A Mistério da Casa dos Turcos Follow story

pedromontt Pedro Monteiro

Uma família reclusa, cercada de mistérios, e um mal terrível que atravessaria gerações em busca de manter o seu segredo de sangue, acredite alguns monstros são reais e algumas historias se tornam lendas, até virem bater na sua porta, porque toda família tem seus segredos.


Thriller/Mistery All public.

#terror #lendas #378 #lobisomen #licantropia #Contos-de-Terror #Relato-real
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O Mistério da Casa dos Turcos

Essa é a história de uma família, que por ironia do destino se fundi com a história de minha própria família...

Diferente de contos fantásticos que se passam em reinos distantes essa história não muito antiga, aconteceu no nosso tempo, foi contada pela minha avó e confirmada pela minha mãe, e é relacionada a uma família que residia em nossa rua, eram estrangeiros comumente chamados pela vizinhança de "os turcos" mas na verdade minha mãe esclareceu que os anciãos dessa família em questão vieram de uma região da Grécia, com um casal de filhos, eles eram muito reservados, e os mais velhos falavam, ou melhor esbravejavam com os filhos em sua língua nativa com uma certa frequência, e como era um idioma completamente desconhecido pelos locais acabou dando origem a esse apelido, os turcos, irei chama-los assim também, bem minha mãe contou que estudou com a menina na época escola, ela não era de falar muito e chamava-se Nora, apesar de ser muito reservada, conversava um pouco com minha mãe no caminho de volta pra casa, pois moravam na mesma rua, e tinha seu irmão que tinha o nome mais estranho, mais tradicional talvez, era chamado Ekhein, os pais o chamavam muito, devia ser bem levado, e ele diferente de Nora, não frequentava a escola, ajudava nos serviços da casa, na horta, eles vendiam hortaliças, e tinham uma banca na feira, nessa época minha mãe disse ter por volta de oito anos, foi quando teve contato com Nora a primeira vez, e a garota era dois anos mais velha que ela, tinha então dez anos, o menino pelo porte físico parecia mais velho, mas nunca soube a real idade dele, bem os anos passaram e apesar da convivência os turcos mantinham os mesmos hábitos, extremamente reservados e fechados, e Ekhein agora rapaz era bem rude com todos que tentavam alguma aproximação, tanto com ele quanto com sua irmã, minha mãe tinha a impressão de que eram proibidos de interagir com ou outros jovens da rua e com os moradores de uma forma geral, tinha muito pena de Nora, achava que a família a maltratava, mas diferente dos dias atuais não havia muita informação sobre proteção a criança e ao adolescente, mas que parecia uma relação abusiva, nunca chegou a ver marcas no corpo da menina mas ela parecia a cada dia mais e mais triste, mas nunca falava o motivo, não se abria, até aquele fatídico dia, o dia em que desabou, segundo minha mãe estava próximo de terminar o colegial, fim de ano letivo, todos na escola fazendo muitos planos, era fim de tarde e voltavam caminhando como de costume, mas neste dia bastou uma pergunta para desatar o nó preso na garganta de Nora, minha mãe inocentemente perguntou o que ela faria com o término do colegial, se cursaria o normal, sonho das meninas da época, ou alguma outra coisa, bastou esta pergunta e Nora começou a chorar, um choro que parecia guardado a muito tempo, era uma moça muito branca, e estava já vermelha te tanto chorar, soluçava, minha mãe a amparou, e tomaram um outro caminho que não passasse pela casa de Nora, chegando em casa, minha vó não estava, minha mãe pegou um copo d'água para a menina que ainda chorava sem parar, minha mãe perguntava motivo e ela apenas repetia que tinha que ir embora, tinha que ir embora, que eles não podiam saber, e ficava repetindo isso e balançando-se pra frente e pra trás na cadeira, com as mãos juntas na nuca, até que começou uma chuva muito forte, e muito repentina, Nora voltou os olhos para a janela, e disse já está acontecendo, já começou... O céu estava muito escuro, negro como nunca tinha visto antes, muitas nuvens negras, mas o que causou maior estranhamento foi o que viu entre as nuvens, a lua, uma lua