Timidez Follow story

shinobidesu Karina Diniz

"Olhou para os lados e viu a multidão de alunos que lotavam os corredores. Alguns riam e conversavam em grupos, outros namoravam mesmo a essa hora da manhã, mas ninguém prestava atenção em si. Olhou para carta uma última vez e a colocou dentro do armário, e obviamente saiu correndo no segundo seguinte. Baekhyun só não imaginava que, no final daquele corredor, Park Chanyeol estaria passando e notando aquela ação suspeita."


Fanfiction Bands/Singers Not for children under 13.

#yaoi #lgbt #fluffy #chanbaek
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Manifestações por bochechas coradas e sorrisos contidos.

+O corredor do colégio parecia mais cheio do que de costume. Baekhyun sabia que isso era apenas algo de sua cabeça por estar se sentindo um tanto acanhado naquele dia em especial. Em suas mãos — que se encontravam incrivelmente úmidas por estarem suadas de nervosismo — estava um envelope amarelo simples, tão humilde quanto o pequeno adesivo de coração que o fechava. Sentia que se não colocasse logo aquele pedaço de papel horroroso dentro do armário dele não teria coragem para fazê-lo depois, e se o fizesse acabaria por vomitar de nervosismo.


Tinha certeza de que ninguém estava notando o quanto estava estranho hoje, porque afinal, todos já o achavam muito estranho em todos os dias que não fossem este. Uma vozinha irritante e chata o dizia dentro de sua cabeça que, sim, todos estavam notando e consequentemente iriam dizer a Park Chanyeol o que pretendia entregar no armário dele.


Tudo bem, talvez, só talvez, estivesse realmente exagerando. Ninguém falava com Chanyeol por ele ser daquele modo, igual a Baekhyun em tantos aspectos que se fossem da mesma turma seriam amigos. Não podia deixar de pensar até mesmo nessas possibilidades mais absurdas para a realidade em que vivia, mesmo que isso fizesse seu coração querer sair pela garganta e as pernas quererem desabar a qualquer instante. De alguma maneira Baekhyun se acostumou com essas sensações. Na primeira vez em que as sentiu foi sim uma grande confusão, porque achava que estava enfartando e foi correndo para a casa chorar no colo de sua mãe, que depois de escutar toda a história riu como se não houvesse nada mais engraçado neste mundo.


— Você está apaixonado, querido, e deveria dizer isso para ele. — A sua mãe o disse naquela terça-feira infeliz. Baekhyun negou, esperneou e chorou, porém, no final se viu conformado com aquela terrível maldição.


E então ele decidiu se declarar por achar que era o certo a se fazer, mas como? Chanyeol nem ao menos o conhecia! Se fosse até ele e jogasse todo aquele nervosismo e palavras desconexas acabaria por afastá-lo e não era isso que queria.


— Pode escrever uma carta para ele — Seu pai falou enquanto cortava os legumes do outro lado da bancada. — É meio antiquado, mas mostra seus verdadeiros sentimentos por ele.


Baekhyun o agradeceu e subiu as escadas correndo para escrever aquilo que horas depois seria um martírio. Ele se sentiu bem escrevendo todas aquelas palavrinhas clichês, quando terminou a carta estava sorrindo bobo e tinha o rosto mais vermelho que um pimentão. Eram tantas coisas que sentia só de lembrar do rosto de Chanyeol concentrado enquanto fazia a lição na hora do intervalo que sentia vontade de gritar e pular, contudo, se segurou por achar que seria esquisitice demais até mesmo para ele.


Olhou para os lados e viu a multidão de alunos que lotavam os corredores. Alguns riam e conversavam em grupos, outros namoravam mesmo a essa hora da manhã, mas ninguém prestava atenção em si. Olhou para carta uma última vez e a colocou dentro do armário, e obviamente saiu correndo no segundo seguinte.


Baekhyun só não imaginava que, no final daquele corredor, Park Chanyeol estaria passando e notando aquela ação suspeita.


***


Ele não teve coragem de abrir o envelope no colégio.


