Dara - A visão de um felino Follow story

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A história é contada por Dara, uma gata de rua que foi abandonada por em frente a uma parada de ônibus. Mostraria suas lembranças e sentimentos em relação a tudo que já passou quando foi largada por sua antiga família, até finalmente ser adotada novamente e receber um novo lar, com uma nova família que ficou ao seu lado até o dia em que teve que partir. (12/03-2017)


Short Story All public.

#love #cute #kitty #one-shot #dara #cat
Short tale
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A história do meu primeiro amor

   Eu sou um gato, mais especificamente do sexo feminino. Vou contar a história do dia em que eu estava perdida, prestes a desistir, se não fosse por elas. Irei contar os fatos da minha curta estadia ao lado das pessoas que me amaram incondicionalmente e fizeram dos meus últimos dias na Terra os melhores da minha vida; e que, apesar de não terem a melhor casa do mundo, ou todo o dinheiro necessário, puderam me dar a melhor coisa que alguém poderia receber. Amor.
   Era verão, não lembro ao certo o ano, o sol estava queimando minha fina pele.    Fazia dias que não comia direito, meu estado era fraco e de dar pena, tão magra que mal conseguia andar. Algumas pessoas que passavam me olhavam torto, me intimidavam quando eu chegava perto. Achava que não sobreviveria por mais tanto tempo. Até que elas chegaram.
   — Como ela é magra. — Comentou uma humana que estava logo à minha frente.    — Podemos ficar com ela?
   — Lógico que não, um gato já basta dentro de casa. — Disse outra, porém mais velha.
   — Por que? Se a Anna pode ter um, por que eu também não poderia ter? — Continuava questionando.
   Eu não entedia ao certo sobre o assunto do qual tratavam, mas estava quase certa de que não seria algo agradável.
   — Tudo bem. Se quando voltarmos de viagem e ela ainda estiver aí, nós a levaremos pra casa.
   Casa? Eu já cheguei a ter uma, se não me engano. Eu recebi amor lá, pelo menos por um certo período de tempo.
   Eu havia chegado no natal, como um presente para a humana mais nova da família Um filhote. Quando eu fui ficando velha e um pouco doente, eles já não tinham mais ânimo e nem condições para os meus futuros tratamentos. Me largaram em frente a uma parada de ônibus, em uma rua movimentada.
   — Se você esperar aqui bonitinha até domingo, eu volto por você, ok? — A humana disse enquanto tentava acariciar meus pelos, e logo em seguida entrou dentro do ônibus para seguir seu rumo.
   Ela disse que iria voltar se eu esperasse. Teria eu uma casa novamente? Um lar, alguém para amar de novo? Ou talvez ocorresse mais uma vez, elas poderiam não ter dinheiro para os tratamentos e me largariam de volta na rua.
   Esperei, durante um dia inteiro, ela voltar. No mesmo lugar, sob o sol quente, com uma pouca ração do lado, que poderia me alimentar por algumas horas.
   Eu só tive a opção de aguardar o retorno daquela família, de qualquer forma, para onde iria? Nem ao menos de andar eu tinha condições. Nós tínhamos feito uma promessa, eu aguardaria e ela voltaria. Deveria eu, uma gata de rua, quebrar uma promessa feita a uma humana desconhecida? De fato, parecia algo errado.
   Eu estava quase perdendo as esperanças quando notei uma figura conhecida correndo em minha direção. Pelo susto eu tentei correr, o que foi quase inútil, eu não estava numa situação em que aquilo era possivel.
   Aos poucos me acalmei no colo de quem quer que fosse que eu estava, e pude notar melhor quem era.
   Era ela.
   Ela havia dito que iria voltar, e voltou, como havia prometido. Cumpriu a promessa dela, e eu a minha.
   Um pouco de sangue escorria escorria por sua bochecha devido aos arranhões que fiz quando tentei me soltar, e mesmo machucada, ela continuou sorrindo e tentando fazer com que eu me sentisse confortável.
   Minha nova amiga estava me levando para casa. Lembro-me de que a família passou o dia todo tentando descobrir a qual sexo eu pertencia, para poder definir uma forma de me chamar.
   A primeira sugestão era que eu fosse um homem. Bem longe disso. Elas não conseguiam enxergar direito, tiveram até que chamar uma vizinha que entendia mais do assunto para ajudar. Foi engraçado, aquilo me fez rir por dentro.
   — Você vai se chamar Sandara. — Comentou uma das garotas que me rodeava.
   — De onde tirou esse nome? — Perguntou a outra humana.
   — De um grupo coreano. Podemos chamar ela só de Dara também, é bonito e combina com o rosto dela.
   A partir daquele dia, eu havia recebido um novo nome, mais bonito que o anterior.
   Eu não sabia ao certo se estava feliz por estar sendo chamada novamente por um nome ou, simplesmente, porque tinha alguém para me chamar por um nome.
   Talvez fosse os dois.
   E também, eu não estava mais sozinha. Eu tinha uma nova família, e isso incluía um irmão gato também.
   Ele não gostou muito de mim no início, gostava de me provocar. Acho era ciúmes, porque, até então, ele era o único animal da família, único que era amado até aquele momento; mas eu também estava sendo amada, certo? Acho que era ciúmes por dividir o amor com um intrusa.
   Intrusa? Eu era intrusa, ou membro do grupo?
   O medo de ser abandonada me corroía todos os dias, eu mal conseguia dormir.    Eu apenas me deitava no sofá e ficava horas esperando que alguma delas me levasse de volta para a rua.
   Por quanto tempo elas iriam me deixar ficar? Por quanto mais tempo eu teria esse pouco de felicidade?
   Isso ficou comigo por tanto tempo, que chegou a se passar dois anos desde que elas me acharam e eu continuava lá.
   Eu não confiei nelas; porém, mesmo assim, elas me permitiram ficar. Eu não precisava mais ter medo de que me machucassem, ou de que me mandassem embora.
   Elas não fariam isso, iriam me proteger até o dia do meu último suspiro.
   Passaram-se dois anos desde o dia em que deixei de ficar só.
   Com o decorrer do tempo, outros gatos vieram para casa, novos irmãos.
   Romeo, Mel, Teresa e Eva. Cada um com uma vida diferente, que os fez encontrar essa família da qual eu tive o prazer de fazer parte.
   Eles escolheram elas, e elas os escolheram.
   Nenhum de nós precisava mais ter medo, seriamos cuidados igualmente.
   Se eu pudesse falar, se eles pudessem me escutar, eu teria dito à minha antiga família que não era a melhor ração do mundo que eu queria, não era a melhor casa, e que eles também não precisavam ter me levado nos veterinários mais caros, porque eu sabia que eles não tinham como bancar tudo isso. Eles não deveriam ter me jogado fora como se eu fosse um brinquedo, apenas porque não tinham como cuidar da doença que estava crescendo comigo.
   Essa minha nova família também não tinha dinheiro e nem ao menos sabia que minha estadia na Terra já estava chegando ao fim, mesmo assim, conseguiram fazer de meus últimos dois anos, os mais felizes da minha vida.
   Tudo pelo que ansiava era receber carinho e amor incondional, e foi isso que me deram. Elas não se importaram se eu era de raça, ou não; se eu estava suja, ou não.    Me acolheram como se eu já fizesse parte da família há muito tempo.
   Apesar de hoje eu não estar mais com vocês, eu sempre lembrarei dos bons momentos que vivemos juntos, todos nós, como uma grande e estranha família.
   Obrigada por me darem uma segunda chance de vida, por me darem a oportunidade de conhecer humanos, gatos, e até cachorros que puderam fazer a minha vida um pouco melhor. 

