Cinderella Boy Follow story

mandyphantom Amanda Rocha

Baekhyun pode até ser popular, mas ele precisaria de algo além de cantadas baratas para conquistar uma certa bonequinha de vodu.


Fanfiction Not for children under 13.

#80au #hetbaeksoo #femkyungsoo #fluffy #chanhun #baeksoo #jongdae #baekhyun #sehun #chanyeol #kyungsoo #exo
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Moonlight

Que Baekhyun não prestava todo mundo já sabia, principalmente Kyungsoo. O jovenzinho de cabelos vermelhos como fogo e folhas tatuadas pelo corpo ostentava aquele sorrisinho de patife de quinta categoria bem como era, aquele maldito sorrisinho que fazia com que pernas se abrissem e corações se destroçassem. Ele zanzava de um lado para o outro dentro daquele baile com um único objetivo em mente: Conquistar a garota mais bonita – e difícil – do lugar.

Kyungsoo usava um vestido preto com tons em lilás, o cabelo liso preso num rabo de cavalo alto e apenas um lápis de olho que destacava suas belas orbes castanhas. A garota tinha fama de mexer com magia negra e coisas do diabo apenas por que preferia roupas mais escuras que a maioria das pessoas e vez ou outra ameaçava enforcar algum engraçadinho com suas próprias tripas quando a cutucavam pelos corredores.

E era justamente aquele jeitinho marrento e de poucos amigos que tinha despertado o interesse no garanhão do colégio, pois já tinha todos os corações em suas mãos e mesmo assim não achava o suficiente até ter o de Kyungsoo também. E aquela era a noite perfeita para colocar seu planinho em prática.

Baekhyun precisou mexer os pauzinhos para garantir que a moçoila comparecesse ao baile anual de final de ano, ou melhor, o evento mais importante do ano inteiro. Chantageou Chanyeol, a amiga alta e desengonçada que estava sempre no encalço de Kyungsoo, coisa que nem fora tão complicada: Só precisou garantir um encontro com Sehun, o segundo garoto mais bonito do terceiro ano C, que por acaso era seu melhor amigo e também paixão suprema da garota.

“Vamos Soo, vai ser divertido, até comprei um vestido bonito para usar numa ocasião especial”, Chanyeol falava cutucando a amiga no ombro.

“E precisar ser justo no baile? Você sabe como eu odeio festas, ainda mais onde vai estar todo mundo do colégio”, Kyungsoo ajeitou os óculos de leitura no rosto e virou a página do livro.

“Exatamente! E eu tenho a certeza de que o Sehun vai também”.

“E do que adianta? Até parece que você vai fazer muito além de ficar observando ele que nem uma tonta e melando mais outra calcinha”.

“Ai Soo!”, Chanyeol se encolheu todinha ficando vermelha dos pés até as pontinhas das orelhas arrebitadas.

Kyungsoo soltou uma risadinha maligna e voltou a atenção para a leitura, Chanyeol só podia estar pirando na batatinha se achava mesmo que tinha alguma chance de arrastar a melhor amiga para aquele antro de adolescentes chatos e baderneiros.

Não poderia estar mais errada.

Kyungsoo amava Chanyeol do mais fundinho do coração, mas quando a amiga estava inspirada a conseguir algo, era capaz de tirar a paciência do próprio Buda. Ela a perturbou durante as duas semanas antecedentes ao baile choramingando pelos cantos e soltando suspiros sôfregos o tempo inteiro, brincava com a comida no prato sem ânimo algum e nem mesmo respondeu às provocações de Jongdae quando ele a chamou de vareta de olimpíada. É, a coisa tinha ficado séria e Kyungsoo acabou cedendo, não por pena da amiga toda amuada, mas sim por saber que futuramente Chanyeol faria um drama mexicano e jogaria na sua cara o quão insensível ela tinha sido.

