A quebra da quarta parede Follow story

ayzu-saki Ayzu Saki

Ao garoto que me deu minha primeira cartinha de amor na terceira série, ao qual devolvi corrigida e riscada de caneta vermelha, dedico essa estória. A minha tese ao qual preciso trabalhar, e não sei porque faço isso com minha vida, dedico essa estória. Aos meus leitores que me suportam, mesmo com a demora para responder comentários, para atualizar estórias, e para me comportar como um ser humano normal e abraçar os personagens que amo e não os maltratar, eu dedico essa estória. Aos colegas autores, aos quais suportam cá minhas descrições possivelmente errôneas deles, e que ainda assim não me xingarão por me entregar a minha licença poética, dedico essa estória. Não me arrependo de nada.


Humor All public.

#original #autores #cliches #humor
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O capítulo sem título que você não esperava encontrar

 O estranho na cozinha

Naquela manhã ela acordou, realizou sua higiene matinal e fez um coque frouxo...

-Eiei, pode parar.

Certo. Argh. Em uma bela tarde de domingo, Ayzu Saki - que claramente ostenta um nome falso ao qual ela não deveria mencionar e que falhou diversas vezes – está descansando em um clima agradável de 39 graus, mentindo para si mesma que vai trabalhar na tese...

-Ei!

...Quando na verdade vai procrastinar e sofrer por isso depois, quando alguém bate à porta.

Duas noites insones, 3 litros de café e um senso de preservação questionável a fazem esquecer que existe um interfone no prédio, e que o fato de alguém estar batendo na porta é deveras estranho.

Como um ser humano mentalmente saudável que ela é, seu comportamento mais lógico é de fingir que não ouviu nada, por ser uma tapada social...

-Fiquei ofendida.

...que não gosta de falar com outros seres humanos diariamente.

-Isso não é verdade.

Apesar de que vai negar isso até a morte...

-Eu sou dentista, lido com pessoas!

...E usar as desculpas de seus atendimentos para se defender.

Em qualquer dia normal, a pobre alma à porta teria desistido de seu intento. Possivelmente mais um plano falho do cupido em mandar um vizinho pedir açúcar para finalmente se livrar de seu pior fardo na humanidade. Particularmente acredito que sua tenacidade é louvável, depois de anos de planos infalíveis como guarda-chuvas voando, projetos juntos na escola, mãos se tocando ao pegar um livro e outros mais.

-Ninguém pediu sua opinião.

Porém, naquele dia não havia normalidade. E quando ela se encaminhou para a cozinha em busca de algum sustento ao lembrar que não realiza fotossíntese e precisa de alimento, alguém lhe esperava sentado confortavelmente na mesa.

Não na mesa propriamente, na cadeira da mesa. Sentar na mesa de um estranho é rude.

Não que invadir a casa de alguém não seja rude, mas...

-Podemos ir ao ponto? Quem é esse estranho na minha cozinha?

O estranho, pois o mesmo não possuía nome, em vista da dificuldade indubitável da autora de criar nomes de personagens, sorriu com dentes brancos e brilhantes.

-Obviamente facetas de porcelana feitas pelo professor Cás...

Não podemos fazer propagandas odontológicas aqui.

-Oh, certo.

Ao estranho.

-Quem é você, pessoa sem nome na minha cozinha?

Muito lógico perguntar isso tão calmamente, mas vamos a estória.

O estranho, que lhe lembrava absurdamente do garoto que lhe deu uma cartinha na terceira série ao qual ela retornou riscada de tinta vermelha com correções ortográficas que o fez chorar, respondeu com um grande sorriso.

-Eu sou o fantasma das estórias passadas, e vim te levar para uma grande aventura.

-Passo.

-Não pode.

-Posso sim.

Não, ela não pode.

E assim Ayzu Saki foi arrebatada para dentro de um portal em sua cozinha, e levada para terras inomináveis.

A trem, porque andar a pé em Mo...

-Sem dizer onde moro!

Na cidade onde ela vive atualmente, é perigoso.

............................

A viagem de trem mais estranha da vida dela.

Dentro do trem, lembrando vagamente que ela precisa atualizar certa estória que terminou abruptamente em um trem explodindo, Ayzu Saki questiona o encontro com seu maior arrependimento da infância...

-Não mesmo, nem lembro o nome dele.

