(2016) Melhores Amigos Follow story

solemn606 SolemnHypnotic 606

Poe estava agindo estranho, e BB-8 queria entender o motivo. Oneshot. — Fic da confraternização de amigo secreto da Liga dos Betas do Nyah! Fanfiction de 2016. "Fui em Fortaleza e lembrei de ti" (Provérbio Popular)


Fanfiction Movies Not for children under 13.

#slash #star-wars #Poe-Dameron #Finn #bb-8
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Único

Poe Dameron entrou na ala médica da Resistência com BB-8 em seu encalço. Tinha seu capacete em uma das mãos e uma pequena caixa contendo seu almoço. Ele fez seus passos certeiros até um dos quartos. Sem cerimônias, acomodou-se em uma das cadeiras e colocou os pés sobre a cama.

— Ei, me atrasei. Eu tava fazendo um treinamento de rotina hoje. Foi mal, sério.

BB-8 bipou algumas vezes indicando confusão. Olhou para um lado e olhou para outro. Sua cabeça girou e olhou para seu dono, que começou a abrir sua marmita sem preocupações.

— A Rey viaja amanhã, não é? — Poe continuava falando para uma cama vazia. — Eu me ofereci para leva-la, mas General Organa pediu para eu ficar. Eu não sei bem ao certo por quê, mas não vou questionar. E você? Fez alguma coisa hoje.

droid não conseguia ver nada de onde estava. O quarto era pequeno demais para que conseguisse rolar até um ponto onde fosse possível ver o topo da cama. Apesar disso, julgou desnecessário. Se tivesse alguém lá, haveria uma segunda voz. Se bem que as máquinas indicavam que sim, alguém estava lá sendo monitorado.

Poe estava agindo estranho há uma semana. Ou melhor, estranho era uma palavra forte. O amigo de BB-8 era o mesmo, porém, por algum motivo, ele visitava aquela sala todos os dias. Passava horas ali, conversando sem respostas. Às vezes, como naquele momento, almoçava por ali. Outras, apenas ficava balbuciando besteiras e comentários que outrora pudessem trazer alguma reação de outra pessoa, fosse um grunhido que fosse. Era como se Poe estivesse mirando exatamente nisso.

Mais um dia sem respostas e Poe retirou-se da sala, com BB-8 ao seu lado, ainda sem entender. O robô bipou algumas vezes em frustração. O que estava acontecendo, afinal?

— A Rey é uma garota incrível, não é?

No dia seguinte, Poe estava lá mais uma vez. Dessa vez, não trouxera consigo nada além de seu capacete de piloto.

— Em menos de dois dias aconteceu tanta coisa com ela. Já pensou? Passar por tudo o que ela passou? — BB-8 assoviou ao seu lado, mas Poe não deu importância. — Ah, o que estou falando? Você também passou por muita coisa. Acho que vocês têm muito o que conversar quando ela voltar. Com mais calma, sabe?

A voz do piloto era sombria dessa vez. Pela primeira vez, BB-8 sentiu uma mudança no estado de espírito de seu amigo. O robô bipou algumas vezes, como se perguntasse o que estava acontecendo, mas Poe interpretou de outra maneira.

— Tem razão, BB, estou atrasado — suspirou ao se levantar. — Hora de dar umas voltas por aí. Até mais, amigão.

Dando dois tapinhas sobre a cama, Poe desapareceu pelo umbral da porta sem mais nada dizer. BB ficou ali mais alguns instantes, tentando computar o que estava acontecendo. Olhou uma vez, duas vezes, três vezes para a cama, mas sua altura não permitia ver nada.

Soltou um guincho de raiva. Por que fora montado daquele jeito?

Mais um dia se passou, mais uma vez Poe foi para aquele quarto. Os novos recrutas estavam fazendo seus exercícios aéreos e ele aproveitou-se da distração de seus superiores para ir. Pelo menos, era o que BB-8 imaginou, pois não encontrou seu companheiro em lugar nenhum. Soltando bipes de irritação, o droid encaminhou-se até o previsível local.

Para sua surpresa, Poe não estava lá. Nem a outra pessoa que nunca respondia, como notou pelas máquinas de marca passos.

Confuso, BB-8 saiu, apenas para dar de cara com a General Organa andando depressa pelo corredor, acompanhada por enfermeiras de diversas espécies. Sem pensar muito, ele a seguiu. Falavam em jargões médicos, fora do alcance de conhecimento do pequeno droid, mas parecia grave.