enorme e avermelhada, e era tão cedo ainda, minha mãe disse que nesse momento Nora num rompante agarrou seu rosto e olhando fixo em seus olhos disse, Jurema, prometa que hoje não sairá mais na rua, fale com suas irmãs e sua mãe para ficarem em casa, e não abrir a porta para ninguém, prometa! Parecia muito assustada, desnorteada, minha mãe também assustou-se vendo o pavor estampado nos olhos de Nora, minha mãe balançou positivamente a cabeça mostrando que estava de acordo, abraçaram-se por um instante, e minha mãe de alguma forma entendeu que aquilo era um adeus, ela diz que sentiu que jamais veria Nora novamente, e segurando em suas mãos minha mãe pegou um rosário que carregava sempre consigo como proteção e colocou nas mãos de Nora, nesse exato momento minha vó entrou correndo em casa com minhas tias por conta da tempestade que caia, Nora trocou um último olhar saiu correndo pela porta aberta no meio da forte chuva, minha vó não entendeu e minha mãe estava ainda tomada de uma estranha sensação, naquela noite ocorreram fatos estranhos e uma tragédia horrível com os turcos, choveu por toda a noite, no dia seguinte minha mãe disse acordar aos sons dos gritos estridentes de uma vizinha, ela criava galinhas e seu galinheiro havia sido arrombado todas as suas aves estavam mortas, evisceradas, ocas por dentro como se algo tivesse arrancado todo o interior das aves, algo horrível de se ver, e no decorrer daquela manhã não paravam de chegar relatos de outros vizinhos, com situações igualmente bizarras, as pessoas tinham muitas criações e todos sofreram ataques naquela noite, o vizinho que criava porcos encontrou não apenas os animais dilacerados como as cabeças enfiadas em estacas, eram ao todo 18 porcos entre novos e velhos, a rua estava em polvorosa, todos especulando o que teria ocorrido, mas a pior notícia chegou próximo do horário do almoço, que foi quando um dos vizinhos resolveu ir a casa dos turcos, porque apesar de não terem criações, pois trabalhavam com hortaliças, mas sempre montavam a banca muito cedo e nada deles até aquela hora, chegando próximo da casa já era possível sentir um forte odor de carniça, e devido a isso alguns vizinhos de pronto entraram na casa pra ver se estavam bem, e o que viram lá dentro os deixou apavorados, os turcos estavam mortos, algo os havia estripado, estavam sem cabeça, abertos desde o peito até os genitais, ocos como as galinhas, algumas vísceras espalhadas pela casa, sangue por todo lado, apenas os corpos dos pais foram identificados, a mulher e o homem, dos filhos nada foi encontrado e foram dados como desaparecidos, os boatos que surgiram desde então é que foi um ataque de lobisomem, minha mãe por ser próxima da menina Nora chegou a ser interrogada por policiais da época várias vezes, e algumas semanas depois do ocorrido algo que a intriga até hoje aconteceu, ela conta que já era bem tarde, não lembra ao certo o horário pois depois do que aconteceu tinha dificuldades para dormir, deitava na cama e demorava a pegar no sono, foi quando no meio das noite começou a ouvir uma batida persistente, que parecia vir da cozinha, levantou-se e foi na ponta dos pés até a cozinha para não acordar ninguém, achou que se tratava de uma torneira aberta a gotejar, mas quando aproximou-se da pia, notou do lado de fora da janela um pássaro, um pássaro completamente negro, chegava a ter um tom azulado nas asas de tão negro, como nunca havia visto antes, ficou temerosa, pois achou que era sinal de mau agouro, foi então que notou que ele tinha algo no bico, tomou coragem e chegou mais perto e percebeu que o que ele carregava era o rosário que tinha entregue a Nora no dia da tempestade que antecedeu toda aquela tragédia, reuniu mais um pouco de coragem e saiu pela porta dos fundos a fim de chegar ao pássaro, mas o mesmo voou deixando na janela o rosário, e ela conta que por um instante de segundo quando voltou os olhos na procura do estranho pássaro, pode ver ao longe uma mulher parada que lembrava muito a menina Nora, não acreditou em seus olhos e piscou forçando as vistas na busca de confirmar o que via, mas dessa vez avistou apenas o pássaro negro que seguia voando...

