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morghanah Morghanah .

Um casal, uma bruxa, uma maldição. Dois corações unidos pelos laços do amor que estão fadados ao mesmo destino: a morte.


Fantasy Medieval Not for children under 13. © Todos os Direitos Reservados

#fantasia #medieval #oneshot #tragedia #original #bruxas #vingança #lobisomens
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Em um vilarejo modesto ao sul do que hoje é conhecido como parte do território alemão, um casal de jovens casados dentre tantos outros de faixas etárias distintas, com e sem filhos, residia ali.

Sua moradia ficava bem mais afastada das outras casas ao redor do calmo e rústico vilarejo, entranhada em meio à floresta na qual os jovens faziam dela seu lar, entretanto, diferentemente do que pudesse parecer a primeira vista – isso porque eram eles mesmos quem cuidavam da casa e de suas terras – nenhum das partes vinha de origem humilde.

Muito pelo contrário, ambos pertenciam a famílias nobres e foram criados em "berço de ouro", mas algo aconteceu em suas vidas obrigando-os a sair de sua cidade matriz em busca de um pouco de paz e um novo lugar para chamar de lar, condenando-os a uma vida nômade sem terra fixa ou um local a onde pudessem estabelecer raízes.

Sem um lugar para o qual retornar.

Tudo por causa de uma única pessoa que numa bela e fatídica noite de lua de sangue, amaldiçoou-os. Uma bruxa muito poderosa que veio das terras áridas e desconhecidas do oriente, cujo nome era Zamira.

Dona de olhos cor de âmbar, pele levemente bronzeada – castigada pelo sol intenso do deserto –, traços femininos marcantes, porte magro e alto de curvas na medida certa e uma beleza misteriosa; chegou a terra natal do casal há muito tempo e de lá o fez seu segundo lar.

Seu refúgio.

Todavia o mais novo casal herdou tais domínios após a morte de seu antigo regente e pai de um deles. Um nobre de sangue azul cuja família dominava o local há séculos e com quem mantinha uma relação de respeito, quase devoção e amizade com Zamira. Mas a juventude, muito embora seja bem vinda e traga progresso, também traz consigo a arrogância e a prepotência de seus poucos anos de vida.

E foi por isso que tudo aconteceu.

O mais recente casal – cego pela soberba do poder recém adquirido e enorme medo devido ao tamanho dos poderes da bruxa – exigiu a saída imediata de Zamira de suas terras sob pena de morte, caso não obedecesse.

Algo não acatado, é claro.

Irritada com a situação e as blasfêmias ditas a seu respeito, pois nunca – jamais – fez algo contra os cidadãos do local desde que pôs seus pés ali, cuidando deles e lhes curando de inúmeros malefícios ao longo dos séculos; a bruxa decidiu não mais se calar perante tamanho ultraje, invés disso: agiu.

Era um bela e calma noite de lua cheia e o casal influente na cidade dava uma festa em sua suntuosa mansão para comemorar mais um ano da jovem senhora esposa do regente, quando eis que ela surgiu.

E estava linda.

Seus belos olhos âmbar eram iluminados por uma maquiagem pesada, ressaltando sua cor e formato distinto; a pele pálida por não mais ser castigada pelo sol reluzia de modo frio como se tivesse roubado todo o brilho da lua no céu – lua essa que perdera boa parte de seu brilho como se estivesse sendo devorada por algo invisível –, era coberta por um vestido rosa claro de um modelo bem diferente das demais damas no recinto, deixando partes de sua anatomia a vista de todos e os sapatos de salto alto faziam um barulho especifico em contato com o piso de cerâmica polida a exaustão.

Como uma serpente, ela entrou pela porta principal do salão e avistou a comemoração animada e seu convidados a se divertir, alheios a sua ilustre presença. Seus olhos sagazes buscaram o casal anfitrião que sorria alegremente para alguns convidados e em seus olhos era possível ver o amor que nutriam por seu parceiro, causando um silencio mortal ao caminhar em direção a Johannah e Ulrich.

