jaemean nana

Quando Jaemin propôs aquela aposta louca de quem se apaixonava primeiro em um mês, ele não sabia no tamanho do problema que estava se metendo. Muito menos Jeno, seu melhor amigo, e que queria vencer a tal aposta a qualquer custo.


Fanfiction Bands/Singers Not for children under 13.

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Aposta


Era tarde. Fim de tarde. Ventava frio e o Na se preocupava com o melhor amigo, afinal, o garoto tinha uma enorme facilidade em ficar resfriado — a prova disso eram as tosses contidas que o Lee soltava uma hora ou outra.

Eles voltavam para casa após o fim das aulas daquele dia. Todos estavam animados para uma tal de festa que rolaria na quinta-feira à noite, já que sexta não haveria aula por ser feriado, então a dupla de melhores amigos poderiam curtir o tanto que quisessem — só não podiam ser presos, claro.

Ainda era terça-feira e Jaemin contava os dias para as malditas férias de verão, que seriam dali um mês e meio. Demoraria muito. Quase uma tortura, caso ele dramatizasse a situação, mas ele não era muito fã de William Shakespeare.

A noite já caía e os grilos começavam sua sinfonia, os vagalumes sendo seus holofotes.

O clima da vizinhança era calmo e aconchegante, deixando o coração da dupla de amigos quentinhos e viciados na sensação gostosa. Ninguém ousava dizer nada para não quebrar o clima bom, afinal, palavras eram descartáveis naquele momento. O sorriso tolo de Jaemin já servia para expressar tudo que estava na mente dos dois, então apenas seguiam caminho à diante até em casa. Jeno iria dormir na casa do Na, por isso o acompanhava — sua casa ficava em outro bairro. Os dois tinham combinado de maratonar filmes até tarde da noite, mal se importando com as aulas do dia seguinte. Já eram acostumados a virarem noites conversando, de qualquer forma.

Jaemin escancarou a porta, abrindo passagem para o amigo entrar e a fechando no instante seguinte. Seus pais não estavam em casa; só chegariam tarde da noite após o expediente do trabalho acabar. Logo, eles iriam terminar de resolver o divórcio e o Na temia com o que aconteceria consigo, afinal, com quem iria morar? Ele não queria ficar longe de seu pai ou de sua mãe, muito menos de seu irmão. Pior, e se mudassem de cidade? Ele não aguentaria ficar longe de seus amigos, Jeno, Chenle e Jisung. Ele não vivia sem aqueles três enchendo o saco vinte e quatro horas por dia.

Sacudiu a cabeça, espantando aqueles pensamentos ruins para longe e se concentrou em pegar as besteiras na cozinha e levar para o quarto, organizando a maratona que ele e Jeno fariam.

— Está tudo bem? — O Lee perguntou preocupado.

Jaemin encarou os olhos angustiados do amigo. Seu toque em seu ombro emitia uma preocupação clara e o mais novo se sentiu mal por causar aqueles sentimentos em Jeno. Não gostava de criar climas tensos como aquele, principalmente quando envolvia sua situação… complicada. Sabia que Jeno não se importava de conversar sobre e oferecia todo o apoio do mundo, mas também sabia que aquilo afetava seu melhor amigo, ainda que tentasse esconder. O Lee não queria se afastar de Jaemin e vice-versa.

— Sim. Está — respondeu acanhado. — Relaxa — tentou sorrir, mas deve ter se assimilado a uma careta, pois o moreno riu de sua cara.

Jaemin contentou-se em revirar os olhos e subir as escadas, indo para o próprio quarto e largando o amigo rindo igual a um idiota sozinho na sala. Entrou no quarto, largando as comidas sobre a cama e a mochila ao lado da escrivaninha velha e entupida de livros e papéis velhos e inúteis. O quarto se encontrava uma completa zona, mas ele se sentia bem, pois parecia se tornar mais confortável daquela maneira e sua imensidão se reduzia um pouco com as roupas espalhadas pelo chão e outras coisas não identificáveis.

