Anjo Sem Asas Follow story

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Eu não sei se anjos realmente existem. Porém, se existem, você com certeza se tornou um, uma alma tão boa como a sua é com certeza destinada a isso. Você mesmo vivo era um verdadeiro anjo. Um anjo sem asas. (Kaisoo | AU/UA | Writer!Kyungsoo | +18 pelo yaoi)


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#anjo #despedida #romance #yaoi #sookai #exo #carta #kaisoo
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Caro Jongin

“Amor não é se envolver com a pessoa perfeita, aquela dos nossos sonhos. Não existem príncipes nem princesas. Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos. O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.”
- Desconhecido


   Caro Jongin,

   Desde que o homem é homem, homem referindo-se ao ser humano e não ao sexo masculino, somos tolos. Desde o começo da história, desde antes de cristo, existem pessoas sem caráter, pessoas com muita ambição e ganância. Há o mal, há pessoas corrompidas e maldosas, de má índole, que preferem o sucesso e o dinheiro à honra e honestidade. Contudo, para todo mal, há seu contrapeso; enquanto existe essa maldade e todas essas pessoas sujas, existem as coisas boas, como o amor, a honestidade, a honra, a humildade e as pessoas de bom coração. 

   Nem sempre a burrice é ruim e nem sempre a inteligência é boa, tudo o que realmente importa é o bom coração. Do que adiantaria ser a pessoa mais inteligente do mundo se seu coração fosse coberto pela maldade? Nada de bom seria reservado para você no plano divino, se é que ele realmente existe.

   Sentimentos são confusos, e o amor é um dos sentimentos mais puros que existe. Amor não é apenas o dos enamorados. É o amor dos irmãos, dos pais com seus filhos, de alguém com seu bicho de estimação, amor de amigos. Amar não é encontrar a pessoa com quem sempre sonhou, amar é ter ao seu lado alguém que se importa com você e que te completa, que lhe faz feliz acima de tudo. Amar é mais que gostar, amar é se importar. 

   Quando se ama alguém, o bem estar dela fica acima do seu, a felicidade dela fica em primeiro lugar e a última coisa em que você pensa, é em sua vida sem ela. 

   William Shakespeare sempre descreveu o amor de diversas formas. Trágico, mágico, encantador, cego, surdo ou mudo, não importa, em nenhum momento ele estava errado. O amor é simples e complexo, é concreto e abstrato, é bom e ruim, fácil e difícil, doce e amargo, leve e profundo, ele machuca e cura, mente e diz a verdade, ele ri e chora, tudo ao mesmo tempo. Só depende da interpretação, ele é tudo e ao mesmo tempo não é nada. Eu, acima de tudo posso falar disso com certeza, pois eu não me apaixonei cegamente, eu amei profundamente, amei com todo o meu coração e alma, amei com dedicação.

   Eu amei você, Jongin.

   Nos apaixonamos de um jeito natural, tão natural quanto o ato de uma abelha que coleta o pólen de uma flor. Nosso amor era puro, inocente, nasceu na aurora de nossa juventude, sem demora e nem pressa, tudo aconteceu em seu devido tempo, sem trapaças nem jogos, sem segundas intenções ou interesses a mais. Era o mesmo amor inocente de uma criança e um amigo, um amor sincero e intenso. 

   Eu não tinha pressa, não queria nada mais do que o seu amor, sua correspondência. Eu não queria amar sozinho, sabia dos riscos que teria te amar sem saber se você correspondia aos meus sentimentos, porém, nós não mandamos em nosso próprio coração, poucos tem a sorte de ter seu amor correspondido e eu fui um desses sortudos. Eu sabia que te amar sem certeza de reciprocidade era um tiro no escuro, todavia, a única certeza de que eu precisava, a única certeza que importava, era a que eu mais tinha: De que eu te amava. Eu preferia um milhão de vezes amar e não ser amado de volta do que viver com o arrependimento de não ter tentado.

    Nosso amor foi real, foi intenso, foi profundo como o oceano.

   Antes, eu não fazia ideia de como começar essa carta, então apenas preparei minha antiga máquina de escrever e deixei as palavras me levarem. Você sempre me disse que eu falava as mais belas palavras, dizia que um dia, elas me levariam para muito longe. 

   E bem, elas levaram. Eu escrevi um livro, ele vendeu bastante, digamos assim. Vendeu o bastante para que eu nunca mais tenha que trabalhar. “O Segredo das Palavras” já vendeu milhões de exemplares e centenas são vendidos até hoje. Foi um livro que escrevi em um tempo recorde, mesmo que fosse sem pressa.

   Enfim, o assunto aqui não sou eu, somos nós.

   Nos conhecemos ainda novos, quando crianças. Tínhamos nossos cinco ou seis anos e brincávamos no parque, era um dia quente e sua mãe havia te comprado um picolé. Você infelizmente o deixou cair na areia. Sua mãe irritada disse que não iria te comprar outro picolé e você abriu o choro. Me lembro como se fosse ontem, pedi um picolé a minha mãe e com cuidado me aproximei de você e te ofereci o meu. Você recusava e recusava e eu insistia, até que acabamos dividindo o sorvete. Daquele ato tão simplório nasceu uma bela amizade que mantemos nossa vida inteira.

