O estalinho de e a pedra no sapato Follow story

nanahoshi Nanahoshi G

Ela definitivamente não era uma existência exemplar. Mas, muito menos era Bakugou. E por uma ironia do acaso somada à caprichos nunca proferidos, o caminho dos dois continuava se cruzando insistentemente. Haviam seguido juntos até a UA, mesmo que para Bakugou, ela sempre estivesse dezenas de metros à sua frente. A única que fora capaz, que ousara colocá-lo em seu devido lugar. E por mais que acreditasse que odiava cada centímetro dela por isso, no fundo, a única coisa que o prodígio infame precisava desesperadamente era de seu reconhecimento. [Bakugou Katsuki x Reader]


Fanfiction Anime/Manga Not for children under 13.

#reader #personagem-x-leitor #romance #fluff #fluffy #mha #my-hero-academia #bnha #boku-no-hero-academia #bakugou #bakugou-katsuki
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Parte 1

A NANA ESCREVENDO ONESHOT DO BAKUGOU QUEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE????? É ISSO MESMO, PRODUÇÃO?
Bom, caso você, minha cara leitora, já me conheça através das fanfics 23 de dezembro e Um rio, vai saber que o segundo personagem que eu mais odeeeeeeeeeeeeeeeeeeeio em BNHA é o Todoroki. Daí muita gente ficava se perguntando quem era o primeiro. Quem está em primeiríssimo lugar disparado é essa praga do Bakugou. Entretanto, por algum motivo desconhecido que parece ser mt avançado para meu cérebro realista demais que só vê o Bakugou como um embuste mal educado, uma praga barulhenta q só serve para tirar a paz dos outros, as meninas costumam dar uns berros por ele e achar que ele é o melhor namorado do universo. Sendo assim, por que não me aproveitar disso? Ele pode ser um embuste, mas se ele me der views, votos e coments, ORA PORQUE NÃO? além disso, por algum milagre de Jesus, eu consegui ter uma única boa ideia de "fluff" no qual o Bakugou ficou completamente fiel.
MAS EU JÁ LOGO AVISO. DOIS AVISOS IMPORTANTÍSSIMO ANTES DE VOCÊ LER ESSA ONESHOT.
1. Se você é daquelas fãs doentias (que nem umas que apareceram lá na fanfic do todoroki e me ameaçaram de morte caso eu fizesse ele sofrer mais - é sério não to brincando isso aconteceu) do Bakugou, NÃO-LEIA-ESSA-ONESHOT. Pq minha filha, o Bakugou nunca apanhou tanto em sua tão egocêntrica vida. E sim, ele apanhou da reader.
2. Se você tem aqueles complexos de donzela em perigo e não curte muito empoderamento feminino, MIGA COOOOORRE! Não leia essa oneshot COOORRE VAI SER TORTURA PRA VC! Pq olha, eu costumo falar que Girl Power é meu sobrenome e eu faço questão de fazer minahs OCs tudo badasss MAS DESSA VEZ EU PESEI A MÃO COM FORÇA! Então oh, sigam conscientes: ALERTA DE UMA PUTA OVERDOSE DE GIRL POWER.
Bom, às sobreviventes que passaram pelos avisos, ESPERO QUE VOCÊS GOSTEM MUITO, porque no final das contas eu consegui fazer um fluff com o Bakugou sem tirar ele da personalidade dele E EU TO MT NOOOOSSSA pq não achei q isso fosse possível. Já aviso também que essa porra ficou quilométrica AUSHAUHSHAUH Escrever oneshot pequena não é comigo infelizmente.
E a você, MINHA LEITORA LINDA E MARAVILHOSA QUE VEM AQUI NÃO IMPORTANDO A PORRA QUE EU ESCREVA, NEM NA ONESHOT NEM DAS MINHAS NOTAS SEM NOÇÃO, meu amor infinito, muitos abraços de ursos fantasiados de lhamas super heroínas. Podem ter certeza que vocês tem um lugar reservado no meu coraçãozinho sofrido de escritora! Um beijão pra vocês da Nana-chan e boa leitura!


