Short tale
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... e o caos se espalha

[...] faca cheia de manteiga sendo levada até o pão e, em seguida, o pão é levado à boca. Passos ecoam vindos do andar de cima e alguém aparece trazendo um skate embaixo do braço, passa pelo corpo sentado à mesa comendo pão com manteiga e não se dá ao trabalho de cumprimentar.  Pega uma maçã na geladeira e sai.
Um pedaço de maçã se parte entre os dentes, fazendo um barulho baixinho ouvido apenas pelo ser que mastiga aquele pedaço de maçã. Os passos avançam até a porta da frente, um skate é jogado no chão e alguém sobe em cima, deslizando calçada afora, seguindo o próprio caminho. A terra começou a tremer e uma árvore cai, e acaba por esmagar uma pequena rosa branca, tão branca como um copo de leite que acabara de nascer. Aquele era seu primeiro dia sob o sol, e tão de repente, toda a luz se transformou em uma escuridão sem fim.
Pobre florzinha, tão esperançosa, só queria viver, mas a sua vida foi bruscamente interrompida por um skate que deslizava pela calçada. 

A boca saboreia a manteiga em sua língua, tranquilamente, sem preocupações, enquanto uma onda vem mais forte do que o esperado e carrega consigo uma pequena tartaruga, afastando-a do bando. Tão pequena, tão indefesa, sequer se deu conta de quando acabou indo parar na barriga de um tubarão.
Tão previamente destituída de sua vida, por uma manteiga sendo saboreada em lábios que já não sentiam mais nada. 

A borboleta bateu suas asas, uma, duas, três vezes, antes de uma gota de chuva derrubá-la. Mas, já era tarde, veio uma onda, duas, três, e varreu toda a área costeira do continente.
Quantas vidas perdidas, quanta destruição, vindas de um simples bater de asas, de uma pequena borboleta, que nada de mais havia feito até então.
Ela caiu, e veio uma nova gota de chuva, tentou se erguer novamente, mas estava sempre caindo, sempre derrubada, ela queria sair, ela queria voar, mas a chuva, oh, a chuva, não deixava.
Então, ela ficou, desistiu, e a chuva a levou. 

O skate deslizou pela calçada, deslizou pelo asfalto, a chuva caiu, e água a levou para longe, o resto da maçã foi jogado no chão, o vulcão gritou, pedia socorro, queria sair, queria ser livre, se deixar transbordar.
O resto da maçã saltou algumas vezes e o vulcão apenas [...]

Sept. 23, 2018, 2:27 a.m. 5 Report Embed 4
The End

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Lollys Mars Desde 2012 escrevendo altas merdas por ai.

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Kaline Bogard Kaline Bogard
Olá! É a primeira vez que vejo a Teoria do Caos sendo amarrada e desenvolvida tão ao pé da letra! Sim, temos uma série de eventos aparentemente aleatórios, que se somam e culminam em resultados que pode ser catastróficos. Gostei de como usou um tom crescente, onde se tem algo corriqueiro como um pão com manteiga, e termina em descrições quase poéticas! Parabens, texto muito criativo!
Nov. 3, 2018, 5:56 p.m.

  • Lollys Mars Lollys Mars
    muitíssimo obrigada pelo comentário incrível! fico muito feliz que consegui te fazer gostar da história :) Feb. 19, 2019, 6:58 p.m.
Camy <3 Camy <3
Olá! A sua história é muito bacana. Você conseguiu criar um ritmo de leitura muito gostoso, e eu consegui até escutar o barulho das rodinhas do skate na calçada. Sério, ficou muito legal. Venho em nome do Sistema de Verificação do Inkspired. Sua história está "em revisão". Para que ela seja verificada, por favor atente-se aos seguintes apontamentos: 1) "em seguida" deve vir entre vírgulas. 2) "levado à boca" -> deve haver crase, no seu texto não há. 3) "barulho baixinho ouvido apenas", no seu texto está "ouvidos". 4) "calçada a fora" deve ser "calçada afora". 5) "como um copo de leite, que acabara de nascer" (original do texto) -> deve vir sem a vírgula. A frase deve acabar ali. 6) Começar uma frase nova em "Aquele era o seu primeiro dia de sol", ou, ao menos, separá-la do que vem antes com um ponto e vírgula. 7)"bruscamente interrompida, por um" (original do texto) também deve estar sem vírgula. 8) Na frase "A boca saboreia a manteiga...", você repete boca duas vezes. 9) Na mesma frase, você usa "sua", o que dá a entender que se refere ao personagem do skate. A questão é que esse personagem comeu maçã, não pão com manteiga. Minha dica é sugerir por algo mais claro como "na boca daquele que ainda toma café-da-manhã na cozinha", ou "que ainda está sentado em casa", ou sei lá. Só mostra que a câmera saiu do principal, o personagem do skate, e foi para outro. 10) Na frase "Mas então, já era tarde", ou você tira a vírgula ou coloca mais uma depois de "mas". 11) Faltou o artigo "o" antes do último "vulcão". Acredito que você queria dizer "o vulcão apenas". 12) Você utiliza tanto o presente quanto o pretérito na sua narrativa. Mantenha-se num único tempo verbal. Para que sua história seja verificada, responda a este comentário e eu a analisarei mais uma vez ;) Continue sempre escrevendo, o seu ritmo de escrita é realmente muito bom <3
Sept. 24, 2018, 1:13 a.m.

  • Lollys Mars Lollys Mars
    Demorou, mas consegui terminar de revisar, rs. Acho que agora vai. Aprecio muito a atenção, toda critica é construtiva :) Oct. 5, 2018, 1:16 p.m.
  • Camy <3 Camy <3
    Oi! Sua história foi verificada ;) Você só se esqueceu do ponto 3, mas tá tranquilo, é pouca coisa. Sobre o tempo verbal: está bem melhor, mas ainda há uma ou outra frase no presente perdida por ali. Mas, de novo, parabéns pela história! Eu gostei muito dela <3 Oct. 25, 2018, 11 p.m.
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