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sr.-artie Sr. Artie

Medo. Aparentemente, essa será a palavra de ordem daqui em diante. Hoje andei pelas ruas da cidade com os olhos atentos, aterrorizada com a possibilidade do meu olhar sequer cruzar com o de alguém que pensa que devo ser silenciada. Neste momento, não me sinto segura em lugar algum e nem consigo encontrar conforto porque os dias escuros estão se aproximando e logo a caça às bruxas estará em alta mais uma vez, e temo que eu ou qualquer outra companheira possa vir a queimar novamente.


Short Story For over 18 only.

#suspense #original #hallowink #fatosreais #paranóia
Short tale
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Capítulo Único: E nós?

Notas da História:

O enredo dessa história, assim como os personagens dela, é completamente original e foi desenvolvido por mim. Não copie, crie. Plágio é crime.

História betada pela Rebel Princess (Nyah - Liga dos Betas)

História postada no Nyah, SocialSpitit e Wattpad 


Notas do Capítulo:

Olá, meu povo querido. Andei meio sumido, pois não tive a menor vontade de escrever nada ultimamente. Tô meio bolado com essas eleições e preocupado com o desenrolar das coisas, mas é sempre bom lembrar que #elenão. 

Então, essa história foi desenvolvida para participar do Desafio Gostosuras ou Travessuras do Inkspired. A ideia do desafio é trabalhar uma história acerca de uma imagem selecionada pelos embaixadores. A imagem que eu peguei é essa apresentada abaixo e pertence ao Tumblr  https://tumblrgallery.com/tumblrblog/121172.html. 

No mais, espero que gostem da leitura. 



E nós?

By: Sr. Artie

Capítulo Único


Meu pé está batendo incessavelmente contra o chão do consultório. Minha psicóloga está sentada bem diante de mim, o olhar impassível preso sobre minha figura, a espera que eu lhe conte sobre o que estou sentindo,mas não consigo pôr em palavras minhas emoções, porque sou incapaz de administrá-las. Estamos há algum tempo desta maneira: comigo sentada no sofá preto e ela à minha frente, ocupando uma poltrona de couro.

Percebo que ela está preocupada com a minha demora em dizer a forma como me sinto. Essa não é a nossa primeira sessão, me consulto com ela há anos e sempre falei demais, não tinha vergonha — ou medo — de falar em relação aos meus sentimentos, mas a situação mudou. Agora, eu tenho. Verbalizar aquilo que está me corroendo por dentro é reconhecer que o pior está acontecendo, isso me intimida.

Ela se cansa de esperar para que eu fale espontaneamente, decidindo dar início a nossa conversa.

— O que você está sentindo?

Essa pergunta é a única coisa que eu preciso para romper as barreiras que existiam dentro de mim e me impediam de colocar para fora os sentimentos ruins que me atormentavam. Talvez o tom de voz calmo e reconfortante dela foi o que conseguiu me fazer contornar o bloqueio que estava me impedindo de formular um raciocínio lógico e ordenado dos meus pensamentos confusos desde ontem à noite.

Em todo caso, após o questionamento que me é feito, consigo colocar para fora, de um jeito desconcertado, o que estou sentindo. Vertiginosas, frenéticas como as batidas de uma música eletrônica, as palavras voam para fora da minha boca. Então, enfim, eu admito, pronunciando em voz alta os meus temores, e ela escuta, com cuidado, tudo o que falo.

Estou assustada, confesso.

Sinto-me apreensiva porque sei o que aconteceu no passado e vejo o futuro caminhando pela mesma direção. Sempre me disseram que a história é cíclica e, infelizmente, estou confirmando isso nesse momento de angústia. É tenebroso pensar que, após décadas, terei que viver sob o mesmo horror que meus pais nasceram e se criaram. A história do país e do mundo salvaguardou os horrores da ditadura e do fascismo para que algo desse tipo não pudesse ter a menor possibilidade de existir novamente.

