Tormented Lover Follow story

queenofhearts Paula Baptista

Em Chicago, tem-se Dália Negra; Em São Francisco, O Assassino do Zodíaco; Em Boulder, JonBenét Ramsay; Em Caldwell, tem-se O Parteiro. Casos Arquivados sempre deixam marcas históricas nas vidas das pessoas que estão próximas dos acontecimentos, principalmente naquelas que são incumbidas de esclarecê-los. A Detetive Maxinne Pond é filha de um desses mistérios. Sua mãe, chamada de Rosemary Doe para não ser velada como indigente, foi assassinada ainda com Maxinne em seu ventre na madrugada após o Halloween de 1969. Seu caso nunca foi elucidado. Porém, depois de 38 anos tentando conviver com o mistério que pareceu se infiltrar em todas as camadas de sua vida, Maxinne quase se torna mais uma vítima do mesmo assassino. O mesmo não pode ser dito de sua família. Tomada por um desejo de vingança, a Policial vai tentar a todo custo elucidar os três homicídios e levar o algoz à Justiça mesmo tendo que unir forças com um Rei Vampiro e seus Guerreiros. PLÁGIO É CRIME


Thriller/Mistery For over 18 only.

#romance #mistério #vampiro #assasinatos #irmandade-da-adaga-negra #black-dagger-brotherhood
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Prólogo

   





Sábado, 01 de Novembro de 1969

As ruas ainda estavam levemente iluminadas pelas lâmpadas decorativas que decoravam os postes e árvores naquela noite. As calçadas e a pista de carros viam-se coloridas e prateadas pelas embalagens de doces e chocolates que as crianças consumiram no decorrer da noite, e ainda era possível encontrar alguns pedaços de fantasias infantis espalhadas aqui e ali.

Era por volta de três da manhã, amplamente conhecida como Hora Morta, o momento da noite em que os seres sobrenaturais saem para passear. Talvez tenha sido por esse motivo que ninguém admitiu ter escutado os choros fantasmagóricos que ecoavam pelo parque naquela hora da madrugada, ou simplesmente tenham ficado envergonhados demais em assumir que pensaram ser apenas uma brincadeira de Halloween.

O choro vinha de uma mulher ruiva e descabelada. Ela corria de um homem de cabelos brancos e assustadores olhos prateados que segurava uma longa faca de caça já tingida de sangue. A barriga inchada, coberta pelo vestido monocromático verde-bebê, mostrava o avançado período de gravidez.

Ela já sangrava, o líquido carmim escorria por talhos em seus braços e pernas, claros sinais de que ela lutou pela vida antes de ter uma oportunidade de correr. A mulher tentava chegar ao posto de Polícia que se situava a cinco quadras do parque onde agora se encontrava, mas a perda de sangue devido aos grandes cortes, a respiração inconstante durante a corrida e o bebê ainda não nascido pressionando seus órgãos fizeram com que ela se cansasse com muito mais rapidez que qualquer outra pessoa normal.

O homem usou o próprio tamanho para derrubar a fugitiva, fazendo com que os dois caíssem num emaranhado de corpos, a faca de caça deslizando para longe. Um alto estalo pôde ser escutado, mas o grito de dor que vinha da mulher foi rapidamente abafado pela mão do perseguidor. O pulso direito, sobre o qual ela tinha se apoiado ao cair, agora estava numa posição anatomicamente impossível.

Abraçado à mulher que agora chorava copiosamente agarrada ao membro quebrado, o atacante usou a mão livre para acariciar os cabelos bagunçados da mulher e deu-lhe o mais carinhoso dos beijos na têmpora esquerda. Ela parecia ter desistido de lutar e agora tentava recuperar o fôlego através das frestas dos dedos que lhe bloqueavam a boca e o nariz.

— Agora você vai se comportar, meu amor? — O homem perguntou próximo ao ouvido dela, dando-lhe arrepios. —  Prometo que quando eu terminar, tudo vai ficar bem e ficaremos juntos para sempre.

Ela assentiu rapidamente com a cabeça e não gritou quando ele retirou a mão de sua boca, mas o choro se tornou mais alto sem algo que o abafasse. Ele deu uma risada baixa, como se comemorasse a submissão da mulher.

    — Boa garota. — Disse ele, ajeitando o cabelo bagunçado e ergueu-se, levantando-a junto.

    — Por favor. — A voz dela era um sussurro quase inaudível, mas o homem carinhosamente passou o polegar sujo de terra e sangue seco nos lábios da sua perseguida apenas para que ela se calasse novamente.

