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Quando Tokoyami perdeu o controle do Dark Shadow na floresta do Acampamento de Verão, o único pensamento que dominou a mente de [Nome] é que ela deveria salvá-lo. Afinal ela fizera um juramento, e um juramento solene. [Tokoyami Fumikage x Reader]


Fanfiction Anime/Manga All public.

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Short tale
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Capítulo único

“A felicidade pode ser encontrada mesmo nas horas mais sombrias, se você se lembrar de acender a luz...”

- Alvo Dumbledore


[Nome] corria em disparada entre as árvores. Tinha uma noção de onde estava em relação aos focos de ameaça: o incêndio de fogo azul estava às suas costas, a névoa tóxica havia se dissipado onde estava, e seu foco ficava em linha reta à sua direita. Duvidava que aquele fosse os únicos perigos que encontraria ali, mas não tinha tempo para se preocupar com eles.

Ela tinha ouvido o rugido, e um arrepio imediato lhe correu a espinha. Aquele som era inconfundível. Dark Shadow havia saído do controle.

Tokoyami estava em perigo.

Enquanto corria, sua respiração foi ficando pesada, e ela teve que se segurar para não praguejar contra suas próprias asas. Seria muito mais prático se pudesse voar sobre a floresta, mas desse jeito estaria se entregando de bandeja aos vilões que atacavam. Sendo assim, concentrou-se em sua respiração para diminuir a fadiga que ferroava seus pulmões para que pudesse correr com mais facilidades. Até usaria suas asas para ganhar impulso, mas as árvores estavam próximas demais: elas não caberiam abertas ali. Felizmente, não teve dificuldade alguma de localizar Tokoyami, já que Dark Shadow avançava pela floresta destruindo tudo à sua frente, causando estrondos quase ensurdecedores.

“Por favor, Fumi-kun, aguenta firme!”, pensou [Nome], angustiada. “Eu já estou indo de te ajudar! Não deixa o Dark Shadow tomar o controle total!”

De súbito, houve um silêncio um pouco mais longo que o normal, que logo foi quebrado por uma explosão muito próxima, que jogou [Nome] alguns metros para trás. Ela também ouviu gritos, mas não conseguiu identificar de onde vinham ou de quem eram. A garota tossiu, ainda estatelada de bruços no chão e ergueu as asas alvas, batendo-as para levantar a terra que se acumulara sobre elas e suas roupas. O movimento também alçou-a para cima, fazendo-a pousar suavemente de pé, já em posição defensiva. Há uns duzentos metros à frente, Dark Shadow girava em torno de si mesmo arrancando as árvores e rugindo, como se procurasse alguma coisa. [Nome] correu os olhos pela sombra fantasmagórica procurando Tokoyami, mas antes que pudesse encontra-lo, ela ouviu duas vozes à esquerda. A poeira ainda estava baixando, mas ao virar-se ela pôde reconhecer a silhueta peculiar de Shoji e uma cabeça corada com cachos revoltos.

– [Sobrenome]-san! – a voz de Midoriya alcançou-a enquanto eles se aproximavam. – O Tokoyami-kun perdeu o controle do Dark Shadow! Fuja! É muito perigoso!

De sobrancelhas Franzidas, [Nome] respondeu, também sussurrando:

– Eu sei. Ouvi o rugido do Dark Shadow de longe. Não dá pra confundir. E foi por isso mesmo que eu vim.

Shoji olhou-a com um olhar enigmático, mas Midoriya ainda estava claramente preocupado:

– Dessa vez foi diferente! Ele está com o controle total! Eu não sei se sua Peculiaridade vai ser o suficiente para segurá-lo...

Um vinco profundo marcou a divisória das sobrancelhas de [Nome], que agora estava visivelmente irritada.

– Acha que eu não me preparei pra isso? Melhor pensar duas vezes em subestimar a Peculiaridade de alguém, Midoriya-kun, principalmente se tratando de você.

O garoto de cabelos verdes apertou os lábios e desviou os olhos para o chão numa expressão óbvia de acanhamento. Ele pareceu remoer alguma coisa, e depois disse:

– Me desculpe, [Sobrenome]-san. É que as condições agora são be-

– Vocês dois, vão na frente – ela mediu as partes do corpo de Midoriya que conseguia ver. – Você parece precisar de atendimento médico urgente.

