Born To Be Wild Follow story

guardiangel Reira Trapnest

Motos. Estradas. Aventuras e confusões. A vida de um motoqueiro pode ter toda a sorte de coisas esperando em cada esquina ou cada bar. Afinal, Yuri e Otabek nasceram para ser selvagens.


Fanfiction Anime/Manga For over 21 (adults) only.

#drogas #sexo #yoi #otayuri #otabek #yurio #yuri-on-ice #ação #homofobia #motoqueiro #romancegay
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Capítulo Único

Notas iniciais:

FELIZ ANIVERSÁRIO ATRASADO MARIIII

Eu tenho uma filha linda demais e que merecia um presente cheio de tudo o que ela gosta de ler. Desculpa pelo atraso meu anjo, mas eu tava um pouco travada mais pro final. Ainda assim, espero que você goste, bebê!

Por favor, a todos que vão ler. Aviso logo que haverá consumo de drogas ilícitas durante a história, mas isso não significa que eu apoie o uso de drogas ilegais. NÃO USEM DROGAS E SEXO SÓ COM CAMISINHA, HEIN? Além disso, gostaria de avisar que essa fanfic contém citações de homofobia.


Dito isso, espero que se divirtam!


***********************


Aquele era seu lugar favorito de beira da estrada. Otabek parou sua moto no estacionamento de terra. O dia estava frio demais para que tirasse seu casaco e cachecol, então, tirou apenas o capacete, andou até a construção que tinha uma placa capenga escrita “Wings” e abriu a porta de ferro.

O cheiro de cerveja e couro se misturava ao de desodorante barato naquele lugar que mais parecia um buraco com conexão para o inferno. O som do metal clássico invadia seus ouvidos com melodias familiares deixando uma sensação de conforto e familiaridade.

- Hey! Otabek! O que vai querer hoje?

Perguntou JJ, o barman.

- Hoje vou querer só um Dr. Pepper.

- Você é o único que gosta dessa porra!

- Você me conhece bem... Sou um homem peculiar.

Respondeu o motoqueiro sorrindo.

Otabek sentou-se no bar, recebendo seu refrigerante favorito e tomando goles como se fosse a última bebida de sua vida. Quando terminou e colocou a garrafa no balcão, seus olhos vagaram pelo espaço cheio de homens com jaquetas de couro, barbas enormes e muito bem cuidadas, alguns de óculos escuros e com cervejas na mão. Uma figura, entretanto, destoava completamente do visual clássico do lugar. Certamente, o jovem nunca vira alguém tão inacreditavelmente bonito naquele fim de mundo.

Cabelos longos e loiros. Jaqueta preta com vários spikes metálicos. Unhas pintadas de preto. Lábios finos e olhos de um verde impressionante. Bebia algo escuro.

“O que aquela criatura faz aqui?”

- JJ!

Otabek inclinou-se próximo ao barman e perguntou:

- E aquele? Conhece?

- É a primeira vez que o vejo por aqui e ele já chegou trazendo confusão.

- Sério? Mas o que houve?

- Os caras do Paradise Demons fizeram gracinhas com ele e…

- E?

- O loiro mandou eles irem se foder. Foi hilário! Mas eu não ri, é claro. Não quero provocar a ira dessa máfia.

- Interessante…

- O que foi, Otabek? Todos esses anos nos quais você frequenta o Wings nunca te vi interessado em ninguém…

- Ninguém nunca me chamou a atenção antes.

- Se for investir, não deixa a galera do Paradise Demons perceber. Você sabe que eles são homofóbicos.

- Eu só vou conversar com ele. O que ele tem bebido desde que chegou?

- Uísque sem gelo.

- Corajoso… Manda mais uma dose em meu nome.

O barman colocou mais uma dose no copo e foi até o loiro. Otabek viu Jean falando com o jovem e, imediatamente, os olhos verdes o perfuraram, seguidos de um gesto com o dedo do meio que o moreno conhecia bem.

JJ voltou rindo do amigo, mas isso não chateou Otabek.

- Gostou do toco?

- Ele parece não querer ninguém por perto. Não vou insistir. Me dá essa dose de uísque que ele recusou.

- Mas você não está dirigindo?

