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xxkillthenoise Francielly Macedo

Ele sorriu com os olhos quando batucou com os dedos na mesa dela e seguiu em direção ao mural deixando um post it. Acenou pra ela e deixou o café, em seguida.


Fanfiction Bands/Singers All public.

#one-shot #korean #exo-k #exo-m #kim-Jong-Dae #chen #kpop #exo
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Capítulo Único


Ele passou mais uma pagina do livro e mais uma vez ela parou sua leitura para observá-lo. Corpo esguio de baixa estatura, que ficava bem de jeans e moletom, com um rosto redondo. Seus dedos finos que percorriam a borda da xícara, de momento em momento largando o recipiente para pegar na caneta e rabiscar seu velho caderno. Seus cílios longos se encontrando de instante em instante.

Superior e inferior.

Seus cabelos castanhos que a brisa adorava brincar que fica, olhos curiosos que desapareciam quando ele sorria. Por um instante ela se esqueceu de si própria e sua mente se prendeu naquela ciranda, naquela brincadeira repetitiva de decorar cada detalhe. Mas logo voltou a si, sacudiu a cabeça e voltou a atenção para o seu caderno que entre os milhares de “Chens” escritos nele havia uma frase que ela repetiu três vezes para si mesma:

“Ei garota, olhe um pouco ao seu redor, essa felicidade utópica pode te fazer definhar.”

Era isso que ela pensava. Que aquele sentimento não passaria de uma ilusão, que seu príncipe encantado estava fugindo no cavalo branco, fugindo para um lugar que nem os pensamentos dela poderiam alcançar.

Uma, duas...

Duas pílulas ela tomou, deixando o corpo relaxar sobre a cadeira. Estava cansada de nutrir aquele sentimento por Chen. Para ela, ele sequer a notaria, mesmo que ele fosse tão simples. Pois ela era inferior, não era inteligente, nem bonita, muito menos rica. O que os colegas chamavam da tríade do anti-sucesso.

Feia. Ela rabiscou junto da frase e bufou em conclusão.

Puxou os fones de ouvido da bolsa e plugou no smartphone deixando soar uma música de Pink Floyd. Balançou a caneta algumas vezes entre os dedos, enquanto o dedilhado da guitarra se misturava aos seus pensamentos. Seu peito doía, sua respiração pesou, estava sendo sufocada pelos sentimentos.

Seus olhos arderam quando ela voltou a olhar pra ele, era automático. Ela não conseguia evitar já que ele estava tão perto.

Feia. - escreveu novamente abaixo do primeiro... A inspiração chegara e ela começou a escrever. Seus sentimentos derramados em cada palavra forçaram suas lagrimas a virem junto.

Quando deixarei de ser coadjuvante para ser protagonista? O quanto eu gastei com os outros e não cuidei de mim mesma? Quando ele olhará pra mim? Quando ele verá meus sentimentos? Ele não pode vê-los através dessa carcaça imunda? Essa mascara quebrada? Será que um dia serei bonita aos seus olhos?

A caneta trilhava cada linha do papel, palavras e mais palavras, perguntas sem resposta. Sua letra já estava bagunçada devido as suas mãos tremulas, e ao chegar ao fim da página ela parou, retirou os óculos e esfregou as palmas das mãos no rosto. Olhou a xícara ao lado e provou do café já frio. Recolocou os óculos e automaticamente olhou para a mesa a sua frente.

Chen se levantava a encarando enquanto recolhia seus livros, rabiscou algo num papel azul e deixou o dinheiro da conta, cruzou o café passando em frente à mesa dela. Ele sorriu com os olhos e lábios pra ela, quando batucou com os dedos na mesa dela e seguiu em direção ao mural, colou um post it lá e acenou para ela deixando o café em seguida. Ela piscou algumas vezes tentando processar o acontecimento.

Levantou-se e caminhou até o mural, fitando o único papel azul no meio de tantos amarelos pregados ali.

Oh minha querida, você não é feia.

A sociedade que é.”

Ela arrancou o papel do mural e apertou-o forte contra o peito, enquanto lágrimas involuntárias percorriam seu rosto.

Talvez aquele fosse o começo de tudo.

July 25, 2018, 1:41 a.m. 2 Report Embed 1
The End

Meet the author

Francielly Macedo Pseudoescritora, Kpopper e desenhista de quando em vez.... Na vida real eu sou só farmacêutica mesmo.

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pi _1983 pi _1983
Às vezes só é preciso trocar a cor para que possamos ver, sob a ótica dela, que aquilo que achamos que não é, seja.
July 25, 2018, 1:10 p.m.
Amanda Karynne de Almeida Amanda Karynne de Almeida
Que texto lindo. Singelo, delicado - faz falta ler textos curtos feito esse que transmitam uma gama tão profunda de sentimentos. Tô emocionada. Simples, direto, franco como não se pode ser. Tô impressionada. Meus parabéns, Francielly Macedo. Seu texto calou fundo em mim.
July 24, 2018, 9:07 p.m.
~