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Capítulo único

Baekhyun bateu o copo com força sobre o balcão, o fundo rachando levemente apesar da espessura do vidro. O loiro encarava o casal a alguns metros de si, enquanto a bebida descia queimando em sua garganta e os olhos marejavam. A combinação perfeita para um término.


Havia completado apenas uma semana desde que Chanyeol havia ido embora, mas ele sequer esperou a poeira abaixar. Baekhyun conhecia muito bem o modo como aquelas mãos firmes seguravam outra cintura que não era a sua. Conhecia aquele sorriso de lado, e conhecia a forma como seus ombros se encolhiam quando se inclinava para baixo para beijar outros lábios que não eram os seus.


Baekhyun riu amargamente. Ele sempre teve uma queda pelos baixinhos, afinal.


Observou os braços curtos que não eram os seus próprios ao redor do pescoço longo e os pés pequenos esticados para que pudesse alcançá-lo melhor. É, Baekhyun entendia muito bem qual era a sensação.


E por mais que seu coração doesse e seus olhos sangrassem, ele não conseguia desviar. Talvez ele não conseguisse superar. Talvez ele não quisesse superar. Talvez, se fechasse os olhos, poderia imaginar, e quase sentir, a maciez dos tais lábios vermelhos contra os seus próprios, quando, na realidade, tudo o que sentia naquele momento ao abrir os olhos, eram suas lágrimas salgadas escorrendo por eles.


A realidade é que Byun Baekhyun não sabia lidar com términos, nunca soube. E naquela noite em especial, ir a um pub para afogar suas mágoas em copos e copos de bebidas parecia o essencial depois de passar dias em casa embaixo das cobertas se deprimindo e chorando pelos cantos. Precisava esquecer de uma vez por todas, por mais difícil que fosse.


Mas encontrar Chanyeol ali com outra pessoa não estava em seus planos. E observá-lo jogar um ano de relacionamento no lixo, superando-o em menos de duas semanas, também não. Doía como o inferno, e o loiro não sabia lidar com isso.


Ele sentia sua cabeça girar, não era o mais forte para bebidas, mas não estava preocupado com aquilo agora. Alcançou o celular no bolso checando as horas. Estava tarde, mas era sexta-feira, então não tinha tanto problema. Permaneceu ali sentado, encarando sua foto favorita junto ao ex-namorado na tela de bloqueio.


Baekhyun havia tentado dizer “adeus” várias vezes, mas nenhuma delas foi real. Ele sequer sabia como haviam chegado nessa situação…


Ora, a quem queria enganar? Ele sabia, sim. Talvez sempre houvesse, só não queria aceitar.


Toda maldita noite ele o esperava acordado, cozinhava seus pratos favoritos, vestia algo bonito mesmo que fosse apenas ficar em casa. Mas ele sempre chegava em casa tarde, seu jantar já frio naquele ponto. Baekhyun às vezes até mesmo tentava ligar, mas ele nunca atendia. A última coisa que havia lhe dito era que estava a caminho de casa.


Baekhyun havia percebido o novo corte de cabelo, o novo perfume, as novas roupas. Quando o contestava, ele dizia que Baekhyun estava louco e que não havia nada de errado; ele mentia e sabia que Baekhyun sabia. O que eles haviam se tornado?


Chanyeol costumava dizer que o amava, o que havia acontecido com eles? Eles nunca iam para a cama com raiva, mas era tudo o que haviam feito nos últimos tempos. E ao invés de abraçá-lo como todos os outros dias, Chanyeol se afastava como se o odiasse, deitando de costas para si, ocupando apenas seu lado da cama. E nas noites em claro quando não conseguia dormir, Baekhyun se pegava pensando: Chanyeol o odiava? Será que se lembrava de quando costumava amá-lo?


Baekhyun passou as mãos pelo rosto, o ambiente mal iluminado não deixando claro seu rosto vermelho pelas lágrimas. Ele não entendia. Não era justo que estivesse passando por aquilo. Sempre havia dado o melhor de si naquele relacionamento, sido o melhor namorado que pôde, então qual era o problema?


