Zero Absoluto Follow story

xxkillthenoise Francielly Macedo

Zero graus célsius, temperatura na qual a água congela. Mesmo que do lado de fora esteja em pleno verão, por dentro Kyungsoo permanece no grau zero, Seu coração congelou, e seu amor ficou preso dentro, embora este sentimento tenha rachado seu coração, o gelo permanece intacto. Do Kyungsoo é uma pessoa fria.


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#do-kyungsoo #exo-m #exo-k #exo
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Capítulo 1- Nana

Uma flor fria.

A atmosfera em volta dele era diferente, tão belo, mas mesmo assim tão intocável como se houvesse uma barreira de gelo ao seu redor. Ela o observava há um bom tempo, mas sua mente estava tão inebriada naquela figura, que ela se quer sabia no que pensava, ele não era bonito, na verdade não parecia ter alguma formosura que chamasse a atenção, mas o seu redor que parecia moldar-se e harmonizar com a imagem dele.

Mal sabia ela que aquele rapaz tinha uma ferida em seu coração, sua redoma de gelo não fora capaz de protegê-lo. Um amor... Será que aquilo seria mesmo chamado de amor? Uns dizem que o amor não machuca, mas a verdade é que antes deles filosofarem sobre esse sentimento, há muito tempo atrás, os homens já sabiam que amar e sofrer sempre estariam no mesmo patamar.

“Tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.

Quando o metrô parou e as pessoas começaram a desembarcar, ela instintivamente o seguiu por entre a multidão, parecia tão pequeno, tão frágil, tão belo aos seus olhos. Perdida em pensamentos ela observou cada detalhe do corpo do garoto, sua magreza, seus cabelos castanhos pouco bagunçados, o caderno volumoso em baixo do braço, a gola da camisa desarrumada, o anel no anelar direito.

Parou por um instante enquanto ele acariciava o filhote de gato preto, pouco antes de cruzar o portão do colégio. Nana olhou o próprio anel, enquanto seu colega cruzava os portões, aquela peça era algo em comum de fato. Em comum com ele e com todos os outros que estudavam e trabalhavam ali, aquele anel representava mais do que um simples fardamento, era como se fosse um selo de qualidade que apenas os melhores do estado obtinham.

- Nana! – ela sentiu uma mão repousar sobre seu ombro, era Erin, sua colega de trabalho. – vamos juntas?

- sim. – respondeu, acompanhando a amiga.

Era o começo de mais um ano letivo, mais um que Nana permanecia observando aquele rapaz frio, a pouco ela descobrira o nome dele: Kyungsoo, Do Kyungsoo. Tinha a mesma idade, ele era professor de história, ela de literatura, ele fluente em inglês, ela fluente em alemão, ele nevasca fria, ela... Ventania de outono talvez. Por mais que ela quisesse ser um calor de verão sua mórbida rotina acabava com sua agitação, e Nana acabou se acostumando com as alegrias ofuscadas pelo emprego maçante.

Não que ela detestasse lecionar, pelo contrário, aquela era sua maior paixão. Dividir o que aprenderam com qualquer que tenha interesse era seu maior prazer, preparar seus alunos para quaisquer que fosse os caminhos que eles queiram seguir, e ler. Ler e estimular leitura eram de fato o que ela mais gostava de fazer, seu acervo literário exacerbado não era algo que ela costumasse exibir, mas se perguntassem não fazia questão de esconder seu orgulho em possuir mais de mil exemplares.

Para a mãe dela aquilo era assustador, temia ver a filha morta soterrada por tantos livros. Para os colegas não passava de um transtorno obsessivo-compulsivo e para ela era o porto seguro, o que dava algum sentido a sua vida vazia.

- Então, quando você irá se mudar? - Erin perguntou girando na cadeira enquanto Nana batia o ponto.

- Amanhã talvez. – respondeu vagamente.

Kyungsoo estava em sua mesa rabiscando algum espaço em branco no seu caderno. Nana o fitou por um instante, mas com medo de ser notada desviou o olhar, recolheu seus livros e saiu para a sala de aula.

O dia correu vagaroso, no almoço Kyungsoo sentou sozinho e distante dos outros colegas de trabalho, mas sua vontade de solidão fora contrariada por Kim Jong In, o professor de educação física que insistia em querer tirar a frieza dele. Mesmo notando a indiferença do amigo, Jong In insistia em atualiza-lo de tudo que estava acontecendo.

