Isis Follow story

teochae non exist

Taehyung é um bandido cruel. Pelo menos, é que os comerciantes dizem por aí. Mas a verdade é que ele é apenas mais um homem tentando sobreviver ao regime sórdido egípcio. Já com Jimin, os boatos que correm são sobre ele ser o último filho do rei, mas estar em um palácio é solitário e muito triste. Taehyung precisava de comida e Jimin de um amigo. Taehyung precisava de um esconderijo e Jimin aceitou acolhê-lo em seu banho.



Fanfiction Bands/Singers For over 18 only.

#bts #jimin #taehyung #egito
Short tale
17
345 VIEWS
Completed
reading time
AA Share

Me acompanhe


Me acompanhe

O andar despreocupado não denunciava as intenções do rapaz de pele dourada. As mãos nos bolsos da calça larga e o sorriso encantador eram seu passe-livre para transitar no meio do comércio sem levantar muitas suspeitas, afinal, sua beleza era a única coisa que chamava a atenção das mulheres e também dos homens, muitas vezes até mesmo dos guardas que observavam o movimento das ruas com bastante cautela.

Taehyung sabia o efeito que causava nas pessoas.

Posicionou-se entre uma barraquinha e outra, encostando um dos pés e também a cabeça na parede, lambendo os lábios salgados de suor e fechando os olhos para acalmar o coração que batia um pouco mais rápido que o normal, preparando-se para o que estava prestes a fazer. Se sentia cansado, havia passado a manhã inteira apenas esperando uma oportunidade e, quando o número de guardas no local finalmente diminuiu, se viu obrigado a agir pelo simples medo de não conseguir nenhuma comida se demorasse muito mais.

Sorriu ladino quando a música instrumental agitada levou boa parte das pessoas dali à uma dança bagunçada e estranha, abrindo mais uma brecha para que ele pudesse pegar o pão fresquinho e sair correndo sem olhar para trás.

Taehyung nunca olhava para trás.

Todos os seus roubos eram bem sucedidos, as mãos leves não faziam ninguém percebê-lo e, se percebiam, era quando ele estava bem longe e de barriga cheia.

Olhou para um guarda enquanto se inclinava devagar até a barraquinha do seu lado esquerdo, esticando o braço com cuidado quando o dono dela se afastou rindo e batendo palmas para a dança que ainda ocorria ali no meio. Uma gota de suor pingou em seu nariz, o que o fez se apressar e flexionar o joelho para obter mais equilíbrio conforme empurrava o corpo contra a parede e movia as mãos para cima e para baixo, tentando alcançar o pão.

Mordeu os lábios, a música estava quase chegando ao fim e o dono da barraquinha ameaçava virar. Estava quase, conseguia sentir os grãos nos dedos, mas não o suficiente para agarrá-lo, poderia derrubá-lo durante a fuga se o pegasse de qualquer jeito.

Não estava nos seus planos perder a comida e ainda chamar a atenção.

Movimentou a cabeça para retirar os cabelos negros dos olhos pintados de um marrom bem escuro e suspirou, os músculos da perna ardendo e ameaçando ceder. Precisava pegar aquele pão e bem rápido, o calor estava fritando seus miolos e temia não aguentar mais de pé se não conseguisse comer.

Foi com esse pensamento que, depois de uma olhada rápida para os guardas distraídos, Taehyung simplesmente se jogou para frente, agarrando a massa com uma mão enquanto sustentava o corpo na corda da barraquinha com a outra.

Empurrou-se para trás enquanto escondia o pão nas costas - um pouco dentro da blusa e um pouco fora por ser muito grande -, e caminhou despreocupadamente para longe da barraquinha, assobiando e mantendo-se o tempo todo de frente para os guardas, mandando piscadelas charmosas e sorrisos de canto, achando graça da forma que os deixava desconcertados.

Tão vulneráveis.

