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Mulder volta pra Washington e a primeira coisa a fazer é ir atrás de Scully. Mas vê um homem no apartamento dela. Mulder se entrega ao FBI, mas o Canceroso é mais rápido. Mulder vai parar num presídio de segurança máxima, sem que ninguém saiba, nem mesmo o FBI. Lá dentro, Mulder passa por boas, até que Scully descobre onde ele está.


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S02#05 - BACK AGAIN


INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

Fade in.

Mulder, com uma mochila nas costas. Agacha-se e ergue o vaso de folhagem ao lado da porta do apartamento de Scully.

Mulder retira uma chave. Sorri, num conforto.

MULDER: - ... Se ainda está aqui... É porque você sabia que eu voltaria.

Mulder coloca a chave na fechadura. Abre a porta.

Mulder percebe um homem, não muito alto, bonito, ruivo, de cuecas na cozinha preparando um suco. O sujeito usa rabo de cavalo, brinco na orelha e um medalhão hippie no pescoço. Mulder fica em pânico. O homem olha pra ele.

MULDER: - Me desculpe, entrei no apartamento errado.

Mulder sai de fininho. Fecha a porta. Escora-se na parede, fechando os olhos. Segura as lágrimas. Desce as escadas.

VINHETA DE ABERTURA: A VERDADE ESTÁ LÁ FORA


BLOCO 1:

Estacionamento do prédio de Scully - 10: 47 P.M.

Mulder anda de um lado para o outro, ao lado do carro de Scully.

A atenção dele volta-se para as escadas, onde ele vê Scully descer, agarrada ao braço do homem ruivo, numa fisionomia triste.

Mulder agacha-se atrás do carro dela. Observa os dois. Scully e o homem entram num Porsche vermelho. Ele dirige. Saem do estacionamento.

Mulder levanta-se. Ajeita a mochila nas costas e sai dali, cabisbaixo, triste.


Pistoleiros Solitários – 1:46 A.M.

Frohike, vestido de calção e camiseta, com um rabinho de cavalo, caminha até a porta.

FROHIKE: - Já vai!

Frohike destranca todas as trancas da porta. Abre-a. Vê Mulder, ali, com uma cara de “meu mundo caiu”.

FROHIKE: - (SURPRESO) Não sei se pergunto primeiro o que está fazendo aqui ou que cara é essa?

Mulder entra. Frohike tranca a porta. Mulder atira a mochila sobre o balcão. Frohike olha pra ele.

FROHIKE: - O que aconteceu?

MULDER: - Tem alguma coisa pra se beber nessa casa?

FROHIKE: - ... Café. Você precisa de café.

Frohike vai pra cozinha. Mulder atrás dele. Byers está sentado à mesa, lendo um livro intitulado ‘Cem dias de conspiração’. Olha pra Mulder.

BYERS: - (FELIZ) Mulder! Você voltou!

Mulder puxa uma cadeira. Senta-se. Debruça-se sobre a mesa, abaixando a cabeça sobre os braços. Frohike e Byers se entreolham. Frohike abre um armário e tira uma garrafa. Coloca-a na frente de Mulder junto com um copo.

FROHIKE: - Tequila. E contente-se com isso.

MULDER: - Não quero falar nada. Preciso só de um lugar pra passar a noite. Não posso voltar pro meu apartamento, acho que o estão vigiando.

FROHIKE: - O que veio fazer aqui? Estão todos atrás de você! Por que não ficou na Venezuela com sua irmã?

MULDER: - Eu não tenho irmã.

BYERS E FROHIKE: - ???

MULDER: - (DESCONSOLADO) Ela é uma estranha. Fiz minha parte, encerrei o maior de todos os Arquivos X. Foi só isso.

FROHIKE: - Só isso? Mulder, você encontrou o que procurava a vida toda! Como pode dizer que foi só isso?

BYERS: - Agora, Mulder, está livre do seu passado. Pode começar uma nova vida.

MULDER: - (SORRI CANSADO) Nova vida? Ah, Byers... Eu também pensei que começaria uma nova vida, mas a ‘vida’ não quis me esperar, com todo o direito.

Frohike pega outro copo. Senta-se. Serve os copos, entregando um pra Mulder e bebendo o outro.

FROHIKE: - (CULPADO) Mulder, não pense besteiras. Eu só saí com a Scully pra comer pipoca e algodão doce no parque. E eu e os rapazes jogávamos boliche para distraí-la.

Mulder olha pra ele, interrogando-o. Frohike percebe que Mulder não sabia disso. Cala-se, encabulado. Mulder bebe alguns goles.

MULDER: - Quero voltar. Quero meu emprego de volta. Amanhã vou me entregar pro FBI.

FROHIKE: - Está doido?

MULDER: - Vou provar minha inocência.

FROHIKE: - E o “Faísca Fumaça”? Acha que ele...

MULDER: - Foda-se ele, Frohike! Não tenho mais medo daquele homem! Porque conheço os medos dele.

Frohike e Byers se entreolham.

MULDER: - (ÓDIO) Vou me entregar e aguardar o julgamento. Quero minha vida de volta. E não vou perder mais nada! Nada mesmo. Já perdi a Scully. A culpa é minha, eu a deixei aqui, a troquei pela Samantha. Mas o meu emprego ninguém vai me tirar! De hoje em diante vai ser assim: quem pisar no meu calo vai levar em dobro. Meu senso de humor acabou. Minha paciência também.


FBI – Washington D.C. – 8:34 A.M.

Mulder entra no prédio. Passa por várias pessoas que circulam ali, inclusive professoras com crianças. Alguns agentes se cutucam, observando Mulder. Ele pára na frente do segurança negro, que está do outro lado do detector de metais. O segurança olha assustado pra ele.

CARL: - ... Agente Mulder?

MULDER: - Olá, Carl.

Mulder abre o paletó.

MULDER: - Como percebe, estou desarmado.

CARL: - Agente Mulder, sabe que preciso chamar o pessoal da segurança.

MULDER: - Sei. Eu vim me entregar. Mas preciso fazer isso na presença do Skinner. Tenho que falar com ele.

CARL: - Posso chamá-lo, mas você não pode entrar.

Carl pega o telefone.

CARL: - ... Aqui é o agente Carl da portaria um. Preciso que chame o diretor assistente Skinner. O agente Mulder está aqui embaixo e precisa falar com ele.

Carl desliga. Pega o rádio.

CARL: - Aqui é Carl, da portaria um. O agente Mulder está aqui. Ele quer se entregar.

Carl desliga. Olha pra Mulder.

CARL: - Sei que não fez aquilo. Não acredito no que estão falando.

MULDER: - Eu fiz, Carl. Mas não como estão dizendo.

CARL: - Agente Mulder, eu espero que ...

Alguns homens bem vestidos e com credencias do FBI entram no saguão. Algemam Mulder.

CARL: - Ei, de onde vieram...

Os agentes saem pelo saguão, levando Mulder pra fora do prédio. As pessoas ficam olhando. Carl senta-se em sua cadeira. A porta do elevador abre-se e Skinner e alguns agentes saem.

SKINNER: - Onde está o Mulder?

CARL: - Como assim? Um pessoal esteve aqui, com credenciais e o levou...

Os agentes se olham entre si. Skinner olha pra eles.

SKINNER: - Alguém mandou outro grupo?

RYAN: - Não que eu saiba. Fomos encarregados de pegá-lo.

SKINNER: - Mas afinal, que diabos está acontecendo por aqui? RYAN: - Quem levou o Mulder? Não sabem que o meu departamento está atrás dele?

CARL: - Eles saíram pela porta de entrada. Pensei que não queriam chamar muito a atenção...

Skinner, Ryan e os agentes correm até a porta de entrada.

Panorâmica do lugar: Pessoas e carros na rua, mas Mulder desapareceu.


Gabinete do diretor – assistente – 9:16 A.M.

Scully entra na sala. Fecha a porta. Skinner vai até ela.

SKINNER: - Mulder voltou.

SCULLY: - Então é verdade!

SKINNER: - Alguém o levou, e não foram homens do FBI. Não preciso dizer que o alvoroço está feito.

SCULLY: - ... Acha que...

SKINNER: - Sei o que vai dizer, Scully. Mas não é o método daquele homem. Ele não gosta de criar agitação. Mas não vejo outra pessoa que gostaria de pôr as mãos no Mulder primeiro.

Scully senta-se, nervosa.

SCULLY: - Acha que vão machucá-lo?

SKINNER: - ... Eu não sei. Mas o diretor está furioso com a desorganização. Convocou uma reunião. Novamente Mulder conseguiu agitar as coisas por aqui.

SCULLY: - ... Estou preocupada...

Scully levanta-se e sai da sala, tensa, meio fora do ar.


Estrada Interestadual – 9:56 A.M.

Um furgão preto. Mulder está algemado, sentado no banco de trás, entre dois caras enormes. Mulder os observa, desconfiado.

MULDER: - Pra onde estão me levando? Por que estão me tirando do estado?

