Ilha da morte Follow story

nieleebloom1529383755 Daniele Claudino

Após se desentender com a namorada, Maureen decide se isolar, se mudando para White Island, onde, em companhia de sua prima e um guia sai para explorar a parte sombria da ilha. Eles sofrem um acidente na estrada e quando recobram a consciência estão em quarentena no antigo asilo Kolinski. Lá, conhecem Thaeme e, com sua ajuda, fogem. São perseguidos pelos guardas, mas conseguem se livrar deles, se refugiando nas ruínas de uma vila. Logo, porém, se arrependem de terem posto os pés naquele lugar, pois as lendas a cerca dele, se mostram reais. "Quando eles sentirem o cheiro da sua pele, só descansarão ao provarem o seu sangue".


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#caçador #demonios #morte #ilha #ghoul
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Inexplorada

 Um mês após se mudar para White Island, Maureen Lisbon, quase, já se sentia em casa, embora não tivesse explorado a ilha que fora batizada com aquele nome por causa da cor da areia de suas praias. Com cerca de 2.700 habitantes, a ilha também era conhecida como Ilha Da Morte por seu passado sombrio. 

Maureen sabia que entre 1880 e 1979 a ilha servira como asilo para doentes mentais e leprosos, mas não conhecia as lendas locais porque passava boa parte de seu tempo em casa, escrevendo um romance atrás do outro. 

Ela vivia em uma casa de arquitetura gótica que não possuía andares nem quintal, somente uma pequena varanda. Havia um corredor no fundo cujo teto era coberto por uma trepadeira de flores vermelhas. Esse corredor cercado com um corrimão de madeira levava de um bloco a outro da casa. No bloco esquerdo ficavam as dependências principais da casa e no direito a suíte onde Maureen dormia. Logo que adquiriu a propriedade, considerou fazer uma reforma, talvez fechar o corredor que separava os blocos e tornar tudo uma coisa só, mas quando imaginou o barulho e a sujeira que a obra inevitavelmente causaria, desistiu.

Maureen se animou quando a prima, Laís Córner decidiu vir passar as férias com ela. Já fazia algum tempo que as duas não se viam e, mesmo se falando online sempre que encontravam um tempo, não era a mesma coisa. Maureen sentia saudades dela.

Laís era só animação quando desembarcou na ilha. Estava ansiosa para pegar um bronzeado e se divertir como nunca. Maureen gostou da empolgação dela e se deixou contagiar. 


— Essa casa é bem a sua cara, prima! — Laís disse a primeira vez que pôs os pés na propriedade.

— Você não pensou que eu fosse morar num chalé no meio do mato, né? Por favor? Estamos na América, a terra dos psicopatas! — Brincou Maureen.

— Uma ilha conta como mato, mas tá… Vai? — Laís revirou os olhos e riu. — É bem melhor do que eu imaginava. Só achei estranho separarem a suíte.

— Vai ver, os antigos proprietários só queriam mais privacidade, você sabe… — Maureen disse.

— Hmm… Eles eram pervertidos. Saquei. — Falou Laís.

— Talvez. — Maureen disse, séria.

— E onde fica o meu quarto? — Laís perguntou.


Maureen a levou a um dos dois quartos que ficava no bloco esquerdo.


— O banheiro fica no final do corredor, logo ali. — Maureen apontou a direção. — Sinta-se como se estivesse em sua própria casa.


Laís olhou ao redor e disse:


— É grande, aqui. Se eu ficar com medo, vou pro seu quarto. Tudo bem?

— Se está com medo de a casa ser assombrada, fique tranquila? Segundo o corretor, os antigos proprietários estão bem vivos e longe dessa ilha. — Falou Maureen.

— E desde quando corretores falam a verdade? — Laís disse e balançou a cabeça.

— Eu não sei e não me importo. — Maureen disse.

— Bem, eu vou tomar um banho e vestir algo decente para tomarmos um pouco de sol. Alguém está precisando. — Disse Laís reparando que a prima estava pálida.

— Tudo bem. — Maureen disse antes de ir para sua suíte.


† † †


Pálida, com os cabelos e olhos castanhos, e sempre vestida de preto, Maureen parecia uma vampira enquanto caminhava ao lado da prima que era o oposto dela. 

Filha de uma americana com um taiwanês, Laís tinha um rosto angelical e um corpo escultural. Estava sempre sorrindo e fazendo graça. Não era difícil para ela se sobressair a prima. 


— Quanto tempo faz que você não vem à praia? — Laís perguntou a Maureen enquanto esta passava o protetor em suas costas.

— Essa é a primeira vez que venho. — Falou Maureen.

— Jura? — Laís disse. — Não acredito que você fica o tempo todo trancada enquanto escreve.

— Essa é a minha vida, Laís! — Falou Maureen.

— A Olívia continua solteira. — Disse Laís.


