Elysium Follow story

pcsp P C S P

Ele foi até a varanda, debruçando-se sobre a cerca a ponto de ver o carro estacionar próximo dali. Estava ansioso e sentia o seu coração bater forte quando o farol desligou e a porta de trás se abriu. Naruto foi o primeiro a sair, os olhares dos dois se cruzaram e o loiro sorriu abertamente; um sorriso de vou fazer arte que Shisui conhecia desde que Sasuke o trouxe para casa pela primeira vez. Isso significava uma coisa: Se Naruto sorria daquela forma, Shisui sorriria em dobro. Fato! Em seguida, Itachi botou a perna para fora do carro, e o aniversariante sentiu o ar congelar em seus pulmões. A noite realmente seria inesquecível! Itachi queria matá-lo vestido daquela forma, ele tinha certeza disso!! Ele estava... estava...! Mas antes que o cérebro de Shisui pudesse compreender o que via, algo o forçou a voltar a realidade. Uma terceira pessoa saiu do carro e Shisui mal perderia tempo desviando seu olhar de Itachi se essa terceira pessoa não tivesse batido a porta do carro com toda a força, atraindo a atenção de todos para si. Era Sasuke. Enquanto Itachi ralhava com seu irmão por bater a porta do carro daquele jeito, o Uchiha rebelde encarou Shisui do outro lado da cerca com o olhar mais feroz da face da terra. O caçula levou o indicador para perto do pescoço e fez um gesto de ameaça a decapitação para o primo e Shisui instantaneamente passou as mãos ao redor de seu pescoço, engolindo em seco. Corrigindo, parece que Itachi não era bem o Uchiha que queria matá-lo naquela noite.


Fanfiction Anime/Manga For over 18 only.

#romance #gay #halloween #yaoi #rpg #lgbt #sexo #lemon #narusasu #sasunaru #shiita #itashi #comédia #homossexualidade #uchihacest #lime #sns #sasuke-uchiha #itachi-uchiha #naruto-uzumaki #shisui-uchiha
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Vinculum

N/A: Olá leitores antigos, novos, e curiosos! o/ Sejam todos bem vindos! 

Como alguns de vocês devem saber, ShiIta é meu OTP. Apesar de ser meu OTP, eu não escrevo muita fanfic sobre os dois, pois eu crio uma autocobrança descomunal quando me meto a escrevê-los; meu amor por eles é tão grande que eu penso que nada que eu escrevo está digno o suficiente para retratá-los. 

Só que, nesse ano, o fandom ShiIta teve um ápice por causa dos fillers de Naruto e por causa do novo jogo de vídeo-game da série, que conta a história dos Shisui. Isso fez surgir muita fanfic e fanart deles, o que me deixou bastante inspirada, mas o ponto auge da inspiração veio quando vazou na internet os rascunhos da roupa do Itachi e Shisui pro filler, a diferença de idade e o aniversário dos dois escrito no esboço, e então ganhamos finalmente uma data de aniversário do Shisui: 31 de outubro! Foi inevitável: eu tive um click com um plot que pretendo escrever a muito tempo, pois esse dia é PERFEITO para esse plot, e o Shisui merece uma homenagem. 

Espero que gostem, pois eu definitivamente estou encantada em escrevê-los novamente, mas estou com muito medo de ter ficado ruim (lembra da autocobrança que eu mencionei? Pois é!). Ah! E nosso casal secundário também vai aparecer na fanfic pra iluminar ainda tudo isso. ^^ 

Essa fic vai ter algumas piadinhas internas com personagens de outras fanfics minhas e também da trama do mangá. Nada escancarado, bem superficial, quem já leu as outras fics e está em dia com o mangá vai pegar essas piadinhas, mas quem não leu não se preocupe, o máximo que vai acontecer é passar batido (a fic não tem spoilers de nenhuma natureza). 

Obrigada a Sabrinanbc pela ajuda na revisão de português da fanfic!! ^-^ 

Mil beijos e boa leitura à todos!!! 

S2 


ELYSIUM


Vinculum


— Então…?

— Então o que?

— O que você me diz: aceita a proposta?

Itachi girou os olhos e focou sua atenção nos livros novamente, dando as costas para Shisui enquanto fazia seu dever de casa. Ouviu o mais velho se levantar da beirada da cama, onde estivera sentado nos passados quinze minutos, falando sobre a incrível “proposta”.

Não, Itachi não pretendia responder Shisui. Mas desde quando seu primo conseguia deixá-lo quieto quando ele desejava paz?

— Hein...? — o Uchiha de cabelos curtos e rebeldes insistiu na pergunta, acariciando o ombro do mais novo, que se debruçou sobre a mesa para fugir do seu toque convidativo.

— Não vou nem responder, Shisui. — Itachi comentou em voz baixa, virando a página do caderno de anotações e tentando voltar a se concentrar no fichamento que fazia. Ele tinha que entregar este trabalho até amanhã e estava atrasado na faculdade por causa do trabalho extra da Corporação Uchiha, mas ele sabia que era uma questão de tempo para o outro Uchiha exigir sua atenção e ignorar totalmente seus compromissos profissionais e estudantis.

Como previsto, não deu nem dez segundos e seu livro fora arrancado de sua mesa e jogado para longe. Itachi quase sussurrou um “previsível”, mas não conseguiu falar quando Shisui forçou sua cadeira de rodinhas a girar bruscamente; ele preferiu agarrar a cadeira em vez de ser arremessado dela pela força centrífuga. Ficou cara a cara com seu primo, que agora se debruçava sobre ele, prendendo os seus pulsos contra os braços da cadeira, quase encostando nariz com nariz e o observando com uma seriedade que nada condizia com a personalidade que possuía.

Pelo menos não em momentos como aquele. Em outros momentos, Itachi estava acostumado com um Shisui assim...

— Não haja como o Sasuke. — Shisui o censurou e Itachi ergueu a sobrancelha em questionamento, tentando entender o que seu irmão tinha a ver com a história — Você sabe do que estou falando: ontem, no aniversário do Naruto, o Sasuke encheu a cara e estragou a festa inteira com um papo ridículo sobre “revolução”. É isso que você está fazendo comigo, querendo estragar minha comemoração!

Itachi girou os olhos mais uma vez e, em seguida, levou as mãos aos ombros de Shisui, empurrando-o para que parasse de se debruçar. Não deu muito certo, pois o mais velho aproveitou sua movimentação para agarrar seus braços e tentar puxá-lo para um beijo, mas ele virou o rosto bem na hora e Shisui acabou beijando sua bochecha.

O mais velho soltou um ruído de frustração do fundo da garganta. Detestava quando Itachi se fazia de “difícil” e, para o seu desprazer, isso acontecia toda vez que o mais novo estudava: ou seja, 90% do seu tempo acordado. Às vezes ele chegava a cogitar que isso só podia ser castigo divino pelo seu... uh... “passado”.

Depois de tantos rolos fáceis na vida, lógico que eu tinha que acabar com o mais difícil de todos...

— Em primeiro lugar, — Itachi falou, ainda evitando olhar nos olhos de Shisui; não podia dar abertura para que ele o beijasse, se não acabaria cedendo e a ideia era ridícula demais para que ele cedesse! — eu não vejo lógica em você querer fazer isso justo no seu aniversário.

— Achei que quem escolheria o que se deve fazer num aniversario é o aniversariante.

— Isso é verdade, mas existem tantas coisas melhores que você poderia fazer nesse dia, Shisui. — Itachi murmurou, mudando o olhar para a maneira sugestiva que adotava quando desejava fazer coisas que primos não deveriam fazer, mas que faziam mesmo assim. Pelo menos foi isso que a mente pervertida de Shisui concluiu pelo tom de voz usado por Itachi.