- Tem um motel aqui perto. Eu posso ir andando até lá e passar a noite.

- Só não vai dirigir bêbado, hein?

Depois de alguns goles, Otabek já começava a ficar um pouco zonzo. Sua intolerância ao álcool era conhecida de JJ, que impediu que ele passasse do segundo copo de uísque mantendo-o sóbrio.

Seus olhos agora procuravam pelo loiro com mais afinco, assim como os de todos presentes no ambiente e, para sua surpresa, percebeu que o rapaz também lhe observava agora.

- Ei… Barman de merda! É impressão minha ou estou sendo observado pelos olhos felinos ali?

- Hm… Acho que sim. Quer que eu pergunte?

- Não! Da última vez você fodeu com minha imagem.

- Eu juro que só perguntei se ele aceitaria a bebida que você mandou.

Quando menos perceberam, o jovem que observava à distância agora estava ao lado do moreno bêbado.

- Quer dizer que você não pode levar um “não” que se embebeda logo após?

Perguntou o rapaz que tinha a voz um pouco rouca.

- Só quando a negativa vem acompanhada de um dedo do meio...

Respondeu Otabek sorrindo.

- Yuri.

O loiro ofereceu a mão. O moreno retirou a luva para corresponder ao gesto.

- Otabek.

- Não precisava ter retirado a luva.

- Eu curto o contato pele com pele.

O sorriso de canto de boca que surgiu em Otabek deixou o loiro ruborizado.

- Você chegou aqui que nem um gato. Nem deu para te ouvir.

- Meus movimentos são friamente calculados...

- E o que o gato quer comigo?

- Te consolar pelo toco de antes.

- Nem dói mais. Tá vendo?

Respondeu Otabek fazendo um círculo com as mãos na altura do coração.

Yuri agora tinha um sorriso aberto.

- Achei que iria gostar de uma compensação...

- O que te fez mudar de ideia?

- Não gosto de pessoas insistentes, mas você… Você desistiu de primeira. Acho que isso nunca aconteceu.

- Mexeu com seu ego?

- Um pouco... Mas acho que no final foi porque te achei gostoso para um caralho.

- Talvez nossos interesses estejam convergindo…

Yuri foi o primeiro a tomar uma atitude. Colocou uma de suas mãos na coxa firme do motoqueiro e gostou de sentir seu músculo duro.

- Como é sua moto, Yuri?

Perguntou Otabek um pouco mais ofegante do que gostaria.

- É uma Harley vermelha.

- Simples assim? Sem modelo ou qualquer tipo de informação?

- Quem gosta de ficar se gabando de números é gente insegura. Eu confio no meu taco.

- Depois dessa, vou até evitar falar da minha…

O loiro riu aliviando um pouco a pressão que aplicava no membro inferior de Otabek.

- Você disse sobre compensação, não foi? Tem uma máquina de karaokê ali do lado do bar…

- É um desafio?

- Conhece Born To Be Wild?

Yuri se levantou sem dizer absolutamente nada e se dirigiu ao karaokê. Acendeu um cigarro que retirou de seu bolso, tragou profundamente, colocou uma moeda na máquina e a melodia conhecida começou.

“Get your motor runnin'

Head out on the highway

Looking for adventure

In whatever comes our way”

“Coloque seu motor para funcionar

Pegue a estrada

Em busca de aventura

Em tudo o que aparecer em nosso caminho”

“Foda!”

Otabek pensou.

Todos no bar se viraram para olhar Yuri e se encantar com a voz rouca e grave que percorria as linhas musicais.

“I like smoke and lightnin'

Heavy metal thunder

Racing in the wind

And the feeling that I'm under”

“Eu gosto de fumaça e relâmpagos

O trovão do heavy Metal

Correndo com o vento

E o sentimento que ele provoca em mim”

Yuri estava tão entretido com a música que mal percebeu quando Otabek pegou o segundo microfone e começou a cantar a plenos pulmões:

“Like a true nature's child

We were born, born to be wild

We can climb so high

I never wanna die

Born to be wild!”

“Como um verdadeiro filho da natureza

Nós nascemos, nascemos para ser selvagens

Podemos escalar tão alto

Eu nunca quero morrer

Nascemos para ser selvagens!”