Maureen engoliu em seco e deixou de esfregar as costas de Laís, sentindo seu estômago revirar. Bastou ouvir o nome de Olívia para ficar triste. Era por isso que escrevia sem parar, para não pensar na forma como rompera com sua namorada.


— Me desculpe? — Laís se virou e encarou a prima, arrependida por ter falado demais. — Eu só achei que… Sinto muito. — Laís abaixou a cabeça.

— Laís me mandou escolher entre os livros e ela… Eu escolhi os livros. — Falou Maureen.

— Eu não quero te julgar, mas você se dedicava mais aos seus livros que ao seu relacionamento. Olívia se sentiu sozinha. — Laís disse.

— Você tem falado com ela? — Maureen perguntou, mas sabia que sim porque Laís era amiga dela.

— Ela sente a sua falta e lê cada um de seus livros. — Falou Laís.


Maureen virou o rosto, enxugou uma lágrima que escorreu por sua face e suspirou antes de dizer:


— Olívia merece alguém melhor que eu. Nunca serei boa o bastante para ela.

— Ei? Isso não é verdade. — Laís tocou a mão de Maureen. — Você é a melhor pessoa que eu conheço. Só precisa aprender a gostar das pessoas como gosta de seus livros.


As primas ficaram mais algum tempo na praia e antes do pôr do sol, voltaram para a casa e prepararam o jantar. Assistiram um pouco de TV, conversaram e foram dormir. Laís acabou achando o sofá mais confortável que sua cama e dormiu na sala.

Maureen custou a pegar no sono, pensando nas palavras de Laís: “Precisa aprender a gostar das pessoas como gosta de seus livros”.

A manhã seguinte foi agitada. Após o café, Laís arrastou Maureen até o centro comercial e elas andaram de uma loja a outra, pechinchando e comprando coisas. Almoçaram em um restaurante e Laís insistiu que elas fizessem um tour pela ilha. Elas até tentaram encontrar um guia, mas ninguém na ilha soube informar como ou onde encontrar um.

Um homem na casa dos quarenta, com belos olhos azuis, cabelos negros e vestido de forma despojada, não pode deixar de ouvir quando as moças perguntaram a vendedora de uma loja se ela conhecia algum guia, e se aproximou, devagar.


— Não, senhoritas. Sinto muito. — A vendedora disse antes de se afastar com um sorriso sem graça.

— Não podemos andar por aí sem um guia. Pode ser perigoso! Melhor encontrarmos outra coisa para fazermos. — Maureen disse a Laís.

— Oi? Com licença? — Disse o estranho ao abordá-las. — Me desculpem? Estão procurando um guia? É isso?

— Oh, sim. — Laís sorriu, simpática. — Conhece algum?

— Bem, não. — O homem disse. — Sinto em informar-lhes, mas, dificilmente encontrarão alguém disposto a guiá-las em um tour pela ilha… Não importa o quanto paguem por isso. Falo por experiência própria. As pessoas têm medo de cruzar certos limites porque acreditam que são assombrados.

— Que besteira! — Falou Maureen.

— Eu sou Vladimir Kenny, jornalista. — Apresentou-se o homem. — Estou aqui para escrever um artigo sobre a ilha, ou o melhor… O lado sombrio da ilha.

— Prazer? Sou Laís Córner e essa é a minha prima, Maureen Lisbon. — Laís disse.

— Vocês são turistas? — Vladimir perguntou, achando que sim.

— Só a minha prima. — Maureen respondeu. — Me mudei para cá, já, há um mês, mas nunca me interessei em explorar a ilha. É sério mesmo que as pessoas acham que aqui é assombrado? Só por causa do asilo Kolinski? E daí que os pacientes morreram lá? Isso foi há muito tempo.

— Não acredita em fantasmas, senhorita Lisbon? — Vladimir a encarou, sorrindo. — Estranho, quando você escreve sobre eles.

— Só porque escrevo sobre eles, não significa que acredito neles. — Maureen disse e virou o rosto, coçando a nuca, sem graça por ter sido reconhecida como escritora. Ela amava escrever, mas lidar com seus leitores era um pouco complicado.

— Não me parece ético escrever sobre algo em que não se acredita. — Falou Vladimir.

— Ah! Então, você acredita em fantasmas? — Laís riu.

— Honestamente? Não. — Respondeu Vladimir. — Não estou aqui pelos fantasmas. Só estou atrás das ruínas de Kolinski. Só preciso tirar boas fotos, escrever algumas lendas locais e missão cumprida.

— Me parece profissional, senhor Kenny. — Falou Maureen sorrindo, sarcástica.


Vladimir riu.


— Só quero voltar pro meu apartamento em Los Angeles. — Ele disse. — As pessoas daqui, com exceção de vocês, são muito estranhas e parecem esconder algo. É impossível fazê-los falar sobre Kolinski.

— Parece que vai ter de inventar alguma coisa. Boa sorte! — Falou Maureen antes de ser acotovelada por Laís.

