Centáurea Follow story

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Eles tinham o dom de fazer qualquer lugar se tornar um pedacinho de céu. [taekook • kookv • oneshot • fluffy • flowers!au]


Fanfiction Not for children under 13.

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O que você plantaria no nosso quintal?

“Se tu amas uma flor que se acha numa estrela, é doce, de noite, olhar o céu. Todas as estrelas estão floridas.”

– Antoine de Saint-Exupéry


Taehyung abriu os olhos de modo lento e vagaroso, piscando diversas vezes seguidas para conseguir se acostumar com a claridade que o ambiente exalava. Um sorriso tranquilo brotava em seus lábios finos e naturalmente rosados enquanto a calma tomava conta de todo o seu corpo. Inspirou fundo, enchendo os pulmões de ar limpo, uma pequena e curiosa sensação de liberdade surgindo em seu peito. Apoiou as mãos atrás da nuca e passou a encarar o céu como se ele fosse a coisa mais interessante do mundo – não era, mas chegava perto. Era um perfeito e convidativo dia ensolarado; um calor gostoso emanava por toda a parte, trazendo consigo harmonia, bem-estar e uma paz indescritível.

O rapaz de cabelos castanhos sentiu cócegas ao relaxar os dedos dos pés entre a grama mal cortada, e não conseguiu segurar uma risada ao perceber o quão bobo estava sendo agindo daquele modo. Se pudesse, com toda certeza e sem nem pensar duas vezes, se mudaria para o campo. Gostava de estar perto da natureza; era como se suas preocupações fossem embora e restasse apenas um sentimento de equilíbrio dentro da mente do universitário cansado e desgastado que ele era. Entretanto, sabia que estava fora de cogitação abandonar sua vida na cidade. Pelo menos, por enquanto.

Estava no segundo ano do curso de medicina veterinária, e mal via a hora de pegar seu diploma. Sua vida virara uma correria só desde o término do ensino médio, quando o rapaz decidira que era a hora de morar sozinho e assumir suas próprias responsabilidades. Apesar de ter uma rotina apressada – e nada saudável, visto que estava sempre se alimentando com porcarias e fast food –, Taehyung adorava saber que era dono do próprio nariz. Não ter ninguém para lhe dizer o que fazer e oque não fazer era uma das únicas partes boas em se tornar um adulto, sinceramente. O rapaz, porém, parecia gostar de testar seu próprio limite a cada dia.

Uma flor foi posta bem na frente dos olhos de Taehyung; era uma centáurea azulada com detalhes em branco e violeta, absurdamente bonita e atraente. Com todo o cuidado do mundo, segurou-a pelo cabo e deixou-se levar por tamanho prior que algo tão pequeno e simples conseguia apresentar. O canto da sua boca se repuxou num sorriso bonito, tão pacífico quanto o clima. Passou a ponta dos dedos pelas pétalas delicadas e vibrantes, logo em seguida aproximando seu nariz das mesmas para poder inalar o doce e suave aroma que exalavam com esplendor.

— Minha intenção era que me notasse — a voz alheia soou brincalhona e descontraída. —, não que me trocasse pela flor. — após o término da frase, uma risada graciosa escapou da garganta de Taehyung. Ele sentou-se na grama e depositou a centáurea bem ao seu lado, tomando muito cuidado para não acabar com o bumbum em cima dela. Logo em seguida, meneou a mão num pedido mudo para que a figura esguia e esbelta à sua frente se aconchegasse à sua lateral. O outro rapaz não tardou em fazê-lo, sorrindo ao sentir o sol da manhã se chocar contra a sua tez pálida e com aparência adoecida.

— Eu queria morar aqui. — murmurou o acastanhado, com os olhos presos na bela vista verde e natural que tinham. — Não dá nem pra imaginar como seria acordar todos os dias e ver esse céu tão limpo. Na cidade é tudo tão poluído, tão estragado e modificado. — suspirou, pesaroso. — Eles não conseguem enxergar como isso aqui é perfeito, preferem viver naquele cubículo superficial de lixo e fumaça. — seu tom de voz saiu rancoroso e desgostoso, como se sentisse vergonha de fazer parte da mesma espécie daqueles que destroem tudo o que é vivo.

