The Kanzaki Follow story

tsukisama01 Mariah Eduarda

Lutar sozinha contra o Caos é como abraçar a morte. link do wattpad: https://www.wattpad.com/story/162380858-the-kanzaki


Fantasy Epic All public.

#romance #aventura #luta #ação #triangulo-amoroso
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Dias Normais


Era uma linda manhã, tinha chovido na noite anterior. ERA para ser uma manhã calma, mas eu esqueci que sou uma Kanzaki.


- YOZIII! Levanta A-G-O-R-A! Você vai perder o ônibus e eu não vou te levar na escola.


Abri meus olhos, grunhi e tampei meu rosto com o travesseiro. Não, eu não podia faltar por preguiça. Só faltava quando estava doente ou quando era aniversário de alguém da família. Me sentei na cama com os olhos fechados. Eu estava tão cansada, mas se enrolasse era capaz dela vir aqui e me arrastar pra fora da cama e me obrigar a ir na escola de pijama. Reprimi esse pensamento e levantei da cama. Meus olhos azuis estavam borrados de lápis de olho. Pareço um zumbi, pensei, e soltei um riso desgastado. Meu cabelo estava com muitos nós, mas não tinha tempo de desemaranhar ele agora. Prendi ele com um rabo de cavalo mal feito e comecei a vestir qualquer roupa que estava na frente. Continuei com a blusa de pijama, que tinha uma frase escrito. Coloquei uma calça de moletom preta e meu tênis favorito.

Abri a porta do quarto e senti aquele cheiro maravilhoso das panquecas da minha mãe, minha boca encheu de água. Desci as escadas quase correndo. Quando entrei na cozinha vem minha mãe com sermão:


- Que lindo, Srta. Yozi. Isso lá é hora de levantar? Senta aí e come rápido.


Apesar do temperamento explosivo da minha mãe, ela cozinhava muito bem. Queria ter puxado isso dela, mas não puxei. Basicamente, não herdei quase nada, a não ser o sobrenome e seu "perfeito" temperamento.

Quando sentei na mesa, meu irmão veio encher o saco, como faz todo dia.


- Todo dia a mesma coisa ein, Yozi. - disse ele com um sorriso debochado.


- Cala sua boca, Yodo! - gritei - Eu vou enrolar todo dia se eu quiser.


- Ouviu isso, mamãe?


Grunhi. Ele me irritava muito e eu nunca conseguia manter a calma, apesar de tentar. Ele era a perfeita junção da minha mãe com meu pai. Seu cabelo branco-prateado e aqueles olhos azuis cheio de deboche e sarcasmo. Apesar disso tudo, era ótimo na escola e estava no último ano, sempre com notas boas, e também era muito popular com as garotas. Ele era um saco de deboche com perfeição. E aproveitava o fato de ser mais velho pra me tirar do sério.


- Você tem que melhorar suas notas, imouto-chan. - ele piscou e mostrou aquele sorriso de deboche.


- Cuida das suas namoradas, que das minhas notas cuido eu, onii-sama. - falei com sarcasmo.


- Dá pra vocês pararem?


Minha mãe interrompeu. Pelo seu tom de voz ela queria mesmo que nós parássemos. Voltei a comer minhas panquecas, até que minha linda irmã gêmea aparece com sua bela energia.


- Bom diaaaaa! - disse ela beijando o rosto da minha mãe.


Apesar de sermos gêmeas, éramos muito diferentes, tanto em personalidade quanto em aparência. Yuki tinha os olhos violeta e o cabelo branco da minha mãe, apesar dele estar com muitas mechas rosas. E eu puxei meu pai, cabelo ruivo e olhos azuis.


- Bom dia, Yodozinho! - disse ela sorrindo e se sentando na mesa.


- Bom dia, onee-chan!


Yodo respondeu com um sorriso verdadeiro. Ele fazia isso com todo mundo, menos comigo.


- Só tem a mamãe e o Yodo aqui... - murmurrei


- Ah, eu ia dar bom dia pra você também - disse a Yuki sem nem olhar para mim - mas você não parecia de bom humor hoje, então nem arrisquei.