A ideia viera de Uraraka. É claro que [Nome] recusara veementemente, já que estava morrendo de sono e não estava nem um pouco a fim de enfrentar a ira de Aizawa caso fosse pega fora dos dormitórios àquela hora. Mas a amiga insistira para que ela seguisse Bakugou e Midoriya, pois seu pressentimento (obviamente) não era bom.

[Nome] saiu praguejando do dormitório, sem se lembrar de início de manter o tom baixo.

– Aqueles moleques de merda, ficam achando que podem fazer o que querem... E não é porque eu conheço aquelas pragas há mais tempo que significa que eu sou babá deles! Miséria!

[Nome] enterrou as mãos no bolso de sua calça enquanto seguia-os de longe. Não queria pensar no que Bakugou iria querer com Midoriya àquela hora, mas sua mente teimava em desenhar teorias. Tinha acompanhado a intriga desses dois como a uma novela que estivesse esperando o lançamento há tempos: desde o primeiro capítulo. Entretanto, sempre tomara o cuidado de não se misturar. Andava com os dois, preferindo sempre a companhia de Midoriya, mas nunca chegava muito longe em questões pessoais. As únicas vezes que interferira era quando flagrava uma briga. Sua Peculiaridade sempre fora perfeita para colocar Bakugou no seu devido lugar, o que sempre o deixava louco de raiva. Perdera as contas de quantas vezes o garoto das explosões a desafiara para uma luta, mas ela apenas fazia um gesto com a mão de dispensa, dizendo que não gostava de brincar com estalinhos. Era óbvio que nessa hora ela precisava parar de um a três ataques de Bakugou até conseguir imobilizá-lo. No final das contas, Bakugou nunca tivera o que queria, e ela permaneceu apenas como uma pedra em seu sapato, ofuscando o brilho de suas explosões.

[Nome] sorriu diante da ideia de ser uma pedra no sapato do infame prodígio. Já se acostumara tanto a ser vista como um incômodo, ou até uma potencial ameaça em escala global, ser alvo de olhares apavorados ou repletos de nojo quando ela ativava sua Peculiaridade, que ser uma mísera pedrinha no sapato de um garoto mimado pareceu até um elogio.

***

Ela não soube exatamente por que ficou ali, empoleirada no alto de um dos prédios, assistindo ao diálogo. No começo, uma profunda expressão de tédio tomou conta de seu rosto ao ouvir os motivos de Bakugou para lutar. Sua surpresa se estampou apenas com a revelação sobre a ligação da Peculiaridade de Midoriya e a do All Might. Mas logo sua atenção foi desviada para o fato de que eles realmente iam lutar. Ela ergueu os olhos para o nada fazendo cara de paisagem e sentiu a raiva e a decepção borbulhando dentro de seu estômago.

“É sério mesmo, Midoriya, que você vai entrar no joguinho fajuto do infeliz do Bakugou?”, pensou ela, indignada. “Estou de-ce-pcionada com você.”

Ela se preparou pra interferir, traçando um plano para parar os dois. Impedir que Bakugou batesse em um Midoriya indefeso era uma coisa. Entrar no meio de uma luta com os dois usando ao máximo de suas Peculiridade e não receber nenhum dano era outra. Não estava muito a fim de ativar a sua de forma intensa: iria demorar horas para dormir pois o processo restauração substancial das partes convertidas era bastante desconfortável. Mas talvez tivesse que sacrificar um braço... Ou talvez dois. Mas seu ponto principal era fazer isso antes que o professor Aizawa chegasse. Iria arrastar os dois feito dois sacos de batata para a o dormitório.

Entretanto, naquele momento, os movimentos pararam. [Nome] se posicionou para saltar para o chão, mas as palavras que ouviu desviaram completamente o foco de sua atenção:

– Não se preocupe comigo! – Bakugou havia acabado de dar um tapa na mão de Midoriya, que a estendera para ajuda-lo a se levantar – Lute!! Qual é o seu problema!?

Bakugou colocou-se de pé e arrastou uma perna para se firmar.

– Por quê? Por que eu acabei correndo atrás de uma pessoa que sempre esteve atrás de mim? – ele agora se curvara para frente, e parecia tremer de raiva – Por que um merdinha como você ficou tão forte e foi reconhecido pelo All Might? Por que você se tornou tão forte enquanto eu... Por que fui eu... – ele ergueu a cabeça lentamente e encarou Midoriya com uma expressão que transpareceu completamente em sua voz, descartando a necessidade de vê-la – Por que eu fui o responsável pelo fim do All Might?