   Contudo, quando ficamos mais velhos, eu me apaixonei.

   Só aos dezoito anos tomei coragem para te contar tudo. Quando me declarei para você, você me surpreendeu com um beijo. Eu estava nervoso, sem saber muito bem o que falar, me enrolando em minhas próprias palavras e você logo me calou com um beijo. 

   Nos então namoramos, namoramos por belos cinco anos. Vinte e três anos, mal era um adulto e pedi você em casamento. Nosso noivado foi ainda melhor que o namoro, estendemos aquele noivado por tanto tempo... Foi no nosso noivado que tivemos nossa primeira viagem juntos e compramos nossa própria casa. Foi uma época de grandes avanços em nossa relação. O noivado era perfeito, entretanto, eu não me contentava em lhe chamar apenas de noivo, eu queria lhe chamar de marido, afinal já vivíamos como um casal casado. Sete anos de noivado que tiveram um fim na noite de vinte e quatro de dezembro, quando um minuto antes de meia noite eu finalmente perguntei;

   “Vamos nos casar? Agora mesmo?”

   Sua resposta foi, para minha surpresa e felicidade, sim. Corremos contra o tempo atrás de ternos, horário na capela e no cartório. Casamos antes que vinte e cinco de dezembro acabasse, antes que o aniversário de Jesus passasse.

   Aquele foi o melhor Natal que já tive, o melhor momento de toda a minha vida. Ali, aos trinta anos, nos casamos. Com palavras verdadeiras e juras de amor eterno, chegamos ao fim de uma estrada, um ciclo. O dia mais feliz da minha vida foi o dia em que nos casamos.

   Eu não precisei esperar nos casarmos para te dizer "eu te amo". Amar não está ligado diretamente a casamento. Eu já dizia que te amava haviam doces doze anos. Doze anos de amor, de paixão e paz. 

   O casamento foi apenas mais um degrau importante da grande escada de realizações que poderíamos ter juntos. Cada degrau dessa escada foi importante, o primeiro beijo, o namoro, o primeiro “eu te amo”, a primeira vez, a primeira viagem juntos, o noivado, a casa própria… E mais “n” degraus da escada que subimos sem a menor pressa de chegar ao final dela. Afinal, tinhamos todo o tempo do mundo.

   Ou ao menos pensávamos que tínhamos.

   Porque foi aí que, depois de três anos de casados, três anos te chamando de marido, apenas três anos usando alianças de casamento, que tínhamos nos reunido em santo matrimônio, decidimos que iríamos adotar uma criança. Nos preparamos por meses, preparamos a papelada da adoção, os eventuais gastos com a criação da criança. Estava tudo pronto, tudo planejado… Quando nosso mundo inteiro desmoronou. 

   Você começou a ter enjoos estranhos, seu corpo inteiro doía. Nenhum médico sabia o que você tinha, tantos exames, tantos testes e diagnósticos e nada era descoberto. Ao longo dos anos você piorava, estava cada vez pior e toda a dor que você sentia, eu sentia em dobro. O medo de te perder era cada vez maior no meu coração. 

       Eu não estava pronto pra te ver sofrer, não estava pronto para te ver partir. 

   Não tardou para que você viesse a falecer, sem nem mesmo a sua doença terem diagnosticado. Você morreu na maca do hospital, sem nem ter feito tudo que sempre quis da vida.

    Você pediu pra que eu não chorasse quando você partisse. Todavia, eu não consegui não chorar. Você pediu que eu não me culpasse, que não sofresse por você, só que isso era impossível. Como não sofrer se perdi metade de mim? Sem você eu sou incompleto, sou apenas mais um ser humano no planeta terra, uma casca oca e vazia. Sem você minha vida não tem cor, não tem emoção nem felicidade, é apenas uma vida vazia. 

   Você nunca foi meu sonho de par perfeito ou príncipe encantado, mas se tornou esse príncipe encantado na minha vida. Você era meu anjo, minha luz, minha razão de viver. Queria ter sido eu a morrer no teu lugar. Não há palavras capazes de dizer como eu sinto a sua falta, não há modos de medir o quanto sua presença faz falta na minha vida. As minhas lágrimas contam tudo, silenciosas e traidoras, meus sentimentos são inexplicáveis e o vazio dentro de mim nunca será preenchido, por nada nesse mundo. Minha alma está incompleta e meu coração está ferido. Eu sei que eu vou esperar um milhão de anos pra essa ferida se curar, e sei que esperaria mais um milhão para ter você de volta.

   Os últimos dez anos tem sido vazios sem você ao meu lado, a fama, todo esse dinheiro, a glória e o sucesso, nada disso importa pra mim se eu não tenho você comigo, me apoiando e comemorando ao meu lado. Nada disso importa quando deito em meu travesseiro no final do dia, com o outro lado da cama frio, sem você.