E lá se foram as duas mocinhas à procura de um vestido bonito para Kyungsoo usar, já que ela não tinha nenhuma roupa para a ocasião e Chanyeol não aguentava vê-la repetir as mesmas roupas escuras de sempre. Ela até tentou convencer a amiga a comprar um vestido rosinha que tinham visto numa das lojas, mas não tinha jeito, Kyungsoo só aceitava se fosse algo preto. Rodaram bastante até que encontraram o vestido que satisfizesse a baixinha. Era preto com detalhes em lilás, ia até um pouco depois do joelho e tinha um corte belíssimo que acentuava a cintura fininha da garota. Depois disso foram em busca de um sapatinho para combinar e acabaram levando um pretinho com lacinho atrás.

Enquanto se aprontavam para sair, Chanyeol insistiu para que Kyungsoo passasse alguma sombra rosinha ou batom vermelho, mas essa era uma linha distante demais para que a garota cruzasse, então apenas se contentou com um lápis preto na marca d’água e um blush clarinho nas bochechas gordinhas.

“Awnnnn, você parece uma bonequinha!”, comentou dando uma boa olhada na amiga.

“Só se for de vodu!” Jongdae gritou passando pelo corredor da casa sem nem mesmo olhar para o quarto da irmã, mas quando o fez, ficou todo vermelhinho e sem graça ao se deparar com a cena (vale dizer que seu coração deu um solavanco tão forte ao ver Kyungsoo bonita daquele jeito que sequer conseguiu encará-la novamente sem ficar todo nervoso).

Como não tinham acompanhantes, o pai de Chanyeol as levou até o local do baile em seu carro apertadinho e avisou que voltaria para buscá-las por volta das onze horas. Quando estava já de partida soltou aquele clássico “juízo” para as meninas e Chanyeol soltou um “tá bom, pai” revirando os olhos e puxando Kyungsoo pela mão antes de ouvir outro sermão.

A quadra estava completamente decorada com flores azuis e brancas, um globo espelhado pairava no teto refletindo luzes belíssimas ao redor do local, a mesa com comes e bebes estava farta, havia um pequeno palco onde a banda tocava as músicas mais populares e a pista de dança estava repleta de adolescentes eufóricos. Em suma, era o inferno na terra para a garota de vestido preto, enquanto que Chanyeol parecia completamente maravilhada com a visão.

A banda tocava uma versão animada de Love Me Do dos Beatles enquanto todos se remexiam agitados pelo salão e parecia muito mais uma histeria coletiva que uma dança normal. Kyungsoo não tinha muita paciência para lidar com aqueles doidos balançando o esqueleto então tratou de pegar um copo de refrigerante e sentar-se numa das arquibancadas.

“Ah, qual é Soo, vai ficar aí sentada que nem uma velha chata?” Chanyeol perguntou visivelmente ansiosa para ir dançar também.

“Eu sou uma velha chata, Chanyeol, não sei por que a surpresa” tomou um gole ignorando completamente os protestos da amiga ao lado. “Por que você não chama aquele nerd esquisito do Junmyeon para dançar? Todo mundo sabe que ele é caidinho por você”.

“Credo Soo, Deus que me livre aquele doido perto de mim, sabe-se lá do que ele é capaz”, falou ponto a mãozinha dramaticamente no peito.

“Então não reclame, ora essa! Oportunidade tá aí, você que é muito exigente”.

E a tempestade estava pronta, Chanyeol fechou logo a cara e saiu de perto toda emburrada, queria que aquela noite fosse especial, mas a amiga não estava colaborando. Mas não era como se não soubesse que Kyungsoo passaria o resto do baile sentada comendo e bebendo alguma coisa, afinal, aquele não era o seu tipo de programa, porém esperava um pouquinho só de ânimo da amiga.

Passaram-se alguns minutos e Kyungsoo balançava o corpo para lá e para cá ao som da música, estava viajando completamente na maionese quando se deu conta de que o refrigerante tinha acabado, mas estava com preguiça demais para pegar outro copo e continuou sentadinha. Aquele foi o momento perfeito para Baekhyun entrar em ação.

A garota estava olhando ao redor até que cruzou os olhos com o detestável do Byun vindo em sua direção, orou para que ele apenas estivesse indo se sentar também, mas quando ele a encarou nos olhos e soltou um sorrisinho a sua esperança morreu. Ele sentou-se ao seu lado e passou um braço pelo seu ombro, todo folgado se achando o dono da cocada preta.