Todos os amigos de Chanyeol tinham inveja deles, sempre fazendo brincadeiras sobre roubar Baekhyun dele ou dizendo-o para tomar cuidado para não perdê-lo para alguém melhor. Acontece que Chanyeol era quem queria o melhor, mas Baekhyun não parecia ser o melhor para ele. E… Talvez realmente não fosse bom o suficiente. Talvez devesse ter tentado mais... Talvez o amor do Park valesse muito, e o Byun nunca poderia tê-lo.


Ele estava com certo receio quando Chanyeol chegou em casa naquela segunda à noite, talvez soubesse o que viria pela frente. Ele disse que queria conversar, e Baekhyun precisou juntar um pouco de forças para sentar-se no sofá em frente a poltrona onde ele estava sentado. Ele tinha as mãos juntas, os braços apoiados nas coxas, a testa levemente franzida, os olhos um misto de emoções – Angústia, rancor, culpa, dor e várias outras coisas que Baekhyun não pode identificar.


E foi ali que o Byun viu seus sonhos perfeitos terminarem de desmoronar.


Ele chorava baixo enquanto Chanyeol falava, as palavras dolorosamente entrando em sua mente, mas não em seu coração. Ele disse que não era sua culpa e que Baekhyun era a melhor coisa que poderia ter acontecido na vida dele... Mas se fosse, então porque terminar?


O tempo todo Baekhyun chorou, os joelhos na altura do rosto enquanto abraçava suas pernas, seus soluços sendo abafados na calça de moletom. Chanyeol olhava fixamente para o chão, como se não pudesse encará-lo nos olhos. Ele não chorou uma vez. A única coisa que Baekhyun pode perceber foi uma lágrima solitária correndo por seu rosto, a qual ele fez questão de rapidamente limpar.


O Byun continuou sentado no sofá enquanto Chanyeol ia para o quarto e fazia suas malas. Doía tanto que Baekhyun sentia que tentavam pegar seu coração com as próprias mãos e arrancá-lo a força para fora do peito. “Amanhã volto para pegar o resto das coisas quando você não estiver”, foi a última coisa que disse antes de sair pela porta com duas mochilas nas costas e uma mala pequena na mão. Baekhyun podia jurar que ouviu um “me desculpe” antes da porta bater, mas talvez fosse apenas sua mente machucada e apaixonada lhe pregando peças. Ele chorou pelo resto da noite deitado no lado de Chanyeol da cama, onde seu perfume ainda estava impregnado, seu travesseiro agora molhado de todas as lágrimas que Baekhyun havia chorado.


Mas Baekhyun estava cansado de chorar. Tão cansado. Naquela noite ele só queria esquecer. Por uma mísera noite, ele não queria nada além de encher a cara e esquecer-se de todos os seus problemas.


Por isso, respirou fundo limpando o próprio rosto e, após virar mais uma vez um quarto copo, se levantou do bar indo até a pista de dança. Não iria se permitir ficar deprimido em mais uma sexta a noite, já havia feito muito isso nos últimos dias.


Baekhyun era fraco para bebidas, mas quatro copos não pareciam ter sido o suficiente naquela noite. Fechou os olhos deixando aos poucos o corpo ser levado pela música, como se ele estivesse mais alto do que realmente estava. Ainda sentia-se levemente sóbrio, mas focou sua atenção unicamente na batida, o aglomerado de pessoas em sua volta o envolvendo naquele clima contagiante. Não pensou muito em nada e apenas dançou como se não houvesse amanhã, deixando a batida levar embora suas lágrimas, transformando sua angústia em um temporário êxtase. Pediu mentalmente para que não tocassem músicas tristes naquela noite, pois Baekhyun não queria se importar naquele momento.


Ele não se importava com Park Chanyeol. Não se importava com as mãos que, após algumas músicas, envolveram seu corpo. Não se importava com o corpo grudado ao seu, movendo-se no ritmo da música, o envolvendo em uma dança sensual, a respiração quente em seu pescoço. Não, ele não se importava. Não queria se importar...


Mas comparações eram facilmente feitas uma vez que você provou da perfeição.


