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monachopsis Amanda Figueiredo

“Não é todo dia que você arranja uma espécie de namorado selkie.” Jikook | JK!top | Fantasia | Oneshot


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#bts #jikook #kookmin #k-pop #selkie
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Capítulo Único


Acordei sentindo um cheiro muito bom e conhecido já. Aspirei um pouco mais, abrindo os olhos com dificuldade, vendo o que já esperava, de certa forma. Os fios rosas estavam bagunçados na minha frente, mas eram do dono daquele cheiro que me entorpecia. Toda vez que Taehyung dissesse “cheiro de peixe com alga morta” eu ficaria ofendido, porque aquilo funcionava de uma forma completamente diferente pra mim. Talvez parte daquela magia toda, talvez porque Jimin fosse mesmo cheiroso e Taehyung apenas tivesse nariz estragado. Ninguém mais reclamou do cheiro dele, pelo menos.

Era cheiro de mar. Era difícil de explicar, principalmente por ter vivido a minha vida toda aqui em Busan, ao lado do mar, e não ver nada de mais no cheiro de maresia. Mas Jimin tinha um cheiro que me inspirava as melhores coisas, um pouco salgado, um pouco quente, um pouco de tudo. E ele estava tão quente quanto a areia da praia ao meio dia, grudado em mim. Se me pedissem pra descrevê-lo eu diria carente, quente e cheiroso, algo que soaria muito errado, mas não ligava porque era a verdade.

Não é todo dia que você arranja uma espécie de namorado selkie.

Eu tive que fazer intensivão de pesquisa porque nunca ouvira falar de selkies. Eram uma versão das sereias muito real. Supostamente Jimin era uma foca, algo que me fez fazer uma careta, mas ele apenas explicou que sua verdadeira forma era muito mais bonita. Se verdadeira forma queria dizer a forma humana, então eu tinha que concordar timidamente. Ele chamava atenção toda vez que saíamos juntos para a praia, algo que ele ansiava quase diariamente. O mesmo não admitia, mas eu sabia que era falta do mar, como se estando na terra nunca fosse o suficiente para ele.

Eu pulara no mar achando que alguém estava se afogando um dia. Era Jimin. Claro que ele não estava se afogando e nunca pude encontrá-lo, mas eu mesmo quase me afoguei. Saí do mar com muito esforço, lamentando que agora os bombeiros teriam que retirar um corpo, jurando que ele estava morto. Mas no outro dia ninguém falou nada sobre isso, enquanto eu jurava que alguém havia morrido ali na baía sim. Fiquei olhando emburrado para o mar, tentando pensar se eu quase me matara à toa e era apenas ilusão mental. Acho que foi aquele incidente que ligou nós dois.

Talvez o mar tivesse visto o meu empenho em tentar salvar um garoto-foca que claramente estava ótimo, e pensou “ah, vou juntá-los”. Como se o mar fosse uma grande mãezona que controlasse vidas alheias, e Jimin ficava realmente zangado quando eu ironizava dessa forma. Ele respeitava o mar, era seu local de nascimento, vida, era tudo que ele conhecia. Acreditava no mesmo como uma espécie de força que movia tudo ao seu redor e controlava tudo. Brinquei que ele parecia um servo do Deus Afogado, mas óbvio que Jimin não entendeu a referência à Game of Thrones. Eu assistia muito seriado mesmo no tempo livre.

Ele passara muitos momentos observando nós humanos na praia e julgava que éramos estranhos demais para receber aquela coisa do destino que ele também respeitava. Ao que tudo indicava, selkies precisavam selar sua alma à de algum humano. Porque o mar era legal e não deixaria selkies viverem em paz sem se prenderem a alguém. Jimin me bateu quando eu disse isso.

Mas foi aquilo que aconteceu. Algo fez Jimin deixar sua pele exposta para que eu a encontrasse. Era estranho falar de alguém tirando sua pele e dando para a outra como forma de magia, mas era uma das partes da lenda selkie que se provara real. Eu encontrara um longo pano de um tecido que nunca vira, dando sopa perto de um rochedo que eu gostava de caminhar sobre. Fora quase ali que eu pulara no mar, vendo uma cabecinha na água, indo e vindo, julgando que alguém se afogava. Era apenas Jimin nadando de boa, claro, mas eu não saberia disso. Mas isso o levou a deixar sua pele para que eu pegasse. Selkies se despiam de sua “pele de foca”, mesmo que aquilo nunca fosse ser confundido com pele de foca, e deixavam para humanos pegarem. Não qualquer humano. E no instante que eu peguei o que julgava ser uma toalha de praia bonita, um verde mesclado com rosa intenso, eu fui pego pela magia do mar safado.