— Onde está meu pão com grãos especiais?! — escutou o dono da barraquinha gritar e não pôde evitar um riso soprado, o ego sendo levado até os céus. Era tão bom no que fazia.

Mas tudo que é bom dura pouco.

— Taehyung? Taehyung, cara, é você mesmo! — arregalou os olhos ao escutar a voz conhecida e até tentou fingir que não estava ouvindo, mas os ombros agarrados com brutalidade o desestabilizaram por uns segundos, sendo o suficiente para que o pão escorregasse pelos dedos e fosse direto para o chão cheio de poeira.

— Porra — murmurou enquanto olhava para frente, assustado com a movimentação dos guardas procurando pelo ladrão. — Agora não, Namjoon. Estou ocupado.

Tentou se abaixar para pegar o alimento, mas as mãos grossas o impediram novamente. Olhou nervoso para o homem à sua frente.

— Cara, divide comigo. Estou morto de fome, não como faz dois dias.

— Cacete, Namjoon! Vão me pegar, para de me segurar! — tentou escapar, mas não conseguiu. Algumas pessoas já estavam olhando para eles e os homens armados se aproximavam como cães de busca guiados pelo cheiro.

— Por favor, Taehyung. Vou morrer de fome! — encarou o antigo amigo e mordeu os lábios, alternando o olhar entre ele e as facas pesadas chegando perto. Sentiu medo.

— Eu…

— Ali! O garoto ligeiro! — a voz forte o fez arregalar os olhos. Com toda a força que ainda possuía, empurrou Namjoon com os cotovelos e pegou o pão, correndo para a direção oposta e o largou para trás, virando a cabeça somente para conferir se ele não havia sido pego no lugar, não queria que o machucassem. — Saiam da frente!

— Que merda. — acelerou mais quando passaram reto pelo amigo e seguiram em sua direção, empurrando as pessoas e derrubando-as no chão. Estava tão ferrado. Na verdade, se o pegassem, poderia perder as mãos e isso era o mesmo que morrer para um ladrão.

Pulou um cabrito que estava no meio do caminho, jogando poeira em um bando de mulheres ajoelhadas balançando grãos em cestas. Não pediu desculpas como o de costume, apenas se concentrou em não ser pego e, para isso, foi obrigado a empurrar barracas e potes, derrubando horas de serviços braçais e recebendo xingamentos por isso.

Bufou pesado com o esforço físico, o Sol detonando sua pele, quase causando-lhe queimaduras de tão quente. Só isso já era capaz de derrubá-lo, a corrida não costumeira parecia arrancar cada fio de vitalidade que ainda restava em seu corpo, a respiração saindo como agulhas pelos pulmões, as pernas moles fraquejando e ameaçando levá-lo ao chão.

Quando precisou pular mais um obstáculo, Taehyung sentiu os joelhos acertando a lama e o corpo sendo arrastado pela sujeira, o rosto mergulhando na poeira e na areia, a pele grudando nos cristais. Sentiu dor. Muita dor. E então grunhiu, suspirando contra a bochecha amassada e levantando poeira para dentro do nariz um pouco ensanguentado.

— Pare agora mesmo!

Levantou-se com pressa e voltou a correr, o pão firme contra o peito enquanto a cabeça virava para trás para conferir se os homens estavam chegando perto.

Eles estavam.

— Hórus, me dê forças! — gritou enquanto fazia a curva em uma esquina e suspirou de alívio quando viu o rio correndo suavemente logo a sua frente.

Parou um pouco, olhando para trás e cogitando se entrava ou não. Mordeu os lábios, o coração acelerado no peito. Estava desesperado.

E por estar desesperado é que colocou o pão completamente dentro da blusa esgarçada e se enfiou na água, correndo desajeitadamente e implorando para todos os deuses que o dessem uma saída para aquela situação e que não o deixassem ser pego.

