Ébrio Hábito Follow story

mliang Feng Min

Harley sempre viveu sob abusos de qualquer tipo vindo do Coringa. Tudo tem sido pior depois que começou a colocar em prática os conselhos de Selina Kyle sobre independência, tanto financeira como psicológica. O que Quinn não esperava é que um homem misterioso surgiria em sua vida para lhe ajudar a se livrar de seu ébrio hábito de aceitar abusos como se fosse algo normal.


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#drogas #abuso #marvel #crossover #soldado-invernal #girl-power #harley-quinn #coringa #dc-universe
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Capítulo único

Era noite e estava frio em Gotham. Mais uma família iria chorar a morte de um pai que perdeu sua vida por uma bolsa cheia de joias. Podiam-se ouvir o ruído de saltos altos em uma daquelas ruas logo após o homicídio. Harley não tinha pressa em chegar a seu destino, com a bolsa de joias em mãos, faceiramente planejava o que iria comprar ao penhorar tudo aquilo.

Andou mais alguns metros, acendeu um cigarro de maconha e começou a fumá-lo. Dobrou a esquina e desceu alguns degraus para chegar ao seu apartamento. O cheiro de mofo não a incomodava mais, o que queria mesmo era se livrar daqueles sapatos. Abriu a porta bem devagar e ligou a lâmpada fazendo que seus olhos ardessem por estar se habituando a claridade. Fechou a porta, deu o último trago e jogou o resto de maconha no chão. Sentou-se no sofá e logo tirou seus sapatos, esticado todos os dedos dos pés.

Pegou a bolsa aveludada que havia deixado no chão e colocou em seu colo. Tirou um colar de ouro com esmeraldas, acariciou-os e disse:

- Estou pegando o mesmo gosto da gatinha.

Começou a pensar a quem pediria para penhorar aquelas joias, teria que ser alguém de muita confiança.

De repente ouviu um barulho vindo do quarto. O cômodo estava escuro, pensou na possibilidade de ser o Coringa que estivesse dormindo ali, mas logo lembrou que havia trocado a fechadura e não havia dado uma cópia da chave a ele. Pegou uma pequena navalha que estava escondida em seu sutiã e entrou no quarto. Quando ligou a lâmpada, ouviu uma risada peculiar e levou um murro nas costas, que a fez cair no chão. Ela se virou para ver o autor do golpe e lá estava o palhaço de Gotham, Coringa. Este estava de braços cruzados e encostado na parede próximo ao batente da porta:

- Como você esquece de me dar a chave da sua casinha?

- Pudinzinho – exclamou Harley enquanto se levantava apoiando-se na cama – Eu troquei faz pouco tempo e não deu tempo de dar uma cópia.

Coringa lhe desferiu um soco fazendo o nariz dela sangrar. Ela colocou a mão no nariz e deixou apenas as lágrimas de dor saírem borrando sua maquiagem. Coringa olhou para a sala e perguntou:

- E o que você foi aprontar dessa vez?

Harley foi até o banheiro para pegar um lenço para limpar o nariz enquanto dizia:

- Eu... Eu preciso comprar algumas coisas pra casa, roupas e maquiagem para mim.

- Por que não pediu para mim? – perguntou ele alisando um dos rabos de cavalo dela – eu daria um jeito.

- Não queria te preocupar.

Em seguida Harley se afastou de Coringa voltando seu olhar para o espelho por alguns instantes. Via ali um rosto de uma pobre menina com a maquiagem toda borrada e o nariz com um hematoma roxo do lado. Ali foi tomada por uma grande vontade de fugir sem rumo, mas sabia que iria acabar nas garras do homem morcego, era o que ela menos queria naquele momento.

Foi até a sala e recolheu as joias que foram deixadas sobre o sofá. Colocou-as com cuidado dentro da bolsa. De repente, sentiu a mão do palhaço na sua cintura. Harley respirou fundo e se esquivou deixando-o desapontado.

- O que há com você? – ele perguntou.

- Estou com sono. – respondeu Harley já sobre o efeito da droga.

- Não faça isso comigo, bonequinha.