Animado com a perspectiva, Shisui sorriu de canto de boca, abaixou mais uma vez o rosto e encostou lábios aos do outro sem, contudo, beijá-lo firmemente. Como dessa vez o mais novo permitiu um contato mais íntimo, ele levou as mãos à nuca de Itachi, acariciando seus cabelos de uma forma sugestiva.

— Tentador... — concluiu, sussurrando contra lábios finos de Itachi, mas ao invés de ceder e roubar um beijo de verdade, simplesmente roçou seus lábios ao canto da boca do outro e se afastou, voltando a sentar na cama, ainda com uma expressão de quem havia acabado de ganhar a guerra — Ok, então depois da madrugada a gente vai fazer isso e aí você vai...

— Shisui! — Itachi ergueu um pouco o tom de voz, sentindo suas orelhas esquentarem — Não foi isso que eu quis dizer! Você acha que eu vou ficar bancando o palhaço uma madrugada inteira e depois vou querer dormir com você?

— Hn... Eu gostaria... Um homem pode sonhar, né?

— Não vejo a hora dessa paixão de primo passar, você é muito idiota. — Itachi respondeu baixinho, cruzando os braços e virando o rosto com ares contrariados.

Shisui não desfez o sorriso, não levando a sério o que o outro havia dito. Afina, a história dos dois não era nada convencional, e não apenas pelo fato de serem ambos do sexo masculino e parentes, era um pouco mais complexo do que isso. O convencional seria paixão de primo passar com o tempo, mas no caso deles era um pouquinho diferente...

Eles se conheceram quando Kagami, pai de Shisui e tio de Itachi, levou seu único filho para conhecer seu primeiro primo, ainda na maternidade. Esta era, provavelmente, a primeira memória que o mais velho se recordava: Itachi enrolado em um cobertor azul, com os olhos grandes e cheios de lágrimas; o neném não chorava no momento, mas devia ter chorado antes, e naquele momento apenas mordia a mãozinha com a boca sem dentes e fitava Shisui com imensa curiosidade.

Tia Mikoto achou incrível o fato de Itachi não chorar na presença de Shisui, já que até o presente segundo ele chorava toda vez que um novo estranho aparecia para observá-lo, provavelmente estranhando muito toda aquela movimentação, algo comum em todos os recém-nascidos que ainda tentam se adaptar com a vida fora do ventre. Ao final da visita, Shisui ganhou de sua tia uma “lembrancinha de nascimento”, algo comum de se dar quando as pessoas vão ao hospital conhecer a nova criança: uma miniatura de carrinho de bebê azul, o qual mantinha até os dias de hoje na cômoda do seu quarto — por mais que Itachi detestasse aquele “objeto gay e vergonhoso” (palavras dele), Shisui nunca se desfez da lembrancinha, a qual sempre enfeitava seu quarto pelos últimos vinte e dois anos. Nem Mikoto possuia mais essa lembrancinha, mas Shisui cuidava da sua como se fosse ouro.

Shisui não entendia muito bem as coisas naquela época, mas no seu íntimo considerou as palavras de sua tia como um aval de que Itachi gostava dele, e como relacionamentos infantis são as espécies mais puras e simples de relacionamento, sua mente infantil concluiu que acabara de fazer um amigo. E, por isso, nunca mais saiu de perto do primo.

Nunca mais mesmo!

Itachi não se recordava de ter ficado mais de dez dias sem ver o primo durante toda a sua infância; Kagami e Fugaku não impediram de forma alguma a aproximação, o que facilitava bastante o contato. O nível da amizade deles chegou a ser tão intenso que Itachi ganhou uma cama na casa onde Shisui e Kagami moravam, e o mesmo aconteceu na casa de Itachi: a cama dele foi substituída por um beliche, e constantemente Shisui passava suas noites na casa dos tios. Shisui ficava sempre na cama de cima, visto que era o mais velho dos primos (para a irritação de Itachi). A família gostava e apoiava a aproximação dos primos, visto que ambos eram filhos únicos e que Shisui, por ter perdido a mãe quando ainda era bebê, possivelmente não teria irmãos. Mas Fugaku e Mikoto ainda queriam mais filhos e, por isso, continuaram tentando.

(Alias, mandar Itachi pra casa de Shisui enquanto Fugaku e Mikoto tentavam “ter um novo bebê” se tornou algo recorrente na vida dele, mas isso Itachi só foi perceber quando descobriu como “bebês entravam na barriga da mãe”. Sim, até um Uchiha é inocente quando criança.)

Depois de muitas “dormidas de Itachi na casa de Shisui”, Mikoto anunciou sua gravidez e as duas crianças aguardaram ansiosamente pelo grande dia. Sasuke, o caçula, nasceu quando Itachi tinha cinco anos (Shisui estava com oito anos, portanto), e isso abalou um pouco o relacionamento entre os primos mais velhos. Itachi também teve uma adoção instantânea por Sasuke, assim como Shisui teve para com ele quando o conheceu no hospital, e esta foi a primeira vez que o mais velho conheceu o poder da palavra “ciúmes”.

Ainda sim, Shisui não sentia raiva de Sasuke, até porque ele lembrava muito Itachi quando era neném e, por isso, também se apegou rapidamente ao novo bebê (até Sasuke entrar na adolescência e começar sua rebeldia, é claro — não que Shisui fosse admitir que ainda o via como uma espécie de irmão mais novo, ainda que implicasse um monte com ele). Mesmo enciumado, ele continuou convivendo com os primos e se apegando cada vez mais a eles durante bastante tempo.

No entanto, com dez anos de idade, Shisui percebeu que o que sentia pelo seu primo mais velho não era tão normal assim. Ele sentia ciúmes de ver Itachi com outras crianças, não apenas com Sasuke, e desejava atenção quase exclusiva. Isso gerou muitas brigas bobas entre os dois e as famílias começaram a intervir no relacionamento deles, preocupados com uma possível inimizade na família, algo que nunca aconteceu entre os Uchihas (na teoria, é claro).

Kagami e Fugaku diminuíram as visitas diárias a casa um do outro e o tempo que passavam juntos, além de os separarem na escola: quando Shisui fez onze anos, seu pai o matriculou em outro colégio que, apesar de não ser longe do colégio de Itachi, reservava pelo menos o horário da manhã para que as crianças pudessem conviver com outros amigos. Mikoto, a mais sensível entre os Uchihas, os convenceu de que a aproximação da adolescência dos dois primos e o contato diário prejudicava o relacionamento deles, achando que o contato com novas crianças faria bem para os dois.

Em partes, Mikoto tinha razão, pois isso ajudou Shisui a diminuir um pouco as crises de ciúmes, até porque a menor quantidade de tempo que passavam juntos tornou o tempo que possuíam mais produtivo: ele geralmente ia até o colégio de Itachi quando era a hora da saída e os dois voltavam para o condomínio da família juntos (sim, a família Uchiha era tão grande e patriarcal que morava em sua totalidade em um único condomínio). Às vezes almoçavam juntos, às vezes Itachi ia até sua casa no fim da tarde para brincar (levando Sasuke consigo ou sozinho). O relacionamento das crianças ficou em paz e harmonia durante alguns anos e eles não brigaram por um bom tempo.

Mas nem tudo é pacífico nessa vida: na adolescência, quando acharam que o problema “Sasuke e ciúmes” havia se resolvido, surgiu um novo problema: “as namoradas de Shisui”. Esse certamente foi um marco bastante ruim pro relacionamento deles, pois foi a vez de Itachi conhecer a força destrutiva desse sentimento: ele se afundou cada vez mais nos estudos pra distrair sua mente ciumenta, enquanto Shisui, o qual não precisava estudar muito pra tirar notas acima de oito e meio e Kagami não era tão exigente com o filho (ao contrário de Fugaku, que não aceitava nada abaixo de nove e meio), ocupava boa parte do seu tempo livre com encontros e festas.