— Ele entrou no rio! — escutou as vozes dos homens e fechou os olhos, correndo mais rápido e por vezes caindo de joelhos, molhando completamente suas roupas e também seu alimento, que agora devia ser apenas um pedaço murcho de massa com grãos.

Quando as vozes se tornaram mais próximas e Taehyung já estava quase desistindo de fugir, viu uma parte do rio correndo para uma das extremidades enquanto que o meio dele continuava em frente.

Franziu o cenho e foi até lá, empurrando algumas plantas e descobrindo um pequeno cano. Sim, era pequeno, mas se fizesse um pouco de esforço, conseguiria passar.

Olhou para trás e novamente para o cano, soltando um palavrão antes de se deitar completamente na água e começar a rastejar para dentro dele, bufando por culpa do calor e do aperto, sentindo os ombros travando em várias partes e o coração acelerando com os pensamentos de que poderia ficar preso ali e morrer antes que fosse encontrado.

Se impulsionou uma última vez com os pés e foi arremessado para fora do cano, atingindo mais água e afundando pela posição em que caiu, o rosto contorcendo-se em pura raiva por perceber que não iria mais comer e que todo o esforço não havia servido para nada.

Se levantou devagar, não conhecia o perímetro e qualquer movimento poderia entregar sua posição vulnerável, impedindo-o de conseguir correr e escapar.

Quando estava somente submerso das coxas para baixo, Taehyung olhou ao redor, estranhando onde estava porque nunca havia visto uma sala tão bonita como aquela. Era limpa, clara, visivelmente bem cuidada.

Uma sensação estranha tomou conta de seu corpo.

Estava prestes a voltar para o cano quando olhou para frente e viu um corpo masculino de costas para si, lavando-se lentamente e até mesmo de um modo sensual, visto a forma que os dedos curtos moviam-se pela cintura fina e deslizavam calmamente até os quadris, voltando tortuosamente para o peitoral e perdendo-se por lá.

Taehyung ficou estático, somente admirando a visão que lhe foi concedida, os lábios abertos quase derrubando saliva e, de uma forma humilhante, as pernas cruzando-se debaixo da água.

Era uma visão dos deuses.

Só que ele não teve muito tempo para continuar observando, as vozes dos homens apareceram próximas do cano, o eco transmitido para dentro da sala e, com medo de ser descoberto, Taehyung conseguiu ter apenas uma ideia.

Ela só não seria muito boa para aquele homem que teve o azar de ter seu banho invadido por ele.

[...]

O palácio brilhava debaixo daquele sol escaldante. E de um ouro reluzente, as paredes aos poucos escureciam, até se transformarem em algo envelhecido. Todavia, longe de perder qualquer traço de beleza. Tudo parecia ter sido construído com exatidão e um cuidado exemplar. O faraó, ambicioso e quase doente por toda riqueza que possuía em mãos, não se contentou com nada menos que todas as suas exigências feitas e tratadas com cuidado. Talvez seja por isso que o ódio é o único sentimento que ele é capaz de despertar em alguém. Até mesmo em seus filhos.

Park Jimin não conseguia suportar viver sabendo que seu pai controlava seus passos mais íntimos. Era absurda sua obsessão com controle. Jimin queria poder andar por aí, conhecer pessoas novas e dançar. Mas seu dia, cada milímetro dele, era reportado ao faraó. E se Jimin saísse de uma linha rígida, rapidamente era impedido de continuar. Ele nem sequer tinha amigos. Seu único consolo era Rubi, uma cobra avermelhada e com pequenos olhos negros. Ela constantemente se enrolava em seu braço e agraciava Jimin com sua companhia. Mas claro, se em algum momento ela ameaçasse mordê-lo, seria condenada à morte; ordens de seu pai.