O prodígio infame fez uma pequena pausa, ainda encarando o herdeiro do One for All. Por fim, continuou no mesmo tom de agonia:

– Se eu fosse mais forte, se não tivesse sido sequestrado pelos vilões, então aquilo tudo não teria acontecido... – Bakugou pareceu por um instante enxugar os olhos – O All Might tentou manter isso em segredo... Eu não pude contar pra ninguém!

As palavras de Bakugou pareceram se converter em duas flechas que acertaram direto no coração de [Nome]. A primeira estaria envenenada com um misto de emoções estranhas: pena, dor, compaixão. Ela jamais ouvira-o falar daquela maneira tão aberta e tão sincera, admitindo sua fraqueza, limitações e, principalmente, os seus pesadelos. As coisas que o assombravam sempre eram um mistério para todos ao seu redor, devido sempre à sua atitude agressiva e arrogante. Entretanto, a segunda flecha rapidamente espalhou seu veneno sobre o da primeira, borrando as emoções anteriores. Raiva. Era isso que [Nome] sentia. Uma raiva sem precedentes que era dirigida unicamente a Bakugou. Independente de estar admitindo coisas que jamais admitira, seu comportamento essencial não mudara: ele continuava sendo o centro do universo. Era tão importante que ele tivesse sido reconhecido no lugar de Midoriya... Tão importante que ele estivesse mais forte...

Como se toda a culpa da aposentadoria do All Might fosse dele. Única e exclusivamente dele.

Quem ele achava que era pra ser integralmente responsável por algo tão importante?

Bakugou era completamente incapaz de analisar o contexto, seja para trás, para frente ou para os lados. Ele era incapaz de ver que a aposentadoria do All Might era uma pura questão de tempo. Fora incapaz de fazer a soma dos eventos que precederam aquele. Se não ele... Poderia ter sido qualquer pessoa.

Qualquer uma.

– Mesmo que eu tente não pensar nisso, isso sempre vem na minha mente do nada! – gritou Bakugou. – Eu não sei o que fazer!

Aquilo fora a gota d’água, pois a resposta estava muito clara para [Nome]. A garota tocou os dois antebraços com suas mãos, e imediatamente sentiu o calor familiar de sua Peculiaridade se ativando. Já que se conformara que não dormiria aquela noite, tocou as pernas e sentiu a temperatura subir em toda sua extensão delas até a ponta dos pés. Concentrou-se em estender o calor para dentro do corpo, para que ele envolvesse cada célula do seu corpo. Ela sabia que não tinha muito tempo, mas precisava ativar ao máximo de sua Peculiaridade para não haver riscos.

Nesse instante a lua refletiu em seus braços, criando um feixe de luz que chamou a atenção de Midoriya. Ele sequer precisou olhá-la diretamente para reconhece-la, já que a voz alcançou-o antes:

– Ah, pode ficar tranquilo, Katsuki. Por que eu sei o que fazer.

Bakugou ergueu-se a tempo apenas de ver um borrão desaparecer do alto do prédio. Segundos depois, uma dor excruciante ferroou o ponto exato de sua coluna antes que se espalhasse graças ao impacto de seu corpo com o asfalto. O asfaltou trincou e cedeu, obrigando Midoriya a dar alguns pulos para trás.

– [Nome]-chan! – chamou ele num tom que pedia claramente para que ela parasse.

Mas ela nem tinha começado.

Quando a nuvem de poeira baixou, os olhos de Midoriya se arregalaram até estremecerem ao ver [Nome] de pé, pisando sobre as costas de Bakugou com as pernas tingidas de uma tonalidade dourada ao mesmo tempo linda e terrível. Ela se abaixou e estendeu um braço, este coberto por uma tonalidade prateada, para agarrar o cabelo de Bakugou e puxá-lo sem cuidado para erguer sua cabeça.

– Mas você é um merda mesmo, hein? – cuspiu [Nome] com a voz perigosamente desdenhosa. – Quando a gente acha que você vai fazer ou pelo menos falar alguma coisa que presta, você caga tudo.