Aquele estranho o virou, tomando seus lábios, mas Baekhyun sentiu o gosto dos lábios dele. E os lábios de Chanyeol eram perfeitos. Ele puxou Baekhyun mais para perto e este quis se bater por estar pensando tanto nele quando não deveria. Não quando estava com outro. Baekhyun fechou fortemente os olhos, passando os braços pela nuca do maior, bloqueando qualquer sentimento que tentava o impedir se seguir em frente. Mas sua mente era traiçoeira, e ele não pôde deixar de pensar no que Chanyeol faria se fosse ele aquele que estivesse passando a noite consigo, ao invés daquele moreno forte.


E quando eles se separaram para recuperar o ar, o estranho lhe perguntando se ele queria sair dali, Baekhyun não pode deixar de pensar em como queria estar encarando aqueles olhos grandes e redondos, ao invés dos amendoados puxados. Porém aceitou o convite indecente, observando um sorriso malicioso surgir nos lábios grossos, e se deixou levar ao que ele lhe puxava pela mão para a saída.


Baekhyun se sentia tão culpado. Um sentimento estranho de traição pairando sobre si, quando nem em um relacionamento estava. Por um momento se perguntou se Chanyeol havia sentido essa mesma sensação ruim quando estava com outros homens, e depois quis se bater por dois motivos: primeiro por continuar pensando nele, e segundo pela resposta estar tão clara em frente ao seu rosto, comprovando mais uma vez que Chanyeol não dava a mínima para si.


Baekhyun não sabia como, mas uma hora estava entrando no carro do moreno, que descobriu se chamar Jongin, e no outro já estava tendo suas roupas arrancadas dentro do quarto escuro do mesmo. Ele se entregou ao beijo, deixando as mãos correrem pelo peito forte, mas que não era o dele. Baekhyun forçou-se a se concentrar, os dedos longos desabotoando a calça de Jongin. Os olhos estavam abertos enquanto o masturbava, pois sabia que se os fechasse, a imagem que viria em sua mente seria outra. O sexo de Jongin era realmente bom, mas Baekhyun se limitou a suspirar e gemer baixo, sabendo que se abrisse demais a boca, o nome que sairia de seus lábios seria outro. Não faria Jongin e nem si mesmo passar por essa situação vergonhosa. E droga, ele quis tanto se bater ao pensar tanto nele durante aquela ação. Em como ele o segurava com tanta possessão, em como deixava várias marcas roxas em sua pele branca, em como marcava sua cintura apenas com a força colocada nos dedos, em como sentia o gosto salgado pelo suor quando mordia seu ombro, em como ele sempre o fazia gozar primeiro porque acreditava que o Byun deveria sentir todo o prazer possível. E não foi a mesma sensação de preenchimento quando Jongin gozou dentro de si, e não sentiu os mesmos espasmos pelo corpo quando sua mão morena o estimulou para ele gozar também.


Jongin repousou seu corpo cansado sobre os lençóis e Baekhyun se forçou a sorrir um pouco para ele, piscando os olhos lentamente. Ele sorriu de volta lhe dando um selinho e sugeriu que passasse a noite ali, já que estava bem tarde. Baekhyun não negou, o cansaço tomando conta de seu corpo, os olhos turvos pelo excesso de bebida e de sono. Deixou que Jongin lhe limpasse precariamente, e encolheu-se contra o corpo forte quando ele deitou ao seu lado na cama. Apenas lhe desejou um “boa noite” baixinho antes de cair no sono quando as luzes se apagaram.


(...)


Quando Baekhyun acordou, sentiu uma leve sensação de nostalgia. 


Braços fortes o envolviam, mas ele sabia que não eram os braços dele. Não era aquele tronco duro, mas ao mesmo tempo aconchegante e quente contra suas costas. Não era aquele queixo pontiagudo apoiado em sua cabeça. Não eram os braços musculosos com uma tatuagem de Clave de Sol no pulso. Não era a respiração forte e desregulada sobre seus cabelos, fazendo alguns fios levemente se mexerem. 