—Rubi? — mesmo sabendo que cobras não podiam falar, Jimin de qualquer jeito tentou se comunicar com ela e esperou por alguns segundos uma resposta, mas tudo que o animal fez foi se aproximar de seu rosto, lentamente até que estivesse olhando em seus olhos. — Se eu te colocar nos aposentos de meu pai, você poderia comê-lo? — e ela continuou na mesma posição, atenta. Jimin suspirou fundo e a colocou de volta na cesta de palha. Rubi poderia ser uma ótima cobra, mas não substitui um ser humano de verdade. Jimin contava os dias para que seus irmãos voltassem de viagem e suas irmãs parassem apenas de dar atenção aos seus maridos. Por que Jimin tinha que nascer o mais novo de sete irmãos?

— Meu senhor, o seu banho já está devidamente quente — Jimin deu um leve pulo com a intromissão quase silenciosa de sua serva. Ele assentiu devagar e se levantou da cama. Os ossos pareciam fora do lugar, mas com alguns estalos e uma massagem forte, pararam de doer antes mesmo que Jimin chegasse na porta de seu quarto. — Devo colocar alguma essência?

Os olhos dela sempre miravam o chão e nunca Jimin. Suas frases eram curtas e quase não transmitiam nenhum carinho. Jimin se sentia renegado por todos e extremamente solitário.

— O de sempre.

Jimin recolheu seu manto dourado. Dourado como todo aquele lugar, chegava a ser enjoativo. E travado por um dos guardas, ele lançou um olhar feio para o homem uns bons centímetros mais alto. “Eu só vou me banhar!” o tom saiu grosseiro, Jimin não costumava ser assim com frequência, apenas quando se sentia aborrecido ou assustado. O guarda continuou com a expressão firme e acenou para o outro logo a frente. O aceno foi correspondido e o caminho de Jimin igualmente liberado.

Revirando os olhos, ele caminhou duramente pelos corredores.  Por onde passava, todos no palácio, sendo a maioria servos, abaixavam a cabeça e evitavam olhá-lo rosto a rosto. O coração de Jimin se confrangeu em inveja e revolta. Ele não queria essa vida.

Não pediu por ela.

O vapor quente penetrava praticamente 10 metros da porta até o final do corredor. Jimin sentiu quase de imediato o cheiro de rosas. A fumaça grudava em seu rosto e formava pequenas gotículas de calor. Como não havia mais ninguém por perto, começou a tirar suas roupas no meio do caminho, deixando que os panos de seda brancos deslizassem por seu corpo esbelto e pele amorenada. Ele possuía curvas invejáveis e bem marcadas. A cintura mesmo que estreita, tinha músculos levemente definidos e marcados. Seus braços fortes e coxas torneadas serviam como um enquadramento para o traseiro cheio. O chão se inundou com poças de roupas e Jimin finalmente foi tomado pela neblina.

As empregadas saíram do caminho deixando o príncipe sozinho. Mesmo que na contínua solidão, aquele era o único momento que ele conseguia pensar e colocar as ideias em ordem. Mesmo que perto, os guardas não podiam ouvir os barulhos de dentro, somente se Jimin gritasse muito alto. A ponta dos pés tocaram a superfície quente e logo um arrepio de dor subiu por seu corpo. Quente demais. Mas isso não era de todo ruim. A pele de Jimin, depois de um banho quase escaldante, ficava lisa como a de um bebê e levemente avermelhada.

Passou as mãos pelos cabelos loiros, agora suados de um jeito gracioso e se pôs a enfiar totalmente o pé esquerdo dentro da água. Um ardor misturado com prazer fez com que Jimin soltasse um gemido abafado. O outro pé veio logo em seguida. E então as canelas, cintura, peito, ombros e por fim, quase toda a cabeça. Apenas os olhos para fora, analisando todo o cenário conhecido; as plantas verdes circundavam os pilares brancos e também quase toda a parede cheia de desenhos. Uma pequena abertura estreita permitia que um pouco de ventilação passasse para dentro das termas e a água que banhava seu corpo nu.

