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Depois de um acontecimento misterioso que as tornou órfãs, Sakura, Ino e Hinata foram adotadas pela prefeita da cidade de Konoha que, apesar de se esforçar para ser uma boa mãe, nem sempre está em condições de dar o seu melhor. Ela descobre entidades protetoras dispostas à ajudar e propõe um acordo: Sasuke, o corvo da montanha, Sai, a pantera do rio e Naruto, a raposa do bosque, deveriam olhar por suas filhas e protegê-las sempre que necessário. Em troca, elas seriam suas quando completassem 21 anos. Estariam eles dispostos à trocar sua imortalidade para ficar com suas protegidas?


Fanfiction Anime/Manga Not for children under 13.

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Adoção

Konoha, fevereiro de 2006


— Shizune! – a prefeita chamou assim que acordou de seu cochilo pós-almoço – Shizune, vem logo!


A assistente de cabelos curtos entrou desesperadamente pela porta do gabinete e deparou-se com Tsunade, a prefeita da cidade de Konoha, sentada à sua cadeira com metade do corpo debruçado sobre sua mesa. Os cabelos loiros e compridos estavam jogados para frente, a fazendo parecer uma versão preguiçosa e nada ameaçadora da Samara. Havia pilhas e mais pilhas de papeis soltos à sua volta, tanto ao lado de sua cabeça quanto espalhados pelo chão. Shizune suspirou pesadamente e levou os arquivos que carregava consigo até mais perto de sua chefe.


— Chamou, senhora Senju?


Senhora... – a loira repetiu num tom de desprezo – Já pedi pra me chamar pelo primeiro nome. Sei que você é nova por aqui, mas se não for capaz de seguir essas pequenas ordens, não vamos nos dar bem.


— Peço desculpas, Tsunade.


Finalmente a prefeita levantou o rosto amassado pelo sono pesado. Assim que abriu os olhos, grunhiu de desgosto por causa da luz do Sol que entrava pela sala, então tentou proteger o rosto usando um arquivo qualquer que estava ao seu alcance.


— Shizune, feche essas persianas!


A assistente passou todos os arquivos para apenas um dos braços e esforçou-se para cumprir a tarefa.


— Não esperava que fosse acordar tão cedo, Tsunade.


— Acredite, não estava nos meus planos... – lamentou a outra quando finalmente se viu livre da luminosidade. Ao observar sua subordinada penando para puxar todas as correntes do escritório, sentiu-se mal por ter sido tão dura. Levantou e foi ajuda-la. – Foi mal... Sabe como eu acordo de mal humor.


— Ora, não se preocupe com isso. Já estou me acostumando. – riu.


Quando terminaram, Tsunade se espreguiçou com vontade e bocejou ruidosamente.


— E então, o que temos para a parte da tarde? – perguntou.


— Nós poderíamos dar uma olhada em todos esses papeis soltos... – Shizune começou, mas, assim que notou a cara feia da outra, mudou de rumo – ...Ou eu posso dar uma geral nisso mais tarde. Enquanto isso, preciso que carimbe esses arquivos.


Ela passou os documentos para a prefeita e foi em direção à mesa desorganizada.


Tsunade recebeu a papelada, verificou o relógio rústico pendurado na parede a sua frente e lamentou internamente. Estava acostumada a chegar ao gabinete às oito horas da manhã, trabalhar, almoçar ao meio dia, dormir até pelo menos três horas da tarde e só então retomar às suas tarefas. Não se importava nem um pouco de passar a noite em claro com "atrasos" e até gostava do ambiente silencioso. Eram nesses momentos de produtividade e paz que ela se lembrava do porquê de ter assumido o cargo público.


Ser prefeita de Konoha foi sua ambição desde os 25 anos, quando estava recém-formada na faculdade. O prefeito que estava assumindo seu segundo mandato na época, Sarutobi Hiruzen, fez um discurso sobre o futuro ser reservado aos jovens e como ele desejava que a cidade estivesse nas mãos deles um dia.


"Não aguento mais tantos homens velhos e carecas na política. Onde estão as moças de cabeça aberta?"foram as frases que a inspiraram. Alguns telefonemas, campanhas e poucos anos mais tarde, lá estava ela cuidando de sua amada cidade natal, olhando para todos e por todos os cidadãos.


Apesar de satisfatório, o cargo era pesado, é claro. Tsunade se esforçava para manter o nível de qualidade deixado pelo último prefeito, que conseguiu de forma honrosa diminuir os abusos a crianças e mulheres, erradicar toda a forma de trabalho infantil e dar um jeito na saúde pública. Por estar na função há pouco mais de um ano, ela já podia afirmar estar fazendo um bom trabalho, mas sua competência tinha um custo...


— Shizune, antes de começar será que você não pode ir buscar umas geladinhas? – pediu com a voz baixa, mas sorrindo, como se fosse uma criança contando um segredo.


