Visconde de Taunay - A retirada da Laguna Follow story

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Retirada da Laguna' (1871), reconstitui o célebre episódio da Guerra do Paraguai. Escrito em francês foi traduzido para o português por seu filho Affonso d´Escragnolle Taunay, historiador e lexicógrafo


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Prólogo

A RETIRADA DA LAGUNA

Visconde de Taunay

Episódio da Guerra do Paraguai


São Paulo, 25 de maio de 1952

Affonso de E. Taunay.


A

Sua Majestade o Senhor

Dom Pedro II

Imperador do Brasil

Senhor,


Ao se render Uruguaiana, inaugurou Vossa Majestade, na América do Sul, a guerra humanitária, a que aos prisioneiros poupa e salva, trata feridos inimigos com os desvelos dispensados aos compatriotas, a que, considerando a efusão de sangue humano deplorável contingência, aos povos apenas impõe os sacrifícios indispensáveis ao solido estabelecimento da paz.

E principalmente sob este pontuo de vista que ouso achar-me autorizado a colocar sob o augusto patrocínio imperial a desataviada narrativa da Retirada da Laguna, obra de constância e da disciplina, em que os oficiais de Vossa Majestade, devendo defender, por entre obstáculos os mais diversos, as bandeiras e os canhões a eles confiados, jamais cessaram, quanto lhes foi possível, de conter o legitimo desforço de bizarros soldados, exasperados pelo furores do inimigo, e obstar à crueldade tradicional de auxiliares índios, vingativos como soem ser.

É este reflexo de um grande ato de iniciativa soberana, a mais bela recordação que jamais poderemos entre camaradas invocar; cabe-nos a honra de a Vossa Majestade dedicá-la.

De Vossa Majestade Imperial

Súdito e servidor, muito humilde e obediente,

Alfredo d`Escragnolle Taunay.


Prólogo


É o assunto deste volume a serie de provações por que passou a expedição brasileira, em operações ao Sul de Mato Grosso, no recuo efetuado desde a Laguna, a três e meia léguas do rio Apa, fronteira do Paraguai, ate o rio Aquidauana, em território brasileiro, trinta e nove léguas, ao todo, percorridas em trinta e cinco dias de dolorosa recordação.

Devo esta narrativa a todos os meus irmãos de sofrimento, aos mortos ainda mais do que aos vivos.

Em todos as épocas largo interesse se ligou às retiradas, não só por constituírem operações de guerra difíceis e perigosas, como nenhuma outra, mas ainda porque os que as executam, já sem entusiasmo nem esperanças, freqüentemente entregues ao desanimo, ao arrependimento de erros ou das conseqüências de erros, precisam arrancar ao espirito, assim preocupado, os meios de enfrentar a fortuna adversa, que a cada passo os ameaça, com todos os seus rigores. Em tais contingências requer-se o verdadeiro cabo de guerra: ali há de se lhe revelar o caracterisco essencial: a inabalável constância.

Vive a Retirada dos Dez Mil em todas as memórias. Colocou Xenofante na plana dos primeiros capitães. Nos tempos modernos vários ocorreram não menos notáveis: a de Altenheim, pelo marechal de Lorge, após a morte de Turenne, seu tio, e que ao grande Condé fez declarar que lha invejava; a de Praga, enaltecedora da nomeada do conde de Belle Isle: a de Plaffenhofen, por Moreau, tida como um dos mais belos jeitos d´armas, efetuados por Turenne; já em nossos dias: a de Talavera, que levou Lorde Wellington, triunfante, a Lisboa; a que honrou o funesto regresso de Moscou e em que o Príncipe Eugênio e o Marechal Ney rivalizaram, em heroísmo; a de Constantina pelo Marechal Clausel e outras menos célebres; mas que, no entanto, pela variedade dos perigos e das misérias, chamam a atenção da história.

Resta-nos solicitar a maior indulgência para esta narrativa cujo único mérito pretende ser o dos fatos expostos. Tiramo-los de um diário escrito em campanha.

Assim nela hão de abundar as incorreções, demasias e repetições; cremos dever deixá-las; são indícios da presença da verdade.

Alfredo D’Escragnolle Taunay.

Rio de Janeiro, outubro de 1868.


Oct. 2, 2018, 3:34 p.m. 0 Report Embed 1
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