Garotos não Choram Follow story

shinobidesu Karina Diniz

Quando se tem um blog de fofoca atuando nas entranhas de uma cidade pequena, um clique é capaz de devastar vidas inteiras. Oh Sehun, que aparentemente é apenas mais um imigrante, é uma das pilastras importantes para o funcionamento do Breaking the Rules. Ele e Junmyeon são responsáveis por manipular pessoas, destruir relacionamentos e tudo em busca da notícia sensacionalista perfeita. Quando Baekhyun volta e traz todos os mistérios sobre todas as coisas que aconteceram no verão passado, toda a corporação oculta do blog anônimo passam a vê-lo como uma ameaça. Seria fácil arruinar a reputação de Byun Baekhyun novamente se um erro não calculado impedisse isso de acontecer. [SEBAEK | SEKAI | LONG-FIC]


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Chapter 1 - Flowers with Thorns.


4 DE JANEIRO DE 2007

OLYMPIC PENINSULA, PORT ANGELES – WA.


200 DIAS ANTES

O primeiro dia de sol depois de três meses. Não era grande coisa já que a neve continuava se acumulando aos montes nas telhas das casas e nas calçadas da cidade, contudo, Sehun achou que hoje seria um dia especial assim que pôs os pés para fora de casa, com o nariz avermelhado ardendo por baixo do cachecol. O caminhão que recolhia a neve de três em três horas já circulava por sua rua, os filhos dos vizinhos faziam bonecos de neve e suas gargalhadas eram altas. Nos fones de ouvido tocava um longo e animado solo de guitarra, sua intenção ao escutá-lo é ficar tão animado que o frio não conseguisse afetá-lo. Era uma boa ideia, porém nada conseguiria quebrar aquele frio, segundo o senhor polonês que dava comida aos patos no lago próximo a floresta. Em parte ele concordava. Por ter crescido ali, Sehun sabia o quanto Port Angeles pode ser congelante durante o inverno e quente durante o verão. Quando ainda era muito pequeno para se lembrar, tinha a saúde muito prejudicada pelo clima local. Agora com seus dezesseis, poderia considerar sua saúde de ferro se comparar a anos atrás.


Chegando ao centro da cidade pôde ver uma mínima movimentação de pessoas e carros,  nada muito grande. Em dias como aqueles as pessoas preferiam estar dentro de suas casas, bebendo um chocolate quente e conversando com os parentes que sobraram depois das festas de fim de ano. Diferente delas, Sehun tinha que trabalhar. Em sua sincera opinião não deveria ser considerado um emprego, mas sim uma escravização total. Talvez sua mãe não o pagasse como deveria por ser seu filho, mas também se for olhar por outro lado ele a entendia. A mulher tinha que arcar nas despesas de casa junto com o novo marido, e estas eram consideravelmente altas já que pagavam a faculdade de sua irmã mais velha e ainda tinham que comprar coisas e mais coisas para o bebê que deveria chegar pela primavera. Por conta desses contratempos Sehun não podia ter o privilégio de ganhar um salário mínimo americano quando ela podia lhe dar algum dinheiro. Era deprimente pensar que estava sendo deixado em terceiro plano.


Na rua principal ficava a floricultura dos Oh. Era um estabelecimento humilde, mas ainda tinha seu charme por conta das inúmeras flores e plantações que tanto combinavam com a decoração rústica. Era a maior fonte de renda da família, já que no momento o novo marido russo da senhora Oh, Dimitri Alekseev, estava desempregado. Eles estavam abrindo todos os dias sem exceção, a comida que ia para o prato estava se tornando cada vez mais escassa. Sehun foi o primeiro a notar, até mesmo primeiro que Dimitri. Ele pegou metade do dinheiro que tinha juntado na gaveta de meias e deu para sua mãe naquela noite sem dizer uma palavra, mesmo assim ela agradeceu e o disse coisas como “Deus não poderia ter me dado filho melhor, tão gentil”.