No entanto, a sociedade é retrógrada e sua memória é curta, tão pequena quanto a coragem do homem que desejam colocar no poder. É inconcebível a ideia de que qualquer ser humano que seja, no mínimo, decente seja conivente com esse discurso de ódio contra qualquer minoria existente em nossa comunidade. É egoísmo não pensar no companheiro ao lado e é burrice reivindicar por um novo regime totalitário. Nossa democracia ainda é nova, um bebê comparada com a das grandes nações, e ainda se recupera das mazelas do golpe de 64.

Eu esbravejo as minhas indignações para a mulher que se encontra sentada à minha frente, a qual me escuta com atenção. Enxergo a solidariedade nos olhos dela e sei que ela se sente da mesma maneira, porque também conhece os pavores da ditadura. Desejo consolá-la ao perceber que minhas palavras podem estar deixando-a tão aflita quanto estou, mas não consigo conter minha declaração desesperançosa, pois temo que, caso mantenha tudo para mim, eu sufoque de medo, indignação e revolta.

Minhas mão estão coladas ao meu corpo, que está envolvido pelos meus braços. Parece algo pequeno, no entanto, é essa a maneira que uso para me acalmar, nem que um seja um pouco, e buscar diminuir a ansiedade e inquietação que tem me consumido. Em certos momentos, acho que vou sumcubir e temo por todos, principalmente, por aqueles que não são fortes, semelhantes a mim, e não serão capazes de resistir; logo agora, quando tudo de que precisamos é resistência.

Receio por qualquer grupo socialmente fragilizado que constitui nossa comunidade, pois pertencer a uma minoria já é um ato de resistência considerando apenas sua existência. Embora a sociedade esteja sempre contra nós, nos sabotando em cada esfera que envolve nossas vidas, porque ela não foi construída pensando em contribuir para a nossa ascensão, nunca fomos o interesse dela.

É desgastante pensar nisso e saber que a conjuntura não mudará pelas décadas vindouras. Desconstruir os séculos de machismo, lgbtfobia, racismo e misoginia levará anos e, talvez, eu nunca desfrute de um mundo igualitário, porém desejo isso para as gerações futuras e por isso que agonizo nesse momento tão frágil de nossa história, tanto para a democracia quanto para os direitos sociais conquistados com suor e sangue.

Por isso, conto cada pensamento consternado à minha psicóloga, pedindo desculpas mentalmente por perturbá-la com minhas lástimas e meu lamento, sabendo que ela é ciente sobre nossa atual situação e, como eu, com certeza passou a noite em branco, temendo pelo futuro que nos espera.

Diferente de todas as outras vezes que vim para uma sessão, nessa, não consigo encontrar um pouco de paz e alívio por conversar com alguém. Cada palavra que deixa minha boca torna o ar mais denso e parece dificultar minha respiração. Eu tento manter a minha respiração regular, mas falho, às vezes, tropeçando nas palavras que digo.

No dia a dia, observo gente que não pertence às maiorias serem menosprezadas, obrigadas a se esforçarem para chegar ao mesmo nível de um homem branco rico, porque a sociedade foi moldada para ajudá-lo e não a quem destoe disso. Contudo, o pior não é isso, mas o fato de que ela não perdoa e não aceita aqueles que superam o sistema e conseguem vencer na vida apesar das dificuldades.

A prova disso é o resultado do primeiro turno das nossas eleições, assim como outros momentos infelizes das nossas histórias. Começando pelo mais recente, o nazismo foi um movimento autoritário e com um forte discurso de ódio contra minorias, essencialmente, os judeus. O antissemitismo não foi criado por Hitler, mas incorporado em seu governo, sendo bem aceito pela sociedade alemã da época.

Indo um pouco mais longe, temos a caça às bruxas durante a Idade Média, que durou quatro séculos e ocorreu na Europa, apresentando-se de diversas maneiras, entretanto, a sua essência manteve-se fiel, a qual consistia em uma perseguição política, religiosa e social, empreendida pela Igreja e pela classe dominante, contra mulheres que moravam no campo.

Embora bruxas sejam entendidas atualmente como seres maléficos, sendo retratadas como antagonistas em obras infantis, naquela época, consistiam em parteiras, enfermeiras, assistentes e curandeiras. Mulheres que possuíam conhecimento acerca do uso de ervas medicinais na cura de doenças e epidemias nas comunidades em que viviam, o que lhes garantia um amplo poder social.

