S01#17 - MISSING – PARTE I Follow story

lara-one Lara One

O Canceroso descobre o envolvimento amoroso entre Mulder e Scully e toma providências para afastá-los. Mulder está cansado e resolve tirar uns dias de férias com Scully, para ficarem juntos. Ele precisa repensar sua vida. Scully descobre uma grande verdade sobre Mulder, que nem ele próprio sabia. Uma verdade que poderá afetar toda a vida de Mulder, incluindo a dela. Scully torna-se mais forte. Ela sabe agora que eles têm mais em comum do que pensavam.


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S01#17 - MISSING – PARTE I


INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

Rua 46 Este - Nova Iorque - 8:01 A.M.

Close no monitor de vídeo. Vemos Mulder em seu apartamento. Ele está fechando uma mala, no quarto.

O Canceroso aproxima-se de Krycek, que está na frente do monitor.

KRYCEK: - Ele vai viajar.

Close do outro monitor de vídeo. Vemos o apartamento de Scully. Ela não está.

CANCEROSO: - (TRAGANDO O CIGARRO) Acho que ela também.

Krycek ajusta o monitor. Vemos o carro de Mulder por dentro. Scully e Mulder entram no carro. O Canceroso apaga o cigarro. Fisionomia de curiosidade.

CANCEROSO: - Pode aumentar o volume? Quero ouvir o que estão falando.

Mulder e Scully trocam um longo beijo.

KRYCEK: - (SORRINDO DEBOCHADO) É... Acho que não precisamos ouvir mais nada.

O Canceroso fica estático, olhando pra imagem. Acende outro cigarro, não disfarçando o nervosismo. O Caçador de Recompensas aproxima-se dele. Observa o monitor.

CANCEROSO: - Quero uma cópia disso.

O Canceroso senta-se, perplexo. Dá uma longa tragada e sopra a fumaça. Olha pra Krycek.

CANCEROSO: - O que eu temia aconteceu. (SOPRA A FUMAÇA) ... O caos está instalado...

VINHETA DE ABERTURA: A VERDADE ESTÁ LÁ FORA


BLOCO 1:

[Som: Pink Floyd – Is There Anybody Out There?]

Mulder dirige o carro, está triste, abatido, cansado. Scully, ao lado dele, está calada, olhando pra paisagem. Scully abre o porta luvas e começa a procurar CDs.

SCULLY: - Mulder, vamos ouvir Pink Floyd a viagem toda? Você não tem mais CDs por aqui?

MULDER: - Não gosta de Pink Floyd, Scully?

SCULLY: - Gosto. Mas é tão "relaxante"!

MULDER: - Pink Floyd não é relaxante, Scully. É dor, na mais profunda das acepções.

SCULLY: - Mulder, você não tá legal, não é?

MULDER: - ... (SORRI, CANSADO)...

SCULLY: - Não disse nenhuma piadinha nas últimas 48 horas... Ainda bem que o Skinner nos deu dez dias. Você precisa descansar.

MULDER: - Não está cansada?

SCULLY: - Não. Você é que não tem andado bem, desde... o Himalaia.

MULDER: - Scully, não é nada com você, tá certo? Quer dizer... Eu tenho pensado muito na minha vida, desde que começamos a ficar juntos...

SCULLY: - Mulder, prometemos um ao outro que não iríamos atrapalhar nossas vidas pessoais...

MULDER: - Eu sei. Você não está atrapalhando nada. Só abriu a minha mente pra coisas que eu não dava importância.

Mulder abaixa o som.

MULDER: - Vamos pros vinhedos, ninguém vai nos descobrir por lá, Scully. Quero, pelo menos durante dez dias, não ter que revirar a casa procurando câmeras e escutas antes de abraçar você. Quero ficar dez dias sem pensar, sem fazer nada. Quero conversar coisas com você, que precisamos conversar, mas não temos tempo.

SCULLY: - ...

MULDER: - Me promete que não vamos sair da cama. Eu só quero dormir e fazer amor. Só vamos levantar pra ir ao banheiro e atender o entregador de pizza.

Scully sorri.

MULDER: - Desligue seu celular, Scully. Sem Skinner, sem três patetas, sem mãe, sem gato, sem peixe, sem nada! Nosso único contato com a civilização vai ser pelo noticiário da TV.

SCULLY: - Mulder, estou começando a gostar disso.

MULDER: - Estou precisando disso. Preciso repensar minha vida.

SCULLY: - ... Mulder, tem certeza de que não precisa ficar sozinho? Esse tipo de coisa, geralmente...

MULDER: - Quero solidão, Scully. Mas povoada da pessoa que eu mais amo.

SCULLY: - Quando você larga essas palavras, eu fico sem jeito, sabia? São palavras que eu acho estranhas na sua boca, Mulder. Nunca imaginei você dizendo coisas assim.

MULDER: - (SÉRIO) Scully, vai ter dez dias pra ouvir coisas que nunca imaginou que eu diria.


Quonochontaug – Rhode Island - 12:31 P.M.

Mulder abre a porta dos fundos. Scully entra depois dele.

MULDER: - Você não vai ligar pra bagunça. Tem plásticos e panos por cima dos móveis.

SCULLY: - Mulder, eu poderia fazer uma boa faxina por aqui.

MULDER: - Não vamos fazer nada. Só vamos precisar do quarto, Scully.

SCULLY: - Mulder, não vamos comer pizza e comida chinesa por dez dias! Preciso da cozinha pelo menos!

MULDER: - ... É. Você tem razão... Vou pegar nossas coisas no carro e depois ir até o supermercado. Vamos?

SCULLY: - Não, vou ficar por aqui, pelo menos ajeitando a cozinha. Ao contrário de você, Mulder, eu não consigo me achar na bagunça!

MULDER: - Scully...

SCULLY: - Só a cozinha, Mulder. Prometo.

Mulder sai.


2:27 P.M.

Scully, num vestido branco, termina de tirar o pó da cozinha. Sai pela porta dos fundos. Observa o mar, ao longe. Respira profundamente. Volta pra dentro. Começa a caminhar pela casa. Todos os móveis cobertos com plásticos. Scully puxa o plástico do sofá. Senta-se. Observa um porta retrato por debaixo do plástico que cobre um balcão. Levanta-se. Pega o porta retrato e observa a foto de Samantha.


3:18 P.M.

Mulder entra pela porta dos fundos, com dois sacos de supermercado. Coloca-os sobre a mesa. Ouve a risada de Scully. Vai até a sala. Scully está sentada no sofá, olhando um álbum de fotos.

MULDER: - (INTRIGADO) Qual o motivo da graça?

SCULLY: - (RINDO) Você! Mulder, espero que não me chame de bisbilhoteira, mas achei isto aqui perdido no porão.

MULDER: - Scully, alguém já disse à você que é crime invadir a privacidade dos outros? O que tem aí?

SCULLY: - Fotos suas quando criança. Mulder, como você era bonitinho!

Mulder senta-se ao lado dela.

MULDER: - Odeio essas fotos, Scully... Eu era tão feio!

SCULLY: - Não, você era uma gracinha. Esta aqui é a minha preferida: Você chorando, com uma cara de pânico! (RINDO) A mesma cara, Mulder! ... Ah, olha esta aqui, também é tão bonitinha! Você na banheira... Olha essas bochechinhas rosadas!

MULDER: - Scully, isso não é justo! Vou pedir suas fotos pra Meg!

SCULLY: - Eu era feinha, Mulder... Mas você era tão bonitinho! Tão gordinho, rosadinho... Mulder, se eu pudesse ter filhos, gostaria que se parecessem com você. Imagino eles com a sua carinha.

MULDER: - (SORRI) Filhos? ... Está fazendo planos, Scully?

Scully fecha o álbum, perde a graça. Coloca-o sobre a mesa de centro.

SCULLY: - Você demorou.

MULDER: - Eu nunca sei o que comprar, sempre esqueço alguma coisa... Fico perdido em supermercados!... Trouxe uma caixa de gelado de arroz, queijo cremoso, torradas diet...

SCULLY: - Como sabe que gosto de torradas diet?

MULDER: - Sou um bom detetive, observo as coisas.

Scully espicha-se no sofá, colocando as pernas sobre as pernas dele.

SCULLY: - Mulder, estou adorando não fazer nada! Espero que essas férias sejam mais empolgantes que os cinco dias no Himalaia...

MULDER: - Acho que vou tomar um banho e ir pra cama.

SCULLY: - Mas Mulder, são três e meia da tarde!

MULDER: - E daí? Eu disse que ia ficar na cama.

SCULLY: - Tá certo. Vou arrumar o quarto.

MULDER: - Não, eu vou arrumar o quarto. Enquanto você fica aí deitada, rindo da minha infância.


