Traidores de todas as estrelas Follow story

forbela Forbela

A humanidade se tornou a civilização mais avançada da galáxia e impôs a sua superioridade a todos os planetas. Notando o caminho maléfico que a terra tomou 3 jovens terráqueos para evitar uma eminente guerra generalizada armam um complô, mas as coisas não saem como esperavam.


Science Fiction Not for children under 13.

#fantasticoink #spaceopera #forbela #galaxia #conto #ficção-científica
Short tale
5
4.8k VIEWS
Completed
reading time
AA Share

O fim

No horizonte enegrecido uma pequena esfera azul aos poucos perdia tamanho e cor. Aquela era a terra, o seu lar. O lar de todos aqueles que estavam na nave, imersos em seus pensamentos, no que estava por vir. Uns tinham um peso doloroso no peito, outros, o enchiam de um orgulho narcisista, afinal, guerra sempre foi uma fonte de orgulho, principalmente para os mais jovens.

Aos poucos o planeta anão sumiu e o universo se deformou, a única coisa que Violeta via agora eram grandes estrelas que passavam pela nave como o vento de uma brisa fria e lúcida, estar dentro de um veículo que se movia tão rapidamente era como estar em uma banheira de água fria e oscilante.

“Nascemos da mesma matéria, oras, devíamos ser todos irmãos”

Mas como desejar algo assim se no seu próprio planeta as pessoas não tinham união? Querer a união de toda uma galáxia era coisa de lunáticos sonhadores.

— Vamos acabar esses traidores em pessoal! — Disse tentando melhorar o ânimo da tripulação- Depois, quando voltarmos para a casa seremos heróis.

— Quando eu voltar, irei morrer de overdose em algum bordel, juro! — o garoto de cabelo rosa fluorescente sentado na cadeira metálica com uma Coca-Cola gargalhou.

Não gostava de Rodrigo e Weel nenhum pouco, apesar de serem de classes genealógicas completamente distintas, os dois eram igualmente repulsivos, dava para sentir a acidez nas palavras de cada um. Eram como lados opostos de uma mesma moeda, quase irmãos, porém, por motivos óbvios, um se sobressaia do outro. Estar confinada em uma lataria supertecnologica que se movimentava 1000000 vezes mais rápida que a luz era desoladora, sentia-se enojada.

Entrou para o exército, mesmo sem necessidade, porque queria ajudar os demais seres que viviam na galáxia, queria conhecer toda a aliança, planeta por planeta. Violeta sempre foi piedosa, indo na contramão de toda a sua família.

— Está tudo bem? — A voz suave pronunciada com delicadeza chamou sua atenção. Disse que sim, e forçou um sorriso, tentando camuflar o seu nervosismo.

— Vamos fazer uma coisa grande não é mesmo? Eu também estive pensando nisso.

— Eu sempre achei que esse dia chegaria, mesmo antes da guerra explodir.

— Todos nós que vimos tudo de perto sabíamos, querida. — O senhor de meia idade soltou um suspiro, e sussurrou, como se contasse um segredo — Acho que isso é da nossa natureza.

— A guerra?

— Querer ser o melhor.

Ela olhou ao seu redor, a cabine da nave tinha as suas paredes e teto metálicos e o chão azul, no painel havia um touch screen com gráficos e e mapa de todas as estrelas seguido pela latitude do ponto da Galaxia a qual estavam a caminho, no centro da cabine se situava uma mesa metálica fosca onde a tripulação se encontrava. Todos conversavam entre si como se indo a um passeio. Ela não os ouvia bem, mas tinha a noção de que todos tentavam fingir por um momento que nada era o que realmente, era. Constatou que o que Eugenio, o senhor de meia idade ao seu lado falava era verdade, em menor ou maior escala todos tentavam ser os maiores, se sobressaírem. Veronica, sentada a mesa junto a Capitã falam do concurso para general que teria, a capitã planejava estudar, quando voltarem para a terra, e subir cada vez mais. Rodrigo e Weel, conversavam sobre como eram boas as suas vidas na terra e como seria muito melhor quando retornassem. “Mulheres cara, mulheres”, um deles falava.