A aparência de um bruxa era descrita como desagradável aos olhos, geralmente, velhas com mente perturbadas. O engraçado, entretanto, é que, algumas vezes, também podiam apresentar-se como bela mulheres, as quais deviam ter machucado o ego de algum senhor ou de um padre em celibato.

Quando o antropocentrismo começou a ganhar forças na Europa, descentralizando o poder detido pela Igreja, a caça às bruxas fora efetivada, aliada ao Estado, criando-se os chamados Tribunais da Inquisição, responsáveis por perseguir, julgar e condenar qualquer um que representasse uma ameaça para as doutrinas cristãs.

Os crimes pelos quais as mulheres foram acusadas eram os mais supérfluos possíveis. Suspeitas de praticar abuso sexual contra homens em nome de um pacto com o demônio, outra acusação seria a de se reunirem em grupos, o que ocorria para que trocassem conhecimentos sobre alguma planta medicinal ou somente para discutirem as notícias recentes, e, por fim, acusadas de possuírem poderes mágicos, que causavam catástrofes naturais, problemas de saúde na população e de questões espirituais.

Não precisava de muito para denunciar alguém à Inquisição, bastava fazer uma queixa. Fora nesse contexto que a classe médica masculina que ascendia na época ressentiu-se das mulheres que possuíam conhecimentos medicinais, vendo nelas concorrentes, logo denunciando-as. A sociedade é brutal quando o menor tenta subir, porque quem está em cima não quer dividir o topo.

Ninguém poderia ser morto sem antes confessar sua ligação com o demônio. Para isso, os inquisidores recorriam a tortura até conseguirem uma confissão assinada. Aquelas que não confessassem eram queimadas vivas e quem admitisse a culpa, embora inocentes, recebia uma morte menos cruel: eram estranguladas e só depois queimadas vivas.

A caça às bruxas ocorreu para punir mulheres que ousaram se rebelar contra a classe dominante exclusivamente masculina e para garantir a manutenção do poder da Igreja. Em resumo, um genocídio feminino aconteceu para que a sociedade da época não sofresse com as mudanças que uma mulher com poder religioso, político e médico poderia vir a causar.

Para os historiadores, o fim da caça às bruxas aconteceu no século XVIII quando a última fogueira fora acesa, contudo, isso não é verdade, ela ainda persiste até hoje, exibindo-se com uma nova vestimenta. Antes, mulheres morriam com apoio da Igreja e do Estado para estes conseguirem manter o patriarcalismo e, agora, morrem por se oporem e se rebelarem contra o código de boa conduta vigente que se espera que alguém do sexo feminino desempenhe. Como outrora, ainda lutamos pelo nosso espaço e ainda somos assassinadas por isso.

Pela primeira vez, vejo minha psicóloga fechar os olhos enquanto estou em uma sessão. Consigo enxergar os leves tremores das mãos dela e desejo pedir desculpas por fazê-la reviver o assombro que fora a Inquisição e é isso que faço. Ela apenas se retrata por ter bloqueado a sua visão enquanto eu falava e promete que não irá mais acontecer, mas lhe digo que não há problemas caso volte a ocorrer, porque compreendo o medo que ela está sentindo, pois também o sinto.

Todavia, não consigo me silenciar. Eu ainda tenho o direito de falar sobre o que me aflige, pois até então não fui calada, apesar de ter medo de verbalizar qualquer coisa dita por mim para além das paredes grossas dessa sala. A sociedade não é igualitária e as maiorias não desejam compartilhar o poder que carregam por toda a história da humanidade com nenhuma classe que julguem menor e menos merecedora. Eles não anseiam pela igualdade, somente têm ganância por mais poder e, para isso, vão silenciar qualquer um que tente enfrentá-los.

Esse pensamento parece bizarro e extremista, mas foi isso que aconteceu ontem aqui. Ele quase levou no primeiro turno a eleição presidencial, não por ter propostas, mas pelo seu discurso de ódio que inflamou o ego ferido das maiorias que começavam a dividir espaço com os grupos sociais frágeis. Eu temo pelo meu futuro em pensar o que nos guarda, para mim, ele parece negro, mas ainda desejo acreditar que ele é feminino, assim como a revolução deve ser.