– Mas-

– Eu cuido do Fumi-kun! – ela disse elevando a voz num tom alarmantemente alto. O que Shoji nem Midoriya haviam percebido é que ela o fizera de propósito. Dark Shadow, que estivera arrancando árvores e rugindo, obviamente procurando por Shoji e Midoriya, virou-se em sua direção e estreitou perigosamente as fendas amarelas que ficavam no lugar de seus olhos. Ela fez um sinal urgente para que eles corressem, e colocou-se de frente para o enorme monstro negro que se precipitava em sua direção. Shoji correu permanecendo no alinhamento da silhueta de [Nome] para não desviar a atenção do Dark Shadow. Midoriya protestou, mas ele sabia que era tarde demais. Entretanto, Shoji não avançou tanto. Depois de alguns metros, escondeu-se num conjunto de arbustos para observar a luta.

– Se a [Sobrenome]-san precisar de ajuda, nós intervimos. – disse ele usando a extremidade de seu braço de onde se projetava sua boca.

Midoriya voltou os olhos para a silhueta minúscula de [Nome] ao longe, que esperava imóvel o bote da Peculiaridade de Tokoyami.

*

Quando Dark Shadow avançou em linha reta, Tokoyami se agitou lutando contra a sombra para ver o alvo contra o qual ele investia. Quando ele fixou a minúscula silhueta à frente, não precisou de sequer um segundo para reconhece-la: as enormes asas angélicas de sua namorada eram inconfundíveis. Sentindo um pânico quase irracional, Tokoyami se debateu furiosamente tentando se libertar de sua Peculiaridade, mas como antes, seu esforço foi inútil. Desesperado, viu que a única alternativa era gritar.

[Nome]-san! Fuja daqui!! Eu perdi o controle!! Sua Peculiaridade não vai ser o suficiente dessa vez!

Ela não se mexeu de início, o que fez o pânico de Tokoyami aumentar um pouco. Entretanto, o próximo movimento da namorada quase o fez perder a cabeça: ela abriu as asas como se estivesse prestes a alçar voo e estendeu uma mão para frente como se fosse segurar alguma coisa.

– [Nome]-san! Por favor! – o grito de Tokoyami foi um lamento dolorido e agonizante. Lágrimas começaram a se acumular em seus olhos de pássaro, enquanto uma terrível visão se materializava em sua mente: o corpo quebrado e esmagado de [Nome] pelas enormes garras do Dark Shadow. Sua própria Peculiaridade... seria o carrasco da garota que ele mais amava. Num último impulso, Tokoyami tentou suprimir a vontade da criatura de sombras que o possuía, mas a única coisa que sentiu foi mais escuridão preenchendo sua mente e seu coração. Seus olhos lacrimosos voltaram-se para a namorada, que agora estava a menos de dez metros. Dark shadow ergueu uma de suas garras. Tokoyami gritou, mas ao fazê-lo viu os lábios de [Nome] se mexerem formando uma única palavra:

Lumos.

Uma explosão de luz cegou Tokoyami por um segundo, o que o impediu de ver que o braço estendido do Dark Shadow perdeu metade do tamanho imediatamente. Quando a luz diminuiu, ele piscou e voltou a olhar na direção em que [Nome] estava. Uma enorme espada feita de um fogo amarelo muito claro projetava-se de sua mão [direita ou esquerda]. Ela emitia uma luz branca e quente que se projetava em “v” para frente... A luz que fizera Dark Shadow perder um quarto do tamanho. A sombra recuou com um chiado de dor, e seus olhos tornaram a se estreitar ao encarar [Nome]. A garota brandiu a espada e alçou voo, avançando sem medo na direção da Peculiaridade do namorado.