5:36 P.M

[Som: Level 42 - Something About You]

Mulder e Scully estão deitados. Ela está com a cabeça em cima do peito dele. Ele envolve um braço nela e com o outro segura o controle remoto sobre a barriga. Dorme. Scully está olhando a TV. Tira o controle das mãos dele. Desliga a TV. Afasta-se lentamente. Levanta-se da cama e sai do quarto em silêncio.


7:03 P.M.

Mulder entra na cozinha, cabelos desgrenhados, cara de preguiça. Scully está servindo a mesa. Coloca um castiçal com uma vela.

MULDER: - Mentirosa, disse que não ia sair daquela cama!

SCULLY: - Mulder, eu não estava com sono! ... Descansou?

MULDER: - Um pouco. E o que fez a tarde toda? Limpeza? Sua traidora!

SCULLY: - Fiz um bolo, um mousse... Fiz o jantar. Gosta de macarrão, não é?

MULDER: - Adoro macarrão!

SCULLY: - Então abra o vinho e acenda a vela.

MULDER: - Uau, teremos um jantar romântico! Pelo menos me deixa passar um pente no cabelo ou o romantismo vai sair pela janela!

SCULLY: - (RINDO) Gosto de você assim, Mulder. Pegue os fósforos e faça essa gentileza pra sua garota.

Scully vira-se pro fogão. Mulder a abraça por trás. Começa a beijar o pescoço de Scully.

MULDER: - (SORRI) Minha garota? É minha garota mesmo?

SCULLY: - (RINDO) Pelo menos da minha parte eu acho que sou.

MULDER: - (SORRI) Só minha?

SCULLY: - (RINDO) Só... Todinha sua.

Scully vira-se. Mulder a beija.

SCULLY: - Mulder, o macarrão vai virar macarrão à Vaticano, se eu não servir agora.

MULDER: - E o que é isso?

SCULLY: - “Papa”.

MULDER: - (DEBOCHADO) Católica Scully! Está ironizando o “Santo Padre” ?

SCULLY: - Pensei em fazer macarrão com bacon, mas seria uma péssima brincadeira!

MULDER: - Scully, não acha que por ser judeu eu não gosto de bacon!

SCULLY: - (RINDO) Mulder, eu não acredito! Você não respeita suas tradições!

MULDER: - Isso é besteira, Scully! Não vou à sinagoga, não faço jejum, acredito em Jesus Cristo! Só não pude evitar a circuncisão, eu era pequeno demais pra me defender!

SCULLY: - (RINDO) Rebelde!

Mulder pega os fósforos. Acende a vela. Puxa a cadeira pra Scully.

MULDER: - Por favor, senhorita Scully...

Scully senta-se, rindo dele. Mulder pega o vinho e abre. Serve o copo dela até a borda. Serve o seu pela metade. Senta-se. Scully olha pra ele.

SCULLY: - Mulder, é impressão minha ou você quer me deixar bêbada?

MULDER: - (DEBOCHADO) Credo, Scully! Eu não faria isso, eu sou um bom menino.

SCULLY: - ... Eu não acredito que estamos aqui sozinhos, sem telefones, sem batidas na porta, sem interrupções...

Scully serve os pratos.

MULDER: - Acho que em três dias você vai embora.

SCULLY: - Por quê? Quer ficar sozinho?

MULDER: - Claro que não. Trouxe você porque precisava de uma empregada.

Scully atira um pedaço de pão nele.

SCULLY: - (RINDO) Cachorro!

MULDER: - (RINDO) Scully, nunca ficamos assim, tão sós, por mais de 48 horas. Não sabemos como vamos reagir com uma rotina de dez dias!

SCULLY: - Não vamos ter tempo pra rotinas, Mulder. Se não funcionar, terminamos.

MULDER: - Eu sou insuportável. Às vezes, preciso de espaço.

SCULLY: - Também preciso de espaço, Mulder... E se funcionar?

MULDER: - Vou buscar as alianças.

SCULLY: - (RINDO) Mentiroso!

Mulder fica sério. Olha pra ela. Scully fica tensa.

MULDER: - Scully, quer se casar comigo?

Scully se engasga. Bebe todo o vinho num só gole.

SCULLY: - (SÉRIA) Você tá brincando, não é? Mulder, não me faça criar esperanças, eu...

MULDER: - (SÉRIO) Quer se casar comigo?

SCULLY: - (NERVOSA) Mulder, e-eu acho que... Não podemos fazer isso, tem muita gente que não pode saber que estamos juntos e...

MULDER: - Quer casar comigo?

SCULLY: - ... (CERRA O CENHO/ ANGUSTIADA) Mulder, não faz assim...

Mulder fica quieto. Bebe um gole de vinho. Scully larga o garfo sobre o prato, mãos trêmulas. O silêncio perdura, até que ele o quebra.

MULDER: - Scully, eu... Me desculpe.

SCULLY: - Tá tudo bem, Mulder. É que a ideia de estarmos juntos ainda me assusta... Eu não sei se vai dar certo, eu... Eu sou insegura, Mulder.

Scully levanta-se. Pega seu prato.

MULDER: - O que vai fazer?

SCULLY: - Lavar a louça.

MULDER: - Sabe que existem máquinas pra isso?

SCULLY: - Mas elas não lavam tão bem quanto as minhas mãos.

Mulder levanta-se.

MULDER: - Eu vou te ensinar como se livrar da louça suja em um minuto.

Mulder puxa a toalha da mesa e deixa cair tudo no chão. Scully olha pra ele, espantada.

SCULLY: - Mulder, o que pensa que está fazendo...

Mulder a levanta e a coloca sentada sobre a mesa. Começa a beijá-la.

SCULLY: - Mulder, eu nunca sei o que se passa na sua cabeça!

MULDER: - Posso falar se quiser ouvir.

SCULLY: - Não! Não fala! (RINDO) Você não gostou do meu jantar!

MULDER: - Gostei. Quero agora a sobremesa.

SCULLY: - Mulder, seu pervertido!


9:04 P.M.

Os dois agentes estão na cama. Scully lê a Bíblia. Mulder deitado com a cabeça no ventre dela.

MULDER: - ... Que silêncio! O que está lendo aí?

SCULLY: - Os Cantares de Salomão.

MULDER: - Hum... Esse e o Apocalipse são meus livros preferidos da Bíblia. Em que parte está?

SCULLY: - “Apanhai-me as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor...”

Mulder começa a rir. Ergue-se e deita a cabeça no ombro dela.

MULDER: - Gosto dessa parte aqui... Onde está... Ah! “Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme.

SCULLY: - ... (FECHA A BÍBLIA) ”De noite busquei em minha cama aquele a quem ama a minha alma...”

MULDER: - (OLHA NOS OLHOS DELA) “Tu és toda formosa, amiga minha, e em ti não há mácula... Que belos são os teus amores, irmã minha! Oh, esposa minha! Quanto melhores são os teus amores do que o vinho! E o aroma dos teus bálsamos do que o de todas as especiarias...”

SCULLY: - (SORRINDO) “Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, que, se achardes o meu amado, lhe digais que estou enferma de amor”.

MULDER: - (SORRINDO) “Favos de mel emanam dos teus lábios, ó minha esposa! Mel e leite estão debaixo de tua língua, e o cheiro dos teus vestidos é como o cheiro do Líbano”...

SCULLY: - “... ele traz a bandeira entre os dez mil... As suas faces são como um canteiro de bálsamo, como colinas de ervas aromáticas; os seus lábios são como lírios que gotejam mirra”...

MULDER: - (SORRINDO) “Os teus seios são como dois filhos gêmeos da gazela, que se apascentam entre os lírios”...

Mulder olha pra Scully. Ela continua recitando de memória, olhos fechados.

SCULLY: - “As suas mãos são como anéis de ouro... o seu ventre como alvo marfim... suas pernas como colunas de mármore... O seu falar é muitíssimo suave... Sim, ele é totalmente desejável. Tal é o meu amado, e tal o meu amigo, ó filhas de Jerusalém”...

Mulder bate palmas. Scully sorri. Coloca a Bíblia sobre a cômoda.

SCULLY: - Sabe quais as palavras mais lindas deste livro, Mulder? “Não acordeis, nem desperteis o meu amor, até que queira.”


BLOCO 2:

11:13 P.M.

Os dois agentes na cama. Mulder pinta as unhas dos pés de Scully. Ela escorada no travesseiro, olha pra ele ternamente.

SCULLY: - Sabe fazer isso?

MULDER: - É meu primeiro dia nessa profissão...

SCULLY: - (RINDO) Mulder, não quero mais ir embora daqui!

MULDER: - Não vai. Eu também não quero.

Scully olha pra Mulder e começa a rir sozinha.

MULDER: - (CURIOSO) O que foi?

SCULLY: - Nada...

MULDER: - Ah, Scully, eu quero saber!

SCULLY: - ... Vamos fazer um jogo?

MULDER: - Que jogo?

