Meu Pequeno Rodolfo Follow story

gabiiwon gabi almeida

Kihyun tinha alguns problemas com o frio, simplesmente o odiava. Se o perguntassem qual a visão de paraíso, ele diria sem pestanejar: lugares com clima tropical. Era simples, o frio não trazia nada de bom, ficava mais preguiçoso, mais rabugento e com os dedos da mão congelados, não conseguia imaginar o que se passava na cabeça de uma pessoa que dizia gostar de tal clima, era loucura. E no inverno de 2015 passou a odiar até um tal de Rodolfo, qual Changkyun – o escritor de meia tigela que começou a frequentar a cafeteria onde trabalhava – vivia o mencionando como comparativo para o rubor de seu rosto, principalmente de seu nariz. E quem diria que em meio a tanto ódio no coração de Kihyun, teria espaço para o verão fora de época de Changkyun.


Fanfiction Bands/Singers For over 18 only.

#romance #gay #amor #lgbt+ #monsta-x #monstax #changki #changkyun #kihyun #boy-love
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Escritores são estranhos

Meu pequeno Rodolfo

Capitulo 1

Escritores são estranhos


Kihyun odiava e amava o inverno. Ele odiava o clima frio que congelava seus dedos e deixava a pontinha de seu nariz vermelha e irritada, sentia-se parecido com aquela rena do Papai Noel, Rodolfo. Nunca iria se esquecer de quando recebeu esse apelido um tanto quanto estranho, peculiar e irritante de seu ex-namorado e atual noivo. Quem olhava os dois juntos e felizes não imagina que haviam começado do modo mais estranho e aleatório possível.

Era o fim de 2015, Kihyun estava tentando terminar seu trabalho sem cometer nenhuma tragédia, a neve o irritava profundamente, pois tudo parecia ir mais lento. Esse clima frio e aconchegante só lembrava que haviam pessoas que estavam ansiosas para retornar para casa e se afundar em suas dez mil camadas quentinhas de cobertas sobre a cama e outras pareciam não estar com tanta pressa.

Kihyun ainda morava com a mãe, por isso corria o risco de a mais velha ter arrumado sua cama, e só de pensar em deitar naquela pedra de gelo que seu colchão já havia se tornado sentia arrepios correrem por toda a sua espinha. Bom, Kihyun não conseguia sair do trabalho para chegar em casa, as pessoas pareciam gostar do clima aconchegante que a pequena cafeteria do senhor Lee proporcionava. Diferente de si, Jooheon – o filho do dono – não parecia se importar com a demora dos outros.

– Ah, meu querido, o clima natalino me deixa assim! – Dizia alegre com a roupa de elfo que os funcionários eram obrigados a vestir todo fim de ano.

Tinha cheiro de pinheiro velho, tia-avó e poeira. Kihyun era alérgico a poeira e tias-avós, logo passava a maior parte do tempo espirrando deixando seu nariz vermelho. Se dependesse somente dele, nessa época com certeza iria ao Brasil ou qualquer outro país latino-americano que não nevava e que nessa época fizesse calor. Passaria os dias fritando no sol e as noites trabalhando em algum bar ou boate aproveitando das maravilhas da noite latina, mas infelizmente faltava o pequeno empréstimo para fazer tal viagem.

Naquela noite em especial – mais do que as outras – Kihyun estava irritado. Não tinha um motivo específico, haviam vários. Jooheon vez ou outra saia de seu posto de caixa e se tornava garçom, e muito mais raramente, Kihyun era chamado para ajudar na cozinha. Aquela noite estava tão louca, que o Kihyun foi convocado para ser cozinheiro e garçom, ou seja, seriam necessários dois dele, como isso é possível? Exato, apenas com um milagre de natal.

– Por favor, hyung! – Jooheon implorava. O cozinheiro que ali trabalhava já havia ido embora a tempos e nada do movimento acabar. – Eu estou ficando desesperado, é sério, eu vou ter um treco!

– Jooheon, não! Só tem dois garçons e eu sou um deles, não dá. Se vira. – Falou pegando a bandeja e dispondo os pedidos sobre ela, disposto a ignorar a cara de desespero do amigo.

– Você não tá me entendendo – A voz embargou totalmente. Era um erro desde o começo achar que Jooheon era bom cuidando de alguma coisa, ele já havia matado dois cactos e um bonsai, o que o pai dele tinha na cabeça quando o deixou cuidando de tudo? – A minha vida está nas suas mãos, Kihyun. Eu lá tenho culpa se os seus biscoitos são tão bons?

– Não. A resposta é não. – Respondeu e foi até a mesa atender os dois pombinhos apaixonados.

Antes de sair desejou que os dois congelassem na volta para casa. Não que fosse um cara melancólico que sonhava com o amor à primeira vista e chorava com comédias românticas à nível Adam Sandler, mas nessa época de frio até os badboys de seus sonhos se tornavam garotinhas de doze anos sonhando com o dia em que encontrariam o cara perfeito. Quando voltou com mais pedidos Jooheon ainda estava lá, com a mesma cara de cachorrinho, os olhos realmente marejados.