Nem respondi. Só continuei tomando meu café. Então meu irmão mais velho chegou em casa, com um ar cansado, como sempre. Ele era médico, e desde daquele dia, ele sorria com dificuldade, tentava esconder sua tristeza, mas eu sabia que era fingimento. Pois me sentia igual.


- Bom dia pra vocês, e boa aula. - ele disse e foi caminhado escadas acima tirando seu jaleco.


- Você não quer nem comer, Yurui?


- Não, mãe - ele deu um sorriso fraco - Onde está a Yosaf?


- Ela tá dormindo ainda. Não acorda ela ainda, tá muito cedo.


- Pode deixar. Não se preocupe, eu como algo depois.


Ele subiu as escadas, mas antes, sorriu pra mim. Yurui era o único dos meus irmãos que não esquecia de mim ou me deixava de lado. Ele era um xerox do meu pai, tanto em aparência, quanto em personalidade. Sempre me passava calma com seus olhos azuis cheios de carinho. Era ruivo igual a mim, mas não do mesmo tom, o dele era mais escuro, com fios acobreados. Eu sentia tanta pena dele e da minha sobrinha.


Meu pai interrompeu meus pensamentos quando tocou meu ombro e disse:


- O ônibus chegou, crianças.


Minha mãe veio entregar nossos lanches, mas foi parada no meio do caminho por meu pai, que lhe deu um beijo cheio de amor e sussurrou baixinho, em seu ouvido. Eu amava aquelas demonstrações de carinho.

Entrei no ônibus e me sentei no fundo. Soltei um longo suspiro, coloquei meus fones de ouvido e deixei a música me levar.


"Bem-Vindos de volta, queridos alunos!" , dizia uma placa na entrada, como se fôssemos queridos nessa escola. Yuki foi correndo pros braços das suas amigas plastificadas, elas soltavam tantos gritos histéricos, que pareciam que estavam morrendo. Yodo me deu um tapa nas costas e disse:


- Vê se não arruma problema no primeiro dia - e deu um sorriso de deboche.


EU TE ODEIO, pensei, mas respirei e respondi:


- Claro que não. - e dei um largo sorriso falso.


Ele ergueu uma sobrancelha e saiu andando em direção a porta principal, eu fui atrás. Parei no meu armário, arrumei os livros da pior maneira possível . Fechei o armário e fui pra sala.

Minha bela irmã já estava sentada perto das suas amigas e, como sempre, nem notou que eu estava ali. Fui me sentar no fundo, e o professor chegou e todos foram para seus lugares bem rapidamente. Mas o professor não estava sozinho, tinha um aluno novo com ele, um garoto alto de pele bem branca. Tinha os cabelos e os olhos verdes.


- Bom dia, classe! - disse o Sr. Quill - É tão bom ver que todos vocês estão aqui hoje.


Ele disse essa última frase olhando pra mim, levantei os olhos e suspirei. Ele continuou:


- Esse ano será cheio de surpresas maravilhosas, e como podem ver, temos um novo colega de classe. Se apresente para a turma, Sr. Trissdale.


A sala toda começou a cochichar, o Sr. Quill pediu silêncio. Então me toquei que Trissdale era o nome do colégio. Será que ele era parente do dono? Ah, tô nem ai também. O garoto parecia muito nervoso, ele esfregava as mãos toda hora. Em certo ponto, aquele desconforto e nervosismo era engraçado. Abafei uma risada, e para não rir mais, abaixei a cabeça na mesa. O garoto esquisito começou a falar:


- B-bom dia, sou o Evan Trissdale, sou filho do diretor e dono do colégio...


Arrá, eu sabia!


Então começou o murmúrio da sala, era tão alto que a voz do garoto e do Sr. Quill sumiram. Eu queria saber a história dele, então eu assoviei bem alto. Todo mundo olhou espantado pra mim, então gritei:


- Calem a boca! Mas que saco, nunca sabem quando fechar a boca.


Então me debrucei sobre a mesa e fiz sinal com a mão para que o tal Evan continuasse.