Violeta se levantou bruscamente e foi em direção ao painel da nave, os astros celestes pareciam tão insignificantes agora, belas estrelas fontes de energia que usavam para destruir outros planetas passavam pela nave lentamente.

Pelo o que sabia não iriam matar a todos, seria muito pior.

— Depois de tudo isso, de todo o horror que iremos causar, vocês ainda conseguiram ter uma vida normal. Voltar para a terra e continuar?

— Claro que não violeta, mas é necessário! — A capitã foi quem primeiro se pronunciou. — É o nosso dever proteger o nosso povo.

— E porque o nosso povo é mais importante que os de Ômega? Porque nos dividimos?

— Uma universalista! — Rodrigo riu, debochado — nós somos mais importantes, evoluímos primeiro, nós os colonizamos e eles vieram e nos roubaram.

— Por que estávamos explorando os seus habitantes!

— E depois foram abandonados porque eram traiçoeiros, porque não aceitaram a nossa soberania. — Disse ameaçador.

— Essa discursão não nos levará a lugar algum! — Eclodiu Veronica levantando-se de sua cadeira.

— Tem razão, discutir com universi-lunáticos é uma perda de tempo, são todos uns tolos, não posso imaginar a decepção do seu pai. — Rodrigo completou de virando suas costas e saindo do compartimento claramente irritado, a porta de vidro da cabine se abriu e ele foi em direção a parte de instalações da nave.

O jovem era filho do Chefe das forças bélicas da terra, era comum que em missões e eventos importantes os líderes enviassem os seus filhos para assim demostrar confiança á população. Rodrigo era arrogante como o mesmo, mas nada exemplar curricularmente, se dependesse dos seus próprios esforças em busca de conhecimento e aperfeiçoamento jamais estaria em uma nave a caminho de uma das maiores empreitadas terrestres. O que se destacava no jovem era o carisma e a forma de persuadir as pessoas, e mesmo que Violeta negasse, era um dos grandes trunfos da equipe em casos de extrema precisão.

Violeta passou suas mãos sobre os cabelos negros, sempre fazia isso quando estava nervosa, queria dizer um milhão de coisas ao companheiro de equipe, mas isso pioraria a situação. Precisava de todos calmos, precisava estar calma.

— As demais colônias iram se rebelar. — Disse pausadamente.

— E nós as destruiremos. — Desta vez foi Weel que se manifestou, parecia se divertir com a ideia.

— E ficaremos mais uma vez sozinhos no universo, como nos tempos modernos.

— Melhor só do que com esses sanguessugas se infiltrando em nosso planeta, não precisamos deles! O presidente deixou isso claro.

— E você acredita em tudo que ele diz. — Disse com o olhar de desdém.

— Não pensa no que diz? — Questionou a capitã incrédula.

“O presidente”, na verdade era um título ilusório, há milhares de anos não haviam presidentes, não havia voto e participação popular alguma no governo. Era praticamente uma hierarquia que se sustentou desde a descoberta de outras civilizações. O povo passou a adora-los devido aos progressos sociais e tecnológicos que o novo governo gerou, tudo isso, como todas as coisas boas que existem ou existirão, teve um preço, e este foi o extermínio de todo o hemisfério sul, a parte periférica do mundo.

Violeta, diferente da grande maioria dos terráqueos, sabia dos horrores que os avanços causaram, não só aos irmãos humanos da terra, mas a outros que eram tão humanos como eles. O primeiro planeta habitável que a terra encontrou no início de seu desbravamento espacial já possuía moradores, eram similares ao Homo Erectus, caçavam e construíam abrigo, eram donos daquela terra junto a todos os animais ali presentes, mas eles eram inúteis para os humanos. Com uma nuvem toxica todos foram dizimados, e aquele planeta três vezes maior que a terra se tornou uma colônia agrícola.

Em seguida outros planetas foram anexados a terra e não tardou para que encontrassem outros com vida inteligente ao nível do homo sapiens, estes se tornaram colônias da terra, como no início das grandes navegações e do descobrimento das américas. Os humanos pregavam o universalismo, a unificação! Levaram sua tecnologia, sua ciência avançada e suas ideologias para estas novas civilizações, e o processo natural de toda colônia seguiu o seu curso, evoluíram.