Nas primeiras horas era sempre tudo mórbido. A porta ficaria intocada se não fosse pelos pingos de água escorrendo, mostrando que em breve toda a neve da rua também teria o mesmo destino. Ele limpou a loja por inteiro, deu água as plantas e organizou a papelada que ficava em cima do balcão. Fazer todas essas tarefas até ajudava seu corpo a esquentar-se mais um pouco, embora ainda tivesse que manter o aquecedor ligado enquanto eles ainda poderiam pagar por um.


Estava organizando a nova remessa de sementes na prateleira exclusiva para elas quando algo considerado inédito aconteceu para quebrar sua rotina. O sininho que ficava em cima da porta tocou, então ele soube que alguém tinha entrado na loja. Achou ser algum dos pescadores locais que sempre apareciam ali para pegar minhocas para serem suas iscas, então virou-se já pronto para dizer que, infelizmente, parece que as minhocas morreram congeladas.


— Eu trouxe um Latte e cookies pra você. — Ele falou naturalmente, como se não fizesse exatamente oito meses desde a última vez em que se falaram. O inglês dele ainda tinha aquele ligeiro sotaque coreano, um detalhe que não sumiria da fala nem mesmo se tentasse. Continuou com todo o ritual que sempre fazia antes de ir até o balcão, desde tirar o excesso de neve das botas no tapete até ajustar o cachecol e deixar o guarda-chuva ao lado da porta.


— Ah, obrigado. — “Eu acho”, ele pensou em dizer, mas deixou morrer em sua garganta por achar ser um tanto grosseiro de sua parte.


Byun Baekhyun ainda continuava o mesmo. Desde os fios negros do cabelo até os olhos miúdos, que lembrava-se de serem sempre espremidos por um sorriso constante. Ele estava com seu cachecol vermelho, aquele que tinha o dado de aniversário no ano passado. As mãos bonitas eram cobertas por luvas da mesma cor, a cabeleira tendo também o mesmo fim já que parecia querer correr do frio como todos. Ele sentou-se atrás do balcão sendo acompanhado por Sehun.


— Pode me contar o porquê vi Jeong Somi no estacionamento do Starbucks com um cartaz escrito “Diga não à opressão da pirâmide esportiva”? — Falou enquanto abria o pacote com os cookies, tomando um para si.


— Porque eu saberia alguma coisa?


— Ela é sua irmã mais nova — Ele mordeu o cookie, mastigando rapidamente para continuar a falar. — e nova dentro da selva organizada de Peninsula High School. Pelo que escutei você é o bichinho de estimação novo dos medianos, então deveria tentar orientá-la, sei lá. É melhor do que vê-la chorando por ser vítima dos banhos de sangue deles.


Sehun suspirou antes de dar um gole em seu café. Ele concordava com Baekhyun, mas não poderia impor ordens nela. Era só o meio irmão, aquele que não tinha o porquê se meter em sua vida. E mesmo assim, se tentasse dar sua sincera opinião sobre o que a menina está fazendo, seria cortado e chamado de machista, já que ela lutava com tudo para que não existisse mais pessoas oprimidas pelo sistema “riquinhos que praticam esportes”.


Preferia não se meter nos assuntos dela e do seu grupo de garotas oprimidas. O que acontece é que aquela pirâmide esportiva de popularidade era a base da maioria das escolas americanas, não era algo exclusivo de Peninsula High School. A base era composta por membros do time de natação, gente boa em sua maioria e muito sociáveis com os alunos regulares. No meio ficava os jogadores de basquete, os medianos que não tinham a conta bancária nada mediana. No topo ficava os jogadores de futebol americano. Aparentemente todos os garotos que nasceram em Port Angeles já desejaram alguma vez na vida participar do topo, pensando na popularidade e no tanto de garotas que conseguiriam ter apenas estalando os dedos. Obviamente esse nunca foi o caso de Oh Sehun.


— Ela vai se conformar algum dia. A vida não é como um sonho onde todos os nossos desejos se realizam, a vida é cruel.


Tinha certeza que a frase ficou um bom tempo martelando na cabeça de Baekhyun. A expressão de surpresa misturada a algo que não sabia ser remorso ou raiva estava em evidência por causa do que tinha dito. Não foi sua intenção trazer tudo à tona de novo ao dizer aquilo.