SCULLY: - Verdade ou uma prenda.

MULDER: - (DESCONFIADO) Scully, acho que esse jogo é meio perigoso, principalmente vindo de você e desse olhar maquiavélico...

SCULLY: - Verdade ou uma prenda, Mulder?

MULDER: - Scully, sabe que eu vou me ferrar nisso. É claro que eu sempre quero a verdade!

SCULLY: - Mulder, quantas mulheres você já teve?

Mulder olha pra Scully. Dá um sorriso rápido que se transforma numa cara de pânico.

MULDER: - Posso optar pela prenda?

SCULLY: - Não! Já escolheu a verdade!

MULDER: - Scully, por que isso é importante? Vocês mulheres adoram fazer essas perguntas!

SCULLY: - Não disse que é importante. É um jogo!

MULDER: - Você é má, Scully!

SCULLY: - Responda a pergunta, Mulder. Ou vai ter que pagar uma prenda: Correr nu pela praia!

MULDER: - Puxa vida, Scully. Você é realmente maquiavélica!

SCULLY: - ... Então?

Mulder começa a rir. Scully olha pra ele curiosa, esperando uma resposta.

MULDER: - ... (RINDO) ... Scully, por favor... Faz outra pergunta?

SCULLY: - Não vale. Fala a verdade, Mulder. Vinte? Trinta? Cinqüenta? Vamos, Mulder, seu tarado. Confesse!

MULDER: - (EMBARAÇADO) ...

SCULLY: - Tem um minuto para responder, ou vou pegar minha arma e fazer você correr nu até a praia!

MULDER: - ... Cinco.

SCULLY: - (RINDO) Mulder! Não mente pra mim, seu bobo!

MULDER: - (SÉRIO) ...

SCULLY: - (SÉRIA) Cinco?

MULDER: - (CORTANTE) Tá, agora é minha vez de perguntar.

SCULLY: - (INCRÉDULA) Cinco?

MULDER: - (CONSTRANGIDO) ...

SCULLY: - (IRÔNICA) Cinco contando comigo?

MULDER: - (CONSTRANGIDO) Cala a boca, Scully! Verdade ou uma prenda?

SCULLY: - Prenda.

MULDER: - (INDIGNADO) Isso não vale, Scully!

SCULLY: - Tá bom, verdade. Eu não tenho o que esconder mesmo.

MULDER: - (VINGATIVO) Quantos homens você já teve?

Scully pára e faz fisionomia de quem está pensando. Mulder arregala os olhos.

MULDER: - (INDIGNADO) Não quero mais jogar!

SCULLY: - Uns 10 ou 12...

MULDER: - (ENCIUMADO) Dez ou doze? Algo simples como entre 6 e 31? Scully, você...

SCULLY: - Verdade ou prenda?

MULDER: - (BRAVO) Prenda.

SCULLY: - Saiba que vai ter de dançar o hula-hula pra mim, Mulder. De toalha de banho!

MULDER: - Verdade, então! Scully, você está trapaceando!

SCULLY: - Mulder, vou ser menos indiscreta dessa vez, tá?

MULDER: - Assim espero.

Mulder fecha o esmalte. Coloca-o sobre a cama. Olha pra Scully, assustado.

SCULLY: - Hum... (RINDO) Mulder, quando foi a sua primeira vez?

MULDER: - (IRRITADO) Scully, isso não tem graça!

SCULLY: - Mulder, você aceitou as regras!

MULDER: - Eu não vou responder nada! Isso é muito pessoal!

SCULLY: - (DEBOCHADA) Hula-hula? Hum?

MULDER: - Pode ser.

SCULLY: - Ah, Mulder... Foi tão ruim assim?

MULDER: - Não foi ruim. Foi estranho. Mas eu não quero falar sobre isso!

SCULLY: - Quatorze. Aposto que você tinha quatorze anos!

MULDER: - Scully...

SCULLY: - Dezesseis!

MULDER: - Scully, por favor...

SCULLY: - Tá, dezessete!

MULDER: - Não, Scully, eu não quero...

SCULLY: - (INCRÉDULA) Dezenove?

MULDER: - ... Scully...

SCULLY: - (INCRÉDULA) Mulder, vinte e... ?

Mulder sai da cama furioso.

MULDER: - Tá, engraçadinha, e você, tinha doze?

SCULLY: - Não. Tinha dezesseis.

MULDER: - (ENCIUMADO) E foi com quem?

SCULLY: - Não posso responder. É minha vez de perguntar...

MULDER: - Não mesmo! Foi você quem começou com essas perguntas íntimas e nada discretas!

SCULLY: - Tá, foi com um vizinho.

MULDER: - O tal Robin?

SCULLY: - ... É. Mas foi frustrante... E você, com quem foi?

MULDER: - ... Phoebe Green.

SCULLY: - (RINDO) Na faculdade? Mulder, eu não acredito que...

MULDER: - (IRRITADO) Cala a boca, Scully! Eu disse que era tímido!

SCULLY: - (CONTENDO O RISO) Desculpe. Mulder, eu não estou rindo de você.

MULDER: - (IRRITADO) Ah, não. Estou percebendo isso!

SCULLY: - Estou rindo da situação. Eu já esperava isso.

MULDER: - Então por que perguntou?

SCULLY: - Hum, tá bravinho?

MULDER: - ... Ah, Scully, eu tô constrangido.

SCULLY: - Tá, é sua vez de perguntar. Escolho a verdade.

Mulder olha pra ela. Fisionomia de vingança.

MULDER: - Qual é a sua idade?

SCULLY: - (IRRITADA) Mulder, isso não é coisa que se pergunte!

MULDER: - Se não responder, vai pagar uma prenda! Vai ter que correr vestida como um alienígena pelas ruas de Washington gritando: Eu acredito, eu acredito!

SCULLY: - (FURIOSA) Mulder, isso não tem graça!

MULDER: - Responda.

SCULLY: - Eu pago a prenda!

MULDER: - Tá certo. Vamos pra Washington.

SCULLY: - Mulder você é um cretino!

MULDER: - Tá certo, Scully. Não precisa responder. Eu tenho sua ficha, se esqueceu disso?

SCULLY: - ... (EMBURRADA) ...

MULDER: - Mas o susto foi bom, não foi?

SCULLY: - (IRRITADA) Agora é minha vez.

MULDER: - Acabou o jogo.

SCULLY: - Não acabou não!

MULDER: - Quer jogar outra coisa?

SCULLY: - Não! (VINGATIVA)... Pensando bem, quero. Que tal praticarmos o Tantra?

MULDER: - Você quer me deixar maluco, não é mesmo?


12:46 A.M.

[Som: Level 42 - Something About You]

Os dois estão sentados na cama, recostados nos travesseiros, olhando um livro.

MULDER: - 23... É, até pode... é estranho, mas...

SCULLY: - 24... Mulder, isso é impossível!

MULDER: - (PÂNICO) Concordo...

SCULLY: - 25...

MULDER: - Não, Scully deve dar dor nas costas.

SCULLY: - 26... Mulder, isso é irreal!

MULDER: - Ninguém consegue fazer isso! É contorcionismo!

SCULLY: - 27... Interessante. Não acha?

MULDER: - Scully, fecha logo esse Kama Sutra e vamos dormir. Você está me deixando “nervoso”!


1:34 A.M.

Mulder está deitado de bruços. Scully, sentada sobre ele, faz massagem em suas costas.

SCULLY: - ... Então ele levou todos os meus álbuns. Só restou o The Wall, que estava com o Charles... Mulder, você tem cara de quem é fã de Pink Floyd. Você se encaixa nesse tipo revoltado, que pensa muito sobre a sociedade, que a critica...

MULDER: - Eu gosto de Roger Waters. Ele é o cara, Scully! As coisas que diz, da maneira que diz... Cada letra é um soco direto na cara.

SCULLY: - Aposto que já deve ter assistido The Wall várias vezes...

MULDER: - Não empresto aquela fita pra ninguém. Se lembra do cara, sentado no sofá, catatônico, depilando todos os pelos do corpo como revolta? Podre, Scully! É como nos sentimos quando estamos na pele daquele cara. Quando buscamos as respostas pras coisas que não entendemos sobre a existência humana.

SCULLY: - Desse álbum, qual sua canção predileta?

MULDER: - Ah, Scully é difícil... Mother é uma delas.

SCULLY: - Gosto de Bring the Boys Back Home... The Wall, as três partes...

MULDER: - Puxa vida, Scully, eu me identificava com as coisas que o Waters falava. Me identifico até hoje! (EMPOLGADO) Jamais poderia imaginar que você gostasse de Pink Floyd!

SCULLY: - Somos apenas um tijolo no muro, Mulder. Ele tinha razão. Um exército de martelos...

MULDER: - E quando ele se vestia de ditador...