Sentia o olhar curioso e envergonhado de Baekhyun sob si, mas nem mesmo assim pensou em tirar a carta de dentro dos livros e ler. Estava tão, mas tão ansioso para saber o conteúdo, só que não queria que alguém notasse e fizesse uma piadinha de mau gosto como já haviam feito uma vez quando o pegaram olhando aquele menino um pouco mais baixo do que si tentando furar a caixinha de suco no refeitório. Não que fosse algo frequente, na verdade, por mais que não fosse um cara popular, haviam pessoas em sua turma que o defendiam com unhas e dentes por acharem que Chanyeol era um jovem nerd indefeso, o que não deixava de ser verdade às vezes. Era impossível que as piadinhas deixassem de existir, mas ele não se importava com isso, até porque pensava que caso cansassem dele iriam querer fazer a mesma coisa com Baekhyun, e ele não admitiria isso.


Quando foi que ele começou a desenvolver sentimentos por aquele garoto que estudava na sala do lado da sua? Talvez tenha sido naquela tarde de sol em que morria de calor por estar fazendo educação física. Ele olhou Baekhyun lendo o livro de biologia do primeiro ano na arquibancada e foi como aqueles filmes idiotas de Hollywood em que o mundo de repente se tornou cor de rosa, um clichê amor à primeira vista que fez Chanyeol dar de cara no chão segundos depois por não ter prestado atenção onde pisava.


Tudo bem, tudo bem. Com certeza foi culpa daquela maldita aula de educação física. Naquela semana ele nem ao menos conseguia dormir direito porque não parava de imaginar como seria se Baekhyun sorrisse bem de pertinho, com os olhinhos pequenos brilhando e com as mãos em seus ombros, pronto para dizer um “Chanyeol, a verdade é que eu gosto muito, tipo muito mesmo, de você”. Por uma semana inteira ele não conseguiu dormir, porque também se perguntava qual seria a matéria favorita de Baekhyun, se ele era de exatas ou de humanas, ou de biológicas já que lia um livro de biologia no dia em que o notou. Baekhyun, Baekhyun e Baekhyun. Sua cabeça parecia que entraria em um colapso a qualquer momento.


Ignorou os gritos de sua irmã mais velha o perguntando do porquê de ter entrado em casa como se fosse um furacão e se trancou dentro do quarto. Nem ao menos tirou o uniforme escolar — a não ser pelo blazer que era realmente incômodo — e já foi despejando seus livros em cima da cama procurando pelo envelope amarelo.


Sentiu o coração acelerar quando finalmente o encontrou. Sentou-se e encarou aquele pequeno adesivo de coração, logo em seguida tirando para ler o conteúdo da carta.


“Espero que não seja tão antiquado mandar essa carta quanto meu pai disse que seria. Ele é italiano, sabia? Ele nasceu em um país onde pelo menos mais de mil pessoas devem se declarar por dia, na cidade de Florença, onde muitos mais devem se declarar por estar em uma das cidades mais românticas do mundo, e mesmo assim ele acha antiquado esse método de se declarar.


Eu perguntei para minha mãe se ela achava o mesmo, Chanyeol. Sabe o que ela me disse? Que meu pai tinha se declarado para ela desse jeito mas, como a coreana romântica que ela era, aceitou de primeira o pedido dele para que jantassem naquela noite.


Não vou te chamar para jantar. Estamos no século vinte e um, quem ainda chama alguém para jantar? Quer dizer, alguém da nossa idade, porque esses adultos saem para jantar juntos a todo o momento e por diversas razões.


Enfim, não estou aqui pra te contar sobre meus pais ou sobre o porquê dos adultos chamarem tanto uns aos outros para jantarem fora (seria mais econômico e conveniente que fizessem isso em casa, para que tanta complicação?), na verdade estou aqui para dizer o quanto você é injusto.


Por que, Chanyeol? Por que você tem que ficar tão bonito enquanto está fazendo aquelas contas da aula de Física avançada? E por que seu sorriso parece que vai iluminar o mundo todo de tão bonito que é? Isso é tão injusto, porque toda vez que te vejo parece que vou morrer de felicidade e minha mão fica toda molhada de nervosismo. É injusto porque mesmo quando não estou vendo você, estou pensando em você. Peço desculpas se isso te soa muito louco e se acha que sou um psicopata, mas juro que não sou essas pessoas obsessivas que te querem só pra elas, eu respeito suas escolhas e entendo se não quiser falar comigo mesmo depois de ler esta carta que estou fazendo com muito esforço, porque minha mão tá suada e a caneta tá escorregando. Eu deveria ir à um médico especialista em suor, não é? É que eu não consigo evitar, Chanyeol.