   Fazem anos que não converso com ninguém. Tudo o que eu consigo fazer é falar sobre você sem parar. Mesmo longe de mim você domina meus pensamentos e eu nunca serei capaz de te esquecer. Só porque você morreu não quer dizer que eu deixei de te amar, eu ainda te amo e continuarem amando por toda a eternidade. 

   A morte nos separou agora, mas um dia vai nos unir novamente. Porque de uma coisa eu tenho certeza, e é de que nascemos para ficarmos juntos.

   Eu nunca fui a pessoa mais generosa do mundo, essa pessoa era você e mesmo assim eu senti que era minha obrigação dividir aquele picolé com você. 

   Você foi a pessoa com o coração mais generoso que eu já tive o prazer de conhecer. Se encontrasse um mendigo dormindo ao relento em uma noite fria, você faria questão de levá-lo para casa e hospedá-lo como se fosse da família. Para você, todos mereciam gentileza e misericórdia, até o pior dos homens merecia perdão. No seu jeito de ver sempre havia uma segunda chance. Não importava qual pessoa fosse, você sempre a tratava com educação, nobreza e respeito, você nunca negaria abrigo a ninguém. 

   Quando eu digo que a sociedade tem sim salvação; são pessoas como você que me dão esperança disso. Vencendo ou não na vida você continuava sempre humilde e otimista. Mesmo em seus últimos dias de vida você sorria e dizia que iria tudo acabar bem, dizia que não importava o que acontecesse com você, você ficaria bem no final. Você escondia seu medo e sua dor, nunca admitia que as coisas não tinham como melhorar, em você queimava a chama da esperança.

   Eu sinto tanta falta disso. Do seu otimismo, seu bom humor, sua esperança, sua nobreza e gentileza. Seu modo de se vestir, de agir, de dançar e de falar. Seu sorriso, sua risada, seus olhos, lábios e cabelos, os seus toques e seus carinhos. Seu amor por animais, sua mania de sempre ver o lado bom das coisas, mesmo quando elas pareciam não ter um lado bom. Da sua alegria matinal, do seu canto descontraído. Seu encanto natural e seus queridos e clássicos filmes antigos — os quais sempre jurei odiar, mas que hoje me fazem uma falta enorme. Sua mania de sempre tomar chá antes de dormir. Aquele costume de dizer que deveríamos sorrir, pois tudo poderia ser pior e não era, que tinham pessoas que sofriam muito mais do que nós. O seu tudo. 

   Você não imagina a falta que você me faz. Tudo em você é encantador, você é naturalmente adorável.

   Como eu queria poder voltar no tempo, voltar para o começo, voltar pra quando nos conhecemos, queria poder viver tudo isso novamente. Queria ter aproveitado mais os pequenos momentos, ter te abraçado mais, te beijado mais. Ter passado mais tempo ao seu lado. Esses anos que não voltam mais… Eu daria tudo, tudo mesmo, minha casa, meu carro, minha fortuna, minha máquina de escrever, minhas roupas, meus móveis, tudo, tudo mesmo, pra te ter de volta, nem que fosse para morarmos debaixo de uma ponte. 

   Porque eu sei que não importa onde e como eu estivesse, se estivesse com você seria verdadeiramente feliz. Você é tudo que eu preciso e desejo, com você qualquer lugar poderia ser um lar. Infelizmente, eu não tenho como te ter de volta, você se foi para sempre. É como aquele antigo ditado, a gente só da valor quando perde. Por mais valor que eu posso ter te dado, não foi o suficiente. Nunca será o suficiente.

   Eu não sei se anjos realmente existem. Porém, se existem, você com certeza se tornou um, uma alma tão boa como a sua é com certeza destinada a isso. Você mesmo vivo era um verdadeiro anjo.

   Todo mundo diz que devemos amar ao próximo, e isso era uma coisa que você fazia com perfeição. Você não odiava ninguém, não guardava rancor e nem sentia ódio. Para você todas as pessoas eram boas, nem que fossem apenas bem no fundo e que debaixo de toda a maldade no coração de alguém tem bondade. Você acreditava que essa bondade saia assim que outras pessoas eram boas, que bondade atraía ainda mais bondade. 

   Eu tenho certeza que eu nunca irei encontrar alguém como você, tão nobre, tão bondoso e magnânimo. Não existia ninguém tão piedoso e clemente como você. 

   Se matassem qualquer pessoa na tua frente, tu serias o primeiro a ceder uma segunda chance ao assassino, do jeito que sempre foi indulgente. Para você o que era seu era de todos, se trabalhasse em um comércio, iria falir com certeza. Se alguém te pedisse comida você seria incapaz de negar, bondoso como é, iria atrás do melhor que pudesse oferecer. Nunca tratava ninguém com diferença. 

   Acho que por mais que eu tente, jamais irei conseguir ser como você.

   E dói até o fundo da minha alma me despedir de você.

   Adeus meu anjo sem asas, um dia nos veremos novamente.

    Kyungsoo, seu eterno apaixonado.

July 1, 2018, 5:03 p.m. 0 Report Embed 1
The End

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