Silêncio completo.

MULDER: - Vocês não são do FBI.

Mulder tenta se desvencilhar. Um dos homens puxa uma seringa do bolso. O outro segura Mulder. Mulder fica desesperado. Injetam alguma coisa nele. Mulder vai ficando sonolento e cai por cima de um deles. O homem ajeita Mulder no banco.


Apartamento de Scully – 6:12 P.M.

Scully está deitada. Percebe-se o volume de um corpo ao lado dela, debaixo do edredom. Scully está chorando. Vira-se e abraça-se no edredom. Levanta o edredom revelando que o que está ao lado dela é a raposa de pelúcia. Scully abraça-se na raposa. O homem ruivo que estava com ela pela manhã entra no quarto.

CHARLES: - Fiz uma vitamina. Aceita?

SCULLY: - Tô sem fome.

CHARLES: - Já leu o diário dele?

SCULLY: - Realmente, ele estava voltando. Me mandou o diário... (CHORA) Ele estava sofrendo! O que fizeram com ele?

CHARLES: - Dana, eu sei que você tem um faro aguçado e vai descobrir. Se precisar da minha ajuda...

SCULLY: - Preciso que não fale nada sobre isso. Não quero que ninguém saiba que eu e o Mulder...

CHARLES: - Seu segredo está bem guardado. Sabe que pode confiar em mim.

Charles senta-se na cama e a abraça. Faz carinhos nela.

CHARLES: - Precisa comer alguma coisa... Vai, fala, eu faço qualquer coisa pra você, Dana.

SCULLY: - (SORRI) Estou feliz porque está aqui.

CHARLES: - Queria que toda a família entendesse o porquê fui correr o mundo.

SCULLY: - Charles, sabe que a mamãe até perdoa. Mas o Bill...

CHARLES: - Você deveria conhecer a Índia, Dana. Aprendi tanto... Já sei do que precisa! Vou te fazer uma massagem energética, vai se sentir melhor.

SCULLY: - Sabe que não acredito nessas coisas, Charles.

CHARLES: - Deita aí e relaxa. Seu irmão aqui vai buscar algumas essências. Vai ver como vai se sentir melhor.


Prisão Federal de Stillwater – Minnesota - 8:21 P.M.

Mulder, algemado, é levado por dois guardas através de um corredor.

MULDER: - (IRRITADO) Mas que diabos está acontecendo? Vocês não podem fazer isso!

Os guardas em silêncio. Mulder tenta se desvencilhar, mas leva um soco, batendo contra a parede.

GUARDA 1: - Se ficar quieto isso não vai acontecer.

MULDER: - Quieto? Eu quero o meu advogado! O FBI nem sabe que estou aqui, vocês vão se encrencar!

Mulder leva outro soco, caindo no chão. Os guardas o arrastam até uma sala.

MULDER: - (GRITA) Eu sou federal, tenho meus direitos! Não podem me jogar no meio de presos comuns! Eles vão me matar!

Um dos guardas mete um chute em Mulder. Mulder fica gemendo no chão. Os dois guardas o erguem, fazendo ele ficar em pé, na frente de um balcão. O guarda 3 está atrás do balcão. O guarda 1 tira as algemas de Mulder.

GUARDA 3: - Me dê todos os seus pertences.

MULDER: - Deve estar havendo um equívoco por aqui e...

GUARDA 2: - Quer tomar outra na orelha?

Mulder tira a carteira, o relógio e entrega para o guarda 3.

GUARDA 3: - Qual a acusação?

MULDER: - (DEBOCHADO) ... E eu vou saber?

O guarda 1 mete um tapa em Mulder. Mulder tenta reagir, mas o guarda 2 mete um golpe de porrete nas costas dele, que cai no chão.

GUARDA 1: - Assassinato e sequestro. Essa é a ficha dele.

O guarda 2 levanta Mulder do chão. O algema. O guarda 3 põe um uniforme sobre o balcão.

MULDER: - (ÓDIO) Vocês... estão ferrados, colegas.

O guarda 2 pega o uniforme e atira pra Mulder. Mulder pega o uniforme. Eles o empurram pra outra sala. Forçam Mulder a sentar-se numa cadeira.

MULDER: - (DEBOCHADO) E agora, qual é a próxima surpresa de boas vindas?

Um homem entra com uma máquina de cortar cabelo. O guarda 2 ri. Mulder faz uma cara de pânico.

MULDER: - Não, meu cabelo não!!!

GUARDA 2: - Máquina um. Ou deixa esse desgraçado careca de uma vez.

MULDER: - Isso vai pro meu relatório, seus idiotas!

Mulder leva um safanão do guarda 1. O homem aproxima-se dele com a máquina. Não funciona.

GUARDA 1: - Sorte sua, federal. Vai ficar bonitinho por mais um tempo.

Os guardas pegam Mulder e o levam pro banheiro. Aos empurrões.

GUARDA 1: - Aposto que vai adorar um banho frio de mangueira... Depois a gente vai jogar inseticida contra pulgas e por fim você vai para os seus aposentos reais, “FBI”.


10:03 P.M.

[Som: Theme from OZ]

Mulder, numa roupa de presidiário cor alaranjada, está algemado nas mãos e pés, sendo levado pelos dois guardas.

GUARDA 2: - Prisioneiro número 23467, Fox Willian Mulder. Sequestro e assassinato.

O carcereiro abre a porta de barras de metal. Mulder é levado pelo imenso corredor de celas. Os presos batem canecas e objetos nas grades.

MULDER: - Isso está errado! Não podem me manter aqui! Tenho direitos, preciso ser julgado primeiro!

GUARDA 1: - Cale a boca!!!!!

Os presos começam a gritar.

PRESO 1: - Aí, gracinha! Tá pronto pra festinha?

PRESO 2: - A mais nova noivinha do pedaço...

PRESO 3: - Não gosto da sua cara, otário.

LITTLE BEN: - (AFEMINADO) Gostosão, amanhã no recreio a gente se fala.

Corta para um presidiário, um enorme loiro, de olhos claros. Há no braço dele uma tatuagem: uma caveira com uma faca cravada no cérebro e uma cobra saindo pelos olhos da caveira e se enroscando na faca. Abaixo da tatuagem está escrito White Power.

WHITE POWER: - (SÉRIO) Ei, ‘Federal Killer”. (ROSNA) Eu vou te almoçar amanhã!

GUARDA 2: - Eles adoram tiras por aqui... Vão te tratar como merece.

O guarda 1 abre a cela. Tira as algemas de Mulder. Os dois o empurram pra dentro. Trancam a cela.

MULDER: - Pelo amor de Deus, não podem me deixar aqui!

Os guardas saem rindo.

MULDER: - Eu quero meu advogado!!! Eu sou inocente!!!!

PRESO 4: - É, todo mundo aqui é inocente, agora cala essa boca e vai dormir!

Mulder fica segurando a barra das celas e olhando pro corredor. Percebe que não está sozinho. Vira-se. Vê um baixinho muito feio, com feições de retardado. O baixinho estende a mão pra ele.

POSTMAN: - Oi, eu sou o Postman.

MULDER: - Postman?

POSTMAN: - É, eu era carteiro, sabe? Mas as drogas... Puxa, precisava pagar... Eu deixava anjos nas casas que roubava, sacou? (RI) Puxa, me pegaram... Eu não sou louco, viu? As pessoas dizem por aqui que eu sou louco (GRITA PERTURBADO) Mas eu não sou! (RI) Não, não sou. Não sou louco... Você é louco?

Mulder senta-se na cama, perplexo.

MULDER: - Era só o que me faltava!

POSTMAN: - Ei, qual é o seu nome?

MULDER: - Mulder.

POSTMAN: - O pessoal daqui está animado por ver um federal. Abra seus olhos, parceiro. Vão querer te ferrar. (RI) Entendeu, né? (BATE NO TRASEIRO) ...

MULDER: - (PÂNICO)

POSTMAN: - Ninguém sabe que está aqui?

MULDER: - Não.

POSTMAN: - Acredita em Deus, Mulder?

MULDER: - ...

POSTMAN: - (RINDO) Acho melhor começar a acreditar.


BLOCO 2 :

Apartamento de Scully – 11:37 P.M.

Charles abre a porta. Diana Fowley olha pra ele.

DIANA: - Oi. A Dana está?

CHARLES: - Só um minuto. Entra aí.

Charles vai para o quarto. Diana olha por tudo. Scully entra na sala vestida num robe. Diana sorri.

DIANA: - Ainda bem que deu ouvidos ao que eu disse.

SCULLY: - Do que está falando?

DIANA: - Bonitinho o seu namorado.

SCULLY: - Ah, o meu namorado... O que veio fazer aqui?

DIANA: - Vim ver como você está. Afinal, amigas se preocupam umas com as outras.

SCULLY: - Olha aqui, ‘querida’, eu não sou sua amiga. Eu não confio em você. E gostaria que tirasse seus pés daqui do meu espaço abençoado. Não recebo pessoas que não gosto.