Tinha plena consciência de sua realidade, mas se fechasse os olhos, poderia facilmente imaginá-lo ali. Poderia imaginar o corpo quente contra o seu, sabendo que, quando acordasse, a primeira coisa que faria seria apertar Baekhyun contra si, apenas para ter certeza que ele estava ali. Então, ele deixaria um beijo no topo de sua cabeça, se inclinaria levemente para cheirar seu pescoço e então o viraria para si para poder, enfim encará-lo. Ele desejaria um "bom dia" sussurrado, os olhos ainda meio fechados, a expressão sonolenta. Baekhyun lhe daria um sorriso caloroso e responderia com um "bom dia, meu amor". Então ele sorriria, se aproximaria e eles dariam um beijinho de esquimó, arrancando uma risadinha baixa de Baekhyun e um sorriso pequeno dele. Baekhyun acariciaria seu rosto, o observando calmamente, enquanto recebia um carinho calmo nas costas, a palma grande subindo e descendo por ela. Ele o encararia com seus cabelos desgrenhados e as pupilas dilatadas, como todos os outros dias fazia. Como se decorasse todos os seus detalhes, mesmo que já os soubesse de cor. "Você é tão lindo Baekhyun... Eu tenho tanta sorte", ele diria. E Baekhyun sorriria, sentindo seu corpo inteiro se aquecer e o coração bater forte no peito. "Sem beijos antes de escovar os dentes" era sua regra, mas isso não os impediam de roubar selinhos um do outro e deixar vários beijinhos no rosto alheio. E então eles ficariam abraçados de preguiça na cama, jogando conversa fora e rindo de bobagens. Estariam felizes apenas por estarem juntos, e isso era o suficiente.


Baekhyun sentiu o peito apertar. Sequer tinha reparado as lágrimas que escorriam, e só foi perceber que chorava quando enfim abriu os olhos, a visão borrada e molhada. Secou rapidamente o rosto, e desvencilhou-se dos outros braços, tendo o cuidado de não acordá-lo. A saudade o sufocava e ele mal conseguia respirar. Pegou suas roupas no chão, se trocando em silêncio e saiu do lugar, tomando cuidado para não fazer nenhum barulho.


Baekhyun sentia tanta falta...


Ele no fundo sabia que nada seria como antes. Lembrava-se de cada segundo, de cada momento, como se estivessem grudados em suas retinas, o fazendo lembrar de cada detalhe.


Baekhyun queria tanto gritar. Um grito de dor, de frustração, de amor; de tudo e nada ao mesmo tempo.


Queria correr até Chanyeol e implorar para ele voltar. Queria pedir que Chanyeol voltasse a lhe amar, porque ele ainda poderia ser o único que Chanyeol precisava, o único perto o suficiente para sentir sua respiração em seu rosto. Sim, Baekhyun ainda poderia ser a pessoa que ele costumava procurar nos momentos difíceis para lhe acalmar, ao invés de ser a pessoa na qual, nos últimos tempos, ele parecia estar fugindo. Droga, Baekhyun faria qualquer coisa para tê-lo de volta.


Seus dedos afoitos agarraram o celular, os pés se movendo automaticamente enquanto ele abria o aplicativo de mensagens clicando no nome de Chanyeol. Ele fungou, sem se importar em limpar as lágrimas que borravam sua visão, os dedos involuntariamente correndo pelo teclado, o lugar de cada letra decorado por tantas vezes ter feito esse mesmo movimento nas últimas semanas.


Mas Baekhyun não viu os faróis e também não ouviu a buzina, antes de sentir o impacto contra seu corpo. E enquanto seus olhos se fechavam, e ele ia pouco a pouco perdendo a consciência, ele desejou uma última vez que Chanyeol lhe amasse.


O celular escorregou pela mão ensanguentada, caindo com um baque fraco ao lado de seu corpo agora sem vida. O cursor de texto piscando incessavelmente, a última mensagem escrita, mas não enviada.


“Chan - Visto por último ontem às 23:16

[07:04] Baekhyun: Sinto sua falta”

June 29, 2018, 10:41 p.m. 1 Report Embed 4
The End

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Rafa ela 16y ♡ A head full of things that I could never spoke · Sagittarius · I write sometimes · We're all just a cosmic joke.

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safekyungie safekyungie
Meu deus do céu eu to destruída, eu amei tudo, mas estou destruída.
June 29, 2018, 8:37 p.m.
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