Café com Lua Follow story

dakho 𝒅𝒂𝒌𝒉𝒐 🏳️‍🌈

Estava quase no final do expediente de uma cafeteria quando Kim Seokjin entrou nela pela primeira vez, pedindo que o atendente desenhasse uma lua no seu copo de café e um cheesecake de morango, sem perceber que, enquanto isso, Min Yoongi morria de amores por si. yoonjin | meio drabble | social oculto


Fanfiction All public.

#jin #bts #suga #yoongi #seokjin #yoonjin
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Casa comigo?

Eu ainda me lembro da primeira vez em que você apareceu aqui, Seokjin. Era quase final do expediente, mas você só pediu um macchiato para viagem, então estava tudo bem, porque você era educado e me desejou boa tarde ao entrar, coisa que quase nenhum cliente fazia, principalmente ao olhar pros meus cabelos incomuns com mechas azuis se misturando no preto. Eu sabia que seria julgado ao pintar, por isso não ligava nada para os olhares feios de alguns frequentadores do café do Taehyung, mas sempre me impressionava quando alguém não o fazia, muito mais ainda quando eram educados, mas você, Jin, me deu aquele sorrisão e se desculpou por ter vindo quase na hora de fechar. E ainda faltavam quinze minutos para as sete! Não estava tão tarde, nem precisava de desculpas, mas você fez questão de pedir e me dar gorjeta depois como o que você disse ser um pedido de perdão. Foi tão legal ter recebido aquele "boa noite" tão esporádico e o aceno com a mão livre enquanto a sua outra segurava o macchiato de caramelo e o pedaço de cheesecake de morango para viagem que eu nem me arrependi de ter desenhado uma nuvem e uma lua no seu copo de café bem ao lado do nome.
Naquela noite, quando deitei a cabeça no travesseiro depois de terminar o trabalho da faculdade de direito que meus pais empurraram para cima de mim (e que acabei gostando em alguns meses), tive que me forçar para tentar esquecer sobre você, seu sorriso e seu cabelo castanho desorganizado, mas, mesmo assim, sonhei contigo. E, caramba, que sonho! Nele, eu não era atendente de cafeteria e você não era só um cliente que apareceu por lá pela primeira vez. Eu estava no laboratório de ciências da universidade, fazendo um trabalho de um curso que nem era o meu, tentando cortar uma célula ao meio com uma lâmina de um mísero nanômetro sem fazer o hialoplasma vazar. Era uma tarefa impossível que eu esqueci assim que você entrou apressado, com papéis da transferência na mão, alegando ser de Gwacheon e, assim como na vida real, pedindo desculpas pelo atraso. Mas seus cabelos estavam diferentes, Jin, eles estavam cor-de-rosa, assim como eu sugeri ontem pra você pintar, porque você estava tão, tão, tão lindo usando aquela cor que não consegui resistir.
E aquele sonho me atormentou por muito mais do que uma mísera manhã na faculdade, se quer saber. Chanyeol teve que me acordar mais de duas vezes durante as aulas do senhor Choi sobre a constituição, porque eu estava viajando na maionese em um foguete do tom rosa dos seus fios que eu supus serem sedosos, me perguntando o porquê de você ter me afetado tanto se a única coisa que fez foi fazer um pedido, sorrir e me dar uma gorjeta barata. Mas, poxa, quem é que eu estou tentando enganar? Com toda aquela educação, sua insistência em me fazer te perdoar e seu "boa noite" cheio de energia boa, só me faltou comprar alianças com os nossos nomes e fazer votos sagrados de te amar eternamente. E não, eu não estou exagerando. Você fez do meu resto de semana monótono um turbilhão de saudades de quem eu só tinha visto por alguns míseros minutos e trocado tão poucas palavras que era possível contar nos dedos. Eu fiquei assustado, até. Não é normal, não. Eu era um cara de vinte e quatro anos com uma cabeça boa demais pra enlouquecer por um cliente que nem fiel era. Então, quando eu te digo que você é um anjo na minha vida, acredite, Jin. Você foi desde o primeiro dia.
