MULDER: - Parece um templo, Scully. Olhe pras figuras nas paredes... Hathor, Nephtys, Seth, Amon, Apis, Horus, Osíris, Thoth... Deuses egípcios...

Scully fica fascinada. Olha por tudo.

MULDER: - (GRITA DESESPERADO) Não mexa em nada!

SCULLY: - (GRITA FURIOSA) Não vou mexer!

MULDER: - Mulheres! Que mania de ver com as mãos!

SCULLY: - Tem coisas, Mulder, que só pegando pra poder ver o tamanho!

MULDER: - Ah, querida, isso não foi pra mim. Sinto pela sua frustração.

Scully pára na frente de uma estátua.

SCULLY: - Mulder, quem é esta?

MULDER: - Ísis, mulher e irmã de Osíris. Deusa da maternidade e da fertilidade. Dizem que as egípcias oravam pra ela pedindo proteção no parto e fertilidade por muito tempo.

Mulder mira a lanterna na parede para olhar os desenhos.

Scully olha pra Mulder e o vê entretido. Olha pra Ísis. Toca na estátua, admirando-a. Fecha os olhos. Suspira. Olha pra Mulder novamente. Mulder vira-se de surpresa e Scully retira a mão da estátua rapidamente, disfarçando.

MULDER: - O que foi?

SCULLY: - Nada.

MULDER: - Vamos andando.

Mulder sai na frente. Scully ainda dá uma última olhada na estátua.

SCULLY: - (SUSSURRA) Um só. Só um e eu fico feliz.

MULDER: - (GRITA DISTANTE) Scully!

SCULLY: - Já estou indo! (COCHICHA) Pode ser até com esse pateta aí. Não tem problema.

Scully corre atrás dele.

MULDER: - Cuidado. Não toque em nada!

SCULLY: - (IRRITADA) Quantas vezes vai me dizer isso? Acha que sou burra? Que não escuto direito?

MULDER: - Fique longe das paredes e do meu lado. Se alguma coisa acontecer comigo, você morre junto.

SCULLY: - Grande! Muito romântico!

MULDER: - Às vezes as armadilhas só disparam na terceira ou na segunda pessoa que passa por elas. Viu o que aconteceu com o McGuire.

Scully pára. Pressente algo. Olha ao redor. Há uma fenda escura na parede. Mulder continua caminhando. Scully observa atenta, mirando sua lanterna.

SCULLY: - Mulder!

Ouve-se a voz de Mulder à distância, com eco.

MULDER: - Scully!

SCULLY: - Tem alguma coisa aqui!

Scully continua observando, com o facão nas mãos.

MULDER: - Não toque em ... Deixa pra lá.

Mulder volta. Aproxima-se e vê Scully colocar a mão pela fenda.

MULDER: - Scully, não!!!!!!!!!!

Uma lança sai da parede e transpassa o chapéu de Mulder. Mulder fica catatônico, em pânico. Scully olha pra ele, põe a mão sobre o lábios.

SCULLY: - Ops!

MULDER: - ... (PÂNICO)

SCULLY: - Mulder?

MULDER: - ... (PÂNICO)

SCULLY: - Mulder, está bem?

MULDER: - (IRRITADO AOS BERROS) Ops? Ops? Só isso? Você é surda? Eu não falei mil vezes pra não tocar em nada!

SCULLY: - ... (DÓCIL) Desculpe...

MULDER: - (IRRITADÍSSIMO) Vou ter de amarrar você? Que droga! Por pouco eu não acabo me fu... fulminando! Imbecil! Louca! Retardada! Mais alguns centímetros e eu teria o penteado do Skinner!

Mulder ajeita o chicote na cintura.

MULDER: - (IRRITADO) Vá na frente! Tenho de ficar de olho em você, sua doida!

SCULLY: - (EMPOLGADA) Vai me bater com isso?

MULDER: - (IRRITADO) Não. Embora tenha vontade de te esfolar viva!

SCULLY: - Uau, Mulder! Isso foi excitante!

MULDER: - Anda! Vamos sair daqui!

Scully começa a caminhar. Mulder a segue.

SCULLY: - Mulder, não creio que vamos achar uma saída. Vamos morrer aqui.

MULDER: - Ah, agora tá preocupada com isso? Grande fim pra nós dois! Morremos aqui, como dois desconhecidos, num lugar desconhecido, buscando o desconhecido.

SCULLY: - (IRRITADA) Deveríamos ter ficado lá atrás! Mas a sua maldita curiosidade impera! Depois eu sou a curiosa, não é? Tanto vai a raposa ao moinho que um dia deixa o focinho.