SCULLY: - Gosto da cena das crianças, Mulder. Todas uniformizadas caindo dentro de uma máquina de moer carne e saindo transformadas em uma pasta despersonalizada, comum...

MULDER: - Confortably Numb, é minha preferida...

SCULLY: - Não me lembro dessa. Como é?

MULDER: - Começa com o som de uma ambulância. Depois um médico fazendo perguntas pra uma pessoa que está em choque. Ela está mal, morrendo: Olá, há alguém aí dentro? Mexa a cabeça se puder me ouvir. Há alguém em casa? Vamos lá, ouvi dizer que está deprimido. Eu posso apaziguar sua dor e colocá-lo em pé de novo. Relaxe, preciso de informações primeiro, só os fatos básicos. Mostre-me onde dói.

SCULLY: - ... Hum, lembrei... (OLHOS FECHADOS) Continua...

MULDER: - Então vem a parte que me identifico profundamente, Scully: Não há dor, você está retrocedendo à fumaça distante de um navio no horizonte. Você só está chegando em ondas, seus lábios se mexem mas eu não ouço o que diz. Quando eu era criança eu vi de relance, de canto de olho, virei para olhar mas não estava mais lá, não consigo apontar com precisão agora. A criança cresceu, o sonho se foi. E eu me tornei confortavelmente anestesiado.


1:51 A.M.

Mulder massageia os pés de Scully. Ela come sementes de girassol.

SCULLY: - Sabe que isso é gostoso?

MULDER: - O seu gelado de arroz também é. Você sabia que a semente do girassol é o único alimento que contém vitamina E? A vitamina que você só encontra nos raios solares?

SCULLY: - ... Por isso você não toma sol? (SORRI) Hum, Mulder, isso é reconfortante... relaxante... Você tem mãos jeitosas pra fazer isso... Tá, continua me contando sobre aquele dia em que mentiu na Academia pra ir ver o show do Roger Waters...


2:22 A.M.

[Som: Air Supply - I can wait forever]

Os dois agentes caminham pela beira do mar. A lua está cheia. Scully toca na mão de Mulder, mas ele não pega na mão dela. Scully resolve pegar na mão dele.

SCULLY: - Do que tem medo? De mim?

MULDER: - Tenho medo do que sinto por você. Nunca imaginei que pudéssemos fazer tantas coisas juntos, conversar sobre coisas pessoais, nem que tivéssemos gostos iguais... Eu tenho medo de perder você.

SCULLY: - Acha que eu o trocaria por outro?

MULDER: - Não é isso, Scully. Confio em você, no seu amor... Eu... Eu tenho medo é daquele desgraçado do Canceroso!

SCULLY: - (DEBOCHADA) Ele não faz o meu tipo.

MULDER: - (INDIGNADO) Que humor negro, Scully! Até me assustei com essa!

Scully abaixa-se. Pega uma conchinha na areia. Entrega pra Mulder.

SCULLY: - Um presente pra você. Quem sabe se atirá-la contra o mundo, pode quebrar o seu próprio muro?

Os dois ficam de frente um para o outro. Mulder segura o rosto dela e a beija suavemente.


5:17 A.M.

Scully está dormindo, de costas pra Mulder, numa camisola preta. Mulder desliga a TV. Fica olhando pro teto. Pensamento ao longe. Imagens de sua vida percorrem sua mente. Lembra-se de quando era criança, de Samantha, da sua vida no FBI. Lembra-se da primeira vez que Scully entrou em sua sala. Sorri. Revive em pensamentos muitas das coisas que passaram juntos. Lembra-se de quando perdeu a razão naquela cabana e a agarrou. Ri de si mesmo. Scully abre os olhos. Sem se virar pra ele, pergunta.

SCULLY: - Do que está rindo?

MULDER: - De mim mesmo. Você tem razão, eu sou uma criança crescida!

SCULLY: - (RINDO) Por quê?

MULDER: - Estava me lembrando daquela situação embaraçosa, naquela cabana no Himalaia...

SCULLY: - ... (RI)

MULDER: - Scully, se eu não tivesse admitido, você admitiria?

SCULLY: - Não, Mulder. Eu achava que você jamais olharia pra mim. Você escondeu muito bem seus sentimentos.

Mulder vira-se. A abraça por trás. Começa a beijá-la na nuca, no pescoço.

MULDER: - Estávamos assim daquela vez... E se eu não caísse em mim e continuasse a fazer isso? O que você faria?

SCULLY: - Mesmo assustada? ... Eu teria deixado.

MULDER: - Por que eu não continuei ?!? Como sou burro!!!

SCULLY: - (RINDO) ... E se tivesse continuado, Mulder? O que teria acontecido?

MULDER: - Teria sido uma loucura...

SCULLY: - (RINDO) Sabe que preciso de provas consistentes para acreditar nisso, Mulder.

Mulder continua a beijá-la. Scully fecha os olhos. Mulder beija os ombros dela. Scully sorri. Mulder a segura pela cintura. Põe a perna sobre ela, afastando com sua mão a perna dela.

MULDER: - Já sabe o que teria acontecido, Scully. Teria sido selvagem!


1:21 P.M.

Scully acorda. Levanta o lençol. Vê Mulder dormindo, com a cabeça encostada em sua barriga, abraçado na cintura dela, todo encolhido.

SCULLY: - Mulder?

MULDER: - Zzzzzz... Hum?

SCULLY: - Hora da raposa sair da toca, Mulder!

MULDER: - ... Que horas são?

SCULLY: - Quase uma e meia...

Mulder se arrasta. Deita a cabeça no travesseiro, meio dormindo.

MULDER: - ... Scully, eu disse que não ia sair da cama!

SCULLY: - Eu não disse para se levantar, eu disse para acordar!

MULDER: - ... Acordar pra quê?

Scully olha pra ele, rindo. Mulder continua de olhos fechados, dormiu de novo.

SCULLY: - Adoro abusar de você quando está dormindo, Mulder.

MULDER: - Zzzz

SCULLY: - Mulder?

MULDER: - ... Não.... Zzzz... Eu não vou trabalhar hoje...

Scully afaga o peito dele. Começa a beijá-lo.

SCULLY: - (RINDO) Que injustiça, Dana, acordar o pobrezinho!

MULDER: - ... Scully, me deixa dormir, por favor!

SCULLY: - Dorme, Mulder. Pode dormir, tranqüilo. Não vou perturbar seu sono.

Scully vai pra baixo dos lençóis. Mulder abre os olhos, assustado.

MULDER: - Scully? .... (GRITA) Scully!!!


BLOCO 3:

1:44 P.M.

Scully entra no quarto com uma bandeja. Mulder está sentado na cama, recostado num travesseiro, coberto pelo lençol.

SCULLY: - Desculpe, Mulder. Isso é por não deixar você dormir.

Scully larga a bandeja sobre as pernas dele. Vai pra cama e se cobre com o lençol.

MULDER: - ... Ainda tô cansado.

SCULLY: - Você está é com preguiça!

MULDER: - Não, eu tô estressado mesmo...

Mulder pega o copo de suco e bebe um gole.

SCULLY: - Tadinho! E eu não deixo ele descansar... Tá, Mulder, eu vou caminhar um pouco e deixar você dormir.

MULDER: - Não, eu quero que fique aqui comigo. Não quero ficar sozinho.

SCULLY: - Eu vou me comportar... Prometo. Eu sou uma boa menina.

Mulder olha pra ela.

MULDER: - Tem iogurte no seu rosto.

Scully passa a mão no rosto. Olha pra seus dedos.

SCULLY: - (RINDO) Não é iogurte, Mulder.

Mulder abaixa a cabeça constrangido.

SCULLY: - Mulder, que tal um banho bem relaxante?

MULDER: - (RINDO) Pra quem? Pra você? Acha que eu vou relaxar naquela banheira?

Mulder coloca a bandeja sobre a cômoda.

SCULLY: - (TRISTE) Tá certo. Esqueça o banho...

Mulder levanta-se, puxando o lençol, enrolando-se nele.

MULDER: - Eu preparo o banho. Vá buscar um champanhe.

SCULLY: - Mas Mulder, é cedo pra beber!

MULDER: - Que cedo nada! Quem disse que não se pode beber o dia inteiro? Quem disse que não se pode ficar na cama o dia todo? Quem inventou esses horários?

SCULLY: - ... Minha nossa, Mulder! Que rebeldia!

MULDER: - Nada de regras por aqui, Scully. É o acordo.

SCULLY: - Vale tudo?

MULDER: - Tudo.

Scully levanta-se. Abre a bolsa. Tira um maço de cigarros. Mulder olha boquiaberto pra ela.

SCULLY: - Pode?

MULDER: - É claro que pode. Eu não sabia que você fumava!

SCULLY: - Só quando estou com vontade. Raras vezes. E eu também não sabia que você gostava de beber!

MULDER: - Se eu soubesse, teria trazido alguma coisa “mais relaxante” pra gente fumar.

