Greed Follow story

morghanah Morghanah .

Não sou um Deus propriamente dito, embora seja uma das forças motrizes que regem o universo e sem mim, nada nem ninguém teria conquistado algo, pois sou aquele que os move e os faz querer o que não possuem.


Fanfiction Bands/Singers All public. © Os personagens não me pertencem, assim como suas imagens, entretanto, a história é de minha total criação e propriedade pessoal

#halloween #fanfic #kai #hetero #TanabeYutaka #Niver'sGift #the-GazettE
Short tale
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Único


Parado defronte o limite vítreo através do qual observava silenciosamente os mortais em suas vidas simples e cotidiano enfadonho, imersos em seu incessante vai e vem onde nunca chegavam a lugar algum, pelo menos não em termos do que almejam para si próprios em suas existências finitas, distraía-me do que rodeava-me.

Caso fechasse meus olhos e apurasse meus ouvidos era capaz de escutar o som mais distinto de todos. Um a que poucos tinham o dom ou a habilidade necessária para fazê-lo: a voz de suas almas inquietas e pedintes.

Um clamor sussurrado que eriçava os pequeninos pelos presentes em minha nuca sempre que ouvia e sentia-os me chamando. Evocando a fagulha de minha existência presente no imo de cada ser vivente neste vasto universo, permitindo que meus dedos logos os alcançasse. Que meus braços fortes os envolvessem e a minha voz sedutora embora levemente grave, os conduzisse em minha direção, pois sou uma das muitas forças motrizes embora não propriamente um Deus, assemelho-me a um em poder e alcance por ser o responsável por fazer tudo aquilo que é vivo querer o que não tem.

Eu... sou a Ganância.

Dotado de forma, no entanto, total e completamente disforme em minha existência atemporal e tão antiga quanto o próprio ato da criação, ainda que assumisse formas físicas e mortais de tempos em tempos para transitar entre os seres vivos e aspirar um pouco de suas ambições em muitos momentos desmedida e que a mim agradavam muito e envaideciam o ego; sou o quinto de sete irmãos cuja personalidade e a manifestação de minha presença entre aqueles a nossa mercê, assemelhava-se e muito com a de mais dois: Gula e Inveja.

Não possuímos sexo ou formas predefinidas mesmo quando em nossas manifestações originais. Podemos ter formas femininas, masculinas e nenhuma delas ao mesmo tempo, transitando entre as duas. Somos tudo e nada. Pairando entre a existência e a inexistência. O palpável e o que não se pode ter. Vivos e mortos.

Adormecidos e despertos em cada um de vós.

Entretanto, creio que a curiosidade acerca do motivo de ter nascido após a Gula e antes da Inveja possa lhes ter surgido. E, bom, a resposta é até bastante simples se pararem para pensar um pouco a respeito de quem sou e tudo aquilo que represento. Porque o Gula, um dos meus irmãos mais chegados a mim, trazia consigo sua fome insaciável, seu apetite voraz por tudo aquilo que o alimentava. Não importando o que fosse e muito embora a humanidade o tenha associado a comida, engana-se aquele que nisso crê e não percebe que o alcance do meu irmão é muito mais amplo do que possa parecer.

Já eu, a Ganância, também conhecido por muitos nomes como Cobiça e Avareza – uma vez que ao longo da história assumi inúmeras formas e tipos de manifestações de acordo com meu bel prazer – sou aquele que te faz querer o que não tem e sempre aliado ao Desejo, minha eterna companhia e complemento em minha infindável missão – digamos assim –, instigo-te a correr atrás do que almeja sem descanso até que o tenha para si e por tal posse vanglorie-se.

No entanto, haverá sempre algo que desejem e não possam possuir de modo algum em suas vidas sendo neste momento que meu irmão e seu complemento entram na história e fazem de vocês mortais as mais perversas de todas as criaturas.