A morena suspirou alto. Ela não mentiu quando disse que estava se acostumando às maneiras de Tsunade: sabia muito bem que aquele pedido surgiria mais cedo ou mais tarde, então foi até o frigobar que ficava escondido dentro de um móvel largo e abriu a porta revelando três latinhas de cerveja bem geladas.


— Eu repus o estoque ontem antes de sair. – informou prestativa.


— Você é um anjo! Nem parece que está comigo há apenas um mês! – a loira se empolgou indo em direção ao seu combustível líquido. Sentou-se na poltrona mais afastada para beber e folhear os arquivos que precisavam de carimbos.


Todos pareciam comuns e rotineiros, mas um envelope lacrado lhe chamou a atenção. Ao abrir, viu que se tratava da Assistência Social e estranhou, pois há anos Konoha não tinha problemas graves na vara da família. Fora que isso não era um problema direto a ser tratado com a prefeitura. Sem mais delongas, começou a ler o documento: Tratava-se de remanejamento municipal das crianças do orfanato.


— Porra, só isso? Eu tenho mais o que fazer. – indignou-se jogando os papeis no chão.


— O que aconteceu? – perguntou a assistente que estava ocupada com a organização da mesa principal e nem se abalava mais com as reações exageradas de sua chefe.


— A Assistência Social quer minha permissão para realocar umas criancinhas. Preciso que você faça um telefonema para lá e diga que esse tipo de coisa não é responsabilidade nossa. Devem estar querendo dinheiro e "realocar os órfãos" – ela disse fazendo aspas com as mãos – é um modo de dizer que querem de mais fundos.


Enquanto a prefeita apresentava seu monólogo irritadiço, Shizune apanhou o documento do chão para dar uma lida.


— Até parece que eu vou encher o bolso daqueles empresários que compraram tudo naquela área. – ela continuou – Eu sei muito bem que o prédio do orfanato está em ótimas condições. Foi um dos locais que visitei no início do ano e pode ter certeza que eu não deixo criança alguma passar fome. O que eles querem é desviar tudo para eles. Ah se eu pego um desses caras e-


— Senhora... Quer dizer, Tsunade, acho melhor ler essa parte. – interrompeu a outra.


A loira olhou para onde lhe era apontado: os detalhes das circunstâncias das crianças.


Aparentemente, elas não podiam ser consideradas órfãs, pois não se sabia de onde vinham. Há mais de um mês a Assistência Social esteve em busca de familiares, mas nada foi encontrado. Tudo que se sabia é que vieram do sul já que foram encontradas na entrada do bosque que dividia a área urbana da grande floresta natural da região.


— Pelo que diz aí, são três meninas de possivelmente 5 anos de idade. Elas foram encontradas com etiquetas identificando seus nomes amarradas aos pulsos. Ninguém nunca as viu em Konoha, então se acredita que sejam de alguma cidade vizinha.


— Será que foi abandono? – Tsunade deu mais um gole na cerveja para digerir a triste hipótese. – Quem larga crianças num bosque?


— Parece que foi abandono sim... Acho que eles querem sua permissão para realoca-las porque, sem nenhum histórico ou parentes localizados, elas são responsabilidade da cidade. Com o processo, acho que elas viram problema do estado e depois, se ainda não forem identificadas, passam a ser assunto federal. – Shizune explicou.


— Olha, mas você tem conhecimento hein.


— Eu passei muito tempo da minha vida cuidando de crianças. – revelou a assistente com um sorriso nostálgico, mas que de certa forma carregava tristeza.


— Então basta que eu carimbe isso aqui e elas vão ser jogadas de orfanato em orfanato até serem adotadas?


— Ou encontradas pelos parentes. – lembrou a outra.


— Não, já vi casos de abandono antes. – lamentou Tsunade enquanto caminhava até o frigobar, pois precisava de mais uma latinha – Sem histórico parental, sem comprovante de vacinação... Mais cedo ou mais tarde, vão parar numa espelunca qualquer onde vão passar o resto da infância e adolescência. Já é difícil encontrar pais adotivos para crianças já que a maioria prefere bebês, agora imagine essa situação. Elas não tem nenhuma chance. Fora que... Gente, por que etiquetar crianças? Que coisa mais louca.


Shizune uniu as sobrancelhas.


— É uma forma horrível de dizer isso, mas acho que é verdade. Se estão procurando há mais de um mês e não encontraram nada, então acho que é um caso perdido.


As duas ficaram em silêncio por um momento. O carimbo que faria aquele destino se concretizar estava a menos de um metro de distância, mas ninguém se moveu para alcança-lo.


— Shizune, e se você adotar elas? – sugeriu a prefeita.


— E-eu? Prefeita, isso seria impossível! Mal posso tomar conta de mim mesma.

Tsunade suspirou tentando pensar em pessoas conhecidas e de confiança que tivessem renda suficiente para cuidar das três menininhas... Alguém com pulso firme... Alguém... Quem?