Bakugou tentou virar a cabeça ao mesmo tempo em que se debatia, mas o peso da perna de [Nome] o impediam de sair do lugar.

O que você tá fazendo, sua vadia!? – berrou ele a plenos pulmões.

Num gesto brusco, [Nome] virou Bakugou de barriga para cima e agarrou seu pescoço. Com os braços convertidos, não foi nada penoso erguê-lo até que apenas a ponta dos pés do garoto estivesse raspando o chão. Seus dedos se fecharam com firmeza ao redor da garganta do garoto das explosões, que tossiu duas vezes e agarrou seu antebraço com ambas as mãos.

– Estou fazendo o que já devia ter feito há muito tempo – a raiva vincava cada canto móvel do rosto de [Nome] – Te colocando de vez na porra do seu lugar.

– Vai pro inferno! – berrou Bakugou disparando uma sequência de explosões contra o braço de [Nome]. Uma cortina de fumaça envolveu os dois, impedindo que Midoriya os visse por alguns instantes, mas não que ouvisse a risada escandalosa da garota.

– Ai, isso é sério, Katsuki? Depois de todos esses anos, você ainda não aprendeu? – quando a fumaça se dissipou, Midoriya tornou a sentir o corpo gelar ao ver agora o rosto de [Nome] coberto pela camada prateada. Vê-la usar sua Peculiaridade daquela forma sempre o deixara estranhamento arrepiado de medo. A garota voltou a estreitar o aperto no pescoço de Bakugou para depois girar e atirá-lo de novo ao chão, mas sem soltá-lo. Agachou-se rapidamente e prendeu uma das pernas dele sob o peso doloroso de uma das suas.

– Vamos revisar um pouco de Química? – disse ela num tom doce, um que lembrava muito o tom usados por professoras do primário. Isso tornou a levar a raiva de Bakugou ao ápice, que gerou mais uma série de explosões que foram completamente inúteis contra o aperto de [Nome]. – Titânio, número atômico 22, 47,897 gramas por mol – ela tornou a sufocar Bakugou por um instante, que tossiu enquanto batia debilmente contra seu braço. – Ponto de fusão: 1668 graus Celsius.

Um sorriso afetado expôs os dentes de [Nome] enquanto ela soltava uma risada.

– Eu nem preciso usar tungstênio com você, já que suas explosões não passam de estalinhos.

[Sobrenome] [Nome]

Peculiaridade: Alquimia

Ela é capaz de converter matéria em qualquer tipo de metal através do toque, desde que ela esteja tocando ao mesmo tempo em alguma amostra desse metal. Para garantir que ela sempre possa usar sua Peculiaridade, ela usa diversos brincos na orelha de composições diferentes e tem implantes do corpo! O tamanho da amostra e o metal em si influenciam na velocidade, na duração e na efetividade da Alquimia. O conhecimento de Gina sobre o metal também é decisivo para uma conversão efetiva. Existem sete tipos de Alquimia possíveis que podem ser ativados separados ou combinados, e alguns, ao serem dominados, podem remover algumas limitações! Entretanto, há um sério risco ao se utilizar a Alquimia continuamente: o usuário sofrerá continuamente com intoxicações por excesso de íons pesados! Os sintomas podem ir desde vômitos, tonteiras até a morte!

A raiva distorceu cada traço do rosto de Bakugou, que parecia prestes a explodir. Ainda sorrindo, [Nome] curvou-se para frente para jogar o corpo do garoto com toda a força no chão, mas sem soltar seu pescoço.

– [Nome]-chan, para!! – protestou Midoriya correndo na direção dos dois, mas logo parou derrapando quando a voz de Bakugou o alcançou:

– Fica longe daqui, De-

Mas ele não conseguiu terminar a frase, pois [Nome] tornou a sufoca-lo.

– Você fica com essa sua boca suja bem caladinha, porque agora você só vai escutar. E Izuku! – ela ergueu os olhos e fuzilou o garoto sardento com olhos. – Você fica bem aí, sem mexer um músculo, ou você vai apanhar também! E não vai ser pouco!

Tornando a endurecer os olhos enquanto seu sorriso desaparecia, [Nome] tornou a encarar Bakugou, que lutava sem sucesso para sair de seu aperto de titânio. Suas pernas, convertidas em ouro puro, pressionavam dolorosamente as do garoto esquentadinho, impedindo-o de se debater. Ela ergueu um pouco seu tronco e tornou a empurrá-lo com toda a força contra o asfalto já esmigalhado.