Passaram-se trinta e três anos desde tragédia na casa dos turcos, e os fatos ocorridos naquele dia tornaram-se lendas, histórias desacreditadas contadas pelos mais velhos para assustar e intimidar as crianças que ousavam entrar na antiga propriedade, sim ela ainda estava lá, em ruínas, tomada de vegetação e mofo, tão assustadora quando as histórias que permeavam sua existência, sua insistência em permanecer de pé, somaram-se aos fatos ocorridos outras histórias de fantasmas, de avistamento dos irmãos turcos, outras vezes do velho passeando pelos escombros da velha propriedade com um lampião na mão, mas nenhuma história podia prever o que estava para acontecer, eu mesmo duvidava das histórias contadas e vez ou outra me escondia no quintal, brincando de pique-esconde, alguns mais ousados entravam dentro dela para se esconder, eu nunca me atrevi a tanto, eu tinha onze anos nessa época, nesse dia me lembro bem, brincávamos de polícia e ladrão, e eu mesmo em dado momento avistei uma luz acesa dentro da velha casa, não acreditava na história do velho turco, mas eu vi... Então chamei um colega que também viu e confirmou, a luz estava lá acesa, logo toda a mulecada estava alvoroçada, uns querendo entrar, outros correram pra longe, não demorou muito aparecer o primeiro adulto, que chamou outro e outro, logo a rua estava cheia de gente a observar, a velha casa aterrorizando a todos novamente, quando a luz começou a se mover dentro das casa, e um grupo de homens já adultos tomou a iniciativa de entrar e ver quem ou o que se movia dentro das casa, mas antes que entrassem veio saindo de lá um homem, nessa altura o grupo de moradores já se encontrava no quintal, ele foi de encontro a eles, e segundo foi dito, se identificou como proprietário, e que estava ali avaliando a situação do imóvel para uma possível reforma, bem após confirmado que não se tratava de um fantasma nem nada do tipo as pessoas foram se dispersando, até que sobraram apenas alguns poucos curiosos, que por fim deixaram o homem em paz, mas isso não saciou a curiosidade das pessoas que continuaram muito intrigadas, bem os dias passaram e o homem continuou ocupando o local, que foi tomando uma aparência mais habitável e menos assombrosa, mas ele era um homem de hábitos estranhos, não o viam muito durante o dia, sempre dentro da casa, bem antissocial, saia sempre tarde da noite, e ninguém o via voltando, até que minha mãe ficou sabendo de um fato ocorrido não muito longe dali que a levou de volta aquele dia tenebroso, uma granja que fornecia frangos para quase todos os aviários do bairro havia sido invadida e os frangos foram quase todos mortos, e a forma como descreveram foi exatamente igual ao ocorrido a trinta anos atrás, somado ao fato de a casa dos turcos agora depois de tantos anos ocupada por um homem desconhecido, minha mãe preocupada foi na polícia, e informou que uma casa havia sido invadida em sua rua, mas a polícia não se interessou a falou que era assunto da prefeitura, bem ela então foi na prefeitura, por sorte tinha uma conhecida que trabalhava lá, e não demorou muito a mandar um fiscal, alguns dias depois recebeu a ligação da moça da prefeitura, que informou que o fiscal esteve no local e estava tudo certo, tirando algumas dívidas de IPTU, mas que ele o suposto invasor era filho dos antigos proprietários e que seu nome era Ekhein, minha mãe sentiu todo seu corpo gelar na hora, pois sempre suspeitou que ele Ekhein foi quem matou os pais e também Nora, que nunca mais apareceu, e que se havia um lobisomem nessa história só poderia ser ele, lembro bem dela muito preocupada nesses dias, a escassez de frango no nosso bairro motivou um dos vizinhos a ir buscar uma grande quantidade de aves para comercializar, visando o lucro que podia ter, uma vez que os aviários estavam desabastecidos, quando minha mãe tomou conhecimento disso, o que não demorou muito, visto que o vizinho fez questão de divulgar a todos com aqueles fuscas com auto-falantes no teto, lembro-me como se fosse hoje, aquele Fusca marrom fazia muito barulho dos infernos, ela ficou apavorada pois imaginava que esse por algum motivo era o prato preferido da suposta criatura, lembro que ela não dormiu nesse dia, logo pela manhã quando me levava para a escola se encheu de coragem e ao passar em frente a casa dos turcos, parou olhou pensativa por alguns segundos e então bateu palmas no portão, era bem cedo mas para surpresa dela ele atendeu, veio na direção dela, lembro de sentir o suor e a mão gelada de minha mãe, que apertava a minha mão um pouco forte inclusive, aquele homem estranho veio se aproximando, lembro de sentir um cheiro muito estranho vindo dele, minha mãe apesar de claramente nervosa estampava um sorriso nos lábios, bom dia ela disse