Nome: [Sobrenome] [Nome]

Peculiaridade: San Miguel

Fundindo as duas Peculiaridades que herdou dos pais, [Nome] consegue invocar uma espada de luz, a Lux Gladio, e voar com suas asas de anjo ao mesmo tempo. A espada pode cortar, queimar e cauterizar. Sua intensidade diminui com o passar do tempo e a duração depende de sua saúde, energia disponível e o quão bem ela anda dormindo. Usando apenas a espada, ela precisa de um descanso de 10 minutos para poder usá-la novamente uma vez que ela se apaga. Há, também, uma conexão entre as suas asas e sua espada. Suas asas funcionam consumindo a mesma energia que produz a espada, o que confere uma propriedade bônus chamada “Anjo da Guarda”. Consumindo a carga total de sua espada, [Nome] pode transferir a energia para suas asas, que ganham imunidade a qualquer dano por 3 segundos. Entretanto, ao utilizar isso, ela fica incapacitada de usar tanto suas asas quanto sua espada por 1 minuto. Se ela repetir o uso dessa habilidade após esse minuto, o tempo de espera para reativação de suas Peculiaridades aumenta.

Ao se aproximar da cabeça do Dark Shadow, ela viu a sombra se encolhendo. Entretanto, as extremidades da sombra que estavam mais distantes da luz de sua espada se incharam, e uma de suas garras investiu contra ela. Num movimento rápido com as asas, ela jogou o corpo para cima ao mesmo tempo que girava para aproxima a lâmina brilhante do braço negro, que voltou a encolher. Assim, seguiu-se uma série de manobras de [Nome] no ar em que ela desviava continuamente dos ataques do Dark Shadow enquanto tentava aproximar a luz de sua espada de várias partes do corpo feito de sombras. Porém, ele lutava furiosamente contra a luminosidade de [Nome] inchando o máximo que conseguia nas partes que ficavam longe da chama amarela. Tokoyami assistiu aos movimentos de [Nome] com lágrimas nos olhos e a angústia espremendo sua garganta. A consciência do Dark Shadow não perdera força o suficiente para que ele recuperasse o controle, por isso restava apenas assistir. A cada pena branca que sua Peculiaridade arrancava ao acertar [Nome] de raspão era como uma farpa no coração do garoto pássaro.

Com o passar dos minutos, a intensidade da luz da lâmina de fogo foi diminuindo, e os movimentos de [Nome] passaram a ficar mais frenéticos na esperança de diminuir a força de Dark Shadow logo para que Tokoyami reagisse. Contudo, o que a garota não percebeu foi que, não muito depois, suas asas começaram a pesar mais e perder os reflexos rápidos. Foi só no momento que as chamas começaram a falhar que ela percebeu no perigo em que se encontrava. No instante em que parou para deduzir isso, uma investida curta e rápida dos braços do Dark Shadow aprisionou-a entre suas garras. Tokoyami gritou, em fúria e desespero, e dois estalos soaram secos no céu ironicamente limpo e estrelado. Tudo pareceu parar por alguns segundos a medida que os olhos de pássaro de Tokoyami se arregalavam na direção de [Nome], que logo depois soltou um grito agudo de dor.

[Nome]! – berrou ele voltando a se debater furiosamente contra a sombra que o prendia. – [Nome]!

A mente de Tokoyami entrou em curto. Ele só conseguia se debater e chamar pelo nome da namorada enquanto lágrimas escorriam em torrentes pelos seus olhos. O Dark Shadow soltou um rosnado estranho, como se aprovasse o que escutava ou talvez... Estivesse começando a se incomodar com o que fizera?

[Nome] esperneou entre as garras da enorme sombra sentindo o corpo adormecer por causa da dor do braço quebrado. Não podia perder a sensibilidade naquele instante, nem mesmo a consciência. Ainda não cumprira o juramento que fizera a Tokoyami.

“Ok, eu preciso pensar”, disse ela pra si mesma em silêncio tentando sobrepor seus pensamentos racionais aos irracionais que apontavam para a dor. “No momento em que o Dark Shadow me pegou, a Lux Gladio apagou. Se eu ficar bem quietinha, talvez o Dark Shadow desista de me espremer mais e eu ganhe tempo...”

