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Eu poderia matar alguém pra poder dormir

1.Uraraka


Não era incomum para Ochako ficar sem dormir a noite porque estava com fome e não tinha nada para comer. No entanto, o trajeto de seu apartamento até a escola sempre dava tempo o suficiente para Ochako acordar mais e ficar funcional.

Mas quando se mora na escola, fica difícil disfarçar o seu ódio por estar acordada enquanto você queria estar dormindo.

Ochako conseguiu evitar interações desnecessárias pela manhã chegando propositalmente atrasada todos os dias durante uma semana. Na segunda semana, no entanto, ela percebeu que estava testando a paciência de Aizawa-sensei ao extremo e que precisava enfrentar a verdade.

Então, na segunda-feira, Ochako acordou mais cedo e desceu para tomar café-da-manhã com os colegas antes de ir para aula.


                                                       PLUS ULTRA                                                                


Depois de tantos meses juntos, a Sala 1-A gosta de pensar que todo mundo se conhece bem a essa altura do campeonato.

Todo mundo sabe que o Kaminari gosta de assistir comédia romântica, que o Kirishima tem o chulé mais forte que esta instituição já recebeu, e que o Todoroki sabe pintar unhas.

Não havia mais nada a descobrir, certo?

Errado.

Tooru estava fazendo café na cozinha comunitária quando Uraraka chegou, ela tinha o rosto franzido em uma careta estranha, de desgosto.

Tooru então estendeu um xícara de café para a colega, animada.

— Bom dia, Uraraka!

Uraraka nem dignou o cumprimento com uma resposta, simplesmente tomando a xícara das mãos invisíveis de Tooru, e tomando de uma vez.

— Cadê o leite dessa desgraça, Hagakure?

— H-hã?

— Você aí toda felizinha, me entregando café. Qual é? Eu não vou te fazer favor em troca dessa merda se você não consegue nem entregar um café direito. Todo mundo sabe que café com leite é melhor, então qual é o seu jogo?

— U-Uraraka, eu não...

— Ah, cala a boca, sua voz está me irritando.

E então Uraraka saiu da cozinha, tomando sua xícara e resmungando do gosto para si mesma.

Tooru ficou imóvel por mais alguns segundos, completamente em choque sobre como reagir. Sato, Tokoyami e Shoji piscaram, perplexos, antes de lentamente se espalharem. Sato foi até Tooru tenta consolá-la enquanto Tokoyami e Shoji trocaram um rápido olhar e ambos saíram de fininho para a aula.


                                                         PLUS ULTRA                                                              


Quando chegou a hora da aula, Uraraka já estava no seu modo animado e feliz de sempre, andando com Midoriya e Iida e falando animadamente de tudo e nada, com seus sorrisos de sempre.

Hagakure ficou em uma distância segura de Uraraka pelo resto do dia, muito nervosa para abordar a colega. No entanto, assim que a garota com o dom da gravidade a viu, correu em sua direção para pedir desculpas por mais cedo.

— Haha — Uraraka riu nervosamente. — eu fico meio mal humorada de manhã, é um costume ruim que eu tenho, eu sei. Me desculpe!

Logo a palavra se espalhou de que a Uraraka não deveria ser abordada antes da aula em hipótese alguma.

 

2. Kirishima

Eijirou gosta de pensar que é um cara virilmente animado. Ele sabe que tem muitos amigos e que todos gostam da aura divertida que ele tem.

Afinal, do tempo dele acordar até o intervalo, já passou tempo o bastante para a alma de Eijirou encontrar o corpo de volta, quando ele a deixa na cama ao ir pra escola.

Entretanto, com o sistema de dormitórios novo da UA, fica mais complicado evitar interações matutinas. Eijirou sabe que tem ninguém mais além de si mesmo pra culpar por estar indo dormir tarde quase todos os dias – mas não dava pra evitar, todos os seus amigos agora moravam com ele!

Mesmo assim, ele devia saber que nem todo o café do mundo consegue deixar Eijirou surdo.


                                                          PLUS ULTRA                                                                


Denki já sabia que era inútil conversar com Kirishima antes das 10 da manhã. O ruivo só ia te encarar com um desprezo tão profundo, em total silêncio, que ia te deixar desconfortável o suficiente para querer se retirar e deixa-lo em paz.

