Habla el niño muerto Follow story

jacobino22 Zen Jacob

[ História escrita para o desafio #viajaink ] "Minhas pernas são compridas agora, ao contrário de quando eu tinha 11 anos. Mesmo assim, estou balançando as pernas pra frente e pra trás, frente e trás, frente-trás. Sou um pêndulo rebobinando os eventos. Sou o senhor do tempo que ressuscita fantasmas. Sou um assassino e, por isso, toda a vida me pertence. Menos a minha."


Drama For over 21 (adults) only. © História original, todos os direitos me pertencem e plágio é crime.

#lobisomem #original #padre #homossexualidade #dia-dos-mortos #espanhol #viajaink #méxico #violência-doméstica #estupro #feminicídio #pedofilia #abuso-sexual
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Ore por mí

NOTAS INICIAIS

- História escrita para o desafio #viajaink. O país que escolhi foi o México.

- Apesar de a maior parte das violências contidas na história serem citadas e não necessariamente descritas, cuidado. Se algum dos temas for gatilho, não leia, por favor.

- Há algumas frases e palavras em espanhol que não traduzi, pois acho que podem ser entendidas no contexto. Se houver alguma dúvida, no entanto, só me perguntar. =)

- O conto se passa no mesmo universo de "Restos de Você" (só avisando mesmo, são histórias independentes).


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10 de mayo de 2007 (Día de la Madre)¹


Estou assobiando Corazón Espinado² enquanto guardo as cadeiras de plástico depois que a última criança e sua mãe se retiram da festa. Fitas coloridas estão penduradas pelo teto como se cansadas de toda a música e dança que se desenrolou no salão dos fundos da igreja.

Um pequeno esqueceu seu chapéu de El Chavo³ e eu rio enquanto o coloco na cabeça, meio alto pela aguardiente⁴ que eu e os outros rapazes tomamos às escondidas.

O padre passa por mim e sorri.

- Precisa de ajuda? - Ele indaga, apontando para as mesas e cadeiras.

- Não, estou bem - retruco, e meus braços trabalham rápido, vigorosos.

Com as faces acaloradas pela noite quente, ele faz um gesto com a cabeça para que eu largue as coisas ali e o acompanhe para dentro da igreja.

- Sei que esse não é um dia fácil para você - ele fala devagar enquanto caminhamos na direção do altar. Parece que deu suas próprias escapulidas com a garrafa de vinho. - Mas quero que saiba que sua mãe era uma mulher maravilhosa e onde quer que ela esteja, está orando por você e desejando que você se torne um grande homem.

Eu fico quieto diante das palavras dele. Ele dá um tapinha em meu ombro, apertando-o logo em seguida.

- Ora, vamos, já faz muito tempo, Pablo... Você sabe, a morte…

- ...é só mais um estágio da vida - eu completo, rouco.

- Sua mãe está no paraíso - o padre insiste, ainda me apertando. As mãos dele cheiram a talco e têm tantas marcas de velhice que parece que estou sendo tocado por uma árvore. - Ela está ao lado de Deus, feliz. Não chore mais por ela, hijo. Tudo bem?

Eu aceno pra ele, pra que fique em silêncio logo.

O zumbido constante na minha cabeça bem poderia me matar. É como se tivessem prendido centenas de vespas raivosas ali dentro. O álcool agora parece me puxar pra baixo, me afundar no chão. Os olhos dos ídolos santificados que se espalham pelas colunas da igreja. Eu quero rasgá-los e quebrá-los como piñatas. Quero devorar suas tripas e me banhar com seu sangue abençoado.

Como os filhos de Israel ao beberem o ouro derretido dado por Moisés.

Quero uma morte lenta e irrecuperável.

O padre se retira, parecendo satisfeito consigo mesmo. A coisa no meu pescoço é forte, parece me estrangular. O ódio é como um manto, é a minha proteção, o meu santuário. Eu o visto e escovo como um filho pródigo. É a única coisa em mim que ainda parece viva.

Penso na madre, no seu sangue quente em minhas mãos, no rosto lívido ao segurar meu braço. Os lábios rachados dela dizem meu nome, tão suave, tão desprotegida.

- Padre! - Eu o chamo, surpreso pelo quão calma soa a minha voz.

Estou no corredor escuro que leva aos aposentos onde o velho dorme. A cabeça dele aparece pela fresta da porta, os olhos são duas janelas azuis.

- O que foi, hijo?

- Posso dormir com o senhor hoje? Sei que não sou mais nenhuma criança, mas…

Ele sorri de novo, complacente, as duas mãos descansando nos meus ombros.

- Mas é claro! Como no início. Quando você tinha aqueles pesadelos, lembra?

Eu lembro.

Ele me solta e se move na direção do roupeiro, tirando a batina para vestir o pijama. Quando termina de colocar o camisolão branco de algodão que alguma mãe carola lhe costurou, eu o agarro por trás e aperto o tecido contra sua garganta até ouvir o primeiro engasgo. Posso ver seu rosto pálido passando por uma miríade de cores através do espelho. Ao atingir o doce tom do vinho, sei que ele está morto.