DIANA: - ... Que pena que pense isso de mim, Dana. Sabe que só quero que você seja feliz, longe do Mulder. Ele não faz bem pra ninguém.

Scully abre a porta.

SCULLY: - Saia daqui. Nosso relacionamento é profissional. Quando não estivermos no Bureau, não venha aqui. Não somos amigas. E pra você eu sou agente Scully. Não ‘Dana”.

Diana sai. Scully bate a porta. Charles entra na sala.

CHARLES: - Deus do céu, Dana! Só de abrir a porta eu senti a energia negativa! Se afasta dessa mulher. Ela mente descaradamente! E digo mais: está te armando uma, que você nem imagina.


Prisão Federal de Stillwater – Minnesota - 12:46 A.M.

Mulder não consegue dormir. Vira-se no beliche, olhando pra baixo. Postman está dormindo e roncando. Mulder fecha os olhos.

MULDER (OFF): - Te pego, Canceroso. Eu vou te ferrar. Algumas horas aqui e já sei os termos que se empregam nessas situações...


4:13 A.M.

Mulder está dormindo. Acorda-se assustado. Postman está pelado, correndo pela cela e gritando. Bate nas grades com uma caneca. Os guardas chegam, abrem a cela. Um deles pega Postman pelo braço. O outro tira Mulder da cama.

MULDER: - Mas o quê... Eu não fiz nada!

Os guardas arrastam eles a tapas pro banheiro. Outro banho frio de mangueira.


7:01 A.M.

As celas são abertas. Mulder sai, irritado, olhando pra Postman. Esbarra num enorme homem negro, chamado Black Power. O cara parece um armário de portas abertas. Mulder olha pra cima pra falar com o cara.

MULDER: - Desculpe.

BLACK POWER: - ... Tudo aquilo em que você acredita, existe realmente, mas você não consegue encontrar porque alguém intervém no seu caminho. Se fosse uma pessoa mais obstinada e voltada pra si conseguiria as coisas mais facilmente. Se tivesse duas caras e se juntasse àquele homem que evitas, conseguirias tudo.

Black Power sai. Mulder olha pra Postman, curioso.

MULDER: - Quem é ele?

POSTMAN: - Black Power. Fique longe dele. Ele é doido, sabe? (RI) Mexe com vodu, magia negra e sabe da vida de todo mundo. Ninguém por aqui se mete com ele. Todos têm medo do amiguinho dele, o Fred.

MULDER: - Que amigo? Ele está sozinho...

POSTMAN: - O amigo dele ninguém vê. Só ele. Quem viu diz que é feio. (RI) Muito feio, sabe?

Mulder olha pra Black Power que já está longe. Fica intrigado.


Arquivos X – 7:49 A.M.

Diana está ao telefone. Scully entra. Diana desliga. Scully olha pra ela, desconfiada.

SCULLY: - ... Onde está o Mulder?

DIANA: - (CÍNICA) Você é quem sabe pra onde ele fugiu.

SCULLY: - (FURIOSA) Não se faça de idiota! Sabe muito bem que ele voltou. Quero saber pra onde o levaram!

DIANA: - Ele voltou?

Scully dá um sorriso cínico.

SCULLY: - Você não presta mesmo.

DIANA: - Agente Scully, melhore seu comportamento comigo ou terei que relatar isso ao nosso superior.

Skinner entra na sala, pegando a conversa. Olha pra Diana.

SKINNER: - O superior está aqui, agente Fowley, e quero saber o que está acontecendo.

DIANA: - Ela está me acusando de ...

SKINNER: - Não quero saber disso. Quero saber onde está o Mulder.

Diana levanta-se. Olha pra Skinner.

DIANA: - Tenho mais a fazer do que perder tempo discutindo sobre agentes criminosos. Pertenço aos Arquivos X, não a Divisão de Sequestros.

Diana sai porta à fora. Scully olha pra Skinner.

SCULLY: - Ela sabe.

SKINNER: - Sei disso. Coloquei homens no caso. O pessoal da Divisão de Sequestros não gostou nada do que aconteceu. O superior deles foi até o diretor.

SCULLY: - ...

SKINNER: - Agora o diretor quer cabeças aqui dentro, entendeu? Está oficialmente encarregada do caso e se dirigirá a mim. Quero relatórios diários. E Scully, quem dos ‘desocupados do porão do FBI’ se negar a ajudar, vai pro último andar justificar o porquê pessoalmente.

Scully segura um riso. Skinner sorri.

SKINNER: - Aposto que quem fez isso, definitivamente vai fumar muito.

SCULLY: - Por que o diretor se envolveu nisso?

SKINNER: - Digamos que, desde aquele caso de sequestro de crianças, o diretor passou a ver o porão com outros olhos... E digamos que ele anda muito estressado, doido pra pegar no pé de alguém. E que não seja no nosso.


Prisão Federal de Stillwater – Minnesota - 9:11 A.M.

[Som: Theme from OZ]

Os presos caminham no pátio. Mulder fica ao lado de Postman, sentado numa escada. Os presos olham pra Mulder e cochicham. Mulder percebe que o cara da tatuagem, White Power se aproxima com mais três capangas. Mulder levanta-se da escada. Postman sai correndo. Os presos todos param pra olhar a cena. Black Power observa de longe. White Power pára na frente de Mulder.

WHITE POWER: - Tem cigarro?

MULDER: - Não fumo.

White Power olha pros capangas rindo. Eles riem também. White Power fica quieto. Os capangas também. Ele encara Mulder.

WHITE POWER: - Ouvi dizer que se esqueceu das leis, Federal Killer.

Mulder dá de costas e sai, tentando ser frio e corajoso. White Power o puxa com força. Encara-o nos olhos.

WHITE POWER: - Olha aqui, federal, eu não gosto que saiam enquanto estou falando.

MULDER: - ...

WHITE POWER: - É falta de educação. Sua mãe não te ensinou isso?

Mulder olha pra cima e o encara.

MULDER: - (DEBOCHADO) E a sua mãe não lhe ensinou que cigarros fazem mal à saúde?

White Power pega Mulder pelo colarinho. Encosta sua testa na dele. Olha em seus olhos, furioso.

WHITE POWER: - Escuta o que vou te dizer, seu merda. Está se metendo com as pessoas erradas aqui dentro. Se continuar a se meter com essa negrada e toda essa raça inferior, vai se ferrar, amigo.

MULDER: - Nem preciso dizer o que fez pra estar aqui...

WHITE POWER: - Então a mocinha é irônica, não? Pois eu te escolhi, federal. Você vai ser a minha mulherzinha aqui dentro.

Black Power aproxima-se calmamente. Afasta Mulder da frente de White Power.

BLACK POWER: - Ele não sabe das leis aqui dentro. Deve explicar pra ele que brancos ficam com brancos. Negros com negros. Latinos com latinos.

WHITE POWER: - (RINDO) E isso não é a mesma lei lá de fora?

BLACK POWER: - É melhor você deixar o meu amigo em paz ou vou pedir pro Fred visitar vocês na noite.

White Power cospe no chão. Ele e os capangas vão embora. Mulder olha pra Black Power.

BLACK POWER: - Eles mandam aqui dentro. E vão ferrar você.

Os guardas aproximam-se, pegando Mulder pelos braços.

MULDER: - Mas o que...

GUARDA 1: - Arranjando encrenca por aqui, no primeiro dia?

MULDER: - Eu não fiz nada, eles...

Os guardas arrastam Mulder. Mulder reage e apanha. Banho de mangueira de novo.


9:57 A.M.

Os guardas empurram Mulder pra dentro da cela, violentamente. Ele está todo molhado. O Guarda 1 fecha a cela.

GUARDA 1: - Da próxima vez não vai ter banho gelado. Vai pra solitária!

Mulder senta-se na cama, furioso.

MULDER: - Onde estão os direitos humanos quando se precisa deles?

Postman está deitado. Falando sozinho. Mulder olha pra ele.

MULDER: - Preciso falar com o Black Power.

Postman fica em silêncio.

MULDER: - Está me ouvindo, ô maluco?

POSTMAN: - É difícil, ele só fala com alguém se ele quiser falar.

Mulder deita-se na cama. Fecha os olhos.

MULDER: - (IRRITADO) Uma semana nesse inferno tomando banho de mangueira, salpicado de veneno pra pulga e eu definitivamente vou enlouquecer!


Arquivos X – 10:21 A.M.

Scully entra na sala e Diana desliga o telefone. Levanta-se da cadeira.

DIANA: - Temos um caso em Dakota do Sul.

SCULLY: - Boa sorte.

DIANA: - Como assim?

SCULLY: - Estou designada para outras investigações.

Diana sai, batendo a porta. Scully corre para o telefone. Disca.

SCULLY: - Oi, é a agente Scully. Camille, poderia localizar a última chamada do meu telefone? ... Aguardo.