...Tentando entender o que está acontecendo com sua vida. Pensamento até bastante comum de se passar na cabeça dela nesses anos de vida, em vista de todas as decisões estúpidas que ela toma.

-Eu vou te expulsar narrador.

Ela ameaça expulsar o narrador, mas falha em compreender que o narrador é apenas uma parte dela mesmo.

-Isso me lembra uma estória.

Ao narrador também.

Voltando ao trem.

Como a pessoa avoada que ela é, apenas momentos depois ela percebe que o estranho sumiu, mas que ela não está sozinha no trem. Outras pessoas estão sentadas olhando de forma confusa umas para as outras.

Qualquer ser humano normal iria interagir e perguntar o que está acontecendo, mas Ayzu não é ser humano comum, por isso apenas olha pela janela e aproveita a viagem.

-Tem ar-condicionado, esperava o quê?

Do lado de fora, as paisagens mais estranhas se passavam. Estações iam e viam, e mais passageiros entravam. Em uma delas em particular, um grande número de pessoas correu para dentro do trem pedindo – gritando – para que ele partisse rapidamente.

-O que foi isso?

Ayzu resolveu agir como um ser humano normal e perguntar a um dos passageiros.

A garota em questão tinha uma aparência deveras peculiar, baixa estatura, cabelos cacheados, um vestido que lembrava o personagem Alice no país das maravilhas e uma garrafa de café na mão.

No rosto, uma máscara em branco, o que não era de nenhuma forma estranho aos olhos de Ayzu. Não mesmo.

Ela parecia estar procurando alguém na multidão com afinco.

-Era a estação do spirit.

Sua voz era sóbria, e sua face possivelmente séria abaixo da máscara.

-Por que todo mundo entrou no trem assim?

-Lá não é mais seguro para ninguém. Não vá ao spirit.

Outras pessoas começaram a cochichar em concordância ao redor.

-Não vá ao spirit.

-Nunca mais spirit.

Ayzu concordou. Não ao spirit.

A moça estranha pareceu satisfeita.

- Por que a máscara aí?

- Por que não? Todos usamos máscaras. A vida é um jogo de máscaras.

Ayzu sentia que havia uma referência ali.

-Okay, me dá café?

A Alice de máscara que gosta de café cedeu, e assim Ayzu foi comprada. Ela é barata assim.

O breve encontro terminou quando A Alice de máscara que gosta de café finalmente encontrou quem tanto procurava na multidão. Uma moça de longos cabelos loiros trazendo uma bandeja de doces e uma jarra escrita ‘lágrimas dos meus leitores’ que também parecia mais perdida do que aluno de primeiro semestre em laboratório de dentística.

-E eu que não podia falar sobre odontologia?

Nunca disse isso.

Quando as duas se viram, uma música começou a tocar, romântica e emocionante, enquanto corriam em direção uma a outra gritando.

-Camy!

-Alice!

Atrás delas brilhou o pôr-do-sol.

-A gente não estava em um trem? E como ela não derrubou a bandeja de comida gente? E posso ter um bolinho desses?

Como eu dizia, atrás delas brilhou o pôr-do-sol saudando o emocionante encontro.

Todos começaram a aplaudir.

-Bem, isso foi lindo.

Ayzu voltou a sentar, as pessoas se acomodando, descendo em outras plataformas. Pessoas conversaram ao redor, e Ayzu resolveu ser normal e se ater a elas para descobrir a razão de sua existência nessa estória.

Uma delas em particular parecia soluçar no banco olhando o celular. Outra se aproximou, o rosto em reconhecimento, a voz sussurrante.

-Eu sei quem é você.

A outra parou de chorar.

-Eu sei. – A pessoa continuou de forma angustiada. – Olheiras, cara de choro, unhas roídas, aplicativo aberto esperando atualização. Eu sei quem é você.

-Diga. Diga alto.

-Leitor de ‘Online’. – Ela sussurrou.

E as duas se abraçaram e choraram em companhia.

.............................

Ayzu lembrou que tinha pernas e resolveu caminhar pelos vagões, quando de repente, uma garota estranhamente familiar se ergue no banco e aponta em sua direção. Cabelos longos, um estranho chapéu de Pikachu e segurando uma gaiola com um porco espinho dentro.