A situação chegou a um ponto tão crítico que Itachi não conseguiu mais suportar o ciúme, se sentindo irritado e prestes a explodir. Ele também não era mais tão jovem para achar que aquele sentimento era uma mera possessividade de amigo; ele sabia que era totalmente apaixonado por Shisui desde... Céus, ele não conseguia nem constatar desde quando se apaixonara pelo primo! Por mais clichê que pudesse parecer, quem sabe foi no dia que eles se conheceram na maternidade. Vai saber...

Todavia, nem passou pela cabeça de Itachi se confessar para ele. Por isso, numa tentativa de manter um pouco de sua sanidade emocional, conseguiu convencer seus pais a permitirem um intercambio estudantil no ensino médio. Seria bom para o seu aprendizado escolar e melhor ainda para os seus sentimentos: o ciúme o corroia de tal forma que, talvez, ficar longe de Shisui por três anos não fosse uma má ideia. Certamente quando ele voltasse as coisas estariam diferentes, ele já teria superado essa paixonite e a vida iria seguir a sua normalidade. A lógica de Itachi era que se quando sua família interferiu na relação dos primos e diminuiu contato entre eles foi bom para os dois, talvez estivesse na hora de fazer a mesma coisa novamente (mas num grau bem mais drástico, pois adolescentes são naturalmente drásticos e nem o prodígio Uchiha escapou dessa fase).

Desta forma, sob os protestos de Sasuke e o olhar triste de Shisui (que nada sabia sobre o ciúme do primo, já que ele sempre foi muito bom em mascarar seus sentimentos), Itachi anunciou a viagem para à Inglaterra, onde pretendia terminar seu segundo grau. Ficaria três anos fora, tempo o suficiente pra lidar melhor com seus sentimentos, ou assim ele esperava, pois se não sua vida estaria arruinada (novamente: adolescentes são naturalmente drásticos).

O caçula chorou muito naquele dia e Itachi quase reconsiderou sua decisão ao ver seu irmãozinho sofrer daquela forma, só não o fez porque a situação chegou num nível realmente insustentável: se ele não fosse agora, daqui um tempo ele poderia acabar fazendo alguma besteira, como se declarar pra Shisui e perder a amizade que possuíam. Sasuke também precisava viver a adolescência sem grudar tanto na barra da calça de seu irmão, e talvez essa distância fizesse bem para todos eles: Sasuke amadureceria, Itachi esqueceria Shisui e Shisui... bem... Shisui iria continuar “vagabundeando” por ai, provavelmente.

Na véspera de sua viagem, um milagre aconteceu: Shisui desmarcou o encontro com a garota mais cobiçada da sua faculdade e o chamou para beber. Itachi ainda estava com quinze anos e, tecnicamente, não podia beber; mas como pretendia viajar e não tinha a mínima possibilidade de ficar de castigo por fazer alguma besteira, decidiu aceitar o convite, na intenção de considerar aquela noite uma despedida (e não, ele não foi “afogar as mágoas”, porque Uchihas não afogam as mágoas. Tenha respeito!).

No fim, não foi uma “mera despedida” que se sucedeu àquela noite. Itachi não se lembra até hoje de todos os detalhes (tome uma garrafa de vodca na sua primeira experiência com bebida e dê adeus a 90% das suas memórias), mas ele se recordava muito bem de ter beijado o seu próprio primo durante a espera de um táxi pra voltar para casa depois de saírem de seja lá onde passaram a noite bebendo. Lembrava-se de Shisui ter retribuído o beijo durante bastante tempo e... Bem, na verdade eles até esqueceram que esperavam um táxi e ficaram o restante da madrugada juntos, sentados nos bancos do ponto de taxi, mal se importando com os olhares reprovadores que recebiam dos pedestres igualmente bêbados que também tentavam voltar para casa (e sentar no banquinho ocupado enquanto esperavam taxi, óbvio).

Estranhamente Itachi recordava-se do momento de romance, provavelmente porque a adrenalina que sentiu ao dar seu primeiro beijo para quem era apaixonado o deixou mais sóbrio, mesmo depois de um consumo de álcool imenso. Ele se recordava de ter se declarado naquela noite, revelado a Shisui que optou pelo intercâmbio por causa de ciúmes, além de ter constatado que aquilo era só uma “paixão de primo” e que isso iria passar com o tempo. Shisui nada falou enquanto Itachi se confessava daquela forma, estando ele bem mais sóbrio que o menor de idade; o outro até chorou naquela noite, abrindo seu coração de uma forma como nunca fizera, afirmando estar desesperado e com medo da paixão não passar.

Quanto mais Itachi falava, mais Shisui se sentia um completo babaca. As declarações continuaram durante bastante tempo, mesmo que as vezes Itachi parasse de falar para beijá-lo ou interrompesse o beijo para censurar a promiscuidade de Shisui em todos aqueles encontros que disfrutava com várias meninas; o primogênito de Fugaku se portava como uma bomba ambulante repleta de sentimentos contraditórios, e Shisui tomava muito cuidado para não puxar o fio errado e detonar tudo de uma vez.

Veja bem, não era normal lidar com um Itachi emotivo daquele jeito, pois ele sempre escondia bem seus sentimentos — isso era o normal, o que Shisui se acostumara e, por isso, naquele instante ele se sentia em um campo minado e não sabia o que falar ou fazer! Mesmo assim, cada vez que sentia o gosto de Itachi em seus lábios ele não se arrependia de ter dado álcool ao mais novo, visto que foi apenas por causa do álcool que ele conseguiu o prazer de sentir aqueles beijos e ouvir a verdade sobre os sentimentos de seu primo.

Shisui decidiu naquela noite que, a partir de então, ele iria desvendar sempre os sentimentos de Itachi. Mesmo que para todos Itachi fosse o prodígio e perfeito primogênito de Fugaku Uchiha, Shisui iria se esforçar para ver além dessa máscara de proteção.

Quando o sol nasceu, Itachi encontava-se adormecido com a cabeça encostada em seu ombro e Shisui decidiu que agora seria boa hora para levá-lo para casa (ao menos, naquele momento, ele estava manso e não iria explodir caso Shisui falasse a coisa errada); eles precisavam pensar muito no que aconteceu, e apesar de Shisui ter decidido desvendar Itachi, ele ainda precisava processar tudo que acabou de acontecer.

Ao acordar, Itachi cogitou suicídio algumas vezes ao se recordar de sua revelação da noite passada e da troca de beijos (drástico, lembra?), mas por fim decidiu que não havia como mudar o passado ele não iria sofrer por algo insolucionável. Ficou com Sasuke o restante do dia, dando a atenção que ele sempre requisitava (e o primogênito quase nunca aceitava brincar com Sasuke, porque precisava estudar direto pra apresentar notas impecáveis ao pai, mas aquele dia ele não assumira compromissos do gênero). Quando chegou a hora do voo, sua família o levou para o aeroporto, e a “trilha sonora” no caminho de carro até lá consistia em conselhos paternais acompanhados de soluços e choros contidos de Mikoto e Sasuke.

Itachi quase desistiu de tudo, mas a vergonha de ter que encarar Shisui caso não viajasse o impediu de jogar tudo para o alto. Talvez, se aquilo não tivesse acontecido naquela noite, ele teria sim desistido da viagem. Ou não, afinal, isso não é algo que o filho perfeito de Fugaku faria, não é mesmo?