MULDER: - (DEBOCHADO) Errou, Scully. Esse ditado é pro Krycek.

SCULLY: - Tá frio, escuro, úmido... Tô com fome.

MULDER: - (DEBOCHADO) Peça um lanchinho pelo celular. ‘Alô, é do Tut’s dog? Pode me mandar um Ramsés duplo com uma Nefertiti diet’?

SCULLY: - Idiota!

MULDER: - Múmia!

SCULLY: - Cala a boca, Mulder!

MULDER: - Cale a boca você!

SCULLY: - Não calo!

MULDER: - Ah, vai calar!

Scully vira-se pra Mulder e ergue o facão.

SCULLY: - Vem calar então!

Mulder puxa o chicote.

SCULLY: - Ahá, quer guerrinha, Mulder? Pois vai sair perdendo.

MULDER: - Sou mais rápido no gatilho, quer ver?

Mulder aproxima-se de Scully. Ela avança. Levanta o facão. Mulder se abaixa e Scully acerta a parede. Um alçapão se abre no chão e os dois caem aos gritos.

[corte]

Os dois agentes caem numa espécie de câmara. Mulder cai com a cara no meio das pernas de Scully.

SCULLY: - Ah, meu Deus! O que houve? Onde estamos?

MULDER: - ...

SCULLY: - Mulder?

MULDER: - Não sei, mas os deuses devem estar a meu favor.

SCULLY: - Saia já daí, Mulder! Como pode pensar nisso numa hora dessas?

MULDER: - E tem hora certa pra pensar nisso?

Scully dá um tapinha na cabeça dele. Mulder levanta-se.

MULDER: - Boba!

SCULLY: - Isso é invasão de propriedade privada!

MULDER: - Não diz isso quando você é a invasora!

Scully continua sentada no chão. Coça a cabeça. Perplexa.

SCULLY: - E agora?

MULDER: - Agora? Pense você, que nos meteu nessa!

SCULLY: - Que lugar é esse?

MULDER: - O nosso túmulo.

Mulder senta-se no chão. Percebe um esqueleto ao lado dele. Levanta-se depressa, assustado.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Ora, Mulder, com medo de um esqueleto?

MULDER: - Não tenho medo de nada.

SCULLY: - Tá, ‘macho man’.

Mulder senta-se em outro local.

MULDER: - Idiota! Por sua culpa vou morrer nesse lugar! Meu pai dizia que as mulheres só nos metem em encrencas! Devia ter acreditado nele.

SCULLY: - Gosta de se encrencar, Mulder...

Scully anda de quatro até Mulder. Senta-se em seu colo.

MULDER: - Sai. Não tô pra amor, tô pra guerra.

SCULLY: - Quer lutar no chão? Te dou vantagem.

MULDER: - ...

SCULLY: - Ah, tá bravinho...

Scully segura o nariz de Mulder e o sacode de um lado pra outro. Mulder balança a cabeça, ela solta o nariz dele.

MULDER: - Pára!

SCULLY: - Tá, tá bravinho... Você tá tão sexy com essa roupa... Pena que perdeu o chapéu...

Scully abre a camisa dele.

MULDER: - Scully, pára com isso! Respeite um lugar sagrado e o esqueleto que está ali!

SCULLY: - Esqueletos e lugares sagrados me excitam...

Scully beija o peito de Mulder.

MULDER: - Pára, já disse pra parar.

SCULLY: - ... Hum...

MULDER: - Scully, você é surda?

SCULLY: - Sou.

MULDER: - Scully, pára. Não é hora, nem lugar...

SCULLY: - Não quer que eu pare. Admita.

MULDER: - Scully tô ficando nervoso.

SCULLY: - Eu sei, já ‘percebi’...

MULDER: - Você acha que pode tudo, não é mesmo? Inclusive tentar me chantagear com... pára, Scully...

Scully aproxima os lábios dos de Mulder. Morde o lábio inferior dele, suavemente. Olha-o nos olhos.

SCULLY: - Mulder, e se eu dissesse que posso te fazer ir longe, pra bem longe daqui.

MULDER: - (EMPOLGADO) É? Vai me fazer ir longe?

SCULLY: - Muito, muito longe... Aposto que vai adorar, Mulder. Tenho uma surpresa pra você. Vou te dar uma coisa que não sai da sua cabeça.

Mulder a agarra. Scully se afasta.

MULDER: - Mas...

SCULLY: - Ali, Mulder. Ali está o que você quer.

[Som: John Willians - Os Caçadores da Arca Perdida]

Scully mira a lanterna numa parede. Há um buraco enorme, com areia entrando por ele.