Minha última frase parece reacender a chama de esperança da minha psicóloga, a que eu tinha apagado jogando sobre a mulher que me ouvia todos os meus medos e temores. Ela parece também acreditar que o futuro é feminino ou, ao menos, desejar por isso, porque as gerações vindouras de nossas irmãs não merecem um póstero amargo e cruel que carregamos e que outras anteriores a nós carregaram.

Vejo um porta-retrato pendurado na parede atrás dela e, pela primeira vez, ele me chamou a atenção: uma mulher, muito parecida como ela, está agarrada a uma menina magrela. A foto é amarelada, denunciando sua idade.

— Sua mãe? — Pergunto em referência à mulher na fotografia e recebo um acenar de cabeça confirmando minha dúvida. — Onde ela está?

— Morta — ela me responde seca. — Ditadura — disse por fim.

Então confirmei que não era paranóia minha a forma como ela reagia as coisas que eu falava tão franca. Ela estava com medo, amedrontada. Eu também. Doía-me pensar que não éramos as únicas.

Anualmente, em 31 de outubro, comemora-se o Halloween. É nesta data que as pessoas fantasiadas de monstros saem à rua, durante a noite, para se divertirem, dando a qualquer um que esteja no aconchego de seu lar a opção de escolher entre gostosuras ou travessuras. Neste ano, as coisas aconteceram mais cedo. Foi no dia 7 de outubro quando as pessoas saíram de suas casas, em pleno dia, sem suas máscaras, revelando os monstros fascistas que esconderam-se e mantiveram-se à espreita por décadas.

Dessa vez, não foi dada a oportunidade àquele que estava quieto de decidir pelas gostosuras ou travessuras. Não tivemos essa opção! Os próprios seres horrendos escolheram o que desejavam, as travessuras. Infelizmente, as travessuras deles significaram apenas o fim de nossas vidas. Por essa razão, eu estou assustada, tremendo de angústia e soluçando de medo. Talvez, esse seja o meu modelo de vida, até que um deles decidam ceifá-la.

Eu estou com medo de morrer apenas por ser mulher e esse temor não é algo novo, desde sempre mulheres morreram apenas por serem mulheres. A questão é que não quero ser outra bruxa na história da humanidade que fora queimada apenas por desejar igualdade e respeito por ser quem sou.

Minha psicóloga escuta as últimas palavras e parece concordar com cada uma delas. Ela me diz que serão dias difíceis caso ele se eleja e eu apenas confirmo.

— Nunca pensei que existiriam tantos fascistas escondidos no armário — digo.

Ela balança a cabeça devagar, como se dissesse que não está preocupada com isso.

— Não estou ligando para eles, só tenho uma única dúvida: e nós?

Nesse Halloween não existe medo de bruxas, fantasmas ou qualquer outra criatura. Apenas medo do homem e seu ódio por nós.


Notas Finais:

Então, se você leu essa história achando que iria ter algo de fantasioso nela, acredito que tenha se decepcionado um pouco. Essa história surgiu como um grito de socorro meu, porque estou realmente perturbado com essas eleições e tenho medo também.

Me senti um pouco mal usando a figura feminina para contar a história, porque não sou uma mulher, pertenço a uma minoria diferente. Mas eu usei uma mulher para fazer a associação a uma bruxa, pois se pegarmos a imagem que me foi dado, podemos perceber que se trata de uma bruxaria e bruxaria me remete a bruxa. Eu não sei se a história vai caber dentro das regras do desafio, possa ser que eu tenha viajado um pouco kkk, mas eu precisava realmente falar sobre isso e a maneira que encontrei foi com essa história. 

Para quem leu, espero que tenha gostado. Obrigado!