E, falando em Shisui, ele estava lá na área de embarque internacional e observou de longe a despedida de seus tios e Sasuke, mas não conseguiu ter coragem o suficiente de se aproximar de Itachi e também se despedir. Seu primo não sabia que ele encontrava-se ali e, aproveitando que não fora flagrado pela família, deixou a covardia falar mais alto e não conseguiu chegar perto dele. Quando Itachi entrou na área de embarque com um olhar fúnebre e derrotado, ele quase gritou seu nome e o implorou para não viajar, mas quando viu o menino de cabelos longos sumir atrás das portas de vidro fumê, se deu conta de que era tarde demais para isso.

E... bem... talvez Itachi estivesse certo, talvez os dois precisavam de um tempo separados pra por as ideias no lugar... Talvez... Ora, que besteira. Lógico que Itachi não estava certo! Itachi só queria preservar a maldita máscara, que pelo jeito quase caia por completo, pelo menos na presença do primo.

Primo... Ok... Isso é um detalhe importante. Mas não é proibido ter um relacionamento com primo, não é mesmo? Bem, Shisui não era uma pessoa muito cheia de moralismos, pra ele isso não era um problema tão grande. Mas poderia ser para seu pai e seus tios...

Foda-se. — Concluiu simplesmente, dando de ombros e dando o assunto do parentesco por encerrado.

Havia também outro impasse importante: Shisui nunca pensara na possibilidade de ser gay, mas precisava confessar que ficar com Itachi naquela madrugada não fora nada estranho. Cheio de lágrimas? Sim, mas não estranho... Muito pelo contrário! Foi uma noite bastante diferente do que ele se acostumara, e diferente no bom sentido, pois ao beijar Itachi Shisui sentiu coisas que nuca havia sentido com uma garota.

Quer dizer, não havia gloss labial para atrapalhar os beijos, nem conversas sobre fofocas estudantis, muito menos xingamentos às “rivais de popularidade”; Itachi não era fútil como as meninas que ele costumava sair, e isso o deixou confuso. Ele não sabia se havia gostado daquela noite pelo fato de ter acontecido com alguém do sexo masculino, por ter acontecido com alguém que possuía conteúdo para oferecer (Shisui havia de que confessar que conteúdo nunca era um dos atributos que ele presava pelas suas saídas de uma noite só, ele só ligava para aparências e se tivesse conteúdo seria brinde — brinde que ele nunca recebera até então), ou por ser o Itachi.

Durante alguns meses ele refletiu bastante sobre essas três possibilidades diferentes e até tentou solucionar o impasse com “pesquisas de campo”: ele mudou seu “tipo de mulher” e procurou garotas com um intelecto mais parecido com o de seu primo. Apesar dos encontros serem consideravelmente melhores do que as meninas fúteis de outrora, Shisui não sentia a mesma vontade de estar ao lado delas como sentia quando o assunto era Itachi. Ele cogitou sair com alguns homens, mas a ideia sumiu tão rapidamente quanto apareceu; nenhum outro homem que ele conhecia chamava a sua atenção da forma como Itachi chamava, muito menos parecia convidativo para a sua “região íntima”.

Resumindo, não chegou a uma conclusão de fato, mas percebeu que de certa forma compreendia o que Itachi queria dizer sobre ciúmes: ele também tinha sentido muito ciúmes de Itachi durante toda a sua vida, apesar de ter diminuído na adolescência porque agora já eramais maduro e porque, querendo ou não, Itachi nunca apresentou indícios de desejar namorar com alguém ou ter uma amizade confidente com outra pessoa senão ele. Ele desfrutava da segurança e da certeza de que Itachi sempre estaria ali, isso o confortava; mas vê-lo embarcar num avião pro outro lado do mundo com a pretensão de sumir de sua vida durante três anos causou um revertério em seus sentimentos.

O que ele iria fazer sem Itachi? Como ele ia sobreviver sem Itachi? Ele nem sabia como viveu os primeiros três anos da sua vida sem a companhia dele! Na sua memória, essa parte de sua vida nem existia! O lugar de Itachi era ao seu lado, e ele trocaria qualquer saída com a garota mais linda e inteligente da faculdade para ter o Uchiha de volta à sua rotina diária.

Foi por isso que, nas primeiras férias da faculdade que teve, Shisui viajou para a Inglaterra e bateu na porta da republica chamada “Akatsuki”, se sentindo totalmente afetado por um verdadeiro sentimento de “abstinência de Itachi”. Para sua sorte (pois seu inglês era tenebrosamente enferrujado) fora Itachi quem o atendeu e Shisui nem precisou falar: simplesmente o agarrou pelo braço e lhe deu um beijo, empurrando-o para dentro da casa e não permitindo questionamentos enquanto tentavam, às cegas, trocar beijos e caminhar até o quarto que Itachi dividia com seu colega Kisame (e o pobre colega de quarto ficou trancado para fora aquela noite toda).

A primeira vez deles foi tão abrupta quanto o primeiro beijo, mas recheada de adrenalina e de sentimentos não ditos. As dúvidas sobre sexualidade foram deixadas de lado, Shisui e Itachi preferiam não pensar nisso e aproveitar o momento. Aliás, isso acontecia até hoje: se perguntasse para Shisui se ele era gay ele possivelmente responderia que “não”, brincaria que Itachi era tão emotivo como uma garota (apesar de ninguém concordar com isso, pois os outros continuavam se enganando com a máscara) e que não havia tanta diferença assim (e acabaria apanhando do “Sasuke-protetor-de-honras-do-nii-san” ao fim da conversa, com toda certeza); era, contudo, a mais pura brincadeira, pois Shisui via Itachi como homem e certamente gostava das partes masculinas de seu corpo e mentalidade tanto quanto os singelos traços femininos que o primo possuía. Shisui era tão despreocupado com esse tipo de coisa que, para ele, pouco interessava o rótulo de sua sexualidade; e ele definitivamente não dava a mínima sobre como as outras pessoas o rotulavam. Itachi, por outro lado, se identificava como gay, apesar de não declarar abertamente a sua sexualidade para esse mundo preconceituoso e sua família tradicionalíssima.

Naquela noite, Shisui não prometera nada, mas Itachi sabia que se ele atravessou o mundo apenas para vê-lo, aquilo que eles tinham certamente não era igual às escapadas do Uchiha mais velho com as meninas da faculdade. Mesmo iniciando um romance que era renovado apenas nas férias (seja com Itachi voltando para o Japão ou Shisui vindo novamente ao seu encontro na Inglaterra), nenhum dos dois alimentou esperanças de um relacionamento sério. Itachi sabia como Shisui era galinha, e Shisui sabia como Fugaku iria castrá-lo cruelmente se descobrisse o que os primos andavam fazendo as escondidas; era melhor não elevar as esperanças de ninguém ali.

Então eles continuaram repetindo a máxima de “a paixão de primo um dia passa, mas vamos aproveitar enquanto durar”. Na verdade, já se passou sete anos desde o primeiro beijo dos dois e aquela paixão não esvaia, apenas aumentava. Por conta disso, essa “máxima” se tornou uma piada entre os dois: paixão de primo geralmente passa, mas no caso deles parece que alguma coisa deu errado nesse processo (não que alguém aqui estivesse reclamando desse detalhe, é claro!).

Desde que Itachi terminou seu intercambio e voltou ao país de origem, Shisui resolveu se aquietar e começar um relacionamento de verdade com ele, mesmo que eles não pudessem revelar a verdade para toda família. Como prova disso, Shisui destruiu seu “chip de encontros” (óbvio que ele comprou um chip de celular só pra anotar o número das meninas, aquele casanova de uma figa) e entregou os pedaços para Itachi, que não sabia se batia no namorado pela cara de pau ou se ficava feliz. Optou por fazer as duas coisas: Shisui descobriu naquela noite o quão selvagem Itachi conseguia ser na cama quando estava irritado e feliz ao mesmo tempo (talvez por isso Shisui provocava tanto Itachi para tirá-lo do sério, vai ver ele gostou e quer repetir a dose mais vezes).