Coringa puxou-a pelo braço tentando dar-lhe um beijo, mas Harley se retraiu empurrando-o, nisso ele caiu no chão. Harley deu alguns passos para trás, quando ela pegou o trinco da porta. Coringa se levantou repentinamente e a puxou segurando-a com força. Ela gritou e mordeu o braço dele, mas ele reagiu empurrando-a para o chão. Enquanto ele ia na cozinha para pegar uma arma, Harley se levantou, abriu a porta e subiu com dificuldades as escadas. Quando alcançou a rua começou a correr.

- Harley, onde você está?

Ela se escondeu atrás de uma grande lixeira que havia ali próxima. Foi se esgueirando pela parede orando a Deus para que ele não a notasse. Quando chegou à esquina, Harley começou a correr com os pés descalços sobre o chão molhado da calçada. Ouviu um tiro e se assustou escondendo-se em um beco escuro.

De repente um homem surgiu da escuridão do beco, Harley reagiu pegando um punhal que havia usado outrora ainda sujo do sangue de sua vítima e foi contra o homem. Mas ele segurou o pulso dela com sua mão feita de metal e apenas fez um sinal de silêncio com a outra mão.

- O que você... – Harley tentou completar a frase, mas o homem tapou sua boca com a mão.

---------

Em seguida o homem pegou uma semiautomática que estava em seu coldre, colocou um silenciador e passou a frente de Quinn deixando-a no beco. Ela podia ouvir os gritos alucinados de seu perseguidor, enquanto o homem mirava naquele que a perseguia. Ele atirou, mas Coringa logo correu e se escondeu. O homem foi até Harley, ergueu-a pelo braço e perguntou:

- Como você se chama?

- Por que devo lhe dizer? – perguntou Quinn limpando sua meia-calça.

O homem olhou para o lado com a mão no coldre, mostrando certa impaciência, passou a mão pelos seus cabelos úmidos que tinha o comprimento até o ombro. A escuridão do beco o impedia de vê-la com nitidez. Depois de alguns instantes a ameaçou cravando o olhar nela:

- Se não disse o que quero saber, posso descobrir por outros meios. Levando-te a uma delegacia, tenho certeza que sabem quem você é.

- Você é bem espertinho.

- Diga-me quem é! – grunhiu o homem bem impaciente.

- Sou Harley Quinn – respondeu a palhaça guardando seu punhal dentro do sutiã – e você, valentão? Como se chama?

Ele olhou de um lado para o outro, pegou-a pelo braço e falou:

- Vamos para um local mais seguro.

Os dois começaram a caminhar por aquela Avenida de Gotham a passos rápidos e calados. Harley observava cada detalhe daquele homem que a levava para algum lugar desconhecido. As luzes escassas das ruas que passavam não ajudavam muito para que ela visse cada detalhe deste que, de uma forma ou outra, acabou por salvar sua vida.

Chegaram a hotel mal cuidado, as paredes do hall de entrada não eram tão convidativos. Aproveitando que a recepcionista estava quase dormindo, passaram por ali rapidamente e pegaram as escadas, o quarto era no segundo andar.

Harley entrou primeiro deixando que o homem fechasse a porta atrás de si. Ela foi logo sentando numa poltrona feita de um couro velho e surrado. Sem demora ela se voltou para o homem que tirava sua jaqueta deixando seu braço de vibranium a mostra, o que deixou curiosa.

- Não vai falar seu nome?

- Sou Bucky Barnes. – respondeu a ela enquanto colocava sua jaqueta sobre uma mesinha pequena de madeira disposta do lado da cama.

- Bucky! Que nome imponente! – disse Harley admirada – de onde você vem?

- É uma longa história! Agora me conte o que estava fazendo com aquele maluco?

Harley pegou um cigarro de maconha que guardou em um de seus coldres, estava prestes a acendê-lo, quando Bucky pegou-o de sua mão e jogou pela janela.

- Ei! – gritou Harley se sentindo ofendida

- Aqui dentro não!

Bucky sentou-se na cama enquanto estudava a mulher a sua frente. Roupas bem gastas, cabelos despenteados, maquiagem borrada e um hematoma evidente no nariz que deixou o rapaz incomodado.

- E o que aconteceu com seu nariz? – Ele perguntou quase tocando, mas Harley deu-lhe um tapa na mão.

- Não lhe interessa.