Jaehyun, seu irmão mais velho, tinha dito para não fazerem muito barulho, pois estaria ocupado estudando para uma prova importante.

— Por que não me esperou? — Jeno entrou no quarto, segurando refrigerante e a própria mochila acompanhados de um beiço enorme. O Na nunca vira alguém tão carente quanto o amigo e olha que ele, por si só, era um grude total, segundo Chenle e Jisung, mas Jeno… Ele era impossível.

— Porque você estava rindo da minha cara — disse de qualquer maneira, se espreguiçando como um gato preguiçoso. Mal notou o olhar que o mais velho lançou a si, quase hipnotizado.

— Ah, Nana, você é adorável — explicou, dando uma risadinha abobada. — É impossível não ser afetado por você, por isso eu fico rindo. — Continuou, deixando o refrigerante em cima da escrivaninha, em um espaço que não tinha tanta tralha.

— Hum… — resmungou, ainda sentindo-se contrariado e com uma pequena pontada em seu âmago de embaraço. Ele não sabia lidar bem quando Jeno dizia que era adorável e que o afetava. Se era assim, então por que…

— Vamos começar com qual filme?

Sua linha de pensamento foi interrompida pela voz rouca e gostosa de se ouvir do amigo. O encarou com cara de tacho e tentou pensar em um filme legal, mas estava perdido demais observando os olhos do mais velho.

— Obrigado pela ajuda. — Ele disse, irônico. — Vou escolher eu mesmo.

Jaemin continuou a observá-lo colocando o filme para rodar em seu notebook e em seguida o colocar em cima da cama, se jogando ao lado e começando a comer Doritos, seu amado vício. O Lee bateu com a mão no local vazio ao lado, chamando pelo loiro que seguiu e se sentou ali, comendo do salgadinho também.

Nenhum dos dois tiveram paciência para pegar copos na cozinha, então tomaram o refrigerante de laranja — como em seu seriado favorito, Kenan e Kel — no gargalo mesmo, revezando durante o filme. Comeram todas as besteiras que Jaemin tinha pego da cozinha, conversaram durante as cenas que passavam na tela do notebook, zombaram um do outro até aquele momento, no terceiro filme que assistiam, em que Jeno se encontrava encostado no ombro do loiro, ressonando baixinho feito um gatinho.

O Na encarou o rosto do amigo, admirando-o. Jeno era muito bonito. Era impossível não notar isso. Era uma mistura de charme e fofura que fazia com que o mais novo se sentisse um tolo ao seu lado. Sempre sorrindo para todas as bobagens que ele dizia e podia sentir seus próprio olhos brilharem ao encarar o eye smile característico de Jeno, que chamava muita atenção por ser estupidamente adorável.

Ah, como era malditamente apaixonado pelo Lee. Chegava até ser cômico de tão clichê. Apaixonado pelo melhor amigo, pff. A diferença entre sua vida e os filmes era que Jeno não lhe correspondia. Talvez nem tivesse se dado conta sobre seus sentimentos, mas tudo bem. Ele não tinha obrigação de nada e Jaemin nunca o culpou — apesar de que às vezes ele ficava boquiaberto em como era impossível resistir a Lee Jeno.

Jisung já tinha perguntado sobre seus sentimentos e o loiro negou até a morte sobre, morrendo de medo das consequência caso alguém — qualquer pessoa — descobrisse e chegasse aos ouvidos de Jeno. Não que o Park fosse explaná-lo para o Lee, mas preferia manter os sentimentos para si mesmo para sempre como um segredo só dele. Ele os manteria escondidos até que desaparecessem… Se desaparecessem.

Mal viu quando adormeceu, apoiando a cabeça sobre a de Jeno e se aconchegando ali, respirando o perfume familiar e aconchegante que o Lee tinha.