A tensão entre a terra e Ômega começou após espiões do planeta violeta roubarem sequencias de desenvolvimentos tecnológicos que pertenciam a terra, eles planejavam replicar as armas terráqueas para assim lutar pela independência, a situação chegou a um ponto que o presidente ordenou o assassinato de todos os intrusos e o rompimento imediato de quaisquer ligações diplomáticas existentes entre os dois planetas. Este foi o estopim da guerra, pois os milhares de humanos que viviam em Ômega foram aprisionados com o apoio da população.

Mesmo com armas inferiores o planeta organizou ofensivas contra a terra, queriam a qualquer custo a sua liberdade, sair das algemas da “metrópole”. E agora iriam lidar com as consequências brutais de desafiar a maior civilização que a Via Láctea já possuiu.

Violeta, nervosa, esfregou o polegar no indicador várias vezes e voltou a fitar as estrelas em silencio, como uma criança que espera o pai na janela da sala de casa. Todo aquele falatório era desnecessário e insignificante perante aos contecimentos que estavam por vir, e ela sabia disso.

Contou cada estrela que se passou, foram doze em 30 segundos. “ Quase lá, estamos quase lá”, e a cada astro que se passava o seu coração batia mais forte. 1.. 12, 23, 349, está para começar.

Da mesa metálica, sentada de forma largada Veronica mascava um chiclete, os pés sobre a mesa mexiam-se demostrando impaciência, vez ou outra ela também mirava as estrelas, e depois voltava-se para olhar para um ponto qualquer da nave.

Eugenio estava agora sentado no painel de controle da nave checando qualquer coisa que fosse, como engenheiro espacial a sua função era zelar pelo bom funcionamento do veículo. Weel bebia a sua Coca-Cola e Rodrigo permanecia no interior da nave.

A capitã estava sentada na cadeira a poucos metros de Violeta, era a maior missão que a piloto recebeu em sua vida, ao voltar para a terra receberia um bom benefício financeiro, dinheiro o suficiente para passar as férias em qualquer planeta que quisesse. Pretendia levar o filho para Khary, para que ele conhecesse as arvores brilhantes do planeta que era cercado por anéis coloridos.

894.. 943, 1234, 3000.. Faltam 200, é a hora!

Como em um piscar de olhos Violeta sacou a arma do coldre e apontou para a capitã, a mesma demorou alguns segundos para perceber que estava sob a mira da companheira.

— O que é isso? — Perguntou incrédula

— Levante-se! — Ordenou violeta, estranhando o tom autoritário da sua voz.

A capitã de cabelos crespos gritou por Eugenio e Well, mas estes não estavam no seu campo de visão. Lentamente ela se levantou com as mãos para cima ouvindo os gritos de comando de Violeta. Ao virar-se viu Eugenio refém de Veronica, o homem de idade avançada estava deitado no chão metálico azulado da nave com um dos pés de Veronica sobre as suas costas.

Weel já estava caído de bruços no chão, a latinha de Coca-Cola rolou enquanto o liquido cafeinado escorria no piso se misturando ao sangue que se esvaia do pescoço do jovem. Os seus olhos ainda estavam abertos, com a mesma expressão de horror de quando verônica disparou o tiro silencioso em sua direção.

— O que vocês pretendem com isso? – Perguntou o engenheiro grisalho e roliço.

— Não permitirei que destruam outro planeta, não serei igual a eles.

— Quando você diz eles, diz o seu pai?

— Toda aquela família, todas as gerações que nos tornaram robôs inúteis e sanguinários.

— O progresso tem o seu preço, menina.

— E eu estou disposta a paga-lo.

O vidro brilhoso da única porta que a cabine de comando possuía se dividiu em dois abrindo passagem para Rodrigo que vinha com uma arma apontada para a sua têmpora, o metal da ferramenta letal triscando na sua pele lhe dava calafrios, a garganta estava seca e as mãos frias. O garanhão não parecia mais corajoso, mas um simples servo nas mãos de um tigre.

O homem que era quase duas vezes o seu tamanho o segurava sem fazer muito esforço.