Scully desliga o telefone. Senta-se na cadeira de Mulder. Abre a gaveta e tira a placa com o nome dele. Põe sobre a mesa.


Gabinete do diretor- assistente - 10:36 A.M.

Scully entra na sala. Skinner está ao telefone, sinaliza para ela sentar-se. Scully senta-se, com uma cara de poucos amigos.

SKINNER: - (AO TELEFONE) Não, senhor. Ainda não temos nenhuma pista... Vou me reunir com o pessoal de sequestros à tarde... Não, já investigamos tudo o que era possível, locais possíveis... Senhor, a agente Scully está aqui e acho que tem novidades... Eu ligo depois.

Skinner desliga. Olha pra Scully. Scully olha pra ele, furiosa.

SCULLY: - Vou pegar minhas coisas e ir pra Minnesota, senhor.

SKINNER: - O que há em Minnesota?

SCULLY: - (DESCENDO DO SALTO) Ela sabia! Aquela vaca, cadela, @#$%&*! Ela sabia!

Scully levanta-se furiosa. Skinner arregala os olhos.

SCULLY: - A desgraçada sabia onde ele estava, esse tempo todo!

SKINNER: - Agente Scully, quer se acalmar e me dizer o quê descobriu?

SCULLY: - Mulder está numa prisão de segurança máxima no estado de Minnesota.

SKINNER: - O quê?

SCULLY: - (FURIOSA) Vou imediatamente pra lá, quero alguns agentes e preciso de passagens de avião. E de um bom advogado. Se preciso for, vou colocar fogo naquele lugar, senhor!

SKINNER: - ... Ele está bem?

SCULLY: - Acha que está? Um policial trancafiado com marginais? Liguei e o diretor da penitenciária negou que Mulder estivesse lá. Tem algo fedendo, senhor. Fedendo mesmo!

SKINNER: - Apronte suas malas. Vou mandar o agente Ryan, do departamento de sequestros com você.

Scully sai, batendo a porta.


Prisão Federal de Stillwater – Minnesota - Refeitório – 12:03 P.M.

Mulder está sentado ao lado de Postman. Os dois tentam almoçar.

MULDER: - Que diabos de comida é essa?

POSTMAN: - Não sei, mas toda a Quarta-feira é dia de montinho misterioso...

Mulder afasta o prato.

MULDER: - E eu achava que não sabia cozinhar! (SUSPIRA) Ah, Scully, meu mundo por aquele teu mousse de maracujá! Eu era feliz e não sabia!

POSTMAN: - Quem é Scully?

MULDER: - Minha... ex-namorada.

POSTMAN: - Ela era bonita?

MULDER: - (SAUDOSO) Ela é um anjo. Tem cabelos cor dos raios de sol, cheiro de canela...

POSTMAN: - Sabe, eu tive uma namorada mas... nem me lembro mais dela.

MULDER: - Há quanto tempo está aqui, Postman?

POSTMAN: - Quinze anos... Ainda faltam dez. Mas passa rápido, sabia?

White Power passa por eles. Pára. Volta. Olha pra Mulder. Mulder pressente e disfarça. White Power senta-se ao lado dele.

WHITE POWER: - Então, coisinha linda, tenho um presentinho pra você hoje à noite.

MULDER: - (DEBOCHADO) Sério?

WHITE POWER: - Sério. Você vai gostar.

MULDER: - (DEBOCHADO) Vai me dar sua irmã ou sua mãe, palhaço?

White Power enfia a cara de Mulder no prato. Os guardas fingem que não vêem nada. Mulder tira a comida do rosto. Black Power o observa, em outra mesa, acenando negativamente com a cabeça. Olha para os negros ao redor dele.

BLACK POWER: - Esse cara não aprende a calar a boca. Vai se dar mal aqui dentro.

Mulder levanta-se. Encara White Power. Atira a bandeja na cara dele. Os dois se atracam a socos, virando a mesa. Os guardas intervêm, arrastando Mulder pra fora do refeitório, a pontapés e socos.

GUARDA 2: - Vai ficar sem almoço amanhã pra deixar de ser encrenqueiro!

MULDER: - E daí? Isso que servem aqui está longe de ser comestível.

Mulder toma uns tabefes. Os guardas o arrastam pra fora.


2:29 P.M.

O guarda 2 abre a porta da sala de visitas e empurra Mulder.

GUARDA 2: - Visita pra você.

Diana Fowley olha pra Mulder. Os guardas trancam a porta. Mulder olha surpreso pra ela.

MULDER: - (IRRITADO) Como me achou aqui? O Fumacinha deu a dica?

DIANA: - Fox, estou preocupada com você. Está bem?

Diana senta-se ao lado dele. Passa a mão em seu rosto. Mulder afasta-se.

MULDER: - Estou ótimo, são férias adoráveis. O que quer aqui? Onde está a Scully?

DIANA: - ... Fox, mude de assunto. Não quero te ferir.

MULDER: - ?

DIANA: - ... Ela está com outro cara, a esqueça. Sabe que ela não te merece. Está traindo você.

MULDER: - O que quer com isso tudo? Veio aqui pra fazer fofoca?

DIANA: - Não, vim porque a Scully se negou a vir.

MULDER: - ...

DIANA: - Então, como estou nos Arquivos X agora, vim te ajudar. Vou tirar você daqui.

Mulder abaixa a cabeça. Diana afaga os cabelos dele. Mulder abraça-se nela, segurando as lágrimas. Diana sorri. Continua afagando os cabelos dele.

DIANA: - Fox, repensei todas as coisas e... eu ainda amo você. Só queria que acreditasse em mim, que você me amasse... está tão só e carente...

Mulder levanta-se, secando as lágrimas. Olha pra ela.

MULDER: - (IRRITADO) Sai daqui, Diana! A Scully não sabe que estou aqui. Ela jamais me deixaria aqui, abandonado, caindo aos pedaços.

DIANA: - Ela tem outro agora...

MULDER: - Pode até ser. Mas o que ela e eu temos está acima de sentimentos egoístas. Nós somos amigos também, Diana. E isso, ninguém pode mudar. Nem você!

Diana levanta-se.

DIANA: - Vou tirar você daqui, Fox. Vai ver quem é a sua amiga verdadeira.

MULDER: - Mande lembranças pro Fumacinha.

Diana sai, fechando a porta atrás de si. Ao lado da porta, um homem está parado.

Close dos pés dele e da bituca de Morley que cai no chão. Ele a apaga com os pés.

[Corte]

Mulder bate na cela e começa a gritar pelos guardas. O guarda 1 se aproxima.

MULDER: - Quero falar com o diretor! Tenho meus direitos e alguma coisa por aqui está errada.

GUARDA 1: - (RINDO) O diretor não fala com vagabundos como você.

MULDER: - Olha aqui, seu desgraçado, eu vou ferrar com a tua vida quando sair daqui!

GUARDA 1: - Sair daqui? Acha que vai sair daqui? Se não se comportar, vai pra solitária. Ordens do diretor.

MULDER: - Aposto que ele fuma também!

Mulder senta-se na cama, irritado.


3:01 P.M.

Mulder caminha no pátio. Vê Black Power. Caminha em sua direção. Quando chega uns 2 metros antes, Black Power vira-se e olha pra ele.

BLACK POWER: - Não chega mais perto, nunca chegue pelas minhas costas. Ou você pode sofrer uma parada cardíaca antes de falar comigo.

MULDER: - Mas eu preciso falar com você.

BLACK POWER: - Não agora. Quando eu quiser, falo contigo.

Mulder tenta se aproximar mas fica paralisado. Não consegue se mexer. Fica assustado. Black Power olha pra ele.

BLACK POWER: - Foi só um aviso.

Black Power some na multidão de presos. Então Mulder consegue se mexer. Fica perplexo.


4:16 P.M.

[Som: Theme from OZ]

Scully entra no presídio, acompanhada por dois guardas. O agente Ryan está com ela. Os guardas a levam até a sala do diretor. O diretor os recebe. Scully, com cara de poucos amigos, puxa a credencial.

SCULLY: - Bureau federal de investigação. Agente Dana Scully. Vim buscar um preso chamado Fox Mulder.

DIRETOR: - Fox Mulder? Bem, não temos nenhum Fox Mulder por aqui.

SCULLY: - (DESAFIANTE) Vou olhar cela por cela e ver se realmente não tem.

O diretor olha assustado pra ela.

DIRETOR: - Não tem jurisdição aqui, agente.

RYAN: - Num presídio federal? Ora, senhor, se quiser posso trazer duas dúzias de agentes federais e fazer uma investigação aqui sobre os maus tratos. Gostaria?

DIRETOR: - Tudo bem, podem entrar. Mas durante o horário de visitas. Regras são regras. E não quebramos regras por aqui.

Scully vai abrir a boca e Ryan a segura pelo braço.

RYAN: - Está certo, nós voltaremos amanhã.

Ryan puxa Scully da sala. Os dois caminham pelo corredor.