Segundos depois estava fingindo que não disse nada demais enquanto bebia o resto do café. Baekhyun levantou da cadeira e ligou o rádio velho da senhora Oh. Ela só tinha velharias como The Dandy Warhols e Poison Idea, então tiveram que se conformar com o que tinham.


O bloco de notas amarelado pelo tempo estava em cima do balcão desde que chegou na loja, sem um rabisco se quer. Era ali onde anotava suas ideias para o maior site de notícias anônimas — geralmente sobre o que ninguém comentava ou sobre alguma pessoa realmente popular na cidade — que foi montado por um morador anônimo para todos, mas que conhecia melhor do que ninguém. Sua função era de grande importância jornalística como cameraman, mas ninguém o chamava assim por ser novo demais, preferiam chamá-lo de cameraboy. Sehun se destacava dos demais estudantes regulares por conta disso, afinal, ele conhecia o maior mistério de toda a Peninsula High School e permanecia calado por este tempo todo. Muitos chegaram a comentar que na verdade o Breaking the Rules é de inteira autoria dele, mas ninguém tinha provas para condená-lo, além de ter mais duas pessoas em Port Angeles que publicamente assumiram conhecer o Pink, o dono da coisa toda.


— Ainda envolvido com as aranhas? — Baekhyun perguntou ao notar que ele tinha um lápis entre os dedos e estava consideravelmente concentrado.


— É um privilégio — Falou o que sempre falava para qualquer um que ousasse falar sobre sua posição. — tem alguma ideia do que posso filmar pro Breaking the Rules?


— Não — Disse sincero enquanto dava uma olhada nas plantas pequenas perto do balcão. — Você é o cameraboy, Sehun. — Ele apoiou-se no balcão voltando a olhar Sehun diretamente, mordendo o lábio inferior em seguida. Parecia pensar em alguma coisa, então de repente estalou os dedos no ar, uma ideia. — Deveria fazer algo na causa das protestantes. Esse seu amigo anônimo adora uma confusão, isso seria uma ótima matéria.


— Você é brilhante. — Deixou escapar e pode ver o momento em que os cantos dos lábios do Byun repuxaram em um belo e sincero sorriso. Por incrível que pareça não foi estranho vê-lo sorrir, mesmo depois desse tempo todo fingindo não conhecê-lo. — Por acaso você também anda se envolvendo nas teias das aranhas?


— Não Sehun, só sou todas as respostas que você procura.


O meio sorriso nos lábios de Sehun desapareceu ao depara-se com o rancor que Baekhyun tinha de si, este que foi mostrado em cada palavra que saiu de sua boca. Ele olhava no fundo dos olhos, como quem queria transmitir que não, ainda não tinha esquecido de nem um terço do que sofreu no verão passado. Era tanta dor mostrada nos olhos pequenos dele que Sehun sentia o nariz arder e a respiração torna-se descompassada, e sabia que se o outro falasse mais alguma coisa acabaria por chorar.


— Baekhyun… — Tentou buscar palavras para começar a dizer tudo o que estava o atormentando, mas nada do que pensava parecia ser o suficiente.


— Não, Sehun — Ele piscou rapidamente, tentando não parecer que estava prestes a chorar. Forçou um sorriso para não preocupar o mais novo, mesmo tendo a certeza de que tinha falhado. — não vem com a merda das tuas desculpas. Foi difícil no início, mas já passou.


— Eu sei que o que fiz no ano passado te machucou, mas você sabe-


— É sério cara, chega. Não teria vindo aqui se não tivesse te perdoado. — Ele suspirou revirando os olhos por trás das pálpebras. Sehun sabia muito bem que ele fazia aquilo para enganá-lo, mas Baekhyun não percebeu que já não enganava-o mais. — Aliás, por que ainda estamos escutando esses caras? Isso é o pior do Punk Rock. Até a estação de rádio onde Junmyeon faz estágio é melhor que isso.


Ele foi novamente até o rádio, tirando o CD e fazendo Sehun prometer que daria um fim a aquela velharia. Colocou na FM 101.7 — a rádio local de Port Angeles — e voltou a sentar-se atrás do balcão e reclamar das músicas do interior.