:・゚✧ *:・

Jeno acordou sentindo seu pescoço doer e um peso sobre si, logo notando o corpo de Jaemin enroscado no seu. Ambos estavam em uma bagunça de braços e pernas e cabelo. O corpo do loiro estava quase todo por cima do mais velho, o braço enrolado em sua cintura e o rosto repousado em seu peito. As pernas bagunçadas dos dois pendiam para fora da cama e os pacotes vazios de besteiras industrializadas estavam todos jogados no chão, o notebook em modo de soneca na frente de seus rostos.

— Nana… — chamou em um resmungo baixo, a voz arranhando um pouco por ter acabado de acordar.

Jaemin abriu os olhos, um pouco confuso, e voltou a esconder o rosto no corpo de Jeno, reclamando algo sobre a luz do sol que entrava pela janela.

O moreno observou todo o quarto e sua bagunça, o cérebro ainda lerdo e meio dormindo tentando processar o que acontecia quando seus olhos foram atraídos para o relógio em cima da escrivaninha. 6:30.

— PUTA QUE PARIU! — gritou no susto, acordando Jaemin em um pulo que lhe olhou irritado, o mau humor matinal se apossando do Na. — A gente está atrasado! — balançou o loiro pelos ombros e levantou da cama em tropeços, correndo para o banheiro e sendo seguido por Jaemin, que escovou os dentes correndo junto do outro. Trocaram de roupa na correria e quase caíram de cara no piso de madeira ao colocarem a calça do uniforme, catando as mochilas e descendo escadas abaixo. O mais novo pegou qualquer coisa à vista para comerem enquanto Jeno catava a bicicleta no jardim da casa, gritando de lá para o Na se apressar, esse último que correu e subiu na garupa, segurando-se firme em Jeno para não cair da bicicleta.

O Lee pedalou a toda velocidade e, mesmo com todo o esforço de ambos, tomaram uma advertência e tiveram que entrar na segunda aula.

Os colegas de sala os observaram passar pela porta de cabeça baixa. Jaemin, que era um pouco tímido, escondeu-se atrás de Jeno, tentando fugir dos olhares curiosos. Raramente acontecia aquele tipo de coisas naquela escola, por ser muito rígida com todos os alunos e apenas os melhores estudavam ali — tanto faz, ricos ou inteligentes.

O professor de biologia os recebeu com um “Bom dia” simples e os mandou sentar em seus respectivos assentos, pois queria iniciar a aula sobre microbiologia. 

:・゚✧ *:・

Jaemin sentiu os olhos pesarem quando a terceira aula — anterior ao almoço — estava pela metade. Ainda que dormisse bem quando Jeno estava ao seu lado em sua cama, descansaram menos que cinco horas e teriam que lidar com mais quatro aulas e o treino diário do time de voleibol que Jeno participava, além do clube de animes e cosplay em que o Na frequentava.

Fechou os olhos por um instante e acordou com a sala vazia e o Lee cutucando sua bochecha com um sorriso bobo em face.

— Você dormiu a aula toda, Nana — riu, ajeitando os fios bagunçados do loiro.

— Me sinto mais descansado, pelo menos — espreguiçou-se, esticando as pernas e os braços e reclamando de dor no pescoço.

— Vamos? — chamou, já de pé. — Jisung e Chenle devem estar loucos atrás de nós.

O mais novo concordou com um meneio de cabeça, seguindo o moreno até o refeitório para o almoço, sentindo a barriga roncar. Ele e Jeno tinham apenas comido as frutas que furtara da cozinha durante a manhã e aquilo não foi o suficiente para matar a fome de ambos que estavam em fase de crescimento e comiam igual a um batalhão de guerreiros.

Chegaram no refeitório e foram se servir, localizando a mesa onde os dois amigos mais novos estavam sentados. Chenle falava de modo exaltado e gesticulava feito louco, provavelmente tentando explicar um de seus pensamentos de outro universo para o pobre Jisung, que pedia calma e se encolhia no banco por receber atenção quase de todo o refeitório.

— E aí, pombinhos. — Jeno jogou a bandeja sobre a mesa, cessando a tagarelice do chinês e fazendo todos mudarem a atenção para longe da mesa barulhenta. Jaemin chegou logo atrás com um sorriso simpático que oferecia a todos — e encantava também.