Oct. 14, 2018, 11 p.m. 16 Report Embed 13
The End

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Inkspired Brasil Inkspired Brasil
Olá, tudo bem? Como foi participar do desafio? Nós da embaixada estamos nos divertindo muito, principalmente após lermos uma história tão forte e boa quanto está. Gostamos muito da forma como você conduziu esse texto, tão pequeno, contudo intenso. Ele foi cheio de sentimentos, e as sensações retratadas são quase palpáveis. Nota-se todos os sentimentos nele, como a angustia, o medo e a dor. A narrativa não para por aí e, de forma inteligente, faz ligação com que vivemos nos dias de hoje e em 1964, com a inquisição. E quer algo que case tão bem com o Halloween do que citar todas as mulheres mortas e torturadas por falsas acusações? Notamos alguns pontos em que a narrativa se torna confusa, e o tema proposto se perde. Porém a ortografia foi okay. Foi maravilhoso essa leitura, ela nos faz viajar e compreender o medo da maioria de nós, que não sabemos como será o dia de amanhã. Parabéns pela história e por compartilhar conosco um texto maravilhoso como este!
Dec. 27, 2018, 6:39 p.m.
Saah AG Saah AG
Misericórdia. A gente espera uma coisa fantasiosa quando lê uma história de Halloween, mas a verdade é que a realidade e o passado se mostram muito mais assustadores. Parabéns pela obra. As citações históricas foram muito bem empregadas e convenientes, devido o atual momento que passamos, como vc pontuou. Tb estou com medo e triste, não quero perder meus amigos e não quero perder minha liberdade, assim como n quero q sejamos silenciados na internet.
Nov. 12, 2018, 2:13 p.m.
Nathy Maki Nathy Maki
Minha nossa. Eu tô tremula aqui depois de ler isso. Os sentimentos, o medo e toda a angústia que esse perioso trouxe estavam tão expostas que foi impossível nao se colocar no lugar da personagem. Essa história devia vir nos livros e apostilas das escolas, servir de base para texto e redações de vestibulares, tocar o máximo de pessoas possível para que elas vejam como é estar na pele do outro, sentir as pilhas de problemas e sentimentos engasgarem na garganta e não saber lidar. Nem mesmo os psicólogos tem a resposta. E quanto a nós? Nós lutaremos, protegeremos os fracos e os necessitados, estenderemos a mão sem discriminar e mesmo que cheguemos ao fim da linha, passamos a esperança adiante. Pois se o mundo é mesmo cíclico, uma hora o terror há de findar. Parabéns mesmo pela proposta incrível e pela escrita tocante. E sinta-se abraçado nesse momento por todos que estão do mesmo lado. <3
Nov. 11, 2018, 6:28 p.m.
Fabí Faverani Fabí Faverani
Definitivamente pra uma coisas essa eleição serviu, pra descobrirmos quem é quem, e que as pessoas são mais preconceituosas e perigosas que imaginavamos
Nov. 9, 2018, 7:42 a.m.
BC Bruno Coutinho
Adorei a mensagem transmitida por este texto! De fato, nos tempos em que vivemos o medo mais palpável e orgânico que podemos sentir é o medo do nosso futuro, do que o destino tem reservado para cada um de nós individual e para todos nós como países e até como raça. A maneira que transmitiu foi também muito bem conseguida, conseguiu colocar-se a colocar-nos nos sapatos da personagem principal. Não consegui identificar claramente a imagem no corpo textual, mas talvez tenha sido só eu. Num modo geral, está de parabéns, a sua história foi ótima e uma leitura gutural, dura e crítica do que realmente devemos ter medo hoje em dia.
Nov. 5, 2018, 4:31 a.m.
BC Bruno Coutinho
Adorei a mensagem transmitida por este texto! De fato, nos tempos em que vivemos o medo mais palpável e orgânico que podemos sentir é o medo do nosso futuro, do que o destino tem reservado para cada um de nós individual e para todos nós como países e até como raça. A maneira que transmitiu foi também muito bem conseguida, conseguiu colocar-se a colocar-nos nos sapatos da personagem principal. Não consegui identificar claramente a imagem no corpo textual, mas talvez tenha sido só eu. Num modo geral, está de parabéns, a sua história foi ótima e uma leitura gutural, dura e crítica do que realmente devemos ter medo hoje em dia.