“O que uma princesa como você está fazendo aqui tão solitária?” perguntou soltando um risinho convencido.

“Esperando algum idiota cair na minha teia para eu usar no sacrifício à Satã” respondeu com falsa animação, “E parece que você foi o escolhido, parabéns Baekhyun”.

Baekhyun não pôde evitar sentir certo medo, ela falava sobre rituais e pactos demoníacos com tanta facilidade que chegava a ser assustador, mas já viera preparado para lidar com a personalidade “peculiar” da garota e por isso apenas soltou um sorrisinho. “Então quer dizer que agora eu estou na sua, hein?”, respondeu confiante, fazendo Kyungsoo revirar os olhos e levantar.

“Vê se não me enche o saco”, falou afastando-se do garoto.

Ah, a noite só estava começando.

Kyungsoo estava debatendo sobre astrofísica com o professor Lee em pleno baile onde supostamente deveria estar dançando e se divertindo como uma adolescente normal e isso só deu forças ao boato de que na verdade eles tinham um casinho secreto. O professor Lee era muito gente fina, mas todo mundo tinha preconceito por ele ser o professor da matéria mais chata (pelo menos para a grande maioria) do ensino médio: Física. As pessoas o tinham como um cara sério que só sabia conversar sobre fórmulas e cálculos quando na verdade ele era voluntário no orfanato onde a mãe da garota trabalhava e uma pessoa com um coração bondoso demais.

“Eu confesso que fiquei realmente surpreso ao lhe encontrar aqui, Kyungsoo, me desculpe se tirei conclusões precipitadas, mas você não parece o tipo de pessoa que gosta de festas.” ele falou o mais respeitosamente possível.

“E não errou, professor. Eu realmente detesto festas, bailes e essas coisas onde tenham muita gente, mas Chanyeol me obrigou a vir e ou era isso ou ter que lidar com o mau humor dela para sempre.” Respondeu arrancando uma risada do homem mais velho.

“Sua amiga é realmente uma pessoa bastante peculiar.”

“Eu que o diga” falou dando um último gole no refrigerante, “e por falar nela é melhor eu procurá-la, faz tempo que nos separamos e eu preciso garantir que ela não vá fazer alguma besteira que ponha em risco sua imagem” respondeu arrancando mais outra risada do professor e despedindo-se com um aceno de cabeça.

Kyungsoo atravessava o local evitando o máximo de contato possível com as pessoas, queria se manter alheia àquela festa ao ponto de se tornar invisível e ninguém percebesse sua presença, o que não contava era com um Baekhyun atento à cada passo. Ela estava praguejando mentalmente Chanyeol por ter desaparecido e lhe deixado completamente à mercê daquelas pessoas quando uma cabeleira ruiva entrou em seu campo de visão.

“Parece que está perdida, benzinho, precisa de ajuda?” falou todo charmoso.

“Eu queria mesmo era me perder de você” revirou os olhos e voltou a andar.

“Para que se perder de mim se você pode se perder em mim?” soltou uma risadinha andando lado a lado com a garota.

Kyungsoo soltou uma risada cínica, “Meu Deus, como você consegue tantas garotas com essas cantadas terríveis?”.

“Esse é o charme, princesa.”, falou todo convencido soltando uma piscadela.

Baekhyun até que era engraçadinho, vai, porém um tanto quanto irritante e convencido, se talvez ele fosse mais sincero e lhe abordasse sem todos aqueles trejeitos de conquistador barato Kyungsoo o levasse mais a sério. Ele estava vestindo uma camisa de tecido fino amarela estampada que voava pelo seu corpo esguio e deixava as tatuagens e o peitoral à mostra, uma calça jeans reta de lavagem clara e um coturno preto de couro. O cabelo vermelho estava cuidadosamente penteado para trás com apenas a franja caindo sobre os olhos claros e os mullets desciam pelo pescoço de forma graciosa. Ele ostentava uma argola no lábio inferior, alguns brincos na orelha esquerda e um colar com pingente em forma de cruz balançava em seu pescoço.