SCULLY: - (RINDO) Mulder!

MULDER: - Pensa que sou um alienígena, não é, Scully? Mas eu também fiz algumas coisas normais na minha adolescência!


2:23 P.M.

Os dois agentes estão na banheira. Scully entre as pernas de Mulder. Mulder esfrega os cabelos de Scully, suavemente, com xampu. Scully fuma um cigarro.

SCULLY: - Eu não acredito! Você não faria isso!

MULDER: - Fiz. Nunca aconteceu com você uma coisa dessas?

SCULLY: - Claro. Cansei de chegar em casa, trocando as pernas de tanto beber. Mas eu nunca fiz xixi na pia da cozinha por engano! Sua mãe deve ter ficado louca!

MULDER: - Meu pai é que ficou rindo o dia todo. Mas ele fazia pior! Uma vez ficou trancado fora de casa porque não conseguia colocar a chave na fechadura. Dormiu na porta. De manhã, foi aquela bronca. Ah, mas deixa eu te contar que uma noite, a dona Teena me deixou fora de casa. Tinha me proibido de sair e eu fugi pela janela e ainda levei o carro do velho Bill.

SCULLY: - E o que aconteceu?

MULDER: - Aconteceu que quando voltei, ela não queria abrir a porta, me deixou dormindo na rua. Eu me deitei no chão da varanda e não demorou muito, uns caras estavam passando e pararam. Começaram a arrombar o carro do velho. Eu comecei a bater na porta e dizer que estavam levando o carro. Ela achou que era desculpa pra eu entrar em casa.

SCULLY: - (RINDO) Eu não acredito! O que ela fez?

MULDER: - Ela não abriu a porta. E eu deixei roubarem o carro. Azar o deles! Eu ia fazer o quê?

Scully vai pro outro lado da banheira. Entrega o cigarro pra Mulder. Mulder vai até ela. Fica de costas, entre as pernas dela. Scully começa a lavar os cabelos dele.

SCULLY: - Diferente de você, quem mandava lá em casa era o meu pai. Eu só conseguia sair porque a Melissa era mais velha e me levava junto. O Bill e o Charles sempre ficavam enchendo a cabeça do papai pra não deixar a gente sair. Era um saco!

MULDER: - (DÁ UMA TRAGADA) E onde você ia?

SCULLY: - Geralmente pra alguma “discoteca”!

MULDER: - Yhaaaaa! Ah, anos setenta! Bee Gees, embalos de sábado à noite... Sexo livre! E eu não aproveitei!

Scully dá tapas nos ombros dele.

SCULLY: - Azar o seu! ... Mulder, eu peguei os anos 80 também!

MULDER: - Por que se importa com a idade, Scully? Idade não é nada! Eu ainda me sinto com 20 anos!

SCULLY: - Tenho medo de morrer, Mulder. Tenho medo de envelhecer, de ficar uma cópia dos meus pais...

Mulder vira-se de frente pra ela. Apaga o cigarro. Olha nos olhos de Scully.

MULDER: - Você é daquelas pessoas que nunca vão envelhecer, Scully. Você vive a vida, não tem tempo pra perder.

SCULLY: - E isso é bom?

MULDER: - Eu estou aprendendo isso com você. Não notou que estou mais liberto da minha causa? Estou conseguindo me desprender de coisas que eu achava serem tão importantes e que não eram. Tudo pode esperar, menos a vida.

SCULLY: - Desde que estamos juntos, Mulder, eu também comecei a mudar alguns hábitos... Estou mais solta, mais leve, sei lá. Até tenho medo dessas mudanças! Às vezes penso que você deve me achar uma tarada! Mas eu não sou assim... Eu fico assim com você. Não sei o que é, Mulder, mas desde que nos conhecemos, até quando você tocava em mim, eu já sentia um arrepio pelo corpo todo. É muito estranho as coisas que estou sentindo.

MULDER: - O que diz de mim? Eu fico parado, pensando... Tem vezes que fico assustado com tudo isso. Puxa, ela era apenas uma intrusa, que virou colega, que virou parceira, que virou amiga e agora invade a minha vida, sem pedir licença... Foi chegando, chegando... Pegou as chaves do meu apartamento, me fez comprar uma cama, dorme com as minhas cuecas, me fez sentir que eu sou alguém...

Mulder escora-se na banheira. Pega o pé de Scully. Começa a massageá-lo.

SCULLY: - Foi estranho, Mulder. Acho que por isso, vai dar certo.

MULDER: - E se não der? Restarão mágoas?

SCULLY: - Acho que não. Apenas boas lembranças... Ah, Mulder, não me fale sobre isso! Eu não posso pensar em perder você algum dia. Eu iria enlouquecer!

Mulder beija o tornozelo dela. Scully recosta a cabeça na borda da banheira.

SCULLY: - Hum... Eu te amo! Eu não consigo entender porquê, mas eu te amo! O que fui ver em você, Mulder?

MULDER: - Eu é que me pergunto! Você tem pouco ou nada a ver comigo. Nem gosta de discos voadores!

SCULLY: - Você também não gosta do que eu gosto. Menos Pink Floyd.

Mulder vai de encontro ao corpo dela. Scully abraça-se nele.

SCULLY: - Mentira, Mulder. Temos algo em comum.

MULDER: - E o que é?

SCULLY: - Somos sozinhos. Nunca tivemos a pessoa certa ao nosso lado. Quero vingança do que fizeram comigo. Você também quer.

Mulder olha nos olhos dela. Eles aproximam os lábios.

MULDER: - Se algum dia, por algum motivo, você for embora... Saiba que deixou alguém completamente arrasado na vida. Eu amo você tanto, que se te perdesse, não restaria mais nada pra fazer na vida, Scully. Porque agora, você é tudo o que eu tenho. Eu arriscaria minha vida por você. Venderia minha alma.

Eles trocam um longo e ardente beijo.


11:24 P.M.

Os dois agentes fazem amor na cama, como dois desesperados, buscando consolo um no corpo do outro.


4:56 A.M.

Os dois agentes estão deitados na cama. Scully lê um livro. Mulder assiste um jogo de basquete na TV. De repente levanta-se. Sai do quarto.

Scully tira os óculos e larga o livro sobre a cômoda, em cima do álbum de fotos de Mulder. Olha pra porta. Reluta por segundos, mas vai atrás dele.

Scully vê aberta a porta do quarto que era de Mulder e de Samantha. Mulder está sentado na cama da irmã, chorando. Scully aproxima-se, calada, com passos indecisos. Senta-se ao lado dele, o abraça. Mulder abraça-se nela e chora como uma criança. Scully fica em silêncio, afagando os cabelos de Mulder.


8:11 A.M.

Mulder dormiu nos braços de Scully. Ela pega o travesseiro de Samantha e ajeita Mulder na cama, com dificuldades. Cobre-o com um cobertor e beija-lhe a testa. Deixa o abajur aceso e sai do quarto. Caminha em direção às escadas.

Barulho na porta da sala.

Scully recua até o quarto e pega a arma. Esconde-se, observando a sala lá embaixo.

Teena entra. O Canceroso entra atrás dela. Scully fica nervosa. Os dois estão discutindo.

TEENA: - Eu não sei, não levei comigo!

CANCEROSO: - Preciso daquilo.

TEENA: - O que quer com aquilo? Gerar mais desgraças?

CANCEROSO: - O Mulder está com aquela vadia.

TEENA: - Quem?

CANCEROSO: - Você não sabia? Ele e a parceira estão íntimos demais.

TEENA: - Ele não está atrapalhando ninguém! Deixe o Fox viver a vida dele, você não tem nada a ver com isso!

CANCEROSO: - Você não percebe a gravidade do problema? Eles trabalham juntos! Agora dividem a mesma cama! E quando dividirem as mesmas idéias? Eles podem me expor!

TEENA: - Eu não acredito em uma palavra do que está dizendo! Não destrua o pouco de ilusão que Fox tem! Tenha piedade ao menos uma vez, em sua miserável vida! Porque escolheu outros caminhos e não pôde ser feliz, não ameace a felicidade dele!

CANCEROSO: - Quero que fale com ele. Convença-o a deixá-la. Ou terei de tomar medidas drásticas.

TEENA: - Não encoste um dedo nele! Você não tem esse direito!

Scully caminha esquivamente até o quarto de Samantha. Olha pra dentro. Mulder ainda está dormindo. Ela volta, lentamente com a arma em punho, e esconde-se, observando os dois do alto da escada.

TEENA: - Já perdi a Samantha! Quer que eu perca o Fox?

CANCEROSO: - Sabe que eu não faria nada para magoar você. Se houve alguém importante pra mim nesse mundo, foi você.

TEENA: - (RI) Como se você se importasse comigo! Você nunca se importou comigo, nem com os meus filhos!