Não sei o que esperar de você depois que ler essa carta. Acho que se te ouvisse falar comigo, só comigo, sairia correndo no mesmo instante. Por que estou te escrevendo isso?! É tão constrangedor! Aish, tchau Chanyeol!


PS: Eu comprei aquele livro que você estava lendo com a capa preta. Eu gostei bastante daquele passarinho dourado que tinha na capa, mas não imaginei que a história seria tão triste.


PS²: Sorria mais vezes, eu gosto quando você sorri. Seus dentes são meio grandinhos e isso é bonito.”


— Chanyeol? O seu almoço tá na mesa vai fazer meia hora, e olha só, você nem tirou a roupa da escola!


Assustou-se ao ouvir sua irmã mais velha gritar consigo daquela maneira. Era frequente que ela gritasse com ele por serem irmãos e acontecer aquela implicância considerada saudável, porém no momento estava mais concentrado em sorrir como se a boca pudesse rasgar o rosto.


— Eu já estava indo. — Chanyeol falou enquanto dobrava a carta e a colocava de volta do envelope amarelo.


— E o que é isso? — Ela apontou para o motivo das suas futuras noites de insônia e inquietação.


— É do Baekhyun. — Ele sorriu sincero e levou a carta até o próprio peito. Yoora, sua irmã, já estava mais do que ciente sobre quem Baekhyun era por ter aguentado a “semana de tortura” de Chanyeol, que foi quando se apaixonou pelo menino. — Ele gosta de mim, de verdade.


O silêncio que se estendeu por aqueles segundos foi reconfortante. Ela, como irmã mais velha, se sentia mais velha ainda por estar vendo o pirralho com quem cresceu descobrindo o amor como ela mesma descobriu anos atrás com o homem que hoje em dia era seu noivo. Sentiu uma inexplicável vontade de chorar e dar aqueles surtos psicóticos que renderiam falas do tipo “o bebezão da casa já está tão crescidinho! Daqui a alguns dias já vai estar trazendo o namoradinho pra conhecer a família!”, mas contentou-se em rir da expressão apaixonada que Chanyeol ostentava.


— Ah meu Deus, eu não acredito que ele te quis! — Ela falou surpresa, porque pelo jeito que o irmão descrevia o garoto, ele parecia ter saído de um mangá para garotas adolescentes e nunca daria bola para o irmão. — Quer dizer, nossa, Chanyeol, você vai falar com ele, não é?


O sorriso de Chanyeol sumiu mais rápido do que apareceu. Ele não tinha pensado exatamente em como seria falar com Baekhyun. Não tinha o que temer, ele também gostava de si, também sentia todas aquelas clichês borboletas sanguinárias causadoras de prisão de ventre (que ninguém nunca falava sobre, mas que acontecia frequentemente quando estava nervoso) e também queria... Beijá-lo.


— Baekhyun vai querer me beijar. — A frase saiu de forma dramática, quase como se falasse de alguma tragédia mundial que afetava metade da população global.


— Então beije ele. — Yoora foi até a porta, mas não foi embora até terminar o que tinha para dizer. — Qual é, Chanyeol, não vai amarelar porque está com medo de perder a virgindade da boca, né?


— E quem disse que eu sou BV? — Ele falou voltando ao normal acéfalo mentiroso que era, o que era uma pena, Chanyeol estava tão bonitinho demonstrando seus sentimentos na opinião de Yoora. — Eu já beijei várias bocas.


— Ah, é? Então me diga apenas um nome!


Ele perdeu o ar e em sua mente só martelava o nome de Baekhyun, porque foi impossível de imaginar o que ele pensaria se soubesse que estava dizendo uma mentira daquelas. Suspirou derrotado quando a irmã fechou a porta do quarto rindo, mandando-o tomar um banho e ir almoçar logo.