    — Silêncio, Aryanna. — A expressão do rosto era calma, mas o tom de voz transparecia impaciência. A mulher estremeceu ao ouvir o som do próprio nome saindo da boca de seu perseguidor e, mantendo o pulso quebrado contra o peito, acariciou a barriga com a outra mão.

    — Eu estou grávida, por favor me deixe ir! Pelo meu bebê! — Aryanna nunca tinha implorado por sua vida em todos os seus 469 anos de idade, mas em sua posição atual, ela não tinha nenhuma escolha. Estava fraca, cansada e ferida. Se conseguisse escapar, não pensaria duas vezes em aceitar o pedido de Darius para que morasse na Mansão junto com ele… Não fugiria mais, não se envergonharia mais por coisas das quais não tinha culpa.

    Se fosse um ser humano normal, Aryanna teria sido lançada ao chão com a força da tapa que tomou no rosto. Um corte no seu lábio se abriu com a pancada, mas ela não soltou um gemido sequer, o medo da represália era maior que a dor.

    — Você não entende que o que eu estou fazendo é para o seu bem?! — Ele falou num tom de voz mais alto. Os olhos prateados e arregalados demonstravam uma insanidade quase animal. Aryanna olhou para o chão tentando pensar em uma maneira de escapar daquela situação e enxergou a faca de caça a alguns metros de distância. Com as duas mãos, ele puxou seu rosto para que ela o encarasse. — Será que você realmente não vê o quanto eu te amo e o quanto eu quero que fiquemos juntos para sempre?

    Aryanna não entendia. Na verdade, Aryanna sequer sabia quem era aquele homem, mas sabia o que ele era: Um redutor. Não sabia as razões para ele não tê-la matado quando invadiu seu apartamento naquela noite e também não entendia o contexto de nenhuma palavra que deixava os lábios cinzentos, só entendia que se não fizesse algo logo, ela morreria e sua cria seguiria seus passos para o Fade.

Ele lhe deu o mais casto dos beijos nos lábios feridos, e encostou a testa na sua. Quem visse a cena de longe, provavelmente pensaria que não passavam de um casal apaixonado indo para casa depois de uma festa de Halloween.

    — Eu amo você e nada no mundo vai mudar isso, Aryanna. — Ele disse num sussurro alegre. — Eu vou arrancar esse sanguessuga de seu ventre e poderemos viver para sempre juntos.

    O choque da afirmação fez com que seu coração acelerasse e apertasse ao mesmo tempo. Sua respiração se tornou forte e curta e a adrenalina que bombeou no seu sangue lhe deu a energia e a coragem necessária para tentar escapar. Pensando em seu amante e na criança que carregava, Aryanna deu uma cabeçada no nariz do redutor, sentindo a cartilagem se partir em contato com a própria testa e, aproveitando o momento de surpresa, voltou a correr em direção ao Posto de Polícia sem lembrar de pegar a faca no chão antes de escapar.

    Demorou cerca de dois segundos para o redutor perceber que ela tinha corrido. Ele pegou a faca de caça do chão e foi atrás dela. O sangue negro escorrendo do nariz deformado não o deixou lento e não demorou para que a alcançasse novamente. Porém, agora ele estava profundamente irritado. Com brusquidão, ele a puxou para dentro do parque escuro sem se preocupar com os gritos ou com a maneira que ela se debatia para escapar do agarre.

    — Eu não entendo o porquê de manter essa praga dentro de você! Eu só quero você, não essa coisa! — Ele a jogou no chão ao lado da borda da grande ponte retangular que se localizava no centro o parque. Encostou a ponta da faca na têmpora como se pensasse em como faria, Aryanna pareceu finalmente ter desistido de lutar, o pulso quebrado não mais doía e as lágrimas de desespero se tornaram pequenos gemidos, o nariz ferido do redutor ainda sangrava o líquido negro e oleoso profusamente. — Prometo ser gentil, meu amor. Logo logo seremos só nós dois.

***

    Catherine Midford era uma garota de 13 anos de idade. Filha mais velha de Ava Midford, uma mulher divorciada que cuidava sozinha dos filhos, Katie, como costumava ser chamada, ajudava na organização da casa, cuidava de seus dois irmãos gêmeos de 4 anos: Caleb e Carl; e passeava todos os dias com o cão da família, um Pastor Alemão de seis anos chamado Octavius Rex.