– Olha só... eu tive uma ideia. – Jooheon disse. O garçom revirou os olhos pronto para rejeitar, mas resolveu escutar tal proposta, afinal o clima natalino e essa época fria, deixava seu coração mais prestativo. – Você pode ir fazendo as massas e eu as coloco para assar, enquanto isso você vai entregando os pedidos.

– Você está louco, querido. – Falou virando as costas. – É humanamente impossível.

– Você não é um humano mesmo… é um elfo. – Falou laçando o menino com o avental e o puxando para dentro da cozinha.

Kihyun a muito não resistia, ainda estava chocado com a piada que o amigo tinha feito a segundos atrás. Jooheon estava a ponto de ficar louco, colocando o outro garçom mais apavorado do que barata quando as luzes são ligadas. Corria de um lado para o outro, o pobre coitado tentava equilibrar a bandeja e atender a todos, Kihyun apenas os encarava se perguntando o porquê da cafeteria ser tão extensa e ter poucos funcionários trabalhando em uma das noites mais agitadas do mês.

Quando terminou a massa e terminou de cortá-los nos formatos fofos, foi puxado por Jooheon para que atendesse os clientes – que nem estavam incomodados com a demora. Estava completamente sujo de farinha, andando de um lado ao outro rapidamente tentando dar o melhor de si, um sorriso caloroso junto de chocolate quente, biscoitos natalinos, às vezes até marshmallow.

.•*¨*•.¸¸♪

O dia de trabalho se aproximava do fim, os clientes começavam a apenas sair e menos entravam, isso significava que em poucos minutos Kihyun estaria pegando seu metrô e indo em direção a sua casa. Foi naquele momento que os anjos pareceram cantar, até o sino irritante da porta um pouco barulhenta pareceu música, Kihyun continuou encarando o homem que a atravessava, queria esganá-lo. Parecia que ia ficar por muito tempo, sentou-se bem ao fundo e ficou esperando enquanto olhava o cardápio, o garçom caminhou até ele com os passos pesados, torcia para que engasgasse com o farelo de algum bolinho.

– Olá, boa noite. – O homem disse sorridente. Estava abrindo o notebook sobre a mesa.

– O que o senhor deseja? – Perguntou forçando a sua educação, ainda precisava do trabalho.

Estava cansado, seus pés doíam e espirrava de cinco em cinco segundos, até pensou em apenas ir embora, mas prometeu que ajudaria Jooheon a fechar o estabelecimento. Depois que o homem pediu, ele começou a digitar incessantemente nem mesmo percebeu quando Kihyun deixou seu café e biscoitos ali, continuando digitando, parando apenas para ajustar os óculos que desciam vagarosamente pelo nariz, deslizando para a ponta fina e empinada.

– Seu café... – Anunciou e o homem tirou os olhos da tela grande e sorriu agradecendo.

Kihyun se retirou.

O movimento que já estava pouco, diminuiu muito mais e continuou à medida que se aproxima das dez horas da noite. Os dois garçons arrumavam as cadeiras e passavam o pano no chão enquanto o escritor não terminava o seu café com biscoitos, ao mesmo tempo que Jooheon limpava a cozinha.

Todos já haviam terminado e até Jooheon estava começando a perder a paciência com o escritor, ele parecia tão submerso em seu pequeno mundo que Kihyun duvidava que ele havia percebido que era o único ali.

– Eu vou lá. – Kihyun disse, o outro garçom já havia ido embora a muito tempo, estava apenas ele, Jooheon e o senhor mundo da lua no local. – Acho que se você for vai acabar assustando o rapaz. Vai lá dentro pegar as coisas que estão nos nossos armários, eu resolvo isso.

– Eu só quero fechar o caixa e ir embora pra minha casa. – Sussurrou e foi pra dentro pegar as coisas.

“O que aconteceu com o seu espirito natalino e a felicidade que o inverno te proporciona, hein?”, pensou.

Kihyun caminhou até o homem, achando fofo o modo que digitava e mexia a boca, ditando para si mesmo as palavras a serem digitadas. Chegou em silêncio e perdeu alguns de vários segundos encarando o menino a sua frente, apesar de achar ele um fofo não conseguia tirar a impressão de que ele estava tirando seus pequenos momentos na cama. Queria muito soca-lo.

– Com licença... – O menino o olhou assustado e franzindo o cenho.

– Sim?

– Nós temos que fechar. – Kihyun disse e o outro pareceu perceber agora que o lugar estava vazio, com todas as cadeiras para cima e o chão brilhando. Seus olhos duplicaram de tamanho e se curvou pedindo desculpas ao garçom a sua frente – Yah! Está se desculpando por quê? – Perguntou um pouco alto e puxando os ombros do outro para cima.

– Eu não queria prendê-los aqui... me desculpe por não ter percebido, ah! Eu sou um paspalho mesmo. – Comentou fechado o computador portátil e passando pelo garçom, pedindo mil desculpas novamente e indo em direção ao caixa.

Jooheon não havia nem voltado dos fundos, logo sendo também trabalho de Kihyun atendê-lo.