— Realmente — o outro iniciou a frase com um resmungo. —, acho que os meus pulmões estão prestes a sair do meu corpo para ir procurar um lugar mais limpo para morar. Desconfio até que virei um fumante passivo de tanta fumaça de cigarro que circula pelo campus, e eu sou obrigado a inalar aquela porcaria junto.

— Jeongguk, porque é que você insiste em fazer piadas com tudo?

— Melhor rir do que chorar.

— Seu humor negro me assusta, às vezes.

— Pensei que já estivesse acostumado. — o moreno respondeu, rindo internamente. Passou a mão nos cabelos desgrenhados e mordeu o lábio inferior, deixando a sensação de tranquilidade dominar todos os seus pensamentos desorganizados e perturbados. Precisava de um pouco de descanso, se afastar do ambiente que lhe trazia estresse diariamente. Sabia que não conseguiria achar um porto seguro melhor do que aquele campo, ao lado de Taehyung e seu sorriso amoroso. Meneou a cabeça negativamente ao perceber que, além de seu coração, o rapaz de cabelos castanhos também havia invadido a sua cabeça.

— Você se lembra de quando viemos aqui pela primeira vez?

Jeongguk quis dizer que era uma pergunta idiota.

Ele seria um grande otário se não se recordasse.

Não fazia muito tempo, talvez quatro ou cinco meses, no máximo. O grupo de sete amigos estava mais do que ansioso para um festival de música internacional que ocorreria na cidade vizinha. Tratavam-se de algumas bandas pop e cantores não muito conhecidos, mas fora mais do que suficiente para que os jovens e adolescentes da redondeza resolvessem comparecer. Jin – o membro mais velho da roda de amigos – dera seu suor para conseguir sete entradas que estivessem na mesma ala, para que todos pudessem ficar juntos enquanto aproveitavam as apresentações.

Tudo deu errado exatamente no dia do festival.

Hoseok, encarregado de ser o motorista, errou o caminho e jogou a culpa para cima de Jimin, que era o seu copiloto – e também a pessoa encarregada de ficar com o mapa em mãos. Assim que deram um jeito de voltar para a estrada que os levaria para o festival, a lua já jazia por completo no céu. Estavam um pouco desanimados, mas não desistiram. Os shows só se dariam por encerrados dali uma hora e meia, ainda tinham tempo de sobra para chegar lá e conseguir escutar a última banda. Entretanto, parecia que as coisas estavam destinadas a darem errado naquele dia.

Dez minutos depois, a gasolina do carro acabou. Foi a vez de Namjoon ouvir as broncas, já que ele era o responsável por checar o automóvel antes de saírem da cidade. Os celulares não tinham sinal, não havia nenhuma loja de conveniência por perto, muito menos pessoas. Teriam passado a noite com frio se não tivessem encontrado diversos galhos espalhados pela grama, provavelmente caídos ou cortados de alguma árvore. Enquanto os outros cinco dormiam, Jeongguk e Taehyung faziam a vigia. Naquela noite conversaram sobre tudo e nada, tendo como únicas confidentes as estrelas que brilhavam no céu.

— Eu vi o sol nascer entre aquelas montanhas. — o mais novo falou, apontando para dois picos largos e extremamente altos ao longe dali. Riu sozinho ao se recordar daquela visão única e espetacular. — Não havia ninguém acordado, apenas eu. Até você conseguiu dormir, e ainda foi no meu colo. — brincou e, em troca, acabou ganhando um soco no ombro. — Foi a coisa mais bonita que eu já vi em toda a minha vida. — suspirou. — E você sabe, mais do que ninguém, que eu devo ser a pessoa menos religiosa que esse mundo já viu.

— Eu sei, sim.

— É só que, caramba... — suspirou fundo e olhou para o céu azul, sentindo a mesma sensação de paz e conforto que dominara seu coração alguns meses atrás. — Deus fez mesmo um bom trabalho.

— É, ele fez.