Suas vozes graves se misturaram e transformaram a canção em algo quase cru. Ao fim do som das guitarras, ambos voltaram aos seus lugares, e, agora, podiam observar claramente o burburinho do grupo de Paradise Demons sentados em uma mesa no canto do local.

- O que você fez para irritá-los, Yuri?

- Eles me chamaram de princesa e disseram que aqui não era lugar para boiolas. Basicamente eu mandei eles se foderem e continuei tomando meu uísque.

- Corajoso da sua parte. Não sei o quão familiarizado você está com o universo dos motoqueiros, mas saiba que esses caras são bem perigosos.

- Talvez eu queira sentar o cacete neles… Mas não hoje. Hoje eu tenho outros planos.

- Eu fui incluído nos seus planos?

Yuri sorriu para o moreno sem lhe dar uma resposta direta.

- Você canta bem para um fumante…

- Você não sabe? O cigarro engrossa a voz.

- E te deixa broxa.

- Preocupado com isso?

- Nem um pouco. O meu funciona perfeitamente, então acho que vai dar para o gasto…

- Você é pretensioso.

Yuri chegou próximo ao ouvido do outro e o desafiou em um sussurro:

- Eu não me contento com coisa pouca, Otabek. Sou ganancioso.

- Então vai ficar satisfeito com o que posso oferecer.

- Estou curioso. Vamos lá para fora…

Otabek foi mais rápido, tomando a mão do loiro e levando-o para os fundos do estabelecimento.

O motoqueiro agora tinha o corpo de Yuri completamente envolto pelo seu. Entretanto, seus lábios não se tocaram imediatamente. Otabek parecia esperar por alguma coisa.

- O que houve?

- Quero ver uma coisa antes de te beijar.

- O que…

De repente, Yuri sentiu a pressão que os quadris de Otabek exerciam sobre o seu. Ele sentiu que poderia enlouquecer só com aquilo. Seus olhos se fecharam involuntariamente e sua boca se abriu em um gemido rouco. O outro apreciou cada uma daquelas expressões como se desfrutasse da mais bela vista.

- Agora sim... É essa a cara que você vai fazer quando eu comer cada pedacinho seu?

Perguntou o moreno ao pé do ouvido do loiro.

A resposta veio dos lábios de Yuri que vociferaram contra os de Otabek. Era algo bruto demais para ser chamado de beijo. Suas línguas entravam e saíam das bocas de forma visível e todo aquele couro que os revestia já parecia demais, mesmo com o frio.

O moreno puxou as pernas de Yuri para cima e as enganchou em sua cintura, mantendo-o pressionado apenas pela sua pélvis.

- Otabek…

Gemeu Yuri sem pudores.

- Ainda bem que eu te disse meu nome… Essa cena está linda demais. Eu só penso em te levar para o motel mais próximo e te foder com força até seu corpo virar gelatina.

Yuri nem precisaria ser fodido por Otabek. Seu corpo já havia derretido pelo pouco contato que tiveram. Estavam ofegantes e nem mesmo haviam tirado a roupa.

- Se você não me levar daqui agora eu vou…

Um som de quebra-quebra foi ouvido pelos dois. Era bem perto.

“VIADINHO DE MERDA!”

Otabek e Yuri se olharam e tiveram certeza do que se tratava.

Acabaram indo de mãos dadas para o estacionamento do local sem perceber e quando chegaram, Yuri por um momento achou que fosse cometer um assassinato.

- O-O que vocês fizeram com minha moto seus filhos da puta?

- Quer dizer então que a princesa está sem moto?

Gritou o homem que parecia ser o líder da gangue.

- Eu vou arrancar a pele de vocês e vou dar de petisco para a minha gata.

Otabek olhou assustado para Yuri. Aquilo não iria terminar nada bem.

- Yuri, eu tenho um mau pressentimento quanto a isso…

O loiro soltou a mão do motoqueiro e foi em direção aos Paradise Demons.

A velocidade com a qual Yuri desferiu um soco no líder da gangue deixou todos estarrecidos e sem ação.

Vendo que os homens se preparavam para sacar as armas, Otabek correu até o outro, mas não a tempo de impedir que ele recebesse um soco de volta.