CANCEROSO: - Teena, ao menos eu queria saber por que guarda tanta mágoa de mim...

Os olhos de Teena enchem-se de lágrimas.

TEENA: - Como você é hipócrita! Sabe que nunca vou perdoá-lo pelas coisas que fez! Pela dor que sinto até hoje!

CANCEROSO: - A Cassandra foi um motivo?

TEENA: - ...

CANCEROSO: - Não entende? Eu nunca a amei. Eu precisava dar algo em troca, o que queria que eu fizesse? Que o Sindicato descobrisse sobre nós? Que eu entregasse você para as experiências? Que o Bill soubesse da verdade e usasse isso contra mim? Ele já não queria colaborar com os planos, a verdade só alimentaria sua raiva!

TEENA: - Você teve um filho com ela!

CANCEROSO: - E daí? O Jeffrey fazia parte do acordo!

TEENA: - Assim como a Samantha?

CANCEROSO: - ...

TEENA: - Nunca vou perdoá-lo por isso! Você entregou a minha filha!

CANCEROSO: - Eu tinha meus motivos.

TEENA: - Eu sei bem quais eram seus motivos! Você enganou o Bill! Deixou que levassem a Samantha!

CANCEROSO: - Eu não o enganei! Ele concordou que fosse ela e não o Mulder. Ele sabia que se deixasse Mulder, pelo menos teria a continuação de seu sobrenome!

TEENA: - Então essa foi a desculpa que usou para convencer meu marido? Você o traiu! Você mentiu pra ele!

CANCEROSO: - Pensa que eu não gostaria de ter dito à ele que te amava? De ter contado a verdade? Acha que não desejaria estar aqui hoje, sentado na varanda, do teu lado, vendo nossos netos crescerem? Eu não quis isso pra mim! Eu ansiava por uma segunda chance! Por uma vida normal...

TEENA: - ... Sorte minha ter ficado com o Bill. Apesar da culpa que carrego de ter mentido a vida toda, eu não me arrependo de ter me casado com ele. Ele era um homem de coragem.

CANCEROSO: - Acha que sou um covarde? Acha que qualquer um poderia estar no meu lugar?

TEENA: - ... Só me arrependo daquele dia! Daquele maldito dia! Eu era uma garota burra e estúpida! ... Vá embora, por favor. E deixe meu filho em paz! Eu já tenho arrependimentos o suficiente em minha vida! Mágoas demais! Afaste-se do Fox. Você matou o Jeffrey, entregou sua própria esposa. Acha que devo ficar calma quando ameaça o meu filho?

CANCEROSO: - Como se você se importasse com ele!

TEENA: - Ele é meu filho! E não tem culpa de ter nascido! Não tem culpa se fui vulnerável! Fox é o maior erro da minha vida, o maior desgosto que eu tive! Mas mesmo assim rezo todos os dias pra que ele não seja igual a você!

Scully arregala os olhos. O corpo começa a tremer. Ela não acredita no que escuta.

TEENA: - (CHORANDO) Eu... Eu olho pra ele e sinto culpa! Culpa! Você sabe o que é culpa? Tento esquecer que ele existe, porque quero esquecer que você existe! Então não diga que eu não me importo com ele! Eu me importo! Mas tenho nojo dele, porque ele é seu maldito filho!

CANCEROSO: - ...

TEENA: - Você trocou os nomes, não foi? Claro, jamais daria seu filho! Mas se esqueceu de que ela era minha filha? Chama isso de se importar comigo?

CANCEROSO: - ... O Bill concordou comigo.

TEENA: - Porque ele não sabia! Ele achava que o filho era dele! Quando descobriu a verdade, ele foi embora, chorar pela filha dele!

CANCEROSO: - ... Você não sabe de toda a verdade. Nem Bill sabia.

TEENA: - ... Talvez aquilo esteja no porão. Eu escondi no álbum de fotos do Fox.

CANCEROSO: - Irônico, não? O que pretendia? Que ele descobrisse algum dia?

TEENA: - Seria o último lugar em que ele olharia!

O Canceroso olha pras escadas. Vê a luz que vem do quarto de Samantha. Sobe as escadas. Teena vai atrás dele. Scully entra no closet e deixa a porta entreaberta. Pela fresta vê o Canceroso parado na porta do quarto, observando Mulder. Scully mira a arma na cabeça dele. Teena aproxima-se do Canceroso.

TEENA: - Deixe-o dormir! Deve ter vindo aqui pra fugir das coisas que você causou a ele!

O Canceroso olha pra Mulder. Scully engatilha sua arma. Tenta não tremer as mãos. Teena mete-se na frente do Canceroso, ficando sem querer na mira de Scully.

TEENA: - Não ouse machucá-lo! Porque eu sei que faria!

CANCEROSO: - Eu preciso dele vivo.

Teena fecha a porta.

CANCEROSO: - Vamos procurar o álbum. Espero que colabore comigo, porque se não colaborar, sabe o que eu posso fazer.

TEENA: - Quando achar o álbum eu entrego à você. Agora vá embora! Se o Fox acordar e ver você aqui, vamos ter um problema!

Os dois descem as escadas. Scully abaixa a arma. Respira fundo. Corre para o quarto e pega o álbum. Volta pro corredor e espia lá pra baixo.

Teena fecha a porta. Escora-se nela. O Canceroso se foi. Teena sobe as escadas. Scully entra no closet novamente. Teena entra no quarto. Vê a TV ligada, a cama desarrumada e as roupas de Scully. Fecha os olhos, nervosa. Sai e entra no quarto de Samantha. Acorda Mulder.

TEENA: - Fox?

MULDER: - ... (ASSUSTADO) Mãe? O que faz aqui?

TEENA: - Onde está sua amiga, Fox?

MULDER: - Quem? Estou sozinho...

Scully sai do closet. Caminha até a porta do quarto. Teena está de costas. Mas Mulder vê Scully.

TEENA: - Onde está o seu álbum de fotos?

Scully sinaliza para Mulder negar. Mulder olha pra Scully. Olha para a mãe.

MULDER: - Não sei. O que eu faria com aquilo?

Scully, com o álbum de fotos, desce silenciosamente as escadas e sai pela porta dos fundos.


BLOCO 4:

9:14 A.M.

Mulder e Teena discutem na sala.

MULDER: - Quem disse isso a você?

TEENA: - Eu sei que é ela.

MULDER: - Nós não temos nada! Eu não sei de onde tirou essas idéias malucas! Scully e eu somos apenas parceiros!

TEENA: - Fox, sou sua mãe, não sua inimiga! Por que mente pra mim desse jeito?

MULDER: - (GRITA, NERVOSO) Porque eu não confio em você! Estou em cacos, uma pilha, preciso descansar! Não preciso de discussão!

TEENA: - Pare de gritar comigo, Fox! Essa mulher não serve pra você! Afaste-se dela!

MULDER: - Quem você pensa que é pra saber o que é bom ou não pra mim? Nunca se preocupou comigo, por que estaria preocupada agora?

TEENA: - Por que é perigoso pra você! ... Ele sabe!

Mulder fecha os olhos. Senta-se. Põe as mãos no rosto, nervoso.

TEENA: - Achou que poderia esconder isso dele por muito tempo?

MULDER: - Como ele sabe?

TEENA: - Você o conhece muito bem! Não o menospreze!

Scully entra na sala. Mulder olha pra ela assustado. Teena ao ver Scully esboça um olhar de raiva.

SCULLY: - Mulder, sua mãe tem razão. Não há mais o que esconder.

TEENA: - Fox, diga pra essa mulher ir embora daqui! Ela só vai destruí-lo! Se realmente gosta dela, deixe-a ir! Sabe das coisas que ele pode fazer.

MULDER: - E você também sabe! Por que está me contando isso? (SORRI DESATINADO) Remorso?

TEENA: - Porque você é tudo o que eu tenho, Fox!

MULDER: - Deixa de cinismo, porque nem no meu suposto enterro aquela vez você chorou!

Mulder levanta-se. Ódio nos olhos. Scully vai pra cozinha. Prepara um chá. Escuta a discussão deles. Fecha os olhos, nervosa.

MULDER: - Por que ele faz isso? O que ele quer?

TEENA: - ...

MULDER: - (GRITA) Me responda!

TEENA: - ... (GRITA) Eu não sei!!!

MULDER: - Você é tão igual a ele! Você mente pra mim e diz que se importa comigo!

TEENA: - Eu já disse que não sei!!!!

Mulder está irritado. Encara Teena.

MULDER: - Você vale tanto quanto ele!

TEENA: - Eu não sei de onde você tirou essas esquisitices!

MULDER: - Esquisitices? Aposto que o velho Bill Mulder estava trancafiado num laboratório enquanto você ficava aqui trepando com o melhor amigo dele!

Teena dá um tapa na cara de Mulder. Scully corre pra sala. Teena olha pra ela.