Ela possuía o mesmo cheiro dele. Era bem longa, dava pra se enrolar todo como um vestido. Ao toque deslizava muito bem pelas minhas mãos e eu não a larguei, apenas fui pra casa, segurando-a com força, tentando esconde-la dos outros. Quando entrei no quarto, apenas a escondi bem fundo no guarda roupa, sem pensar muito sobre, voltando pra praia pra esperar. Eu fiz tudo isso de forma semi-consciente. Eu não pensei, apenas agi. Era assim que funcionava aquela magia, você tocava na pele e era movido pela magia a escondê-la. Enquanto eu a mantivesse escondida de todos os outros, Jimin me pertencia. Era horrível, era escravidão, era sacanagem da vida, do mar, dessa magia doida, de tudo de ruim. Mas ao mesmo tempo que Jimin me pertencia, eu era dele também.

No instante que sentei na areia, “esperando vai saber o que”, que meu cérebro foi liberado a pensar por si próprio. Reavaliei tudo que havia feito na última hora, pensando se eu havia fumado maconha sem saber. Eu sabia que deveria recusar os baseados do Namjoon, ele dizia erva da boa, mas aposto que aquilo fodeu meu cérebro e eu agia como robô agora. Eu tentei me fazer acreditar aquilo. Juro. Fiquei olhando para o mar, sentindo um leve desespero me abater, porque eu escondera uma toalha de praia desconhecida no meu armário? E meu cérebro racional dizia que eu tinha surtado, mas o lado emocional havia sido tomado todo pela magia e apenas sussurrava “tinha de ser”. Eu comecei a ter um sério ataque de dupla personalidade ali quando ele apareceu.

Um detalhe foi capturado pelo meu olho esquerdo e virei o rosto para ver aquilo melhor. Era um ponto meio rosa com azul. Era um garoto andando reto na minha direção. Eu não levei a sério, achando que ele passaria por mim. Mas ele me olhava fixamente que eu comecei a surtar de novo. Hobi e Tae fariam questão de fotografar o momento pra me zoarem depois, eu sei. O vento forte que vinha do mar batia nele, fazendo seus cabelos rosas baterem contra seu rosto, mas ele não desviava o olhar. Eu sabia que ele estava ligado à toalha de praia. Será que ele chegaria bravo, “devolve minha toalha que eu sei que você pegou”? Meu drama interno era meio grave quando ele me alcançou e ajoelhou, pondo as mãos no joelho para se apoiar.

- Jungkook? – ele sabia meu nome e isso por si só já era sinistro.

- Eu. – bastante direto sim.

Ele disse algo em outra língua, muito diferente do coreano normal. Não entendi nada, mas fiquei observando, assombrado. E aí ele só me atacou, selando os lábios nos meus.

Eu me joguei pra trás de forma bem teatral, dando uma cambalhota e enchendo o cabelo de areia, me levantei e saí correndo. Eu gosto de lembrar essa cena pensando que não teria feito diferente hoje, apenas teria adicionado mais drama, sabe. Um garoto estranho chega em você, vestindo uma roupa surrada e desbotada, de cabelo cor de rosa, um rosto angelical e te beija. Ah, e ainda sabe seu nome, mesmo você nunca tendo o visto na vida. Eu não condeno minha reação, mesmo que quem tenha visto tenha me achado louco ou algo assim. Eu fui bem normal e são, teria sido pior eu ter aceitado o beijo de um desconhecido louco, então apenas dei uma cambalhota e saí correndo.

Corri boa parte da praia. Passei por umas pessoas que pensaram que eu estava sendo um atleta, talvez. Mas aí me dei conta que eu queria saber quem diabos aquele garoto era. Aí parei e ia voltar correndo pra onde tinha o deixado, mas assustei ao vê-lo parando de correr atrás de mim. Hoje eu sei que a cena foi digna de um filme de comédia, mas eu não ri nada na hora.