ao homem, que não respondeu, sou Jurema, fui amiga de sua irmã Nora, estudamos juntas, não tive a chance de prestar os pêsames por seus pais, e não pude me despedir, desculpe importunar tão cedo, o homem olhou um tempo sem nada dizer, até que pronunciou o nome de minha mãe, ele tinha um sotaque bem diferente, e disse... Jurema... Nora está bem, mandou lembranças, mas se me lembro bem, ela disse que você foi a única pessoa de quem pode se despedir, ela esteve em sua casa antes de partir não esteve? Minha mãe meio sem graça respondeu que não sabia que ela iria embora naquele dia da tempestade, que voltaram juntas como todos os dias, ele muito sério disse.. me refiro a noite em que ela lhe entregou o rosário, na época eu desconhecia a história do rosário, eu sacudia o braço de minha mãe apressando-a pois estava em vias de perder o horário na escola, minha mãe cortou rapidamente o assunto, mande lembranças a ela, o estranho homem apenas sorriu, deixando a mostra seus dentes amarelados e estranhamente grandes e pontiagudos, eu nunca esqueci, e nunca vi nada igual, os dentes mais horríveis que já vi, saímos apressadamente e dois quarteirões a frente minha mãe parou, ofegante, achei até que passava mal, ela me olhou e disse vamos pra casa, hoje não tem escola, chegando em casa ela ligou para a minha vó e contou que achava que iria acontecer novamente, que teria uma carnificina como a da Lua de sangue, que era como minha vó chamava aquele dia, nesse momento enquanto falava com minha avó olhou pela Janela e notou que aquela noite teria lua cheia, e que mesmo de dia já era possível avista-la, nesse momento a vi desfalecer bem na minha frente, eu era pequeno não aguentava com ela, fiquei muito assustado, sem saber o que fazer, peguei o telefone caído no chão e por sorte minha avó ainda na linha, contei que minha mãe estava caída, minha vó orientou que jogasse um pouco de água em seu rosto, e assim o fiz, ela foi despertando vagarosamente, levantou-se e sentou no sofá, ficou ali alguns minutos, e pediu que eu separasse umas mudas de roupa, vim a saber anos depois que no momento em que ela apagou, teve uma visão de Nora, que repetia... O filho de Licaón tem sede de sangue e vísceras, seu sangue, suas vísceras, seu sangue, suas vísceras, vá para longe da Lua que sangra Jurema, vá para longe, foi quando despertou e me mandou arrumar as coisas... Antes do entardecer fomos para a casa de minha avó, eu minha irmã, e minha mãe, eu percebi minha mãe aflita mas não entendia o motivo, passamos o resto do dia e dormimos na casa de minha avó, de manhã logo cedo o telefone tocou e minha avó ao atender pareceu surpresa, era a polícia informando que a nossa casa sofreu uma invasão e que precisariam de um responsável no local pra ver se faltava alguma coisa, fazer o registro enfim, lembro que fomos de táxi, não costumávamos andar de táxi e isso me marcou, chegando lá encontramos a casa vandalizada, mas sem grandes prejuízos, havia um guarda nos aguardando, me lembro dele ter chamado minha mãe em particular, o fato é que ele alegava que o invasor havia sido pego por um vizinho, que também teve a casa invadida, atirando e matando o invasor, o cadáver se encontrava ainda na casa do vizinho, perguntou se minha mãe não se incomodaria de dar uma olhada para ver se tratava-se de alguém conhecido, pois o suspeito estava nu e sem identificação, o que o guardinha esqueceu de contar foi a versão do vizinho, que garantia que não tinha atirado em um homem e sim em um monstro, uma criatura, um lobisomem, que havia invadido seu galinheiro, destroçado todas as aves, e depois entrou em sua casa onde atacou a ele e sua esposa que acabou morta, pois a criatura rasgou sua garganta num só golpe, mas o pior dessa história é que ela parece não ter fim, pois quando chegaram ao quintal para verificar a identificação do cadáver, os corpos não estavam mais lá, tanto o cadáver do invasor, quanto o corpo da esposa do vizinho haviam desaparecido, e até hoje isso é um mistério, a casa dos turcos ainda aterroriza os moradores, que vez ou outra insistem em dizer ver luzes se acessando e apagando, e vultos de pessoas nas janelas...

Oct. 21, 2018, 11:39 p.m. 0 Report Embed 0
The End

Meet the author

Pedro Monteiro "Sou eu a dualidade em pessoa, estou sempre onde a luz e escuridão se encontram, sou eu quem faz fundir o clarão, e as sombras... Sou meio assim.... Feito a lua.... um lado é todo iluminado e exposto, mas tenho outro lado que é escuro e cheio de sombras" Designer de Interiores, Paisagista, Desenhista, por fim, artista, escritor nas horas vagas, fã de Edgar Allan Poe e Stephen King, gosto de escrever suspense e terror, mas passeio na fantasia e no romance.

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