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Yue Yue Chan

Entre milhares de humanos, Mito, a súcubo mais perigosa dentre seu bando escolheu justamente Hashirama, o mais puro homem, ansiosa por corromper aquela bela alma e sugar dele toda sua energia vital alcançando assim seus objetivos nefastos, desejosa por destronar Asmodeus, o demônio absoluto da luxúria também conhecido como Gaara. Porém seria impossível se aproximar dele enquanto aquele maldito anjo guardião estivesse ao seu lado resguardando-o sem tréguas, sem jamais esmorecer.


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#lemon #hentai #naruto #reencarnação #anjos #demonios #gaalee #hashimito
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Memórias Amargas

Sejam bem vindos a este lindo projeto Hashimito que deveria ter um capítulo apenas, mas como sou descontrolada acabou ficando maior. Se tudo der certo, em três capítulos concluirei a saga.

Nem preciso dizer que não prometo, pois pode ser que se estenda por mais alguns capítulos, e que a interação com vocês é essencial para que o projeto vá a frente, certo?

Um detalhe é que a partir do segundo capítulo surgirão dois demônios que tem fic's apenas deles. Deixarei que se divirtam descobrindo os easter eggs ( apesar de estarem bem na cara rsrs).

A música que usei se chama "Fairy Tale" do Shaman. Claro, a letra está traduzida.

Vamos ao que interessa então minha gente.

*****************************

Aquela era a terceira noite em que se mantinha a espreita, atenta aos movimentos que aconteciam dentro daquele apartamento no segundo andar do prédio que se erguia imponente sobre os arbustos que o cercam.

Felizmente sua natureza sobrenatural lhe garante a subsistência sem água ou comida por dias afinco permitindo que possa manter guarda por horas e dias sem se preocupar. Contudo, não significava que poderia sobreviver sem se alimentar, afinal, mesmo sendo um demônio, precisava de energia para continuar sua sina maldita.

O problema era que havia um obstáculo entre Mito e sua fonte de alimento: um maldito ser alado que a trespassaria com a maldita espada de luz sem hesitar caso ousasse se aproximar mais do que aqueles seguros sete metros.

Rosnava de ódio só de lembrar da criatura.

Sabia que já se encontrava a mercê do perigo estando a essa distância pois o maldito era tal qual um radar, capaz de sentir a energia sinistra que se desprende de seu corpo mesmo que ela tente ao máximo se conter.

Já estava ali há quase uma semana a espera de uma deixa. Porém a vigília do anjo parecia perpétua e implacável.

Era péssimo. A cada dia que passava sentia sua essência exaurir, como fumaça que se esvaece com o sopro, enfraquecendo-a e tragando seus poderes demoníacos de forma gradual, uma constante que não poderia permitir sob nenhuma circunstância.

Não era segredo que ela detestava sua condição como Súcubo. Deitar-se com homens estranhos, noite após noite, mesmo em seus sonhos para lhes roubar o sopro sagrado da vida através de relações carnais era, de certa maneira deprimente. Não pelas vítimas, com elas não se importava nem um pouco, mas pela simples necessidade de ter que manter contato pele a pele com criaturas inferiores.

No entanto tinha plena consciência de que preferia mil vezes ser um belo e desejado demônio luxurioso do que um simples diabrete, a pentelhar os infelizes mortais. Caso perdesse sua energia vital – e consequentemente, seus poderes- seria rebaixada a tal posição, uma possibilidade que a rondava, mas que nunca aceitaria.

Preferia mil vezes desaparecer por completo sob o jugo da arma sagrada de algum ser celestial a se sujeitar a uma existência sendo integrante daquela ridícula casta baixa. Dava-lhe calafrios apenas imaginar quão ínfimos, ordinários e desprimorosas eram aquelas criaturas e suas medíocres ações por alimento. Eram títeres abobalhados e malvistos por toda a comunidade demoníaca, enxovalhados e desprezados por todos os demais que não suportavam sequer olhar seus rostos deformados, sempre enfeitados pelos toscos sorrisos de troça congelados, como se estivessem sempre em meio a uma traquinagem. Sorrisos que não desapareciam nem mesmo sob ameaças ou mesmo a morte. Os tais monstrinhos se limitam a rir como desmiolados enquanto aprontam suas pegadinhas. A maioria dos demais demônios nem mesmo se dá ao trabalho de matar aqueles diabinhos verdes e irritantes, pois uma vez detectada a sua raiva eles passam a te seguir e te usam como alvo para suas irritantes peripécias.