– Viu só? Fica aí com essa pose toda, mas não passa de um merda zero a esquerda! – berrou ela no mesmo tom que Bakugou costumava usar para se comunicar rotineiramente. – E você sabe disso, não sabe!?

O garoto das explosões apertava os dentes, e se remoía de ódio por dentro por inúmeros motivos que se misturavam numa tempestade furiosa, que parecia numa iminência eterna de explodir de dentro dele.

– Você fica aí – continuou [Nome] possessa de raiva – berrando pra todos os lados que vai ser o herói número 1, que vai ser como o All Might e, enfim superá-lo... Mas a única porra que você consegue ver na sua frente é a desgraça do seu umbigo!! Tudo precisa girar em torno de você, - a na frase seguinte, a cada enumeração, ela puxava o tronco de Bakugou para batê-lo contra o chão – tudo tem que ser ao seu favor, todos tem babar nos seus ovos, a buceta do universo inteiro tem-que-girar-em-torno-do-seu-umbigo-de-merda!

Na última pancada, Bakugou tossiu espirrando algumas gostas de sangue. Midoriya cerrou os punhos e sentiu o corpo tremer. Mesmo sabendo que seriam dois contra uma, sentia que deveria ficar imóvel, ou as consequências seriam mil vezes piores.

– Você tem alguma noção, seu desgraçado, do que significa dizer que quer ser igual ao All Might!? Você sabe quem ele é!? Você sabe o que ele representa para todos nós!?

[Nome] bateu o tronco de Bakugou contra o chão mais uma vez e parou. Ela respirava pesado, e ainda mantinha os dedos de titânio apertados contra o pescoço do garoto. Com a voz trêmula de raiva e os olhos opacos, como se ela estivesse vendo algo além do asfalto que encarava, ela continuou:

– É claro que você não sabe... Se você soubesse nunca ousaria sair falando com essa boca imunda que seria como ele – ela fez uma pausa longa, na qual Midoriya rezou para que tudo tivesse acabado. Entretanto, ele sequer sonhava que [Nome] estava apenas começando.

– De pé – disse ela de súbito, puxando Bakugou pelo pescoço até que ele firmasse debilmente os pés no chão. Mal ele sentiu o aperto em sua garganta se aliviando, uma pancada excruciante esmagou seu abdômen, lançando-o vários metros para trás. Ele rolou no chão várias vezes até parar, sentindo a pele sendo rasgada em vários pontos pelo atrito com o asfalto. Ele lutou para se levantar, mas a série de pancadas contra o chão o haviam deixado bastante atordoado. Grogue de dor e raiva ele se apoiou nos braços e ergueu o tronco, mas ainda incapaz de focalizar direito o que estava à sua frente.

– Sabe qual eu acho que seja o seu problema, Katsuki? – a voz de [Nome] alcançou-o, áspera e cheia de desprezo, antes que ele pudesse focalizar sua silhueta.

Aquele som pareceu rasgar seus ouvidos, e uma dor amorfa, mas insuportável, pareceu espremer seus pulmões e seu coração. Por quê? Por que aquele tom de desprezo na voz de [Nome] o incomodava... o machucava tanto? Ele não devia ligar pra uma virgula do que aquela vadia falava...

– O seu problema é essa sua insegurança doentia e infantil – a garota começou a caminhar vagarosamente na direção de Bakugou, quase arrastando os pés, e a visão fez um arrepio correr a espinha de Midoriya. – “Por que um merdinha como você ficou tão forte e foi reconhecido pelo All Might? Por que você se tornou tão forte”... Ah, faça-me o favor, Katsuki. Tem tanto medo que ele supere você e se torne o novo Símbolo da Paz, o novo número um? Você tem tanto medo assim do Izuku?

Bakugou rolou no chão, ficando de frente para [Nome]. A visão de sua silhueta quase coberta por completo por tons metálicos colocou-o em estado de extremo alerta. Ele estava completamente sem condições de revidar, e mal conseguia ficar de pé. Mas havia uma outra emoção por baixo. Uma necessidade enorme de correr até ela e poder devolver todos os golpes que recebera. Poder finalmente quebrar aquela defesa impenetrável e fazê-la sentir o verdadeiro poder contido em suas explosões. Bakugou morreria pra fazer isso. Fazer isso até que... Até que... Ela finalmente...