- Seu filho da puta! Vou queimar sua moto e deixá-la aos ped…

O loiro não pôde terminar a frase. Otabek o puxou correndo em direção à sua moto.

- Me solta! Eu vou estragar esses caras!

Gritou enquanto tentava em vão se soltar dos braços do moreno.

- Guarda essa ferocidade para quando formos foder!

Otabek sentou na moto e deu a partida no motor rapidamente. Yuri parecia ainda querer revidar à agressão, mas foi interrompido novamente pelo outro.

- Vai sentar ou não, caralho?

Yuri observou que os outros homens já partiam em direção às suas motos. Aquilo seria complicado demais…

Pulou na garupa da moto do moreno e nem ao menos tiveram tempo para pôr os capacetes. Otabek saiu em disparada tentando deixá-los para trás o mais rápido o possível. Os cabelos de Yuri voavam como ondas, deixando um rastro dourado pelo caminho. Ele abraçou o tronco do motorista tentando se segurar, devido a alta velocidade.

- Você acha que despistamos eles?

- Espero que sim. Mas há atalhos para a rodovia mais para frente, ou seja, eles podem nos alcançar se não chegarmos na cidade antes.

Respondeu Otabek.

- Então acelera sua Harley branca, príncipe.

- Príncipe?

- Me chamaram de princesa e ainda vem o bonitão na Harley branca para me salvar dos caras maus. Isso faz de você um príncipe, não?

- Talvez eu também seja um cara mau....

- Seria mais conveniente ainda, porque eu adoro um erro…

Ambos ficaram quietos durante um trecho da escada. Yuri tinha seu corpo colado em Otabek e sua cabeça repousando em seu ombro, aproveitando para inalar o aroma amadeirado e de couro que se desprendia dele.

- Otabek?

- Fale.

- Seu pau por acaso é tão grande que dá a volta e para nas costas?

- O-O que? Que história é essa?

- Eu estou sentindo um troço duro aqui…

- Ah! É...

Antes que o motorista pudesse responder, os sons dos motores das motos se fizeram presentes. Era uma caça.

- O que a gente vai fazer, Otabek?

- Yuri! Troca comigo!

- O que? Como assim?

- Assume a direção! Rápido!

As aulas de balé do loiro acabaram sendo muito convenientes naquele momento. Yuri apoiou o pé em qualquer lugar na moto e passou a outra perna por cima da cabeça do outro enquanto segurava no guidão da moto.

- Acelera essa porra e tenta desviar o máximo que puder!

Rugiu Otabek no ouvido do loiro.

- O que?!

A sessão de tiros contra os dois fora iniciada. Vinham de todos os lados e Yuri de alguma forma conseguia desviar em movimentos perigosos. Até que algo lhe assustou. O som de um tiro viera exatamente de trás. Com o som do tiro, ouviu-se também o som de uma moto derrapando. Na escuridão da estrada era difícil enxergar algo, mas Yuri sabia. Otabek abatera alguém.

- Puta que pariu! Era uma arma!

Mais um tiro de Otabek. Mais uma moto caída.

- Uhuuuuuuuuuuulllllllll!

Gritou Yuri bêbado pela adrenalina.

O moreno estava concentrado. Os projéteis continuavam voando, passando tão perto que apenas um movimento em falso representaria a perda de suas vidas.

Até que aconteceu. Otabek com os braços esticados, atirou em um dos Paradise Demons e a bala de resposta o atingiu de raspão na costela.

- Caralho! Morram seus porras!

Urrou com a dor sentida.

Yuri não tinha ideia de como Otabek estava aguentando. Entretanto, ele ainda disparou mais 4 vezes. Mais 4 quedas.

- Dirige, Yuri! Só falta o líder!

Yuri concentrou-se em sair da mira do líder que agora quase os alcançava. O moreno parecia querer economizar balas.

Otabek colocou o líder da gangue em sua mira, entretanto, foi vítima de seu truque sujo. De repente, o farol aumentou de intensidade e cegou Otabek por um instante. Tempo o suficiente para fazê-lo errar a última bala de seu tambor.

- DESVIA, YURI! EU TÔ SEM BALAS!