Ayzu deu de ombros, não era a coisa mais estranha que havia acontecido em seu dia.

-Eiiii, você que matou o Hidan em Genuíno! Era meu personagem favorito.

-Eu mesma.

-Legal. Quer foder outros personagens? Eu ajudo.

E assim as duas se tornaram melhores amigas.

.....................................

Sra Porco-Espinho (fofinha, mas que deve se ter cuidado ao se aproximar) resolveu ajudar Ayzu no trem. A ajuda consistiu em as duas se perderem juntas enquanto conversavam sobre plots em que uma fingia que estava impedindo a outra de escrever algo triste, quando faziam bem o contrário.

Elas acabaram entrando em um vagão vazio.

Ou assim acharam.

Foi quando Ayzu encontrou a quarta pessoa peculiar dessa estória.

-Aquela garota tem a pele roxa? – Sra Porco-Espinho perguntou intrigada.

Ayzu fitou a garota alta que pintava as paredes do trem com lindos desenhos.

-Ela deve ser parte Galra. Ei! Vrepti Sa!

A garota finalmente as viu, soltando os pinceis no ar e fazendo o solene gesto.

-Vrepti Sa!

-Eu disse. O que faz aqui, peculiar Galra.

-Fazendo meu próprio protocolo.

De algum modo para Ayzu isso fez sentido.

Os estranhos se entendem.

E assim, nossa heroína encontrou outra alma irmã.

.........................................................

Ayzu estava se sentindo confortável, e por isso as coisas tinham que mudar.

-Ei, você aí?

Ayzu fingiu que não era com ela, embora claramente fosse. A pessoa que se aproximava era peculiar como todos no trem. Cabelos coloridos, muito pequeno, e tinha certeza que viu uma cauda estranha vindo dele. Na mão ele trazia uma jarra com dinheiro, e por um momento pensou que ele vinha pedir doações, ou talvez perguntar se tinha o cartão da C&A.

-Por que eu pensaria isso?

Quando o pequeno estranho – que de alguma forma era fofo, de um modo eu-vou-te-matar-se-não-parar, mas ainda assim fofo – parou na sua frente.

-Você, eu conheço você. De algum lugar.

-Eu?

-Tu mesmo. É culpa tua essa jarra está assim também.

-E que jarra é essa, ôh pequeno ser estranho e cheio de raiva?

-Do palavrão.

-Ah, okay. E por que a culpa é minha, ôh adorável lúcifer?

-Eu li Seacht.

Mais pessoas pararam ao redor para ouvir, alguns sussurrando. Ayzu sentiu o ki de malicia em sua direção, olhares acusatórios.

-Hum. Haha. Olha a hora! Tenho que ir.

-Não vai fugir não, caralho. Vai ter que escrever fluffy para compensar. Ai, que droga, a jarra. Não, pera. Porra. Ai. Tua culpa!

Ayzu já tinha desaparecido, como os pacientes fogem depois que passa a dor na primeira sessão de canal.

......................................

O próximo vagão em que buscou refúgio era, de algum modo, o mais estranho de todos. Cheios de barracas com souvenires e camisetas, faixas e tudo mais. No centro dele um grupo de pessoas parecia fazer uma reunião fervorosa.

Ayzu tentou sair de lá, mas foi avistada.

-Eii, você!

-Hum?

-Você mesmo, dando uma de Uchiha. – A menina, com cabelos negros, um ar de Stalker-Uchiha e olhos vagos apontou. Ao seu lado outros a fitaram. – Veio assistir o culto dos Shiitas?

-Do quê?

-Vanessa! – A menina falou com um ar de incredulidade. – Ela não sabe o que é Shiita.

A pessoa que dava a palestra no centro abriu um sorriso predatório. 

E Ayzu sabia que havia se fodido.

-Olha o palavrão, ou o café espresso aparece com a jarra.

.......................................

Quando finalmente conseguiu fugir da doutrinação, Ayzu, nossa corajosa e azarada personagem emergiu com uma camisa ‘me dá shiita’ e traumatizada.

Apenas para cair em um vagão bem parecido com o anterior, mas ao mesmo tempo diferente. Esse estava lotado, e as paredes eram cobertas de gráficos, textos, folhas de mangás nas paredes provando possivelmente alguma teoria.