O reconhecesse.

Quando essa última palavra se materializou em sua mente, Bakugou soltou um urro de ódio, e uma nova enxurrada de adrenalina o colocou de pé. Com o corpo dormente e trêmulo de raiva, o garoto avançou feito um animal enlouquecido na direção de [Nome].

Sua vadia desgraçada! – xingou ele avançando já com uma nuvem de explosões em cada mão.

[Nome] apenas esperou, ainda caminhando lentamente na direção do amigo de infância. Quando Bakugou estava à menos de um metro, pronto para explodir seu tórax, que não estava protegido pela Alquimia, ela simplesmente esticou as mãos e segurou as de Bakugou, encaixando os dedos entre os dele e travando seus braços. As explosões foram abafadas entre as palmas dos dois, e acabaram queimando a pele de Bakugou, que trincou os dentes para não gemer de dor. O garoto fuzilou [Nome] com o olhar enquanto lutava contra a força dos braços dela, que o empurravam lentamente para baixo.

– Mas é um imbecil mesmo... – riu-se ela com desprezo. Ela foi se curvando e se aproximando, forçando Bakugou a se ajoelhar. Naquele ponto, ele sabia que seus braços deveriam estar completamente convertidos em titânio, e as pernas em ouro. Seria inútil disputar forças.

– Olha bem pra onde e como você está agora, Katsuki – ela tornou a abrir seu sorriso quase sádico. – É o seu lugar se você quiser chegar a algum lugar.

Ela ergueu uma das pernas e colocou o pé contra o peito de Bakugou, empurrando-o de novo contra o chão. Ele agarrou seu tornozelo e tentou movê-lo, mas a única coisa que ganhou com isso foi um pisão sobre seu esterno. Ele tossiu de novo e engasgou, tentado respirar.

– Os verdadeiros heróis – disse [Nome] retomando a expressão séria. – Começam aí, no chão. Pisoteados e desprezados por pessoas que disseram que eles não eram capazes. Isso não te parece familiar?

Ela tornou a forçar o pé sobre o tórax de Bakugou. O garoto esperneou e gerou uma série de explosões involuntárias que, novamente, sequer arranharam a pele de [Nome].

– Em quantos você pisou, Katsuki? A quantos você disse que eram completamente incapazes, que eram lixos comparados a você? Não percebe que você só consegue se sentir em cima quando coloca os outros ao seu redor para baixo!?

[Nome] se curvou e desferiu um soco na lateral esquerda do rosto de Bakugou, que novamente teve que trincar os dentes para não gemer.

– É esse quem você é, Katsuki. Um merda que só consegue subir fazendo os outros descerem. – ela deu uma risadinha. – Baixa essa bola. E fica tranquilo. Você não é tão especial assim a ponto de ser o motivo da aposentadoria do All Might. Do jeito que você é egocêntrico, você é completamente incapaz de ver que tudo foi uma soma de fatores e uma pura questão de tempo. E o All Might estava completamente consciente disso quando ele fez o que fez.

[Nome] tornou a agarrar Bakugou pela garganta e levantá-lo até que ele fosse incapaz de tocar o chão com os pés.

– Só pra ficar bem claro: vê se lembra depois dessa surra que você ainda não passa de um estalinho. A merda de um estalinho. E pior ainda, um que se acha tão heroico e sequer sabe o que é ser herói de verdade – ela balançou a cabeça e fez um ar decepcionado. – Tsc-tsc. Tem que parar com isso Katsuki. Tem que parar de se achar a última Coca-cola do deserto, porque você não é. Você é só mais um nesse mundo. E infelizmente faz parte da categoria dos lixos arrogantes que querem ser heróis por puro luxo do seu ego.

Cala a boca!! – berrou Bakugou com um fôlego que surpreendeu [Nome]. Mas o que mais a surpreendeu foi o desespero misturado com a raiva que permearam aquele grito de gelar a alma e... as duas lágrimas que saltaram dos olhos do prodígio infame.