Rodrigo olhou incrédulo para a cena que encontrou na cabine, Violeta que até então parecia inofensiva apontava uma arma supersônica para a Capitã e Veronica pisava no velhinho sujo de sangue, seus olhos azuis seguiram o rastro de sague escorrido e chegaram a sua origem, foi quando viu o amigo abatido no chão como um animal que tomou ciência da gravidade do que estava acontecendo, havia uma pessoa morta ali.

— Não serão perdoados! Vermes imundos! — ele gritou, em sua voz e no seu olhar notava-se o ódio profundo que eclodia em seu peito lhe dando uma vontade extrema de gritar, era como um cão preso.

— Não precisaremos de perdão quando retornamos a terra, ela toda será nossa!

— Você! De todos você é a que mais merece morrer! Você é a filha do presidente, herdeira da nação! Mas o seu pai, depois disso não irá perdoa-la.

— Eu não tomarei posse pelo regimento desse regime imundo. Prefiro a morte a fazer parte desta sangria.

Rodrigo tentou se descivilizar do brutamontes que o segurava, era patético vê-lo daquela forma, se debatendo como um animal indo para o abate. Pool por fim o soltou, jogando em seguida o herdeiro da chefia de forças bélicas no chão. Ele tentou se levantar, mas deu de cara com a arma fazendo-o refém.

— Fique de olho nele Pool.

Pool era o responsável pelo lançamento das ogivas de destruição em massa, era das mãos dele que a destruição deveria se iniciar, mas não foi o que aconteceu, ao invés disso, suas mãos apontavam uma arma para o companheiro.

O homem possuía seus 38 anos, boa parte deles dedicados ao exército, não nasceu na alta elite, nem mesmo nos polos das capitais, veio de uma família de republicanos que sempre sonharam com o fim do regime ditador que se perpetuou por séculos a fio. Ser republicano, no sistema socialista em que a terra era submetida era uma traição a nação. E Pool sempre soube disso, desde de o início. Herdou o desejo da democracia dos seus pais, desde muito cedo foi instruído a não confiar no sistema, nas suas falsas promessas. Quando fez 16 anos foi aceito pela primeira vez em uma reunião secreta dos republicanos, mas não foi, seu sonho de fazer parte do exército era maior, e ser do exército significava ser fiel ao presidente e a aliança.

Nesta reunião aconteceu o pior evento de sua vida, mesmo não estando presente. Todos os membros foram pegos em flagrante conspirando contra o governo, dentre eles, os seus pais.

A única coisa que sobrou deles foram as lembranças, quando o governo expulsa um cidadão da nação todo e qualquer vestígio da sua existência é destruído, fotos, documentos, e objetos pessoais, até mesmo o seu registro foi modificado, nele constava que Pool não possuía pais.

Odiou a Aliança, foi somente depois de ter perdido a sua família que percebeu o real teor que o Governo possuía.

Aos 18 entrou para a universidade militar, foi lá onde conheceu Violeta. Foi lá onde estruturou as suas ideias, no ambiente mais inóspito e doutrinador possível. Ele e Violeta sempre sonharam em derrubar o governo, ou pelo menos, melhora-lo. E isso não seria difícil, pois quando o pai morresse seria ela a governar a aliança, era apenas questão de tempo, era apenas ter paciência e esperar. Mas as coisas não saíram como em seus planos.

Como permitir que a terra destruísse dezenas de tilhões de vidas?

A mão de Violeta tremia levemente enquanto se lembrava do quão foi sonhadora e diplomática, via o seu futuro de forma romântica, dando nas mãos do povo o cálice da liberdade, mas a realidade era dolorosa e crua, a mudança necessita da violência.

- Deite-se no chão Capitã! Deite-se! Ela ordenou encostando o cano da arma nas costas da mulher, esta que por sua vez permaneceu imóvel.

— Por que fazem isso.

— Estamos em guerra contra o planeta mais populoso da Galáxia, povo que praticamente escravizamos. E quando nós lançarmos a ogiva todos os outros planetas irão se rebelar contra nós.

— E também serão destruídos.

— Exatamente, mas nós não deixaremos que isso aconteça.

— Pelos seres de outros planetas. As estrelas nos fizeram maiores, não podemos trair a sua natureza.