Na semana seguinte, quando eu achei que tinha conseguido mascarar a minha vontade de te rever com o convite de Chanyeol, meu melhor amigo, para ir em uma festa de um pessoal de exatas lá na universidade, você apareceu por lá de novo e derreteu meu cérebro mais uma vez ao pedir pra eu desenhar aquela luazinha bonita no seu copo de novo, mas alegando que o pedido não era para a viagem. Ah, quando eu finalmente processei a informação que você ficaria ali por mais uns bons minutos, quase morri. Eu poderia te olhar discretamente enquanto fazia meu trabalho de forma exemplar, como fazia todos os dias, mas, daquela vez, um pouco diferente, porque eu estaria sorrindo, e não era porque um passarinho azul pousou em mim nem nada do tipo. Era porque você estava ali, mexendo com meu psicológico de jeito que nem o meu primeiro ficante do ensino médio fez, e eu era muito, muito, mas muito iludido aquele tempo. Acho que regredi um pouco nessa questão, mas foi por um bem maior, porque, caso eu não fosse tão coração mole, não estaria te namorando.
— Fala sério, Yoongi! Você é meloso demais! — Seokjin exibiu um sorriso um pouco envergonhado na frente do namorado, fingindo beber seu machiatto de caramelo para esconder as bochechas rosadas.
— Ah, mas você nunca disse que não gostava! — Apontou, revirando os olhos enquanto roubava um pedacinho da fatia de cheesecake de morango que ele mesmo cortou tempos atrás. — Agora me deixe terminar de contar. Ham.
Você também apareceu no dia seguinte, e no outro também, e a sua imagem que minha mente criou de curioso foi para o ralo, porque você sempre pedia a mesma coisa, e se mais alguém viesse aqui e pedisse um machiatto de caramelo e cheesecake de morango, eu sorria me lembrando de você. Era um cúmulo a minha vergonha na frente dos clientes por sua causa! Você me vinha com aquela risada estranha depois de ler alguma coisa no seu celular, me desejando boa tarde e pedindo por aquelas mesmas coisas com a mesma luazinha desenhada quase todos os dias! Não era como se eu conseguisse evitar me apaixonar por você. Ah, Jin, eu até me esqueci da festa dos alunos de engenharia naquele final de semana, de tanto que pensava em você nas horas vagas. Chanyeol ficou bravo pelo bolo que eu dei nele, sabia? Mas ele entendeu, porque, oras bolas, ver Min Yoongi caindo de amores por alguém que sequer conhecia não era um evento muito comum. Nunca tinha acontecido, e, se dependesse só do pobre do Chanyeol, nunca mais aconteceria com ninguém além de você, porque ele tentou me fazer pedir seu número por muito tempo mesmo, mas, depois que percebeu que eu não o faria nem se visse uma vaca cor-de-rosa do tom dos seus cabelos pular uma lua feita de queijo, ele mesmo veio aqui.
Descarado. Você se lembra de quando aquele poste se sentou do seu lado do balcão e pediu a mesma coisa que você só pra ter assunto pra conversar contigo, Jin? Você se lembra do quanto ficou envergonhado quando ele te disse que tinha um ótimo gosto pra cafeterias e pra cafés em geral, porque essa era a melhor, e machiatto de caramelo eram bons demais? Eu ouvi a conversa toda de vocês, porque estavam no balcão, e eu, um pouco atrás, fazendo os pedidos dos clientes. Ah, mas você estava tão bonito no dia em que o Chanyeol apareceu aqui que eu nem briguei muito com ele depois. Aquela sua camisa social branca com os primeiros dois botões abertos e a jaqueta jeans com flores bordadas que você carregava porque estava esfriando... caramba! Quando eu te vi entrar, achei que fosse ter um ataque do coração. Só que eu não sabia que o ataque mesmo viria tempos depois, quando, no meio da sua conversa com meu melhor amigo, eu descobri que você fazia mestrado na mesma faculdade que eu cursava advocacia. Meus ouvidos triplicaram de poder de audição ao te ouvir falar das festas que te convidavam mas você não podia ir, porque trabalhava em uma editora grande. Eu estava conhecendo mais de você, e mesmo que não conseguisse te ver nas reuniões banhadas de ponche que as fraternidades do campus, pelo menos podia dizer que sabia o que você fazia da vida, que era meu hyung e que, caramba, você era muito lindo.