Não, ela sem dúvida não seria rebaixada aquela posição subalterna e vergonhosa, nunca se tornaria um demônio de quinta categoria como eles.

Ela tencionava se tornar um demônio tão poderoso quanto seu mestre, o belo e sedutor demônio ruivo Asmodeus, senhor absoluto dos pecados luxuriosos e comandante superior de todos os íncubus e Sucubos, comumente conhecido por seu outro nome: Gaara.

Sim, era um posto que desejava e por este único objetivo estava a caça daquele humano em particular.

Percebeu o movimento dentro do apartamento se alterar e instintivamente lambeu os lábios de maneira sedutora. Mesmo que não estivesse ao lado de sua vítima não conseguia evitar um trejeito lascivo que lhe era natural. Apertou os lábios em expectativa e seus olhos verdes brilharam luxuriosamente rubros, queimando em crescente excitação.

Se ainda fosse a tola humana de trezentos anos atrás, facilmente teria suspirado encantada ao vê-lo vagamente debruçar o tronco sobre o parapeito a janela com aquele olhar fascinado a olhar para as estrelas. Não lhe agradava lembrar-se de como era tola e suscetível quando não passava de uma reles mortal. Apesar de não se recordar de nada de seu passado o sentimento era vívido e familiar.

Felizmente ela não era mais humana, e não se fragilizava com aquelas pequenas insinuações que em nada lhe provocavam.

Soltou um leve esgar de prazer ao perscrutar o rosto sereno daquele humano que insistia em olhar o céu todas as noites em busca de inspiração para suas sonatas. Belo, e cativante. O melhor de tudo: puro, o que o tornava uma presa perfeita, facilmente dominável.

Hashirama tinha uma alma tão virtuosa que a tornava ainda mais desejável aos demônios, principalmente aos íncubos e súcubos que apareciam aos borbotões e eram prontamente enxotados por Mito que não se permitiria dividir sua presa com ninguém. Não que ele fosse um puritano ou algo do tipo, pelo contrário, não era virgem tampouco tolo e já havia se envolvido em relacionamentos anteriores e provado das delicias que o prazer carnal proporciona. Por alguma razão desconhecida, permanecia solteiro mesmo que não lhe faltassem pretendentes, como se estivesse pagando uma penitência ou algo do tipo.

Fato era que seu espírito era majestoso por dois fatores: o primeiro por ser um homem altruísta, amoroso e de ações íntegras, que dificilmente se entregava ao chamado de pecados como a mentira, soberba, ganância, entre outros. O segundo, e que o tornava ainda mais cobiçável, era o fato de ser um dos "escolhidos de Deus", um status divino -ainda que ele fosse um humano comum- que , segundo a crença, proporcionaria a besta demoníaca que o corrompesse, a energia necessária para se tornar um demônio de casta superior, próximo ao próprio Lúcifer, algo que Mito almejava com todo ardor de sua maldita existência.

Poderia então se vingar por tudo o que havia acontecido em sua breve vida humana, da qual foi arrancada impiedosamente por seus semelhantes.

O problema era o empecilho alado que aquele bendito humano trazia praticamente a tiracolo sem perceber. Um detestável anjo que lhe seguia a cada passo, guardando-o com aquela espada flamejante, pronto a cortar qualquer demônio que tivesse a coragem e audácia de aparecer a sua frente.

Revirou os olhos quando o viu erguer uma pequena harpa, deslizando os dedos delicadamente pelas cordas, entoando uma nova melodia enquanto encarava a lua cheia no céu com o olhar sonhador e patético de bobo apaixonado. Não pode evitar um pequeno riso de canto ao presenciar a cena; aquele humano era tão piegas que lhe embrulhava o estômago. Sempre espalhando bondade e carisma por onde passava, compondo aquelas canções melosas, com aqueles versos cheios de firulas e belas palavras. Dava-lhe ânsias, afinal era um demônio sexual e envolvimentos amorosos, assim como carícias, trocas de olhares e juras de amor não faziam parte de sua personalidade.

Suspirou fatigada.

Seria mais uma noite em vão, com aquele sujeito a entoar suas maçantes canções de amor que em nada lhe apeteciam, enquanto ela aguardava por uma brecha nas defesas de seu guardião, que por vezes precisava se ausentar, deslocando-se para ajudar amigos em combate, deixando-o desprotegido por alguns minutos que seriam mais do que suficientes para que Mito o atacasse.