Ela se levantou e foi até a janela, cruzou os braços e focou seu olhar na escura Gotham. Sentiu um nó na garganta, uma vontade enorme de chorar. Deu-se conta de que havia se livrado, pelo menos por pouco tempo, de um louco que havia lhe aprisionado. Nos raros diálogos que teve com Selina, ela lhe mostrara o que realmente Coringa estava fazendo. A loucura havia apagado tudo o que o curso de medicina havia lhe ensinado, tantos valores que lhe fora passado... Estava ciente de que estava no fundo do poço, mas não sentia forças para sair daquela situação. Voltou-se para aquele homem mal o conhecia, porém já sentia uma pequena afeição. Por ele ter lhe salvado a vida? Talvez, mas a consciência lhe veio que estava sendo muito ingrata.

Bucky estava sentado sobre a cama, limpando o seu braço de vibranium enquanto era observado. Ele sabia que estava sendo vigiado e esboçou um pequeno sorriso pedindo que ela não notasse. Harley caminhou até ele e sentou ao seu lado. Bucky olhou-a e ela pediu desculpas.

- Você está mal. Já me senti assim.

- Como? – Harley perguntou atônita.

- Eu também tinha a mente manipulada. Como você!

- Não sou manipulada! – reclamou Harley se levantando.

Ele apenas sorriu e disse:

- Também achava que não era manipulado. Mas um amigo... Ele me ajudou a acordar.

Harley ficou curiosa para saber a história de Bucky, mas de repente uma preocupação persistente a assaltou fazendo com que colocasse a mão no peito e abaixasse a cabeça. Bucky logo notou.

- O que há com você? – ele perguntou.

- Estou pensando como vou voltar para casa.

- Você mora com o aquele palhaço?

- Bem... Ele tem a casa dele, mas sempre está na minha.

- E você acha que vai mata-la?

- Tenho que saber quanto tempo ele ficará nesse surto para eu poder voltar e...

- Acho que está na hora de você deve romper esse ciclo. Como eu consegui!

Harley estava confusa com toda aquela situação. Ainda estava sobre o efeito da maconha que fumara a umas horas atrás e muita coisa havia acontecido. Precisava dormir imediatamente.

Bucky aproximou-se de Quinn e disse a ela:

- Amanhã te conto a minha história. Agora você precisa dormir.

Harley apenas sorriu e começou a turvar sua visão fazendo com que apagasse por completo.

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Quinn podia ouvir o seu nome ao longe e aos poucos estava se aproximando, até que finalmente despertou. Conseguiu identificar a voz aveludada que a chamava.

- Gatinha! – balbuciou Harley ainda acordando.

- Pelo jeito você está melhor.

Harley mesmo deitada estudou o ambiente em que estava. Não era mais o quarto de Bucky, mas o ambiente era bem mais arejado e a janela era bem maior do que a do quarto dele. Harley se levantou devagar e perguntou por ele.

- Foi comprar algo para você comer. Eu me ofereci, mas ele insistiu. – respondeu Selina.

Quinn olhou para sua roupa, vestia um vestido de algodão rosa, os cabelos estavam soltos e sua pele limpa.

- Vocês me banharam? – ela perguntou.

- Eu te dei banho, você estava bem grogue, mas consegui fazer isso. Estava péssima.

- Obrigada – Harley segurou as mãos da gata.

Quinn começou a lembrar de tudo o que aconteceu na noite anterior: a perseguição pelo Coringa e Bucky salvando sua vida. Ela começou a enrolar uma mecha de seus cabelos em seus dedos e começou a temer que Selina poderia entrega-la ao Batman. Se levantou da cama e foi até a cozinha deixando Selina no quarto. Esta foi atrás dela e disse:

- Poderia ter pedido para eu buscar água para você...

- Você vai me entregar para o morcego, não é? – perguntou Harley sem encará-la.

- Por que eu faria isso? Bucky me disse sobre você e o que aconteceu, por isso pediu para que trouxesse até aqui.

Harley respirou fundo, quando ouviu alguém abrir a porta, era Bucky. Trazia um saco de papel e algumas cartas, deixou tudo sobre a mesa indo até ela e perguntando se estava tudo bem.

