Crônicas de Penina - Livro 1 - Os desenhos de Cornélio Follow story

matthewgreek Matthew Greek

O segredo que separa a realidade e a imaginação pode ser bem mais sensível do que todos pensam – chegando até a ser palpável –, e Cornélio, um famoso escritor escocês, tinha isso como lema de sua vida e de suas obras... até seu último suspiro. Depois de sua morte, o avô de Cristine - uma menininha bem mais esperta e madura que as garotas de sua idade - a deixa o que ele descreve em seu testamento como sendo seus "bens mais preciosos". Mas, ainda inconformada com a morte do avô, a garota de apenas 14 anos nem dá muita atenção ao caderno cheio de valor sentimental, nem muito menos a recomendação que ele a deixou quando enfatizou: "não o deixe aberto". Contudo, as consequências disto farão Cristine descobrir coisas além do que é seguro para a sanidade, pois acompanhada de um ilustre Bobo-da-Corte, ela terá que sobreviver ao mais delicado momento de uma fortaleza até então promissora, e aos planos audaciosos de Malcon, um vilão muito misterioso que planeja desequilibrar toda Penina só para alcançar o Muro da Realidade, que equilibra o real e o imaginário. Em meio a toda essa confusão, Cristine irá descobrir coisas sobre seu avô, sobre seus amigos e, principalmente, sobre si mesma, que a farão se tornar muito mais forte, pois aceitando ou não, todos à sua volta contam que a neta de Cornélio possa ajudá-los contra o futuro que Malcon planeja trazer sobre a débil separação que há entre realidade e imaginação. Assista também ao book trailer do Livro 1 - https://youtu.be/6V05SelqJfY



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Prólogo

(Ao norte de Penina)

PAREDÃO DE ENGOR, EM PENINA.

Trovões anunciavam tempestade pela frente. O céu se fechou, de repente, em nuvens negras e densas, e tudo em volta se encheu de um vento frio, mórbido, que assobiava tão sorrateiramente que poderia facilmente ser prenúncio de morte...

Poderia facilmente.

Então um relâmpago palpitou assustadoramente claro, entre as nuvens, e foi quando Festos irrompeu da escuridão, correndo com todas as suas forças, ofegante e assombrado. Era um velho de cabeça branca, altamente magro e de olhos quase a saírem pelas órbitas. Sua capa tremia conforme a correria e o vento, como folhas de uma grande árvore exposta ao vento. A julgar pela determinação e o empenho, que já quase o deixavam sem forças, Festo definitivamente sabia onde tinha que chegar... e parecia querer isso mais que tudo.

Não parou.

Nem pararia.

Atrás dele, outro relâmpago preencheu o céu. O descampado rochoso em volta foi rapidamente iluminado pelo flash, mas logo tudo voltou ao breu. Seus pés rápidos pisaram numa densa poça quando os primeiros pingos de chuva começaram a cair. Na noite fria, seus suspiros de cansaço e seus gemidos de desespero eram os únicos barulhos antes da chuva, e então tudo em volta mergulhou em pingos d'água. O barulho dos gotejos prevaleceu e logo Festos se tornou apenas um vulto desesperado a correr em meio a chuva.

Não demorou e um grande paredão rochoso surgiu à frente. Era um enorme penhasco, porém, visto de baixo. À medida que Festos se aproximou, a proporção entre ele e a altura do paredão foi se tornando mais nítida. Era imenso, porém, na atual conjuntura, isso era o de menos, pois em sua carreira exaustiva, o velho estava determinado mesmo era em alcançar a base do paredão, o que ele conseguiria sem interrupções, caso tivesse visto uma enorme pedra em seu caminho, que a escuridão em volta não permitiu.

Festos, então, torpeçou e caiu.

Gritou e sua capa o fez parecer uma bola de panos a rolar. Tentou se recompor rapidamente, a fim de não ser alcançado – pois era o que mais temia. Olhou por sobre o ombro e não viu nada além do breu – o que era tão preocupante quanto ter visto algo. A quietude pode despertar muito mais medos, mas talvez sua corrida o tivesse dado uma boa vantagem afinal de contas, embora preferisse não apostar nisso.

De bruços ainda no chão, ofegando muito e com bastante água a lhe escorrer pelo rosto, Festos apalpou as pedras abaixo de si, todas molhadas. Suas feições enrugadas estavam apavoradas, mas a sanidade ainda o permitia agir. Em sussurros, ele disse:

– Me ajudem... isso é uma ordem! Ponham-se em defesa... estamos sob ataque...

Suas mãos estavam abertas no chão, e delas pareceu sair certa energia. De repente, as pedras grandes e os pedriscos começaram a se rastejarem na direção da qual Festos tinha vindo. Sem esperar pelo que aconteceria, ele se pôs de pé e correu novamente, e dali não demorou para alcançar o sopé do penhasco. Havia um caverna ali, com uma entrada discreta, agora toda úmida, mas inconfundível para Festos àquela altura de seu desespero.