— Essa foi Sound of Silence de Simon e Garfunkel. — Os dois garotos surpreenderam-se ao escutar a voz de Junmyeon logo após o término da música. — Uma música antiga e depressiva demais para uma quarta-feira em que o sol finalmente deu as caras na cidade, na real, quem escolhe as músicas disso aqui? Posso ser um estagiário e imigrante coreano, mas sei do que o povo gosta.


— Ele enlouqueceu! — Baekhyun disse antes de começar a gargalhar. Sehun acabou rindo ao escutar aqueles barulhos estranhos que o outro fazia enquanto ria, coisa que nunca tinha visto igual e que achava fofo.


— Vocês devem estar se perguntando o porquê de eu, um mero estagiário e mais um desses chinas que invadiram Port Angeles recentemente, estou aqui apresentando a programação para vocês. Bem, Will e Kurt saíram para o intervalo e me deixaram aqui, então porque não apresentar? Se estiverem se perguntando quem sou, podem me chamar de Suho, o cara que vai salvar vocês por hoje dessas músicas decadentes. Com vocês agora a melhor banda da atualidade, Panic at the Disco e a música I write sins and not tragedies!


A maioria das pessoas conseguem enxergar um futuro político em Kim Junmyeon. Sehun era uma dessas, mas teme que chegue o dia em que os Estados Unidos da América vá depender de um mero coreano com raízes americanas. Não por nacionalidade, mas sim porque como eram muito próximos, ele sabia exatamente como o outro era, e mesmo que tivesse uma boa lábia e popularidade, continuava sendo mais uma entre outras aranhas.


Era um menino bom sob os olhos estranhos, por isso tinha tantos admiradores. Era o presidente do grêmio estudantil, tinha dois trabalhos e ainda mais uma penca de trabalhos extras que fazia. É difícil ter alguém em Port Angeles que ainda não o conheça, até porque o menino consegue andar toda a cidade em apenas um dia por conta dos trabalhos e contatos. Por onde passa deixa sorrisos e até mesmo suspiros, Suho é um exemplo real de alguém extremamente sociável.


— Dá pra acreditar que um cara desses é amigo do Debi e do Lóide? — Baekhyun parou de cantarolar a letra da música para perguntá-lo.


— Eles não são tão ruins assim.


— Eles jogam Tíbia o dia inteiro. — Disse um pouco enojado.


— Temos que fazer o que for preciso para sobreviver ao tédio por aqui.


Baekhyun sorriu bonito e balançou a cabeça. Atrás dele, Sehun viu que a neve voltou a bater na janela, fraquinha como na noite anterior. Suspirou indignado, eles teriam mais alguns dias de neve pelo visto.


— Tá nevando de novo. — Baekhyun comentou desanimado. — Eu detesto esse frio todo, é uma droga.


— Você odiaria mais se fosse passar o resto das férias em Forks.


— Vai pra lá de novo? Com a Somi?


Ele conhecia todo o drama pelo qual Sehun passava quando se tratava de assuntos familiares. O pai, um veterano de guerra, foi o segundo marido da senhora Oh. Se tem algo que os dois têm em comum e que é indiscutível é que os dois eram casamenteiros. O ex-militar tinha cinco filhos de casamentos diferentes, já a senhora Oh apenas três, o terceiro ainda estando em seu ventre. Ele morava em Seattle, mas mudou-se para Forks com a desculpa de querer ficar mais próximo dos filhos mais novos.


— Sim, ele chamou meus irmãos também. Ele quer que nós sejamos como irmãos de verdade, mas é óbvio o quanto ninguém se suporta quando ‘tá todo mundo junto.


— Tenta pelo menos se aproximar deles. — Baekhyun deitou a cabeça no balcão, a touca escorregou e foi parar no chão. Os fios de cabelo ficaram espalhados pelo vidro enquanto a bochecha direita era amassada. — A intenção do seu velho é boa.


— A Somi me odeia. — Ele não pensou duas vezes antes de levar a mão até o cabelo de Baekhyun. Foi um ato tão natural quanto respirar, já que não estava pensando direito quando o fez. Antes era comum esse tipo de contato entre eles. Eram amigos desde muito cedo, acompanhou até o período em que Baekhyun tinha uma janela ao invés de um sorriso com dentes. — E os hyungs não me ligam, não em outra data que não seja o natal.