Tinha alguma coisa em Baekhyun que era simplesmente cativante, ninguém conseguia resistir aos seus charmes e sorriso bonito, tampouco ao seu jeitinho de menino que conquistava todo mundo facilmente. Mas Kyungsoo era ferrenha e não se rendia fácil às investidas insistentes do rapaz, sabia que ceder ao Byun a tornaria apenas mais uma adolescente boba que ele conseguiu seduzir.

Os dois caminhavam lado a lado enquanto o Byun falava algumas coisas sem nexo e Kyungsoo só fazia revirar os olhos, estava arrependida de ter aparecido ali apenas para ficar aturando o chato do Baekhyun na sua cola. Droga, onde estava Chanyeol? Era impossível perdê-la de vista com toda aquela altura e mesmo assim não a encontrava em lugar nenhum, será que tinha ido embora? Não, ela estava empolgada demais com aquele baile para simplesmente voltar para casa antes do horário combinado. Talvez estivesse chorando no banheiro do jeito que era sensível, mas era passou horas se maquiando e certamente não iria estragar tudo com lágrimas.

Rodou mais um pouquinho pelo lugar até que sentiu uma cutucada no ombro, virou-se para a pessoa e deu de cara com Baekhyun a encarando com um sorriso bonito.

“O que você quer?”, perguntou já sem paciência para seu falatório.

“Aquela ali não é sua amiga?”, apontou para a pista de dança com o queixo.

Kyungsoo não acreditava no que seus olhos viam: Chanyeol estava dançando animadamente com Sehun. Piscou os olhos várias vezes e até mesmo coçou, esquecendo de que estava com lápis e provavelmente tinha borrado o rosto de preto, mas quem ligava? Sua melhor amiga finalmente estava realizando o sonho de vida naquele momento e era tanta felicidade que ela praticamente brilhava mais que o globo pendurado no teto.

“Parece que alguém se deu bem, e eu não estou falando da Chanyeol, Sehun realmente arranjou uma garota legal”, Baekhyun falou colocando a mão nos bolsos.

Kyungsoo acordou de seu transe momentâneo e encarou o garoto ao lado, “E com que prioridade você está falando da Chan?”.

“Nós já conversamos algumas vezes, ela é meio doidinha, mas é bem divertida”, respondeu dando de ombros e ganhando vários pontos com Kyungsoo.

Ela estava feliz por ver que a amiga tinha superado a barreira da vergonha e agora estava toda radiante dançando com seu amor supremo diante da escola inteira para quem quisesse ver.

“Que tal a gente seguir o exemplo deles?”, Baekhyun aproveitou-se do momento para falar.

Pronto, estava até demorando a Baekhyun soltar outra investida, por isso nem estranhou quando ele a chamou para dançar. Kyungsoo revirou os olhos e o garoto soltou uma risada.

“Por que você está sempre tão na defensiva?”.

“Por que você não cuida da sua vida?”, rebateu irritada.

“Eu estou tentando, mas ela é teimosa demais”.

Ah não, não mesmo. O coração de Kyungsoo acelerou de forma esquisita e seu corpo inteirinho respondeu àquelas palavras de forma violenta: O rosto entrou em chamas e a respiração falhou, por que tinha se abalado tanto com aquela cantadinha mixuruca? Abaixou o rosto visivelmente envergonhado e saiu depressa do local sem se importar com Baekhyun chamando seu nome.

Kyungsoo trancou-se numa das cabines do banheiro e ficou lá dentro tentando regularizar a respiração enquanto contava “um, dois, três, quatro” até se acalmar. Não sabia o que tinha sido aquele choque gostoso que percorreu sua espinha, mas algo nas palavras de Baekhyun tinha surtido efeito e estava nervosa só de se lembrar dele lhe chamando de vida. Sentiu o rosto esquentar novamente e borboletinhas flutuarem agitadas no estômago. Não, de novo não...