Infelizmente, para seu descontentamento e completa frustração, de nada adiantava a oportunidade se ele estivesse acordado, uma vez que só podia ataca-lo em sonho.

Resignou-se encostando no muro e remoer sua falta de sorte e a patetice do humano que parecia ter aversão a uma boa noite de sono.

No entanto sentiu algo diferente em seu interior quando os primeiros acordes chegaram aos seus ouvidos. Um sentimento novo e arrebatador, que realmente mexeu com seu âmago, gritando em sua alma, como nunca dantes havia ocorrido.

Aquela música... não era nova, mas antiga e ela conhecia, ou a menos algo em sua mente lhe dizia isso.

"Senhora encantada, que espera ao muro

A vida é curta a espera é longa

As estrelas ao longe, fracas com o alvorecer...

Senhora encantada, que espera ao muro"

Sua alma gritou em consonância, em desespero, e estranhas lágrimas brotaram faceiras em seus olhos.

Surpresa, Mito tocou os próprios olhos, sentindo o líquido escorrer em abundância. Odiou aquele sentimento que fazia seu coração arder de maneira desconfortável, não o compreendia, afinal era um demônio. Canções, juras, afagos, qualquer artificio de aproximação ou pedido de clemência eram inúteis, pois ela não sentia nada senão sentimentos negativos, lascivos e odiosos. Mesmo assim sentia-se dominada por aqueles acordes que lhe soavam familiares de uma maneira avassaladora. Era impossível que algo assim estivesse acontecendo.

"Seu conto apenas começou

Ele vem de longe, da Terra de Lugar Nenhum"

Um calor se alastrou por seu peito a cada nova palavra pronunciada.

Sentiu-se entorpecida, incapaz de pensar e acabou se aproximando de forma incauta, enlaçada e arrastada pela voz que soava rouca e convidativa, levemente envolta em tristeza.

Ao mesmo tempo, algo em sua mente, memórias de uma vida passada, bradavam avisos para que se afastasse. Clamores silenciados pelo desejo insano que crescia em seu peito, levando-a para mais próximo, guiando seus passos sem que percebesse.

"O vento está soprando um som bem conhecido...

Senhora encantada, seu amor há muito se foi."

Mais lágrimas vieram aos seus olhos e dessa vez ela levou a mão trêmula ao peito ao ouvir aquelas palavras. Uma dor sem fim há muito escondida retumbou dolorosamente em seu coração, e por pouco não sucumbiu de vez. O que era aquilo? Como podia estar chorando se não o fazia a séculos? E porque sentia aquele desespero e angústia vindouros de uma existência da qual havia abdicado há muitos anos, cujas lembranças estavam aterradas no canto mais escuro de sua alma?

"Oh, a vida é boa...

Oh, a vida é boa...

Oh, a vida é boa...

Tão boa quanto você desejar!"

Sim, era boa. Mesmo que fosse privada de estar em seus braços todas as noites por conta das malditas contendas que levavam seu calor para longe, sempre que se reencontravam era em meio a beijos, afagos e carícias amorosas que se entregavam ao júbilo daquele amor profundo que preenchia seus corações por completo.

_ Éramos tão jovens, imaturos e sonhadores, Martin. Tão tolos...- sua voz saiu minguada por entre os lábios, naquela estranha afirmação cheia de pesar, deixando-a atônita. Não fazia ideia do que estava falando, mas ao mesmo tempo parecia tão certo. - Naquele tempo acreditávamos que seríamos felizes para sempre.

Mas algo deu errado, ela sentia mesmo sem conseguir compreender. A maldita dor que a atormentava lhe dava essa certeza.

"Linda dama, os cavalos estão de volta

Trazendo alegria e felicidade!"

_ Não, eles trouxeram dor, desespero e aflição. – sussurrou inconscientemente, levando os dedos a frente dos lábios e tocando-os de leve como se não os reconhecesse como parte do próprio corpo. Sentia como se outra pessoa falava por intermédio dela.

"Mas de repente os cavalos se foram

Foi apenas o som de seu coração batendo sozinho"

Fragmentos de memória lhe encheram a mente. Se viu em outra época e lugar a correr para a comitiva que retornava de mais uma contenda, com seus estandartes tremulando ao sabor do vento. Sentia o coração saltitar, transbordando felicidade com a proximidade. Tremia de ansiedade, irradiando a alegria que sentia ao já se imaginar entre os braços de seu amado, aproveitando de seu calor e proteção.