— Na verdade, eu pensei que… Talvez, pudéssemos nos ajudar. — Falou Vladimir.

— Não vejo como. — Maureen disse e sentiu Laís pisar em seu pé. Ela olhou para a prima com uma careta antes de se afastar da mesma.


Vladimir riu e explicou o que tinha em mente:


— Eu tenho um mapa e posso levá-las aonde quiserem. Em troca, só peço que me concedam uma entrevista. Por favor? O meu chefe vai me matar se eu não entrevistar alguém. Nenhum nativo quer falar comigo oficialmente.

— Eu topo. — Laís disse.

— Obrigado. — Vladimir agradeceu, juntando as mãos e sorrindo. Então se voltou a Maureen que se mantinha inexpressiva. — Posso contar com você, também?

— Como eu disse… Moro aqui, apenas, há um mês. Não conheço essa ilha o bastante. — Falou Maureen.

— Mas ninguém precisa saber, e você é Maureen Lisbon! Tudo o que disser, as pessoas acreditarão. Todos amam os seus livros, não amam?! — Falou Vladimir. Ele estava feliz porque não apenas levaria uma matéria sobre o asilo Kolinski, mas, também, uma entrevista com a escritora que no momento era a queridinha dos adolescentes.

— Está me pedindo pra mentir? — Maureen arqueou uma sobrancelha, sorrindo.

— Prima… — Laís disse.

— Hmm… Talvez, um pouquinho? — Vladimir sorriu inclinando a cabeça para o lado esquerdo.

— Tudo bem, então. — Maureen concordou.

— Muito obrigado. Mesmo. — Vladimir disse, agradecido.

— E então, vamos? — Laís disse.

— Hã? Não estão pensando em irem vestidas assim, estão? — Vladimir disse olhando rapidamente para os corpos delas.


Laís usava shorts e um top branco, já Maureen usava um vestido preto, soltinho.


— É melhor colocarem algo mais apropriado para uma caminhada na mata. — Vladimir sugeriu. — Por que não vão se trocar enquanto eu busco algumas coisas no meu quarto? Nos encontramos aqui em meia hora?

— Tudo bem. — Falou Maureen.

— Não esqueçam de trazerem água e comida. — Vladimir disse.

— Ok. — Laís disse.


As primas voltaram para a casa e guardaram suas compras. Tomaram um banho e se arrumaram. Maureen vestiu leggigns, uma blusa preta de mangas longas e calçou all-stars. Laís vestiu uma regata laranja e shorts amarelos, e calçou seus tênis. Prendeu os cabelos num rabo de cavalo e usou tanto repelente quanto achou necessário. 

As duas prepararam suas mochilas com água, comida e o que julgaram indispensável para sua aventura, antes de irem se encontrar com Vladimir. Ele já estava esperando por elas quando elas chegaram. Entraram no carro que ele alugara, um corsa sedan preto. 

Enquanto se afastavam da parte habitada da ilha, a paisagem ao redor se tornava cada vez mais lúgubre. Nem parecia a mesma ilha aparentemente calma. Laís e Maureen tinham a impressão de mergulharem no cenário de um filme de terror.


— Por favor? Nos diga que você não é um serial killer? E que não está nos levando para uma armadilha? — Laís brincou com Vladimir.

— Essa é a última chance que tenho para provar para o tirano do meu chefe que não sou incompetente, então… Relaxem? Se fosse matar alguém, com certeza, não seria vocês. — Vladimir riu.

— Até, porque, a única com cara de psicopata nesse carro, sou eu. — Brincou Maureen fazendo os outros rirem.


Vladimir só tirou os olhos da estrada por um segundo ou dois no máximo quando, do nada, surgiu uma garotinha no meio da estrada. Ela tinha a pele morena e usava um quimono semelhante ao dos monges tibetanos, mas vermelho. Em nenhum momento, ela pareceu assustada, se mantendo imóvel e inexpressiva. Vladimir desviou por pouco o veículo e perdeu o controle do mesmo, saindo da estrada e batendo contra uma árvore.

Laís bateu a cabeça com força no vidro e sentiu sua visão embaçar enquanto insistia em se mover para se certificar que os outros estavam bem. Vladimir gemeu com dor e balbuciou algo. Maureen perdera a consciência. Laís tocou o ombro dela, preocupada e então viu quando borrões negros cercaram o carro. Se apavorou ao confirmar que eles não estavam sozinhos.


— Prima? Acorda? — Laís agarrou o braço dela e se arrastou para perto da mesma.


A porta ao lado de Maureen foi arrancada com uma força sobre-humana e Laís gritou ao ver um estranho vestido de preto encará-la. A emoção foi demais para a moça que já estava abalada por causa do acidente, e ela desmaiou.


 


Nov. 6, 2018, 3:40 a.m. 0 Report Embed 1
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