— Pelos cidadãos de toda a aliança! São vidas como as nossas, não podemos matar trilhões. Não vê no que nos tornamos? Matamos e escravizamos, roubamos os seus recursos.

— Está traindo a sua própria espécie.

— O que você tem a falar sobre traição? – Ponderou Pool. — Teve um filho de um Ômega, Capitã.

Um silencio ensurdecedor se apoderou da cabine, era tão pesado que Violeta podia sentir sobre o seu corpo.

— Foi um erro pelo qual já me redimi. — Respondeu de forma vacilante e calma, sua voz estava carregada de culpa e dor.

— Mandando sua criança para um laboratório do governo, seu filho nem deve sonhar que já possuiu um irmão.

A Capitã virou-se lentamente, as pernas de Violeta pareceram anestesiadas e um espinho enorme se cravou em sua consciência. A mulher com lagrimas gélidas que escorriam sobre suas bochechas rubras fitou a rebelde nos olhos, o seu olhar parecia o mais profundo que veria em toda a sua vida, embargados de algo que Violeta não soube decifrar.

— Está é a sua decisão, eu a respeito pela coragem, e você me respeitará pela minha.

Não houve mais tempo para questionamentos, a Capitã mesmo sobre a mira de Violeta se deslocou rapidamente em direção ao painel de controle e em dois passos o alcançou. Foi um evento extremamente veloz, mas para Violeta durou horas. A forma como ela se moveu, os seus cabelos sobre o rosto misturando-se com as lagrimas, os dois passos mais demorados e longos que sua alma presenciou e que a sua consciência jamais iria esquecer. No mesmo momento em que a mão habilidosa de Capitã se chocou contra o botão vermelho o dedo de Violeta puxou o gatilho. O disparo abriu um buraco tão grande como uma maça na cintura da mulher. Os olhos da atiradora se encheram de horror, a sua visão por um momento se enegreceu e algo em seu universo mudou. Havia matado uma pessoa.

— O que é isso Violeta? O que ela fez? Não me diga que...

— Ela acionou a autodestruição. — O velhinho deitado no chão rio de forma serena e prolongada – Temos um minuto de vida.

— Olhem o que vocês fizeram! Vejam!

Rodrigo levantou, e Pool por sua vez não o impediu, esse baixou sua arma lentamente e a pôs no coldre, parecia em choque. O seu olhar se cruzou com o de Violeta, por um breve segundo eles pareceram se comunicar com o contato distante, se conheciam bem demais para saberem o que se passava na mente um do outro.

— Então, foi tudo em vão. Nós vamos morrer e a guerra continuar — Disse Veronica, também guardando sua arma. Parecia prestes a entrar em desespero, os seus lábios tremiam e as pupilas estavam dilatadas.

— Violeta, nós temos como lutar. – Disse o que ela já sabia — Podemos fazer algo para evitar toda essa sangria.

Ela engoliu em seco, fitou Veronica como se pedisse a sua permissão, e essa então entendeu o que a mulher tinha em mente.

A jovem, herdeira do planeta terra caminhou para o painel e sentou-se na poltrona da Capitã, olhou para o seu lado e viu o corpo da mulher que matou caído. Uma luz florescente vermelha como o sangue que se espalhava pelo chão começou a cintilar, e no painel os segundos começaram a ser cronometrados.

10

9

8

7

E quanto eles corriam os dedos de Violeta também trabalhavam.

E então um código surgiu na grande tela.

Latitude 123456787654333°

TERRA

Aug. 31, 2018, 6:38 p.m. 14 Report Embed 7
The End

Meet the author

Forbela Sou uma mulher sonhadora, uma escritora de poemas apaixonada e leitora eclética.

