At the edge of our sin Follow story

hernameis Lawliette

Sete. Esse é, para muitos, o número da sorte. Há aqueles que o prezam e sempre o escolhem quando algo relacionado à sorte e números surge. Mas também há histórias em que este número em especial apenas traz medo, um presságio para uma maldição. Ou ainda existem casos que sete não passa de um número qualquer, usado para indicar quantidade. Como por exemplo, a quantidade de adolescentes envolvidos em um caso enterrado entre muitos outros. Satoru e Larysse são dois adolescentes com um sonho em comum: sair em uma jornada Pokémon. Ir para longe, realizar os sonhos não permitidos pelos pais, que até o momento julgaram ser algo perigoso demais para crianças como os dois. Subitamente, alguma coisa muda nesse julgamento. Sem aviso, recebem um Pokémon e a permissão para sair, com a única condição de que sejam acompanhados por uma garota mais velha. E é aí que começam a duvidar se é isso que realmente desejam. Alyss, ao contrário deles, tem um motivo completamente diferente para sair em sua jornada. Há pessoas com quem deve se encontrar. Agora, Altaris? Possuí segredos demais. Seus Pokémon e seus motivos para sair estão aí para provar. Sete adolescentes distintos, diferentes uns dos outros, seja em aparência ou objetivo. Mesmo que houvesse algo em comum entre essas pessoas, isso não significaria nada. Porém, pode ser que apenas uma semelhança seja o suficiente para reunir essas pessoas e finalmente completar o número da sorte. Sete.


Fanfiction Anime/Manga For over 21 (adults) only.

#yaoi #erótico #tentativa-de-suícidio #depressão #pokémon #jornada #universo-alternativo #personagens-originais #estupro
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Prólogo

O som foi alto e claro, ecoando em seus ouvidos como se sua única função fosse tirar um cenho franzido do homem. Ainda assim, continuou a bater os dedos contra a mesa, por vezes bufando de puro aborrecimento. Devia fazer algum tempo que estava ali, apenas esperando pela chegada de um cliente que, a esse ponto, já estava muito, muito atrasado.

Por ele, já teria saído dali para fazer qualquer outra coisa que fosse mais interessante que bater os dedos na mesa (incomodar algum dos pesquisadores, por exemplo). Mas não, ele tinha recebido ordens claras para ficar ali e esperar, não importando o quanto seu cliente demorasse, e ele sabia o que aconteceria caso não esperasse pelo menos algumas horas. Idiotice. Perda de tempo. Era provável que o cara nem ao menos tivesse saído de casa, então porque ele, uma pessoa muitíssimas vezes mais importante, tinha que ficar ali esperando?

O homem de preto, porém, havia chegado a um ponto em que já não havia mais meios de continuar ali, quanto mais dar atenção a parte de sua mente que avisava sobre as consequências de desobedecer às ordens recebidas. Sua paciência não aguentaria mais tempo.

Por isso, não fez cerimônias em se levantar da cadeira, quanto mais de dar as costas para o escritório vazio. Houve alívio quando bateu a porta, e durante um momento, o homem se permitiu suspirar antes de seguir seu caminho.

Caminhou pelo corredor branco, dobrando o próximo à sua direita, onde se encontravam incontáveis portas. Deste corredor, virou à direita novamente, e continuou encontrando novos corredores, onde alternou seu caminho diversas vezes, sem nem ao menos olhar para onde ia.

Minutos depois, encontrou um novo e último corredor, tão grande quanto os outros. A única coisa que o tornava diferente era a ausência de portas, a exceção sendo uma única no fim do corredor. Feita de ferro, ocupava praticamente todo o espaço dali. Ao seu lado, havia um painel de segurança, com um espaço para um cartão, logo ao lado de um painel numérico. Foi para este que, do bolso de seu manto negro, puxou um cartão branco, ao mesmo tempo que retirava uma de suas luvas.

Uma vez aberta a porta, teve de caminhar novamente por outro corredor, idêntico aos últimos. Era no fim dele que ficava a sala dos pesquisadores.

Ignorando o restante das pessoas ali presentes quando enfim chegou, o homem de manto negro percorreu os olhos pela sala até pousar numa pessoa em especial que, assim como as outras, parecia extremamente concentrada no que fazia.

— Como vão as coisas, Anne? — perguntou ele, deixando que uma das mãos lhe tocasse o ombro com delicadeza antes de apertá-lo levemente, seu pequeno cumprimento à mulher em frente ao computador.

Surpresa, Anne estremeceu. Encarou o rapaz com os olhos verdes arregalados, piscando diversas vezes. Em seguida, o aborrecimento percorreu seu olhar, e Anne não demorou a se remexer na cadeira.

— Estão bem, acho — respondeu. — Já terminou a reunião com seu cliente?

— Nah — disse ele, voltando a tocar-lhe o ombro, o que fez com que Anne o encarasse mais uma vez, desejando fuzilá-lo apenas com o olhar. Em resposta, o homem sorriu, exibindo o que ela definiu como desafio em seu olhar. — Ele demorou demais. Cansei de esperar e então voltei.

— Ah. — Assentiu. Parecia não compartilhar o mesmo desejo de conversar que ele possuía, a julgar pelo tom de voz usado. Ao invés disso, remexeu-se na cadeira mais uma vez, recebendo um segundo aperto no ombro, desta vez mais forte que o anterior.