— Pombinhos nada! Jisung não entende bulhufas de séries e isso me irrita. Ele só sabe ficar coçando o saco e lendo aqueles gibis para crianças de dez anos — reclamou, enfiando um monte de comida na boca.

— Ei! Não são para crianças de dez anos… — a voz foi murchando à medida que a expressão maliciosa de Jaemin se abria.

— Oh, então são gibis para maiores de dezoito anos, senhor adulto? — debochou, recebendo um soco de Jeno e um sibilar junto de uma risada divertida.

— Não! — Jisung exaltou-se, batendo na mesa e olhando irritado para Jaemin. Ele não tinha um momento de paz sem seus amigos o chamando de criança ou insinuando coisas… maliciosas.

— Deixe-o em paz, seus chatos. — Jeno reclamou e o Park suspirou aliviado, agradecendo pelo Lee existir e o defender.

— Ah, mas ele é tão fofo quando fica irritado e faz bico e infla as bochechas. — O loiro riu, apertando a bochecha do mais novo que espantou os dedos ágeis de seu rosto.

A conversa continuou, animada como de costume. O intervalo findou-se e todos voltaram para suas respectivas salas de aula, lutando contra a vontade tortuosa de fechar os olhos e dormir.

Jaemin dirigiu-se para seu clube quando o último tempo do dia acabou, se despedindo de Jeno e combinando de se encontrarem na frente do portão quando suas atividades extracurriculares acabassem.

Os minutos se passaram e quando o sol já se deitava no horizonte preguiçosamente, a dupla de amigos se encontraram na frente do portão como combinado, jogando conversa fora até chegarem na rua onde se separavam. Jeno subiu na bike e acenou uma última vez para Jaemin, virando-se e começando a pedalar rapidamente, sumindo rua afora.

O Na encarou a silhueta do amigo sumir quando virou a rua e largou um longo suspiro, sentindo que algo grande estava prestes a acontecer.

:・゚✧ *:・

O dia de quinta-feira se arrastou tediosamente, quase em uma tortura cruel, a ansiedade para a tal festa atingindo a todos os alunos, criando enormes expectativas. Aquela tal festa daria muito o que falar e, mesmo que Jaemin sentisse a empolgação fazer com que tudo se remexe-se dentro de si, aquela leve sensação incômoda de que algo — ele não sabia o quê — iria ocorrer o fazia ficar um pouco nervoso e temeroso. Mas evitou pensar no assunto, ainda que seu sexto sentido fosse muito forte, e prometeu a si mesmo que iria ir e curtir bastante, ao lado de seu amigo.

Jeno não parava quieto. Tinha acordado animado e parecia ligado nos 220. Jaemin apenas ria de como o amigo estava elétrico como nunca tinha visto antes — talvez fosse porque era a primeira festa que o Na se dispunha a ir ou porque as férias de verão estavam próxima e o período de provas tinham finalmente acabado oficialmente — e o observava, ainda meio concentrado no dever de química que não tinha feito.

A barulheira no refeitório estava pior do que os outros dias e isso atrapalhava a atenção de Jaemin no dever. Queria ir para a biblioteca, um local calmo e silencioso, mas Jeno com certeza o seguiria junto de Chenle e Jisung e ficariam tagarelando lá, fazendo com que fossem expulsos por perturbar a paz. Bom, ele tinha que tentar.

— Vou para a biblioteca — disse, pegando o caderno e a apostila e organizando eles em uma pilha, os retirando de cima da mesa da cantina.

— Ah, não! — Chenle reclamou. — Fica, Jaemin! — pediu, fazendo uma carinha que torceu para derreter o coração de manteiga do mais velho.

— Não posso. Tenho que terminar o dever de química e essa gritaria não está ajudando — reclamou, fazendo uma careta. Mesmo assim, o chinês não desfez a carinha de cachorrinho que caiu da mudança, mas concordou contrariado quando Jisung reclamou consigo, dizendo que pelo menos alguém ali tinha que ser um aluno exemplar. Ah, se o Park soubesse…

— Quando terminar, eu volto, ok?