Ao perceber o que se passava, o cavalheiro pôs-se defronte sua dama a fim de protegê-la do que quer que pudesse estar por vir e passasse pela mente da dama de rosa, enquanto sua esposa segurava em seu paletó, apreensiva, receosa e com medo do que poderia ocorrer a seu amado esposo.

O que fazes aqui, Zamira? Não foste convidada, retire-se – ordenou com severidade em sua voz mantendo-a baixa e isso a fez sorrir.

Irei em breve, meu senhor, mas antes preciso... – mirou os olhos claros da dama atrás dele — dar-lhes um presente. Afinal, estamos a festejar, não é? – o cinismo impregnava a voz feminina tornando-a ácida aos ouvidos.

Todos retesaram quando a bruxa olhou para seu lado esquerdo em direção a um dos belos quadros pintados a mão onde podia-se ver a imagem do pai de Ulrich, como se estivesse vendo algo ou alguém, quem sabe até falando com o mesmo em seus pensamentos.

Senhor Ulrich, vim até vossa suntuosa e aconchegante moradia num dia deveras especial para dar-lhes meu presente de anos a senhora sua esposa – a voz calma e gostosa de ouvir encantava a todos, pois muitos ali a escutavam pela primeira vez, assim como viam a sua figura também. — Sei que não fui convidada porque ou sou bem vinda. Infelizmente, nenhum de vós herdastes a educação presente no sangue de seus antepassados, o que é de certo modo uma pena. Todavia... – pausou e começou a caminhar por entre o semicírculo que os convidados fizeram ao seu redor e do casal foco de seu discurso — algo assim jamais impedir-me-ia de fazer o que almejo.

Seus olhos se fecharam, ao passo que buscou um pouco mais de ar e abriu ao braços ao parar de caminhar.

Eu conheço a vossas índoles, tenho ciência do enorme amor que nutrem um pelo outro desde a mais tenra idade. Eu estive presente durante seu crescimento, os vi dar seus primeiros passos, curei-os de várias moléstias ao longo de seus anos viventes e ajudei-os de tantas maneiras que somente seus pais sabiam disso, ainda assim por vós fui traída e injustiçada.

O silêncio dos convidados tornou-se pesado e sufocante.

Mordida pelo animal que cuidei e alimentei com tamanho carinho – os olhos cuja cor não havia igual em ninguém ali tornaram-se sombrios.

Raivosos.

Por conhecer-lhes bem e saber como são, o meu presente jamais será esquecido e não importa quanto tempo passe, todos lembrar-se-ão dele por muito tempo.

Um sorriso largo e perigoso formou-se em seus lábios rubros. Uma de suas mãos foi por ela elevada fazendo toda a iluminação artificial do enorme salão suntuoso feita por enumeras velas em belos castiçais e lustres de cristal, tremular violentamente como se balançadas por um vento não sentido por eles, então um dos muitos convidados adentrou o recinto ao berros, assustado.

A lua sumiu!

O som da comoção consternada das pessoas que permaneceram no salão, assim como os que saiam para ver se era verdade a divertiu, mas não lhe tirou o foco.

Sobre vós caíra, em toda noite de lua cheia, a maldição das formas, na qual cada um esquecerá quem és e buscará incansavelmente a sua metade e antítese a fim de exterminá-la enquanto o sol não raiar o horizonte novamente.

O som da exclamação assutada foi tudo aquilo que se escutou vindo dos convidados.

Sobre vós, Johannah, haverá a ascensão da besta sanguinária que habita dentro de ti, minha jovem. Não serás mais capaz de reconhecer nada nem ninguém e terás uma fome incansável por carne, seja ela humana ou não – um vento gélido eriçou os pelos da nuca da jovem que, atrás de seu amado, buscava refúgio e salvação das palavras austeras, vívidas e intensas da bruxa.