- O-obrigado. Como eu dizia, sou filho do Sr. Trissdale. Eu estava em um colégio interno na Rússia, então meu pai decidiu me pôr aqui. - ele arrumou os óculos no nariz e continuou - Gosto muito de ler, de filmes de ficção e de música clássica. Espero que possamos ser amigos.


Música clássica? Sério? Parece um velho falando. Perdi o interesse na hora e baixei a cabeça pra tirar um cochilo, então o Sr. Quill me chamou:


- Srta. Kanzaki, já que está muito animada para o ano letivo, porque não vem aqui na frente e diz o que você fez nas férias?


Eu mereço, mereço demais, pensei levantando e indo pra frente da sala. Eu cruzei com o Evan, que me olhava sem nem disfarçar, quando viu que eu olhei de volta, baixou o olhar e se dirigiu até o fundo da sala, onde tinha carteiras vazias. Cheguei na frente, e comecei a falar:


- Eh, hmm... Pra começar, nem queria estar aqui hoje, só vim porque minha mãe obrigou. E não fiz nada de bom nas férias, só toquei guitarra e vi filmes.


Sr. Quill já estava acostumado com meu comportamento incrível, então suspirou e disse:


- Ótima declaração, Yozi. Sente-se por favor.


Dei de ombros pra minha irmã, que estava envergonhada com meu comportamento, ela já devia estar acostumada, igual o Sr. Quill. Então fui até minha carteira, e para minha surpresa, Evan estava sentado do meu lado. Ele me olhou rapidamente, então voltou para seu diário.

O dia todo foi de relatos das férias. Tão chato... Até que o sinal do almoço bateu. FINALMENTE. Saí quase correndo, estava com muita fome. Minha mãe fez um lanche de patê de frango com hortelã e um pedaço de bolo de chocolate, meus favoritos.

Eu me sentei sozinha, igual sempre, todos me evitavam porque eu era a garota problema e sempre ficavam perto dos meus irmãos, que eram populares. Eles nem se importavam em me chamar pra perto deles. Acho que a reputação é melhor que eu.. Ah, que se dane eles. Continuei meu lanche, até que vejo o Evan procurando onde se sentar. Ele me viu e veio na minha direção, chegando, ele perguntou:


- A-ah, Yozi não é? Posso sentar com você?


Não respondi, apenas assenti. Ele colocou bandeja na mesa e se sentou rapidamente. Evan é o tipo de pessoa que todo mundo evita e trata bem, por quê? Nerd e filho do dono.

Ele tentou puxar papo sobre muitas coisas, mas eu apenas respondia com a cabeça, com sim ou não, então desistiu. Eu estava sendo grossa até, ele era novo e só queria fazer amizades, mas ele é o tipo de pessoa que eu evitava a todo custo. Caso eu fizesse amizade, diriam que eu queria privilégios, proteção ou algo do tipo, ainda mais se tratando de mim. Mas eu nunca linguei muito pra comentários, então que se dane.


- Você é russo ou americano?


Ele pareceu surpreso, e respondeu rapidamente:


- S-sou americano, mas meu pai achava que o ensino russo era melhor.


Que controverso. O pai é dono de uma rede de escolas, mas prefere colocar o filho na escola de outros..


- Ah sim, deve ser bom mesmo. Mas você nunca achou estranho o fato dele ser dono de escolas e colocar você em outra? - falei apontando o garfo pra ele.


- Sempre achei, mas nunca questionei. Meu pai é bem rígido, então achei melhor deixar ele fazer como quer. - ele falou, bem desconfortável.


Ainda bem que lá em casa temos o direito de escolha... em quase tudo.


- E você? É americana?


- A-ah, sou mestiça de americano com japonesa.


- Nossa, que incrível! Sua mãe é japonesa? - disse ele todo animado.


- Sim, ela veio pros Estados Unidos depois de casar com meu pai lá no Japão. Não me lembro da história toda.


- Caso se lembre, me conta. Sou fascinado pela cultura japonesa.

Isso explica esse brilho nos seus olhos.


- Claro, falo sim. - falei erguendo uma sobrancelha


Ficamos em silêncio por alguns minutos. Então ele rompeu aquela tensão fazendo uma pergunta:


- Você tem irmãos?