O rosto dele estava corado e o mesmo ofegante, mas mantive uma distancia segura de uns 4 metros do garoto. Meu questionário foi longo, confuso, perdido, enquanto Jimin foi solene, claro e muito normal. Ele realmente não parecia ser alguém que viveu anos como foca. Como era estranho pensar nisso. Você batia o olho e julgava ser um garoto normal, mas reparando bem ele não era normal. Longe disso. Como se tivesse algo sobre-humano sobre o garoto e não era o cabelo. Algo sobre aura. Namjoon conheceu Jimin enquanto estava chapado e não parava de dizer que ele era uma fada, mesmo eu nunca tendo dito que ele não era humano mesmo. Pelo menos não 100% humano. Depois que sua maconha acabou eu perguntei se ele lembrava de ter chamado Jimin de fada. Namjoon ficou bem pensativo, olhou pra Jimin e disse que ele apenas parecia bem rosa. Joon só era um gênio quando estava fumando, pelo visto.

De alguma forma eu voltei pra casa com Jimin à tiracolo como uma bolsinha. E ele se tornou minha pochete. Apesar das piadas da pochete cor de rosa, Jimin nunca ligou para essas coisas. Ele estava determinado a ser minha pochete cor de rosa. Nosso humor não funcionava muito bem com ele.

E ele não saía do meu lado. Eu disse para meus pais que ele era um colega de colégio passando uma semana de férias comigo. Eu tinha sorte de ter pais tranquilos que não ligaram quando a semana se tornou 15 dias. Minha mãe estava feliz por ter Jimin ajudando-a na cozinha e elogiando eternamente sua capacidade culinária. E ele ainda aceitava os papos filosóficos sem pé nem cabeça do meu pai, instigando-o a ficar uma hora fora de casa, na varanda, debatendo sobre alienígenas. Da mesma forma que ele me laçara de forma mágica, ele prendeu meus pais em sua teia de sedução.

E droga, aquela teia era meu sofrimento. Parte da magia parecia se referir a eu me sentir irremediavelmente atraído por ele e por tudo que vinha dele. Eu me sentia a Lua orbitando a Terra, não conseguia sair da gravidade que Jimin emitia. E era o mesmo caso dele, sempre emburrado quando eu sumia nos primeiros dias. Era doloroso ficar muito tempo longe dele. Era quase como ficar com fome e saber que tem comida em casa, mas insistir em não ir pra casa. Que analogia sinistra, mas era algo meio assim.

No início essa magia me escravizou bem, me deixando muito perturbado. Quanto mais eu resistia e queria jogar a pele de Jimin no mar, mais eu o observava e queria chorar ao pensar em me livrar da pele. Eu queria sim chorar. Os meus amigos nos observavam fascinados. Taehyung dizia que Jimin fedia, mas andava atrás dele o tempo todo, o que me fazia olhá-lo feio. Namjoon em sua lucidez do baseado ficava falando que Jimin era uma fada que veio para salvar meu coração. Jin o olhava com descrença e apenas soluçava. Hobi e Suga tentavam tocar no cabelo de Jimin, que não entendia porque eles faziam isso, mas eram tudo um bando de maconheiros sem noção. Eu nunca tive amigos são mesmo, mas eles me davam nos nervos às vezes com Jimin.

Então acabei ficando com minha pochete rosa. E conviver com ela era uma grande aventura, tenho que admitir. Alguns detalhes da vida humana Jimin fazia normalmente, acostumado a observar os outros fazendo. Outros ele ficava parado olhando, como se seu cérebro tentasse entender porque fazíamos aquilo. Tive que emprestar algumas roupas, pois ele realmente não possuía nada consigo. Já o vira nu tantas vezes que eu nem dava o drama inicial mais, apenas resmungava pra ele vestir algo. Ficara fascinado com meu sonzinho portátil, pondo todos os CDs que eu tinha lá dentro, passando horas segurando ele enquanto a música tocava. Ele dizia amar a música, não importava o ritmo, mesmo que ele acordasse ouvindo música clássica e terminasse ouvindo pancadão eletrônico.