— A Somi não te odeia, ela odeia seu ponto de vista sobre as coisas que acha estar errado.


— Até que faz sentido.


— Sim, faz total sentido! E seus irmãos são universitários, um deles é médico. Não devem nem ter tempo para ver a luz do sol, dirá ligar todos os dias para saber como anda a vida do meio irmão que mora no interior, sem ofensa.


— Não ofendeu.


Baekhyun diria mais coisas. Ele sempre falaria mais, se expressaria mais quando se trata de Oh Sehun. O sininho que estava na porta caiu e foi empurrado per ela para longe. Sehun se afastou no mesmo instante, torcendo para que ninguém tenha visto o que achavam ser. Já Baekhyun foi tomado por um sentimento de confusão e tristeza que havia sentido quase todos os dias desde o verão passado. O mais novo entre eles percebeu as lágrimas que teimaram em aparecer nos olhos do Byun.


Sehun sentia-se um monstro por fazê-lo sofrer.


Quem atravessou aquela porta e consequentemente acabou com toda a quietude do local, como era de costume acontecer em qualquer lugar que atrevesse-se a entrar, foi Park Chanyeol, o atual melhor amigo de Sehun. Ele estava trajado com aquele macacão verde musgo, o que tinha um símbolo de pinheiro na parte direita e que indicava o seu local de trabalho. Era o ajudante do guarda florestal, que a propósito era seu tio. Sehun gostava de caçoa-lo dizendo que parecia com um gari, este costumava a dizer para não diminuir profissões de ninguém por ai, mas era incompreendido já que Suho sempre concordava e se juntava nas brincadeiras de mau gosto.

O que tirou-lhe a concentração foi ver as botas molhadas de Chanyeol sujando o assoalho com lama, grama e neve.


— Droga Chanyeol, será que não dá pra limpar a merda das botas antes de entrar?


— Desculpa docinho, mas é uma emergência de amor! — Ele disse com uma expressão considerada patética enquanto erguia a mão ao lado esquerdo do peito.


— Vai limpar o chão todinho, seu miserável.


— É pra já! — Falou enquanto adentrava a loja e deixava um rastro dos seus passos para trás.


Apesar de aparentar ser um completo idiota, Chanyeol era um bom amigo. Foi a segunda criança asiática que conheceu na cidade, não no mesmo ano em que conheceu Baekhyun, porque quando se conheceram Chanyeol ainda morava em Jeju, na Coreia do Sul. Na sétima série ele era o pior aluno, sempre arrumando confusões com alunos que hoje em dia batem nele como passatempo. E mesmo que a senhora Oh tenha o dito para não chegar muito perto do menino problema, Sehun não resistiu ao sorriso ensanguentado dele, dizendo-o que Kris tinha lhe arrancado um dente de leite em uma briga.


Foi acordado de seus pensamentos ao perceber que Chanyeol não tinha vindo ali sozinho. O garoto estava de costas para si e tentava colocar o sininho em cima da porta novamente. Ele esticava os braços e as pernas, Sehun achou isso fofo. Ele se virou desistindo e ainda com o sino em mãos.


A primeira reação foi olhá-lo atentamente. O bronzeado da pele e as características do rosto indicavam que se tratava de um turista. Por ali todo mundo conhecia todo mundo, e Sehun tinha certeza absoluta que nunca tinha o visto em toda sua vida. Na verdade, nunca tinha visto alguém com um bronzeado impecável. Apesar de Port Angeles ser a cidade mais quente da região, não era tão quente assim.


A segunda reação foi automática, ele olhou nos olhos castanhos do estranho e simplesmente sorriu. Foi um sorriso contido, mas amigável.


— Você é o Sehun? — Perguntou também mostrando um sorriso mínimo. Sehun não deixou de notar que o seu sotaque era inteiramente americano, apesar de ter traços asiáticos. Ele deveria ser uma pessoa que sorri bastante, Sehun tinha certeza disso. — Chanyeol me falou bastante sobre você nos, sei lá, últimos dois dias em que me mudei pra cá. Meu nome é Kim Jongin.