Com esse pensamento ela se imobilizou por completo e deixou a cabeça pender para a frente. Ela ouviu o grito de desespero do namorado, que provavelmente pensara que ela finalmente sufocara, mas precisava seguir aquele plano. Uma vez quieta, o Dark Shadow, de fato, afrouxou o aperto um pouco e trouxe-a para perto da cabeçorra negra. Animais que gostam de brincar com suas vítimas, como os gatos, perdem o interesse quando elas param de se mexer. Era por isso que muitos animais usam a imobilização, o famoso “fingir de morto”, como mecanismo de defesa. Aproveitando o momento de ponderação de Dark Shadow, [Nome] continuou seu raciocínio. Tinha ganhado quase um minuto de descanso, e como não havia gastado toda a energia para usar sua espada e suas asas, ainda lhe restava um pouco.

“A única saída é liberar a energia que resta de uma vez. Talvez isso crie uma luz forte o suficiente para subjugar o Dark Shadow. Droga, eu queria ter testado isso antes... Me desculpe, Dark Shadow, mas acho que vou te machucar um pouquinho...”

Sentindo uma dor excruciante, [Nome] moveu o braço quebrado o suficiente para que a palma de sua mão ficasse voltada para fora. Fez o mesmo com o outro braço. Espremendo os olhos, ela canalizou toda sua energia para a palma das mãos, e quando sentiu que ia explodir, ergueu a cabeça e encarou Dark Shadow diretamente em suas fendas amarelas e gritou:

Lumos Maxima!

Um clarão dezenas de vezes mais forte que o anterior emanou de todas os vãos deixados pelas garras do monstro de sombras. A luz se projetou tão longe que, por longos instantes, iluminou toda a extensão da floresta. O Dark Shadow soltou um rugido fino de agonia e foi gradativamente diminuindo, entretanto não tão devagar a ponto de depositar [Nome] no chão com delicadeza. Acabou soltando-a no meio do ar quando seu braço encolheu, e a garota teve que bater algumas vezes suas asas para poder pousas no chão com segurança. O movimento causou alguns puxões de dor em sua musculatura tão fortes que quase a fizeram desmaiar. Entretanto o único efeito foi apagar as duas espadas que se projetavam de suas mãos com o dobro do tamanho da usada normalmente por [Nome]. Seus joelhos vacilaram um pouco quando seus pés tocaram o solo, mas ela firmou-os o suficiente para não cair. Procurou o namorado na paisagem devastada e, assim que o viu, cambaleou em sua direção. Tokoyami levantava-se devagar como se tentasse entender onde estava. [Nome] o alcançou antes que ele percebesse sua aproximação, e sem pensar, atirou-se em seus braços. O braço quebrado permaneceu inerte, e protestou bastante quando a garota se abaixou para envolver o namorado ainda sentado no chão. Num reflexo involuntário, suas asas também se estenderam e cercaram Tokoyami num abraço emplumado e macio. O garoto permaneceu estático, como a última coisa que esperasse fosse receber um abraço da namorada.

– Ai, Graças à Deus! – exclamou [Nome], apertando o namorado com apenas um braço. – Você saiu ileso!

Tokoyami permaneceu inerte. Os segundos se arrastaram e a garota começou a ficar preocupada. Afastou o tronco do namorado e fitou-o nos olhos. Uma expressão de choque tomou seu rosto a medida que ela via as lágrimas escorrendo dos olhos de pássaro.

– Fumi... Fumikage-kun! – chamou ela agitando os ombros dele com energia. – Você está bem? Está sentindo dor? Você se mac-

– Eu... Quebrei o seu braço – cortou Tokoyami numa voz quase mórbida. – Eu... machuquei... você...

Os olhos de [Nome] correram direto para seu braço quebrado, que já estava com um aspecto horrível: inchado, desfigurado e ganhando uma tonalidade roxa. Praguejou baixinho, já que ela visão em nada ajudaria o namorado a se recompor.

– Fumi-kun, isso não importa! – ela retrucou num tom firme. – O que importa é que você está bem e saímos todos vivos!

Tokoyami ainda chorava, sem parecer prestar atenção no que ela dizia. Com o passar dos minutos assistindo àquilo, [Nome] sentiu o desespero e a impaciência tomando conta de seus membros. Seu braço bom subiu involuntariamente e deu um leve tapa no rosto de pássaro do garoto. Tokoyami piscou e pareceu finalmente vê-la.

– Fumi-kun! Eu já disse que está tudo bem! – disse ela num tom urgente e suplicante.