Nov. 5, 2018, 4:31 a.m.
Rita Gomez Rita Gomez
Uau!!! Estou surpresa com o conteúdo da história. Não vou mentir, eu realmente esperava algo dentro da fantasia que acabaria me impondo certo medo, principalmente por causa da capa, até adiei a leitura da história por isso... Mas, caramba, a realidade é muito mais assustadora! Confesso que terminei a leitura com lágrimas nos olhos. Eu não sei muito o que dizer, estou impactada aqui. Apenas parabéns pela história!
Nov. 3, 2018, 8:23 a.m.
Ayzu Saki Ayzu Saki
Eu realmente não esperava por isso. É interessante, me coloquei no lugar do personagem, porque é a mesma dúvida que me assombra esses dias. Obrigada por compartilhar.
Nov. 2, 2018, 1:49 p.m.
CC C Clark Carbonera
Seu texto-desabafo-história é mais do que válido, mesmo você não sendo mulher e tendo criado uma personagem feminina (pois escrever é isso: se colocar no lugar do outro e interpretar todo o universo desse "outro"). Já li e ouvi relatos exatamente como o seu, mas claro que você sabe que não está sozinho nisso tudo. "E nós?" estamos juntos! O que não podemos deixar que aconteça é agirmos da forma que os extremistas agem, pois aí nós também seremos extremistas e também faremos discursos de ódio, não nos diferenciando em nada dessas pessoas que não aceitam nem respeitam aqueles que são diferentes. No mais, parabéns pelo texto e espero que ele possa concorrer no desafio. Abraços!
Oct. 30, 2018, 11:55 a.m.
Kamy Souza Kamy Souza
Opss! Achei que ia ser fantasioso, fui uma das enganadas rsrs mas de forma alguma estou decepcionada, apenas achei que pelo menos no fim ela se sentaria com seu livrinho de feitiços e resolveria essa eleição pra gente ;) O que me leva ao uso da imagem. Pelo que eu tinha entendido, ela tinha que "estar" no capítulo como uma cena, ou coisa do tipo... Gostei da sua escrita, de todo esse embasamento que você colocou sobre a realidade, não teve nem um dedo no fantasioso, foi tudo real e em certos momentos isso deve ser valorizado! Seu desabago é válido e também sentido por nós, acredite ♡ Parabéns pela sua participação no desafio!
Oct. 30, 2018, 11:15 a.m.
Dani Caruso Gandra Dani Caruso Gandra
Chega a ser muito realista!
Oct. 23, 2018, 6:06 p.m.
Zen Jacob Zen Jacob
Não sei nem como começar esse comentário... Talvez deva começar falando que queria que tivesse a opção de dar like nos comentários, além da história, porque todos eles representam frações de pensamento que passam pela minha cabeça nesse momento de terror que nós vivemos. Segunda coisa a ser dita: Sinto falta de quando o meu pior medo eram os vídeos do Marble Hornets que eu assistia antes de dormir... Me surpreendeu bastante você fazer uma história com enfoque tão político, até porque ontem mesmo eu estava pensando "será que alguém botou #elenão em alguma história do Inkspired?". Procurei e não achei, mas hoje, em compensação, encontrei essa preciosidade. Me apavora pensar que nossa liberdade de expressão enquanto escritores, artistas e, principalmente, seres humanos, esteja sob ameaça de pessoas com um pensamento tão retrógrado que poderiam ter vivido com facilidade no período de 60, 70 anos atrás. É um absurdo que tenhamos que nos preocupar se o outro vai nos julgar humanos ou não em pleno século XXI; avançamos tanto cientificamente e artisticamente, mas em matéria de empatia parece que ainda socamos pedras com tacapes, puta merda. O que adorei na sua narrativa foi a construção da linha de pensamento sobre como a Inquisição operava; bizarro perceber que a Inquisição nunca sumiu de fato, mas sim passou a operar com o nome de "ditadura". Tortura, regras de comportamento, denúncias... O sistema foi reciclado e lançado na nossa sociedade com outro nome, militares no lugar dos padres. No final é tudo a mesma merda. Me senti