A resposta de Anne, no entanto, não foi o suficiente para impedi-lo. Logo, sua voz soou novamente, dessa vez com um tom mais sério, e até mesmo um pouco baixo:

— E... Como vão os experimentos?

— Ah... — Franziu o cenho, hesitando em responder. — Vão um pouco... complicados.

— Como assim?

— Não tivemos muito progresso desde a última vez. Parece que estamos desperdiçando cada vez mais cobaias.

— Hmm... Não teve nenhum progresso em descobrir como fazer funcionar de novo?

Balançou a cabeça em reposta.

— Também não.

— Estamos sem sorte mesmo, hein? — Deu um sorrisinho, mas não pareceu achar graça em suas palavras. Ainda assim, Anne correspondeu, dirigindo-lhe um sorriso rápido e vago. — O que acha de tentar testar nas crianças também?

Ela hesitou, parando por um momento. Os olhos ainda encaravam a tela do computador, mas, ao contrário de antes, não parecia estar lendo o que este lhe mostrava.

— Eu... Não acho que seja uma boa ideia — disse, por fim, a voz soando um tanto mais falha do que gostaria. Em seguida, a jovem estremeceu, parecendo temer a opinião do homem de preto quanto a sua resposta.

Contudo, o olhar do rapaz parecia possuir um quê de dúvida e hesitação, como se o próprio considerasse a ideia um tanto arriscada. Ambos sabiam muito bem o que havia acontecido desde a última vez. Sabiam que, assim como fora difícil antes, seria agora, e embora precisassem de um pouco mais de experimentos, não podia continuar naquilo, sem nenhum progresso e perdendo cada vez mais recursos sem nem ao menos conseguir uma informação a mais.

— Não vai ser tão difícil assim, Anne.

— Claro que vai ser. São crianças! Onde você acha que podemos conseguir alguma que os pais realmente vão permitir algo assim?

— Aqui mesmo, ué.

— Como assim...?

— Você e seu marido não tinham um filho? Então.

Anne franziu o cenho longamente, e girou a cadeira para encará-lo.

— Está dizendo pra usarmos nossos filhos?

— Bingo! — respondeu, sorrindo. Os olhos de Anne se arregalaram de surpresa, pouco acreditando no que acabara de ouvir.

— Você é louco? Acha que alguém ao menos vai permitir que o próprio filho participe disso?

— Bem, não precisa ser o filho. — Sorriu novamente, voltando a lhe tocar o ombro, arrancando de Anne um longo resmungo. — Pode ser o primo, irmão, sobrinho, ou qualquer um que conheça. Até as crianças daqui servem.

— Não vejo como alguém possa querer oferecer o filho ou alguém da família pra algo assim.

— Devia perguntar pro seu marido então. Ele quem deu a ideia.

— O que...? — Ela piscou. Momentos depois, os tons de surpresa coloriram seu rosto. — Do que está falando? Meu marido nunca ia fazer nada do tipo. Não sem me falar antes.

O homem apenas sorriu, contrariando completamente a expressão confusa que seu rosto possuía.

— ...Não? Não foi o que me pareceu.

— O-O que está dizendo...? — A surpresa que se seguiu com essas palavras foi grande demais, levando-a, mais uma vez, piscar diversas vezes, como se apenas esse gesto fosse revelar que estava em um sonho, um onde aquelas palavras não possuíam esse tom de verdade. Como nada aconteceu, preferiu esperar, desejando que o homem de vestes negras fosse anunciar a peça pregada e então rir. No entanto, este também não pareceu ser o caso. — Não, ele não faria isso, ele...

— Então porque não pergunta? A reunião já vai acabar mesmo.

Pousou seus olhos sobre ele, fazendo um breve sinal com a cabeça, parecendo negar sua sugestão mais para si mesma do que para o homem de preto a sua frente. Queria lhe dizer que estava mentindo, apenas brincando para assustá-la, como já fizera diversas vezes antes. Conhecia seu marido. Sabia que ele não iria fazer nada do tipo sem consultá-la primeiro.

Contudo, uma pequena parte de sua mente pareceu fazer questão de lhe lembrar que isso não era, de todo, verdade. Já perdera a conta de quantas vezes o marido tomara uma decisão importante sozinho, apenas lhe dizendo quando já não poderia argumentar e desfazer o que fora decidido. Desde coisas simples, como comprar algo novo para a casa, até coisas mais sérias, como a posição e o emprego em que se encontrava agora. E, dentro dessas coisas sérias, poderia facilmente incluir...

...Seu filho como cobaia.

Sem pensar, Anne levantou-se da cadeira giratória de seu computador, dando as costas para o homem sorridente. Claro que em situações normais, julgaria ser melhor pensar antes de deixar seu posto daquela forma, ainda mais num horário como este e para resolver assuntos pessoais. Todavia, tal coisa era algo sério demais para simplesmente se iludir com uma falsa confiança. E se, caso resolvesse ceder ao lado que chamava a si mesma de boba por estar tomando aquelas ações e descobrisse que esse não era o caso? E se esperasse demais e descobrisse que já não teria mais volta? Ou, pior, e se já estivessem...? Seu filho poderia...

Não, Anne não queria aquilo. Não permitiria que o fizessem. Impediria-os de qualquer maneira.

E o faria agora mesmo.


Sept. 12, 2018, 6:03 p.m. 0 Report Embed 0
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Lawliette Aqui, sentada no silêncio, escrevo.

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