– Não... – disse o garoto numa voz embargada. Com delicadeza, ele subiu uma das mãos até segurar delicadamente a de [Nome] entre os dedos. – Eu machuquei você... Como eu posso ficar tranquilo sabendo que fiz isso com você? – ele fez uma pausa longa – Como posso ficar bem sabendo que pode acontecer de novo?

Ele apertou de leve a mão de [Nome] e trincou os dentes. Mais lágrimas escorreram. As sobrancelhas da garota se franziram numa expressão de dor e pena. Não sabia o que dizer para consolar Tokoyami. Era inegável que o Dark Shadow esmagara seu braço, mas ainda assim não fora culpa dele. Sua Peculiaridade ainda ficava incontrolável no escuro, e [Nome] sabia muito bem disso. Tanto que, fora sabendo dos ricos que ela...

De súbito, uma lembrança lhe ocorreu. Ela forçou o braço para apoiar o rosto do namorado de novo e fixou seus olhos nos dele com firmeza. Suas asas se fecharam ainda mais ao redor do namorado, e afagaram suas costas de modo protetor. De joelhos, com uma perna de Tokoyami entre as suas, a garota se inclinou e deu um pequeno beijo em seu bico.

– Você se lembra daquela vez que eu fiz um juramento? – perguntou ela devagar e num tom bastante confortante.

Tokoyami piscou, aturdido, sua mente trabalhando lentamente para resgatar a lembrança. Por isso, [Nome] decidiu dar um pequeno empurrãozinho:

– “Eu juro solenemente...”

Um piscar único e rápido dos olhos de Tokoyami indicou que ele se lembrara.

Aquele era o tipo de dia que Tokoyami gostava de chamar de “perfeito”. Caía uma tempestade lá fora, e ele e [Nome] estavam aninhados no num puff enorme que ela tinha em seu quarto. Entre as mãos, ela trazia o seu volume surrado de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. O garoto já perdera as contas de quantas vezes já vira a namorada reler a série inteira de Harry Potter, mas ele jamais se cansava de vê-la falar sobre a história. Era um dos momentos em que seu rosto se enchia completamente de luz, e a animação dela era contagiante até para ele. Prova disso é que ele mesmo acabara lendo os sete livros, mas apenas uma vez. Gostara bastante da história, e seu personagem favorito era, sem sombra de dúvidas, Severo Snape.

Naquele dia em específico, ela lia a parte em que os gêmeos Weasley mostravam o Mapa do Maroto ao Harry pela primeira vez. Ela lia o livro aninhada no colo do namorado, com suas envolvendo os dois, e sua expressão ficava cada vez mais empolgada. Tokoyami observava com gosto pois amava ver as centenas de expressões de [Nome] e o quanto ela era cheia de vida.

– Ah! – ela exclamou, se agitando. – Eu adoro essa parte. Essa frase “eu juro solenemente que não vou fazer nada de bom” é tão legal! É genial como a J.K. faz tudo ter tanto impacto e ser tão único!

Tokoyami soltou uma risada. [Nome] virou pra ele, desconfiada.

– Do que está rindo?

– Da sua empolgação – respondeu ele com sinceridade.

– Você acha engraçado? – devolveu ela amarrando a cara.

– Acho fofo – respondeu ele fazendo um carinho na bochecha da namorada com o polegar. A vergonha se estampou imediatamente em sua cara.

– Idiota, fica me fazendo corar... – ela cruzou os braços e intensificou a cara de emburrada, mas não se esquivou das bicadinhas que Tokoyami deu em seu pescoço. Elas sempre lhe causavam arrepios deliciosos.

De súbito, [Nome] se agitou onde estava e virou-se para Tokoyami, apoiando as mãos em seu peito.

– Se você fosse fazer um juramento solene... qual seria?

Tokoyami inclinou a cabeça para o lado e colocou uma mão em seu bico, refletindo. Depois de algum tempo respondeu:

– Amar você por toda eternidade? – disse num tom fechado, quase sombrio.

[Nome] pegou uma almofada que estava no chão e o acertou.

– Eu tô falando sério! – ralhou ela tentando segurar o riso.

Tokoyami riu. Usando o mesmo tom sombrio, disse:

– Mas eu também estou falando sério.