Levantou por segundos e respirou um tanto de ar antes de se afundar de vez. Os olhos queimaram, mas a sensação era confortante demais para que Jimin desistisse de ficar lá embaixo. Tudo era tão cristalino que, com certo esforço e se abrisse os olhos, poderia enxergar todo o fundo liso e seus pés pintados com uma tinta vermelha e dourada. Tinta essa que aos poucos se desprendia de sua pele e se misturava na água. Era bonito e tentador, mas o fôlego fez com que Jimin emergisse e virasse de frente para entrada, onde supostamente seus guardas estariam. Prontos para intervir se Jimin precisasse de auxílio ou se machucasse.

Sufocador.

Jimin levantou ainda mais o corpo, deixando apenas metade da cintura dentro da água e ficou bons minutos apenas parado naquela posição, sentindo o cheiro perfumado e as ondas se acalmando. O silêncio era praticamente certeiro e nada além da própria respiração despertava seus ouvidos.

Entretanto, uma tremulação estranha tomou conta de seu banho, ela veio acompanhada de passos molhados e o som de roupas, um outro corpo, sendo arrastado para perto de si. Virou-se para trás com toda a velocidade que podia e sem sequer poder olhar direito para o intruso, ou conseguir gritar, uma mão suja tocou-lhe os lábios com força e rudeza. Jimin tentou se soltar do aperto, mas a força de seu adversário era muito maior que a sua. Prensou os lábios com nojo de que aquela sujeira entrasse em seu organismo e finalmente abriu os olhos.

Um homem. Rosto sujo e olhos expressivos. Eles tremiam em medo e aflição. Jimin não conseguia compreender de onde ele tinha surgido e nem o que queria consigo. Um assassino? Um saqueador? Deflorador? Morreria nas mãos daquele homem desconhecido? Ele não deixava Jimin se debater e nem soltar nenhum som. Como chamaria seus guardas? E então, o medo também começou a tomar o corpo de Jimin de uma maneira que ele nunca havia sentido em sua vida. O coração batia tão rápido e quase conseguia sair para fora de seu peito. Sua respiração mesmo que parcialmente impedida, se tornava cada vez mais desesperada. Jimin tremia da cabeça aos pés. O homem finalmente, baixinho e próximo o suficiente para somente Jimin ouvir, disse algo.

— Quietinho — o hálito quente soprou contra sua bochecha. — Preciso muito que me ajude. Estou pedindo com educação.

A cabeça de Jimin demorou algum tempo para assimilar direito o que tinha escutado. Ele esperava qualquer coisa, menos um pedido de ajuda. Levou as mãos até a que segurava sua boca e em um gesto mudo fez com que ele liberasse seu rosto. A respiração que entrou em seus pulmões foi refrescante, Jimin puxou bastante ar e sentiu o gosto salgado assim que lambeu os lábios. Olhou de volta para o intruso e uniu as sobrancelhas. Uma risada alta e quase nervosa foi sua primeira reação.

— Te ajudar? Porque eu faria isso? Quem é você?

O homem voltou a pressionar seu rosto com as mãos, dessa vez com mais força, machucando seus lábios. Viu quando ele olhou nervoso para o cano quando as vozes do lado de fora se tornaram mais altas e irritadas.

Percebeu então que ele tinha a ver com elas.

— Se não me ajudar — recomeçou baixinho. — Vai desejar nunca ter colocado seus pés aqui junto comigo.

A garganta de Jimin fechou.

Ele parecia sério, mesmo que baixo, o som da sua voz fez com que o corpo de Jimin tensionasse quase que instantaneamente. Não era uma brincadeira. Jimin prezava sua vida, apesar dos pesares, gostava de acordar e sentir o sol. Com medo do que pudesse acontecer, apenas assentiu e fechou os olhos com força. O aperto novamente foi diminuindo até não sobrar mais nada do toque.