— Certo. — Jeno respondeu, debruçando-se sobre a mesa e observando o loiro. — Estaremos esperando — deu aquele sorriso encantador e Jaemin sentiu as pernas fraquejarem. Sorriu de volta, virando-se e indo até a biblioteca, torcendo para conseguir resolver aqueles problemas.

Assim que chegou, sentou-se em uma mesa mais ao fundo e abriu o caderno e a apostila, sentindo a cabeça latejar quando leu os enunciados. Maldito professor de química. Não tinha entendido nada daquela matéria e tinha conseguido apenas a média para sobrevivência naquela selva chamada ensino médio.

Ouviu um barulho esquisito aos fundos e tomou um susto, esquecendo-se da apostila e questões por um segundo e observou o lado de onde tinha vindo som estranho. Parecia de algo chocando-se contra o chão. Andou até onde acreditou ser o local da barulheira e se deparou com uma cena um tanto quanto… cômica.

— Está tudo bem? — perguntou ao estender a mão para o corpo jogado no chão, coberto por vários livros.

— Ah, sim. Obrigado — respondeu meio confuso, resmungando de dor.

— Certeza? — indagou novamente apenas para não restar dúvidas.

— Uhum.

O garoto respondeu novamente, agora meio embaraçado pela situação engraçada e constrangedora em que se encontrava. Um monte de livros que tinha que arrumar agora se encontravam no chão.

— Acho que você tem um… pequeno problema — apontou para a bagunça com um sorriso divertido nos lábios.

— Sim, eu sei — suspirou, fazendo uma careta. Xingou baixinho a bagunça de páginas e capas duras no chão.

— Você quer que eu… hã… te ajude? — ofereceu, um pouco sem jeito.

— Você me ajudaria? — Os olhinhos fofos brilharam como estrelas no céu noturno e Jaemin se retraiu um pouco, afetado pela expressão adorável.

— Bem, sim…

— Ah, você é minha salvação — choramingou. — Meu nome é Huang Renjun e o seu?

— Jaemin. Na Jaemin.

Quando ouvira o nome, sentiu que fosse familiar, mas aonde tinha o escutado mesmo? Não se lembrava com clareza, entretanto, não deu tanta importância para aquilo. Talvez fosse apenas sua imaginação lhe pregando peças.

— O que está fazendo aqui? — Jaemin perguntou curioso.

— Punição. Colei na prova de coreano e agora tenho que arrumar esses livros, mas é muito complicado e… bem… — gaguejou, sentindo-se meio idiota por dizer aquilo. — Eu não sou muito alto, sabe… Por isso acabei caindo.

Jaemin deu uma risadinha contida, fazendo com que o rosto e orelhas do Huang se avermelhassem e ficassem adoráveis, tanto que o loiro exclamou assim que viu o quão adorável o mais baixo era.

Começaram a reorganizar a bagunça de livros que se encontravam no chão. O coreano arrumou a parte mais alta da estante, enquanto Renjun se ocupou com as debaixo. Em meio a isso, eles trocaram muitas palavras e compartilharam risadas. O chinês era muito engraçado e Jaemin se divertiu demais na companhia do outro.

— Em que sala você está? — perguntou curioso, terminando de ordenar sua parte.

— 3-C e você? — remexia nos livros.

— 3-A — respondeu, encostando-se levemente na estante e observando o outro terminar a penúltima prateleira. — Nunca tinha te visto antes aqui.

— Ah — exclamou e riu. — Eu me escondo bem, sabe — disse em tom de piada e o Na riu pelo nariz. — Eu costumo ficar aqui na biblioteca lendo ou no meu esconderijo secreto.

— Esconderijo secreto? — indagou interessado.

— Um lugarzinho deserto que achei.

— Hum… — cantarolou, risonho. — Acho que preciso de um também para matar aula e dormir. Jeno me enche o saco durante a madrugada quando fica com insônia.