O expediente terminou e Nana ficou observando as crianças passarem pelos portões, um sorriso vago se instalou no seu rosto assim que Kyungsoo entrou no seu campo de visão, o professor de história ajudava um dos mais novos com a corrente da bicicleta.

- ele não é tão frio como aparenta. - disse Erin.

- oi? - Nana saltou pro lado.

- o professor Do, Ice prince, Kyungsoo... – ela sorriu – ele não é tão frio como aparenta.

- como você sabe...

- só sei. – disse a amiga sem desviar os olhos dele.

Nana se sentiu incomodada com aquele olhar, seu coração pareceu pesar dentro do peito e seus pulmões se contraíram dificultando sua respiração. Nana nunca havia dito a ninguém algo sobre o sentimento unilateral que sentia, e não seria impossível que Erin sentia o mesmo:

- muito bem professor! – Erin gritou pra Kyungsoo.

Ele apenas balançou a cabeça, mantendo a expressão fria de sempre, mas seu olhar foi um pouco mais pro lado encarando a expressão angustiada de Nana, depois deu as costas e foi embora:

- eu gosto dele. – Nana soltou e Erin se virou rapidamente para ela. – eu gosto dele há quase dois anos...

- uau... – foi a única coisa que Erin conseguiu dizer. – eu... só... uau! Pensei que nunca iria me dizer! – ela abriu um sorriso.

- hã?!

- Ah, por favor! Eu não sou cega, Nana! - Erin gargalhou depois abraçou ela que estava paralisada – mas eu acho que está na hora de você começar a agir... vai ficar nutrindo esse sentimento unilateral até quando?

- me deixe... – Nana sussurrou, apertando o livro contra o corpo – eu gosto de ficar no meu canto...

- pare de esperar os príncipes dos seus livros!

- eu não espero! – Nana franziu o cenho – já falei pra me deixar em paz com meus livros!?

- tudo bem.., mas só acho que você deveria começar a agir, chama ele pra sair... esse fim de semana, sei lá. – Erin bateu o pé.

- Não vou fazer isso, irei me mudar. – salva pelo gongo.

Erin não insistiu mais, até porque Nana mudou drasticamente de assunto para evitar a insistência constante dela. Ela não queria, se sentia bem sozinha, e só admirá-lo de longe. O fim de semana seria longo e arrastado, já imaginando como faria para organizar seu acervo bibliotecário no seu novo apartamento, estava inquieta e empolgada.

×♥×

Kyungsoo abriu os olhos a contragosto. Sua garganta estava seca, mas ele não queria levantar, não queria fazer nada nem sequer estar ali. A brisa fria entrava no seu quarto através da enorme janela, as cortinas brancas dançavam no seu ritmo e o cheiro dos lírios do jardim invadia seu quarto. Esfregou o rosto e se remexeu no colchão, afastou os lençóis e a brisa acariciou suas costas nuas. Sentia muita falta dela.

Era sempre assim desde que ela havia ido embora, dormia pensando nela, acordava pensando nela...

- Atende... – era Kai na secretaria eletrônica – eu sei que está aí Kyungsoo! Você precisa levantar cara...

- eu já levantei. – ele murmurou ainda fitando o teto.

A chamada se encerrou e Kyungsoo permaneceu ali. Automaticamente levantou, tomou banho e escovou os dentes, caminhou pelado pela casa, a solidão estava fazendo mal... Cada canto daquele lugar a lembrava. Já fazia dois anos que ela tinha partido e todos os dias, todos os dias eram a mesma coisa. Ele juntava forças sabe Deus de onde para continuar. Levantava, se vestia, tomava café na rua e ia trabalhar. Ao fim de expediente voltava para casa, comia comida instantânea e se afundava no sofá da sala vendo a reprise de um seriado qualquer, tomava banho e dormia. Quando não sonhava com ela (quase todas as noites) não tinha sonhos.

Daehye morreu a dois anos de um infarto, ela tinha uma saúde perfeita... Mas essas coisas acontecem certo? Kyungsoo, não se conformava... Não importava o que seus amigos dissessem, não importava todas as formas que eles tentavam arrasta-lo para fora do seu casulo, ele sempre voltaria para lá, todos os dias, chorava até adormecer perguntando por que ela não voltava para ele... Sabia não teria uma resposta.

x-x-x

- quando você vai me deixar ir? – Kyungsoo ouviu o sussurro próximo ao seu ouvido e se ergueu repentinamente. Sozinho não passava de mais um delírio seu... esfregou o rosto diversas vezes, ainda estava escuro. Olhou o relógio na mesa de cabeceira, era meia-noite. Sua cabeça martelou junto com as batidas na porta, lançou-se para fora da cama e vestiu a primeira bermuda que encontrou.

