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hyogie Hyogie Han

[ Yoonseok | au!bruxos] Na cidade onde bruxos perambulam livremente, Hoseok possuí apenas uma missão: arrancar a verdade de Min Yoongi, um jovem bruxo filho do líder do clã do Norte, e depois eliminá-lo. O que Hoseok não esperava era que fosse apaixonar-se por Yoongi. O bruxo precisará decidir entre sua família e seu coração para resolver seu inesperado dilema.


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#bts #jikook #yoonseok
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Dollhouse

Todos pensam que somos perfeitos

Por favor, não os deixe olhar através das cortinas

Melanie Martinez — Dollhouse

Oito anos atrás

Se aquela fosse uma tarde como outra qualquer, Yoongi estaria em casa com seu irmão. Os dois provavelmente estariam treinando algum feitiço ou apenas dormindo. Mas aquela tarde era diferente das outras.

Sim, meu caro leitor, você leu corretamente. Feitiços.

Yoongi e seu irmão mais velho pertenciam à uma família de bruxos. Não aqueles que utilizavam chapéus pontudos e voavam em vassouras ou aqueles que estudavam em escolas especiais e em todo final de ano lutavam contra alguém que sequer possuía nariz. Apenas bruxos; pessoas que durante certo período histórico foram condenadas à fogueira por adoração ao demônio. Aqueles eram seus antepassados, que sofreram com o temor do povo por possuírem capacidades além da compreensão humana. Um dom satânico, como diriam os fanáticos.

Atualmente, não sofriam mais com aquilo, pois através do feitiço de uma jovem bruxa, uma espécie de “cidade secreta” fora criada, onde bruxos poderiam viver em paz. Protegida por uma extensa floresta, onde habitavam os mais temerosos seres, ninguém conseguia entrar ou sair, a menos que soubesse a localização das passagens secretas criadas no caso de emergências. Porém aquela era um informação extremamente confidencial.

Nesta cidade, os bruxos eram divididos em dois clãs; o clã do Norte e o clã do Sul. Enquanto o clã do Norte mexia apenas com magia pura, o clã do Sul treinava estudava as artes mais obscuras e ocultas existentes. Mesmo com os protestos do clã do Norte, estes permaneceram mexendo com o que estava escondido nas sombras, até o dia em que acidentalmente despertaram uma força tão maligna e perversa que era capaz de submeter até o mais poderoso bruxo com apenas um olhar.

Felizmente, alguns bruxos conseguiram se unir para selar tal maldade. Além de tudo, o clã do Sul foi inteiramente condenado ao exílio. Assim, formaram-se os clãs do Leste e do Oeste, que eram compostos por pessoas que optavam por praticar ambos os tipos de bruxaria, porém de maneira mais controlada e fiscalizada.

E era exatamente por causa disso que agora toda a família de Yoongi estava comparecendo ao enterro de sua mãe e um de seus irmãos.

Min Minji havia sido uma das bruxas que ajudara a selar a grande entidade pouco antes de Yoongi nascer. Era como se tivesse criado um cadeado que impedia que aquilo fosse liberado mais uma vez. Porém assim como qualquer cadeado, este possuía uma chave. A “chave” poderia ser qualquer coisa, até mesmo uma pessoa. E se aquela chave caísse nas mãos erradas, o mal poderia ser liberado na cidade mais uma vez. Por ter sido a criadora da chave, apenas Minji sabia o que era e onde estava.

E por causa desta crucial informação, sua vida e a de seu filho mais velho foram retiradas.

Durante a noite, Minji e Jihoon sentiram a presença de pessoas de fora do clã. Preocupados com o que poderia acontecer, os dois saíram e deixaram Seokjin e Yoongi em casa, sendo protegidos pelo pai. E como esperado, eram pessoas do clã do Sul, em busca da chave para libertar a maldade no mundo.

O encontro fora violento. Afinal, Minji e Jihoon em momento algum deixaram a informação escapar, resultando na morte dos dois, porém o segredo continuou sendo mantido.

Sunggu, agora um pai viúvo, como líder do clã do Norte, não pôde liberar toda a sua dor emocional por perder a esposa e o filho mais velho. Mesmo que aquela fosse uma enorme perda em sua vida, ainda precisava manter sua posição como líder; maturo e forte.