SCULLY: - (INDIGNADA) Está louco? Não vou deixar meu parceiro mais uma noite nesse lugar!

Os guardas os acompanham à distância.

RYAN: - Agente Scully, vamos ficar a noite toda na vigília. Não vão tirá-lo daqui. É melhor deixá-los com a razão. Serve a nosso favor, entendeu?

Os dois saem do presídio. Scully está nervosa. Segura-se pra não chorar.


BLOCO 3:

7:12 P.M.

Mulder está deitado, lendo uma revista. Postman joga cartas com um amigo imaginário. Mulder olha pra ele.

MULDER: - Será que essa madrugada nós vamos tomar banho ou você vai se comportar?

POSTMAN: - Não, essa noite eu vou me comportar.

Na cela em frente, White Power aproxima-se das grades.

WHITE POWER: - Ei, Federal Killer! Já arranjou uma ama-seca pra você? Pois nem aquele crioulo e nem o Fred vão fazer você escapar de mim. Seu adorador de negro!!!! Amanhã a gente conversa melhor. Vou fazer você gostar de branco, cara.

MULDER: - (IRADO) Vá ver se eu tô na esquina, seu grandalhão filho de Hitler!

White Power dá uma risada. Leva a mão no meio das pernas, segurando os testículos.

WHITE POWER: - (DESAFIANDO) Você vai ser minha mulherzinha, federal.

Os burburinho de risadas pelo corredor começa. Os presos se agitam. Mulder levanta-se da cama e aproxima-se das grades.

MULDER: - (DEBOCHADO) Sinto te dizer, você não faz o meu tipo, palhaço.

Postman levanta-se e segura Mulder pelo braço.

POSTMAN: - Não sabe quem está provocando. Melhor fingir que não escuta.

MULDER: - Por quê? Essa bicha aí acha que manda por aqui? Só é homem quando tem dezenas de capangas ao redor!

WHITE POWER: - Não, federal. Eu sou o seu homem.

Mulder está irritado. Começa a sacudir as grades.

MULDER: - Eu te pego, seu desgraçado!

WHITE POWER: - Eu é que vou te pegar, federal. Você vai pro meu harém particular. E vai gostar disso.

Os guardas passam fazendo a ronda. Mulder deita-se. White Power também.

Corta para a cela de Black Power. Ele está pensativo, olhando ao longe. Fecha os olhos.


2: 34 A.M.

Mulder acorda-se, ouvindo barulho na cela. Os guardas entram. Começam a revirar tudo. Puxam Mulder pra fora da cama. Erguem o colchão, retirando um pacotinho de cocaína.

GUARDA 1: - Ora, ora, o que temos aqui?

MULDER: - (INCRÉDULO) Isso não é meu! Não sei o que é!

GUARDA 2: - Deve ser apenas talco Johnson pra assaduras!

Os guardas agarram Mulder pelos braços.

MULDER: - Mas que diabos está havendo aqui?

Os guardas começam a bater em Mulder. Postman acorda-se e encolhe-se contra a parede, gritando. Um dos guardas o ameaça. Postman chora, balançando-se como um autista. Os guardas batem tanto em Mulder que ele cai desmaiado. O arrastam dali. Black Power observa de sua cela. Fisionomia séria.

Corta pra White Power, segurando as barras de sua cela, num sorriso.

WHITE POWER: - Te ferrei!


9:12 A.M.

Scully e Ryan, acompanhados por dois guardas, andam pelo corredor. Os presos começam a fazer piadas e barulhos.

PRESO 1: - Ô amorzinho, vem aqui, vem... Chupa isso daqui!

PRESO 2: - Que coisinha mais gostosa...

PRESO 3: - Ô princesa, posso te dar o mundo, sabia?

Scully olha pra todas as celas. Passa por Black Power. Ele vira-se pra ela. Olha-a nos olhos. Scully fica parada, olhando pra ele. Ryan a puxa.

RYAN: - O que houve?

SCULLY: - Ele está aqui. Eu sei disso.

Scully passa na frente da cela de Mulder. Apenas Postman está ali. Postman olha pra ela.

POSTMAN: - ... O anjo! Cabelos cor dos raios de sol, cheiro de canela.

Scully pára. Fica desconfiada. Os guardas estão olhando. Um deles se aproxima.

GUARDA 1: - Esse sujeito é maluco. Não ligue pra ele.

SCULLY: - Por que está sozinho? Não deveria haver mais alguém com ele?

GUARDA 1: - Ninguém quer ficar na companhia de um louco.

Postman aproxima-se da cela. Olha pros guardas. Olha pra Scully. Começa a mexer o nariz, cheirando-a.

POSTMAN: - O anjo... o anjo... cheiro de canela!

Um dos guardas puxa Scully.

GUARDA 2: - Como viu, agente, seu parceiro não está aqui.

O outro guarda olha ameaçador pra Postman. Postman senta-se na cama, com medo. Scully olha pra ele.


5:17 P.M.

O guarda 1 abre uma porta. Desce as escadas. Caminha por um corredor.

Pára na frente da porta de metal da solitária. Abre-a. Está tudo escuro ali dentro, o facho de luz que vem do corredor ilumina um pedaço da pequena cela.

Mulder está nu, deitado no chão. Ergue a cabeça e põe o braço na frente dos olhos, ficando cego pela luz.

GUARDA 1: - Fim da solitária pra você, encrenqueiro.


5:24 P.M.

No lado de fora do presídio, dentro de um carro, Scully observa tudo. Ryan olha pra ela.

RYAN: - Acho que a informação foi falsa.

SCULLY: - Não, ele está aí dentro e eu tenho certeza disso.

RYAN: - Não quer ir pro motel, descansar? Eu fico aqui.

SCULLY: - Não, não estou cansada.

RYAN: - Scully, você não dormiu ainda!

SCULLY: - Estou sem sono. Vá você, eu fico...

RYAN: - ...

Scully olha pra ele.

SCULLY: - Que tal me fazer um favor?

RYAN: - Claro.

SCULLY: - Poderia trazer uma torrada de queijo pra mim?

RYAN: - Sem problemas.

SCULLY: - Ryan, eu não conheço muito bem e confesso, não entendo muito de presídios. Mas eles não mantêm solitárias nos porões?

Ryan ri.

RYAN: - Não, Scully. Não mais. Isso não é Alcatraz.

SCULLY: - ... Tem certeza? Por que não nos levaram ao porão?

RYAN: - Esqueça disso, Scully. Vou buscar sua torrada. Quer café?

SCULLY: - Não, chá gelado. E uma água mineral.

Ryan desce do carro. Caminha até outro carro estacionado à frente. Scully pega o celular.

SCULLY: - ... Senhor, sou eu. Preciso de uma ordem expressa do FBI para revirar o lugar. Desconfio que estão escondendo Mulder... Tenho minhas razões para acreditar nisso. Por favor, senhor, eu preciso de ajuda!


6:17 P.M.

Os guardas arrastam Mulder pra fora da cela.

GUARDA 2: - O diretor mandou você ir trabalhar na enfermaria. Mas antes, precisa de um banho.

MULDER: - Eu vou enfiar aquela mangueira num lugar que vocês adorariam!

Mais porrada nele. Os guardas o arrastam pro banheiro. Os presos estão em fila.

White Power debaixo do chuveiro, nu. Vira o rosto, olhando pra Mulder, num sorriso mal intencionado.

Mulder tenta empacar e não consegue.

MULDER: - Ah, não, essa não, maninhos. Eu não vou tomar banho com esses caras.

GUARDA 2: - Não se preocupe. Não temos sabonetes.

MULDER: - Negativo. Me levem pra solitária de novo!

Black Power aproxima-se deles, segurando toalhas.

BLACK POWER: - Ei, caras. Deixem o federal. Ele é judeu. Hoje não é dia de tomar banho. Pelo menos respeitem as crenças das pessoas.

Os guardas olham pra Black Power. Olham pra Mulder.

GUARDA 1: - Vá pra enfermaria, FBI.

Os guardas saem. Mulder olha pra Black Power.

MULDER: - Te devo mais uma.

BLACK POWER: - Não me deve nada.

MULDER: - De onde tirou essa história de que judeus tem dias certos pra tomar banho?

BLACK POWER: - Por aqui, federal, eles acreditam até em Papai Noel. Vem, vou te mostrar a enfermaria.

MULDER: - Trabalha lá?

BLACK POWER: - É.

Os dois caminham por um corredor. Mulder percebe câmeras de vídeo.

MULDER: - Segurança máxima. Acredito que estou em Stillwater.

BLACK POWER: - Correto.

MULDER: - Está pronto pra falar comigo?

BLACK POWER: - Acha que estaria falando se não quisesse?

MULDER: - O que quis dizer com aquelas coisas? Como sabe que eu sou judeu? Como sabe tanto sobre mim?

BLACK POWER: - Federal você pode descobrir mais tarde, porque tão cedo não sairá daqui. Mas pra tua sorte tem alguém te procurando. E talvez saia mais cedo do que eu.