— Mas o que me intrigou não foi isso. — Jeongguk falou, de repente com um ar determinado e corajoso. O mais velho o encarou, a curiosidade estampada em suas feições. — Eu já havia visto outros nasceres-do-sol antes, e por todos os lugares. Na praia, no terraço do prédio em que o meu pai mora, e também na minha antiga casa da árvore. — deu ombros. — Depois de passar muito tempo pensando, eu finalmente descobri o porquê de aquele nascer do sol ser tão diferente e importante para mim.

Taehyung ficou em silêncio, esperando que o outro continuasse. A mão acanhada de Jeongguk agarrou a sua, e não tardaram em entrelaçar os dedos. Gostavam da sensação boa, do calor gostoso que seus toques produziam – no sentido mais inocente da coisa, já deixando bem claro. Ainda focados na bela e esplêndida visão à sua frente, se aproximaram um pouco mais e acabaram com o mínimo espaço que ainda restava entre eles. O acastanhado soltou um suspiro tímido; nunca se acostumaria com aquela bolha de sentimentos que o dominava quando o assunto era Jeongguk.

— Por quê? — criou coragem para perguntar.

Jeon encarou o mais velho.

— Enquanto você dormia no meu colo, eu imaginei como seria bom morar aqui. — murmurou. — Numa casa grande e espaçosa, cheia de brinquedos para os meus futuros filhos. Eu plantaria mais árvores e algumas pêra-nashi um pouco mais para lá. — apontou para a esquerda de onde estavam. — Meu jardim seria repleto de canteiros de flores e também daqueles gnomos de jardim que a mãe do Jimin coloca na entrada da casa dela. — ambos riram.

— Seria uma vida muito boa.

— Seria, sim.

— Mas você teria de arrumar uma esposa que te aguente. Porque, caramba, você é insuportável.

Jeongguk gargalhou, jogando a cabeça para trás.

— Não quero uma esposa. — respondeu simplista, com um pouco de faltar de ar devido a crise de risos recente. — Quero um companheiro que fique sempre ao meu lado, nas horas boas e ruins. E eu já tenho uma pessoa em mente, só que ela sempre acaba fugindo quando eu falo em namoro. — deu ombros, um bico emburrado se formando em seus lábios. Taehyung encarou o menor com um sorriso no rosto e uma sensação de enjoo no estômago. Jeongguk sempre o conseguia deixar daquele modo. — E não pode ser outra pessoa. Tem que ser essa!

— Existem outras sete bilhões de pessoas no mundo.

— Primeiramente, são oito bilhões. — o moreno corrigiu, uma expressão presunçosa tomando posse da sua face. — E não me importa quantas pessoas essa droga de mundo tem! Eu posso até não falar isso muitas vezes — coçou a nuca com a mão que estava livre, um nítido sinal do nervosismo que sentia. —, mas ele é o único que mora no meu coração. E eu tenho certeza absoluta que não vai sair de lá por um longo, longo tempo.

— Jeon...

— Quer casar comigo?

Taehyung engasgou com o ar.

— Eu acho que você pulou uma etapa realmente importante!

— Não me importa, de verdade. — Jeongguk deu ombros, tomado por uma confiança que nem mesmo ele fazia ideia de onde estava vindo. — Eu amo você, caramba. Tudo o que eu quero é que você fique comigo, sendo como namorado ou como marido. — encarou o rosto receoso do acastanhado, logo em seguida apertando com força a mão magra que estava agarrada à sua. — Não quero ter que voltar pra cidade fingindo que nada disso aconteceu, que nada mudou. Eu sei também que você tem medo do que os outros vão pensar, mas...

— Não me importo com oque pensam ou falam de mim. — Taehyung o interrompeu, a voz trêmula e com uma quantidade palpável de nervosismo.

— Prova. — o moreno desafiou. — Dê uma chance para nós.

O mais velho respirou fundo.

— Você quer que eu aceite o seu pedido?

— É tudo o que eu mais quero.

— Mas é o pedido de namoro ou o de casamento que tá valendo?

— Taehyung!