Johannah sentia em seu essência e alma que cada som saído da boca de Zamira tornava-se parte de si em seu espírito e não haveria pessoal em todo mundo, além dela mesma, que a libertasse de tamanha maldição.

Terá pelos por todo corpo e uma força descomunal em sua forma bestial e assustadora. Serás astuta e sádica durante a caça, mas esquecerás quem és e ferirás seus entes queridos, amigos e inimigos, pois para ti, minha cara, não haverá distinção alguma entre eles.

Sua voz soou quase cantada durante o encantamento e um vento frio abraçava a todos sem apagar as velas, a tremular como loucas, deixando o local ainda mais sombrio.

Não podes fazer isso, bruxa! Retire suas palavras execráveis de minha esposa, liberte-a agora. Eu ordeno! – Ulrich bradou, irado e consternado, sentido sua esposa tremular em seus braços e chorar baixinho sentindo medo.

Os olhos âmbar viraram-se na direção dele e esta apenas ergueu uma de suas sobrancelhas em sua direção, dizendo.

A vós, Ulrich, dar-lhe-ei o poder para caçar as bestas da noite e tudo aquilo que é imortal, como sei que desejas fazer por medo daquilo que não és capaz de compreender e por ver o quanto almeja proteger sua amada esposa. Todavia... – seus olhos migraram para os da jovem por um breve instante — buscará e sentirá Johannah em sua forma bestial aonde quer que ela esteja. Terás em sua figura animalesca tudo aquilo o que mais odeia. Desejarás com afinco a aniquilar e jamais descansará até cumprir com seu maior desejo e força motriz: a morte da besta. E assim como ela, também mudará de forma: ganhará asas de anjo, sua pele adquirirá a cor do brilho gélido da lua e seus olhos tornar-se-ão vermelhos como fogo. Alimentado pela chama do seu ódio por aquilo que jamais compreendeu ou aprendeu a respeitar, pois da mesma maneira como serás seu algoz, por eles também serás caçado.

Monstra! – vociferou ao sentir a mesma sensação que sua esposa, como se algo em sua alma começasse a se modificar naquele instante e o pranto da jovem foi ouvido por todos, trazendo satisfação a bruxa.

E tal encantamento terá seu fim somente quando uma das partes der fim a outra, matando-a com suas próprias mãos fazendo-se assim cumprir a minha maldição.

Deu fim as suas palavras e todas as velas do opulento salão se apagaram sob a exclamação consternada e desesperada de Johannah a berrar por misericórdia a plenos pulmões.

Em seguida o vento voltou a soprar dentro do recinto acendendo as velas, a sombra que devorava a lua lá fora deixando-a vermelha como sangue começou a regredir e a bruxa se foi como se ali jamais tivesse ido dando fim a célebre comemoração.





Muitas e muitas luas cheias se passaram desde a fatídica noite da maldição e em todas elas houve a transfiguração das figuras humanas em bestas sobrenatural, uma pálida com forma humanoide enquanto a outra perdia toda a sua humanidade e tornava-se um monstro sedento por sangue, vagando pelo semi breu de uma bela noite enluarada.

E como em todas noite de lua cheia o casal se afastava um do outro dias antes rumando sem um norte fixo, apenas com o intuito de que a distância momentânea mantivesse-os seguros de si mesmos, mas por um descuido quase calculado por Zamira, ambos esqueceram-se disso.

Ulrich havia ido até o varejo vizinho ajudar a encontrar algumas pessoas que haviam desaparecido, crianças para ser mais exata. Estas haviam sumido em plena luz do dia e um grupo e homens, bons caçadores, foram chamados para ajudar nas buscas as mesmas.

As buscas seguiam a todo vapor devido a uma pista que os cães farejadores de um dos homens achou e os levou a uma casa abandonada. O sol já havia se posto, mas mesmo assim decidiram prosseguir.

O dono do animais ia na frente e adentrou o casebre decrépito e abandonado. Estava tão empoeirado que parecia que havia séculos que ninguém habitava aquela casa. Os moveis antigos estavam espalhados pelo chão de madeira puída e o teto de onde ficava a sala não mais existia.