TEENA: - Vá embora daqui! Deixe o meu filho em paz!

Scully sente-se mal com a situação. Mulder segura Teena pelo braço.

MULDER: - Vai. Dê o tanto de tapas em mim que você puder aguentar. Porque você não merece ser chamada de mãe!

TEENA: - (ANGUSTIADA) Você não tem o direito de falar comigo desse jeito! Você é o culpado pela minha dor! Culpado por levarem minha filha! Você!

Mulder olha pra Teena. Ela solta-se dele. Começa a chorar.

TEENA: - (ÓDIO) Se não fosse você, eles não a levariam! Você devia ter ido, não a Samantha! Você é a desgraça que eu carregarei em meus ombros eternamente!

Teena senta-se numa poltrona. Tenta segurar as lágrimas. Mulder chora, olhando pra ela.

MULDER: - Só me diga a verdade... É tudo o que eu quero saber...

Scully tenta não chorar. Vai pra cozinha, numa pilha de nervos.

TEENA: - Não me peça pra reviver dores que jurei esquecer!

MULDER: - Mãe, você teve que escolher entre eu e a Samantha?

TEENA: - ...

MULDER: - Deixou que eles a levassem por minha causa?

Scully, na cozinha, fecha os olhos, já imaginando a resposta.

TEENA: - Eu não escolhi nada! Se tivesse tido escolha, minha filha estaria comigo!

Mulder levanta-se. Chorando, olha pra ela.

MULDER: - Nunca signifiquei nada pra você, mãe?

TEENA: - ...

MULDER: - Pensa que eu não carrego essa culpa? Que eu não faço de tudo na minha vida pra trazê-la de volta pra você? Que enfrento o bastardo do seu ex-amante, arriscando a minha vida e a dos outros, para ter a Samantha aqui?

TEENA: - ...

MULDER: - Se pudesse, eu teria ido no lugar dela, mãe. Porque eu sinto cada vez mais que não mereço ter o direito de estar vivendo.

Scully entra com duas canecas de chá.

SCULLY: - Beba, senhora Mulder. Vai sentir-se melhor.

Teena olha pra Scully e pega a caneca das mãos dela. Scully aproxima-se de Mulder. Larga a xícara na mesa de centro. Fica ao lado dele, segurando sua mão.

MULDER: - Mãe, se houver algum jeito de devolver sua filha, eu pago o preço. Porque embora eu não valha nada pra você... Eu arriscaria a minha vida pra te salvar.

Mulder sai chorando, pela porta da frente. Scully respira fundo.

SCULLY: - (NERVOSA) Por que não conta a verdade a ele?

Teena olha pra Scully com indiferença.

SCULLY: - Senhora Mulder, somos mulheres, portanto acho que pode falar sobre isso.

TEENA: - Não sei do que está falando.

SCULLY: - A senhora sabe do que estou falando. Sabe que às vezes cometemos atos na vida dos quais nos arrependemos amargamente.

TEENA: - ...

SCULLY: - Eles usaram suas esposas, suas filhas, tudo em nome da mentira! Acha que seu silêncio pode evitar mais desgraças?

TEENA: - Não sei do que está falando.

SCULLY: - Sabe muito bem! O Mulder é filho de um caso seu com aquele homem!

TEENA: - Você está maluca, não sei do que fala!

SCULLY: - (IRRITADA) Não minta pra mim, senhora Mulder! Eu não sou o Fox que magoado começa a chorar!

TEENA: - (GRITA) Saia da minha casa! Você já trouxe problemas demais pro Fox!

SCULLY: - Eu não vou sair daqui enquanto não terminar de falar o que você precisa ouvir! O Mulder não é culpado de nada, é tão vítima quanto você! Ele não pediu pra nascer! O erro é seu, não dele!

TEENA: - ...

SCULLY: - Vocês dois foram usados por aquele monstro! Vai ficar jogando a culpa no Mulder? Vai continuar renegando e maltratando ele até quando?

Teena larga a caneca. Levanta-se. Olha pra Scully, com raiva.

TEENA: - Você não tem o direito de se intrometer em minha família! Eu não gosto de você! Deixe o meu filho em paz! Você só vai trazer mais dor a ele.

SCULLY: - ...

TEENA: - Saia da minha casa! Você não sabe de nada, sua cadela!

SCULLY: - (FURIOSA) Se há uma cadela nessa sala, não sou eu, senhora Mulder. Até uma cadela é melhor do que a senhora. Porque não abandona sua cria... E se causar alguma dor ao Mulder, eu prometo que não vou deixá-la em paz! Sua indiferença me enoja!!!

Teena abre a porta da frente e sai, batendo a porta. Scully pega o celular e tenta achar Mulder.


2:25 P.M.

[Som: Air Supply - I can wait forever]

Mulder entra pela porta da frente. Cabisbaixo. Sobe as escadas. Entra no quarto. Scully está sentada na cama. Olha pra ele. Levanta-se. Abraça-o, fortemente. Mulder chora.


3:01 P.M.

Na praia, um carro está parado. O Canceroso observa a casa dos Mulder por um binóculo. Encosta-se no carro. Larga o binóculo sobre o capô. Acende um cigarro.

CANCEROSO: - Aquela vagabunda... Ela estava lá o tempo todo. Deve ter ouvido minha conversa com a mãe dele.

O Canceroso traga o cigarro profundamente.

CANCEROSO: - Essas coisas me deixam aborrecido! Coloquei aquela mulher nos Arquivos X para contradizer Mulder. Agora ela está se revelando mais esperta do que ele. Não gosto que me enganem... Se Mulder ficasse alienado por ela e se esquecesse da verdade isso seria um presente.... O problema é que ela dá mais força pra ele. E vai começar a abraçar a causa dele. Se ela deixar de contrapor suas teorias, o Mulder chegará mais perto da verdade.

O Canceroso pega o celular. Olha pra casa.

CANCEROSO: - Tire a mulher de um homem apaixonado e terá um indivíduo fraco para resistir. Ela não sabe que está servindo aos meus propósitos. Agora tenho o Mulder em minhas mãos. Foi um presente dela.

O Canceroso aperta uma tecla do celular e leva ao ouvido.

CANCEROSO: - Sou eu. Estamos com problemas. Aquela agente do FBI está concordando com a causa de Mulder... Eles estão na casa dos vinhedos, juntos, tramando contra nós... Há perigo, sim, eu já disse!... Não questione meus motivos, eles são a favor da nossa causa. Apenas a favor da nossa causa.


7:58 P.M.

Mulder abre os olhos. Scully está deitada ao lado, vestida num robe, abraçando-o por trás, bem grudada nele, com a perna por cima de seu corpo. Mulder fecha os olhos, mais tranqüilo.

MULDER: - Por que não foi embora?

SCULLY: - Você disse que eu não deveria sair dessa cama. Estou fazendo o possível.

MULDER: - (SORRI) Perdoa pela cena que presenciou...

SCULLY: - Estamos quites, Mulder. Já presenciou as brigas da minha família também.

MULDER: - O que ela queria com o meu álbum?

Scully beija o ombro dele.

MULDER: - Por que sinalizou para que eu não o entregasse?

SCULLY: - Porque ela não merecia.

Mulder sorri. Scully sente-se mal em mentir.

SCULLY: - Mulder, eu vejo o porquê de só agora estarmos juntos. Porque todos esses anos precisávamos aprender a confiar um no outro. Porque sem confiança, eu não sei se você acreditaria nas coisas que ...

Mulder vira-se. Olha pra Scully, intrigado.

MULDER: - O que é, Scully?

Scully olha nos olhos dele. Ainda estão inchados de tanto chorar.

MULDER: - Aconteceu alguma coisa?

SCULLY: - ... (RELUTA) ... Eu... Mulder, sempre prometemos nunca mentir uma ao outro.

MULDER: - É sobre minha mãe? Vocês conversaram alguma coisa?

SCULLY: - É, Mulder, é sobre sua mãe. Mas eu não quero falar nisso agora, está bem?

Scully afaga os cabelos dele. Levanta-se da cama.

SCULLY: - Vou buscar um vinho, estamos precisando.

Mulder fica deitado, olhando pro teto.

Scully desce as escadas e vai até a cozinha. Pega um saquinho plástico de dentro da bolsa. Entrelaçado em seus dedos há alguns fios do cabelo de Mulder. Ela os coloca dentro do saquinho. Respira fundo, angustiada. Pega o celular.


8:17 P.M.

Scully está sentada na cama. Os copos e o vinho servidos sobre a cômoda. Mulder sai do banheiro, vestido com a calça do pijama.

MULDER: - Nada com um bom banho quente, Scully. Pra reativar as forças.

SCULLY: - Mulder, a única coisa que quero nesse momento é fazer amor com você. Eu tô com medo daqueles homens! Eu tô com medo de te perder!