June 30, 2018, 5:57 p.m. 2 Report Embed 0
The End

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Neeca Ashcar Neeca Ashcar
Ain cara que bonitinha essa história, e que assunto sério abordado aqui. Sabe além ser cruel abandonar um bebê seja ele qual animal for ainda é crime. Aí dá bem que a Dara teve uma história feliz e encontrou nos seus últimos dois anos uma família amorosa. Muito fofinha... 😍😍😍 Só uma dica rápida, a sinopse é um curto resumo, meio que você deu spoilers do que aconteceria ao decorrer. Tomar cuidado para não resumir a história inteira como essa. Maravilhosa essa história de verdade é que leitura gostosa meu senhor! ♥️ Beijos 😘
July 1, 2018, 4:55 p.m.

  • Noir Noir
    É que essa história foi baseada na minha gatinha Dara que morreu no ano passado xD foi mais uma homenagem que eu fiz para ela, eu fiquei muito mal logo que tudo aconteceu, essa história foi um jeito que eu tive de tentar superar a perda. Sim!! É crime, mas iinfelizmente não acontece nada com quem o comete, eu, contando a Dara, tive 3 gatinhos tirado das ruas e é extremamente triste, eles ainda sentem o medo do abandono. Obrigada, fico feliz que tenha gostado <3 e também por ter vindo comentar. É o primeiro comentário que recebo nesse site <3 July 2, 2018, 11:10 a.m.
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