Largo o corpo na cama. Minhas mãos estão tremendo. Volto para a nave da igreja, passando pelo altar, onde a Virgem de Guadalupe parece me condenar. Me sento no primeiro banco da direita, aquele mesmo em que me sentei no dia da missa de sétimo dia da minha mãe, tantas eras atrás.

Minhas pernas são compridas agora, ao contrário de quando eu tinha 11 anos. Mesmo assim, estou balançando as pernas pra frente e pra trás, frente e trás, frente-trás.

Sou um pêndulo rebobinando os eventos.

Sou o senhor do tempo que ressuscita fantasmas.

Sou um assassino e, por isso, toda a vida me pertence.

Menos a minha.



14 de febrero de 2005 (Día de San Valentín)⁵ 


Santiago me pede em namoro e eu aceito.

É estranho beijá-lo no confessionário e mais estranho ainda sentir suas mãos subindo por minhas coxas. O pênis dele está duro. Estou com medo.

Ele me diz que sou lindo. Que adora o cheiro do meu cabelo cacheado. Que minha pele morena o deixa com fome. Me sinto engolido. Empurro-o para poder tomar ar, o que faz com suas costas e cabeça batam contra a parede de madeira, emitindo um barulho alto.

- Qual o teu problema, gajo?! - Ele reclama, e torna a tentar me agarrar.

- O padre vai ouvir! - Não é isso o que me assusta, mas não tenho coragem de dizer a ele a verdade.

- Que se foda o padre!

A porta do confessionário se abre sem que esperemos por isso. O padre fica parado com a boca aberta, olhando de mim para Santiago, e depois dele para mim.

- Saiam - ordena numa voz irredutível.

Nós dois deixamos o confessionário, a sombra dos ombros largos de Santiago parecendo eclipsar minha figura magra.

A igreja está decorada com flores e fitas rosáceas. San Valentín foi colocado no altar, dessa forma, todas as moças solteiras poderão pedir a ele a bênção de um bom matrimônio no próximo ano. Nunca senti tanta inveja na minha vida quanto sentia daquelas moças de pele escovada, bonitas como flores desabrochando.

- Usted es hijo de Gonzalo? - O padre indaga a Santiago, os olhos parecendo metal frio. - O que veio do Brasil?

- Sí, padre. Me llamo Santiago.

- No pareces a mi muy santo - comenta o idoso. - Eres más uno de los hombre-lobos que vagam por ahi matando a personas, Santiago? Mais um desses lobisomens homicidas de cartéis que desafiam Deus?

Santiago fica em silêncio e o padre se aproxima dele, colocando um dedo em seu peito.

- Não te quero perto do Pablo, comprende?

- Sí, padre.

Apesar da afirmação, eu e Santiago vamos nos ver todas as vezes em que ele vier do Brasil para visitar o pai no México. Ele me olha de soslaio e vejo um sorriso escuso no canto da sua boca. Sai da igreja sem dizer palavra e ficamos apenas eu e o padre.

Este, por sua vez, me fita como se estivesse me enxergando pela primeira vez em muito tempo.

- O que te tornaste, Pablo?

Eu o encaro sem medo.

- Me diga você, padre.



30 de abril de 2003 (Día del Niño)


- Não vai mais dormir comigo - o padre declara na porta do meu quarto e eu sinto o rosário ardendo na minha pele.

Já é de noite e a maior parte das crianças foi liberada das festas nas escolas - pelo menos aquelas que não fizeram nenhuma viagem especial. A igreja cheira a palanqueta, garapiñados e camote⁷.

Dois meninos que são coroinhas passam por nós, e eu não posso impedir que meus olhos acompanhem suas nucas morenas conforme eles se afastam de nós. Meu estômago embrulha e sinto meu corpo estremecido.

A señora Carmen passa por nós nesse momento e interrompe seu caminhar para, fofoqueira que só ela, se aproximar de nós com curiosidade.

- Ora, quem dormia com quem? - Questiona, ávida.

- Ah, não é nada, Carmen. Pablo costumava dormir no meu quarto porque tinha pesadelos - e acrescenta, como se fosse uma justificativa por si só: - A morte da mãe. Ele ouvia coisas, sabe? Coisas no escuro.

Señora Carmen faz um sinal da cruz.

- Dios mio…

O padre dá um tapinha no ombro e se volta para mim, sem tirar os olhos do meu rosto.

- Você já está velho demais pra isso, Pablo. Você entende, não?

- Claro, padre - eu desvio o olhar para o chão e forço um sorriso.

- Ótimo! Sei que os pesadelos vão passar sozinhos, certo?

- Certo…

- Muito bem, Pablo. Você é um ótimo garoto.



28 de deciembre de 2001 (Día de los Santos Inocentes)


Às vezes me faço perguntas pra passar o tempo, sabe?

Por que pombos existem?

Por que as batatas são bem mais gostosas do que as cenouras?

Por que Deus leva as mamães antes de seus filhos?

Estou deitado na minha pequena cama no meu pequeno quarto na nossa pequena igreja, enquanto penso na minha pequena vida.