Comment something

Post!
Camy <3 Camy <3
Olá! Sua história está muito interessante. Você trouxe diversas discussões bacanas sobre ditadura e soberania, e a ideia de a Terra ser o planeta com maior poder foi um diferencial grande, já que normalmente somos representados como o planeta a ser invadido, não o invasor. Para que sua história seja verificada, porém, a questão gramatical conta mais. Você tem muitos erros de tempo verbal. Sua história começou no pretérito "uma pequena esfera azul aos poucos perdia tamanho e cor". Entretanto, em alguns momentos da história, o tempo para o presente: "Verônica, sentada a mesa junto a Capitã falam do concurso para general...". Essa frase tem mais alguns problemas, na verdade. Falta crase em dois "a": "à mesa" e "à capitã". Também falta uma vírgula após "capitã". Outro erro de tempo verbal que você cometeu bastante foi trocar o futuro pelo pretérito: "Depois de tudo isso, de todo o horror que iremos causar, vocês ainda conseguiram ter uma vida normal. Voltar para a Terra e continuar?". O correto é "conseguirão", conjugado no futuro. Outro erro que você cometeu aqui foi o da pontuação. Do jeito que está, a frase não flui tão bem. Se quiser uma frase rápida, pode substituir o ponto depois de "normal" por vígula. "ter uma vida normal, voltar para a Terra e continuar?". O que eu sugiro, na verdade, é manter a pausa, mas substituir o ponto final por uma interrogação, deixando duas perguntas "uma vida normal? Voltar e continuar?". Isso mantém a ênfase que eu acho que você queria e ainda a melhora, porque na fala nós dizemos essas frases com entonação de pergunta. Eu sugiro que você procure um beta para te ajudar com a correção, porque são vários problemas pequenos. Se corrigir o que apontei aqui, eu volto e analiso sua história de novo. Responda este comentário para que eu seja notificada, okay? E boa sorte! Lembre-se que eu dei exemplos aqui, mas não são apenas essas frases que precisam ser corrigidas, e sim os erros que elas representam.
Oct. 16, 2018, 2:19 p.m.

  • Forbela Forbela
    Oi! Muito obrigado pela análise, são muitos erros e eu mal os percebi, vergonhoso isso. Eu não sei onde encontrar um beta, irei procurar. Oct. 21, 2018, 9:30 a.m.
Inkspired Brasil Inkspired Brasil
Olá! QUE PLOT TWISTS, EIN?! Space opera, como todos os outros subgêneros do desafio, exige muito desenvolvimento de ambientação e o seu foi exemplar, você soube desenvolver muito bem tanto os personagens quanto toda a trama da historia, parabéns! Colocar uma protagonista feminina - que é filha do presidente e a próxima governante - que está disposta a enfrentar tudo e todos para que a Terra pare de destruir planetas e civilizações, além de acabar com o regime militar vigente: isso foi algo que me cativou bastante. Violeta é uma garota que parece inofensiva no inicio - como o Rodrigo fala -, e de inicio dá a entender que ela não apoia o que vão fazer, mas ainda assim irá cumprir as ordens que lhe foram dadas. Contudo, o comportamento dela muda drasticamente, e em um piscar de olhos já tem uma pessoa morta, duas imobilizadas e uma sob a mira de uma arma; essa menina tem meu respeito. Mas daí vem o outro plot twist: a capitã aciona a autodestruição da nave e, meu Deus, deu vontade de chorar com o final, porque era de se esperar que ela realmente conseguisse evitar a guerra que iria se iniciar (não to bem). Enfim, a historia foi muito gostosinha de ler e a leitura flui bem. Ela tem alguns errinhos de concordância e sugiro que você de uma segunda revisada. Parabéns por ter cumprido o desafio e por compartilhar a sua historia com a gente. Até a próxima <3
Oct. 4, 2018, 2:23 p.m.
Megan W. Logan Megan W. Logan
Olá! Tudo bem? Adorei a sua história, ela é muito bem escrita, pois prende o leitor que fica curioso com o desenrolar da trama, gostei bastante da personagem Violeta, ela é bem forte e mostra um bom motivo para se rebelar. Notei apenas a falta de acentuação em algumas palavras, mas nada sério, não prejudica o desenvolvimento da leitura, acredito que numa segunda revisada você consegue arrumar. Parabéns por essa maravilhosa história, ela é bem envolvente, gostei bastante! Beijos!
Sept. 15, 2018, 3:34 p.m.
Hime  Hime
Ah mano, eu tô morrendo de amores por essa história! Você tem um talento incrível e cara, foi tão gostosinho ler isso aa. Vou ler mais umas histórias tuas, fiquei no desejo hahdhwhd. Até uma próxima!
Sept. 8, 2018, 6:53 a.m.
Isís Marchetti Isís Marchetti
E BUUUM!! Morremos XD! Que fenômeno sensacional! Fiquei muito surpresa com o final da história, foi incrível, minha mente trabalhou várias hipóteses e no final, foi uma grande surpresa! Obrigada pela leitura maravilhosa que você nos proporcionou! Beijos.
Sept. 7, 2018, 9:55 p.m.
Alice Aguiar Alice Aguiar
mano lutar pelo bem maior não é nada fácil, olha isso ai, pqp eu não tava esperando eles se virando uns contra os outros não, mas eu entendo. as vezes tem que fazer o que é certo, mesmo que isso vá contra os outros, até mesmo se for contra a sua especie.
Sept. 3, 2018, 12:54 p.m.