[Nome] sentiu suas bochechas ardendo enquanto voltava a se aninhar junto ao namorado. Ela voltou a colocar as mãos em seu peito.

– Sendo assim, eu tenho o meu juramento solene também.

Com cara de riso, Tokoyami esperou. Entretanto, sua expressão vacilou quando [Nome] colocou as mãos em seu rosto trazendo o para bem perto.

– Como portadora da Peculiaridade San Miguel, eu juro solenemente que irei sempre proteger Tokoyami Fumikage. Serei seu Arcanjo da Guarda.

O rosto de Tokoyami se contorceu numa óbvia expressão de vergonha, mas que no fundo carregava uma pitada de tristeza. Ele segurou as mãos da namorada com delicadeza e trouxe para perto de si. Meio sem jeito, começou a dizer:

– [Nome]... Eu sei que voc-

– Não! Pode parar! – protestou ela arrancando as mãos das dele e voltando a segurar seu rosto de pássaro. – Eu já sei o que vai dizer. Que é perigoso, que você pode me machucar, mas não me interessa! Eu vou sempre proteger você com minhas asas e minha espada do que quer que seja... Inclusive de você mesmo.

Tokoyami fechou os olhos lentamente e puxou [Nome] para si, abraçando-a com força.

– Obrigado, [Nome]... Eu amo você.

– Eu também te amo – respondeu ela enterrando o rosto do pescoço do namorado e depositando ali um beijo.

– Aquele juramento... Era um juramento solene. – disse [Nome] ainda próxima a ele. – E eu sempre cumpro os meus juramentos solenes.

– Mas [Nome]! – exclamou ele, angustiado. – Você sabe que na prática não é tão simples! Olha o que aconteceu!... Olha o que eu fiz com você... Eu sou... Eu sou um monstro.

- Agora já chega! – o tapa que a garota deu no rosto do namorado foi um pouco mais forte dessa vez. – Para com isso, Fumikage! Você sempre se menospreza! Sempre subestima a própria força, sempre vê o copo meio vazio, sempre o lado ruim e sombrio das coisas... Mas não precisa ser assim! Tudo bem, eu estou machucada, vou precisar engessar meu braço, mas e daí? Saí viva, e consegui suprimir o Dark Shadow completamente descontrolado sozinha! Isso significa que, enquanto me tiver por perto, você não tem nada a temer! E você, ainda por cima, saiu ileso! Nós tínhamos de estar felizes e aliviados, Fumi-kun!

O garoto respirava rápido enquanto perscrutava o rosto da namorada. Estava agoniado com o sentimento de culpa, mas as palavras de [Nome] lhe trouxeram uma sensação estranha. Ela se afastou um pouco, aliviando um pouco os joelhos ao apoiar o peso do corpo das pernas dobradas.

– Eu sei parece estranho pensar assim, mas "é possível encontrar a felicidade nas horas mais sombrias..." – ela ergueu o rosto e fitou demoradamente os olhos de Tokoyami. – "Basta se lembrar de acender a luz..."

Os dois permaneceram fitando-se por longos instantes, até que por fim, Tokoyami perguntou:

– E o que eu vou encontrar se acender a luz?

[Nome] deu uma risadinha e respondeu:

– Não sei. Mas serão todas as coisas que te fazem felizes.

Tokoyami estendeu a mão e tocou delicadamente o rosto sujo e machucado da namorada.

– Então, se eu conseguir acender, acho que a primeira coisa que vou encontrar... vai ser você.

O rosto de [Nome] voltou a ferver, mas de um jeito bom. Ela ergueu a mão e aninhou a do namorado. Depois de um instante de silêncio, Tokoyami completou:

– ... Mas acho que não consigo sozinho.

[Nome] sorriu e tornou a se erguer nos joelhos, envolvendo o pescoço do namorado num meio abraço. Ele a firmou, envolvendo-a com os seus braços.

– Pode deixar que eu te ensino a acender. O meu juramento continua de pé: juro solenemente que irei sempre proteger você.

Tokoyami apertou-a de um jeito carinhoso, depositando uma bicadinha na nuca da namorada e, depois, disse:

– Bem feito, feito. 

Aug. 30, 2018, 1:04 a.m. 0 Report Embed 2
The End

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