Nos filmes, as portas emitem sempre um rangido enferrujado quando são abertas, mas a minha permanece silenciosa quando o padre a abre devagar na escuridão.

Ele está segurando uma vela diante do rosto e sua cabeça parece flutuar sem corpo acima do chão, um efeito provocado pela batina.

- Oi, Pablo - diz baixinho, e posso ver seu sorriso. É como centenas de contas amareladas na noite. - Faltou luz, você notou?

Aceno com a cabeça, mesmo sem ter notado.

- Quer vir pro meu quarto? - Convida ele, gentilmente. - Você estava tendo um pesadelo, não estava? Eu pude te ouvir falando sozinho.

- Não, não era um pesadelo. Eu só estava pensando alto…

Ele me interrompe, como se não pudesse me ouvir:

- Não precisa ter vergonha, hijo. Todos nós temos pesadelos. Vamos, vamos. Traga seu travesseiro.

Eu obedeço o padre e rumamos para o quarto dele.

Ainda posso ouvir a ladainha das canções que as pessoas cantaram quando estavam aqui algumas horas atrás, para comemorar o día de los santos inocentes. É como uma cicatriz no edifício. Como se as lembranças fossem uma maldição para aquelas paredes.

Saber demais pode ser doloroso.

A porta do quarto do padre range quando ele a fecha.

Ele sopra a vela. Tudo é negro, menos os dentes dele. Como o sorriso de uma calavera.

Então, sem nenhuma palavra, o padre se aproxima de mim, e tira minha camisa.



2 de noviembre de 2000 (Día de Muertos)


As ruas estão repletas de festejos. É tudo colorido e alegre. O cheiro de mijo e flores se propaga pelo ar, sendo encobertos facilmente pelas comidas temperadas que as barracas de ambulantes vendem. Pessoas caminham e cantam, vestindo suas roupas mais coloridas enquanto seguram retratos de entes queridos que já se foram.

Estou parado na porta da igreja e sei que não estou acordado, pois meu corpo se encontra sentado num dos bancos da igreja, a cabeça pendendo na direção do peito. Várias calaveritas¹⁰, caveiras pequenas de açúcar colorido, estão dispostas num pote azul em cima do altar, longe das mãos dos pequenos mais sedentos.

Em meio a cantoria e papel picado rodopiando entre os transeuntes, encontro minha mãe. Ela sorri pra mim enquanto veste seu vestido branco de noite, que é rendado e possui a barra repleta de flores frescas. Ela é baixa e robusta, com mãos severas de professora. Mesmo assim, há algo de gracioso na forma como suas canelas grossas gingam em meio as pessoas até me alcançar. Seus olhos amendoados me fitam e é como olhar num espelho.

Nesse curto espaço de tempo, só o que sinto por ela é o mais profundo amor. E depois, como uma doença crônica, vem a saudade. Quero chorar.

- Oi, querido - ela diz, sorridente.

- Oi, mama - respondo, tentando não chorar, pois sei que não é isso o que ela ia querer.

- Como você está?

- Bem... - Minto, e ela sabe. As mães sempre sabem, eu acho.

Para disfarçar (e também para me despedir), a abraço, afundando o rosto na sua barriga macia. Penso nela cheia de sangue e tripas e quero vomitar.

- Não fique triste. Papa e mama vão estar sempre olhando por você e pedindo sua proteção, mi amor.

Eu a solto, gelado. Olho por cima do meu ombro, observando o cortejo que saiu em homenagem à ela. Minhas tias e tios choravam copiosamente, ainda que tentassem sorrir e dizer a si mesmos que tudo ia ficar bem. Meu pai, abalado demais, ficara em casa.

- O... papa? Mas... ele... ele está…

Vivo.

É a palavra que quero gritar.

Minha mãe parece tão triste.

- Yo lo siento mucho, querido... - Ela fala baixinho, e aponta para meu pai, sentado na sarjeta, uma aura escura parecendo envolvê-lo.

As pessoas dançam em volta dele sem tocá-lo. Como se estivesse rodeado por um muro de tijolos invisíveis, ele fica isolado do festejo.

- O papa não pode participar do festejo ainda... - Minha mãe explica, acariciando meus cachos. - Ele ainda não se livrou dos pesos que tinha aqui.

- Mama... O que vai ser de mim?

- Você, Pablo? Você vai continuar. Vai seguir em frente.

- Mama, eu não tenho ninguém... Por favor, lleva-me contigo, mama!

- Me desculpe, querido... Você ainda tem muito o que fazer nesse lado do véu.

Não quero!, tento berrar.

Nesse instante, ela dá um beijo em meu rosto e se afasta, se tornando parte da multidão colorida e alegre.

Fecho os olhos, segurando as lágrimas. Memorizo aquela imagem dela, feliz e segura. No futuro, quando a trouxer até minha mente, será essa a lembrança que terei dela e isso aquietará meu coração.

Pelo menos, a maior parte das vezes.



1 de noviembre de 1999 (Día de Todos los Santos)¹¹


Enquanto estamos de joelhos rezando para Nuestra Señora de Guadalupe¹², meus pecados sendo carcomidos pelos olhos pintados das imagens da santa, a Virgem Maria e Jesus criança, eu penso que sou um covarde e um desgraçado e provavelmente deveria estar morto.