Depois de um ano, Itachi se mudou para um apartamento com Shisui, na intenção de sair de casa e conseguir ficar mais a vontade com o seu amor (para os pais, leia-se: iniciar uma vida de solteiro ao lado do primo igualmente solteiro, para facilitar na estabilidade financeira dos “solteirões”). Sasuke, que sabia a verdade desde que começaram oficialmente a namorar escondidos (porque Sasuke amava entrar em quartos sem bater na porta), dizia que, como herdeiro de Fugaku, ele adotaria o lugar do pai por conta de sua ignorância a respeito daquele relacionamento e se encarregaria de castrar Shisui caso ele fizesse algo que machucasse o coração de Itachi. E, se quer a opinião do casal, essa declaração foi melhor do que esperavam: eles pensaram que Sasuke poderia dedurá-los para os pais, o que seria um escândalo sem tamanho.

Quem sabe Sasuke foi tão compreensível por já ter percebido desde pequeno que a ligação de Itachi e Shisui não era normal, ou, talvez, foi compreensivo porque ele também estava apaixonado e sabia que esse tipo de coisa não se escolhe nem se controla: Naruto Uzumaki, o completo oposto de Sasuke Uchiha e também seu amigo de infância, era a prova viva disso.

Mas Shisui nem tentou fazer algo errado como se render aos “velhos hábitos”. Ele se sentia tão completo com Itachi que abandonou totalmente seu costume de buscar sexo de uma noite só; nunca sentiu vontade sequer de pensar em trair seu namorado, não por medo de perder Itachi, mas por realmente se sentir em paz ao lado do outro Uchiha, fazendo a premissa de encontrar mulheres para “escapadas” algo tão emocionante quanto ver sexo entre elefantes no Discovery Channel.

Ainda sim, dizer que sua vida sexual era tão intensa quanto antigamente era mentira, pois Itachi estudava bastante e trabalhava três vezes mais nos negócios da família, geralmente acabava o dia esgotado demais para dormir com ele. Mesmo com essas dificuldades, eles conseguiam transar pelo menos uma vez na semana e nos finais de semana aproveitavam bastante a companhia um do outro, e por isso Shisui podia dizer que a espera fazia valer a pena, já que com Itachi ele sentia algo que nunca sentiu com nenhuma daquelas dezenas de garotas com quem dormiu no auge da sua adolescência: ele descobriu, finalmente, que qualidade vale bem mais do que quantidade — e ainda bem que descobriu a tempo, pois se recordava bem que o tal “Kisame” já andava rondando Itachi no final do intercambio e que, talvez, poderia conseguir uma chance com ele se Shisui não oficializasse logo o relacionamento.

Por causa de todo esse histórico dos dois, ouvir Itachi mencionar o “espero que a paixão de primo acabe logo” só lhe causou uma onda de risadas, e até o próprio Itachi deixou uma risadinha leve escapar do nariz. Estava tão na cara que aquilo não era uma paixonite de primo que aquele tipo de constatação besta, a qual eles se prenderam tão firmemente no passado, se transformou em uma piada interna.

— Eu só não complemento e digo “eu quero que essa paixão acabe logo pra eu poder a voltar à minha rotina de sexo casual” porque tenho medo do Sasuke ter instalado uma escuta na nossa casa e aparecer diante da nossa porta com um facão em mãos.

Itachi sorriu docemente, pensando em seu irmãozinho superprotetor.

Sasuke portava um radar para aparecer justamente quando Shisui brincava com assuntos como esse, como se fosse dever seu defender a honra de Itachi; Shisui não iria arriscar a sorte, já que o primo mais novo se hospedou na casa deles essa semana (afinal, Shisui era um cunhado muito generoso e permitiu que Sasuke trouxesse Naruto para o apartamento deles naquela semana de festividades — o casal ainda morava com os pais e também namoravam escondidos, por isso possuíam dificuldade de encontrar lugares para passarem a noite juntos).

— Bom, lamento te dizer, mas se você falasse algo assim não ia sobrar muita coisa pro Sasuke fazer depois que eu acabasse com você. — Itachi comentou, ainda levando tudo na brincadeira.

— Mas Itachi, é por isso que você tem que pelo menos no meu aniversario parar de estudar um pouco e sair comigo. Você tem que comparecer como namorado, se não eu vou te largar e procurar outra pessoa.

Itachi balançou a cabeça, rindo baixinho.

Como se isso fosse possível. — os dois imaginaram, sabendo muito bem que aquela era uma possibilidade irrealizável. Shisui jamais terminaria com Itachi, e vice versa.

— Vamos fazer assim: eu saio com você, mas vamos para uma festa de Halloween normal, vai ter um monte. — Itachi respondeu, cedendo parcialmente. Agora Shisui tinha certeza que era uma questão de tempo para conseguir o que queria.

— Eu te peço isso há tanto tempo, por que você não atende meu pedido só essa vez?

Shisui resolveu jogar sujo, sujo mesmo: ele fez bico. O “bico do Sasuke”.

O relacionamento de Itachi com Sasuke era composto de duas características importantes: Quando Sasuke era criança, Fugaku costumava dar pouca atenção e prestigio para o filho caçula e, por isso, o menino inconscientemente acabava se considerado dispensável na família, não tão importante como Itachi. Para reverter aquele quadro, Itachi começou a pedir algumas coisas pra Sasuke, coisas pequenas como “me ajude a organizar meu armário”, e depois elogiava demais tudo que o garoto fazia, deixando claro que “eu não saberia o que seria de mim sem você”. Essas pequenas coisas fizeram Sasuke se sentir importante para Itachi, e até hoje Sasuke se sentia como um verdadeiro protetor do irmão, de modo que possuía um relacionamento de superproteção com ele, mesmo sendo o filho mais novo. Itachi achava isso bonitinho, Shisui detestava porque geralmente era ele quem precisava lidar com os olhares reprovadores do primo mais novo.

Por outro lado, Sasuke nunca perdeu a essência de irmão mais novo, mesmo durante o tempo em que tentava a todo custo defender Itachi: Sasuke conseguia ganhar favores de seu nii-san com beicinhos de birra, chantagem emocional barata e, às vezes, falsas caras de choro (obviamente isso diminuiu na adolescência por causa de uma coisinha chamada “Orgulho Uchiha” — algo que ainda carecia de estudos científicos a respeito). Claro, ninguém mais via esse lado de Sasuke, apenas Itachi, e Shisui achava que era mentira do namorado toda vez que ele dizia que “eu fiz isso porque Sasuke quase chorou” — geralmente Shisui respondia “não sabia que criaturas das trevas como o Sasuke choravam”. Naruto devia ganhar alguma birra de Sasuke de tempos em tempos, mas o loiro nem seria louco de falar abertamente sobre um assunto como esse, pois ele sabia que mais forte do que o “Orgulho Uchiha” era a “Fúria Uchiha”.

Mas como Shisui sabia a arma secreta de Sasuke, mesmo nunca a tendo visto em ação, ele começou a adotar a mesma birrinha para pedir favores a Itachi. E conseguia ser bem efetivo nessa tática de combate, diga-se de passagem.

— Pare de fazer isso. — Itachi murmurou, contrariado, estreitando o olhar e virando o rosto, tentando focar sua atenção em algum local seguro e “sem birras”, como a parede branca do lado oposto do quarto.

E essa, senhoras e senhores, era a fraqueza do prodígio Uchiha: ver beicinhos de descontentamento das pessoas que ele amava. Sempre dizem que o calcanhar de aquiles dos mais fortes são coisas extremamente simples.