— Sim, sou eu. — Respondeu e se repreendeu mentalmente por ter dado uma resposta tão apática, tão Oh Sehun. — Prazer em te conhecer cara. Esse daqui é Byun Baekhyun, meu amigo. — Apontou para Baekhyun, mas ele se encontrava pensativo, tanto que não prestou atenção no menino e parecia preso em seu próprio mundo. Isso acabou por constrangê-lo, porque Jongin ficou esperando por uma saudação calorosa que nunca veio. — Então, de onde disse que veio?


— Não disse. — Ele riu um pouco. — Vim de Willow Creek, uma cidadezinha no interior da Califórnia.


Chanyeol reapareceu na loja. Ele limpava o rastro de sujeira que tinha deixado com o rodo, cantava uma música desconhecida.


— Oh, Baekhyun. — Chanyeol falou surpreso. Deveria ter reparado a presença do garoto só agora na loja. Era de sua natureza, essa coisa afobada de sair andando por aí sem realmente se ligar nas pessoas nos locais em que passava. Era repreendido constantemente, porque Sehun odiava isso já que os dois andavam juntos no colégio. — Pensei que não voltaria a te ver por aqui.


Obviamente, ele não pensou antes de dizer aquilo. Realmente se arrependeu ao deparar-se com o olhar sinistro que o mais velho — por alguns meses, os dois tinham dezessete — o lançava. Antes que todos os projetos de meninos machões começarem a bater em Chanyeol, Baekhyun tinha sido o primeiro. Foi em seu primeiro dia de aula em que se aproximou de Sehun e consequentemente foram para o recreio juntos. O Byun, com toda sua áurea de menininho fofo, jogou-lhe uma pedra do pátio na cabeça antes de jogar o próprio corpo e socá-lo até que uma das professoras que andavam por ali visse. Era assustador o que ele podia fazer movido pela raiva, ou ciúmes.


— E eu pensei que você tinha morrido no ano passado.


Alfinetada contra alfinetada, foi isso que Chanyeol pensou que estava acontecendo. Ele engoliu em seco nervoso, pensando se Baekhyun deixou alguma coisa sobre o ano passado escapar para Sehun. Ele confiava sim no amigo, cegamente, mas antes de contar algo como o que aconteceu tinha que considerar o fato de que está confiando em uma aranha. Não existem pessoas nesse meio que sejam boas. Então por isso permaneceu de bico calado, e esperava que Baekhyun também ficasse.


Para o resto de Port Angeles, no ano passado Park Chanyeol tinha sido violentamente espancado após um assalto. Eles até prenderam um bastardo qualquer suspeito de ter feito aquilo, mas Chanyeol não se importou muito, mesmo tendo em mente que era errado alguém inocente ser preso por erros cometidos.


— Tô inteirinho — Respondeu tentando manter o humor inabalável que ostentava. Soou um pouco patético, já que era palpável a tensão que se instalou na loja. — até porque tinha que voltar para você, amorzinho.


Não foi engraçado. Baekhyun continuou sem nenhum traço de humor em suas expressões, e mesmo que antes isso fosse constante por ele não gostar nem um pouco das brincadeiras sem graça, no momento atual tem o peso totalmente diferente. Chanyeol não sabia o porquê dele ter se afastado, assim tão do nada e depois reaparecer como se nada tivesse acontecido. No fundo, tinha uma raiva reprimida pelo poço de mistérios que ele era, que ele sempre foi.


Baekhyun foi embora minutos depois, assim, sem dizer nada. E mesmo que tenha ido, deixou a tensão no ar. Ela não se dissiparia como a névoa densa dos entornos da floresta, Sehun tinha certeza que ela voltaria a aparecer novamente assim que se encontrassem novamente. Se, se encontrassem novamente. Não sabia se ele iria fingir que não o conhecia por mais oito dias ou oito meses, essa possibilidade o faz ficar preocupado.


Não sabia se aguentaria ficar tanto tempo longe de Byun Baekhyun.