— Poe Dameron — exclamou a General ao alcançar a entrada da sala de cirurgia. BB ajustou sua posição e também surpreendeu ao ver seu dono. — Como você chegou aqui tão depressa?

— Eu estava lá quando o trouxeram... — sua voz era um pouco encabulada. Por mais despojado que Poe fosse, o respeito pela General Organa era maior do que qualquer traço de sua personalidade.

— Era para você estar ajudando os recrutas.

— Me perdoe, de verdade.

Ela fechou os olhos e levou a mão à testa. Não era hora para ficar irritada.

— Ele piorou, não foi?

BB-8 percebeu algo nos olhos de seu amigo. Desespero. Algo tão raro de se ver em Poe Dameron, o grande piloto. Ele estava tão triste que parecia sequer ter notado sua presença, mas isso não incomodou o droid. Havia algo mais grave acontecendo e estava mais desapontado consigo mesmo por não entender.

A General estendeu a mão para Poe, que a segurou como uma criança perdida. Quando deu por si, estava abraçado a ela, fazendo de tudo para não chorar.

— Não faz mal demonstrar fraqueza — Leia, não mais General, aconselhou em um tom maternal que ninguém mais conseguiria atingir. Ela acariciou os cabelos castanhos de Poe com a calma de quem passou pela mesma situação. Que, de certa forma, era verdade.

droid apitou algumas vezes de frustração. Odiava ficar de fora das conversas.

Passados alguns minutos, a General Organa foi embora, deixando um Poe Dameron desolado diante o vidro que separava a sala de cirurgias do corredor da ala médica. Ele parecia completamente concentrado no que estava vendo, como se ele mesmo estivesse atuando no lugar dos médicos e enfermeiros ali dentro. Mais uma vez, a altura impedia BB-8 de ver o que estava acontecendo. Irritado, o droid rolou e bateu na perna de seu dono várias vezes até conseguir sua atenção... que não foi muita.

— Ele vai ficar bem, não vai, BB?

Se pudesse dizer alguma coisa, BB estaria gritando de raiva por não fazer ideia do que seu amigo estava falando. Por outro lado, Poe parecia tão desnorteado com tudo que seria melhor não fazer caso.

A parte mais triste, para BB, era as horas passando. Para ele, cansaço era algo inexistente, mas para Poe era tão real quanto ele mesmo. Mesmo sinalizando para que ele fosse descansar, o piloto não saía por nada. Escorava-se na parede, apoiava as mãos no vidro, sentava-se no chão com os braços ao redor dos joelhos... BB-8 percebeu que seu amigo havia cochilado por alguns instantes, mas ele logo acordou assustado, levantou-se e olhou através do vidro. Pela expressão de Poe, a cirurgia ainda estava sendo executada.

— Eu deveria ir dormir, não deveria?

BB assoviou em concordância.

Poe estalou a língua e foi para seu aposento.

O clima era de impaciência entre os dois. Poe por querer que tudo acabasse e BB por não ter entendido por completo o que estava acontecendo. Felizmente, no dia seguinte, fora repassado um recado para o piloto de que ele estava livre de suas obrigações por ora. O droid imaginou se a General tivera influenciado na decisão.

Dessa vez, Poe deu uma volta pelo quartel da resistência, parando em cada setor e gastando bons minutos observando o trabalho de seus companheiros. Não foi direto para o misterioso quarto, o que fez BB estranhar. Suas feições estavam diferentes também. Seu amigo parecia exausto, como se não tivesse descansado a noite inteira.

Quando ele se sentou sobre uma caixa na área externa, BB achou oportuno assoviar em questionamento.

— Eu não tô dando muita atenção pra você, não é, baixinho? — Poe tentava ser divertido, mas soava puramente desanimado. Um sorriso sem jeito surgiu em seu rosto e ele coçou a própria nuca, procurando as palavras. — O Finn. Ele... Toda essa situação acabou me tirando de órbita.

BB não reagiu, aguardando as palavras de seu amigo.

— A General tá certa, não faz mal demonstrar fraqueza. Mas eu não sei ser assim. Foram tantas coisas em tão pouco tempo... Eu quase fui morto e agora estou vendo meu melhor amigo a beira da morte.

Rude!, soou o apito de BB, inconformado com aquelas palavras. Poe explodiu em uma gargalhada, a mais honesta em dias.

