A Colheita Follow story

ariane-munhoz Ariane Munhoz

O fim dos tempos chegou. Poucos foram capazes de sobreviver ao apocalipse. Aqueles que conseguiram, buscam a proteção dos Alphas em seu território, oferecendo aquilo que é pedido para ganharem um pouco mais de tempo. Lendas rondam a respeito do território daquele Alpha sombrio que, a cada dez anos, requisita a presença de um jovem Ômega para aplacar sua fome. Desta vez, Inuzuka Kiba, um jovem Ômega próximo da maioridade, é o escolhido, e ele sabe que, dessa missão, ninguém jamais retornou.


Fanfiction Anime/Manga For over 18 only.

#kiba #Shifters #drama #violencia #terror #horror #lgbt #yaoi #shiba #shinokiba #abo #fns #shino #naruto #lemon
Short tale
16
5059 VIEWS
In progress
reading time
AA Share

Destino Selado

* Naruto não me pertence.
* Essa fanfic é um presente para Deby Costa, companheira dos ShinoKiba, que nunca me abandonou, e que lê muitas das minhas fics! Muito obrigada! Se tem uma coisa maravilhosa que o mundo das fics me trouxe foi os amigos!
* Esta fic se passa no universo ABO, com algumas modificações ao meu bel-prazer para melhor andamento da história.
* Imagem da capa retirada da internet, créditos ao autor.


***


O clima frio e silencioso não o agradava.

Desde que aquele dia havia iniciado, Kiba já sabia qual seria o seu destino. Havia deixado o pequeno casebre dos Inuzuka com a mãe e a irmã aos prantos, assustado pela sentença que lhe abraçaria, mas, pelas lendas que rondavam aquele local, estava caminhando diretamente para os braços da morte.

Havia anos, uma guerra entre Alphas havia estourado no mundo, trazendo sangue e carnificina por onde quer que passassem, com a intenção de estenderem seus territórios de domínio. Era difícil dizer quantas vidas haviam se perdido em meio ao sangue e à dor.

Naquela época, Inuzuka Kiba ainda não era nascido e, mesmo mil anos após aquela guerra infundada, ainda via-se obrigado a pagar por um crime que não havia cometido.

Os olhos dourados se fixaram no castelo que parecia abandonado, os portões de ferro, cuja ferrugem corroía todo o material, o encaravam com a imagem de um besouro logo acima do que um dia havia sido uma fechadura, no entanto, apenas uma corrente mal posicionada segurava a estrutura.

Parecia um daqueles cenários das histórias de terror que sua irmã mais velha costumava contar antes de pegar no sono e ter pesadelos com isso, com a pequena diferença de que agora era real.

As orelhas lupinas proeminentes no topo de sua cabeça, herança de sua genética advinda dos lobos, moviam-se de maneira agitada. Kiba amaldiçoava-se todos os dias por ela e pela cauda frondosa que saía da base da espinha lombar, e que agora mantinha-se enrolada em sua cintura para que não ficasse entre as pernas evidenciando o nervosismo que sentia. Isso, é claro, se seu próprio cheiro não o traísse, e tinha certeza de que o Alpha em questão gargalharia disso – isso se não o devorasse em segundos, é claro.

Lendas a respeito de seu anfitrião rondavam e, enquanto caminhava naquela direção, Kiba se lembrava de cada uma delas.

Aburame Shino era um dos sobreviventes da guerra, um Alpha de casta vampírica, cujos poderes eram tão abismais que diziam por aí ser um dos demônios, irmão do próprio Lúcifer, quiçá sua encarnação na Terra.

Kiba respirou fundo, sentindo o ar enregelado queimar em seus pulmões, logo o inverno se tornaria tão intenso que as portas das casas ficariam cobertas pela nevasca de modo que ninguém conseguiria sair. Era nessa época do ano que a comida armazenada era regrada e distribuída por todo seu vilarejo de modo que não faltasse a ninguém. E, embora Shino fosse considerado um demônio, nenhum outro Alpha jamais atreveu-se a se aproximar de seu território, pois os poucos que haviam tentado tinham sido dizimados por pragas de insetos antes que tivessem a chance de fazer alguma coisa para se defenderem.

Os coturnos que calçava esmagaram as folhas podres no chão, a construção milenar que erguia-se majestosa diante de Kiba causou-lhe arrepios. Era ainda pior quando a vislumbrava pessoalmente, pois a mente infantil ainda tentava colorir o cenário horripilante que agora se tornava sua realidade. Quando Hana soube que o irmão seria a oferenda escolhida naquele ano, rangeu os dentes e chorou sofrida, arrependida por todo o medo que havia colocado no caçula – e aquela era uma decisão que não poderia ser revogada.

Os nomes de todos os Ômegas que completavam a maioridade naquele ano, e dos jovens até vinte e cinco anos, eram colocados em uma urna e selecionados através de um sorteio. Infelizmente, para Hana, substituir o irmão não era uma opção, pois ela havia nascido Beta.