Ao seu lado, outras esposas vinham ao encontro do grupo, algumas com filhos nos braços ou a tiracolo, todas exultantes pelo esperado reencontro que há muito ansiavam. Ela também trazia o herdeiro, ainda em seu ventre, radiante por poder dar a notícia a seu amado cujo afagos e beijos não experimentava há meses. Ele ficaria tão emocionado e satisfeito quando soubesse da notícia, romperiam em alegria juntos, pois era da natureza de Martin ser um alegre sonhador, uma criatura pura que levava a vida a distribuir com todos sua felicidade, sempre com belos sorrisos e palavras de conforto.

Como amava aquele homem. Por Deus, não seria capaz de viver sem aquele sorriso.

Seu coração disparava antecipadamente e ela ouvia as amigas gritarem-lhe para que detivesse os movimentos bruscos por causa da gestação em curso, mas em sua euforia, Eleonora não as escutava.

Foi então que buscando o rosto gentil e alegre de seu amado entre os cavaleiros, não conseguiu distingui-lo por mais que procurasse.

Seus passos diminuíram aos poucos, perdendo o ritmo até que se tornassem leves e inconstantes.

Onde ele estava?

Observou cada rosto abatido e percebeu enfim o rosto do irmão dele a encará-la com o olhar pesado e culpado, tal qual nunca havia vislumbrado.

Deteve enfim os movimentos, sentindo-se congelar no lugar. Onde ele estava, afinal? Encarou o semblante abatido do cunhado, e seu estômago revirou violentamente.

_Onde está o meu Martin?- questionou com a voz trêmula sentindo a garganta secar a espera de uma resposta. Talvez ele estivesse em tratamento com alguma curandeira, ou mesmo no fim da comitiva com os feridos a serem tratados, tentou se acalmar, muito embora soubesse que o olhar pesaroso do cunhado sugeria outro fim, um que ela se negava a acreditar.

Não se viam há meses, mas percebeu o olhar de Dante descer até seu ventre volumoso antes que lágrimas lhe assombrassem, desanuviando sua face sempre tão séria e compenetrada. Os lábios dele tremeram e uma eternidade inteira pareceu transcorrer antes que ele enfim conseguisse pronunciar com a voz embargada.

_ Sinto muito, Eleonora... eu não consegui chegar a tempo.

"Oh minha querida, agora não posso conter meu choro
Minhas lágrimas me afogaram
E me recuso a acreditar"

Foi como se um buraco se abrisse por debaixo de seus pés e ela caísse em um infinito negro de dor. Sentiu-se fraca e trêmula e seus joelhos cederam, incapazes de segurar o peso do próprio corpo. Felizmente foi amparada pelo cunhado que havia descido do cavalo e evitou que ela tombasse ao chão, abraçando-a ternamente.

Pela primeira vez Dante demonstrava sentimentos que não os típicos e usuais olhares de mofa e asco, o que tornou o momento ainda mais estranho e pesado. Eleonora sentiu o corpo dele tremer enquanto a enlaçava fortemente, buscando dar e receber conforto. Nunca haviam sido íntimos, em verdade, o outro era circunspecto demais para demonstrar emoções. Todavia naquele momento ele se desfazia em lágrimas amargas que molhavam o tecido de seu vestido.

_Me perdoem... eu... – era incapaz de completar as orações.

_Onde ele está?- perguntou se afastando dele, empurrando-o levemente.

_Não acho que seja uma boa ideia você vê-lo estando nessas condições. – seu olhar desceu mais uma vez para o ventre avolumado da cunhada, e mais esgares de pesar se formaram em seu sempre tão sisudo rosto. Era visível em seus olhos que aumentava sua culpa saber que ela estava a espera de uma criança.

_ Eu preciso... – não podia acreditar antes que seus olhos vissem.

Sem alternativas, Dante anuiu brevemente com um leve movimento de cabeça. Ajudou-a a se levantar e atravessaram juntos a comitiva, entre mulheres que choravam a perda de seus maridos e outras que os recebiam aliviadas, porém pesarosas pelas viúvas.