Para a surpresa do motoqueiro, Yuri diminuiu um pouco a velocidade e pareou a moto com a do líder.

- OI, PRINCESA! VOU TE MATAR POR ÚLTIMO, ASSIM EU POSSO ME APROVEITAR DO SEU CADÁVER AINDA QUENTE!

Exclamou o homem da outra moto, apontando a arma para Otabek.

Yuri sorriu de forma quase demoníaca.

- A gente se vê no inferno, então!

A faca foi puxada de seu casaco e lançada na altura da axila do homem, fazendo-o largar a arma e abaixar o corpo na moto.

O loiro chegou ainda mais perto da outra moto e gritou para Otabek.

- Empurra, Beka!

O moreno apenas obedeceu e ambos viram o inimigo caindo da moto em alta velocidade e indo em direção ao acostamento, enquanto eles iam cada vez mais rápido em direção à segurança.

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Yuri encostou a moto no primeiro motel que encontrou na cidade. A adrenalina ainda corria pelas veias dos dois, de tal forma que quase não conseguiam respirar. As pupilas ainda estavam um pouco dilatadas. Não foi necessária palavra alguma. Otabek nem mais sentia dor.

Deram entrada no quarto. Era iluminado por uma lâmpada rosa e que causava tonturas. Não era um exemplo de limpeza ou ao menos de beleza. Era sujo. Feio. Exatamente como o que acabaram de fazer e exatamente como o que pretendiam fazer.

Otabek sentou-se na cama. Olhos enfeitiçados pelos verde-esmeralda do loiro. O sorriso em seu rosto mostrava todas as suas intenções.

Yuri começou a se despir. Ao retirar o casaco, o homem que o observava teve a visão de seu tronco nu. O peito liso contrastava com os braços tatuados por várias raças de gatos. A luz rosada que batia em sua pele criava uma sensação etérea. Era um pecado macular aquela pele, mas Otabek desejava mais do que nunca deixá-la marcada de mordidas e chupões.

- Tira o resto.

Seu olhar mudou. Foi de decidido à completamente indefeso quando Otabek despejou sobre si aquelas palavras. Primeiro os coturnos. Depois a calça preta rasgada que revelava suas longas e torneadas pernas. Deixando apenas a boxer que usava.

- Você também vai me caçar, Beka?

- Eu levei um tiro por você. Você é minha presa até receber a punição por isso.

Um arrepio percorreu o corpo do loiro.

- E quanto à sua punição? Você foi muito mau hoje...

- Vem aqui, Yuri.

Ordenou o moreno.

Yuri foi até ele. Retirou seu casaco sem romper o contato visual aproveitando para sentar-se em seu colo. Uma mordida fora desferida contra o lábio inferior do moreno, mas ambos sabiam que calma e paciência não seriam necessários naquela foda.

Sem pensar muito, Yuri arrancou o casaco de Otabek. O machucado em sua costela era superficial, mas ainda suficiente para manchar sua camiseta branca com sangue. Ele tocou a pele ao redor da ferida quase sentindo pena.

- Você cheira, Otabek?

Perguntou em seu ouvido.

- Só quando eu preciso fugir da realidade.

- Quer entrar numa realidade só nossa?

- Só se nessa realidade nós passarmos o resto da vida fodendo…

Yuri puxou um saquinho com o conteúdo branco de qualquer lugar próximo e verteu uma pequena parcela do conteúdo no braço do outro. Otabek parecia embasbacado com Yuri enquanto ele passava seu nariz, absorvendo o pó. Ele sabia que não era um ato sexual. Mas naquele momento era.

Abandonou-o na cama, levantando-se, e começou a se despir. Tirou a camisa e a calça, deixando o outro completamente ensandecido por seu corpo moreno, largo e musculoso.

- Eu tinha razão. Você é gostoso pra caralho!

Yuri jogou o pó para Otabek que abaixou a calça e a cueca, deixando visível sua ereção. O loiro engoliu seco ao ver aquilo.

- Você disse que não se contentava com coisa pouca… Atendi às suas expectativas?

Yuri continuou vidrado em Otabek. Mal podia respirar com a antecipação.

- Vira de bruços e empina bem a bunda.