    Eram seis da manhã. O sol mal aparecia no céu e estava extremamente frio. O vento gelado arrepiava os pelos dos braços da garota enquanto ela andava com o cachorro pelo parque ainda sujo da noite anterior. Ela não costumava caminhar com o cachorro a essa hora, mas não aguentava mais escutar sua mãe gritando e reclamando que não conseguia manter a casa sozinha. Katie precisava de um momento para pensar, portanto, quando começou a escutar sua mãe reclamando àquela hora da manhã, ela vestiu seu casaco por cima do pijama, pegou a coleira do cachorro e saiu para a praça que ficava a duas quadras de distância da casa onde vivia.

    A Praça Reverendo Theodore Muñoz estava em tons de vermelho, amarelo e laranja graças à mudança de folhas das árvores na estação. As folhas que já tinham caído se misturavam com os pacotes de doces e chocolates que ainda aguardavam ser recolhidos pela equipe de limpeza da cidade.

    Katie estava olhando para o belíssimo degradê de tons das folhas espalhadas pelo chão quando Octavius Rex puxou a coleira bruscamente, pegando a garota de surpresa e quase a derrubando no chão.

    — Rex! Para! — Ela reclamou enquanto o cachorro ainda puxava com muita força. Então percebeu um rastro vermelho e outro preto manchando a grama indo em direção a fonte no centro da praça. Curiosa, Katie seguiu as marcas bicolores que marcavam o chão, a vermelha parecia ser sangue e a negra lembrava a cor do óleo que seu pai, um mecânico, retirava dos carros. Apenas na metade do caminho Katie escutou o barulho do choro de um bebê. A garota soltou a coleira o cachorro e o deixou ir enquanto caminhava cada vez mais devagar. De onde estava, Katie conseguia ver com assombro o chafariz lançando água vermelha para cima.

***

   

    Richard “Dick” Garcia era um fumante inveterado, desde os treze anos, quando seu pai lhe ensinou a enrolar o primeiro cigarro. Ele dificilmente era visto sem um de seus cigarros na boca. Tentou deixar o vício quando se casou com a mãe de suas duas filhas, mas o estresse de seu trabalho como policial o fez retornar antes mesmo do fim da semana. Neste momento, Dick estava sentado no banco do motorista de seu Chevrolet Corvair Sedan verde-musgo ligado enquanto enrolava o primeiro cigarro do dia. Seu nariz não era mais capaz de sentir o cheiro de tabaco impregnado no estofado do carro, mas era a primeira coisa que sua mulher, Mireena, apontava quando precisavam sair para algum lugar com as meninas. Os dentes amarelados pela ingestão contínua de fumaça por tantos anos mastigavam a ponta do palito de fósforo que usaria para acender o cigarro que estava enrolando, desde o dia anterior o Dupont que herdou de seu pai precisava ser recarregado, mas ainda não tinha encontrado tempo para isso.

    Com uma tragada, ele pôs o carro em movimento. A chamada que recebera pouco antes de sair de casa vinha da delegacia e já o mandava diretamente para a Praça Reverendo Theodore Muñoz para uma ocorrência. Uma criança que passeava com o cão encontrou o corpo de uma mulher morta dentro da fonte e um bebê recém-nascido vivo abandonado na grama do parque, Alguém definitivamente tinha levado a sério o Halloween. Quando chegou ao local, já haviam recolhido o bebê para o Hospital Saint Mary, mas a criança que havia encontrado o corpo ainda estava lá com a mãe. A menina, agora acompanhada da mãe, estava sentada num banco mais distante da cena do crime rodeada por quatro oficiais munidos de blocos de papel a questionando sem piedade.

    — Bom dia, senhores oficiais. — Disse-lhes com a voz calma. Os quatro homens o olharam um tanto surpresos pela interrupção. — Posso ter uma palavra com os senhores, por gentileza? — Deu a criança e a mãe um sorriso complacente. — Se nos derem licença.

A mulher vestida com uma saia preta, camisa branca e casaco marrom acenou um tanto descontente. Dick apenas se afastou alguns metros antes de falar agressivamente usando um tom de voz baixo.

— O que pensam que estão fazendo, seus idiotas? — Um pouco de cinzas do cigarro se dispersaram pelo vento enquanto ele falava. — É uma criança ali! Vocês estão loucos? Saiam da minha frente antes que eu coloque vocês pra fora da minha cena de crime. — Apontou para nenhum lugar específico enquanto observava os oficiais fardados saírem de cabeça baixa.

O detetive murmurou algo sobre a falta de respeito desses novatos antes de voltar e sentar-se no banco da praça ao lado da mulher e da menina.

— Como você está, querida? — O tom de voz era o mesmo que usava quando perguntava a Carolyn e Christinne como tinha sido o dia na escola.