Eleonora encarava a tudo com olhos mortos, descrentes, como se não conseguisse processar o que via a sua frente. Várias haviam sido as vezes em que ela havia guardado os próprios festejos para o seio de seu lar em respeito as que pranteavam seus companheiros. Sentiu o coração pesar ainda mais ao saber que dessa vez não haveria festas, apenas suas lágrimas.

"O que resta à minha volta
É tudo tão estranho, é tudo tão escuro
Estou sozinho aqui
Para juntar os pedaços do meu coração"

Amparada pelo cunhado, chegou as carroças que traziam os falecidos e precisou de apoio a cada passo, pois sentia que cairia a qualquer instante. As mãos de Dante agora estavam firmes, e não vacilavam, e Eleonora sabia que ele desejava cuidar dela e do sobrinho ainda não nascido como uma maneira de se redimir e aplacar o sentimento amargo de culpa que lhe tomava o coração.

"Pequena senhora, seu conto tem um fim
Pois seu amor aos céus foi enviado
Ele se transformou em faíscas que brilham com as estrelas ..."

A noite se aproximava rasteira e o crepúsculo lançava seus raios alaranjados pelo campo, iluminando o rosto de Martin quando a mortalha foi removida pelo cavaleiro responsável pelos soldados abatidos. Um grito de dor e descrença rasgou a garganta de Eleonora quando viu o semblante do marido e ela escondeu o rosto no peito de Dante enquanto prateava, juntando suas lágrimas as dele, sentindo o calor de seu abraço, sem conseguir acreditar que nunca mais estaria nos braços de seu amado Martin.

Seus olhos ainda vertiam lágrimas quando ela enfim se deu conta de que havia se aproximado demais.

Um vento rasante a fez interromper bruscamente seus passos, e sua essência demoníaca captou o sinal de perigo que aquela aura divina lhe apresentava.

Desperta pela necessidade de autopreservação, Mito agilmente saltou, desviando por pouco a lâmina flamejante que quase lhe decepara a cabeça de maneira impiedosa, rasgando o ar enquanto deixava um rasto azul violeta em seu curso.

Pousou delicadamente alguns metros distante e rosnou encarando o semblante duro e aterrorizante da criatura celestial que mantinha as enormes asas alvas recolhidas as costas, sustendo a espada de maneira imponente, deitada ao lado direito do corpo, pronto a desferir mais um golpe caso ela se aproximasse mais um milímetro que fosse.

Seu semblante endureceu ao fitá-lo em toda sua pomposa glória celestial.

Odiava aquele ser com toda as suas forças, e queria poder estraçalhar aquelas malditas asas que o permitiam se movimentar com mais velocidade que ela. Se pudesse ao menos se aproximar e pegá-lo desprevenido, arrancaria uma por uma das alvas e belas penas, e o faria sangrar e implorar pelo fim de seu suplício, antes de misericordiosamente dar fim ao seu sofrimento extirpando-lhe a cabeça, decepando-o lenta e dolorosamente.

Claro, faria isso apenas depois de apreciar a bela visão que seria ter um anjo daquele porte perecendo ante suas garras.

Mas quando teria oportunidade? Ele era poderoso demais, e somente um demônio de patente elevada seria capaz de tal feito. Em seu estado atual, Mito não conseguiria nem ao menos resvalar suas garras na pele dourada. A própria aura que ele emitia sugava-lhe as poucas energias, convertendo-as em energia sagrada, tornando ainda mais perigosa e impossível sua aproximação.

_ Saia, demônio! Afasta-te ou darei fim a tua nefasta existência!- a voz metálica retumbou em seus ouvidos, congelando-a.

Não seria necessário pedir mais uma vez, ela o faria sem pestanejar, mesmo que desejasse voar em seu pescoço e lhe rasgar a carne sagrada, maculando o chão com sua essência celestial, arrancando nacos com os dentes.

Entretanto se deteve ao encarar aqueles olhos acobreados, sendo atingida por uma epifania que a deixou perplexa por alguns segundos, antes de poder se pronunciar.

_Dante?- instou com os olhos questionadores, fixos no semblante sublime do ser celestial que por alguns breves momentos pareceu hesitar ante a pronúncia daquele nome. Uma perturbação que se desmanchou segundos depois, cedendo novamente lugar ao cenho austero e determinado.

_Não mais. – respondeu secamente antes de se atirar novamente a seu encontro.

**********

Ansiosa por saber o que esperam da trama rsrs

Não me deixem na mão. 

July 13, 2018, 11:58 p.m. 0 Report Embed 0
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