Foi uma surpresa, na verdade, quando Denki estava andando pelos corredores da escola e viu Kirishima voluntariamente conversando com o senpai do terceiro ano, Amajiki.

Denki então sorriu, animado, porque pela primeira vez Kirishima estava funcionando como um ser humano normal antes da segunda aula...

... Até que ele se aproximou o bastante dos dois para ouvir do que eles conversavam.

Kirishima bateu no próprio rosto com uma mão, e esfregou a palma no rosto, completamente impaciente.

— Senpai, vou mandar a real: eu te falei bom dia e tal, mas meu dia tá uma bosta, e você nem pra falar pra fora e me responder. Não precisa falar a verdade, o dia tá uma porra mesmo, eu concordo, mas tenha a decência de me responder.

Denki arregalou os olhos e apertou o passo para tirar o amigo dali, prevendo um desastre. A última coisa que qualquer um deles precisava era fazer um terceiranista chorar.

— E eu tô falando com você, pelo menos olha na minha cara quando eu me dou o trabalho de falar!

— O-OLÁ! — Denki praticamente gritou.

Kirishima se virou, furioso, e abriu a boca para responder.

— Kirishima, você ficou até tarde estudando de novo, né? Viu o que acontece quando você não toma café o suficiente? — Denki olhou para Amajiki, que realmente parecia à beira das lágrimas. — Ah me desculpa, senpai, ele não quer dizer nada disso. Mais tarde o Kiri vai nem lembrar que saiu da cama em algum momento no dia!

E antes de dar brecha para Kirishima fazer mais algum comentário, Denki o pegou pelo braço e saiu correndo até a sala 1-A.

 

3. Yaoyorozu

Momo sabe que não pede muito, apenas o perfeito essencial.

Todo dia de manhã seu mordomo a acordava com sua xícara de café importado já pronto, junto de uma bandeja com seu café da manhã nutritivo.

Era o básico, afinal de contas.

Esse novo sistema de dormitórios certamente estava sendo uma provação para Momo, que perdeu muitos das suas mordomias. Mas tudo bem, afinal, são apenas alguns detalhes diferentes de sua rotina normal...


                                                         PLUS ULTRA                                                             


Tenya acordou duas horas mais cedo que seus colegas, como de costume. Estava tudo bem, afinal, como representando de turma, ele tinha muitos afazeres para fazer, como auxiliar os professores e também ficar de olho no progresso de seus companheiros de sala, para então entregar relatórios semanais para cada professor.

Nesta manhã em particular, Tenya decidiu delegar um pouco de suas funções e pedir para sua vice, Yaoyorozu, entregar alguns dos relatórios de aula para Aizawa-sensei.

Ele estava animado, afinal, sua vontade de estudar só aumentou desde que começou a morar justamente em seu local de aprendizado. Não havia nada mais gratificante que viver ali!

Tenya não ousaria ir até a ala feminina dos dormitórios, então se contentou em sentar na sala comunal e deixar a lição de casa em dia até sua vice aparecer. Afinal, ele sabia que Yaoyorozu acordava cedo – talvez não tão cedo quanto ele, mas mais cedo que os outros colegas.

E não estava errado, logo avistou os passos cambaleantes de Yaoyorozu indo direto para a cozinha. Tenya então se levantou e foi atrás da colega:

— YAOYOROZU-KUN, BOM DIA! AQUI TEM OS RELATÓRIOS PARA O AIZAWA-SENSEI E-

— Iida-kun. — Yaoyorozu o cortou imediatamente, o olhando friamente. — Com todo o respeito, cala a boca. Eu vou até a cozinha preparar uma xícara de café da classe média que está longe de ser tão boa quanto as importadas que eu tomava em casa, mas pelo menos me deixam acordada, e até eu estar no mínimona terceira xícara, você vai ficar caladinho, ou alguém me ajude, eu farei algo nada digno de heróis.

Jirou, que estava chegando junto, tropeçou nos próprios pés.

Alguém resfolegou, mas Tenya não saberia dizer quem, de tão envergonhado que estava.

— SINTO MUITO, YAOYOROZU, EU-

— Iida você ainda está falando. — Chiou Yaoyorozu, tomando uma postura mais agressiva.