A verdade era que Baekhyun era o único garoto de quem Kyungsoo tinha gostado a vida inteira desde quando eles tinham onze anos e ele era só um pirralho de sorriso metálico. Antes de Chanyeol chegar à escola Kyungsoo sempre fora a garota esquisita e deslocada da turma e por isso ninguém nunca a cumprimentava ou fazia questão de conhecê-la melhor, mas o Byun era diferente. Baek sempre lhe desejava “bom dia” quando chegava e vez ou outra puxava assunto sobre qualquer coisa, era um garoto falante e tinha assunto para toda hora. Kyungsoo não conseguiu evitar transformá-lo em seu primeiro e único amor.

Mas as coisas ficaram meio esquisitas quando ele se mudou para a turma C e de repente Baekhyun era o cara mais popular do colégio, aquele que estava sempre rodeado de amigos e fazia as garotas suspirarem. Kyungsoo precisou engolir todas as florzinhas que nasceram em seu coração e preferiu se reclusar, ainda que Baekhyun a cumprimentasse nos cantos ou tentasse puxar algum assunto enquanto esperavam o ônibus para casa. Mas a garota achou doloroso demais manter uma paixão platônica pelo colega e o ignorava sempre que possível, aumentando ainda mais o abismo entre os dois.

Kyungsoo não entendia por que somente no último ano Baekhyun tinha criado coragem para tentar abordá-la, mas mesmo assim lá estava ele investindo todas suas fichas na garota e aproveitando a oportunidade para tentar conquistá-la outra vez.

Abriu a porta da cabine e encarou seu reflexo no espelho, o cabelo ainda estava penteado exatamente da mesma forma que estava antes de sair de casa, as bochechas brilhavam num rosinha leve, a maquiagem dos olhos estava um pouco borrada e a garota aproveitou o momento para se arrumar novamente. Não tinha contado à Chanyeol que tinha enfiado o lápis de olho na bolsa para que a amiga não tivesse ideias esquisitas, mas resolveu levá-lo por precaução. Retocou o batom clarinho e deu uma última conferida no vestido antes de sair satisfeita consigo mesma.

“Eu nunca vou entender por que as garotas demoram tanto no banheiro”, a voz de Baekhyun se fez presente assustando a garota.

“O-o que você está fazendo aqui?”, perguntou passando direto tentando esconder o rosto avermelhado.

“Esperando você, é claro, é rude deixar sua acompanhante sozinha”, respondeu se aproximando.

Kyungsoo sentiu o corpo inteiro tremer e a respiração ficar pesada novamente. “D-do que você está falando, garoto?”.

“De você, ora essa”.

“E desde quando eu aceitei alguma coisa?”

“Desde que você começou a gostar de mim”, rebateu causando um silêncio profundo no corredor.

Kyungsoo sentiu a pressão do mundo inteiro puxá-la para baixo e as pernas ficarem moles igual a gelatina. Como Baekhyun sabia? Com o coração batendo a mil no peito e o corpo trêmulo, Kyungsoo agarrou a barra do vestido com força tentando buscar alguma estabilidade.

“Q-quem você acha que é para tirar essas conclusões?”, perguntou com a voz quebradiça.

“Eu sou o garoto que você gosta e que também gosta de você”, rebateu baixinho enfiando as mãos no bolso traseiro.

De repente o mundo inteiro pareceu parar por uns segundos e a cabeça da garota deu voltas e voltas até ela conseguir digerir aquelas palavras. O baile parecia tão distante e ela sentiu como se apenas eles dois existissem naquele momento. Sentiu a mão quente de Baekhyun envolver as suas num toque ainda meio assustado e instintivamente correspondeu-o entrelaçando os dedos.

“Se você não se importar, gostaria de dançar comigo?”, ele perguntou baixinho sem tirar os olhos do chão.

Quando Kyungsoo murmurou apenas um “uhum” quase mudo, sentiu seus pés se moverem por conta própria até a pista de dança onde tocava Crazy For You da Madonna e todo o lugar brilhava sob a luz cintilante do globo. A garota estremeceu ao sentir os braços do Byun envolverem sua cintura e grudar os corpos numa dança calma e preguiçosa. Dois passinhos para cá, dois passinhos para lá e os dois já estavam em completa sintonia com a música.

“Se você ousar fazer alguma coisa estranha eu corto sua garganta aqui mesmo”, falou ao sentir Baekhyun descer as mãozinhas como quem não quer nada.