exposto enquanto lia a sua história porque basicamente as minhas últimas consultas com a psicóloga têm sido a respeito das eleições, era como se estivesse lendo uma transcrição dos temores que eu relato pra ela toda sexta-feira. Tenho tendência suicida há mais de 10 anos e a perspectiva de encarar uma ditadura só faz fortalecer esse tipo de pensamento, já que, enquanto LGBT e neuroatípico, eu tenho um alvo pintado na nuca, só à espera da violência, da lâmpada, do tiro... Aquilo que me dá forças é perceber o tanto de pessoas incríveis e conscientes que estão resistindo bravamente a essa situação horrível em que nos vemos; a tal esperança que você citou de que o futuro seja mais feminino, mais gentil, é isso o que me permiti resistir. Espero que todos possamos manter a esperança e, no final, suspirar com alívio diante do mal que não foi concretizado.
Oct. 18, 2018, 8:22 p.m.
Nathalia Souza Nathalia Souza
Eu estou impactada, simplesmente. Os desafios do Inkspired sempre me surpreendem, mas nada igual a este conto (isso se posso chamar assim). Nem pense em se desculpar por fazer uma personagem feminina, pois eu como mulher me senti muito bem representada. Como uma menina negra, prestes a sair do segundo grau, estou apavorada com o que pode acontecer nesta nossa bela terrinha. Obrigada por sua maravilhosa e suave escrita, sensacional! Beijos!
Oct. 16, 2018, 2:25 p.m.
BL Bruna Leca
Eu vim preparada para o angst pq me falaram que a fic era sobre a situação atual do país, é um recorte da realidade que faz tanto sentido que machuca. Eu tenho falado que já passei por todas as fases do luto, luto pela educação, pela democracia, pelo carinho que perdi por alguns amigos, e cada uma das fases: a negação, a raiva, a barganha, a depressão e a aceitação de que esse é o momento que estamos vivendo agora, que essas são as pessoas com quem cultivamos amizades, mas não significa nos conformar, podemos nos unir para aguentar os próximos anos. Será cansativo, mas lutar não é novidade, quanto tempo temos lutado? Temos que abraçar uns aos outros, seja para proteger, confortar, chorar e, principalmente, ajudar a levantar. Muito obrigada pela sua história, ela me permitiu esse momento de reflexão e a sua questão "e nós?", bem, nós resistimos.
Oct. 15, 2018, 9:31 a.m.
Vany-chan 734 Vany-chan 734
Olaaar, vim dar meu biscoito listando 10 motivos dessa fic ser maravilhosa. Primeiro, eu amei a proposta. Porque eu to me sentindo assim, com medo, ansiosa e insegura. Na cidade onde estudo desenharam uma suástica numa árvore dentro de uma faculdade. Não estou segura, e ainda tem o fato do meu pai ser um minion sem noção, isso é desgastante. Segundo, eu amei o link com o tema do desafio. E pra mim essa fic já tem que ser a vencedora, não porque é você (e é meu amigo), mas pelo contexto e crítica dela. Isso é arte, algo feito pra incomodar e encantar, e conseguiu isso comigo das duas formas: incomodou ver que o sentimento ali é real e comum a todos e encantou por você ter tido a ideia de relacionar o tema com a nossa – triste – realidade. Terceiro, eu amei o título. Tá sensacional sério. É realmente um pensamento de nós, das minorias, sobre a nossa importância que não é importante para os minions. Mas nós existimos e no fim só nos resta perguntar/pensar “E nós?”. Quarto, eu gostei muito de vc ter explorado a situação no consultório. Como futura psicóloga, é bom ver meu trabalho sendo reconhecido! Além disso, eu te disse que li sexta uma matéria sobre isso, ela se chamava “o ódio deitou no meu divã”, e pra mim isso é muito atual, até mesmo na clinica porque as questões do mundo nos atravessam, mesmo que não queiramos. Quinto, gostei que você mencionou sobre a história ser cíclica. Essa é uma das frases icônicas que eu mais amo porque pra mim é totalmente verdade, antes de tudo isso – essa crescente massa direitista sair do armário – eu lia sobre a 2º Guerra e me perguntava “Como ninguém nunca