Ulrich entrou seguido de mais alguns homens e seus olhos atentos vasculhavam a todo o local, enquanto os cães farejavam para ver se encontravam algo novo, mas nada. Não havia mais rastro algum ali.

O jovem voltou seus olhos em direção a um espelho fosco, empoeirado e velho a sua esquerda, onde pôde mirar sua imagem difusa: olhos claros num médio de verde, os cabelos cortados num corte bastante curto e distinto dos demais cavalheiros, inclusive do seu eu mais antigo; vestes menos caras e mais plebeias e um mínimo sorriso foi esboçado por si, mas este morreu ao dar-se conta da fonte de luz que iluminava-o de cima, fria e imponente: a lua cheia.

Seus olhos fixaram-se na face cinzenta e apavorado, abaixou-os e mirou o espelho dando-se conta de que já era tarde demais. Não tinha mais como fugir ou esconder-se, pois seus olhos já estavam vermelhos quando mirou-os novamente através do seu reflexo no espelho.

E esta foi a última imagem que teve antes de tudo a seu redor afundar na escuridão.





Johannah estava em casa, sentada na sala a espera de seu amado e de boas novas sobre as crianças. Eles não tinham tido a graça de terem filhos e ela até já esperou um, mas o perdeu após uma das várias noites de transmutação na qual foi ferida durante a caça.

Preocupada com a demora, a jovem se levantou de onde estava e foi para o lado de fora olhar ao redor, engolindo seco quando percebeu que dia era.

Melhor dizendo: que noite era.

Fuja para o mais longe que puderes de mim, Ulrich.

Disse em voz alta sentindo o instinto animal tomar conta de si sem se aperceber quando seus pés começaram a se mover a passadas rápidas, numa quase corrida em direção à mata atrás da casa e quando pulou um obstáculo, não eram mais seus braços magros que viu em contato com o chão, mas sim, patas bestiais e enormes cobertas por pelos longos e negros como a noite sem lua e garras poderosas.

Seu corpo inteiro havia mudado para a besta sanguinária que deu origem ao mito do lobisomem.

Entretanto, sua consciência não havia adormecido como nas noites anteriores, mas sentia-se como se estivesse sendo controlada por uma força maior – uma marionete – pois não tinha controle algum de seus movimentos ou autonomia de decisão, apenas estava ciente de suas ações.

Nada mais.

O instinto guiava seus movimentos e a noite nunca lhe pareceu tão clara quando agora e, embora não houvesse controle algum, Johannah sentia na pele tudo o que a noite poderia lhe proporcionar. Uma sensação de liberdade, fome e urgência quase a deixavam cega, mas ela ainda sabia quem era.

Pena que de nada adiantaria.

A besta autônoma uivou para a lua e cheirou o ar da noite em busca de sua presa, sentindo a presença dela a milhas de distância e isso a fez seguir em disparada para o local, enquanto Johannah tentava a todo custo parar o próprio corpo, pois sabia a quem pertencia aquela presença.

Ulrich estava perto.

A cada nova passada larga o coração da besta acelerava e a ânsia crescia, alimentação pela ganância da maldição até que finalmente avistou a silhueta humanoide de porte elevado, esguio, com asas de anjo, despida e descalça, cuja tez parecia refletir toda a luz pálida da lua de tão branca que ela era, enquanto num contraste mórbido seus olhos ardiam num tom intenso de vermelho como se alimentados pelas chamas do inferno.

Ambos rosnaram ao mesmo tempo quando perceberam um ao outro e um ataque surpresa não era mais possível de acontecer.

O caçador projetou uma arma – metade espiritual metade física – usando sua energia e voou para cima da criatura que não deixou por menos e pulou em sua direção. O choque entre eles foi violento. Ulrich teve uma de suas asas seriamente machucada pelas guerras de Johannah, que teve seu peito rasgado de um lado a outro.