— Era? — Jin questionou levantando uma das sobrancelhas.
Yoongi quis morrer! Ele tinha entendido errado!
— Ainda é! É muito lindo no presente do indicativo!
— Ah, bom mesmo.
Mas, então, o meu turno tinha acabado. Aigooo, eu realmente trabalharia mais só pra te ouvir falar, mesmo que não fosse comigo. Eu sei que deveria me sentir mal por escutar pelos cotovelos, mas ninguém podia me julgar, muito menos você, Seokjin. Você me fez sentir na pele o que era amor à primeira vista. Sabe o quão raro é isso? Eu, sinceramente, achei que estava com tumor no cérebro e estava agindo inconsequentemente, mas, como Chanyeol falou pra mim depois de se despedir de você aquele dia, dizendo que havia chegado a hora dele e que eu, o melhor amido dele, estava saindo, mas que você deveria comparecer as festinhas do pessoal da universidade pra conversarem mais, você _é_ bonitão mesmo, então eu não tinha culpa de estar pagando de bobo apaixonado pra cima de um cara que eu nem conhecia.
O que eu não imaginava é que você iria mesmo.
Você foi e foi tão lindo que destruiu completamente minha concepção de existir uma visão mais linda do que a sua com a boca suja de cobertura de cheesecake de morango, mesmo que eu nunca te tirasse da cabeça bem daquele jeitinho: sentado no balcão, sorrindo para o celular e bebendo seu machiatto tão devagar que, às vezes, você me pedia pra esquentar de novo, e eu, bobo, ainda colocava mais espuma por cima, porque a sua acabava mais fácil que a minha sanidade ao te perceber passando pela porta da cafeteria e acionando o sininho de natal que meu chefe me insistiu para ajudá-lo a colocar.
Mas, Deus amado, você me fez acreditar em Deus mesmo, Seokjin, porque você parecia um quando atravessou a porta daquela fraternidade já um pouco suja, mas relativamente vazia para uma festa da Zeta Alpha Zeta, porque "poucas" pessoas realmente foram convidadas daquela vez. Estava tocando alguma música sobre cigarros e romances coreana quando suas solas limpas pisaram no tapete de lá, e todos te olharam. Você era novo, oras, era normal te olhar, os anormais foram mesmo Chanyeol e eu, já que, enquanto ele se levantava quase gritando seu nome para chamar mesmo a atenção e te levar pra pegar alguma bebida, eu quase morri, e não era exagero. Por dentro, meu coração batia tão rápido que mais parecia estar fibrilando.
Insano. Te ver caminhar naquelas calças justas pretas donas do pecado era muito insano, ainda mais pra um universitário de último ano cujo cérebro já estava afetado pelo álcool há muito, muito tempo.
Ah, Seokjin, você estava vestido como o verdadeiro Eros do século vinte e um! Eu não sabia se ficava feliz por te ver em algum lugar fora da cafeteria ou se considerava ainda mais a ideia de pular de um prédio alto e morrer de uma vez, porque, com aquelas roupas, aquele seu olhar meio doce meio endemoniado do tipo de cara que, mesmo fazendo mestrado, me pedia para desenhar uma lua depois do seu nome nos copos de machiatto de caramelo e se sujava comendo cheesecake de morango, você era a minha morte e a minha mais pura vontade de viver. Você era o motivo do meu coração bater feito louco drogado de lança perfume dentro do meu peito.