Assim que ele entrou por ela, parou e virou-se. Sua roupa molhada parecia pesada e já não esvoaçava mais. A cortina de chuva deixava tudo embaçado, meio branco, quando ele olhou na direção da qual tinha vindo. Então, sem perder de tempo, Festos moveu seus braços como se puxasse algo invisível, e com os dedos a mover-se, sussurrou entre a exaustão:

– A falta de precaução gera o perigo, mas eu sou Festos, o Místico, e não vai ser um deslize mediano que vai me entregar nas suas mãos, seu espúrio maldito! Não sem lutar!

Como tinha acontecido antes, grandes pedras e pedriscos espalhados ali em volta começaram a atender aos puxões invisíveis dos braços de Festos. Vieram rolando de todas as direções e, sob a densa chuva, começaram a tapar a fenda de entrada. Uma sobre outra. Finalmente ele estaria seguro... finalmente poderia pensar numa reação adeq...

Mas a sensação de segurança durou pouco. Um grito estridente ecoou ao longe, autoritário e cheio de ira:

– FEEEEESTOOOOOS!

Nem mesmo o barulho da chuva foi suficiente para engolir aquele anúncio de ira. Ecoou pela noite, reverberando nos paredões do penhasco. O Mago estremeceu – mais de surpresa do que de medo, pois não esperava que seu perseguidor já estivesse tão perto.

– Rápido! Rápido! – ele sussurrou, com alarde, como se falasse com as pedras.

Porém estas ainda se encalçavam umas nas outras, formando uma grossa camada protetiva, e já quase terminavam quando um clarão emergiu entre a chuva e voou de encontro a elas. O choque impetuoso causou um barulho imenso e uma explosão. Muitas se estilhaçaram, fazendo Festos recuar com o braço tapando o rosto. O Mago preocupou-se, mas, por sorte, a camada que já tinha se formado resistiu bem ao impacto e logo a perda estava reparada, não sobrando tempo para um segundo ataque: a fenda então fechou-se!

Silêncio.

Festos finalmente respirou aliviado. Ali dentro, só seu ofegar era audível. Todo seu corpo tremia e parecia esgotado. Sua idade já não permitia tamanha exaustão. Do lado de fora, foi possível ouvir outra investida como a de antes. A barreira de rochas estremeceu, e ele sabia que ela não resistiria por muito tempo – pelo menos não quando seu perseguidor chegasse mais perto. O Mago, então, apoiou umas das mãos sobre as pedras e sussurrou outra vez:

– Recomponham-se... rochas são quebradas, mas jamais desintegradas... refaçam-se, reagrupem-se, remontem-se... protejam-me!

Do lado de lá da barreira, Festos não estava vendo, mas os pedriscos que estavam sendo estilhaçados, rastejavam-se novamente para se por em defesa da caverna. O problema era que, a cada novo ataque, os estilhaços se tornavam menores, e portanto, menos resistentes.

Acreditando ter ganhado bom tempo, Festos entrou caverna a dentro, ainda apressado. A fissura era sinuosa, mas no final ampliava-se num local bagunçado, iluminado por velas, com livros, pergaminhos, artefatos, objetos e milhares de miudezas espalhados por todo lado, com um cheiro muito forte de poeira.

Assim que Festos chegou ali, uma mulher magra, bonita, de pele fina e olhos miúdos, usando um vestido de musgos e com a cabeça envolvida por cipós, se aproximou dele. Ela estava tão quieta e serena entre a bagunça, que se não tivesse se movido, seria imperceptível.

– O que houve? – ela perguntou, tranquilamente.

Diferentemente dela, Festos estava agitado. Mexia sobre as mesas, respirava compassado, de olhos arregalados. Virou-se para ela com espanto e anunciou:

Ele nos achou!

– Ele? Ele quem?

– Você sabe. O espúrio. O maldito espúrio entre os Magos! Eu não sei como ele fez, mas conseguiu se tornar poderoso e agora estamos sob o ataque dele, Lila.

– Mas... – A mulher pareceu confusa. Devolveu o livro que segurava à mesa mais próxima. – Mas... por que você não o enfrentou?

Festos andava de um lado para o outro, procurando sabe-se lá o quê.

– Eu tentei, eu tentei, mas... – o Mago deu uma pausa e suspirou; parecia frustrado. Pegou na cabeça. – Eu deveria ter atendido ao chamado de Elcana, naquele dia, Lila... talvez ele quisesse me alertar para isso, talvez pudéssemos ter nos precavido... Agora tenho quase certeza que os Gran-Magos estão por um fio!