Meu pai, não repara em nada, pois está escondendo o rosto no lenço verde que minha mãe costurou pra ele antes de eu nascer. Quando ele se enforcar, um ano depois do enterro, os policiais vão encontrá-lo bem-vestido, usando uma camisa pólo nova, calças de brim e sandálias limpas, como nos dias em que levava minha mãe para dançar. No bolso da camisa, o lenço, surrado por suas lágrimas inesgotáveis. Em México, acreditamos que a morte seja um portal para um novo estágio da existência; às vezes, penso comigo mesmo se meu pai não quis criar uma ponte de lágrimas para poder alcançar a minha mãe desse outro lado.

Acho que nunca o perdoei de verdade por isso, sabe?

Do meu outro lado, minhas tias agarram seus terços e consolam umas às outras; o suor delas têm pra mim um cheiro rançoso e ao mesmo tempo familiar depois de todas as vezes que caminhamos juntos até o mercado debaixo do sol forte, circunferências escuras marcando as axilas de seus vestidos floridos.

Tia Lourdes, a irmã mais nova da minha mãe, está tremendo tanto que seu cordão com a imagem da santinha pula na frente do peito, como se tentasse se libertar dela.

Meus pés, metidos em sapatos apertados que herdei de um dos meus primos mais velhos, não tocam o piso de madeira encerada da igreja. Eu tinha o costume de balançá-los para poder contabilizar o tempo passado naquela alcova escura iluminada por velas, tão opressiva que me deixava sem fôlego, mas Tia María, que não era tão gentil quanto Tia Lourdes, sempre beliscava meus braços e me mandava sossegar o facho.

"Dios manda un castigo para niños endiabrados!", ela costumava sussurrar entredentes, baixinho demais para que minha mãe escutasse e pudesse me defender.

Na missa, Tia María parecia murcha como um balão. Ela não se importaria que eu balançasse meus pés daquela vez, mas eu não me sentia impelido a essa pequena liberdade. Talvez porque, afinal, o tempo parecesse congelado e não importava o que fizesse, nada me permitiria fazê-lo correr de novo.

Diante de mim, está o homem que vai abusar de mim ao longo de muitos anos, pois nenhum parente vai desejar cuidar de mim.

Niño complicado, dizem, fazendo gestos enfáticos uns para os outros. Já temos despesas demais, mais uma boca... Garoto problemático, traumatizado, isso que dá encontrar a própria mãe morta em frente de casa…

Eu poderia perder meu tempo descrevendo-o longamente pra você porque, a essa altura, já olhei pra ele vezes o suficiente para ter sua fisionomia em mente de forma mais detalhada que a de qualquer parente. No entanto, não valeria a pena.

Ele cheira a incenso e açúcar queimado dos doces que minhas tias prepararam para a festa. Dá pra ver a gordura nas pontas dos dedos enquanto enrolam e desenrolam seu próprio rosário.

Passado algum tempo, tudo nele me fará pensar, de maneira sombria, num trecho bem propício da Bíblia: "Vinde a mim os pequeninos..."

Naquela época, eu era menos versado no texto sagrado e só me lembrava desse, mais simples e ainda assim difícil de assimilar aos onze anos, cheio de ódio e tristeza e dúvidas: "Não matarás."



13 de mayo de 2007


Santiago enfia o corpo do padre na mala do carro. Ele viajou tão rápido que mal posso acreditar que esteja aqui comigo, parado, me olhando com uma expressão indecifrável conforme analisa meu olhar vazio.

- O que vai fazer com o corpo? - Questiono, mais por não saber o que falar do que por desejar realmente ouvir os planos dele.

- Não sei - ele responde, dando de ombros. Havia encorpado desde o nosso primeiro beijo e parecia o estereótipo perfeito de latin lover que a mídia gostava de vender para donas de casa americanas com fantasias sexuais pouco ortodoxas. - Vou entregá-lo para os rapazes. Eles vão enterrá-lo em alguma vala suja, como pedófilos imundos merecem.

Não quero opinar sobre isso, então só o que faço é concordar com a cabeça.

- Vamos, gajo. Vamos embora, sí? - Ele me estende a mão e andamos assim até o carro.

Tenho essa memória bem clara na cabeça pois é uma das poucas vezes que vamos fazer isso ao longo dos nossos mais de dez anos juntos.

- Como se sente? - Ele indaga, ajustando o espelho retrovisor. É como se perguntasse a mim como foi meu final de semana. Não há em sua postura nada que denuncie que eu lhe contei horas atrás que matei um homem e menti a todas as pessoas dizendo que ele estava enfermo enquanto o guardava na geladeira. A cozinha agora fede a leite coalhado e feijão velho.

Suponho que eu não deva me surpreender com isso. Ele é do cartel, afinal.

- Achei que fosse me sentir bem por ter feito isso. Mas não sinto nada.