MULDER: - Por que foi preso?

BLACK POWER: - Matei alguém.

MULDER: - Defesa?

BLACK POWER: - Não. Comi o cérebro dele.

MULDER: - Argh! Está brincando comigo?

BLACK POWER: - Você não entende de técnicas de aprisionamento de almas, não é mesmo?

MULDER: - Você não é americano.

BLACK POWER: - Não, fugi do campo de refugiados haitianos, há alguns anos atrás. Vi você lá. Estava atrás do Bovere. Você e a ruiva.

MULDER: - ...

BLACK POWER: - Encontrou o que procurava? Claro que não.

MULDER: - Por que come cérebros?

BLACK POWER: - Não como cérebros. Apenas os que preciso.

MULDER: - Comendo o cérebro se apodera do espírito, e ele passa a ser seu escravo. Você oferece pedaços de carne, cigarros e guloseimas em troca de favores.

BLACK POWER: - (SORRI) Entende do assunto.

MULDER: - Deve ter se iniciado com um velho, provavelmente seu pai.

BLACK POWER: - Não era meu pai, ele me criou.

MULDER: - Antes de morrer, ele pediu que comesse o cérebro dele.

BLACK POWER: - Exato.

MULDER: - Comeu o cérebro de outra pessoa pra se defender aqui dentro.

BLACK POWER: - ... Faz muitas suposições, federal. Mas tem razão.

MULDER: - Matou alguém aqui dentro e comeu o cérebro dele. Por isso usa seu espírito para ter respeito aqui dentro.

Black Power pára e encara Mulder.

BLACK POWER: - Se não conseguir respeito, federal, você tá morto.

MULDER: - Fred. É Fred o nome dele, não?

BLACK POWER: - ... Quem te meteu nessa, federal? O FBI?

MULDER: - O FBI nem sabe que estou aqui. E parece que ninguém por aqui quer saber.

BLACK POWER: - Tentou falar com o diretor?

MULDER: - (SORRI DEBOCHADO) Ele não recebe presos na sala dele. Aposto que está nessa também.

BLACK POWER: - O que fez pra estar aqui?

MULDER: - Dizem que sequestrei uma mulher e matei meus colegas. Mas não eram meus colegas. Eu estava fugindo com a minha irmã.

BLACK POWER: - Se quiser respeito por aqui, acho melhor dizer que matou seus colegas. Tira que mata tira é herói. Tira que é bonzinho, se ferra. Vê se fica longe de encrencas, federal. Eles estão louquinhos por carne nova aqui. E você não gostaria de ser trocado por cigarros. Não é nada agradável.

Os dois entram na enfermaria. Black Power vai pra outra sala. Há um baixinho gay, Little Ben, olhando pra Mulder.

LITTLE BEN: - Oi, gracinha. Vai ficar muito tempo por aqui?

Mulder encara-o.

MULDER: - Aconselho você a ir circulando.

LITTLE BEN: - Ah, querido. Não fique bravo assim. Meu nome é Ben. Little Ben.

Ben estende a mão. Mulder não o cumprimenta.

LITTLE BEN: - Puxa, achei que seríamos amiguinhos...

MULDER: - Olha aqui, ô, ‘queridinha’, fique bem longe de mim, tá entendendo? Meu negócio é outro.

LITTLE BEN: - Por que deveria?

MULDER: - Porque eu estou irritado. E se me zangar, eu posso te amontoar no chão a soco!

LITTLE BEN: - Faria isso?

MULDER: - Não aposte o contrário.

LITTLE BEN: - Puxa, e o que vai dizer pro Ted? Bateria em mim? O Ted ia ficar zangado.

MULDER: - Ted? Quem é Ted?

Mulder sente um cutucão no seu ombro. Vira-se e dá de cara com um homem negro, musculoso e muito mais alto do que ele.


6:59 P.M.

[Som: Colonel Bogey march (Tema do filme A Ponte do Rio Kwai)]

Mulder, com um olho roxo, todo cheio de hematomas, uniforme rasgado, caminha assoviando a música, algemado e escoltado por dois guardas até a solitária. O guarda 1 abre a porta, fazendo reverência. Mulder entra. Olha pra eles.

MULDER: - (DEBOCHADO) Alguém aí tem uma bola e uma luva de beisebol?

Os guardas fecham a porta.


8:33 P.M.

Scully, sozinha no carro, está quase dormindo. Reluta. Abre os olhos. Liga o rádio. Ouve as notícias locais.


2:36 A.M.

Mulder sai da solitária, escoltado pelos guardas.

GUARDA 1: - Mais uma gracinha e vai ficar dias aí.

MULDER: - (DEBOCHADO) Como eu ia adivinhar que aquela bicha tinha um amante daquele tamanho?

Os guardas o empurram. Mulder volta pra enfermaria. Black Power olha pra ele, balançando a cabeça.

BLACK POWER: - Você procura encrenca, federal.

MULDER: - Tenho faro pra isso, sabia?

Black Power abre um armário. Tira um pacote de biscoitos.

BLACK POWER: - Aceita um biscoito?

MULDER: - Meu Deus, ouvi a palavra mágica! Biscoitos... Até esqueci o gosto que isso tem.


3:44 A.M.

Mulder sai da enfermaria. Olha pras câmeras no corredor. Pára na frente de uma delas. Faz caretas. Continua caminhando. Passa por uma sala em direção ao banheiro.

White Power sai de trás de uma coluna e o agarra por trás, envolvendo seu braço no pescoço de Mulder. Com a outra mão, dobra o braço dele pra trás.

WHITE POWER: - Ok, engraçadinho, eu disse pra não se descuidar. Eu ia te pegar.

MULDER: - É. Mas não encosta tanto!

White Power o empurra contra a parede. Mulder reage.

MULDER: - (VALENTÃO) Tá bom, quer brigar, vamos lá. Mano a mano.

WHITE POWER: - Vou te arrebentar, Federal Killer.

Mulder mete um soco no estômago de White Power. Ele nem sente cócegas. Dá um sorriso, mostrando que é banguela. Mulder arregala os olhos.

MULDER: - (PÂNICO) Tô ferrado.

Mulder leva um soco e cai longe. White Power o agarra e mete outro soco. Mulder tenta se levantar, mas cai no chão tonto. White Power o levanta. Encosta-o contra a parede. Abre o zíper das calças.

WHITE POWER: - Eu disse que você ia ser a minha princesinha... Relaxa, federal.

Mulder mete uma cotovelada nele, ele recua.

WHITE POWER: - Ah, cara. Agora você me deixou furioso, sabia?

White Power começa a ranger os dentes de raiva. Mulder arregala os olhos.

MULDER: - (NERVOSO) Eu... Eu esqueci a geladeira aberta...

Mulder sai correndo. White Power pula em cima dele. Mete um soco nele. Mulder fica, inconsciente. White Power levanta-se e põe o pé sobre ele. Bate no peito. Escuta passos. Olha pra trás. Vê Black Power.


BLOCO 4:

White Power peita Black Power.

WHITE POWER: - Ora, negrão, não se meta no meu assunto. Deixo o resto dele pra você.

BLACK POWER: - Se tocar um dedo nele, tá ferrado, branquelo.

Os dois rosnam. Mulder acorda-se. Tenta se levantar. Cai de novo. White Power o levanta.

WHITE POWER: - Tu vai ser a minha bonequinha... E é melhor ficar quietinho, pra não acordar os guardas!

Black Power avança em White Power. Ele dá um golpe no pescoço de White, que cai desmaiado no chão. Black Power o arrasta pelas pernas. Mulder consegue se levantar.

MULDER: - Cara, o que vai fazer? Há câmeras por tudo.

BLACK POWER: - Sei onde não há câmeras.

MULDER: - ... (PÂNICO) Você não vai fazer o que estou pensando, certo?

BLACK POWER: - Sai daqui, federal. Vá dormir.

MULDER: - ...

BLACK POWER: - Vamos ver o que ele pensa sobre negros... Aposto que vai mudar de ideia.

Mulder olha assustado. Levanta-se. Caminha até sua cela. Os presos começam a gritar.

PRESO 1: - Aí, federal, levou o que merecia!

PRESO 2: - Aposto que gostou!

Mulder olha pra eles.

MULDER: - (GRITA) Vou sair daqui, seus idiotas. E vou pegar a mãe de cada um de vocês!

Os presos começam a gritar, o alvoroço é geral. As luzes se acendem.

[Som: Colonel Bogey march (Tema do filme A Ponte do Rio Kwai)]

Os guardas entram no corredor. Mulder olha pra eles.

MULDER: - Ôh, ôh... Essa não. De novo não.

Os guardas param na frente de Mulder, olhando com deboche. Um deles bate o porrete na mão. Mulder dá as costas, suspirando desanimado. Já abre os braços se entregando.

MULDER: - Podem pelo menos diminuir a pressão da mangueira e me arranjarem palavras cruzadas?