No instante de hesitação de [Nome], uma voz cortou a noite irrequieta:

– Já basta!

O corpo da garota enrijeceu assim que reconheceu a voz. Ela virou lentamente na direção da qual a voz viera, enquanto afrouxava os dedos que apertavam o pescoço de Bakugou. O garoto caiu de joelhos no chão e se curvou para tossir. [Nome] e Midoriya fitaram a silhueta magricela e pesarosa de All Might se aproximando. O garoto de cabelos verdes ainda estava plantado no mesmo lugar desde o início da “luta” entre seus dois amigos de infância, e só ousou se mexer diante da presença de seu mestre.

– Desculpem, mas eu escutei tudo – disse o Símbolo da Paz com a voz soturna, carregada de culpa. – Eu sinto muito por não ter notado antes.

Bakugou colocou-se de pé a muito custo e encarou All Might com os olhos arregalados. Depois, ele tornou a desviar os olhos e a virar o rosto de forma que o herói não o visse e murmurou:

– É tarde demais... – houve um silêncio pesado, no qual All Might continuou se aproximando.

Por fim, cerrando os punhos, Bakugou perguntou:

– Por que o Deku...?

Os olhos de [Nome] se arregalaram enquanto ela se virava lentamente para encarar Bakugou. Isso era sério!? Ele tinha escutado alguma coisa do que ela tinha falado!? A garota puxou o ar, segurando a imensa vontade de espancar Bakugou até que não pudesse mais se mexer e jogou as mãos pro alto.

– Tudo bem, ok! Eu tô fora – disse ela num tom de quem não conseguia acreditar no que acabara de ouvir. – Se eu ficar mais dez segundos aqui, eu vou acabar espancando o Katsuki até a morte então... Melhor eu vazar.

[Nome] girou nos calcanhares sem cerimônia e rumou para a direção da saída do Ground Beta. Entretanto, mal tinha dado três passos, a voz do Símbolo da Paz a fez parar:

– [Nome] shoujo, espere um pouco! O quanto exatamente você escutou da conversa entre os dois...?

A garota virou o suficiente para que Toshinori visse o lado direito de seu rosto.

– Eu ouvi sobre a parte da Peculiaridade do Izuku ter a ver com você – ela percebeu o nervosismo trespassando os olhos aflitos do Símbolo da Paz, o que a fez sentir um aperto no coração. Então se apressou em dizer – Mas eu juro pela minha vida que não contarei a ninguém. Nem sequer vou comentar com esses dois, nem pedir mais informações.

Ela deu um sorrisinho triste e olhou para baixo.

– Te dou a minha palavra, All Might. Até porque... Não quero ter mais uma informação que seja mais uma razão para quererem me matar.

Os olhos de Toshinori tremeram diante da fala de [Nome], e ele baixou os olhos. Precisava cuidar da questão inerente a ela, mas... Um problema de cada vez. Ele sabia as circunstâncias trazidas pela Peculiaridade da garota, e esse era mais um motivo para que ele interferisse assim que terminasse a questão entre os dois.

– Muito obrigado, [Nome] shoujo. De fundo do coração, obrigado – disse All Might fazendo uma leve reverência.

Ela também fez uma mesura e tornou a se virar. Entretanto, outra voz interrompeu a quietude do ar da noite mais uma vez:

Oi! Sua desgraçada! Volta aqui! Nós não terminamos!

Pelo tom de Bakugou, [Nome] nem precisou olhar para ter certeza que o garoto estava espumando de raiva. Ela deu uma risadinha e ergueu o braço, balançando-o num sinal de dispensa.

– Terminamos sim, Katsuki. Você tomou a surra que andava precisando tomar. Com o resto, não tenho nada a ver.

Sua- – o garoto ia tornar a berrar, mas foi interrompido por um murmúrio que [Nome] não conseguiu entender.

A garota seguiu seu caminho para o dormitório sem pressa, e a cada passo que dava, sentia um pinicar desconfortável nos braços e nas pernas. A Alquimia estava se desfazendo. Ela apertou os olhos e se amaldiçoou por ter se metido naquilo. Devia ter ficado no seu canto, como sempre fizera.

Sempre era melhor não se envolver.

Oct. 5, 2018, 11:46 p.m. 0 Report Embed 0
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