Uma lâmpada invisível acendeu sobre a cabeça de Renjun e ele finalmente soube de onde tinha ouvido o nome de Jaemin. Donghyuck, sua dupla de trabalhos escolares, vive reclamando sobre Jeno, do mesmo time que o ruivo, e já tinha citado sobre Jaemin antes, falando algo sobre como os dois faziam muito cú doce e não assumiam o namoro.

O Huang riu ao lembrar da fala de Donghyuck e recebeu um olhar confuso do Na. As coisas começariam a ficar mais interessantes.

— Bom, acabamos — suspirou, batendo as mãos uma na outra para tirar o pó.

— Finalmente — resmungou, espreguiçando-se feito um gato. — Meu Deus!

Jaemin quase começou um escândalo quando viu a hora no relógio de parede da biblioteca e agachou, apoiando-se na estante e choramingando sobre como estava ferrado.

— O que foi?! — Renjun perguntou desesperado, sem entender absolutamente nada.

— Eu tenho um dever de química que não terminei para hoje. E ele valia ponto — grunhiu, se jogando no chão, como se decretasse a própria morte. — E de brinde, eu não entendi merda nenhuma.

O Huang olhou aquela cena preocupado e depois olhou o relógio. Faltava dez minutos para o fim do intervalo.

— Olha, eu sou bom em química. Eu posso te ajudar, mas não garanto que vamos conseguir terminar tudo.

— Você me ajudaria? — Os olhinhos do loiro brilharam.

— Bem, estou te devendo uma. E a culpa é indiretamente minha por ter aceitado a sua ajuda com os livros.

— Não é culpa sua. Eu que me ofereci — franziu o nariz em um ato adorável.

— Tanto faz — fez descaso com o assunto, sacudindo a mão. — Vamos logo, porque temos pouco tempo.

Jaemin concordou com um aceno de cabeça e voltaram para a mesa onde antes o Na estava e começaram a fazer as questões correndo, olhando para o relógio a cada segundo para verificar quanto tempo lhe restavam.

No fim, dera tudo certo e os dois conseguiram fazer todas as questões — corretamente, vale destacar — e Jaemin ganhou todos os pontos que valia o dever.

Quando finalmente pôde sentar-se na cadeira da sala de aula e suspirar em alívio, deu-se conta que não tinha pego o número de Renjun. Bom, pelo menos ele sabia qual era a sala do garoto e iria agradecê-lo na semana seguinte pela ajuda.

Em meio a isso, Jeno o encarava com os olhos semicerrados, querendo saber por que Jaemin sumira o restante do intervalo todo — ele tinha dito que voltaria, mas não voltou. Iria perguntar sobre mais tarde, caso lembrasse. O importante no momento era que as aulas tinham acabado e a festa começaria dali algumas horas.

:・゚✧ *:・

Jeno foi para casa e começou a se arrumar assim que chegou, pois sua ansiedade não lhe permitiu fazer nada além de pensar sobre a festa. Até Jaemin tinha reclamado que o Lee não parava quieto. Ele, claro, apenas riu da voz reclamona que saía do celular na ligação de quase uma hora.

Quando deu cinco da tarde, ele se encontrava arrumado e cheiroso. Esfregava as mãos ansioso enquanto ainda mantinha uma conversa aleatória com o Na, que começava a se arrumar feito uma tartaruga.

— Não sei qual roupa usar — choramingou na ligação.

— Usa qualquer coisa, Nana, você já é bonito mesmo — reclamou, revirando os olhos, mal se dando conta do que tinha acabado de dizer.

Jaemin ficou quieto durante alguns segundos, apenas sua respiração baixa e entrecortada podendo ser ouvida pelo moreno.

— Certo… — respondeu num murmúrio, o coração ainda se acalmando do solavanco que tinha dado.

O assunto morreu por alguns minutos e Jeno ficou pensando em coisas aleatórias, enquanto esperava Jaemin acabar de se trocar. Suas expectativas para aquela festa estavam altas e tinha certeza de que iria se divertir demais, principalmente na companhia de seu melhor amigo.