percebeu que ele era mau?” e então eu vivi o suficiente pra ver isso acontecer e poder me fazer a mesma pergunta e ainda ter um profundo desgosto com a resposta. Um povo que não conhece cultura e História – nem mesmo a sua própria – está fadado a repetir os erros do passado. Pensar nisso me faz pensar sobre quando teve o incêndio do museu no RJ e quanto comentários ridículos foram feitos sobre isso, e mais uma vez eu vi o fruto da ignorância no nosso país. Sexto, quando vc fez o post sobre pesquisar sobre Inquisição pro desafio, pensei “que raios ele tá fazendo?”, mas eu amei como vc usou isso pra contextualizar seu tema e o que estamos vivenciando nesse cenário. Eu diria que esse trabalho de ir pesquisar para dar base ao plot já é um diferencial, porque nós somos responsáveis por aquilo que escrevemos e pelas informações que passamos. Eu amo História, ao ponto de ter prestado pra esse curso no vest da Unicamp.... imagina o nervoso que eu estaria passando agora se fizesse ela e não psico? É rir para não chorar. E olha que eu já chorei muito. Sétimo, eu amei a parte da sociedade ser brutal com quem quer subir no sistema e dividir o topo. Eu vejo muito disso, desse prazer sádico em querer humilhar outrem para se afirmar em uma posição de poder. No fim, todas as relações são relações de poder, e eu consigo ver muito disso agora, com as pessoas dizendo o que realmente querem fazer quando o Coiso se eleger. Oitavo, eu abri um sorriso com a parte sobre o futuro ser negro, mas ela ainda ter a esperança dele ser feminino. Isso foi muito bonito, poético e maravilhoso... queria poder dizer mais nesse ponto, mas me deixou realmente sem palavras, apenas senti um calorzinho no peito. Eu quero a revolução feminista segunda feira, Arthur! Nono, eu gostei de você ter escolhido uma mulher como protagonista. Porque ser mulher nessa sociedade doente é viver se desgastando, mesmo as heterossexuais e mesmo as ricas, elas ainda são menosprezadas e sofrem, seja pelos corpos julgados, pensamentos censurados ou pelas relações machistas. É óbvio que existem níveis e níveis de preconceito, mas viver numa sociedade patriarcal é ser atravessada pelo machismo em muitas esferas. Então ler isso, fez eu me sentir contemplada. Décimo, a parte das travessuras, do Halloween. Acho que nunca mais irei olhar para essa festividade com os mesmos olhos de agora em diante, assim como não olharei mais do mesmo jeito de antes para muitas pessoas que conheci/conheço. Concordo com cada palavra escrita, compartilho o sentimento de temor, de ansiedade e de insegurança... ver imagens de homens tatuados com a suástica nas eleições me fez ter um medo absurdo e uma decepção sem igual. Eu tenho medo de homens, e eu tenho razão em tê-lo, esses últimos dias só me comprovam isso. Ao todo, tive que ler de modo fragmentado pelo comentário, mas por me identificar, senti vontade de chorar em várias frases. Você me tocou, verdadeiramente. Queria não ter sido tocada, queria estar errada quanto a tudo que o Coiso representa, mas eu não sou burra e sei que dia 28 será um dia terrível para mim. Como vi em muitos post, mesmo que ele não ganhe, nós já perdemos. Obrigada pela fic, Bolinho. Ela é o nosso grito de socorro <3
Oct. 14, 2018, 9:19 p.m.
E C E C
Meu anjo, como eu amo a sua sensibilidade para as emoções. Exatamente por isso que shippamos certo desde o princípio. Eu cheguei até o fim, mas me segurei para não chorar. Mesmo de minorias diferentes, ainda somos minorias e isso já nos une. O sentimento é mesmo de medo, pavor e terror porque é difícil ser menor em sociedade. É como um atentado as pessoas que sejamos diferentes delas. Ainda assim, diante de tudo isso, a gente se encontra, resiste e se une. Nesse Halloween não existe medo de bruxas, fantasmas ou qualquer outra criatura. Apenas medo do homem. Adorei a história, obrigada por escrever ela 💛
Oct. 14, 2018, 6:50 p.m.
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