Por quêêê??? Entre milhões de perguntas, ele vem me fazer essa?


Vendo meu desconforto, Evan disse que eu não precisava responder. Eu suspirei abaixei a cabeça e apontei:


- Tá vendo aquela menina lá? De mechas rosas?


- Sim, estou.


- Ela é minha irmã... gemêa.


Ele pareceu super surpreso, espantado e mais umas dez emoções juntas. Até que falou uma coisa que era óbvia.


- Ela não se parece com você.


Levantei a cabeça e encarei ele.


- Parabéns, Capitão Óbvio. - falei com os olhos cerrados - Descobriu isso quando?


Ele baixou o olhar. Eu fui grossa novamente. Preciso melhorar meu jeito de falar com as pessoas.


- Foi mal. É que todo mundo diz isso quando eu falo que sou gêmea dela. É bem óbvio. Ela é popular, tem muitos amigos, tira ótimas notas. E tem uma personalidade muito oposta da minha, é fofa, carinhosa, etc, etc. - suspirei e continuei - E puxou minha mãe na parte física.


Ele estava quieto e prestava atenção em cada palavra que saía da minha boca. Então continuei:


- Mas ela não tem só ela na minha família. Tá vendo aquele exibido e metido a besta de cabelo branco? - apontei pro Yodo - Ele é o irmão do meio. Está no último ano e é popular igual a Yuki, sempre com notas boas e essas baboseiras todas.


Evan prestava muita atenção no que eu dizia, então abriu a boca e perguntou:

- Como ele se chama?


- Yodo. Ele me estressa demais. - falei revirando os olhos.


Ele soltou um sorriso, mostrando os dentes brancos e perfeitos. Apesar da cara de nerd, ele é bonito. PERA, NO QUE EU ESTOU PENSANDO? Reprimi esse pensamento e continuei:


- E tem meu irmão mais velho, Yurui. Ele é médico e tem uma filha.


- Sua família é bem interessante. Queria que a minha fosse assim também... - ele murmurou


Ele deve ter pensado que eu não ouvi. Eu não sabia que falar, então fiquei em silêncio. E esse silêncio permaneceu, até que eu decidi perguntar:


- E você? Não tem irmãos?


Ele ficou nervoso e vermelho na hora.


- T-tenh... Quer dizer, tinha. E-ele morreu.


Achei estranho o fato dele ter ficado nervoso, mas decidi respeitar. A morte é algo difícil de se lidar.


- Sinto muito. Dever ser difícil a morte de alguém querido.


- O-obrigado, Yozi. - disse ele suspirando de alívio.


Apenas assenti com a cabeça. E fiquei imaginando como seria perder alguém da família. Será que se eu morresse, meus irmãos chorariam? Sentiriam minha falta? Me dariam o valor que não dão agora?. Fiquei triste momentaneamente, mas passou. Evan fez mais umas de suas perguntas:


- Você e seus irmãos tem os nomes iniciados com a mesma letra, devido aquela profecia japonesa?


- Não faço a miníma idéia do quê você tá falando. - falei gesticulando um sinal de dúvida.


Ele me pareceu surpreso, mas logo sorriu e explicou:


- Tem uma profecia que diz que se todos os filhos de um casal, tem os nomes iniciados com a mesma letra, esses filhos trarão boa sorte, paz e felicidade para si e para a família.


Eu comecei a rir. Soltei uma gargalhada tão alta que todos olharam pra mim, até meus irmãos, que em ar de desaprovação, fingiram que nada acontecia. Então eu falei entre risos:


Você pirou? Meus irmãos até podem atrair isso tudo, mas eu não - abafei uma risada - Sou uma péssima aluna. Tenho tanto azar que os gatos pretos me amam. E sou a problemática da família. Você deveria ter notado isso antes, Sherlock.


Ele riu baixinho, ajustou os óculos e falou:


- Eu notei. Mas não acho que você seja tudo isso que fala.


Acho que fiquei vermelha. Que coisa estranha, ninguém jamais tinha me dito isso. E eu não sabia o que responder pra ele, então virei o rosto e fiquei em silêncio.