Santiago passa a língua nos dentes pequenos e alinhados. A mão dele descansa na minha coxa durante um tempo e eu quero confiar que o arrepio que sobe pela minha coluna é de desejo e não de medo.

- Vai passar. O pesadelo acabou, querido.

Ele liga o carro e engata a primeira, entrando na estrada em perfeito silêncio depois disso.

Provas são destruídas, passagens são compradas. De Ciudad Juárez¹³ para Brasil é um pulo. A terra é quente, a comida não tem o mesmo gosto, como se tivesse ido parar em um hospital onde tudo é feito com gordura e massa.

Aprendo português em garfadas homeopáticas, me confundo com frequência; sou velho demais para ser um prodígio. Ainda assim, avanço e domino a língua.

No escuro, Santiago me toca e eu tento dizer a mim mesmo que gosto, que ele é um homem lindo e eu deveria estar feliz em tê-lo ao meu lado. Merda, digo a mim mesmo que deveria ser grato por ele me querer, apesar de tudo.

Quando ele me bate a primeira vez, repito como um mantra que gosto daquilo, que sou do tipo que aprecia um pouco de agressividade na cama.

Vou acumulando manchas e contusões e pedidos de socorro que nunca verbalizo.

Às vezes paro para pensar em coisas aleatórias, sabe?

Para passar o tempo.

Penso que queria ser tão grande que minha sombra se esticaria até o horizonte e ninguém poderia me ferir.

Penso em como seria ter asas para poder voar o mais longe possível da civilização.

Penso que é horrível e ao mesmo tempo reconfortante reviver aqueles mesmos pontos do passado.

Tenho o futuro e o passado nas minhas mãos nesses momentos. Posso sofrer em paz sabendo que, em algum ponto, aquilo vai ter fim e me acalenta saber como termina: o calor da morte dele, o silêncio estranho no quarto, a solidão súbita como uma pancada.

Acordo de noite no quarto que eu e Santiago dividimos no hotel, um dia antes de viajar para o Brasil, e me vejo fitando a porta. À espera. De algo. De alguém. De mim mesmo e uma atitude, talvez?

- O que foi? - Santiago me pergunta, afastando meu cabelo comprido dos ombros. - Teve um pesadelo?

Nunca mais sonhei, sabe? Desde que a minha mãe morreu, sinto vontade de falar pra ele, mas ele é supersticioso e pode considerar isso um sinal ruim.

Por isso, só afirmo, me encolhendo quando Santiago me abraça:

- É, um pesadelo...


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NOTAS FINAIS


1. Dia das mães


2. Música lançada nos anos 2000 pelo cantor Santana que se tornou grande sucesso nos países de língua espanhola.


3. No Brasil, o programa ficou conhecido como "Chaves".


4. Termo genérico para bebida de alto teor alcoólico.


5. Dia dos namorados


6. Dia das crianças


7. Doces comuns em festas mexicanas. Palanqueta é um doce feito com amaranto e mel que pode levar amêndoas ou amendoim, parece bastante com o nosso pé-de-moleque. Garapiñados é um doce que leva amendoim ou nozes com açúcar, não sei em outros estados, mas no RJ é bem comum venderem quase o mesmo produto como "amendoim doce" em barraquinhas nas ruas. Camote é como é chamada a batata-doce no México e muitas pessoas gostam de prepará-la como doce, polvilhando com açúcar depois de fritá-la, por exemplo.


8. Dia dos santos inocentes, data em que se homenageia o massacre das crianças mortas por Herodes quando este procurava por Jesus ainda bebê. Muitos consideram essas crianças assassinadas os primeiros mártires bíblicos e no México cada igreja faz sua própria comemoração. Na Espanha, América Espanhola e Filipinas, esse dia é o equivalente ao "Dia da Mentira" que temos aqui no Brasil, e as pessoas podem pregar peças nas outras sem serem julgadas por isso por serem "inocentes".


9. Dia de finados pra nós no Brasil, data festiva que é tratada com muito respeito e carinho pelos mexicanos. As pessoas costumam preparar comidas, enfeites, cruzes e altares para entes queridos. No dia 02/11 é comum que sejam homenageados adultos e pessoas casadas que faleceram.


10. A calaverita doce costuma ser símbolo da festa do dia dos mortos no México, sendo comum o preparo dela não apenas em açúcar, mas também em chocolate, amaranto, bala etc. A calaverita também pode ser "literária", na forma de epitáfios humorísticos ou em desenho.


11. Dia de todos os santos, precede o dia dos mortos no cortejo fúnebre para os mexicanos. Nesse dia é comum homenagear crianças e jovens falecidos antes de completar a maioridade.


12. Nossa Senhora de Guadalupe, uma santa muito importante no México.


13. Cidade de Juárez é uma das cidades mais violentas do México e desde 1993 assassinatos brutais contra mulheres foram cometidos, com direito à exposição dos corpos pelas ruas. A situação é tão alarmante que o termo “feminicídio” se tornou popular por conta de uma pesquisa de caso feita por uma antropóloga em 1998 que analisava as mortes e desaparecimentos de mulheres em Ciudad Juárez. Mais sobre esse caso pode ser lido aqui. Atualmente, o México ocupa a sexta posição na lista de países que mais matam mulheres. O Brasil está em quinto lugar.