— Parar de fazer o que? — o mais velho se fez de desentendido, discretamente inclinando o corpo para entrar no campo de visão de Itachi mais uma vez, ganhando um suspiro derrotado assim que o outro espiou seu rosto pelo canto dos olhos.

— Eu vou me arrepender disso... Eu tenho certeza que vou... Mas ok, Shisui, eu faço isso que você quer, mas só porque é seu aniversário. E não ouse me pedir mais nada.

— E o sexo depois da madrugada?

Itachi se levantou, pretendendo sair do quarto e bater a porta na cara de Shisui, mas o outro o segurou com força pelo pulso e o puxou para si, forçando-o a se sentar sobre seu colo e aproveitando a posição para dar um beijo no canto do pescoço de Itachi, agradecendo mentalmente por ele estar com o cabelo preso num rabo de cavalo alto e deixar amostra aquela parte de seu corpo.

— Estou brincando!! — Shisui falou animadamente, mordendo a pele branca do outro e deixando uma marquinha leve, que sumiria dentro de alguns minutos. Ele parecia animado (mesmo que não fosse ganhar sexo), pois já fazia no mínimo dois anos que ele tentava convencer Itachi a ir consigo em uma das sessões, e ao perceber que teria sessão bem no dia de seu aniversario soube que seria uma oportunidade única para convencer seu namorado teimoso. Essa batalha ele finalmente ganhou!

Depois de beijar e morder um pouco Itachi (enquanto ele fingia tentar fugir de seu “ataque”), Shisui o retirou de seu colo e o colocou sentado ao seu lado, trocando uns beijos com o mais novo antes de se levantar e correr para o outro lado do quarto, revirando seu armário e procurando o que precisava: livros, algumas fotocópias de páginas específicas desses livros, lápis e borracha. Ao encontrar, sentou-se novamente ao lado de Itachi.

— Que bom que finalmente você aceitou, não vai se arrepender, você vai adorar eu prometo que vai! — Shisui exclamou, despejando os objetos entre eles. Ele sorria tão animadamente que, mesmo contrariado, Itachi acabou se sentindo contagiado por sua felicidade, deixando um leve repuxar de lábios aparecer em seu rosto — Bom, vou ter que começar explicando pra você o cenário e...

— Não. — Itachi o interrompeu, esticando o braço e tapando a boca do primo — Não quero que você me explique.

Shisui pareceu entristecer visivelmente e puxou o pulso de Itachi, tirando a mão de sua boca e voltando a falar.

— Você disse...!

— Eu disse que ia contigo e ia participar, mas não quero que você me explique nada.

— Mas você precisa ao menos fazer uma planilha Itachi, não da pra ir assim tão “cru” sobre o que se trata. — Shisui argumentou seriamente, um pouco preocupado com o que Itachi iria achar de tudo se fosse sem entender de verdade o que era aquilo.

— Eu vou ler por minha conta e fazer o que tem que fazer. Eu não preciso da sua ajuda nisso.

— Mas...

— Não Shisui. Você tem que trabalhar, nós precisamos fechar a nova campanha de marketing em breve e eu sei que ontem você ficou olhando esses livros durante todos esses dias em vez de trabalhar. — Itachi adotou aquele ar de “chefe da empresa” que Shisui atrelava ao DNA de Fugaku (e que ele detestava, por sinal); mas antes de terminar de falar, amaciou as feições e sussurrou — Nossos pais vão nos matar, Shisui...

Shisui fez de novo um biquinho, mas desta vez Itachi estava decidido. Tudo ligado a empresa da família era importante para Itachi como herdeiro principal das cotas sociais (e, também, por saber que dessa empresa dependeria o futuro de Sasuke e Shisui também), então ele sabia que aquilo era uma briga que ele não poderia ganhar.

Enquanto Itachi trabalhava com a administração geral da empresa, Sasuke estudava engenharia de produção para aumentar o desempenho da fábrica e, mesmo em estágio, já trabalhava bastante nela. Fugaku e Kagami, os irmãos Uchiha que fundaram a Sharingan Ltda., direcionaram os estudos dos filhos desde pequenos para que pudessem dar continuidade ao sucesso empresarial da família, mas Shisui foi um pouco menos tradicional do que os outros primos. Ele resolveu fazer faculdade de marketing, o que deixou sua família de cabelo em pé num momento inicial, pois eles queriam que os herdeiros ficassem a encargo dos setores basilares da empresa e não na área de propaganda e captação de investimentos (preferiam terceirizar esse serviço). Todavia, Shisui, mesmo antes da formatura, fez tantas mudanças na área de marketing da empresa que conseguiu quadruplicar as vendas em dois anos, conseguindo por mérito provar o quão importante era sua área e o seu serviço para o sucesso empresarial. Hoje, Shisui era o chefe do setor e dispunha uma equipe própria, nada de terceirizações, e fazia um trabalho esplêndido.

É claro, boa parte do sucesso do trabalho de Shisui advinha de Itachi pegar no seu pé de tempos em tempos. Shisui era genial e criativo em escalas fenomenais e lidava bem com o público, mas, talvez pelo excesso de criatividade, o rapaz também era bastante disperso. Ele necessitava sim de alguém mais focado e centrado, como Itachi, para pegar no seu pé e o forçar a trabalhar. Shisui possivelmente estaria jogando vídeo-game dezenove horas por dia se não tivesse o primo em sua vida para lhe por nos eixos.

Derrotado com o argumento e voltando ao foco de produtividade, teve que dar um braço a torcer dessa vez. Itachi estava certo (mas só dessa vez).

— Tem razão. Se Fugaku descobrir que a gente namora eu vou ser castrado pelo “capataz Sasuke”, mas se ele descobrir que além disso eu deixei de entregar a nova campanha e marketing, ele me mata depois da castração. Se eu tiver sorte, antes.

Itachi deixou um sorrisinho escapar, mas logo voltou a adotar o olhar sério de quem não aceitaria brincadeiras (e Shisui não se enganou com a máscara dele, por óbvio).

— Que bom que você conhece bem seu tio. E acredite, se você fizer isso eu o ajudo a te matar.

— De amor, né?

O mais novo girou os olhos, mas dessa vez não deixou apenas um sorriso escapar, como também uma risadinha. Shisui adorava fazer Itachi rir, e se sentiu bastante vitorioso com isso. Era impressionante como Itachi não conseguia mais esconder seus sentimentos de Shisui, por mais que se esforçasse (e, por um lado, isso era muito bom, pois Shisui era sua única válvula de escape da posição de ‘filho perfeito’ que ele adotava perante a sociedade).

— Vai logo! — Itachi o apressou com um gesto de mão — Pode deixar que eu consigo entender sem sua ajuda.

— Eu jamais duvidaria da sua capacidade. — Shisui respondeu, puxando o braço de Itachi pra trazê-lo para perto e lhe dar um beijo rápido. Em seguida, colocou-se de pé, buscou o paletó no cabideiro e saiu do quarto, vestindo-o, deixando seu namorado sozinho durante a noite. Em épocas de entrega de propaganda, era normal Shisui madrugar na empresa, e provavelmente Itachi só o veria novamente (com tempo para conversar e fazer outras coisas) no dia do aniversario dele, dia 31 de outubro, mais conhecido como “Halloween”.

Itachi achava muito curioso alguém com uma personalidade como a de Shisui fazer aniversário justamente nesse dia, pois vinha a calhar para ele seu aniversário ser nesse dia, já que assim poderia obrigar Itachi a ir para qualquer besteira de dia das bruxas que aparecesse em sua agenda. Um exemplo disso acontecia na infância: Shisui se divertia com brincadeira de “doces ou travessuras” e sempre arrastava Itachi para fora de casa com alguma fantasia improvisada e vergonhosa (como de lençol-fantasma) sobre o pretexto de que era seu aniversario e que, em decorrência disso, Itachi estava obrigado a acompanhá-lo. Apesar dos protestos, Itachi acabava cedendo todos os anos e fazendo qualquer besteira que Shisui quisesse fazer. Porque era aniversario do seu amor, e ele queria vê-lo feliz (simples assim).