Para minha alegria o sinal bateu instantes depois, me levantei bruscamente e fui em direção da sala de aula. Evan veio atrás. Mas para infelicidade da sala toda, era aula da Sra. Oliver, ela dava aula de português, acho que desde o descobrimento da América. E ela deve ser comprado aquele vestido rosa de bolinhas nessa época também, porque todo primeiro dia de aula, lá estava ela com aquele vestido. Passei pela Sra. Múmia e ela já me encarou com aquela cara de "Vou tornar sua vida um inferno, como faço todo ano."

Ela chamou o Evan lá na frente e conversou com ele, com sorrisos e tudo mais. Coisas que não fazia com ninguém. É, ser filho do dono realmente te dá privilégios. Coloquei meu fone e desabei na carteira. Abri meus olhos quando senti aqueles dedos enrugados tocando meu braço. Tirei o fone e pensei lá vem

.

Srta. Yozi Naomi Kanzaki, no primeiro dia letivo a senhorita já faz uma de suas gracinhas. Tire esse fone de ouvido do pescoço e me entregue agora.


- Me obriga. Não vou entregar nada - eu disse cruzando os braços em frente do peito.


- Não me faça colocar você para fora, Yozi. Faça de bom grado e me entregue o fone - a Sra. Antiguidade estendeu a mão.


Todos estavam me olhando. Nem era surpresa pra eles, eu nunca obedeci nenhum professor, o que menos enchia meu saco e que eu fazia algo nas aulas, era o Sr. Quill, porque ele tinha paciência comigo e porque eu amava história.


- Não sou obrigada a ouvir sua voz, então pare de falar ou coloco meus fones no ouvido de novo.


A sala toda fez "Ohh", menos a Sra. Obediência e Notas Boas Kanzaki, que me olhava com cara de desgosto.


- Silêncio! - gritou a Sra. Oliver - Me passe esse fone, ou vá pra fora!


Velha chata! Te detesto! Mas não posso ir pra fora, não no primeiro dia letivo.


De muito mau humor, entreguei o fone na mão daquela bruxa.


- Melhor assim, Srta. Yozi.


Ela saiu caminhando até sua mesa e trancou meu fone na gaveta. Suspirei e virei minha cabeça pro lado, onde Evan me olhava espantado.


- O quê foi? - falei apenas mexendo a boca, sem sair som.


Ele não respondeu, apenas fez sinal com a mão de que depois falaria. Revirei os olhos e deitei a cabeça da carteira. A aula dela parecia durar uma eternidade. Quando acabou, o Sr. Quill veio avisar para que nos dirigíssemos a quadra, pois teria uma palestra de boas-vindas e etc, etc, etc.

Me levantei e alonguei meus braços e então me dirigi ao Evan.


- O que você queria falar?


Ele enrubesceu e começou a falar:


- É que nunca vi ninguém desafiar um professor assim. Você tem seu jeito de viver e se opõe ao que não te agrada. A-acho isso...incrível. - ele baixou o olhar.


Eu arregalei os olhos, estava supresa com aquilo, mas não deixei que ele percebesse. Então sugeri:


- Vamos logo pra quadra.


Ele assentiu e nós fomos. Chegando lá, não tinha muitos lugares vazios. Ocupamos um perto da porta. Cinco minutos depois, o diretor apareceu. Olhei pro Evan na hora, ele estava com a cabeça baixa, fitando seus tênis. O diretor não aparecia muitas vezes, nem resolvia nossos conflitos, ele deixava isso pros coordenadores, o Sr. Anderson e a Srta. Charlotte. Fisicamente, ele parecia com o Evan, pele branca, cabelo castanho, apesar de estar meio grisalho nas laterais. Só que ele tinha olhos negros, tão negros quanto duas pedras ônix. E sua voz era grave, dava até certo medo.


- Boa tarde! Espero que tenham descansado bastante nas férias. Temos muitos alunos novos, e creio que estejam informados das nossas regras.