Inveja, o mais complexo e difícil de lidar dentre todos nós – mais até do que o explosivo Ira com seu péssimo humor e olhos difíceis de se encarar –, sempre fora o mais rico entre todos nós, embora o mais pobre em sua essência. É aquele que a tudo possui ainda que nada tenha, jamais permitindo que outrem o faça sem o levar aos braços cálidos e seguros, ainda que trêmulos e incertos de seu amado Desespero. Inveja é possessivo e seus olhos dúbios em certos momentos trazem um pouco de Delírio por conviver muito com ela em seu dia a dia, mas quando acalentado por seu amor torna-se insuportável e devastador em sua manifestação.

Abri uma das portas de vidro que era o meu limite e caminhei em direção a mureta da bela sacada enquanto admirava a paisagem noturna. Elevei a cabeça para encarar melhor o céu límpido e noturno do lado de fora do cômodo de paredes claras, cortinas escuras e uma bela cama de tamanho exagerado para uma pessoa solteira a repousar no centro do ambiente, cujo chão de porcelanato preto reluzia a pouca iluminação natural que atravessava a parede vítrea e mostrava parte de meus gostos e personalidade.

O ar poluído da metrópole inundou os pulmões da minha atual roupa humana e mortal, causando-me certo divertimento. Era engraçado parar para pensar neste simples ato que para mim não fazia sentido ou tinha serventia, pois como disse não estou vivo nem morto, apenas existo e digo que me divirto com isso. Mas de tempos em tempos transitava entre as crias do maior de todos os deuses para aspirar um pouco de seus instintos e regozijar-me ao ver em suas atitudes em reflexo de mim mesmo.

Afinal, tudo Deus vangloria-se de suas crias e tem o controle daquilo que cria, ainda que fizesse parecer que elas tinham escolhas embora jamais a tivessem em momento algum de suas vidas porque o Destino as controlava, mas nosso querido Indolência atrasava a sua chegada e fazia-o permanecer sempre ao seu lado, contaminando-o com sua lerdeza incansável.

Adentrei mais uma vez o meu quarto e segui em direção ao banheiro da suíte onde tomei um banho longo e lavei meus cabelos de tamanho mediano na cor castanha. Ao sair de lá com uma toalha verde escura enrolada em minha cintura, caminhei até o belo e espaçoso closet onde guardava minhas roupas escolhendo as que faziam jus a meu humor e representavam-me bem: um terno bem alinhado, camisa a favorecer meu tom de pele e olhos, uma calça mais justa para dar ênfase a minhas pernas muito bem feitas e um par de sapatos de couro para completar o visual de causar inveja.

Mirei minha imagem no espelho e sorri vendo a mim mesmo e os furinhos charmosos em minhas bochechas que a muitos atraem e seduz. E ainda que não possua o charme notório da Luxúria, não sou e jamais serei de se jogar fora, pois farei-os desejarem-me como jamais quiseram algo em suas vidas fugazes.

Acomodei o relógio de prata em meu pulso direito por baixo da manga da camisa e do terno negro e saí de meu aposento em direção à saída, mas antes mesmo de chegar à sala escutei a algazarra dos meus irmãos jogando vídeo game.

Gula – também conhecido como Reita – estava ganhando do Ira – nosso Aoi – e ria de sua cara junto com a Vaidade – seu irmão gêmeo, o Hiroshi. Ambos gargalhavam muito o que irritava nosso irmão mais velho ainda mais, mas o que eles não viam eram os olhos possessivos e ciumentos da Inveja.

Uruha – como também fora apelidado – estava sentado sobre o sofá de maior tamanho presente na bela e pomposa sala de estar de nosso apartamento onde ficava o aparelho televisor de tamanho exagerado, e nós sempre nos reuníamos para nos divertir e passar momentos juntos. Sua postura estava baixa, abraçado a seus joelhos flexionados e bem perto de seu peito, olhando os irmãos de soslaio. Estava vestindo um short curto, camisa longa de mangas compridas que pertencia a algum de nós, talvez do próprio Reita a quem olhava com certo desespero e vontade de arrancar aquela leveza em sua postura e risada contagiante, para que jamais a tivesse novamente ou a mostrasse para alguém.