Houve uma única colheita onde tentaram burlar o único pedido do Alpha que os protegia, enviando um Beta ao invés do Ômega requisitado, pois a aldeia contava com poucos deles para manter a harmonia. Naquele ano, uma praga de gafanhotos destruiu toda a colheita do vilarejo, trazendo um período obscuro de fome e desespero para todos os habitantes. O Beta enviado nunca retornou, mas um lembrete foi mandado para a família na forma de um coração ainda pulsante que fez com que a mãe do jovem Beta desmaiasse:

Nunca, sob hipótese alguma, desafiem a minha autoridade.

As palavras ficaram tão fortemente marcadas para todos ali que jamais ousaram a fazer algo como aquilo novamente.

Felizmente, para todos, jovens Ômegas nasceram naquela geração, o que significava que, por pelo menos duas colheitas, estariam seguros. Todavia, era sempre triste ver um deles partindo, ainda mais um tão cheio de vida e alegria como Kiba, sempre disposto a ajudar todos ao seu redor, jamais aceitando a condição que lhe fora imposta apenas por pertencer a uma casta mais fraca.

Afinal, não era sua culpa ter nascido um Ômega! O que ditava que ele deveria ser subjugado por outros apenas por sua condição? Como se fosse uma doença venérea ou qualquer coisa do tipo... E saber que precisava viver a vida nessas condições, sabendo que a qualquer momento um Alpha poderia reivindicá-lo como se fosse um território ou um objeto... não! Kiba simplesmente não aceitava isso! E havia vivido com esse pensamento durante muitos anos, embora em seu vilarejo tais atos tivessem como punição a morte, afinal, o Alpha deles havia instituído que não aceitaria nada do gênero, e, das poucas vezes que algo assim aconteceu, os culpados desapareceram sem deixar rastros.

Mas a vida não era ruim para aqueles que seguiam as regras de Aburame. Com exceção das décadas em que os Ômegas deveriam ser enviados, não havia nada de absurdo com os pedidos do Alpha, que até mesmo fornecia o subsídio necessário para que os moradores de seu território pudessem sobreviver sem que nada lhes faltasse.

Por isso, Kiba seguia firme em sua decisão: não seria devorado por ele! Não se tornaria apenas mais um alimento! Queria antes disso ter uma conversa, compreender o coração solitário de alguém que vivia em um castelo abandonado.

Parou diante da soleira, observando os gárgulas que olhavam em sua direção do topo da construção. Podia sentir os olhares julgadores e risonhos daquelas criaturas de pedra que, nas histórias de sua irmã mais velha, ganhavam vida e aprontavam peripécias contra as pessoas desavisadas, pregando-lhe peças como colocar cola super secante em seus sapatos ou deixar um tábua solta para que o indivíduo azarado pisasse em falso dando com a mesma no nariz; travessuras essa que Kiba repetia com gosto em sua infância!

Engoliu em seco ao ouvir o sonar dos morcegos que se escondiam muito bem sob os telhados da propriedade e respirou fundo, expirando o ar gélido diante do próprio rosto. Ajeitou a gola do casaco de pele que usava e abaixou o capuz, expondo os cabelos rebeldes e arrepiados úmidos pela garoa fina.

A porta de mogno continha uma aljava de ferro, exatamente igual àquela na entrada, cujo símbolo do besouro negro perdurava fosco com a ferrugem que embrulhava o estômago de Kiba, visto que o olfato apurado lhe fazia sentir o cheiro cem vezes melhor do que um shifter qualquer.

Estendeu a mão enluvada naquela direção e bateu-a três vezes contra a porta, esperando para ser atendido. Estava prestes a procurar outra entrada quando as dobradiças rangeram e a passagem para dentro lhe foi concedida.

Novamente, sentiu um tremor espalhar-se por todo seu corpo, mas desta vez não era apenas o receio. Olhos rubros cintilavam na escuridão no momento em que Kiba pisou dentro do casarão e a porta bateu atrás de si, selando seu destino.

Era a presença do Alpha: ele estava ali para recebê-lo e não parecia nada amistoso.

Notas:

Falando em se afogar em longs, essa aqui é mais uma pra coleção. Eu tenho nove capítulos digitados, todos nessa pegada curtinha, não terei data fixa pra postar, mas serão postagens semanais enquanto eu tiver capítulos.

Deby, essa é pra você, parceira de ShinoKiba, leitora fiel, e que está sempre presente. Espero que goste do presente em pequenas doses!

Sejam soft comigo, pessoal, é meu primeiro ABO!


Aug. 22, 2018, 11:47 p.m. 0 Report Embed 5
Read next chapter O cheiro do medo

Comment something

Post!
No comments yet. Be the first to say something!
~

Are you enjoying the reading?

Hey! There are still 16 chapters left on this story.
To continue reading, please sign up or log in. For free!