O Kim não sabia por quanto tempo havia esperado por isso. Jeongguk sempre fizera questão de deixar bem claro quais eram os seus sentimentos, e também as suas verdadeiras intenções, entretanto, o rapaz de cabelos castanhos e tez acobreada não sabia se aquela era a hora certa para dar o próximo passo. Tudo parecia correr naturalmente naquele campo abandonado – que eles gostavam de comparar com um pedacinho de céu, devido à paz que conseguia transmitir a qualquer um –, mas em breve teriam de voltar para casa e enfrentar a universidade e os olhares julgadores que seriam lançados á eles.

Taehyung não se importava com a opinião alheia sobre si; nunca ligou para isso. Na verdade, estava receoso quanto à Jeongguk. Apesar de saber que seu dongsaeng não era nenhum bebê – até porque bebês não beijam na boca e não fazem pedidos de casamento fajutos e desesperados ­–, ele não conseguia parar de pensar que, talvez, o moreno não soubesse lidar com as críticas que estavam prestes a cair em cima dos dois. Mordeu o lábio inferior, voltando a olhar para o céu azul e sem nuvem alguma.

— Hyung. — Jeongguk o chamou, manhoso como só ele sabia ser.

— Hm.

— Olha pra mim.

Taehyung queria não olhar. Queria poder resistir à tentação que era Jeon Jeongguk, mas falhou. Assim que seus olhos encontraram as íris negras do outro, o Kim jurou ter visto-as brilhando. A mão do mais novo abandonou a sua e foi direto para o seu rosto, segurando com carinho e firmeza. A essa altura do campeonato, o acastanhado já não tinha mais controle sob seu próprio corpo. Era vergonhoso o modo como ele sucumbia ao desejo de sentir os lábios de seu dongsaeng pressionados contra os seus apenas por causa da droga de um olhar. Jeongguk sempre sabia conseguir oque queria.

As bocas se encontraram e iniciaram um ósculo repleto de sentimentos e exalando um amor puro, inocente. As mãos de Taehyung não conseguiam se decidir: ora estavam na nuca do menor, ora em sua cintura. Jeon, por outro lado, mantinha os braços apoiados no ombro de seu hyung, tentando não perder o equilíbrio e acabar caindo para o lado. Gostavam do friozinho que se instalava na barriga toda vez que tinham aquele tipo de contato. Sempre parecia ser a primeira vez.

— E aí? — perguntou o moreno, assim que se separaram. As testas estavam grudadas e as respirações, ainda celeradas, colidiam contra o rosto alheio. — O que me diz?

— Me responda uma coisa. — Taehyung morreu o lábio e fechou os olhos, tentando se controlar para não atacar o outro enquanto falava. — Você disse que, se morasse aqui, seu jardim seria cheio de flores e canteiros. — murmurou, visto que o outro conseguiria lhe ouvir de qualquer forma. — Quais flores você escolheria para plantar no nosso quintal? — indagou.

Jeongguk sorriu, a felicidade tomando conta do peito.

— Isso é apenas uma suposição?

— Uhum.

— Certo. — sussurrou. — O que eu plantaria no nosso quintal?

— É.

— Teria de tudo, eu juro. — começou a falar, acariciando a bochecha do outro com o polegar. — Só que, sei lá, acho que as centáureas azuis e roxas combinam muito conosco, então... Elas seriam maioria. — a última frase fora dita num murmúrio um pouco desconexo – ainda estava com pequenos espasmos pós-beijo –, mas o suficiente para Taehyung conseguir entender e abrir um sorriso amável, apertando o corpo do mais novo contra o seu. — Eu amo o seu sorriso.

— Eu amo você.

Não ficaram por muito mais tempo ali; estava escurecendo e, apesar de não precisarem mais de um mapa para voltar para casa, estavam ansiosos para fazer da cidade um novo pedacinho de céu. Mãos dadas, sorrisos bobos, beijos sendo trocados a cada minuto e uma centáurea azulada no bolso de trás da calça de Taehyung; quando as palavras fogem, as flores falam.

July 9, 2018, 3:06 p.m. 0 Report Embed 4
The End

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min + 18, aries | vottom, only bts & ski, top!jeongguk, slytherin, dead leaves. gosto de achar que sou uma boa ficwriter/capista. | [pt br/eng] |

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