MAIS TARDE NO MESMO DIA

CONDOMÍNIO RISING SUN, SEATTLE – WA.


Conseguia ver toda a cidade da cobertura do Rising Sun. Seattle não era tão grandiosa e populosa quanto Nova Iorque e Montreal, mas tinha seu próprio charme de cidade do interior desenvolvida. Se o sol pudesse ser visto no meio de tanta neblina e neve, ele estaria a se pôr. O cenário dentro das casas de veraneio que existiam nos arredores fica fantasmagórico, quase como se um looping de tempo pudesse começar a qualquer momento, transformando aquela parte do mundo em um lugar parado. Como o sol não estava para fazer seu papel, a névoa deve ficar mais densa, adentrando todas as casas que conseguir.


Os flocos de neve acumulavam-se na cabeleira indisciplinada do chino-canadense. Eram flocos finos, imperceptíveis quando grudavam-se aos fios dourados do cabelo e aos cílios, também tendo a mesma coloração que muitos duvidavam ser natural. Wu Luhan não tinha culpa de ser um vira-lata sem raça definida. Tinha herdado tanto os olhos ligeiramente puxados do pai quanto a cabeleira quase albina de tão clara de sua mãe. E mesmo que tenha nascido desse jeito, ele achava que isso era cientificamente impossível pelas características asiáticas serem bem definidas nos outros parentes que tinha. Era uma bagunça genética ambulante.


O café apoiado em cima da barra de ferro da varanda caiu quando o cotovelo do loiro escorregou ali, consequentemente caindo em alta velocidade em direção da rua. Suspirou desacreditado, mas não lamentando, afinal, o café já deveria estar gelado. Agitou os dedos entre as mechas de cabelo da franja tentando tirar o excesso de neve e entrou no apartamento.


Ainda eram cinco da tarde. Demoraria mais trinta minutos até que tivesse algo para se ocupar. Enquanto isso, pensou em passar no quarto de Kris, mas não queria atrapalhar uma possível masturbação, já que a última vez em que passou pela porta ouviu-a sendo trancada às pressas. Ele apenas a trancava quando queria bater uma, e Luhan não deixava de se perguntar em todas essas vezes no que ele pensava enquanto fazia isso.


Não, ele não tinha atração pelo irmão mais velho. Na verdade repudia qualquer ato que envolvesse perversões sexuais, claro, quando não era ele que estava fazendo, mas incesto não estava dentro da lista das coisas que cometia. Contudo, uma ideia vinha martelando em sua mente há algumas semanas, e mesmo que o irmão já tenha levado inúmeras meninas para a casa deles em Port Angeles, não parava de pensar sobre a ideia de que talvez ele seria homossexual. É, a ideia era muito surreal. Não sabia o porquê de estar duvidando da sexualidade de seu irmão, já que ele afirmava-a para todos quase todos os finais de semana pelas ruas de Olympic Peninsula.


Seu sexto sentido nunca falha, então sabia que havia algo de errado.


Percebeu que tinha passado muito tempo pensando quando escutou o som da campainha ecoar pelo apartamento. Ele se apressou até a porta, olhando antes como estava a própria aparência no espelho ao lado do sofá. Tentou alinhar um pouco os fios do cabelo, mas estes pareciam ter vida própria, então não se preocupou muito e foi abrir a porta.


— Junmen — Luhan sorriu, mesmo que não sentisse a necessidade de fazê-lo. — Já faz um tempo desde a última vez, não acha?


Junmyeon adentrou o apartamento retirando os sapatos sujos e o sobretudo encharcado por ter quebrado seu guarda-chuva no meio da ventania.


— Não tenho tempo para vir a Seattle todos os dias. Sou uma pessoa ocupada, você já deveria saber. — Ele falou enquanto andava livremente pelo apartamento até o quarto do loiro com tanta intimidade que quem visse a cena achava que Junmyeon já havia entrado na cobertura dos Wu milhares de vezes.


— Sei bem. — Concordou, mesmo odiando este fato. — Mas deveria fazer mais esforço para manter o que temos.