— Tudo bem, eu faço o que você quiser

— Me esconda — o homem o girou com força, colocando-se de frente para si, os olhos escuros transbordando desespero. — Agora.

Taehyung quase o sacudiu quando recebeu um risinho convencido, mas, assim que ele se dissolveu, soltou devagar os ombros largos, as mãos paradas ao lado do rosto dele prontas para voltar a apertar a boca se ele ameaçasse gritar ou então sair correndo.

— Por favor.

A súplica pareceu tão sincera, ele estava com medo de algo, provavelmente relacionado com as vozes do outro lado do cano. Jimin não poderia simplesmente ignorar um pedido daqueles. E se ele realmente o quisesse fazer mal, já teria feito. Respirou fundo e concordou com a cabeça.

— Certo, espere um momento — Jimin viu os olhos dele suavizarem em alívio. — Vire-se. — afinal, ainda estava nu e não tinha intimidade o suficiente para mostrar mais do que ele provavelmente já tinha visto. O rosto meio corado dele apontou para o lado, Jimin tomou coragem e seguiu rumo a escada. Subiu os degraus rápido, pegou seu manto e cobriu parcialmente seu corpo. Os guardas ficavam um pouco longe da porta, para dar certa privacidade para Jimin, então ele teve que caminhar até que conseguisse chamar a atenção de um deles.

— Senhor? Ouvimos barulhos, está tudo bem? — Jimin engoliu seco.

— Sim, tudo bem. Peguem meu jantar, vou comer aqui dentro hoje — os dois que estavam parados trocaram olhares. Eles concordaram e seguiram atrás do pedido. Tudo que Jimin desejasse deveria ser cumprido quase imediatamente.

Jimin voltou para dentro e o homem não estava mais na água. Olhou ao redor e o achou meio escondido atrás de um pilar. Chegou mais perto e recebeu a atenção devida mais rápido do que pensava. Cruzou os braços e fez uma expressão irritada.

— Você tem alguns minutos para me explicar o que toda essa situação significa

— Eu…

Antes que pudesse responder, Taehyung sentiu o pedaço mole de pão escorregar para fora de sua blusa, espatifando no chão como uma pasta cheia de grãos. Fez uma careta de nojo e de irritação, tudo porque estava com tanta fome que cogitou por uns segundos realmente comer aquela gosma.

Abaixou-se para pegá-la com a intenção de deixar o dono daquela sala menos irritado, visto que havia sujado o piso branquinho dele. Se levantou rapidamente com aquela coisa estranha nos braços, olhando para o rosto irritado ao passo que limpava a garganta para recomeçar a explicar.

— Vou ser sincero. Eu roubei esse pão, mas fui visto e precisei correr. Não sei como cheguei até aqui, mas… — mordeu o lábio. — agradeço por ter me escondido. Eu poderia ter morrido.

Tentou sorrir, mas quando a boca apenas se movimentou de uma forma meio esquisita, ele voltou a ficar sério e desviou os olhos, envergonhado pela presença tão forte do homem.

Não sabia mais o que dizer.

Por mais que Jimin tenha se sentido mal pela expressão de tristeza quando aquela massa gelatinosa encontrou o chão, não conseguia engolir a informação de que ele tinha roubado aquilo. Roubar é errado. Então tudo fez sentido. O seu medo de ser pego e aquele pedaço deformado de pão.

— Você é um ladrão? — o deboche foi nítido. Era uma pergunta retórica. — Roubar é errado, você não estaria passando por nada disso se simplesmente fosse um homem honesto! — Jimin usou seu melhor tom para repreendê-lo, mas sua expressão de triunfo morreu assim que o viu balançar a cabeça para os lados.

— Você diz isso porque nunca foi obrigado a roubar para comer. Não precisa viver disso, olha só a sua sala de banho. Não sabe o que é passar dias com o estômago vazio. Se soubesse, não me apontaria o dedo dessa forma.