– Não se desculpe, tudo bem. – Sorriu pegando o dinheiro e entregando o troco. – Você é escritor? – Kihyun perguntou enquanto anotava no caderninho a última entrada do dia.

– Sim, eu estou começando na verdade... É um romance. Se passa em uma lanchonete, aí eu meio que queria… viver a experiência? – Contou com tom de dúvida, Kihyun acenou positivamente com a cabeça, fingindo entender o que escritor queria dizer.

– Isso é bom. Espero que seja um best-seller, livros de romance alcançam fácil esse título.

– Espero que o meu consiga também. – Falou sorrindo, os olhos tinham um brilho sonhador.

Kihyun havia saído um pouco depois, quase que ao mesmo tempo que o escritor, e seguiu para a estação, o vento estava realmente castigando seu pobre rosto. Sentia seus dedos congelando lentamente e é claro que se amaldiçoava silenciosamente por sempre esquecer de levar o bendito par de luvas que a mãe comprara para si no aniversário.

– Precisa de luvas? – Ouviu a voz do escritor e se virou, sorrindo largo e negando. – Eu tenho um par a mais, se caso eu perder uma… ou alguém precisar...

– Ok, já que insiste.

O menino aceitou de bom grado, não que a sua mão fosse imediatamente aquecida pela luva mágica do escritor, mas ajudou no processo.

– Vai pegar o metrô também? – O garçom perguntou.

– Sim. – Respondeu.

– O que foi? – Kihyun perguntou depois que o outro o ficou encarando com um sorriso tenro em seus lábios. – Tem alguma coisa no meu rosto?

– Não, quer dizer, seu nariz está vermelhinho por conta do frio…

– Ah! – Exclamou escondendo o nariz para esquenta-lo. – Eu odeio isso.

– Não odeie... Como é o seu nome mesmo?

– Kihyun, prazer.

– Prazer, Changkyun. – Sorriu guardando as duas mãos no bolso do casaco. – Como eu dizia, não odeie, Kihyun. É fofo.

E quem poderia imaginar que o escritor diria tão na lata que um nariz vermelho e cheio de ranho é fofo? Provavelmente era algum estrangeiro, não conseguia imaginar algum de seus amigos coreanos lhe dizendo aquilo com tanta naturalidade como Changkyun disse. Kihyun corava só de pensar nas pessoas lhe chamando de fofo, imagina se um cara diz isso a ele de verdade? Era como se estivesse queimando por dentro, um vulcão prestes a entrar em erupção.

Os dois entraram no vagão sem tocar no assunto, e mesmo que quisesse, Changkyun não comentou sobre as bochechas extremamente fofas do Kihyun, depois que elas tomaram a coloração mais avermelhada foi difícil ignorá-las. E Changkyun soube que havia deixado o menino constrangido com o comentário seguido de um elogio/observação, então resolveu não fazer mais comentários tão intrusivos sobre a aparência dele, mas queria muito comentar sobre como o cabelo o deixava tão adorável e que lhe lembrava algodões doces.

E seguiram conversando, Kihyun falava sobre sua faculdade animado e ansioso para que terminasse logo, Changkyun contou que havia começado várias faculdades, mas não se identificava com nenhuma delas. Tinha um papo profundo sobre não se encaixar em realidades programadas e palavras difíceis que deixavam o baixinho confuso e mais interessado, mesmo que não entendesse muitas das palavras que dizia – e às vezes até duvidava que estavam sendo aplicadas de modo correto – o que valia era a totalidade.

Estavam indo bem, até que Changkyun não conseguiu se controlar e soltou mais um comentário sobre a aparência do Kihyun.

– Seu nariz vermelhinho me lembra muito o Rodolfo. – Comentou.

Kihyun sorriu, afirmou e desviou o olhar, logo tratando de mudar de assunto. Os dois estavam tão entrosados que não foi um problema, falaram sobre música e enquanto a prosa seguia seus caminhos a cabeça de Kihyun apenas consegui pensar em quem era Rodolfo e porque caralhos ele se parecia com esse ser. Esperava que ele fosse ao menos bonito.

Trocaram os números de telefone, Kihyun não tinha tanta pretensão de chamar Changkyun, até porque não sabia como administrar suas conversas nos diversos aplicativos de mensagens, às vezes parecia que simplesmente ignorava as pessoas – e ignorava mesmo –, às vezes dava a desculpa de que não conseguia ver as expressões de outro, logo achava que estava desinteressado.

Quando chegou em casa e se deitou na cama – que estava desarrumada e bem quentinha – após um banho demorado e quente, o garoto resolveu pesquisar em seu celular quem era o tal do Rodolfo que Changkyun havia falado, mas não encontrou ninguém famoso ou com algum destaque em especial.

– Será que era algum amigo dele? – Se perguntou. – Não, não faria sentido, ele teria dito “você parece um amigo meu, o Rodolfo”.

Pegou o celular em suas mãos geladas e quase congeladas, mandou uma mensagem para o menino e esperou pela resposta, que não foi imediata, na verdade quando ela chegou Kihyun já estava no terceiro sono.

Eu: Oi, eu tenho que entregar a sua luva.

July 30, 2018, 12:12 p.m. 0 Report Embed 0
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