Realmente era um banho que precisava para pensar sobre o que faria sobre Baekhyun. Queria estar perto dele, conversar com ele, rir com ele e fazer ele rir e sorrir como se o mundo lá fora não importasse. Algo, no entanto, estava o prendendo, travando como se fosse um ser maligno que queria separá-los por ser invejoso.


Acabou por bater com o punho com força demais na parede do banheiro e choramingou por isso. Só de pensar em alguma força maligna estar o impedindo de ter seu Baekhyun o frustrava, mesmo sabendo que não se tratava de nenhuma força que regia o universo, mas sim de algo chamado timidez.


(...)


Era um idiota, um verdadeiro e impulsivo idiota. Por que diabos foi seguir o conselho de seu pai? Aquela história tinha dado certo, mas a muitos anos atrás quando Baekhyun não era nem nascido e ainda não existiam celulares e computadores. Era quase a pré-história. Ele seguiu Chanyeol o dia inteiro e pode constatar que ele tinha odiado o fato de ter recebido aquela carta. Se ele tivesse gostado teria aberto ali mesmo no corredor, lendo com euforia cada uma de suas palavrinhas infantis e idiotas, assim como ele próprio, um grande idiota!


Pegou seu suco de maçã e decidiu que só beberia isso como um café da manhã, já que se comesse alguns daqueles sanduíches naturais deliciosos acabaria por vomitar de nervosismo. E a cada vez que tentava furar a caixinha daquele suco imaginava que estava furando aquela bendita carta, então acabou por usar mais força do que seria necessário, e vendo que mesmo assim não havia furado, jogou logo tudo no chão desistindo.


Uma fração de segundos depois, quando finalmente olhou para frente e o viu, se arrependeu completamente de ter feito aquela loucura. Chanyeol estava parado na sua frente com a bandeja do refeitório na mão. Tinha dois sanduíches e apenas uma caixinha de suco de tangerina. Os olhos estavam levemente arregalados, provavelmente se perguntando o que ele tinha acabado de ver.


Agora, mais do que nunca, Baekhyun achava que era um grande idiota, o maior de todos.


— Se importa se eu sentar aqui?


Era Park Chanyeol perguntando educadamente para ele, Byun Baekhyun, se poderia sentar ali. Se ele se importava?


— Claro! — Acabou por dizer alto em um impulso, mas logo percebeu a grande idiotice que tinha feito. — Quero dizer, não. Quero dizer, me importo sim, mas não é incômodo. Senta aí.


Havia falado demais. Porque as palavras simplesmente não pedem permissão antes de sair e queimar o filme dele logo agora? Poderiam fazer isso quando algum colega de classe idiota o pedisse para ajudar com as lições de casa, mas não nesse momento!


— Eu notei que você não tinha pegado nenhum sanduíche, então peguei esse aqui de atum. É o seu preferido, certo? — Chanyeol falava um pouco baixo enquanto sentava de frente para si.


Era um cavalheiro! Em tempos tão modernos em que os humanos perdiam cada vez mais um pouco da cordialidade e do respeito alheio, Baekhyun não podia acreditar que tinha achado alguém tão... Tão Chanyeol! Céus!


— É sim. — Ele sorriu e pegou o sanduíche assim que lhe foi oferecido. — Como sabe?


— É que eu também gosto de você. — Ainda estava na primeira mordida e já havia engasgado ao ouvi-lo dizer isso. Tratou de desengasgar o mais rápido possível porque, apesar de gostar da atenção de Chanyeol totalmente em si, não queria preocupá-lo. — Há mais tempo do que você imagina. — Ele continuou quando teve a certeza de que Baekhyun não morreria enquanto comia. — E eu fico muito feliz por ter se declarado primeiro, porque não sei se teria a mesma coragem.


— Foi um surto de adrenalina. Quer dizer, eu acabaria fazendo isso de qualquer maneira, mas no momento estava realmente com muita adrenalina no corpo.