Como Itachi não tinha nenhum trabalho urgente da empresa para entregar e faltava pouco para finalizar seu fichamento, resolveu que continuaria o trabalho de faculdade mais tarde. Um pouco curioso (não que ele fosse admitir isso), abriu o primeiro livro da pilha que Shisui colocou em sua cama, lendo o prólogo com calma e tentando entender o que de tão interessante havia ali.


(***)


— Deixa eu ver se entendi... Você está querendo um favor do Naruto?

— Espera ai Itachi, não abra a boca ainda! Preciso gravar isso! Sasuke, cadê meu celular? Teme! Me ajude a achar! É uma questão de vida ou morte!

Itachi suspirou fundo, olhando tediosamente para Naruto durante o tempo que ele buscava o celular entre os lençóis da cama bagunçada, encontrando-o dentro de segundos e desbloqueando a tela em seguida, possivelmente procurando seu gravador de voz dentre os aplicativos. Sasuke, ignorando a bagunça de Naruto, ainda o observava Itachi curiosamente, cruzando os braços e mantendo a porta do quarto meramente entreaberta, possivelmente não desejando a presença do irmão naquele momento.

Bom, Sasuke estava com o zíper do jeans aberto e sem camisa, e Naruto não parecia usar muitas roupas pela forma como o lençol grudava em seu corpo. Mesmo sendo um gênio, Itachi não precisava ser um para entender porque Sasuke não o convidava para entrar. Eles deviam ter prolongado a comemoração do aniversário de Naruto no dia anterior (mesmo que os dois tenham voltado pra cara da festa extremamente emburrados, mas nada que uma boa cama não resolvesse, né?). Pensando bem, Itachi só cruzou com Sasuke na casa durante uma vez naquele dia quando ele foi à cozinha pegar comida pra ele e Naruto, então possivelmente o casal passou o dia todo no quarto (e isso explicava os ruídos peculiares que ele ouviu durante a tarde).

— Pode falar agora Itachi, repita o que você disse! — Naruto exclamou animadamente ao encontrar seu celular e fuçar em seus aplicativos.

Reconciliação ou não, meu otouto não vai me impedir de circular na minha própria casa. — o Uchiha primogênito pensou, olhando seu irmãozinho autoritariamente e recebendo um passo para trás num gesto de obediência. Sasuke podia estar na fase rebelde, mas algumas coisas ainda o colocavam em seu devido lugar, e uma dessas coisas era o famoso “Olhar Uchiha”.

(As características intrínsecas de um Uchiha deveriam ser catalogadas para auxiliar nos futuros estudos científicos sobre o tema, Naruto estava absolutamente certo disso).

Ao se ver dentro do quarto de hospedes, Itachi o atravessou rapidamente e arrancou o celular da mão de Naruto, encontrando o botão de power e desativando o smartphone.

— Agradeça por eu não ter quebrado o seu celular. — o moreno respondeu, atirando o aparelho desligado no colo de Naruto, que o olhava de maneira levemente irritada.

— Ahhh Itachi... Que saco. Você nunca sabe brincar!

— Naruto, às vezes eu me pergunto se o Shisui é seu parente em algum nível, pois só isso explicaria. — o Uchiha mais velho respondeu, controlando seu riso de vitória com uma maestria que apenas um Uchiha era capaz de ter.

Sasuke bufou, fechou a porta, e logo chegou perto da cama e pegou uma calça que encontrava-se jogada no chão, atirando-a no rosto de Naruto.

— Se vista. — ele disse, com ares enciumados; Naruto abriu a boca pra protestar, mas Sasuke continuou a falar — Eu sei que você está coberto, mas eu não estou muito confortável com o Itachi no mesmo cômodo que você enquanto você está pelado.

— Ei, a culpa não é minha! Você que resolveu abrir a porta antes de eu me vestir!

— Podia ser assunto da empresa, geralmente é assunto da empresa!

— Não briguem. — Itachi pediu, sabendo que era um pedido retórico. — De novo não.

Apesar de Naruto se assemelhar a Shisui em vários aspectos (indicando que, de alguma forma, os irmãos Uchiha possuíam um gosto comum quando o assunto era homens), o relacionamento que Itachi e Shisui possuíam certamente era diferente do relacionamento de Sasuke e Naruto. Apesar de o casal de primos não brigar além de uma mera discussão de birra, Sasuke e Naruto brigavam a todo momento e logo faziam as pazes. Funcionava como se as brigas fossem o combustível que tornava o relacionamento mais forte e, sem isso, eles cairiam na monotonia.

Itachi eventualmente se perguntava se os dois agiam assim pela idade, mas depois de ver o relacionamento crescer e ficar cada vez mais forte mesmo com todas essas brigas, só pôde concluir que não, não havia nenhuma relação com maturidade ou ausência dela... Era algo bem “Sasuke e Naruto”, e não cabia a ele, um mero espectador do relacionamento, compreender.

Ainda sim, ele detestava ver os dois brigando, pois isso ia contra a sua natureza pacifista (mentira, Itachi só não queria ouvir todo o sexo de reconciliação de novo).

Sasuke fechou a cara, mas obedeceu ao pedido do irmão e parou de discutir com Naruto. O caçula, por algum motivo que Itachi não entendia direito, tinha muito ciúmes de Naruto e Itachi quando estavam juntos, e sempre tentava ao máximo separá-los. Não por achar que algum deles fosse trair sua confiança e se envolverem fisicamente (isso era absolutamente impossível), mas talvez por sentir algum nível de insegurança, um medo quase que irracional de se sentir substituído, seja na figura de irmão quanto na figura de melhor amigo (Sasuke e Naruto, além de namorados, ainda se consideravam melhores amigos e afirmavam que se um dia o relacionamento amoroso acabasse, a amizade seria forte para se manter da mesma intensidade).

Itachi sorriu um pouquinho, pensando em quão besta era esse medo de seu irmãozinho, e deu o seu típico peteleco na testa do garoto, pegando-o de surpresa como de costume.

— Nii-san! — Sasuke protestou, cobrindo a testa com a mão, emburrando ainda mais.

— Sem birra, Otouto, você é quase maior de idade e já é um profissional de renome, essa cara não combina com você. — Itachi murmurou docemente; Sasuke sentiu seu rosto corar, ele sempre reagia assim sempre que recebia um elogio do irmão. Afinal, velhos hábitos nunca morrem, e ele ainda gostava de ser reconhecido pelo irmão e o pai, desejando a todo tempo algum tipo de reconhecimento deles.

— O que você quer do Dobe, Aniki? — o caçula questionou, se sentando ao lado do loiro, que logo passou um braço ao redor de sua cintura e o puxou para mais perto, forçando-o a colocar os dois pés na cama — Você atrapalhou a gente, sabe...

— Atrapalhei? Vocês estão há quase trinta horas nesse quarto.

Foi a vez de Naruto girar os olhos, sabendo que agora que Itachi havia deixado claro pra Sasuke que percebeu que os dois estavam há tanto tempo “juntos”, seu namorado ficaria com vergonha e iria desejar sair do quarto, acabando assim com sua comemoração de aniversário estendida.

Mas que maldito Itachi empata-foda!

— Ok Itachi, já que você estragou minha comemoração de aniversário...

— Seu aniversário foi ontem e você encheu a cara demais pra dizer que não comemorou. — o mais velho respondeu calmamente, apreciando suas unhas como se fossem algo extremamente importante no momento.