– Não, meu amo, não diga isso! Enquanto houver vida, lutaremos! – A mulher pareceu determinada, mas Festos não encarou aquilo como nada além de palavras inocentes, talvez porque ela ainda não tivesse visto...

Sem muito ânimo, o velho Mago a encarou e pediu com súplicas:

– Imploro que você se transfigure quando ele entrar, Lila. Fique quieta, independente do que aconteça. Por favor.

– Não! Claro que não – ela tentou se opor, mas Festos reafirmou, pegando em suas bochechas:

– Lila, você foi a melhor fada que um Mago poderia ter como druida. Nos seus anos de servidão a mim, nunca a obriguei a fazer nada que não quisesse, mas hoje eu faço isso sem pesar. Você sabe que não pode quebrar uma ordem minha, por isso ouça: transfigure-se e permaneça quieta, isso é uma ordem. Depois de tudo, procure Elcana, o Jovem. Ele saberá o que fazer.

– Mas, meu amo...

Nesse momento, um estrondo irrompeu pela caverna vindo da direção de entrada. Festos a encarou e disse com ainda mais alarde:

– Ele conseguiu passar minha barreira. Agora faça como mandei. Vá!

Sob um olhar de contragosto, e contra suas vontades, Lila recuou do velho Mago e os musgos que formavam seu vestido começaram a formigar e a dominar o restante do seu corpo; ela foi diminuindo no ar. Asas brotaram e, em segundos, ela se tornou miúda e verde, completamente coberta de musgos – exceto as asas. Festo a encarou, dando um aceno de confirmação, e Lila, mesmo sem querer, voou, sumindo entre as coisas.

Só houve tempo para isso e então o intruso apareceu, caminhando lentamente e completamente molhado. Festos recuou ao vê-lo, mas o intruso permaneceu na escuridão, oculto. Sem ser visto, ele parou e encarou o Mago assustado, mesmo que em sua aparência, não houvesse olhos.

– Já vi você executar magias mais poderosas que esta, Festos – disse secamente, referindo-se a barreira. – Pedras para me atacar e depois uma barreira? Não poupe magia comigo, seu Mago miserável.

– Conheço magias tão antigas quanto este reino, Malcon – o Mago disse, mantendo-se firme. – Mas nenhuma delas merece ser usada contra você.

– Então prefere morrer levando cada uma delas para o túmulo?

– É isso que você vem fazendo? – Festos inquiriu, aproveitando a oportunidade para descobrir mais sobre seus planos. – Vem matando todos aqueles que não te servem de aliados?

– Não, não – Malcon negou, fria e cinicamente. – Todos não, só os detentores de maior poder. Em outras palavras, apenas os Magos. Vocês é que são a ameaça. Felizmente, não são uma ameaça numerosa. Dos quatro Magos que existiam, já matei dois. Você será o próximo.

– Maldito! – Festos praguejou, sem se conter com a confirmação da morte dos amigos. – Não vai haver equilíbrio nenhum sem os Gran-Magos. Seu plano de destruir o Muro da Realidade vai falhar!

– É aí que você se engana. Meu plano não é tão simples, e mais, não haveria equilíbrio se todos os Magos fossem extintos, mas esqueceu que eu sou um espúrio, Festo? Sou um Mago-não-planejado. Mesmo sem Zofim, Baru, Elcana ou você, o equilíbrio ainda vai existir enquanto houver meu sangue.

– Você não pode garantir isso, Malcon. Você é um espúrio e não possui sangue puro. O equilíbrio pode ficar fragilizado, talvez até instável.

Malcon permaneceu indiferente.

– É um risco que estou disposto a correr. Afinal de contas, eu sempre tive aptidão pra me reinventar no caos. Garanto que, caso aconteça, Penina sofrerá, mas eu regerei isso com prazer.

– Você está louco! – praguejou, inconformado. – Pode até ter conseguido matar Zofim e Baru, e por um descuido, ter me encurralado, mas Elcana escapou das suas mãos, todos já sabem, e você sabe muito bem do que ele é capaz. Sua rebelião não vai chegar longe, Malcon, você não vai sentir nem mesmo o cheiro do Muro da Realidade... – determinou.

Dito isto, Festos abriu as mãos na altura da cintura e alguns livros ao redor passaram a levitar em ambos os seus lados. Não tinham nada de incomum, eram apenas livros abertos com folhas em branco, mas Malcon parecia saber seus significados.

– Essas suas prisões não me põem medo. Baru tentou usá-las, e eu já sei como funcionam. Tente magia de verdade...