— Bem, eu acho. — Ela respondeu com um tom de voz tímido, mas firme. Katie não queria parecer fraca.

— Eu peço desculpas pelos meus colegas de trabalho. Eles podem ser bastante inconvenientes. — O cigarro estava no fim, então ele jogou a ponta no chão e pisou em cima para apagar a brasa. Retirou a carteira do bolso do sobretudo marrom e puxou um cartão de visita. — Eu não vou tomar mais do seu tempo nem o de sua mãe, então porque vocês duas não me procuram na delegacia amanhã? — Entregou o cartãozinho para a Senhora Ava Midford com um sorriso tranquilo no rosto, tentando passar confiança. A mulher pegou o cartão claramente aliviada por poder ir embora. — Novamente, peço desculpas e por favor não deixe de me fazer uma visita amanhã. Preciso tomar o depoimento dessa mocinha.

A mulher concordou, suspirando enquanto levantava, puxando a garota. Elas foram embora para casa levando o cachorro que, até então, estava amarrado num poste próximo ao banco. Durante as semanas que se seguiram, Dick foi questionado diversas vezes por seus colegas e superiores sobre o motivo de ter deixado a garota ir sem tomar o depoimento logo de cara. Esse tipo de quebra de procedimento poderia ser fatal na construção de um caso tão importante quanto esse, mas o detetive só respondia que não conseguiria pressionar uma garota de olhar tão acuado.

*

    — Está confortável? — A mulher lhe perguntou. Dick voltou sua atenção para a mulher negra que colocava um copo com água na mesa posicionada na sua frente. — Precisa de mais alguma coisa?

    — Sim e não, obrigado. — Ele sorriu e tomou um gole da água fria.

    A verdade é que Dick não estava nem um pouco confortável. A luz do estúdio era forte e quente, o burburinho constante de todos ao redor também o deixava irremediavelmente incomodado, a maldita cadeira atacava sua hérnia de disco e o fio do microfone preso à gola de sua camisa coçava bastante. Uma outra mulher chegou enquanto Dick analisava todos os seus desconfortos e sentou-se na cadeira vaga de frente para ele.

    — Olá, Señor Garcia, como está? — Ela tinha um cabelo negro escorrido e traços faciais asiáticos, porém a pele naturalmente avermelhada mostrava a sua origem havaiana. — Eu sou Alani Kahananui, sua entrevistadora. Acredito que tenha recebido uma cópia por email das perguntas que vamos explorar hoje para a gravação do programa, como não recebemos nenhuma negativa, creio que esteja tudo bem, certo?

    — Ah, sim, claro. — Dick nunca ia admitir que era um detetive old school e nunca tinha aprendido a realmente usar uma ferramenta como a internet. Tinha dado graças a Deus quando se aposentou e jurou nunca mais tocar noutro computador na vida.

    — Ótimo. — Alani sorriu educadamente e mexeu no microfone preso na gola da camisa social. — Podemos começar, Tony? — Ela perguntou em voz alta para quem quer que fosse Tony.

    — Tudo certo aqui, Alani! — Todos subitamente se calaram quando ele levantou a mão direita. — No três! Um! Dois! Gravando!

    — Começarei pelas perguntas, depois o senhor pode acrescentar os comentários que quiser, certo? Depois a edição resolverá a questão da linha de tempo e repetições, portanto não se preocupe tanto. — Ela se ajeitou na cadeira, tentando ficar mais confortável e continuou. — Porque o nome Rosemary Doe?

    O detetive aposentado pigarreou antes de responder, as mãos inquietas se apertavam em cima da mesa.

— Eu sou um grande fã de Roman Polanski e vi o filme no cinema em 1968. Quando assumi o caso,eu precisava nomear a moça que foi encontrada e o filme O Bebê de Rosemary foi algo que me veio à cabeça pelo teor do filme e o caso que eu fui incubido de resolver. — Com um sorriso triste, Dick acrescentou em seguida. — Sem muito sucesso, como já sabem.

As três horas que seguiram a primeira pergunta foram as mais terríveis desde que começou a tentar desvendar o que tinha ocorrido na noite de primeiro de novembro de 1969. Quando terminou, exausto e quase reduzido a lágrimas, sentiu como se tivesse revivido todo aquele drama novamente. A equipe do estúdio estava em silêncio. A entrevistadora, claramente chocada, saiu do trabalho algumas horas depois da entrevista com a sensação de estar presa num filme de Polanski.

Nov. 4, 2018, 11:18 p.m. 0 Report Embed 0
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Meet the author

Paula Baptista Gastrônoma, Leitora, obcecada por aprendizado.

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