No centro do vagão, com um megafone e pessoas ladeando e comentando de forma fervorosa, havia outra pessoa peculiar. Armada de um cosplay e anos de conhecimento sobre seu shipp.

-SasuNaru?

Ayzu quase chorou de alivio.

-Lamentar sobre a injustiça que fizeram no mangá enquanto escrevemos fanfics sobre o casal?

A pessoa assentiu.

Finalmente um lugar conhecido.

..............................................

Com uma camisa de Shiita, um chapéu de Sasunaru, e uma alma multishipper, Ayzu finalmente notou o trem parando de vez.

Nossa estranha personagem resolveu questionar novamente seu motivo de estar ali, e parar algum passageiro que parecesse mais confiante.

Esse passageiro sendo uma moça com flores no cabelo, um pincel em uma mão, um computador em outro, e seguida por um cachorro que por alguma razão fez Ayzu querer chorar.

-Sabe o que está acontecendo?

-Não faço ideia, a estória é sua. Quer abraçar o cachorro?

-Por favor. Por alguma razão sinto necessidade de te abraçar e estapear ao mesmo tempo quando o vejo, mas não faz sentido.

-Que coisa não?

Em algum lugar, pessoas se sentiram vingadas, e alguém sussurrou para o nada enquanto acalenta um bebê.

-E o final feliz de Akai ito, quando vem?

................................................

Como tudo faz sentido nessa estória, ao descer da estação Ayzu se viu novamente em seu apartamento sem ar-condicionado, e com sua tese ainda esperando ser trabalhando pela madrugada.

Ela culpou a falta de sono por essa alucinação bizarra.

..............................................

Naquela noite, ao acordar no agradável clima de 30 graus, Ayzu resolver ir a cozinha para beber água e enfiar a cabeça na geladeira por algum tempo.

Nossa heroína paralisa na porta ao ver as duas estranhas meninas da doutrinação, sorrindo de forma predatória perto da geladeira.

-Me dá Shiita!

Ayzu finge que não viu nada e vai dormir.

.................................

Ninguém morreu nessa estória, além da vergonha na cara da autora

Nov. 4, 2018, 12:47 a.m. 4 Report Embed 12
The End

Meet the author

Ayzu Saki Detesto o tempo, sempre adianto meu relógio para nunca me atrasar, e ainda assim me atraso. Detesto o tempo, porque ele não cura as coisas, só passa. Queria domar o tempo mesmo, para viver todo o que quero viver e não pode caber na minha vida. Essa é a minha sina, e um monte de histórias não terminadas no fundo da gaveta.

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Rita Gomez Rita Gomez
Ahhhhh! Gente, não tem como não rir com essa história! Ficou incrível! Olha essas referências!!! (Me empolguei com as exclamações, sorry hehehe) Mas do quê uma fanfic, isso aqui é a Ayzu se rendendo a doutrina shiIta, só acho rsrsrs
Nov. 4, 2018, 12:36 p.m.
Vany-chan 734 Vany-chan 734
Ayzuuuu! Eu to muito contemplada com essa história, deis boas risadas. Adorei, foi incrível. <3 <3
Nov. 4, 2018, 9:46 a.m.
KL Kitsune Lyra
Ayzu eu to muito apaixonada, até minha princesa apareceu *----* gente que delícia de fic, seguindo a linha de comparação com comida, foi como comer um bolo de cenoura com cobertura de chocolate, parece simples, mas é uma das maiores maravilhas do mundo. Eu sou fã de tudo que você escreve, leio até terror que eu supostamente nem gosto haha mas o que eu espero mesmo é o final feliz de Akai Ito <3 hahaha
Nov. 3, 2018, 9:18 p.m.
Crazy Clara Crazy Clara
Ler isso me passou a sensação de comer macarronada no domingo com um bom copo de refrigerante. Foi uma péssima comparação, ok. Que tal ruffles com mentos? Ai, tô encantada e rindo num horário que não deveria. Essa brincadeira de conversar com você mesma enquanto narra ficou sensacional. As referências estão divertidíssimas, reconheci todo mundo e tô aqui querendo citar cada frase como no wattpad. E muito lisonjeada também, toma aqui o meu afeto coberto de plus ultra: 💜💜💜 VREPIT SÁ, MODAFOCA
Nov. 3, 2018, 8:38 p.m.
~

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