— Tá, você é meu melhor amigo! — A cabeça de BB-8 girou para o lado, como se desviasse o olhar, e ele bipou várias vezes demonstrando irritação, mas logo voltou-se a seu amigo. — Eu só... Não sei. Tem algo no Finn que me atrai. Afinal, formamos uma dupla e tanto. E você sabe.

Sabia, sim. Na verdade, todos naquela confusão formavam uma equipe maravilhosa. E BB assoviou alegre em concordância.

— Poe Dameron?

Ele ergueu a cabeça ao ouvir seu nome. Era um enfermeiro. BB percebeu que seu amigo havia ficado tenso de repente.

— General Organa pediu para eu avisar...

Não deu tempo. Poe já havia partido para a ala médica e BB-8 não teve outra escolha a não ser segui-lo, mais uma vez, sem entender o que estava acontecendo.

Ele não percebeu quando esbarrou na General Organa ao entrar no quarto, enquanto BB cuidadosamente deu a volta por ela. Poe havia corrido em direção à cama.

Estava abraçado com Finn, que olhava confuso para os outros dois presentes.

— Hã... Poe? — encabulado, o rapaz deu tapinhas no ombro de seu amigo.

— Não me assusta mais desse jeito — rugiu o piloto, sem larga-lo.

Finn franziu o cenho.

— Ok, vou tentar não levar um corte na coluna nunca mais...?

Poe bateu na cabeça de seu amigo, rindo. Confuso, Finn olhou para BB-8, que bipou avisando que também não entendera. Quando os dois menos esperaram, algo mudou em Poe.

Ele estava... chorando?

— Desculpa, eu só... — Poe se afastou de Finn. — Eu só fiquei muito preocupado. Muito preocupado mesmo. Desculpa. — Sacudiu as mãos. — Eu vou parar.

— Ele vinha todos os dias aqui enquanto você estava em coma, Finn.

General Organa sustentava aquele maternal sorriso quando conseguiu a atenção de todos os presentes. Poe recostou-se na parede, sem saber o que dizer ou como reagir. Estava envergonhado demais para dizer qualquer coisa e isso fez Leia rir um pouco.

— Venha, não precisa ficar assim. Finn provavelmente faria o mesmo por você, não faria?

— Bom...

Poe censurou Finn com outro tapa em sua cabeça, o que fez todos rirem. Se pudesse, BB também estaria sorrindo.

Era como se Poe tivesse encontrado sua outra metade, e isso o alegrava. Havia algo entre os dois, uma química que apenas humanos entendessem, talvez. Era a única coisa que explicava aquela amizade de anos desenvolvida em menos de um mês. BB não estava incomodado ou se sentia ameaçado por Finn, muito pelo contrário. Estava feliz pelos dois amigos.

Mais feliz ainda pois Poe parecia ter voltado ao normal.

Quando a General saiu, BB-8 a acompanhou. Poe e Finn tinham muito para conversarem a sós.

Nov. 21, 2018, 5:11 a.m. 2 Report Embed 2
The End

Meet the author

SolemnHypnotic 606 Eterna graduanda de Jornalismo, apaixonada por videogames, desenhista nas horas vagas, mãe de três gatos, suporte chato de Smite que te reporta no primeiro VVA. #YouShallObey // Não escrevo mais com tanta frequência quanto gostaria, porém queria muito retomar com o hábito. Vai que um novo lugar me anima?

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Hunter Pri Hunter Pri
Hello! Tudo bem? Adorei a oneshot, Poe e Finn é um ship muito amor hahahahahahah Poe todo preocupado <3 BB-8, eu te venero! Ele é fofo demais! E com ciúme da amizade dos dois, virando o rosto, foi hilário hahahahahah Leia <3 Pude ver o sorriso maternal dela mesmo *-* Linda história, bem escrita e narrada, parabéns! Beijos :-)
Nov. 21, 2018, 7:04 p.m.

  • SolemnHypnotic 606 SolemnHypnotic 606
    Olá! Obrigada o comentário <3 Eu sou muito escrava de canon, então eu não quis bater de frente logo com StormPilot como ship, então deixei só essa coisinha de amizade mesmo. Na verdade, quando eu sentei pra escrever, eu só pensei "vai ser da visão do BB-8 e acabô" uahisuhausah. Aí veio The Last Jedi e Finn acordando perguntando pela Rey e destruiu tudo MAS ENFIM, a gente vai sobrevivendo. c': November 22, 2018. 02:42AM
~