O tempo foi se arrastando até quando a campanhia de casa fora ouvida, fazendo com que o Lee descesse as escadas correndo e abrisse a porta, dando de cara com o Na. O observou de cima a baixo e sentiu as pernas falharem por algum motivo desconhecido. Sempre soube que Jaemin era lindo, mas vê-lo arrumado daquela maneira o deixou mole. A franja arrumada, o perfume gostoso — o favorito de Jeno —, a calça rasgada, o all star e a blusa de manga comprida compunham um kit completo para desgraçar qualquer coração. O Na não sabia brincar quando a questão era ser bonito e apaixonante.

— Não vai me deixar entrar, não? — resmungou e o moreno saiu do transe, dando espaço para que o amigo passasse e deixasse um rastro do perfume atrás de si.

O loiro se jogou no sofá da sala e se espreguiçou, perguntando quanto tempo faltava para às sete da noite. Jeno respondeu que faltava vinte minutos.

Ficaram se encarando durante uns minutos de silêncio até o Na arquear uma sobrancelha, perguntando silenciosamente o que tanto o moreno encarava em seu rosto. Será que estava tão feio assim? Ou tinha comida no dente?

— O que foi? — endireitou-se no sofá e apoiou o rosto em uma mão, olhando nos olhos do amigo para tentar descobrir o que se passava em sua mente. — Ei, Jeno! — resmungou quando notou o silêncio dele.

— Hum? Oi?

Jaemin suspirou, negando com a cabeça, dizendo que não era nada, deixando o Lee confuso, mas que não questionou.

— Seus pais ainda estão trabalhando?

— Sim.

— Então, estamos sozinhos?

— Sim? — franziu a testa, estranhando as perguntas do loiro.

O mais novo recostou-se no sofá, engolindo em seco e tentando não ficar nervoso. Já tinha dormido na casa do amigo e vice-versa, mas nunca tinham ficado sozinhos, de fato. Sempre os pais um do outro estavam em casa, ou então, tinham a presença de Jaehyun, irmão de Jaemin, na casa da família Na.

— Quer ir andando logo? — perguntou para quebrar o clima desconfortável que se instalou entre os dois. Jeno concordou com um aceno e os dois foram até a porta, saindo de casa.

O local da festa ficava uns trinta minutos de caminhada — isso porque a casa de Jaemin era quase uma hora do lugar —, então eles foram mais cedo, caminhando devagar e conversando animados.

O assunto fora bem aleatório, chegando a discutir a diferença entre menta e hortelã e por que o sorvete de pistache era o melhor. Ficaram tanto tempo jogando conversa fora que mal se deram conta quando quase passaram pela casa barulhenta, tocando música eletrônica em um volume estrondoso.

Jeno encarou o melhor amigo uma última vez antes de entrarem e ele lhe devolveu o olhar com um sorriso encantador. Ah, Jaemin iria conseguir ficar com qualquer pessoa daquela festa só de sorrir daquela maneira.

Os dois foram em direção onde estava as bebidas e beberam um líquido forte e colorido. O Na fez uma careta, reclamando que o gosto era horrível e o moreno apenas riu, dizendo que ele iria se acostumar com o gosto. O mais novo negou com a cabeça, achando graça.

— Que fique claro que não vou cuidar de ninguém bêbado, muito menos limpar vômito — disse em tom de aviso e o Lee disse para relaxa, pois iria se controlar. — É o que veremos.

:・゚✧ *:・

A noite foi passando. Jeno encontrou com colegas de time na festa e Jaemin jogou assunto fora com os amigos do clube em que participava. Mal se deu conta quando seu corpo começou a ficar mais leve e ele começar a tagarelar coisas sem parar — mais que o normal.

— Nana — chamou o Lee, embolado. — Eu preciso ir no banheiro — choramingou.

— Então vai — respondeu mole, rindo frouxo.

— Vem comigo, por favor — pediu, fazendo beiço e segurando na blusa do Na, puxando-a.