  • Forbela Forbela
    Isso é verdade, coisas assim já aconteceram muitas vezes na nossa história, as vezes por motivos bons, mas nem sempre, e foi isso que eu quis mostrar no conto. Se esses eventos aconteceram tantas vezes no decorrer do tempo, o que impede que aconteça no futuro? Enfim, muito obrigado pelo cometário flor, grata pelo feedback <3 Sept. 3, 2018, 10:55 p.m.
Nathalia Souza Nathalia Souza
Meu Deus moça, você realmente ultrapassou minhas expectativas. Tratar de humanidade não é um tema fácil de se trabalhar, e a luta pelo bem maior sempre tem suas consequências. Eu me vi junto a Violeta, no meio desse dilema tão difícil e chocada com a mente humana. Gostei bastante de sua escrita e da forma como você nos levou até a conclusão sem ser óbvia. Agradeço ao desafio por ter conhecido sua forma de escrever. Beijos e até!
Sept. 2, 2018, 9:27 a.m.

  • Forbela Forbela
    Fico tão feliz em saber que te surpreendi! A humanidade sempre foi e será complexa não é, cada lado tem as sua ética moral, por mais fúteis ou egoístas que sejam. Eu tenho plena certeza que seria bem diferente da Violeta, pelo menos hoje ahahha ela foi leal ao que acreditava. Muito obrigado pelo incentivo, beijos! Sept. 3, 2018, 10:47 p.m.
Yuui C. Nowill Yuui C. Nowill
Space Opera isn't my cup of tea, inclusive foi o subgênero que me fez odiar ficção científica por muitos anos, antes de entender a dimensão a que ele se estendia. CONTUDO eu confesso que a minha visão sobre o gênero está começando a mudar levemente por conta de escritores como você que trabalham a ideia de maneira tão avassaladora. Eu fiquei sem PALAVRAS para a forma como você apresentou os fatos da história, como criou o ambiente dela, a forma como a Terra estava reproduzindo com a galáxia inteira os erros que cometeu dentro do próprio planeta. Eu fiquei estupefata quando você citou que todo o hemisfério Sul da Terra tinha sido destruído. Eu fiquei "O QUÊ". A forma como você pareou o momento de governo da história com as ditaduras que antes se passaram, a forma como foi dada a revolta, com a Violeta apontando a arma para a capitã... Eu ainda NÃO ACREDITO que ela atirou de fato. Fiquei besta. E FIQUEI MAIS BESTA AINDA COM ESSE FINAL. MEU DEUS O QUE FOI ESSE FINAL??????? Eu não esperava por isso. Foi GENIAL. Eu achei toda a construtiva narrativa muito criativa, apesar de um pouco corrida, confesso. E tem alguns errinhos de vírgula/acentuação/palavrinhas, não vou lembrar onde exatamente, mas é coisa boba. Mas, wow, nossa que história. Parabéns! Amei muito e me identifiquei demais com o senso de justiça da Violeta.
Sept. 1, 2018, 1:24 a.m.