Nov. 21, 2018, 2:04 a.m. 13 Report Embed 10
The End

Meet the author

Zen Jacob Zen, 22 anos, trabalho com T.I. e não sei falar de mim, I guess? Aficcionado por mangás de nicho, livros nacionais obscuros e bombom Caribe.

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Inkspired Brasil Inkspired Brasil
Olá! Primeiro de tudo, pedimos desculpa pela demora para postarmos o comentário e faremos o possível para que esse atraso não se repita. A ideia de ter o tempo passando em ordem decrescente foi muito boa! Deixa o leitor querendo saber mais e mais sobre o que e porque está acontecendo! É uma excelente técnica de narrativa e adoramos isso na história. A história de Pablo é de cortar o coração! Descobrir o abuso do padre é de embrulhar o estômago e saber que o menino o mata é chocante. E depois as agressões de Santiago…! Você conseguiu muito bem colocar em foco o México e ter datado os acontecimentos com feriados do país, foi muito espero, algo que enfatizou a cultura e contextualizou tão bem a história que nos surpreendeu. Sua escrita, como já bem notamos, está linda! Um texto limpo, claro, com muita qualidade. Parabéns pela história e agradecemos que tenha participado! Até logo!
Feb. 22, 2019, 10:25 a.m.
Yasu Wada Yasu Wada
Sou apaixonada por climas mórbidos, e o modo em que você transmitiu ele foi belo. Amei as descrições e o modo que você conduziu a história. Parabéns pela história!
Dec. 2, 2018, 9:17 a.m.
Kamy Souza Kamy Souza
Estou chocada. Quando Pablo pediu para dormir com o Padre no início, surgiu aquela pulguinha atrás da orelha, mas esse é o tipo de coisa que esperamos estar errados, então ainda assim foi uma surpresa pra mim. E sobre o fim da relação dele com Santiago. A coisa tava ruim por tanto tempo, e quando você acha que finalmente melhora, descobre que não, que o coitado continuou ferrado, realmente queria que não fosse o caso. Pablo merecia um final mais feliz, mesmo tendo se tornado um assassino. Ao ler a sinopse achei que ele era um serial killer rsrs e tava pronta para ler essa história então foi outro ponto que me surpreendeu. Gostei do modo como a narração foi feita, retrocedendo os anos, li outros dois contos do desafio que contou a vida ao contrário do seu modo, e dessa perspectiva também acrescentou pontos bem interessantes para a narrativa. Parabéns pelo conto!
Nov. 29, 2018, 10:48 a.m.
Solemn 606 Solemn 606
Que história boa. Eu tenho um apreço pelo mórbido e pela atmosfera pessimista na escrita, e você conseguiu trazer o sentimento a tona com tamanha facilidade que eu estou impressionada. Aliás, eu amei essa ideia que você teve, de contar a história de trás pra frente, fazendo seu personagem recordar e retomar os aspectos anteriores de sua vida que o levaram para a situação da primeira cena, e por fim, o desfecho. Eu gostei também como o sentimento que ficou é de que Pablo, apesar de tudo o que passou, não se sente confiante com o futuro. Muitas histórias que a gente pega por aí, o protagonista supera e vive para sempre, mas a realidade não é assim. É interessante como você ressaltou e deixou a entender que Pablo "tenta se convencer" de que tudo tá bem, quando na verdade ele está emocionalmente muito ferido para superar por completo. Enfim, great work! <3
Nov. 26, 2018, 12:08 p.m.

  • Zen Jacob Zen Jacob
    Hello there! :D Eu receio que eu também tenha um apreço (mais saudável do que seria recomendado) por atmosferas assim, é tão catártico que nossa... Sobre contar a história de trás pra frente: eu não sei outras pessoas, mas eu tenho uns problemas bem zoados de concentração, então se eu não torno a história surpreendente pra mim mesmo enquanto escrevo, não consigo prosseguir com ela. Escrever nesse formato prendeu a minha atenção e me deu forças pra continuar nela, já que eu fui escrevendo tudo embolado e depois arrumei os fatos na ordem que melhor convinha. :v (Acho que eu estraguei um pouco da "magia" falando assim, mas ok) Essa coisa da "superação" é quase um mito sobre situações traumáticas que Hollywood vende e a gente consome desesperadamente, né? :/ Como eu até respondi em outro comentário aqui: a maior parte das pessoas que passa por abusos não consegue deixar de lado esses eventos e ter uma vida "normal", infelizmente. Muitas pessoas desenvolvem depressão, ansiedade, transtorno alimentar... Algumas chegam a se tornar abusadores, já que o abuso tende a ser um ciclo vicioso. No caso do Pablo eu preferi focar num problema que poucas pessoas notam: a tendência de uma vítima de abuso acabar se envolvendo em relações que repetem o mesmo padrão do abuso que elas viveram anteriormente. É algo feio de se falar e não é nem de longe o tipo de final que as pessoas gostam, mas é a realidade para muitos sobreviventes... :/ Bom, cortando o papo bad: fico muito feliz que tenha gostado da história, foi um prazer te ter por aqui! =) Nov. 26, 2018, 5:36 p.m.
Zackary Uchiha Zackary Uchiha
Estou sem palavras para o enredo maravilhoso dessa história. Os detalhes e a forma como foi retratada. Meus parabéns, excelente trabalho ^^
Nov. 24, 2018, 10:16 a.m.