Eles conversaram durante todo o intervalo. Baekhyun se chamava de idiota internamente a cada cinco palavras que saía de sua boca e passava as mãos suadas na calça para tentar conter aquele suor excessivo e desnecessário. Já Chanyeol não conseguia desviar os olhos de Baekhyun apesar do mesmo falar pelos cotovelos. O sorriso tímido o fazia sorrir de volta, e provavelmente pareciam dois retardados agindo daquela forma em público, mas nossa, era tão bom conversar com ele.


— Essa noite eu quero te levar para jantar.


Foi por aquele impulso bobo de Chanyeol que acabou convidando-o para sair. Sabia a opinião dele sobre encontros daquele tipo, mas também sabia que Baekhyun nunca recusaria nada vindo dele.


— Mas isso é tão clichê, Chanyeol! E faz parecer que nós somos adultos.


— Disse o cara que se declarou para mim por uma carta — falou e observou Baekhyun ficando vermelhinho em questão de segundos. Sentiu uma vontade enorme de abraçá-lo e protegê-lo do mundo para sempre, mas tudo o que fez foi pegar na mão dele e segurá-la bem firme. E nossa, a mão dele estava muito suada. Percebeu o desconforto dele por conta disso, mas mesmo assim continuou com aquele contato bobo. — Vai ser divertido, eu prometo.


Tudo o que Baekhyun fez foi sorrir. Se Chanyeol disse que seria divertido então seria divertido, não teria motivo para estar tão nervoso a ponto de ter um ataque epiléptico ou coisa parecida.


(...)


A noite estava linda. Se naquela noite não fosse sair com Park Chanyeol para jantar talvez não fosse tão linda assim, e era mais do que confirmado que estaria dentro de seu quarto lendo e nunca veria as estrelas daquela noite. O teto solar do carro do senhor Park mostrava as estrelas que tinham lá no alto, tão brilhantes e bonitas, assim como Chanyeol quando sorria para si.


Eles estavam animados e nem mesmo a presença do adulto no volante poderia abaixar aquela empolgação. O mais velho ali se surpreendeu quando o filho pediu aquele favor, já que quando tinha seus dezesseis anos não era exatamente desse jeito que levava as meninas que gostava para sair. O filho era tão inocente que se sentiu quase arrependido de ter aceitado pensando no outro garoto que provavelmente se sentiria entediado, entretanto estava terrivelmente enganado. Byun Baekhyun era um garoto ainda mais inocente que Chanyeol. Ele o cumprimentou animado, e disse que se aquela noite fosse divertida o bastante talvez o visse mais vezes no futuro. Ele era estranho e falava mais do que seria considerado aceitável, mas quem era o senhor Park ali para julgar alguma coisa? Os garotos estavam sendo felizes juntos, saindo juntos.


O restaurante que Chanyeol resolveu levá-lo era um restaurante italiano, o melhor daquela região. O senhor Park havia feito uma reserva no seu nome em uma parte mais reservada, assim eles foram para a varanda do segundo andar onde puderam comer e observar as estrelas ao mesmo tempo.


— Não poderia ter sido mais clichê ao me trazer em um restaurante italiano.


— Ei, nunca tinha comido comida italiana na vida, ok? Não estou arrependido.


— Pois eu estou, meu pai poderia ter feito um Gnocchi melhor pra gente.


— Ao menos reconheça meus esforços, fiz isso porque realmente gosto de você.


Chanyeol pegou na mão dele por cima da mesa e por incrível que pareça a mão dele estava seca, e mais incrível ainda, estava fria. Parece que enfim tinha deixado de ficar tão nervoso assim quando estava consigo.


— Da próxima vez eu escolho onde a gente vai se encontrar, tá bom?


Eles iriam se encontrar outra vez.


— Tudo o que você quiser.


Saíram do restaurante juntos. Infelizmente, não teriam a mesma carona de volta para casa. Baekhyun achou isso um ultraje porque não gostava de caminhar, mas Chanyeol se sentia nervoso porque sabia exatamente o que o pai quis dizer com suas ações. Ele queria que levasse Baekhyun até a porta de casa e o deixasse com aquela cena de beijo clichê na porta de casa. Por que era tão constrangedor apenas pensar em beijá-lo? Céus, estava mais do que na hora, tinha dezesseis anos e nunca havia encostado os lábios na língua de nenhum ser humano, já que sua cadela Lana não contava e muito menos seus beijos tirado a força porque a cadela era hiperativa e adora lamber a cara de todo mundo.