E sem dizer mais nada, Malcon ergueu as mãos e, mexendo um dos dedos, apontou na direção de Festos. O Mago não perdeu tempo em reagir e logo mais e mais livros passaram a levitar em volta, como que o protegendo. Com um puxão de braço, Malcon fez algumas mesas e objetos em volta voarem na direção de Festos. Tudo virou uma bagunça na caverna. O velho Mago se abaixou rapidamente e pôs as mãos sobre a cabeça; com isso, os livros se fecharam em volta dele e o cobriram como uma cúpula. Os objetos bateram contra ele e não surtiram dano.

Malcon não gostou. Imediatamente tocou na parede ao seu lado e certa energia passou dele para a rocha, então, sobre a proteção de Festos, várias pedras desabaram. Alguns dos livros se rasgaram e não permaneceram ali, por isso o Mago percebeu que seria melhor tentar outra coisa. Voltou, então, a se erguer e os livros se espalharam por todo o ambiente, como se explodissem.

Malcon novamente transferiu magia para a rocha e então enormes estacas de pedra saíram das paredes e investiram para transpassarem o velho Mago. Este agiu rápido e, como com uma corda invisível, puxou um dos livros para diante de si, entre a estaca e o seu peito, centímetros antes dela atingi-lo. Ao perfurar o livro, a rocha pontiaguda não saiu pelo outro lado, como era de se esperar. Pelo contrário. As folhas do livro brilharam e a ponta sumiu como se passasse por uma porta, ao invés de um livro.

– Terá que fazer melhor que isso, Malcon – Festo gritou, estendendo a mão e lançando na direção dele um outro livros, que se abriu e, para surpresa de Malcon, lançou para fora a estaca rochosa que ainda estava passando pelo livro aberto.

Diferente da dificuldade do Mago, Malcon apenas colocou a mão aberta diante de seu rosto e a rocha se fragmentou. Houve um silêncio depois do truque. O livros voltaram a cercar o velho Festos, agora mais cansado.

– Então esses livros também são passagens entre espaço-tempo, hein? – Malcon perguntou, cheio de cinismo e interesse.

– Eles podem ser muitas coisas que você não mereceria saber, seu espúrio! – Festo xingou.

– Vejamos até onde você aguenta, então...

E enquanto ainda falava, Malcon abriu os braços e bateu com ambas as mãos nas paredes ao lado. Dessa vez, não foi apenas uma estaca a sair da parede, mas dezenas, todas em direção ao Mago. Os livros em volta bem que tentaram protege-lo, abertos, para fazerem as estacas sumirem além do espaço-tempo, como tinha acontecido com a anterior, mas não foram suficientes. Duas delas acharam espaço entre os livros e atingiram Festos no ombro e nas costelas. O Mago arregalou os olhos e um gemido profundo escapou da sua boca quando as forças lhe faltaram. Imediatamente todos os livros caíram do ar. As velas em volta, que faziam a iluminação, apagaram-se, mergulhando tudo num breu. Sem as luzes para torná-lo completamente visível, Malcon se aproximou do Mago moribundo.

– Eu disse que não adiantava você guardar as magias mais poderosas para, no final, entregá-las à morte. Guardadas na sua mente, elas não podem fazer nada. – E colocando as duas mãos sobre a cabeça de Festos, Malcon acrescentou: – Se me permite fazer esse favor, eu vou possuí-las. Nas minhas mãos elas se tornarão grandes como são de fato.

Imprimindo força, seus dedos brilharam na cabeça do Mago, que em seus últimos suspiros, gritou desesperadamente ao ter a mente invadida.

Não demorou muito.

Depois disto, silêncio.

Então o corpo do Mago decaiu, sem vida. Malcon suspirou, satisfeito.

– Uma nova realidade aguarda Penina; o Muro da Realidade cairá, os clãs serão todos meus... E eu mesmo serei o equilíbrio!

E assim, dentro daquela caverna escura, Malcon matou um dos mais poderosos Magos que já existiram, passando a possuir as mais poderosas magias e tornando seus planos perigosamente mais possíveis.

Mas, sem que ele visse ou percebesse, uma pequena fada-druida voou dali para fora, livre. Completamente angustiada e com uma dor muito maior do que seu coraçãozinho pequeno poderia suportar, ela ganhou a noite fria, sem rumo, sem amo... mas inteiramente certa do que deveria fazer segundo as últimas ordens de Festos, o Místico.

Sept. 6, 2018, 2:49 p.m. 2 Report Embed 3
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Karimy Karimy
Oie! Gostei muito do prólogo, o ritmo da história é muito gostosa e combina bastante com ela, inclusive. Acho que ainda terá muita coisa pela frente, inclusive por conta da fuga da fada. Bom... avançar para descobrir, né! rsrs
Sept. 7, 2018, 11:36 a.m.

  • Matthew Greek Matthew Greek
    Olá! :D Que ótimo que você gostou, eu realmente fico muito feliz e lisonjeado com isso, e espero surpreendê-la com o que você por aí... Abração! :D Sept. 10, 2018, 10:44 a.m.
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