A besta, mesmo seriamente ferida, rugiu e partiu para cima novamente, cega pela raiva e confiante em sua força, mas o caçador era mais esperto e rodopiou no ar sendo capaz de afingi-la nas costas.

Já Johannah presa dentro do corpo via a cena e gritava para que seu amado parasse e/ou a escutasse clamando por si, mas de nada adiantava. Sua vontade não era capaz de sobrepujar a maldição e hoje, muito provavelmente, ela teria seu fim.

A besta partiu para cima novamente e desta vez atingiu o braços que brandia a espada longa do caçador, sentindo o gosto de seu sangue como de fosse tudo de que precisava no mundo, ouvindo o urro de dor solto por ele, satisfazendo-a ainda mais.

Caçador e besta tinham a mesma altura, por volta de dois metros, e olhavam-se nos olhos, estudando um ao outro em busca da melhor e mais letal forma de atacar, mas a fera era dominada por seus instintos e isso a fez atacar com tudo o que tinha. Eufórica de sentir mais daquele elixir vermelho que a deixou mais forte e curava suas feridas mais rapidamente, então partiu para cima e foi enganada, mas conseguiu rodopiar o corpo a tempo de abocanhar a perna do anjo, batendo seu corpo contra o chão algumas vezes, quase arrancando-lhe o membro.

A fera pôs-se por cima do anjo e agarrou seu pescoço, mordendo seu ombro e arrancando uma das asas com a pata ao som do grito de dor do algoz em plena agonia. A força dela parecia triplicada após beber do sangue do caçador, que fazia de tudo para sair de seu poder usando todas as suas forças.

Ele olhou para o lado e viu a espada próxima, então esticou a mão solta o máximo que pode para poder alcançá-la e a pegou, em seguida cravou a espada na lateral esquerda ouvindo o rugido alto de dor vindo da fera, enquanto a jovem lá dentro chorava e berrava para si mesma que parasse, implorando para que fosse morta ao invés de matar.

Atordoada pela dor, foi fácil de ser nocauteada por um golpe fatal no peito que a fez gritar de dor novamente, mas desta vez a voz de Johannah pode ser ouvida enquanto o corpo de medidas animalescas e olhos amarelados ia perdendo a forma dando lugar a verdadeira dona.

O caçador foi voltando a si aos poucos enquanto a via agonizar a sua frente, puxando ar sem conseguir respirar, engasgada com o próprio sangue.

Jo-Johannah – chamou-a com a voz ainda estranha do anjo enquanto suas medidas também diminuíam e a espada caia de suas mãos.

Ajoelhou-se ao lado dela e a amparou com cuidado, ouvindo seu protesto de dor ao ser tocada.

Perdoe-me – pediu, com os olhos ainda vermelhos, mas gradualmente regressando ao verde — Eu não... – calou-se ao sentir os dedos frios dela em sua derme e seus olhos lhe dizendo.

"Foi melhor assim, Ulrich. Não te culpes por isso".

E tal absolvição o fez engolir seco sua dor emocional.

Aguente, irei curar-te – mais uma negativa muda e a tosse alta dela o apavorou.

Irei ver-te novamente.

Johannah verbalizou a certeza que tinha dentro de si, enquanto sentia o corpo adormecer dos pés para cima e os olhos pesarem para desespero de Ulrich que nada disse, apenas observo calado os olhos se fecharem e a respiração cessar para nunca mais fazer aquele peito subir e aquele coração bater novamente.





Aug. 25, 2018, 10:20 p.m. 0 Report Embed 2
The End

Meet the author

Morghanah . Escritora faz algum tempo que migrou de outras plataformas para mostrar meu trabalho. Sou uma pessoa dedicada a historias mais densas com personagens tirados de uma mente conturbada por diversos conflitos internos e levemente insana, um detalhe importante que me fez iniciar a minha longa jornada na arte da escrita e, caso aprecie isso, seja bem vindo ao meu mundo.

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