Os guardas o empurram. Mulder sai assoviando ‘A Ponte do Rio Kwai’. Entra na porta de acesso à solitária. Desce as escadas, como quem já sabe o caminho, assoviando, calmamente. Mulder abre a porta da solitária, entra e a fecha. Os guardas trancam.


Refeitório - 9:49 A.M.

Mulder entra no refeitório. Todos os presos olham pra ele, furiosos. Mulder pega uma caneca de café e senta-se ao lado de Postman.

POSTMAN: - E aí, Mulder? Dormiu bem?

MULDER: - Pelo menos a solitária tem uma vantagem. Você pode dormir com os dois olhos fechados e sem encostar o traseiro na parede.

POSTMAN: - Sua garota... Ela esteve aqui.

MULDER: - A Scully?

POSTMAN: - É, ela tava procurando você. Mas você tava na solitária. Eu não falei nada, mas acho que ela percebeu que você tava aqui.

MULDER: - Droga!

POSTMAN: - Ninguém sabe da solitária. (RI) E todo mundo fica quieto aqui. Não gostam de você.

White Power entra mancando. Passa por Mulder. Larga um olhar de ‘te pego depois’. Os presos começam a rir. Black Power observa White. White pára na frente dele. Puxa do bolso uma colher.

WHITE POWER: - Vou te foder, imbecil!

White atraca-se em Black. Os dois começam a brigar. Os guardas intervém, dando porretadas neles. Levam os dois dali. Mulder olha pra Postman.

MULDER: - Tem certeza de que era a Scully?

POSTMAN: - Cabelos cor dos raios de sol... Cheiro de canela. Ela tem cheiro de canela. Ela é bonita.

Mulder abre um sorriso.

MULDER: - Estou salvo! Conheço minha garota. Ela não vai me decepcionar.


10:03 A.M.

Scully dorme sobre o volante do carro. Acorda-se. O celular está tocando. Scully atende, sonolenta.

SCULLY: - Alô?

SKINNER: - Agente Scully, tenho uma péssima notícia. Não consegui autorização pra revirar esse presídio.

SCULLY: - Como assim?

SKINNER: - Vou tentar outros canais. Vá para um motel, durma um pouco. Ligarei depois.

Scully desliga. Olha pro presídio. Olha pro relógio. Liga o carro.


11:06 A.M.

Mulder varre o chão do refeitório. White Power e três presos mal encarados se aproximam. Mulder ergue a vassoura. Está tremendo de medo, mas disfarça.

MULDER: - (NERVOSO) Já matei homens com uma vassoura, tá legal? Não sabem o treinamento que tive no FBI! Você aprende a matar homens com seu polegar!

WHITE POWER: - Calma, Federal Killer. Só viemos pra fazer uma festinha. Você é o prato principal.

PRESO 1: - É, só uma festinha... Sacou, né?

PRESO 2: - (RINDO) Ele é tão bonitinho... Olha só o cabelinho dele...

Mulder aponta o cabo da vassoura.

MULDER: - Se chegarem mais perto eu... eu... eu...

WHITE POWER: - (DEBOCHADO) Vai fazer o quê, Federal Killer?

Mulder larga a vassoura e sai em disparada pela porta dos fundos, desesperado. Sai no pátio. White e os outros atrás dele. Os presos observam, rindo. Mulder continua correndo. Os caras atrás dele. Mulder pára na frente do guarda 1.

MULDER: - (DESESPERADO) Pelo amor de Deus, essas coisas você não vê! Esses caras estão atrás de mim!

GUARDA 1: - (DEBOCHADO) O que eles querem?

MULDER: - (DEBOCHADO) Ahá, adivinha?

GUARDA 1: - (DEBOCHADO) Problema seu. Se tivesse cortado o cabelo como eu sugeri...

MULDER: - Ah, merda!

Mulder entra por uma porta. Corre pro banheiro.

MULDER: - (PÂNICO) Essa não... Me f... estrepei.

White Power e os outros três entram. Mulder encosta-se numa parede. Os capangas abrem todos os chuveiros e o vapor toma conta da sala. Mulder não vê nada.

PRESO 1: - Tá com medo, princesinha?

PRESO 3: - Agora vai ver com quem se meteu.

MULDER: - (DEBOCHADO) Meu Deus, eu sabia que era gostoso, mas não a tal ponto!

WHITE POWER: - Vai, vai fazendo piadinha. Quem vai gozar aqui sou eu.

Mulder fecha os olhos, ainda encostado na parede.

MULDER: - Deus, tende piedade de mim! (PANICO) Quatro???

Os capangas começam a gritar. Mulder abre os olhos. Escuta os gritos deles. White Power grita também. Mulder não consegue ver o que está acontecendo. Só percebe o sangue que escorre pela água, avançando sobre seus sapatos.


11: 47 P.M.

O guarda 2 abre a porta da solitária. Mulder sai.

GUARDA 2: - Como matou aqueles três caras e feriu o White Power?

MULDER: - Eu já disse, não os matei. Não vi quem foi.

GUARDA 2: - Volte pra sua cela. Na próxima, o diretor disse que vai ficar aí por mais tempo.


12:33 A.M.

[Som: Theme from OZ]

Scully pára o carro na porta de entrada do presídio. Mostra a credencial. O guarda a deixa entrar.

Scully estaciona o carro nos fundos do pavilhão. Desce. Percebe o carro da lavanderia estacionado. Olha para os lados e não vê ninguém. Entra no prédio. Vê um guarda, esconde-se atrás de um pilar. Olha para o lado e vê um carrinho de roupa. Tira os sapatos e entra dentro, escondendo-se no meio das roupas limpas. Um preso, escoltado por um guarda, empurra o carrinho pra dentro.


12:41 A.M.

Scully sai do carrinho. Pega os sapatos e os segura nas mãos. Quase escorrega no piso encerado.

SCULLY: - Droga!

Scully larga os sapatos e enfia as mão por debaixo da saia. Tira as meias de náilon. Joga no carrinho. Pega os sapatos e sai sem fazer barulho. Percebe que há câmeras. Ela passa encostada, rente às paredes.


1:11 A.M.

As luzes do pavilhão estão apagadas.

Scully passa agachada pelas celas. Um braço se estende pra fora e a agarra pelo ombro. Scully segura o grito. Olha pro lado. Vê Black Power.

BLACK POWER: - (COCHICHA) Última cela à esquerda.

Black Power levanta-se.

BLACK POWER: - Ei, imbecis, eu quero todo mundo nas camas, sem olhar pro corredor. Vou soltar o Fred.

Quem estava em pé se deita. Scully continua a caminhar de quatro no chão. Aproxima-se da cela de Mulder. Enfia a mão através da grade, tocando no cabelo dele. Mulder, que estava deitado, dá um pulo. Olha pro chão. Sorri.

MULDER: - Scully?

SCULLY: - (COCHICHA) Psiu! Mulder está bem?

Os dois cochicham.

MULDER: - Como entrou aqui?

SCULLY: - Sou uma menina má, sabe disso.

Mulder agacha-se. Passa sua mão por entre as grades e toca no rosto dela. Chora.

SCULLY: - Mulder, eu vou tirar você daqui. O Skinner está tentando do modo legal. Se não funcionar, eu vou buscar os pistoleiros e colocar fogo nesse lugar!

MULDER: - Deus, essa é a minha garota.

Scully abaixa a cabeça, sorrindo.

MULDER: - Estou com saudades de você.

Mulder afaga o rosto dela. Scully pega a mão dele e beija. Aspira seu cheiro. Mulder fecha os olhos.

SCULLY: - Mulder, sinto falta de você. Pra dizer a verdade, sinto falta de tudo... do seu corpo... da sua alma...

Mulder encosta seu rosto nas grades. Eles tocam seus lábios suavemente. Mulder passa sua mão nos cabelos dela e os cheira.

MULDER: - Canela...

SCULLY: - Mulder, chega de romantismo por favor. Não estamos num filme do James Bond. Preciso sair daqui antes que me vejam.

MULDER: - Só preciso sentir seu cheiro pra me sentir melhor.

SCULLY: - Mulder, terá tempo pra isso.

MULDER: - Scully, tem que me tirar daqui! Ou da próxima vez em que me visitar terá que me trazer pomada pra assaduras!

SCULLY: - Mulder, estou tentando fazer o que posso. Sei que está assustado...

MULDER: - Assustado? Scully, assustado não é o termo exato pro estado em que estou. Esses caras querem... Você sabe o que esses caras querem. Daqui a pouco vou acabar com meu rosto colado no travesseiro!

Scully segura o riso com a mão.

SCULLY: - Mulder, comporte-se.

MULDER: - Não, não vai.

SCULLY: - Mulder, preciso ir.

MULDER: - A Diana esteve aqui.

SCULLY: - O quê?

MULDER: - Ele também. Senti cheiro de cigarro. Ele armou pra mim, Scully. Quer se vingar porque eu o venci.

SCULLY: - E a Samantha? Mulder por que...