O outro fez como o motoqueiro o ordenara, começando a sentir a euforia característica, deixando um sorriso fácil. Otabek abaixou a boxer do loiro, raspando suas unhas curtas na pele branca, deixando marcas rosadas e arrancando um suspiro pesado de Yuri.

O loiro sentiu o pó sendo derramado em uma pequena trilha que ia da base de sua coluna até sua entrada já pulsante, e o arrepio lhe abateu como um raio quando o nariz do moreno aspirou todo o pó, deixando-o entorpecido quando a carne quente da língua circulou seu ânus.

- Se você é perigoso por fora, parece ainda mais perigoso por dentro. Tem certeza de que quer isso?

Disse Otabek, enquanto colocava seus indicadores, abrindo Yuri e olhando de forma lasciva para seu interior.

- Vou te responder enquanto ainda estou sóbrio. Você pode fazer o que quiser de mim…

Otabek se deixou levar por seus desejos. Lubrificou Yuri com sua saliva até que ela escorresse pelas pernas.

- B-Beka…

- Quem te deu permissão para me chamar assim?

A pergunta veio um leve tapa na coxa do loiro.

- Eu…

- Isso pode doer um pouco.

E junto com um tapa na bunda, Otabek se enterrou no outro. Ambos gemeram e se entregaram às sensações.

A euforia do pó. O prazer da carne.

Sem que percebesse, Yuri começara a rebolar, incentivando Otabek a ir ainda mais fundo, rompendo barreiras invisíveis entre si. A respiração do moreno era quente no pescoço de Yuri, que se empurrava de quatro contra o outro. Seus corpos emitiam um calor que bombeiro algum seria capaz de conter.

Suas mentes estavam leves. O sexo, pesado.

- Seu rosto… Eu… Ah! Ver...

Yuri entendeu de alguma forma o que o motoqueiro quis dizer e virou de frente, abrindo as pernas como um convite silencioso.

Otabek esticou os braços do loiro, segurando em seus punhos, enquanto beijava e chupava seu pescoço deixando-o marcado, como queria fazer desde o início. Foi descendo com a língua até encontrar um dos mamilos ao mesmo tempo que penetrou Yuri novamente fazendo-o gritar com o prazer do ato.

- Lindo! Quente… Você é macio…

- Fode mais…

Os quadris batiam de forma ritmada um contra o outro. O som de carne contra carne era o maior afrodisíaco que podiam experimentar. Perderam a noção de quanto tempo passaram fodendo daquela forma.

Yuri implorava por mais. Otabek correspondia. O suor escorria pelos cabelos. As pupilas dilatadas se encaravam. Ambos viam imagens distorcidas um do outro. O prazer era tão intenso que seus corações pareciam querer explodir. Se era a droga ou sexo, eles não tinham ideia.

O loiro foi o primeiro a liberar-se pela fricção entre os corpos, gemendo de forma lânguida.

- Y-Yuri!

Chamou Otabek, com o rosto banhado êxtase, derramando seu prazer nas entranhas de Yuri.

Após sentir tanta adrenalina, euforia e prazer, seus corpos desligaram-se como forma de autoproteção e ambos dormiram na posição na qual estavam.

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Quando Yuri acordou no quarto de luz rosa, ele não tinha qualquer noção de quanto tempo havia se passado. O corpo pesado de Otabek encontrava-se em cima de si, e dificultava sua respiração. Ele o afastou, entretanto, o moreno continuava em um sono pesado.

Fora uma noite definitivamente fora dos padrões até mesmo para ele. Apesar de tudo, ele a poderia classificar como a melhor noite de sua vida. Sentindo-se dolorido e sujo, foi até o banheiro apertado e tomou uma ducha. Não conseguiu se livrar do gozo de Otabek dentro de si.

- Maldito pau gigante!

Terminou o banho ainda reclamando e vestiu a roupa. Estava pronto para sair, mas ao mesmo tempo não queria que Otabek saísse de sua vista tão rápido. Afinal, eles ainda poderiam se divertir juntos…

Seu olhar visitou a chave da moto do outro e rapidamente ele teve uma ideia. Pegou o bloco e a caneta do criado-mudo e deixou um bilhete para o moreno adormecido.