Ela encarou a latinha já quase vazia em sua mão e foi atrás da terceira. Antes de abrir, teve de repousar as outras duas na mesa, mas por um breve momento visualizou as três latas como sendo aquelas menininhas sem um lar. Teve uma pena e abraçou as latinhas.


— Shizune...


— Sim?


— E se eu ficar com elas?


A morena olhou em direção às latinhas que sua chefe carregava com tanto cuidado.


— Acha mesmo uma boa ideia?– questionou olhando diretamente para as bebidas – Quer dizer, a senhora... Bem...


— Eu posso parar de beber se for por uma boa causa. Crianças requerem muita atenção. Tenho certeza de que nem encontrarei tempo para pensar em cerveja. – declarou confiante.



**********



No dia seguinte, de banho tomado e sem o álcool no cérebro, Tsunade chegou ao estabelecimento onde as três menininhas estavam alojadas. O ambiente era meio morto e havia poucos funcionários já que não havia mais do que 10 crianças morando por lá. Passando pelas salas, a prefeita contou apenas seis crianças e um bebê que dormia tranquilamente apesar da bagunça que as demais faziam.


— Senhorita Senju, que surpresa agradável. – cumprimentou a atendente que se identificou como a responsável pela regência – Imagino que esteja aqui para resolvermos o caso da viagem das meninas não identificadas.


— Na verdade não. – respondeu com um sorriso brincalhão – Vim para me candidatar à adoção. Quero ser a nova mãe delas.


A palavra recém-pronunciada causou um arrepio em Tsunade. Desde que traçara o plano, não tinha se autodenominado "mãe". A pequena palavra carregava todo o peso da decisão que tomara.


A gerente piscou algumas vezes confusa com o que acabara de ouvir.


— Não sei se compreendi bem...


— Eu quero adotar as coisinhas. – a prefeita esclareceu e revirou os olhos - Vamos, não tenho o dia todo.


Apesar de ter sido pega de surpresa, a mulher indicou à prefeita que se sentasse e disse que iria preparar uma papelada.


Alguns minutos depois, voltou e sentou-se também.


— Bom, é um processo lento. – explicou – Ainda temos que resolver burocracia e esperar uma resposta dos assistentes sociais responsáveis pelas meninas. A sociedade médica está realizando alguns exames de tomografia e psicológicos para determinar mais ou menos a faixa etária delas, já que não se lembram. Na verdade elas não se lembram de nada de seu passado e isso é preocupante.


— Posso lidar com isso e com possíveis custos futuros sem problemas. – a prefeita a tranquilizou.


— Isso é ótimo. – sorriu – Também temos de estudar o seu pedido, este que vamos preencher agora, e... Bem, senhorita Senju, a qualquer momento os pais dessas crianças podem aparecer e requerer a guarda.


— Tudo bem, tudo bem. Eu só quero fazer o que é certo por elas. Nem que seja por um curto período de tempo... – explicou.


— Fico feliz de ouvir isso. Sabe como é... Elas provavelmente seriam despachadas e novo e de novo até cair em assunto federal.


— É exatamente o que eu quero evitar. Comigo sei que estarão seguras. – a prefeita sorriu com sinceridade. Era uma decisão impulsiva, mas a cada minuto que passava, mais empolgada ela ficava.


As duas passaram um bom tempo preenchendo fichas e assinando papeladas. No fim, Tsunade estava exausta e almejando um cochilo no seu gabinete. Pensou em pedir algumas cervejas para Shizune, mas imediatamente se lembrou de que teria de parar se fosse ficar com as meninas.


— Posso vê-las agora? – pediu.


— Siga-me, por favor. Espero que elas sejam mais receptivas com você, pois quase não falam comigo... – a mulher lamentou apontando para um dos quartos no corredor – Só sabemos seus nomes por causa das etiquetas, mas elas não gostam de falar com estranhos. Boa sorte.


Assim que Tsunade entrou no quarto que lhe foi indicado, deu de cara com três cabecinhas coloridas: uma delas era bem loira, a outra era morena e a última, ela estranhou, era cor de rosa. Seria tintura?


Como as pequenas estavam conversando entre si e pareciam bem à vontade, imaginou que seria um bom momento para se apresentar:


— Olá. – agachou-se até ficar da altura delas - Fiquei sabendo que estão precisando de uma mãe evoilà! Muito prazer. Acabo de me candidatar ao cargo!


A morena tinha olhos grandes e fez cara de choro. A loira a abraçou de forma protetora e olhou feio para a prefeita. Quanto à rosada, ela apenas encarou Tsunade sem se abalar, como se aquilo não se tratasse dela.


Tsunade percebeu que talvez essa não tenha sido a melhor maneira de começar uma conversa...

March 19, 2019, 10:05 p.m. 0 Report Embed 0
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