Ele prosseguiu aquele discurso por um longo tempo, ninguém aguentava mais ouvir, pois todo ano é a mesma coisa. Evan nem levantava o olhar, o que era estranho.

Comecei a mexer nas minhas pulseiras e a cantarolar músicas de natal. Quando chegar em casa, quero banho e cama.


O diretor finalmente disse:


- Estão dispensados! - ele olhou pro Evan e fez sinal com a cabeça para que ele se aproximasse.


Ele estava com um olhar severo para o Evan. Isso não é problema meu. Abri a porta e saí da quadra quente. Lá fora o ar era fresco e batia uma suave brisa de fim de tarde. Eu vi o Yodo e a Yuki conversando e me aproximei.


- ....amanhã então? 


- Sim, Yodo.


Quando cheguei perto eles ficaram nervosos e cessaram o assunto na hora.


- Não precisa acabar com o assunto só porque eu cheguei. Eu saio se quiserem. - falei olhando pro lado.


- Não precisa sair, o assunto já estava acabado quando você chegou. - Yodo falou com aquele sorriso torto de sarcasmo.


- Então tá.


Yuki ficou em silêncio, e em nenhum momento olhou pra mim. Eu sentia aquela conexão de irmãs gêmeas se quebrando, e isso não era de hoje. Meu pai chegou e buzinou para nós. Entramos no carro e na hora meu pai sentiu a tensão entre nós e tentou melhorar o clima:


- Como foi a aula, crianças?


Nenhum de nós respondeu. Até que a Yuki falou:


- Foi boa até, se não fosse minha querida irmã fazendo seus shows diários.


Na hora que ela terminou a frase, eu explodi:


- Meus shows diários? Tá maluca, Yuki? Não posso rir, não posso ouvir música, não posso nada. Tudo isso é show pra você?


Meu pai e o Yodo ficaram em silêncio, então continuei:


- Você que não se toca de que é ridícula - ela estalou os olhos e se virou pra mim - Fica com essas suas "amigas" que só ligam pra aparência. Todas ridículas e feias. Parece aquelas Barbies falsas.


Yodo abafou um riso e meu pai só ouvia. Ela então retrucou:


- Eu ridícula? Já olhou pra você? Seu cabelo cheio de nós. Você usa pijama na escola.


- Você é até que bonita na aparência, Yuki, elas não, e nem cerébro devem ter. - eu retruquei. - Mas falo de você, nas suas atitudes, não na aparência.


Meu pai, vendo que a Yuki ia gritar, decidiu interromper:


- Tá bom meninas, chega. Vamos fazer um trajeto tranquilo até em casa.


Eu queria falar aquilo a muito tempo, estava preso na minha garganta, e naquele momento saiu:


- Vocês me odeiam! Essa é a verdade! Vocês nunca me incluem nas conversas, na hora de passear, na hora de ver filmes. Sempre me deixam de lado, é como se eu não existisse. Na verdade, era melhor se eu nunca tivesse nascido.


Meu rosto estava cheio de lágrimas, Yodo me encarou com os olhos arregalados, meu pai e olhou pelo retrovisor e me repreendeu:


- Yozi Naomi Kanzaki, nunca mais diga essas palavras.


- É a verdade. - eu gritei.


Estávamos na porta de casa, eu abri a porta bruscamente e ia sair correndo pra dentro, meu irmão me segurou e ia abrir a boca pra dizer algo, porém fui mais rápida:


- Nem vem falar suas palavras cheias de sarcasmo pra mim, Yodo. Me poupe pelo menos hoje.


Soltei meu braço e fui correndo pra porta. Eu não estava enxergando direito, pois meus olhos estavam muito molhados, quase caí na escadinha, mas abri a porta e fui correndo pra cima. Só ouvi minha mãe gritando:


- Yozi, o quê foi?


Mas não liguei, nesse momento, nada importava. Eu sabia que eles não gostavam de mim. Eu não era perfeita, não tirava boas notas, eu tentava me encaixar do meu jeito. Mas isso não funcionava. Só deixei as lágrimas me levarem a um sono profundo.

Nov. 5, 2018, 9:09 p.m. 0 Report Embed 0
To be continued...

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