MULDER: - (FRUSTRADO) Pensei que você fosse me dar outra coisa...

Os dois levantam-se. Mulder olha pra Scully.

MULDER: - Primeiro as damas.

Scully agacha-se e passa andando de quatro pelo buraco. Mulder fica olhando pro traseiro dela.

MULDER: - Pena que não está usando saia, Scully... Que bundinha tentadora!

SCULLY: - Tira os olhos da minha bunda, Mulder!

Scully sai no deserto. Olha pro céu. Respira fundo. Mulder sai pelo buraco. Levanta-se.

SCULLY: - (GRITA DE FELICIDADE) Livres!

MULDER: - E o Livro dos Mortos?

SCULLY: - Será que era verdade? Se for, Von Hartz vai confessar o achado.

MULDER: - (ASSANHADO) Podemos continuar o assunto que estávamos tendo ali dentro?

SCULLY: - Aqui? Mas tem escorpiões, Mulder, cobras...

MULDER: - Tá. E no hotel?

SCULLY: - Se chegarmos no hotel. Nem sabemos onde estamos.

MULDER: - Puxa vida, Scully, pensei que diria: ‘meu herói, você me salvou’!

SCULLY: - Mas eu achei a saída!

MULDER: - Mas eu te protegi lá dentro!

SCULLY: - Dizem que no final, as mocinhas sempre acabam beijando os heróis.

Mulder fecha os olhos e apronta um beiço, esperando um beijo. Nada. Mulder abre os olhos. Vê Scully beijando o camelo.

SCULLY: - Meu herói!!!!!!!!

MULDER: - (INCRÉDULO) De onde esse bicho saiu?

SCULLY: - Ele me ama, Mulder. Veio me salvar, vai me tirar daqui!

MULDER: - (IRRITADO) Maldito camelo!

Mulder olha pro camelo. O camelo olha pra ele, ruminando, despreocupado.

MULDER: - Camelo imbecil! Odeio você! Invejoso, ciumento! Essa mulher é minha, não sua! Vá arranjar uma camela pra você! Não conhece a lei das espécies? Ela é uma mulher, você é um camelo e eu sou um homem! Portanto a ruiva é minha! Seu ruminante comedor de areia!


6:39 A.M.

[Som: John Willians - Os Caçadores da Arca Perdida]

O sol desponta no horizonte.

Scully montada no camelo. O camelo andando lentamente.

Mulder vem atrás, esbaforido. Scully vira-se pra ele.

SCULLY: - Não tenho culpa se o camelinho se recusa a deixar você subir.

MULDER: - Eu odeio esse camelo! Vou transformá-lo em hambúrguer quando chegar no Cairo!

SCULLY: - Você ofendeu o camelinho, Mulder. Ele ficou chateado. Não pode culpá-lo por ter honra. Tem um ditado árabe que diz: Confie em Alá, mas amarre seu camelo.

Scully sorri. O camelo continua andando. Mulder atira-se com o rosto na areia.

MULDER: - Juro, Scully. Quando chegar no hotel vou amarrar você e confiar no camelo!

[Corte]

Na tumba de Tutankamon, Von Hartz quebra o cadeado. Entra correndo, com um rolo de pergaminho debaixo do braço. Agacha-se num canto da tumba, escondendo-se.

VON HARTZ: - (ASSUSTADO/ NERVOSO) Não vão me pegar, não vão me pegar! O pergaminho é meu, o pergaminho é meu! Ficarei rico! (RI NERVOSAMENTE) Ficarei rico!

Uma luz surge dentro da tumba, radiante como o sol.

Close da sombra que surge na parede, por sobre a pintura de Tutankamon, revelando os contornos de um adorno egípcio na cabeça.

Close de Von Hartz que vira-se pra luz, arregalando os olhos.

VON HARTZ: - Não... Não pode ser... (GRITA) Não!!!!!!!!!!!


Corta para a tumba pelo lado de fora, onde se percebe a luz intensa, mais forte que o sol, resplandecendo pela porta de entrada. Ouve-se os gritos de Von Hartz. Quando eles cessam, a luz se apaga.

Fade out.


19/03/2000


“Dedicado à todos os leitores das minhas fics, que tiram um tempinho de suas vidas para prestarem atenção no meu trabalho. Obrigado sinceramente pelo apoio e pelo carinho. Pelos e-mails incentivadores e comoventes. Um super beijo e paz, muita paz”.

One ( nem tão mais ‘the loneliest number’ por causa de vocês )

Dec. 1, 2018, 10:27 p.m. 0 Report Embed 1
The End

Meet the author

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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