Mulder senta-se na cama e a abraça. Scully começa a derrubar lágrimas.

MULDER: - Eu ouvi verdades de minha mãe hoje, Scully, que me fizeram tomar uma decisão.

SCULLY: - ...

MULDER: - Eu procurava respostas, por isso precisava vir pra cá, ficar com você, relaxar... Eu encontrei a verdade, Scully.

Scully chorando olha pra Mulder.

MULDER: - É você. Você é a minha única verdade.

SCULLY: - ?

MULDER: - Vamos fugir daqui.

Scully olha angustiada pra Mulder, sem entender nada.

MULDER: - Já enviei um e-mail pra casa do Skinner com nosso pedido de demissão. Não quero alertar aqueles caras.

SCULLY: - Mulder, você não pode...

MULDER: - Se ficarmos vão nos entregar no Bureau. É isso que vão fazer. Nos humilhar lá dentro, nos fazer passar por uma investigação... Vão usar as normas contra nós, Scully. Ou, na pior da hipóteses, vão tentar matar um de nós. Eu já perdi demais na vida. Não vou perder mais nada.

SCULLY: - Mulder, tenho uma solução melhor. Eu assumirei a culpa e inocentarei você. Assim você fica nos Arquivos X.

MULDER: - Vai jogar sua carreira fora? Eu não vou permitir isso. Scully, já pensei em todas as hipóteses! Se eu assumir as responsabilidades, talvez você fique. Talvez eles me mandem pra outro departamento, ou me coloquem para fora do Bureau. Mas eu sempre serei o Mulder. Mesmo fora do FBI... Eles não vão permitir que você fique no Bureau, sabendo que estamos envolvidos! Você seria minha ligação lá dentro.

SCULLY: - ...

MULDER: - Não há saída, Scully. Estamos ferrados de qualquer maneira. Eles nunca nos deixarão em paz! Sabem que eu sou a pólvora e você é o pavio. E que agora, sabemos coisas demais pra nos deixarem livres por aí, longe do nariz deles.

SCULLY: - Eu tô com medo, Mulder. Tô com muito medo... Tenho motivos pra isso, e não é pelo fato de estar com você. Eu... eu ouvi coisas que não eram para serem ouvidas.

MULDER: - O que está me escondendo, Scully?

SCULLY: - Eu não quero falar nisso hoje, não estamos em condições pra fazer isso. Entenda, Mulder, por favor.

MULDER: - ... Vamos fugir daqui, Scully. Já comprei passagens pra nós. Pra mim chega! Eu não tenho mais o que fazer aqui! Que se dane todo mundo!

SCULLY: - E a sua irmã?

MULDER: - É você quem me preocupa agora, Scully. Eu percebi que... não tenho família. Eu só tenho você.

SCULLY: - Mulder, eu não consigo pensar... Eu não sei se devemos fazer isso...

Mulder pega sua arma. Engatilha. Põe sobre a cômoda.

MULDER: - Não vou pregar o olho hoje. Eu sinto o cheiro deles, Scully. E juro, que tô doidinho pra queimar um daqueles canalhas!

SCULLY: - Mulder, quem sabe a gente se separa. Vamos dar um tempo, até baixar a poeira toda...

MULDER: - ... Não. Não mesmo.

SCULLY: - Como eles descobriram sobre nós? Nós tomamos tanto cuidado!

Mulder abre a gaveta da cômoda. Mostra uma micro-câmera.

MULDER: - Esquecemos do carro, Scully.

Scully levanta-se. Olha pela janela.

SCULLY: - Mulder, estou me sentindo impotente, sem ter pra quem pedir ajuda!

MULDER: - Scully, somos só nós dois contra eles. Não espere ajuda de ninguém.

Scully pega sua arma.

SCULLY: - Mulder, estou com você! Eles não vão tirar a única coisa que me resta! (VIRA-SE PRA ELE) Mulder, me escute. Presta atenção no que vou te dizer. Não confie na sua mãe! Em hipótese alguma confie nela!

Mulder olha pra Scully como quem quer obter respostas.

MULDER: - Tem certeza de que não quer me contar o que descobriu?

SCULLY: - Hoje não, Mulder.

MULDER: - Vem cá, vem.

Scully senta-se ao lado dele. Mulder beija os cabelos dela.

MULDER: - Relaxa um pouco... Vamos tentar ficar calmos, pra pensar nas opções que temos.


5:23 A.M.

Mulder sentado na cama. Scully dormindo por sobre ele. Mulder com a arma engatilhada, olhando TV. Na outra mão o controle remoto, abraçando Scully. Mulder olha pro trinco da porta. Olha pra janela. Muda de canal.


5:43 A.M.

Barulho de um tiro. Scully acorda num salto. Mulder pula da cama. Scully olha pra TV. Olha pra Mulder. Começa a rir.

MULDER: - (PÂNICO) Errei o controle remoto!

Os dois começam a rir.

SCULLY: - Mulder, precisamos relaxar, antes que matemos um ao outro.

Mulder senta-se na cama.

MULDER: - Scully, acabei de acertar um tiro no Clinton!

SCULLY: - Mulder, você realmente é um rebelde!

MULDER: - Estou nervoso.

SCULLY: - Durma. Agora é meu turno.

Mulder deita-se. Ela o abraça.

MULDER: - Scully... Você está tremendo.

Mulder a envolve nos braços.


5:59 A.M.

[Som: Air Supply - I can wait forever]

Scully está nervosa, olhando pra porta. Mulder olha pra ela. Ela olha pra ele. Mulder faz carinhos nela. Ela aproxima seus lábios dos dele. Eles trocam um longo beijo. Ele beija o pescoço dela, ela relaxa.

MULDER: - Tenho uma ideia pra deixar você mais calma...

SCULLY: - Mulder, eu não consigo relaxar...

MULDER: - Vou te relaxar...

SCULLY: - Hum, Mulder... Faz assim que eu gosto...

Scully puxa Mulder pra cima de seu corpo.

SCULLY: - Mulder, eu quero que saiba que... Se alguma coisa acontecer comigo, não quero que tente se envolver. Entendeu?

MULDER: - Por que eles fariam algo contra você? É atrás de mim que estão!

SCULLY: - ... Você tem um santo forte, Mulder. Eu não sou nada. Apenas mais alguém na multidão.

MULDER: - ? Scully, o que está tentando me dizer?

SCULLY: - Nada. E-eu... Mulder, faz amor comigo. É só isso que eu quero!

Scully o abraça. Mulder percebe que ela está com medo de alguma coisa.


6:26 A.M.

Scully levanta-se nua da cama. Coloca um robe. Mulder olha pra ela.

SCULLY: - Vou buscar outra garrafa de vinho.

MULDER: - Quer me deixar bêbado?

SCULLY: - Não. Bêbado você fica insuportável. E ainda por cima, dorme.

MULDER: - Gosto de você bêbada.

Scully sorri. Sai do quarto. Desce as escadas na penumbra.

O Caçador de Recompensas a agarra, tapando-lhe a boca, com uma das mãos. Scully tenta gritar e não consegue. Ele a arrasta pela sala. Ela tenta se soltar mas é em vão. Chuta a mesa de lateral e o abajur cai no chão, quebrando-se.

Mulder salta da cama com o barulho. Pega a arma. Sai do quarto. Acende a luz.

MULDER: - (GRITA) Scully!!!

O Caçador arrasta Scully e abre a porta. Mulder vê a luz forte dos faróis de um carro, que atravessam a porta aberta. Fica estático e as lembranças de Samantha sendo levada, brotam de sua mente. Mulder sente medo e sente-se impotente. Scully consegue gritar por ele. Mulder acorda do transe. Desce as escadas, com a arma apontada pro Caçador.

MULDER: - Solta ela, desgraçado!

CAÇADOR: - Isso não vai funcionar comigo...

MULDER: - (GRITA COM ÓDIO) ... Dessa vez não! Não vão fazer isso comigo de novo! Não vou perdê-la!!!

Krycek entra pela porta dos fundos. Mulder pressente algo, vira-se e atira. Krycek desvia e atira em Mulder. A bala passa de raspão no braço de Mulder e o faz cair com o impacto.

O Caçador sai com Scully e a joga dentro de um carro. Krycek entra no carro.

Mulder levanta-se, desesperado e sai pra rua.

Krycek liga o carro e sai em disparada. Mulder olha pra seu carro e percebe que os pneus estão furados. No desespero, corre atrás do carro deles atirando. Mas o carro perde-se no horizonte, deixando Mulder parado no meio da estrada, com a arma abaixada, olhando pro nada. Mulder senta-se na estrada, com as mãos no rosto, chorando.

MULDER: - Não!!! De novo não!!!

Fade out.


TO BE CONTINUED


14/12/1999

Nov. 21, 2018, 12:51 a.m. 0 Report Embed 1
The End

Meet the author

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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