  • Forbela Forbela
    Confesso que eu nem conhecia esse subgênero, apesar de já ter assistido filmes, mas não sabia que era algo especifico, então tive que pesquisar um pouco a mais do que estava nas informações dadas pela equipe do inks. Eu sei que tenho uma visão bem pessimista, mas é até compreensivo visto o que fizemos com nós mesmo repetidas vezes, então imagine com quem não é humano, mas acredito que não seremos os mais poderosos da galaxia, a gente vai se destruir antes de chegar a esse ponto. A Violeta tomou conta história literalmente, quem iria começar a revolta era a Veronica qqqq mas gostei do resultado, pois apesar de ser um tanto insegura ela é a líder e uma mulher determinada quanto aos seus ideias, eu também gostei muito dela, mas não sei se teria a mesma coragem de ter feito o que ela fez. Muito obrigado pelo cometário tão atencioso, eu fiquei bem insegura quanto a trama, então você não imagina como fiquei feliz. E claro, valeu pelo toque, sei que ficou bem reduzido pro tanto de acontecimentos, quando as virgulas e os errinhos eu vou dá uma olhadinha, sabe que quando a gente mesmo escreve alguns erros passam batidos. Obrigado pela leitura! Sept. 1, 2018, 8:26 a.m.
Karimy Lubarino Karimy Lubarino
Oie! Cara, eu juro que levei um susto quando Violeta sacou a arma. Tudo bem que ela estava mostrando receio desde o começo da história, mas achei que fosse apenas o medo do que estava prestes a fazer, daí você me surpreendeu dessa forma, além do fato de ela ser a herdeira do "trono" na Terra. Gostei bastante das reflexões que o texto trazem, acredito muito nesse lado egocêntrico dos seres humanos e da capacidade de enxergar vantagem e superioridade em absolutamente tudo, claro que não posso generalizar, acredito que existem exceções como a Violeta, mas também vejo que essas exceções são cada vez mais raras. A capitã... que sujeira, hein! Não bastasse o que aceitou a fazer em sua missão, ainda existe o fato de que renunciou seu próprio filho em favor do "avanço". Não é muito diferente de mães que abandonam, que vendem para a escravidão (várias formas de escravidão) infelizmente isso existe hoje, existiu antes e não duvido que continuará a existir, infelizmente. Somos traidores de nós mesmos. No fim, não esperava que ela fosse fazer isso, que se sacrificaria e sacrificaria a todos só para ver a missão cumprida. O final não ficou muito explícito, mas eu até que gosto bastante de finais assim (acho que já percebeu), mas, na minha concepção, acredito que Violeta direcionou os holofotes para a Terra. Será que isso seria o suficiente para garantir a paz do resto da galáxia ou outra "Terra" surgiria no meio dos planetas habitados existentes? Ótima história, parabéns!
Aug. 31, 2018, 2:08 p.m.

  • Forbela Forbela
    Oie <3 Que bom que eu te surpreendi, foi uma viagem essa ideia ahahha mas teve um significado muito importante sobre coisas que eu penso sobre nós terráqueo. A gente sempre se acha superior não é mesmo? são poucas as exeções, poucos que tiveram a coragem de lutar contra essa parte vergonhosa da nossa natureza, mas fizeram a diferença no mundo de uma forma magnifica. Não digo que sejam todos egocêntricos, mas pra fugir desse sistema é preciso coragem fora do normal, o que foi o caso da Violeta. É como você disse, os personagens tomam conta da história, essa da Capitã foi uma coisa que não estava nos planos hahah inclusive eu não dei nenhum nome pra ela, comecei chamando só de Capitã e deixei rolar. Eu ia fazer um final bem detalhado, mas cheguei a conclusão que não seria bom, mesmo sabendo que iria ficar implicito. Esse seu questionamento se "seria o suficiente" me lembrou da Revolução dos Bichos, creio que seria exatamente como no livro, depois de derrubar os poderosos os que derrubaram tomam o lugar, os oprimidos se tornam os opressores, nesse caso, na minha imaginação o novo lider seria os Omegas, já que são os mais avançados graças aos proventos da terra. Eu ainda não sei se concordo com o que a Violeta decidiu fazer, isso vai de cada um. Muito obrigado por comentar, só de saber a sua opinião todo o trabalho que deu já me valeu a pena. Você me inspira bastante viu, obrigado por me convidar. Aug. 31, 2018, 10:40 p.m.
~