Luhan fechou a porta atrás de si. Encontravam-se já em seu quarto, olhando nos olhos um do outro como sempre faziam nos momentos de estranhamento, que era quando o loiro mostrava ter sentimentos. Para Junmyeon ele era como pedra. Áspero, inquebrável e irracional. Era tanta crueldade que existia no coração enegrecido do chinês que às vezes duvidava se ele de fato tinha um coração. Tinha uma noção sim de que deveria ser forte se quisesse sobreviver a todas as falsidades que eram expostas no dia-a-dia, mas o nível de Luhan abaixava-se de tal maneira que sentia pena.


— E o que temos? — Perguntou sincero, em seguida soltando um riso sarcástico. — Uma foda casual, é isso o que temos Luhan.


— Você não disse isso da última vez — Ele falou enquanto desabotoava o casaco de lã lentamente. Não esperaria até aquela pequena discussão acabar para se despir, seria uma perca de tempo. — pelo que me lembro até mesmo afirmou ter sentimentos por mim.


— Pare — Junmyeon pediu ao vê-lo jogando o casaco longe. — não é por isso que estamos aqui.


O chinês sorriu contido. No final das contas Kim Junmyeon ainda continuava tendo a mesma fraqueza, esta que o atormentaria até o túmulo: Garotos, em específico, ele próprio. Sabia o que era capaz de fazer com a cabeça do coreano quando sorria, sabia que o coração dele acelerava cada vez que sussurrava algumas palavras gentis pós-sexo, ou até mesmo quando o abraçava por trás, dizendo-o para que ficasse. Não pensava duas vezes antes de tirar proveito da pequena paixonite que o outro nutria por si. Se fosse ajudar seu status social e sua popularidade, não se importava em colocar Junmyeon em perigo.


— Então, você falou com ele? — Perguntou sentando-se na cama.


— Pink recusou. — Junmyeon hesitou um pouco antes de dizer, mas falou pensando que não poderia pedir algo do tipo para Pink. — Disse ainda que foi muita ousadia sua tentar usá-lo como uma ferramenta social, assim como faz comigo.


Luhan ficou possesso, entretanto o único som que saiu de sua garganta foi uma risada. Os dedos trêmulos por cima da calça jeans rumaram até os lençóis da cama, apertando-os e tentando conter sua vontade de apertar o pescoço de Junmyeon com toda aquela força. Dentro de sua cabeça a proposta parecia ser válida, na verdade, era irrecusável. Não soube dizer qual parte do plano aquele energúmeno não tinha passado direito, ou qual parte o retardado anônimo não tinha entendido, só sabia dizer que a vontade de matar um dos dois era crescente.


— Ele não pode recusar — Falou um pouco alterado, ainda ostentando um sorriso perturbadoramente lindo. — um investimento do caralho seria posto naquela merda sem conteúdo, seria um privilégio!


— Ele não trabalha com preços, Luhan. Breaking the Rules vive em função unicamente de fofocas, você tem que dar a ele o que ele precisa, e então vamos estar falando a mesma língua.


Isso não era um problema para Wu Luhan. Pela sua extensa lista de amigos poderia dizer que conhecia cada pessoa popular da cidade e todos seus segredos. Só precisava saber qual segredo contar sem que uma catástrofe acontecesse, já que os segredos de qual tinha conhecimento eram terríveis e deixariam todos com raiva.


— Vocês tem um cameraman, certo? Vou precisar dos trabalhos dele, entre em contato com Pink.

Nov. 9, 2018, 1:22 p.m. 1 Report Embed 0
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Alice Alamo Alice Alamo
Olá, eu sou a Alice e venho pelo sistema de Verificação do Inkspired. O sistema de verificação atua não só checando a qualidade da escrita como também o cumprimento das regras do site. Sua história possui algumas tags importantes, como a de suicídio, que ainda não foi desenvolvida no texto. Para que sua história possa ser posta como Verificada, teremos de aguardar para ver como você desenvolverá o tema. Assim que ele for abordado na história, basta nos comunicar aqui no comentário mesmo que eu volto para checar a história, ok? Atenciosamente, Alice, Sistema de Verificação do Inkspired
Nov. 13, 2018, 11:41 a.m.
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