Jirou deve ter recuperado o passo, pois em um instante já estava ao lado da colega, sibilando quietamente um “sinto muito” para Tenya e puxando a amiga pelos ombros, falando baixinho.

— Yaomomo, relaxa, vamos, eu vou fazer um bule quentinho de café pra você daquela marca que você gosta...

Tenya nunca mais interagiu com Yaoyorozu antes das aulas.

 

4. Sero

Hanta sabe que é um garoto imprevisível. Ele tanto sabe quanto gosta disso. Porém, às vezes era extremamente irritante ter que deixar algumas coisas claras.

Seus amigos, por mais legais que sejam, eram barulhentos demais pela manhã. Chegava a níveis estratosféricos. A única pessoa suportável àquela hora era Kirishima, que compartilhava de seu agrado pelo silêncio matutino.

Infelizmente, nem todo mundo pegava a dica...


                                                            PLUS ULTRA                                                                    


Minoru estava empolgado. Ele havia conseguido contrabandear revistas indecentes bem debaixo do nariz de Iida! Rá! Na cara daquele representante mauricinho!

Minoru estava no seu estado generoso esta manhã. Ele até cogitou emprestar as revistas para Midoriya, mas sabia que por mais que o colega seja legal, ele também era certinho demais. Pensando bem, talvez Kaminari queira as revistas!

Satisfeito com sua ideia, Minoru então foi procurar Kaminari na sala comunal, mas apenas encontrou Sero sentado olhando para o nada enquanto piscava lentamente.

Decidindo então fazer uma leve caridade e acordar o colega, Minoru foi em direção de Sero, totalmente alheio aos olhares de alerta que Ashido, Asui e Koda estavam lhe lançando.

— Sero! Você parece com sono, mas nada tema: tenho aqui o segredo para te acordar! — E lhe mostrou a capa de uma das revistas.

Sero piscou mais algumas vezes, tentando focar a visão na capa da revista. Ele levantou o olhar, confuso e impaciente para Minoru.

— Cara, são nem 7 da manhã direito e você tá me mostrando isso? Cê não tem vergonha?

Minoru ficou revoltado. Aff, ele só estava tentando ser um bom colega! Sua voz ficou estridente enquanto ele começava a protestar em alto e bom som.

— Argh! Cala a boca, Mineta! — Sero lançou fita em sua direção, efetivamente o amordaçando. — Você está me irritando só com a sua existência, faça um favor a todo mundo e suma da minha vista até eu ter energia o suficiente pra lidar com alguém tão patético quanto você.

Minoru sentiu as lágrimas subirem e apertou a revista em sua mão, correndo de volta para o quarto. Ele não se deu o trabalho de oferecer mais nada pra ninguém.

 

5+1. Midoriya + Bakugou

Izuku já se acostumou a dormir quase nada todo dia. Só porque ele não precisa mais fazer o treinamento infernal de dez meses do All Might, não significa que ele vai parar de treinar.

Suas manhãs continuavam com o ritmo intenso da UA e longe de Izuku querer reclamar. Mesmo com o estresse acumulado de aulas, treinos e estágio, além da constante pressão de ter que dominar One For All logo, não havia porque Izuku reclamar ou ficar chateado.

Estava tudo perfeitamente bem.


                                                       PLUS ULTRA                                                                


Katsuki estava servindo pra si mesmo uma tigela de granola com iogurte, quando viu Deku chegando, parecendo absolutamente miserável.

Revirou os olhos pra si mesmo e foi para o canto, evitar contato com o nerd pela manhã parecia uma ótima ideia.

Quietamente, com seus fones de ouvido, Katsuki tomou seu café da manhã, ignorando todos os seus arredores. Não demorou para Kaminari e Ashido também descerem e se juntarem a ele, ambos falando alto e animadamente. Satisfeito, Katsuki pausou a música para os ouvir, mas não tirou os fones.

— Aoyama-kun, se você chegar perto de mim com queijo eu não me responsabilizo dos meus atos.

Fechando os olhos, Katsuki começou a refletir os prós e contras de intervir. Será que valia a pena? Talvez ninguém mais tenha ouvido.

Uma olhada para os amigos se provou que não, Kaminari e Ashido com certeza ouviram.