“Eu nem fiz nada!”, respondeu risonho e após receber um olhar gelado da menorzinha, se calou e voltou a dançar.

Quando a música terminou e as luzes se acenderam, Kyungsoo não queria se soltar daquele abraço tão gostoso, os corpos quentinhos estavam tão pertinho que a garota podia sentir o coração do Byun batendo forte contra si – Mas estava tudo bem, por que o coração dela estava igualmente acelerado. Rolou os olhares pelo local e percebeu que todos os encaravam completamente confusos com a cena, principalmente Chanyeol que a observava de longe com a boca formando um “O” perfeito e uma enorme interrogação no rosto. Acabou soltando uma risadinha e fez um gesto de que explicaria tudo depois.

Afastaram-se meio sem graça e sem saber como proceder diante daquela situação e ainda bem que Baekhyun era bom com palavras, pois sugeriu que os dois fossem beber um pouco de água e Kyungsoo concordou imediatamente.

Resolveram tomar um pouco de ar do lado de fora e sentaram na grama do jardim para observar a noite estrelada. A lua nunca estivera tão bonita e causava um sentimento de conforto estar ali a apreciando. Podiam ouvir o diretor anunciar que o concurso de rei e rainha do baile aconteceria em instantes, mas nenhum dos dois parecia estar preocupado em saber os resultados. Com seus copos em mão e um clima esquisito pairando no ar, Kyungsoo abriu a boca várias vezes, mas nada saía, estava tão confusa que acreditava estar num daqueles sonhos bem realistas. Respirou fundo e perguntou: “Desde quando?”.

Baekhyun soltou uma risadinha todo constrangido e coçou a nuca, era a primeira vez que a garota o flagrava tão sem jeito. “Desde sempre, eu acho... Você sempre me pareceu alguém que valia a pena, mas eu não sabia como me aproximar, aí preferi ficar quieto.”, ele respondeu tomando um gole de água, seus olhos encaravam tudo apenas para não ter que cruzar com os olhos de Kyungsoo que assistia tudo atentamente.

“M-mas por quê? O que eu tenho de tão especial que chamou atenção no todo grandioso Baekhyun?”, falou irônica fazendo o garoto rir.

“Não sei, Kyungsoo, você só é. Eu sei bem que as pessoas te chamam por aí de bruxa satanista e um monte de coisa feia, mas eu só acho que você é diferente de todo mundo e isso... Sei lá... E-eu acho legal”, falou todo vermelhinho.

Kyungsoo queria explodir de tanta felicidade que mal cabia no peito, uma sensação gostosa que tomava conta de seu corpo e não conseguia evitar o sorrisão no rosto. Puxa, como estava feliz! Tão feliz que sequer pensou muito quando puxou Baek pelo colar de crucifixo e deixou um beijinho em seus lábios fininhos sentindo o metal frio contra sua boca carnuda e um choque gostoso com o contato.

Baekhyun, que era tão acostumado a tomar a atitude e partir para cima, tinha ficado estático com aquela ação da garota, sentiu os lábios formigando e o estômago embrulhando de tão nervoso. Ah, como tinha sonhado com aquele dia. Já Kyungsoo vestindo aquele vestido lindo e na companhia de um príncipe (ou quase) estava se sentindo mais plena que qualquer princesa de contos de fadas.

As mãozinhas timidamente se encontraram num aperto gostoso e os dedinhos se entrelaçaram num calor confortante tendo apenas o céu estrelado como testemunha daquele momento tão precioso (e claro, uma Chanyeol e um Sehun os observando de longe trocando risadinhas eufóricas). 

July 3, 2018, 10:54 p.m. 3 Report Embed 5
The End

Meet the author

Amanda Rocha Eu gosto de doces e gatos; gosto do crepúsculo das 17:00 e de música clássica; gosto de animes e do barulho que as pessoas fazem quando comem algo crocante. Sinta-se a vontade para conversar comigo :)

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LS Liri Silva
Meus Parabéns! ótima historia rsr <3 Amei. Continue assim.
July 4, 2018, 7:39 a.m.

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