Taehyung sentiu a garganta arder por segurar o choro, por um momento quis mesmo liberá-lo, deixar que as lágrimas corressem como há muito não corriam. Mas não se abriria desse jeito para um desconhecido, não poderia deixar que suas armaduras fossem para o chão tão rapidamente.

Mas o que ouviu não foi fácil de engolir.

Apertou a massa entre os braços com mais força e olhou para o cano, constatando que as vozes não estavam mais presentes. Com isso, encarou o homem com o seu melhor semblante confiante e disse:

— Obrigado mais uma vez por ter me deixado ficar. É hora de ir. Tenha uma boa tarde.

Começou a caminhar para a direção do tubo apertado, mas antes que colocasse os pés dentro da água, o som de Jimin o parou.

— Espere. Me desculpe, eu não sabia… — Jimin sentiu o coração doer com tudo que ouviu. O arrependimento por ter o julgado mal veio com força. Ainda mais depois que o quase viu chorar. Ele tinha razão. Jimin tinha comida todos os dias e onde dormir. Fora do palácio existiam muitas pessoas sem ter o que comer. Aquele homem era uma delas. — Eu pedi meu jantar. Fique, coma comigo.

Essa também era a primeira vez que Jimin pedia desculpas.

Jimin não conseguiu ouvir uma resposta dele, logo os guardas já estavam de volta. O homem voltou para detrás do pilar. Antes de deixar que a comida entrasse, conferiu para ver se ele estava bem escondido. Tudo estava bem.

— Podem entrar — a bandeja farta de comida foi deixada em cima da mesa cercada por grandes almofadas. Logo também eles foram embora, deixando Jimin sozinho de novo.

Ou não tão sozinho.

— Hora de comer.

Taehyung saiu de seu esconderijo e olhou para a bandeja cheia e cheirando muito bem, fechando os olhos só para poder apreciar mais o aroma delicioso das carnes. Seu estômago roncou. Estava com tanta fome.

— Posso? — perguntou se aproximando devagar da mesa, olhando para ele com receio. Quando recebeu um sorriso e um aceno positivo, se sentou nas almofadas, mantendo as mãos ao lado do corpo, sem saber exatamente o que fazer em seguida. — Hum, antes... Como você se chama?

Jimin achou engraçado a pergunta. Ela só veio agora, depois de muita confusão. — Jimin, Park Jimin. E você? Como se chama?

— Me chamo Taehyung. Kim Taehyung.

[...]

Deixou a última casca de uva na mesa enquanto continuava rindo de uma piada que Jimin havia feito, a barriga doendo por ter comido tanto e por estar fazendo esforço com as gargalhadas, mas não conseguia controlar a si mesmo de quase morrer toda vez que o homem contava alguma situação engraçada que passou no palácio.

Sim, palácio. Taehyung descobriu que Jimin era o filho do faraó, o que deveria ter feito ele sair correndo dali para nunca mais voltar, mas se sentiu a vontade na presença dele. Jimin era aquela pessoa que conseguia deixar qualquer um bem e sem timidez, era bondoso apesar de ter parecido rude no início, o que não era para menos, Taehyung havia simplesmente invadido seu banho e o surpreendido nu.

Ousado.

— Está escurecendo, acho melhor eu voltar. Seus guardas devem estar se perguntando se você não está se dissolvendo nessa água fervente. O que não deve ser má ideia, parece boa.

Jimin se sentiu murchar. Não conseguiu rir com a piada, porque Taehyung iria embora. Fazia tanto tempo que Jimin não tinha uma conversa tão agradável como aquela. Ele era simplesmente fascinante. O jeito como dava risada e o respondia. E também nunca tinha visto alguém comer tanto. E agora, depois de um tempo tão bom, a despedida chegou. Jimin não queria deixá-lo ir, mas sabia que seria perigoso demais pedir que Taehyung passasse a noite lá. Essa atitude egoísta colocaria a vida dele em perigo. Concordou meio cabisbaixo.