Enquanto meus amigos ficavam fascinados nos observando, eu ficava fascinado em observar ele. A grande culpa, o principal, era a magia que nos trancafiara naquilo. Mas eu ficava cada vez mais fraco nessa convicção. Como se não houvesse alguma vontade própria no meu gostar dele, algo bem falso. Jimin acompanhava a vida humana ao meu lado e eu acompanhava Jimin ao meu lado. Se o famoso mar criou aquilo tudo então ele não sabia diferenciar relação de obsessão, porque eu estava obcecado.

Um dia minha mãe teve que perguntar o quanto eu gostava do meu amiguinho. Eu não lembro de ter ficado tão nervoso e constrangido antes, mas ela foi bem compreensiva. Eu tive que confessar gostar mais do que o normal e jurei não fazer coisas impróprias enquanto eles estivessem em casa, algo muito racional e que concordei na hora. Por deus, eu mal tinha coragem de ficar todo cheio de toques com Jimin, mesmo que isso acontecesse inconscientemente.

Então não sei o que aconteceu pra eu começar a acordar agarrado a ele, como agora. Jimin estava contra mim, o rosto afundando no meu pescoço e sua respiração ritmada batendo na minha pele. Comecei a arrepiar no instante que percebi isso. Eu estava meio que engolindo ele por conta da diferença de altura, Jimin bem aconchegado dentro do meu abraço. Tentei pensar quando isso ocorreu na noite passada. Lembro de ser algo bem natural, Jimin largou o colchãozinho ao lado da minha cama e passou a deitar ao meu lado. Aos poucos alguma coisa maluca ocorria durante a noite e acordávamos grudados como meleca. Bem romântico, mas eu não prestava para ser romântico, então apenas ficava constrangido e me afastava aos poucos, para não acordar minha pochete rosa.

Me soltei do abraço e levantei da cama, analisando o dia. Tinhamos combinado de ir na praia de novo e hoje estava tão ensolarado que meus olhos arderam com a luz que vinha lá de fora. Olhei para Jimin deitado na minha cama, começando a apertar a coberta no meu lugar e parecendo que ia acordar. Antes que ele pudesse fazer isso, olhei dentro do meu armário a sua pele. Nem Jimin sabia onde eu a colocara e eu quase sempre estava checando se estava segura. A possibilidade de alguém achar aquilo e quebrar tudo era angustiante. Apenas a mera possibilidade já doía, sequer queria pensar naquilo sendo real. Então lutaria para manter a pele bem escondida de todos, eu não estava nem um pouco afim de abrir mão do bolinho na minha cama que já estava girando todo nos lençóis, acordando.

Eu não sei de onde veio o bolinho, mas eu estava ficando sentimental. Apenas corri para dentro do banheiro, tentando me livrar do constrangimento dos meus próprios pensamentos.


                                                              ***


Mal pisei na areia e Jimin começou a correr, minha mão ainda presa à sua, ele me arrastando consigo. Quase caí de cara no chão com o desespero dele, ouvindo a risada de Jin atrás de nós. Algo passou zunindo e vi Hoseok correndo ao estilo Naruto na nossa frente, se jogando no mar quando o alcançou. Jimin foi mais suave e apenas desacelerou, deixando os pés dentro da água.

- Hobi hyung se afogou, vamos salvá-lo! – Taehyung veio galopando e pulou atrás de Hoseok, que ainda não havia emergido.

Namjoon se sentara confortavelmente na areia, ao lado de Yoongi e Jin. Namjoon era a cara do prazer, de óculos escuro e pegando sol, enquanto Yoongi encaixava um guarda sol na areia. Ele tinha arranjado um há algum tempo e nunca vinha à praia sem ele, tamanho pití contra o sol. Mas ele ficava o mais vermelho de todos e sempre reclamava quando decidíamos vir para cá. Já Hoseok e Taehyung competiam castelinhos de areia, me fazendo duvidar de sua idade mental. Jin apenas tirava foto de tudo que encontrava e catava conchas, preso em seu próprio mundo. Agora eu tinha Jimin me arrastando para o mar e qualquer coisa que ele encontrasse ali também.

Cada alga que vinha boiando ele olhava e parecia saudosista, cada concha bonita que achava me dava, cada peixe que achava emergia e gritava um numero. Ele também entrava nas brincadeiras idiotas de Hobi e Tae e ficavam me atacando. Já tive que tirar areia de lugares constrangedores por culpa deles.