— ... espere cinco minutos do lado de fora, vou me vestir e já saio pra falar com você.

— Não.

— O que? Nii-san!

— Não Sasuke. — Itachi rebateu, se divertindo com o olhar indignado dos adolescentes. Ele podia nunca admitir isso em voz alta, mas sentia um grande prazer em pegar no pé dos dois — Vocês abriram a porta pra mim, eu já estou aqui, vamos acabar logo com isso.

Sasuke, indignado, estreitou o olhar de uma maneira que apenas um Uchiha era capaz de fazer e lançou sua ameaça.

— Aniki, você nunca mais vai ter folga com o Shisui depois dessa.

— Eu nunca tive mesmo. — Itachi riu, tentando dar um segundo peteleco na testa de Sasuke, mas ele conseguiu desviar. Itachi atacou novamente, desta vez beliscando o pescoço de Sasuke e ganhando um tapa na mão em retorno.

Dentro de instantes, Itachi havia ganhado a briguinha de irmãos e Sasuke se contorcia em um ataque de cócegas, clamando pela ajuda de Naruto. O loiro, preso debaixo das cobertas (já que ele não queria mostrar a todos os presentes do quarto a maneira como veio ao mundo), nada podia fazer para defender Sasuke. Não que ele desejasse salvá-lo, pois adorava ver como Itachi conseguia tirar Sasuke do serio desta forma — era como assistir uma aula de “maneiras de lidar com o Teme”, era instrutivo e acadêmico.

— Ok! Ok! Pára! — o caçula gritou em plenos pulmões, quase caindo da cama no momento em que Itachi finalmente o soltou. Apenas por precaução, correu para o outro lado do quarto e respirou fundo algumas vezes, tentando estabilizar sua respiração entrecortada.

Naruto ria com vontade, e Itachi mantinha o sorriso sádico e um olhar de superioridade. O outro Uchiha, se sentindo derrotado, suspirou fundo duas vezes, apertou a ponte do nariz com os dedos e balançou a cabeça, deixando um risinho singelo escapar.

— Ok, fale com o Usuratonkachi o que você quer. Eu vou tomar banho enquanto vocês discutem.

Isso dito, Sasuke entrou no banheiro da suíte, trancando a porta e deixando os dois a sós. Ele sabia que possivelmente Itachi não se importaria de conversar com Naruto se ele estivesse presente, mas quem disse que ele estava disposto a dar maior oportunidade pra esses dois brincarem com ele dessa forma? Ele sabia que os dois juntos acabariam com tiros certeiros contra o seu “Orgulho Uchiha”. Era melhor manter distância sempre que complôs se formavam.

No quarto, Naruto limpou os olhos (havia lacrimejado de rir vendo Itachi torturar Sasuke daquele jeito) e observou o Uchiha com cautela.

— E ai Itachi, meu cunhado favorito, o que posso fazer por você?

— Não force a barra. — Itachi alertou, retirando do bolso um papel dobrado e entregando ao garoto, ouvindo o suave som da água do chuveiro começar a jorrar no outro cômodo — Eu quero que você me ajude com isso.

Naruto pegou o papel em mãos, abrindo-o com afobação e lendo cada detalhe da letra miúda de Itachi.

— Isso... O que é isso? — o loiro questionou, virando o papel e continuando a ler a pequena história ali escrita. Logo Itachi tirou um segundo papel para Naruto e ele avidamente foi analisá-lo, soltando uma risada alta em seguida e olhando para Itachi com incredulidade — Você tá brincando comigo, não tá?!

Itachi balançou a cabeça negativamente, um pouco envergonhado, mas sabendo que, para atingir seu objetivo, precisaria da ajuda de Naruto.

— Isso é genial! — o loiro exclamou, pulando por cima do corpo de Itachi e alcançando uma caneta no criado mudo. O primogênito o censurou e o empurrou para longe, mas Naruto nem deu muita importância para isso, animado para corrigir os erros que vira no papel e intensificar ainda mais o texto — Genial mesmo! Shisui vai pirar, pirar! Não acredito que ele conseguiu te convencer Itachi, você vai adorar, você vai-...

— Naruto, não sei se você se lembra desse detalhe, mas você está pelado. — o mais velho murmurou, encarando o corpo despido de Naruto com olhares curiosos (O que foi? Homens possuem olhos pra olhar, oras!)

Soltando um grito de surpresa, Naruto jogou tudo para o alto e se enfiou debaixo do lençol, se cobrindo até o nariz. Ele estava rosado e engasgava-se de vergonha, tossindo e evitando o olhar de Itachi, que achava muita graça dos acontecimentos.

— Pervertido!

— Por favor... — Itachi olhou para cima em descrença — Eu troquei suas fraldas Naruto.

— Então tá insinuando que eu continuo igual a quando era criança? — Naruto ficava cada vez mais vermelho de vergonha, e Itachi sentia que seu estoque de bom humor estaria recomposto pelo resto do mês.

Pegar no pé desses dois era realmente revigorante.

— Pare de ser estranho e me de uma posição: você vai me ajudar?

— L-Ó-G-I-C-O! — Naruto exclamou, sentando-se (desta vez tomando cuidado pro lençol não descobrir sua virilha) e alcançando os papeis novamente — Então você vai lá com a gente no dia trinta e um?

— A gente?

— Eu também convenci o Sasuke a ir. — Naruto murmurou, fazendo um risco no papel de Itachi, respondendo-o sem levantar o olhar — Você não acha que ele ia estragar minha festa com essa história de “revolução” e tudo ia ficar por isso mesmo, né?

— Pensei que ele compesou com sexo.

Naruto sorriu de canto de boca; provavelmente recordando-se das últimas horas naquele quarto. Itachi sentiu vontade de bater em Naruto por pensar no seu otouto com aquela cara de pervertido, mas controlou seus impulsos.

— Nah, o sexo já faz parte. Ir comigo no Halloween é a compensação.

Definitivamente Shisui e Naruto têm bastante em comum.

— Certo, nós temos pouco mais de duas semanas pra deixar você profissional, Itachi. — Naruto exclamou, analisando o papel e fazendo uma pequena careta — E eu tenho que estudar algumas coisas pra deixar isso perfeito.

— Você não vai contar pro Shisui que está me ajudando, né?

— Claro que não, eu vou estar presente pra ver a cara de espanto dele no momento que você chegar lá.

Naruto olhou para Itachi e sorriu um sorriso radiante, e este, só pra variar, se viu contagiado pela energia do cunhado, respondendo o sorriso com um repuxar tímido de lábios.

— O Shisui nem vai saber como reagir. Aposto três tigelas de ramen que ele vai ficar parado, de boca aberta, como se tivéssemos formatado o cérebro dele. — Naruto murmurou, Itachi balançou a cabeça afirmativamente.

— Bom, o que posso dizer? — Itachi respondeu, cruzando os braços e sorrindo aquele sorriso de todos os Uchihas exibiam ao tramar algo sádico (Naruto conhecia bem, pois nas ocasiões em que Sasuke dava esse tipo de sorriso ele sabia que seu mundo iria virar de cabeça pra baixo) — Ele preferiu isso ao ficar comigo no aniversario dele, então ele vai ter o que ele quer. E eu também.

Naruto engoliu em seco, sentindo suas orelhas esquentarem novamente. Afinal, só de passar o olho nos papéis que Itachi trouxera, ele já entendeu qual era a intenção daquele plano. Ele só esperava, de todo o coração, que Sasuke não tivesse um troço ao ver o que seu nii-san pretendia fazer naquele Halloween.


... Continua...



Nov. 7, 2018, 10:12 p.m. 0 Report Embed 5
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