  • Zen Jacob Zen Jacob
    Obrigado pelas palavras, jovem! :D Fico muito feliz que tenha gostado da história! xoxo Nov. 26, 2018, 5:16 p.m.
Neeca Ashcar Neeca Ashcar
Olá, turu bem? Colocando as leiturinhas do desafio em dia! :) Então, gostei demais da conta que o país escolhido foi o México, e que parte dela fora narrada dentro de uma igreja, é honesto, textos honestos acabam comigo de um jeito, que estou no chão, ahora! Gosto muito quando as falas mantém o idioma local, esse é um aspecto que trás mais veracidade à narrativa em geral. Outro ponto a ser analisado, é manter algumas palavras sem a tradução abrasileirada que fazemos das coisas, como Día de todos los Santos, nas própria narrativa. Mano isso é mimo lindo, e vc merece todo o amor do mundo. 💚 Eu estou tão feliz de poder fazer um comentário sobre sua narrativa em específico, porque gosto e considero-a verdadeira e sútil desde a primeira que vez que li. E aqui foi a mesma coisa, é sútil mas não deixa de ser verdadeira e é sarcástica. Tudo ao mesmo tempo, Dios mio! Ponto do desenvolvimento dos personagens: no caso do Pablo, conseguimos notar cada nuance de sua alma, tipo, suas tristezas, a decepção com o mundo geral, tais coisas traumatizaram que ele acredita que mereça um embuste como o Santiago. Migo, pula fora que cê só vai ter maiores decepções. Papo de mana! O padre, bom prometi para mim não desejar o mal para os outros, mesmo personagens fictícios, nesse caso falhei na vida, da mesma forma que quero que o Santiago morra, por ser um cuzão... Fiquei feliz que o demônio em forma de propagador da palavra do Deus cristão, tenha um fim como teve, nada mais justo. Mas aí vem a porra da ironia batendo como merda no ventilador, mesmo com a morte desse ridículo, Pablo continuará sofrendo abusos físicos e mentais. E caímos num buraco profundo e real, chamado de choque de realidade: a vida é uma merda e não existe salvação. Bom, deixo meu abraço carinhoso, por nos presentear com uma história maravilhosa, cheia de pequenas sutileza sarcásticas e de amargura, mas tão bem escrita, com tantas metáforas, me deixou sem palavras. Gracias! Besos.💚😘
Nov. 23, 2018, 2:02 p.m.

  • Zen Jacob Zen Jacob
    Oláá! :D Fiquei tão feliz quando vi o seu comentário, me fez ficar rindo sozinho e ao mesmo tempo me deixou pensativo. Bom, respondendo por partes: O conto se passar numa igreja, pra mim, era essencial pra poder mostrar o quanto os mexicanos são religiosos. Basicamente todas as datas de feriados que eu apresentei na história são comemoradas na igreja no México, só pra ter noção. Admito que essa parte de colocar falas no idioma local eu tento evitar nas minhas histórias por motivos de: não tenho paciência. Mas quando eu vi o Paolo falando em italiano na sua "A Herança da Deusa" eu pensei que realmente poderia ser interessante fazer o uso do idioma dessa forma - então fico feliz que tenha gostado, porque foi você quem me inspirou nessa. kkkk Aaaaa, obrigado pela parte de todo amor do mundo!!! <3 <3 <3 Eu acabei deixando o nome original dos feriados porque acho que as palavras nesse caso fazem muita diferença, sabe? Se eu colocasse os nomes em pt-br, acho que a associação do leitor seria direto com o feriado que nós temos aqui no Brasil - o que não seria certo, já que no México eles comemoram as coisas de maneira diferente, por mais que SEJA o mesmo feriado. "Migo, pula fora" é o melhor conselho que alguém poderia dar pra ele, mas infelizmente só com motivações extremas pro Pablo cair fora desse relacionamento - mas isso já é outra história. :P Santiago é um cuzão. kkkkkkkkkkkk Melhor definição desse arrombado não há, em toda história que ele aparece ele só caga no p@u. E não se sinta mal por desejar a morte de um pedófilo, acho que pra conseguir não ter ódio de algo assim só sendo um indivíduo muito iluminado espiritualmente, porque eu cairia matando de porrada se pegasse... "A vida é uma merda e não existe salvação" Meu deus, calma, jovem! Não sejamos tão extremos! O Pablo estar num relacionamento abusivo é, infelizmente, o padrão para pessoas que sofreram o que ele sofreu - maaas, eu acredito que ainda haja esperança, sabe? Não só pra ele enquanto personagem, mas pra todas as pessoas que passaram por merdas na vida. Eu me foco muito em visões pessimistas no que escrevo, porém no fundo ainda acredito na premissa de que "se terminou mal é porque ainda não terminou" - sou um otimista encubado. :v Esse não é o fim do Pablo, ele ainda tem muito chão pela frente atrás do final feliz dele - tenho fé que vou conseguir concluir essa história um dia. :v Obrigado pelo carinho, filha querida, eu que agradeço demais pelo seu comentário super fofo!! <3 Nov. 26, 2018, 5:58 p.m.
Ayzu Saki Ayzu Saki
Eu vou fazer um comentário apropriado, só vou esperar passar um pouco o efeito e a tristeza que me consumiu.
Nov. 23, 2018, 1:02 p.m.