— O quê? — riu. — Acho melhor não — deu um longo gole na bebida em seu copo.

— Ah, vamos logo.

Não esperou Jaemin responder ou sequer dizer qualquer coisa e o puxou em direção às escadas, pois o banheiro ficava no segundo andar. O loiro riu, seguindo o amigo, sentindo as pernas meio molengas quando subiu os degraus.

Jeno entrou no banheiro e o Na ficou ao lado da porta, esperando pelo amigo e observando o pouco movimento no local. O corredor do segundo andar poderia ser considerado quase vazio se comparado ao andar debaixo, onde a festa ocorria com mais fervor.

Esperou e esperou e nada. Começou a ficar preocupado, achando que o moreno podia ter dado descarga em si mesmo por engano quando ele abriu a porta do banheiro com um sorriso charmoso. O coração de Jaemin falhou uma batida ao encarar o amigo. Ele tinha ajeitado o cabelo que antes tinha ficado um pouco bagunçado e parecia ter ficado menos… bêbado? Bom, era o que parecia pelo seu andar.

— Você está bem? — perguntou ao mais velho que apenas acenou e disse para descerem e fazerem uma batalha para ver quem virava mais copos em trinta segundos. A parte meio sóbria de Jaemin achou aquilo uma idiotice, mas aceitou.

:・゚✧ *:・

Nem Jeno, nem Jaemin sabiam aonde estavam. Tinham feito a tal batalha idiota e agora olhavam um para a cara do outro, gargalhando muito. Eles falavam embolado e não se davam conta direito de quais palavras pronunciavam.

— A gente — riu. — deveria fazer uma aposta.

— Qual? — Jeno perguntou com uma curiosidade genuína, seu lado competitivo aflorando.

— Simples: vamos nos tratar como namorados e quem se apaixonar primeiro — gargalhou. —, perde.

O Lee ponderou sobre as palavras ditas pelo Na e as considerou ótimas e disse que, se ganhasse — porque ele ia —, iria querer aquele box de livros que vivia falando sobre tinha um mês. O loiro concordou, rindo pelo nariz.

— Feito, então — disse embolado, entre risadinhas.

— E o que você vai querer? — Jeno perguntou, interessado.

— Hum… — murmurou, olhando o amigo com um sorriso de canto. — Um beijo?

Os olhos do mais velho se arregalaram e o coração acelerou. O que Jaemin queria dizer com aquilo? Por que iria querer um beijo seu? Tudo bem que ele estava longe de estar sóbrio e podia não estar pensando com coerência, mas…

Sua linha de pensamentos desesperados foi quebrada com gargalhadas altas vindas de seu melhor amigo, que quase chorava de tanto rir pela cara cômica que Jeno tinha feito ao ouvir suas palavras.

— Eu estou brincando — explicou entre risadas. — Não quero te beijar — fez uma careta, mas o gosto da mentira permaneceu em sua boca. — Eu ainda não sei. Decido na hora, pode ser?

Jeno concordou com um aceno de cabeça, mas sentiu o coração murchar quando ouviu “Não quero te beijar”. Ele não entendeu bem o porquê, mas deixou para lá, mudando de assunto e arrancando risadas escandalosas de um Jaemin risonho.

Nov. 17, 2018, 3:39 a.m. 2 Report Embed Follow story
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nana we go up

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Zhang Kimmy Zhang Kimmy
Oh sério isso é tão bom, eu vou chorar, eu queria mais disso VC É UMA ESCRITORA MARAVILHOSA CARA. Ok, por acaso - apenas por acaso - você pretende continuar?? :''> nhaa s2s2
August 10, 2019, 09:23

  • nana nana
    ai fazia tanto tempo q n entrava aq djsjsjsj desculpa a demora pra responder... eu posto a maioria no spirit, se quiser ler por lá, enfim pretender continuar eu pretendo sim djskdkskd só tenho que sair do bloqueio :( obrigada por ter lido, anjinho ♡ April 04, 2020, 06:55
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