MULDER: - Depois nós conversamos sobre isso. Scully, eu percebi que... que só algumas coisas fazem sentido na vida. Eu percebi que estive errado esse tempo todo, que eu te magoei. Eu só quero uma chance pra reparar meus erros.

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - Só uma chance, Scully. Eu amo você.

Scully abre o casaco. Tira sua arma. Entrega pra ele.

SCULLY: - Fique com isto. Para se proteger.

MULDER: - Mas é sua, está no seu nome! Vai se meter em encrencas se eu usá-la...

SCULLY: - Mulder, tome cuidado. O que me importa é que saia daqui vivo. Voltarei pra Washington e direi que está aqui. Com certeza, vão deixar você nesse lugar até o julgamento começar. Mulder, talvez não possa visitá-lo nesse meio tempo, mas farei tudo o que puder. Testemunharei a seu favor e tudo vai voltar a ser como era.

Scully afasta-se, andando de quatro.

MULDER: - Scully!

SCULLY: - Que é?

MULDER: - (DEBOCHADO) Se essas barras não nos separassem... Você fica sexy desse jeito.

SCULLY: - Mulder, isso não é hora pra piadas!

Scully sai dali. Mulder deita-se na cama sorrindo.


Gabinete do diretor-assistente - 11:47 A.M.

Skinner olha pela janela. Ryan entra.

RYAN: - Diretor, a agente Scully informou que...

SKINNER: - Já sabemos, Ryan. Agora é com vocês, não posso me intrometer no caso. Apesar do Mulder ser um dos meus agentes, não tenho jurisdição em seu departamento.

RYAN: - O escritório de Minnesota está nos apoiando. Entretanto, temos um problema. Mulder ficará sob custódia no presídio até que o julgamento seja encerrado.

SKINNER: - ...

RYAN: - E vai passar por uma investigação aqui dentro. Estão reunindo alguns diretores para fazer um inquérito. Mulder pode ou não ficar no FBI. Depende de sua inocência lá fora, para depois ser avaliado seu comportamento aqui dentro.

SKINNER: - Droga, onde está a Scully?

Scully entra na sala, cheia de pastas de papéis.

SCULLY: - Estou aqui, senhor. E aqui estão as provas que inocentarão o agente Mulder.


Prisão Federal de Stillwater – Minnessota – 11:21 A.M.

[Som: Theme from OZ]

Mulder está sentado no pátio. White Power aproxima-se.

WHITE POWER: - Ei, Federal Killer. Já soube da novidade?

MULDER: - Que novidade?

WHITE POWER: - Seu amiguinho, Black Power. Apareceu morto, de repente. Acho que alguém se vingou e colocou veneno na comida dele. Agora que ele e o Fred se foram, acho melhor se comportar.

Mulder levanta-se. Olha nos olhos dele. Os presos param para olhar.

MULDER: - (ÓDIO) Você o matou.

WHITE POWER: - E daí? O Fred matou meus companheiros naquele banheiro.

MULDER: - Seu desgraçado!

Mulder avança nele. Os dois começam a brigar, rolando na terra. Os presos fazem uma roda e incentivam White Power, aos gritos de “Mata ele, mata ele!” “Acaba com o tira!”. Mulder está possuído de raiva. Mete um soco em White Power. Mulder levanta-se. White Power também. Mulder arregaça as mangas do uniforme. Chama White Power com as mãos.

MULDER: - (IRADO) Vem desgraçado, vem que eu vou te arrebentar!

WHITE POWER: - (DEBOCHADO) A bichinha tá poderosa hoje, não? Vem federal, vou te desabrochar aqui mesmo.

Os dois se atracam. Mulder mete um soco no olho de White Power que cai no chão. Mulder pega um caixote e arrebenta na cabeça dele.

MULDER: - Vem seu monte de merda! Vamos ver se é o que diz!

White Power se levanta. Avança em Mulder. Mulder ameaça outro soco, mas não chega a tocá-lo. White cai desmaiado no chão.

Os presos ficam admirados, olhando pra Mulder. Mulder fica perplexo, sem entender. Olha pro fundo do pátio e vê o espírito de Black Power sorrindo, desaparecendo ao atravessar o muro. Mulder fica estático. Os presos o cumprimentam, mas Mulder está longe. Os guardas se aproximam. O carregam pelos braços.

GUARDA 1: - Solitária pra você, federal. E agora é sério.


Um mês depois...

Suprema Corte do Estado – 1:21 P.M.

Mulder entra na corte, algemado, carregado por dois guardas. Magro, pálido, abatido. Olhos inchados e hematomas pelo corpo. O juiz olha pra ele assustado. O advogado levanta-se.

ADVOGADO: - Eis aí o meu cliente depois de um mês trancafiado numa solitária. Um mês! Que lei é essa? Onde estão os direitos dele? Stillwater é uma fábrica de animais!

Burburinho geral. O juiz pede silêncio. O Canceroso entra no fundo da sala, sentando-se entre as pessoas pra não chamar a atenção. Ao lado dele, o diretor do presídio. O Canceroso tira um envelope do bolso e entrega pra ele.

CANCEROSO: - Saia daqui agora. Antes que a barra suje pro seu lado. Tem um avião te esperando. Meus homens estão lá fora, vá com eles.

O diretor sai dali, rapidamente. O Canceroso olha pra Mulder, com um sorriso nos lábios.


10:32 P.M.

Scully está nervosa, abatida. Skinner, sentado ao lado dela, percebe. Segura na mão dela. Scully lhe retribui um sorriso. O juiz entra na sala.

JUIZ: - Já temos um veredicto.

O Canceroso levanta-se e sai, disfarçadamente, sorrindo.

JUIZ: - O réu queira se levantar por favor.

Mulder levanta-se, ajudado pelo advogado.

JUIZ: - Fox Willian Mulder, pelo poder concedido a mim e ao júri: Pela acusação de sequestro: Inocente. Pela acusação de assassinato: Inocente. O Estado vai ressarci-lo dos danos sofridos durante sua estadia na Prisão Federal de Stillwater. Considero encerrado este julgamento.


FBI – Sala de reuniões – 9:34 A.M.

Skinner, Scully, Diana e vários outros diretores estão sentados à mesa de reuniões. O relator começa a seção.

RELATOR: - Onde está o agente Mulder?

SKINNER: - Ele está no hospital. A agente Scully o representará.

RELATOR: - Creio que não haverá necessidade disso.

O relator entrega o distintivo de Mulder para Scully.

RELATOR: - Avise seu parceiro que começará suas funções assim que se recuperar. A agente Fowley voltará para seu departamento.

Scully pega a credencial de Mulder. Sorri. Diana olha pra ela com desprezo. Scully levanta-se e sai da sala. Skinner vai atrás dela.

SKINNER: - O julgamento já serviu de base para inocentá-lo aqui.

SCULLY: - Mas ele quebrou as regras do Bureau! Ele fugiu daqui sem prestar esclarecimentos...

SKINNER: - Entenderam que na situação em que estava, não haveria como ficar. Mas exigem que Mulder passe por uma avaliação psicológica.

SCULLY: - (SORRI) Conseguimos inocentá-lo, sem tocar na história de alienígenas.

SKINNER: - Scully, isto tudo ainda está me cheirando muito mal. Não desconfia quando as coisas são fáceis demais?

SCULLY: - Acha que aquele homem...

SKINNER: - Eu sei lá. Não sei onde começa e onde termina o poder dele.


Hospital Trinity – Washington - 12:17 P.M.

Mulder acorda-se. Sente dor no corpo todo. Mal suporta ver a luz que vem da janela. Olha pro lado. Há um envelope sobre a mesinha. Mulder estende o braço e o pega. Abre-o. Tira um bilhete.

Close no bilhete que diz: “Espero que tenha aprendido a lição. Nunca mais faça isso. Não se ponha mais no meu caminho”.

Mulder sacode o envelope. Cai do envelope um pedaço de embalagem de cigarros Morley.

Scully entra. Aproxima-se da cama. Pega a embalagem de cigarros. Joga no lixo.

SCULLY: - Eu desconfiava, Mulder.

MULDER: - Ele acha que me intimidou? Pois está errado! Quero a cabeça dele, Scully, quero mostrar às pessoas em que planeta desgraçado nós vivemos!

SCULLY: - ... Mulder, quando sair daqui, temos assuntos particulares a serem discutidos.

MULDER: - ...

Scully tira a credencial de Mulder do seu bolso. Entrega pra ele.

MULDER: - (SORRI) ... Estamos juntos de novo.

SCULLY: - (SÉRIA) Pelo menos no trabalho.

MULDER: - ...

SCULLY: - ...

Scully senta-se numa cadeira. Olha pela janela. As lágrimas caem de seus olhos. Mulder olha pro nada. Fecha os olhos, derrubando lágrimas. Os dois ficam em silêncio.

Fade out.


18/02/2000


Nov. 30, 2018, 6:53 p.m. 0 Report Embed 1
The End

Meet the author

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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