  • Zen Jacob Zen Jacob
    De verdade: me desculpe por isso. :/ Mas acho que é um bom sinal você ficar triste, mostra que é uma pessoa empática, o que vem faltando no mundo de hoje. Espero que fique melhor, e não se sinta na obrigação de comentar mais se isso fizer você se sentir mal de novo, tudo bem? <3 Saúde mental em primeiro lugar! xoxo Nov. 26, 2018, 5:12 p.m.
Yuui C. Nowill Yuui C. Nowill
Como eu disse: odeio você e suas metáforas sarcásticas que me fazem rir de cenas horríveis. Se eu vou pro inferno um dos motivos é você, além de mim mesma, claro (como posso diminuir minha culpa? Nunca né). Eu AMEI essa história. Eu acho que lembro do Santiago da Restos, mas não tô fazendo a associação correta. O que me deixou meio deslocada e talvez meio chateada foi que o foco narrativo na retrospectiva era como se ele tivesse "narrando" pra você no momento atual, porém revivendo através de uma lembrança. Eu esperava que o rebobino fosse feito como se cada data fosse contada no momento em que estava acontecendo. Porém isso não tira nem um pouco o glamour e o impacto desse conto. Inclusive, eu fiquei perplexa: EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ COLOCOU PEDOFILIA MESMO! Eu tô abismada. Eu sabia que o padre não era gente boa, porque essas figuras nos seus contos normalmente nunca são o que realmente são - eles são a versão real, a versão podre dessas imagens. E eu adoro isso. Eu fico encantada. Nossa, eu fiquei louca. Eu AMO seus contos de verdade. E o final... O Santiago cometendo violência doméstica com o Pablo... eu fiquei chocada. Eu queria algo feliz entre eles. Mas talvez seja pedir demais, quem sabe? E, nossa, a última nota final foi aterrorizante. Sério. Tão horrível quanto o conto em si. Enfim, eu acho que comentei tudo, talvez? E eu tive uma visão muito linda da mãe do Pablo. Quero algo assim pra mãe do Akechi também, porque pra mim ela é linda e não odiava ele (talvez seja só um headcanon impossível todavia).
Nov. 20, 2018, 8:34 p.m.

  • Zen Jacob Zen Jacob
    Se eu te jogo no inferno, com certeza você me traz ao paraíso com todo o amor das suas fics, bb! <3 É uma pena, porque eu também queria te levar ao paraíso, me sinto mal de parecer que só eu saio ganhando nessa - mas aí eu lembro que você também é masoquista e me sinto menos mal. :v O Santiago era o capanga do pai do Dani, que mata o coroa pra assumir o poder do cartel no RJ - novela mexicana? Só um pouco. :v Acho que entendi você ter ficado chateada? Da forma que é descrito no início, você considerou que ele realmente tivesse algum poder de voltar no tempo? Isso seria interessante, mas nesse universo só tem lobisomens mesmo (até agora), coisas mais extraordinárias só no universo de Ouroboros. Acho que eu tenho um probleminha com figuras de autoridade, né? :v Considerando que as minhas figuras de autoridade mais próximas sempre foram as primeiras a me foder na vida, não deve ser tão surpreendente assim... Mas deixa isso pra minha psicóloga. :v Infelizmente não é nesse momento que o Pablo é feliz. :/ Seria uma coisa muito conto de fadas, sabe? Encontrar um homem fisicamente atraente, parte da bandidagem, que acobertasse seu crime e ainda fosse carinhoso e amoroso contigo... Sei que o mundo pode até ter as suas "pérolas" no crime, mas que é difícil pacas encontrar um homem desses, é. (Não caiam nessa de que ele "só é mal com os outros e comigo é diferente", meus jovens - ele não é.) Eu não me sentiria muito certo escrevendo um final tão "fácil" assim pro Pablo, sabe? Até porque a tendência é pessoas que sofreram abusos (de qualquer tipo, não só sexual) acabarem em relacionamentos que mimetizem o(s) relacionamento(s) traumático(s) que elas tiveram anteriormente ou até acabarem virando abusadores. Na vida real é muito complicado encontrar alguém que tenha tido danos nesse nível e não tenha ficado com umas chagas fodidas... Maaaas, o que é do Pablo está guardado na continuação da história, ele e Dani vão ser as coisas mais lindas desse planeta juntos! <3 <3 <3 Obrigado pelo comentário e pelo apoio, hime, me desculpa por ser tão lerdo na hora de responder. :x Nov. 26, 2018, 5:11 p.m.
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