Deve ser o Chanyeol.. – pensou ­ enquanto se arrastava a passos lentos pela casa. Assim que abriu a porta se deparou com uma figura desconhecida, mas a imagem de Daehye lhe veio imediatamente na mente se contrastando com o que ele realmente enxergava.

- oh... desculpe... – a voz suave da mola o despertou da ilusão, mas seus olhos arregalados fitando-o fizeram ele sentir-se estranho.

- me desculpe, mas quem é você? – Kyungsoo perguntou quase como um robô.

- me desculpe incomodar, trabalhamos na mesma escola e me chamo Kim Nana – fez o insa – eu estou me mudando agora para o 12 – apontou a porta ao lado - desculpe-me a intromissão... Mas você não teria uma chave estrela que pudesse me emprestar? – perguntou gentil. A mente de Kyungsoo parecia processar a informação tão lenta quando um Windows 98. – professor Do.

- desculpe... – Kyungsoo voltou a si. – eu acho que sim, espere um minuto.

Kyungsoo deu as costas e foi até o armário da pia procurar sua maleta de ferramentas, enquanto procurava se deu conta do quanto foi rude deixando a mulher esperando do lado de fora, e ainda pior, se deu conta de que atendeu a porta praticamente pelado. Mas ela não havia se incomodado com a cena então decidiu fingir que não tinha percebido:

- aqui está. – falou entregando a chave a Nana

- obrigada – se curvou – se importaria se eu devolvesse amanhã? Não quero incomoda-lo durante a madrugada...

- não me importo. Então... é tarde... Porque não deixa os concertos para amanhã?

- eu sou um pouco compulsiva... – céus... Parecia a Daehye falando – até mais...

Nana se afastou e entrou na sua casa, o corredor estreito do condomínio voltou a ficar mal iluminado e Kyungsoo voltou para dentro. Bebeu um pouco d’água tentando acalmar o coração dolorido... até as outras pessoas faziam com que ele lembrasse dela. Tirou a bermuda e voltou a deitar, passou um tempo encarando o relógio na mesinha enquanto contava os segundos para que o sono voltasse:

- quando você vai me deixar ir? – Kyungsoo a ouviu novamente e se pôs sentado. Uma pequena luz entrou no quarto. Kyungsoo prendeu a respiração... é só mais uma alucinação. – Kyungsoo... – o chamado ficou mais alto.

Um zumbido agudo entrou pelos ouvidos do rapaz e tomou conta da sua mente, ficando cada vez mais agudo e ensurdecedor, mesmo que Kyungsoo tentasse tapar os ouvidos com as mãos o som ficava cada vez mais alto, seu coração batia acelerado estava entrando em desespero, mais uns segundos e desmaiou.

Xxx

Segurando a chave contra o peito a porta se fechou atrás de si e Nana deixou seu corpo se apoiar nela, ela não conseguia acreditar que era vizinha de Kyungsoo. Balançou a cabeça diversas vezes tentando se concentrar na tomada que ela precisava trocar, mas não deixava de estar eufórica por dentro.

Terminou a tomada, desempacotou alguns livros e começou a distribuir pelas estantes, quando uma delas começou a tremer ela se assustou.

Terremoto? – pensou segurando o móvel, mas logo o tremor passou, a madrugada se arrastou e Nana controlada por seus transtornos organizava os livros em ordem alfabética, claro que não estavam todos lá, aquela saleta não comportaria um terço deles e aquilo a deixava injuriada. A madrugada se estendeu, e ela terminou o serviço, tomou um banho e em seguida deitou-se.

Eram três horas da madrugada e o sono não veio, rolou para a direita, para a esquerda e nada. Os ventos passavam pelas janelas assoviando, e a lua iluminava um pouco o quarto dela. Talvez fosse por estar num local estranho, ou falta de costume com a mudança, mas Nana não se sentia sozinha ali, o que a amedrontava um pouco, um vulto branco passou de relance pelo jardim e ela apavorada cobriu-se dos pés a cabeça, e começou a rezar. Logo o relógio bateu às quatro horas e ela finalmente adormeceu. 

July 13, 2018, 2:20 a.m. 0 Report Embed 0
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