Mas por enquanto ficamos os dois de mãos dadas apenas, sentindo as ondas batendo em nossos pés. A calmaria não durou, pois Hoseok saiu da água do nada, na nossa frente.

- Ataque de tubarão! – gritou, animado.

- Aqui não tem tubarão. – respondi, calmo, apenas apreciando o vento e a mão de Jimin na minha.

- Cadê sua imaginação, menino?

- Vai procurar o Taehyung que ele deve ter morrido te procurando debaixo d’água. – acenei, enxotando-o.

- Jungkook is very no fun. – ele fez uma careta, dizendo em seu inglês dolorido.

- O que é very no fun? – Jimin questionou, curioso.

- É o Hobi hyung pagando mico. – falei.

- Pagar mico é passar vergonha, não é? – ele ficou pensativo.

- Aham.

- Mas ele não parecia envergonhado.

- Porque ele não tem bom senso. Apenas ignore-o. – aconselhei, puxando-o para que andássemos na água, seguindo a praia.

A reflexão adorava me pegar nesses momentos em que nos afastávamos de todo mundo. Apesar do sol forte, havia um vento gelado no ar, resquícios do outono, então fiz Jimin usar uma blusa minha de manga mais longa. Eu era bem obcecado mesmo. E isso era assustador.

Ele abaixou com uma exclamação, vendo algo no meio da água e pegou uma concha grande e meio rosada, analisando-a.

- Jimin.

- Hm? – ele se virou pra mim, soltando minha mão e analisando a concha.

- Essa coisa... A magia. Hm. Isso tem algum prazo de validade? – perguntei meio sem saber como o fazer. Aquilo o fez desviar a atenção pra mim, já eu estava meio ansioso e olhava para o mar.

- Nada é realmente certo. – ele iniciou, parecendo pensar nisso pela primeira vez também. – Eu não sei. Acho que quando Ele criou isso ele esperou que fosse durável. – Jimin olhou para o mar que batia em suas canelas.

- Ah, o mar. – dei um risinho e o tapa que ele me deu não falhou. – Mas... se sua pele ficar comigo para sempre... – ele continuou olhando para o mar. – Eu não estou te sequestrando do mar não? – hesitei.

- Apesar de ter nascido aqui, metade da alma pertence à terra. Se não fosse assim eu não seria capaz de me tornar humano. – ele sorriu.

- Mas você sente falta, eu posso ver isso.

- Acho que todo mundo sente falta de casa quando se muda. – ele falou, cuidadoso, mexendo na concha.

- Mas você realmente tem certeza que não falta nada...

- Jungkookie. – ele me chamou, me fazendo parar com o drama que já começava. – Porque faltaria algo?

- Eu não sei, alguma coisa. – eu deveria estar arregalando os olhos numa careta, ficando estressado, até ele me fazer segurar a concha entre suas mãos, arrancando um riso dele. Ah, aquela risada. Já podia sentir o Jungkook satélite entrando em ação ao lado do Jimin sol.

- Porque eu poderia querer alguma outra coisa além disso? – ele perguntou, mordendo o lábio inferior.

- Isso tudo é muito louco. – dei uma risada nervosa. – E intenso. Eu realmente não sei lidar com isso. Mas, enfim, quero agradecer ao tio mar... – recebi outro tapa. – Desculpa, seu mar, por favor não me bata. – pedi, mas ele agarrou meu braço, como se me ameaçasse. – Parei. Mas fico feliz de ter quase afogado naquele dia. Isso soou tão estranho.

- Soou sim.

- Mas... De certa forma fez isso acontecer. – eu não conversava realmente sobre o que estava sentindo com ele, era como se em matéria de sentimentos eu travasse, então aquilo estava bem acumulado dentro de mim. – Eu fico feliz. – mais secão e direto que eu? Apenas Yoongi, mas eu pelo menos tentava. – Estou feliz. – consertei. – Deu pra...

- Eu também. – ele sorriu.

- Obrigado por ter deixado a toalha de praia pra mim. – brinquei.

- Que?

- Sua pele, parece uma toalha de praia.

- Isso é bom ou ruim? – ele ficou confuso.