Você era a minha falta de ar. A gargantilha preta no seu pescoço que se assemelhava muito com a coleira que meu gato velho usava parecia me sufocar cada vez mais, mas não era um sufocar ruim, muito menos aqueles que, no meio da transa, nos levam ao ápice. Era surpreso e ansioso, prestes a explodir numa inspiração profunda e alta cujo som foi — graças a Deus — coberto pela música indie alta saindo das caixas grandes na sala de estar.
E, quando você voltou ao lado do meu amigo da faculdade, com um copo numa mão e meu coração na outra, só faltou Chanyeol rir. Um pouco atrás do seu corpo vedado em tecido preto, o Park passou o dedão pelo lábio inferior num sinal para que eu limpasse minha baba. Idiota.
Foi naquela mesma noite que, numa roda de verdade ou desafio, ao qual eu custei para entrar e você me surpreendeu com um "vamos, Yoongi-ah" um pouco devagar e alterado pelo álcool, você me beijou por causa de um desafio de uma garota que eu num conhecia, mas que provavelmente era sua amiga, porque riu maleficamente ao te lançar aquela pergunta quando a garrafa caiu virada para ti:
— Verdade ou desafio, Jin?!
— Desafio.

— Eu te desafio a beijar o Yoongi dongsaeng.
Em minha defesa, eu não estava planejando aquilo para aquela noite. Achei que íamos tricar telefone e conversar sobre o quão ruim vitamina de banana é, mas que ajudava na ressaca da manhã seguinte, não que você riria e pediria desculpas baixo aos pés do meu ouvido depois de desencostar nossas bocas daquele selar casto e macio. Mas quem sou eu pra reclamar disso? Um anjo havia me beijado e eu ainda estava vivo, então que vivesse mais pra beija-lo mais, não é? Caso não, eu transformaria essa negação em um grande e esplêndido sim, porque, além da heroína que disparava meu coração; seu beijo era uma droga maior e mais viciante que qualquer outra. Uma mistura de "acabei de chegar" com "não vou embora" que enlouquece o cérebro de qualquer um logo no primeiro uso. Era insanamente insano.

Se você fosse uma droga, com certeza seria a mistura de todas elas sem os efeitos colaterais ruins. Ou com eles, porque eu fiquei abalado quando você não apareceu na cafeteria segunda nem terça. Achei que nunca mais te veria e que você fosse um hétero que sentiu a masculinidade sendo afetada pelo nosso selinho que foi um mero desafio de brincadeira adolescente, por isso não visitaria nem o local onde eu trabalho mais uma vez.

Todavia, quase no final do meu expediente da quarta feira, quando eu já não achava que você não iria aparecer, mas tinha certeza disso, lá estava você, com roupa um pouco mais descontraída do que as sociais que costumava usar ao ir tomar café, e sorriu quando me viu. Não, eu não estava errado, embora minha parte menos autoconfiante dissesse que sim, mas você me passou segurança ao chamar meu nome enquanto deixava uma pasta em cima do balcão, logo em frente ao lugar onde você se sentou.

E, naquele momento, eu soube que todos aqueles cafés com lua não foram atoa. Eles tiveram um motivo para serem pedidos, um motivo além da sua sede ou do seu vício por cafeína com caramelo, algo que o destino resolveu colocar em prática. Algo que valia à pena.

— Eu vou chorar, Yoongi, é sério. — Seokjin avisou. Seus olhos estavam marejados e ele sequer conseguiria mentir que não ficou tocado com as palavras do namorado. Ele estava sentado no mesmo lugar de todos os dias, e só aquilo lhe dava uma nostalgia do caramba. — Onde você quer chegar com isso?

— É que... já fazem uns três anos que isso aconteceu. — Ele explicou, apoiando a cabeça na mão e o cotovelo no balcão enquanto tirava uma caixa do bolso com o braço livre. — E eu acho que já passou da hora de você casar comigo.

June 30, 2018, 12:16 a.m. 1 Report Embed 1
The End

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𝒅𝒂𝒌𝒉𝒐 🏳️‍🌈 beau swan versão fracassado e baekhyun stan. ouço j-rock no ônibus e escrevo umas coisas do exo. » protect and support trans folks «

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Kim Sophie Kim Sophie
Sua escrita é maravilhosa. Sério mesmo. Amei o enredo, a forma tocante que os personagens se apaixonaram e a forma poética que esse romance foi descrito. Parabéns, você é muito talentosa!
June 30, 2018, 7:13 a.m.
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