— Mas Midoriya-san, você precisa de um café da manhã saudável!

Aquele francês idiota está assinando sua própria sentença de morte e o imbecil nem percebe.

Suspirando, Katsuki tirou os fones de ouvido, se aproximando da dupla que discutia, um parecendo pronto para briga enquanto o outro parecia mais confuso que qualquer outra coisa.

— Pode deixar que eu pretendo tomar café, mas eu me viro, entendeu? Você não está entendendo o quão cansado eu estou, Aoyama-kun, está? Você entende que eu estou disposto a dar um Detroit Smash na sua cara se eu pudesse dormir mais?

— Midoriya, você acabaria matando ele! — Exclamou Ashido, horrorizada, de seu canto.

Deku nem ao menos piscou.

— Eu sei.

— Tá, tá. Francês Cintilante, vai passear, Olhos de Guaxinim, cuida da sua vida, Deku: toma aqui uma xícara de café pra você parar de atacar as pessoas gratuitamente.

— Cala a boca, Kacchan. — Resmungou Deku.

Que ingrato!

— De nada, porra!

— Vai se foder! Mas obrigado.

Deku tomou a xícara da mão de Katsuki, avaliando o que tinha dentro. Katsuki revirou os olhos, impaciente.

— É preto, sem açúcar e sem leite. Nojento e cafeína pura como você sempre toma, Deku, agora deixa de ser uma cadela e toma logo seu café pra você voltar ao seu normal irritante de sempre.

Deku o encarou, tão absolutamente furioso que seus olhos verdes mais pareciam uma floresta em chamas.

— Você quer brigar, Kacchan? Ou você vai fazer um favor a todos e pular da janela sozinho?

Ashido arfou, chocada, em algum ponto da cozinha.

— Nah, dispenso. O dia tá legal e eu tava ouvindo um podcast até que foda do All Might ao longo dos anos até você aparecer com a cueca apertada.

Deku piscou algumas vezes, a irritação lentamente desaparecendo. O menor tomou um pouco do seu café e sorriu preguiçosamente para Katsuki, satisfeito.

— Ah, acho que sei qual é... Do Daiki?

— Não, esse é novo. O Daiki chamou o Nobuhiko pros dois discutirem sobre, o Nobuhiko tem umas opiniões bem interessantes sobre o assunto.

— Me passa depois?

— Claro, tanto faz.


                                                        PLUS ULTRA                                                                       


Katsuki acha a manhã o horário mais pacífico do dia. Ele ainda não está totalmente acordado, e acha tudo mais agradável. Ele treina um pouco, revisa as anotações da aula anterior e escuta alguns podcasts até dar a hora da aula.

Foi uma surpresa entre seu círculo de “amigos”, aparentemente, de que ele é uma pessoa matutina. Cabelo de Merda e Cara de Molho ficavam ambos mal-humorados de manhã, o que fazia Katsuki os evitar.

— Credo, o mal humor de vocês pode ser contagioso e eu nem tô acordado o suficiente pra querer matar alguém.

O que fez os dois matutinos barulhentos, Pikachu e Olhos de Guaxinim, serem companhias muito mais agradáveis pela manhã. Os dois já acordavam animados pro dia, falando alto e contando piadas. Katsuki nem precisava interagir com eles, apenas os ver já era o suficiente para o ambiente ficar até que agradável – mas Katsuki prefere desistir do curso de heróis antes de admitir isso em voz alta.

Deku também é outro que fica um porre pela manhã, mas como o nerd sempre foi assim, Katsuki nem se incomoda mais, completamente acostumado desde o jardim de infância o pequeno Deku atirando insultos e ameaças até ele cochilar, e quando cresceu, tomar aquela coisa nojenta que ele chama de café.

Katsuki, diferente dele, nunca se incomodou em acordar cedo. O dia parecia muito mais produtivo para ele, desde pequeno, e o hábito nunca morreu.

Satisfeito com o silêncio da sala comunal, já que todos os outros ainda estavam dormindo, Katsuki suspirou sozinho e sorriu, tranquilo.

Nov. 9, 2018, 1:05 a.m. 0 Report Embed 1
The End

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Mitty Finholdt Eu só me importo com a DC e BNHA, é isso.

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