- Bom. – apertei suas mãos sobre a concha. – Eu não queria que ficasse corrido, mas a situação por si só é corrida, então... – eu falava sem parar quando nervoso, me aproximando dele e o beijando ela segunda vez.

Era engraçado pensar que a primeira vez que nos vimos nos beijamos. Ou melhor, ele me beijou e eu saí dando cambalhota para trás. Nenhuma das duas foi uma primeira impressão muito boa, e desde aquele dia eu evitava que isso ocorresse de novo. Eu mal lembrava de como fora o primeiro, só sabia que fazia quase três semanas que encontrara Jimin e convivíamos. Parecia um bom tempo para pedir alguém em namoro. Mentira, eu não tinha a mínima noção dessas coisas, mas o coração diz, faz drama, grita e eu estava cansado de ficar apenas resistindo e afastando o tempo todo. Eu não conseguiria escapar daquilo e não tinha vontade na verdade. Então parei a luta idiota.

Jimin nunca teria o cheiro de “peixe e alga morta”, assim como eu nunca sonharia em duvidar que seu gosto era tão bom quanto seu perfume natural. Seria parte da magia atuando? Não parecia importante saber, não faria diferença. Apenas era bom, muito bom beijá-lo. Apenas selei inicialmente nossa bocas, voltando para beija-lo melhor dessa vez. Ele pegou meu ritmo em instantes, devolvendo as carícias e aconchegando contra mim, que já o abraçava com força. Agora eu me sentia calmo, relaxado e tranquilo com ele ali, tão perto. Chutando com força as inseguranças sobre aquilo tudo e apenas deixando a mente livre.

Como diabos eu esqueci da memória de sua boca contra a minha? Soava tão errado, mas era deliciosa sim. Levei uma mão até seus cabelos, eram macios, mas a verdadeira maciez estava em sua pele. Eu poderia deslizar por todo ele com prazer, como manteiga, e isso soava cada vez mais errado em um local público. Mas respirando pelo nariz e mantendo beijo era vital para mim naquele momento, sem raciocinar muito mesmo. Quem se importa com regras sociais quando beijava Jimin, sentindo sua língua ir de encontro a minha, piorando a situação toda e deixando-a parecer mais errada ainda aos olhos alheios. Eu já estava brigando internamente, porque não o beijara antes? Ele estando tão próximo, mas nunca o suficiente, porque eu era masoquista, mas qual a lógica da vida enquanto Jimin te beija?

Qual é o meu nome mesmo?

- Caramba, isso ta sendo muito gay. – ouvi Hoseok comentar. Me afastei relutante de Jimin, olhando para o intruso que estava atrás dele, nos observando divertido.

- Sai de perto que eu sei que você bate uma pensando no Taehyung. – rosnei contra o pescoço de Jimin, senti-o rir um pouco debaixo das minhas mãos, parecendo constrangido.

- Jungkook is very no fun. – ele repetiu aquilo, me olhando feio.

- Isso é sério, hyung? – Taehyung surgiu do nada, encarando Hobi chocado.

- Você vai acreditar nele? – Hoseok gritou, nervoso.

- Ele ta nervoso, isso é a prova, saiam daqui. – chutei água na direção dos dois.

- Ai socorro que o hyung bateu uma pensando em mim. – Taehyung saiu gritando, correndo pelo mar, chamando atenção dos outros que estavam tranquilos na areia.

- Taehyung, cala a sua boca! – o mais velho foi atrás dele, e agradeci por Taehyung ser bocudo e exagerado, distraindo todo mundo para ele.

Eu ainda tinha Jimin em meus braços, seu rosto parecia aconchegado em meu ombro, a diferença de altura perfeita para isso. O cheiro da maresia se mesclava ao dele, mas o calor que me atingia era o dele. Se Jimin era minha pochete rosa, eu era o satélite dele. Eu me sentia bem. Eu me sentia completo.

Enquanto tentava me mesclar ao menor, eu olhei para o mar.

“Obrigado”, pensei sem muita ironia dessa vez. 



Sept. 19, 2018, 12:24 a.m. 0 Report Embed 0
The End

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Amanda Figueiredo monachopsis: o sutil, mas persistente sentimento de estar fora de lugar. Jimin bottom e gravidinho squad🐣

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