— Tudo bem, volte com cuidado.

Taehyung se levantou, batendo como se tirasse poeira das roupas. Ele olhou para Jimin e acenou com as mãos, em um gesto bruto que acabou perdendo a força e se tornando desengonçado, o que fez Jimin rir baixinho por ter achado fofo.

Ele caminhou até água, atravessou e chegou no cano, olhou mais uma vez para Jimin. O coração bateu dolorido ao vê-lo começar a se estreitar pela passagem pequena e quando já perdia de vista o corpo de Taehyung, Jimin falou alto o suficiente para só ele ouvir.

— Volte amanhã, estarei esperando aqui, no mesmo horário.

— Me espere mesmo, eu vou aparecer.

E então ele sumiu pelo cano, deixando apenas o barulho de seus pés batendo no rio do outro lado, um som triste demais para um dia que foi bom demais.

Mas ele voltaria.

Naquela noite Jimin dormiu feliz e ansioso para seu encontro com Taehyung no dia seguinte.

Nov. 27, 2018, 7:10 p.m. 2 Report Embed 7
The End

Meet the author

non exist Busan boy and Daegu boy

Comment something

Post!
Xixisss Uchiha Xixisss Uchiha
Olá! Eu preciso começar dizendo que amo Vmin como os soulmates que são, mas eles não são meu shipp. Porém, eu não podia deixar de ler, não é todo dia que vejo uma história que leva meu nome. Quando li a sinopse já fiquei ainda mais interessada por não só o nome ser egípcio, mas a ambientação também. E que bom que eu abri! Sua descrição foi sublime e eu consegui visualizar e sentir absolutamente tudo, desde o deslumbre das pessoas pelo Tae (100% real, esse homem é uma obra de arte, afinal), até a tensão dele, o calor, a fome... O momento da fuga dele foi eletrizante! E a descrição dele vendo o Jimin, de novo, 100% real, porque não tem como não ser hipnotizado por ele - ainda mais nu e molhado, rs. O Jimin. De maneira muito precisa eu consegui enxergar a personalidade dele... alguém que é ao mesmo tempo auto suficiente e carente de atenção, alguém que costuma ser gentil mas não sabe esconder o que sente. A descrição do banho escaldante dele... uau, chega deu nervoso de tão intensa. E enfim a interação deles dois... adorei a atenção aos detalhes e como foi tudo baseado em reações naturais de ambos. Adorei que eles com tão pouco há se sentiram à vontade, ligados (almas gêmeas ne). E é aqui que faz sentido eu ter feito questão de dizer que eles não são meu shipp: apesar disso, eu fiquei esperando por mais. Foi maravilhoso ler o que foi o inicio de algo entre eles, seja o que for esse algo,e deixou um gosto de quero mais que eu não costumo ter quando se trata dos dois rs. Parabéns pela história, pela escrita impecável e intensa!
Nov. 27, 2018, 4:25 p.m.

  • non exist non exist
    UAU, EU ESTOU IMPACTADA HAHAHA Fiquei emocionada com o seu comentário, não é sempre que costumo receber elogios pelas minhas histórias, então isso realmente importou muito para mim e eu fico feliz por você ter dado uma chance à Isis. Eu gosto muito do Egito, eu gosto muito de Vmin e, quando o Taehyung pintou o mullet de preto, eu precisei criar algo nesse cenário. Fiquei muito orgulhosa com o resultado final, descrever sensações e passar intensidade era meu objetivo principal e eu só pulo de felicidade quando conseguem sentir isso, quando consigo transmitir o que está na minha cabeça. Eu fico muito agradecida pelo comentário, foi bom demais recebê-lo e também lê-lo! É uma honra ter você por aqui. Um beijo e um abraço <3 Ass, Teo November 30, 2018. 03:35AM
~