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Otabek abriu os olhos e tentou entender aonde estava. O quarto escuro não lembrava o de luz rosa no qual passara a noite. Não havia ninguém consigo.

“Claro. Yuri não parece alguém que fica para o dia seguinte.”

Pensou.

Levantou-se e fora até o banheiro. O box estava molhado. Sinal da passagem de Yuri por ali. Enquanto a água corria por seu rosto, Otabek lamentou não poder aproveitar mais tempo com o loiro. A diversão que tiveram fora definitivamente uma das melhores coisas da vida do moreno.

Quando saiu do banho e foi até suas roupas em cima de um gaveteiro, encontrou uma nota assinada por Yuri.

“Roubei seu cavalo branco, príncipe. Se quiser de volta, me encontre essa noite na Rua Nove de Junho, 544. Vamos negociar a devolução…

Ass: Yuri Plisetsky

P.s: Gostei da cilindrada do seu motor.”

Otabek não sabia se estava puto por estar sem moto ou animado por encontrar Yuri de novo.

- Porra de loiro…

Otabek pegou o celular e discou para seu amigo que consertava motos nos piores estados possíveis.

- Alô? Victor? Tenho um trabalho para você. É pesado e você tem até o fim da tarde para terminar. Capricha porque é um presente.

“Um presente para quem?”

Perguntou a voz pelo outro lado da linha.

- Para um gatinho ladrão.


******************************


Notas finais:


E então? Gostaram? Eu amei escrever algo sobre o universo dos motoqueiros! Sempre tive vontade e de alguma forma se encaixou de forma excelente com o que eu planejava para o presente da Mari.


Beijos e até mais, pessoal!

July 18, 2018, 12:35 a.m. 3 Report Embed 3
The End

Meet the author

Reira Trapnest Otayuri Lover. Como a faculdade me impede de ser gente, escrevo por diversão. Adoro uma história fofa, real, dramática ou qualquer coisa, desde que seja bem construída. Sejam bem-vindos e espero que gostem das minhas histórias! <3

Comment something

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Isis Isis
Selvagem mesmo hein, viado! Yuri do céu, eu amo seu jeito desaforado mas mexer com esses caras barra pesada... eles estavam armados criatura! Gritei quando o Yuri sentiu a arma do Beka e perguntou se o pau dele era tão grande que enrolava hsauhsuhasuahusaha - quase. Geisa do sky. Nunca uma carreira de cocaína foi tão sexy. Eu tentava me forçar a pensar "ah eu fico triste" mas só estava conseguindo "credo que delícia". Eu ameeeei que o Yuri levou a moto branca do Príncipe! Me lembrou aquela música do Matanza, Ela roubou meu caminhão... só que na letra deles é término e nessa história, felizmente, foi só o começo. Adorei! Aceito mais desse universo, inclusive. <3
July 24, 2018, 3:46 p.m.

  • Isis Isis
    AH! Faltou dizer que a cena de perseguição foi foda! Vi tudo como se fosse um filme passando na minha mente! E amei Otabek bom de mira. Bom de tudo esse gostoso. July 24, 2018, 3:50 p.m.
  • Reira Trapnest Reira Trapnest
    Mano, eu to gritando que tu leu minha história de motoqueiro! Hahahahaha! E tipo, na minha cabeça, o Yuri é o dono da afronta total e ele tá pouco se fudendo se tá armado ou não porque ele gosta é da treta. Menina, do jeito que tu riu do negócio da arma, eu também ri escrevendo (imagino as pessoas me chamando de retardada no busão). As dorga, mulé. Eu fiquei "eu boto ou num boto? Ai eu tô com medo...", mas quer saber, é real, muita gente por ai se droga e a gente nem imagina. Mas se bem que o Otabek cheirando a carreirinha dele foi um troço que só saiu kkk. E o Yuri levando a moto do Otabek foi total ela roubou meu caminhão hahahaha. Já falando da cena de perseguição, acho que eu escrevi algumas vezes até ficar satisfeita, mas se no final a galera gostou, é um ótimo sinal. Otabek é o gostosão, bom de mira do pau grande. Quer mais? Só falta ser real... Muito obrigada por ler e comentar, anjo! Fico muio feliz que tenha gostado! <3 July 24, 2018, 8:19 p.m.
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