- Estou bem – respondeu Harley indo até a mesa, olhou dentro da sacola de papel e sentou-se em uma cadeira próxima.

- Vou preparar o café para você. – disse Selina pegando a sacola.

Bucky sentou ao seu lado e perguntou:

- O que pretende fazer agora?

Quinn permaneceu calada enquanto olhava para o chão deixando alguns de seus cachos dourados penderem sobre seu rosto. Bucky continuou:

- Você precisa tomar uma decisão logo ou irá perder sua vida.

- Do que está falando? – perguntou Harley voltando seu olhar pra ele.

- Selina me contou sua história com esse palhaço. Você está presa em um sistema.

- Sistema?

- Sim, você está presa em uma jaula que Coringa fez para você. É um sistema maldito! Você é dependente dele, começando pela área afetiva e foi se alastrando para outras áreas. Você diz que o ama, faz os serviços que ele pede, ele te agradece, mas de uma forma diferente: espancando-te e dizendo que não faz mais que a sua obrigação, te ofendendo com palavras torpes, te exibindo como troféu para os outros. E você se contenta com isso. Justifica-se para os outros que esse é o jeito que ele tem de te amar.

Eu também estava preso num sistema, me transformaram em um monstro, uma máquina para matar, falando que isso era bom. E quando eu voltei a mim pude ver que não era. Quantas coisas erradas eu fiz em nome de algo que colocaram em minha cabeça que era certo. E não era e nunca foi!

Você precisa descobrir quem é a verdadeira Harley Quinn. Tenho certeza que não é uma escrava sexual de um maluco, um saco de pancadas, uma assassina. Você deve achar essa mulher jovial, inteligente, amiga e determinada! Onde ela está?

- Presa em um ébrio hábito. – respondeu Quinn com lágrimas correndo pelo seu alvo rosto.

Bucky tirou os cabelos do rosto de Quinn e secou as lágrimas de seu rosto. Ela se aproximou um pouco mais, segurou o rosto dele com as duas mãos e depositou um beijo casto em seus lábios. Logo os dois se afastaram, Bucky passou as mãos pelos cabelos e disse:

- Acho que estamos indo muito rápido.

- Não conseguia expressar minha gratidão de outro modo.

Cada palavra que Barnes falara, caiu no coração de Harley como um bálsamo. Ela precisava se livrar do Coringa com urgência e já estava certa do que ia fazer.

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Passaram-se algumas semanas e algo que ninguém esperava aconteceu. A polícia de Gotham encontrou Coringa, em um beco, morto com um corte profundo no pescoço. Quem cometeu tal crime não demorou a se entregar, fora Harley Quinn.

Já na prisão, ela recebeu a visita de Selina Kyle. Estava apenas as duas numa sala e Quinn perguntou:

- Onde Bucky está?

- Não tive notícias dele mais esses dias.

As duas sentaram frente a frente e Selina perguntou:

- Por que você fez isso?

- Tentei conversar com ele, mas no fundo eu sabia que ia dar nisso. Ele tentou me matar e acabei enfiando minha navalha na jugular dele.

- Legitima defesa, então?

- Eu juro que foi. Mas agora tem um ponto positivo nisso.

- Qual ponto? Você está presa, Harley!

- Mas estou livre do Coringa! – disse Quinn com os braços estendidos para cima.

Harley havia confessado outros crimes que havia cometido junto com Coringa e desejava pagar todo o débito que tinha com a justiça, para assim começar a desfrutar da sua nova liberdade.

Quanto a Bucky, ela nunca mais teve notícias dele. Mas a gratidão pela presença breve em sua vida estava no coração da nova Harley Quinn.

Sept. 29, 2018, 11:45 p.m. 2 Report Embed 1
The End

Meet the author

Feng Min Cristã, paulistana, amante de astronomia, games e cultura asiática.

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Alana Cordeiro Alana Cordeiro
Eu amei, e sua escrita é tão gostosa de ler <3 Espero que continue escrevendo, eu estarei torcendo por você!
Jan. 27, 2019, 8:25 p.m.

  • Feng Min Feng Min
    Ganhei a semana com esse comentário. Muito obrigada pelo incentivo e fico feliz que tenha gostado do enredo. ^^ Jan. 28, 2019, 5:48 p.m.
~