Sua risada gostosa e sorriso largo geraram um semelhante em mim.

— Hum... vestido assim me faz pensar coisas que não devo, irmão – Luxúria, também conhecido como Ruki, surgiu à minha esquerda com um copo de vodka em mãos e um sorriso ladino em seus olhos e lábios, atraindo a atenção de todos.

A figura de estatura baixa e uma presença intensa trazia consigo todo o que significava o seu nome e o porquê de o atribuírem a um demônio ou pecado capital.

No entanto, parando para pensar, todos nós fomos atribuídos a tais figuras ou dogmas pelos humanos devido ao nosso alcance e devastação, que inocentes em sua ignorância benéfica jamais saberão ou terão ciência do que realmente somos.

— Verdade... – Hiro virou-se em minha direção e olhou-me dos pés à cabeça — se não fosse quem sou, sentiria inveja de você, Kai – chamou-me por meu apelido dado a eras atrás por Aoi num dia qualquer em que estávamos conversado todos juntos.

Seu comentário fez-me rir.

— Obrigado, Hiro, isso vindo de alguém como você significa muita coisa – respondi com um sorriso arrogante em meus lábios vendo os olhos de Uruha sobre mim.

O rapaz de porte magro, cabelos médios e bem cuidados em um tom quase preto, cuja pele branca parecia ainda mais pálida do que a de todos nós, mordia seu lábio inferior trancando dentro de si tudo o que sentia e gostaria de fazer, mas não tinha coragem.

Ele jamais faria algo contra um de seus próprios irmãos e ainda que notasse o quanto a influência de Desespero e Delírio tinha poder sobre ele a cada novo dia, pois com eles passava a maior parte do tempo em seus diálogos e passeios intermináveis, sei que no fundo apenas sentia inveja e desespero em seu delírio eterno de ter tudo e todos apenas para si.

— Vai sair? – curioso, Uruha indagou por não conseguir mais se conter.

— Sim – sorri em sua direção e notei que seu humor melhorou um pouco porque lhe dei toda a minha atenção. — Vou fazer o que faço de melhor.

Reita mostrou um repuxar sinistro de lábios em minha direção.

— Divirta-se, maninho, e... ah, você já sabe – piscou um dos olhos em minha direção e gargalhei por conta disso, em seguida voltou sua atenção para o jogo e disse. Sua vez, Uruha, quero ver você me vencer! – desafiou, vendo-o sair do sofá com um sorriso largo em seus lábios bem feitos e se colocar ao seu lado sentando no chão para mais uma rodada de disputas acirradas.

Já eu… bom, olhei a cena por mais alguns segundos e saí de lá com um sorriso dúbio nos lábios, contente em ser quem e o que sou.

Aquele que te faz ter ganas de conseguir algo, sendo que eu a tudo possou e não há nada que ainda não o tenha, mas se algum dia existir, pode apostar que a terei e não descansarei até o conseguir.


Porque eu sou a Ganância e não há nada neste universo que eu não tenha ou não possa ter.





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N/A: Para meu amado e querido baterista que tanto adoro, um feliz aniversário e mesmo distante desejo que seja feliz

Oct. 28, 2018, 11:32 p.m. 0 Report Embed 2
The End

Meet the author

Morghanah . Escritora faz algum tempo que migrou de outras plataformas para mostrar meu trabalho. Sou uma pessoa dedicada a historias mais densas com personagens tirados de uma mente conturbada por diversos conflitos internos e levemente insana, um detalhe importante que me fez iniciar a minha longa jornada na arte da escrita e, caso aprecie isso, seja bem vindo ao meu mundo Monochrome Sons Inc

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