Quando chegaram até a bendita casinha amarela — assim como o envelope, porque a cor preferida dele já tinha notado que era amarelo — Baekhyun o olhou como se todo aquele céu escuro e cheio de pontos brilhantes estivessem em seus olhos. Os lábios vermelhinhos e abertos, Chanyeol estava enlouquecendo e não havia nem passado meio minuto que estavam ali.


— Eu amei o jantar. — Baekhyun se pronunciou baixinho por estarem tão perto um do outro. — Não pela comida, mas por você. Porque eu realmente gosto muito de você.


— Sabe, acho que não precisa dizer o quanto gosta de mim, porque eu que estou devendo uma declaração pra você. — Baekhyun riu bonitinho e ele sentiu aquele leve enfarto que acabaria por levá-lo mais cedo a frequentar um cardiologista. — Eu gosto de você tanto que gosto mais do que comida italiana. Melhor, gosto mais de você do que gosto de Química.


— Você realmente tá falando essas coisas? Meu Deus, Chanyeol, fique calado e espere até eu ter a coragem que preciso pra te beijar.


E não demorou nem meio segundo. Foi rápido e envergonhado, um selinho tão sem gosto que Chanyeol teve que segurá-lo em seus braços antes que fugisse para beijá-lo do jeito que sempre quis. Devagar e sem pressa, como se o mundo ao seu redor de fato tivesse parado naquele exato momento. Era um pouco desajeitado, mas quem conseguia ser o expert no jogo das línguas logo na primeira tentativa? Até mesmo Ayrton Senna nasceu sem saber pilotar, então não era pecado nenhum se tivesse se perdido um pouco no meio daquele beijo.


— Uau — Baekhyun sussurrou e foi surpreendido por outro selinho em seus lábios. — Agora a noite realmente valeu a pena.


Não deixou de rir antes de beijá-lo de novo, e de novo. Se Baekhyun não tivesse saído correndo depois do que parecia ser o quinto beijo da noite, Chanyeol provavelmente teria ficado ali até o amanhecer, apenas testando a maciez daqueles lábios e se perdendo um pouco mais naquela paixão.


— Só uma coisa! — Baekhyun gritou da janela de seu quarto. — A gente precisa aprender a beijar melhor porque sinto que tava tudo errado!


— Você disse que tinha gostado!


— E eu adorei!


Naquela noite, Chanyeol não conseguiu dormir. Não foi como das outras vezes em que a insônia o invadia e ficava inquieto até dar três, quatro da manhã. Ele tinha um sorriso bobo nos lábios, os pensamentos sempre voltando ao momento em que finalmente pôde ter ele ali em seus braços, o beijando como se o amanhã não existisse.


Ele estava amando a sensação de perder a timidez de uma vez por todas. 

Nov. 16, 2018, 11:19 p.m. 2 Report Embed 6
The End

Meet the author

Karina Diniz 19 anos de pura maluquice e paranoia. Irá fazer um supletivo ano que vem por não suportar mais repetir o segundo ano. Gostaria de ser mais produtiva de segunda a sexta. Tenta fazer algo novo e melhor todos os dias. Ah, também costuma falar com suas alucinações nas horas vagas.

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Sra Athena Sra Athena
aaaaaaaa, amei tudo!!! Sua escrita é maravilhosa e super excitante! Eu me senti cativada a cada palavra ou frase que lia e m-e-u d-e-u-s, amei a personalidade do Chanyeol e Baekhyun! O Baekhyun todo fofinho se declarando - e que declaração minha gente, a cartinha super fofinha e cheia de sentimentos -, o Chanyeol todo fofo mas sem coragem pra tomar as iniciativas, aaaa, fofo demais!! Como eu amei a personalidade dele!
Nov. 16, 2018, 8:44 p.m.

  • Karina Diniz Karina Diniz
    aaaaa obrigada pelo feedback anjo!! Fico muito lisonjeada que tenha gostado dessa oneshot, de verdade. Muito obrigada e um abraço <3 Nov. 17, 2018, 11:09 a.m.
~