Yoongi observava aquilo com atenção. Revoltava-lhe o fato de a posição social de alguém ser mais importante do que os seus sentimentos. Até porque, por causa daquele mesmo motivo, também precisava segurar-se ao máximo para não desabar ali mesmo. Era praticamente impossível uma criança de onze anos não sentir-se extremamente triste com a perda de duas pessoas tão importantes. Mesmo que fosse o filho mais novo, era o próximo herdeiro do clã. E o sucessor da liderança de um clã tão grande não poderia ser fraco.

Enquanto isso, Seokjin já estava em prantos, sendo consolado por Namjoon, um de seus melhores amigos.

Lembrava-se do dia em que havia sido destinado como o próximo líder, há alguns meses atrás. Diferente de qualquer hierarquia, o próximo não era escolhido pela idade ou coisa do tipo, e sim por um ritual realizado assim que o primogênito atingisse a maioridade.

Neste ritual, toda a família reunia-se ao redor de uma mesa redonda. No meio desta, eram desenhados símbolos de proteção, para evitar que alguma influência externa interrompesse o ritual. Então, o membro mais velho ditava algumas palavras, enquanto eram colocadas tigelas de água na frente de cada filho. Posteriormente, cada um deveria furar a ponta do dedo indicador e deixar uma gota de sangue pingar sobre o líquido. Se a água se tornasse negra em contato com o sangue, significava que esta pessoa seria a próxima a liderar o clã, assim que o líder atual não estivesse mais em condições de continuar em seu posto.

E para a infelicidade de Yoongi, a água da tigela à sua frente havia tornado-se negra.

Desde aquele dia, Yoongi começara a receber aulas especiais, além das da escola. Vez ou outra, conseguia escapar das aulas com a ajuda de Seokjin, que acobertava suas fugas. Entretanto, ainda precisava fingir ser o menino prodígio e obediente da família, digno da liderança e para assim causar uma boa impressão aos outros clãs. Afinal, caso não o fizesse, seria punido de alguma forma.

E mesmo naquele momento, ainda precisava mascarar quem realmente era.

Respirou fundo, tentando manter a calma. Se tudo desse certo, poderia voltar logo para casa, trancar-se em seu quarto e chorar com Seokjin pelo resto do dia.

Então, após um longo e melancólico discurso vindo de Chaerin, a avó materna de Yoongi, Sunggu finalmente tomou a palavra.

Aquilo foi o suficiente para Yoongi.

Suas palavras eram frias e sem emoção, parecendo que estava falando de uma pessoa qualquer. Como alguém poderia proferir sentenças daquele jeito quando tratava-se da própria esposa e do filho primogênito? Principalmente quando o assunto era Jihoon o, obviamente, mais querido de Sunggu, o orgulho da família, o exemplo que Yoongi deveria seguir.

Naquela fria tarde de inverno, as lágrimas dos presentes pareciam terem sido congeladas.

Ao olhar ao redor, todos, exceto por Seokjin e Namjoon, ostentavam semblantes sérios e praticamente inexpressivos. Sem falar que para qualquer pessoa que olhasse, Yoongi recebia olhares repreensivos, como se soubessem exatamente o que estava segurando-se para não fazer. Como se fosse errado sentir-se triste pela perda de alguém querido.

Isso fazia o seu sangue ferver. Eram condições praticamente desumanas aquelas que lhe eram impostas.

Todos os seus esforços para segurar-se foram em vão no exato momento em que a primeira lágrima escorreu lentamente por seu rosto pálido e imaculado. Àquele ponto, estava praticamente impossível aguentar por mais um segundo sequer toda aquela dor e pesar sentimental que aos poucos o corrompiam.

Os mais próximos à si sussurravam para que parasse e se recompusesse logo, porém Yoongi simplesmente não conseguia. Uma vez que tudo era liberado, não podia mais ser contido de forma alguma.

As outras lágrimas vieram rapidamente, seguidas por soluços baixos e levemente abafados pelas costas de sua mão. Todos olhavam para si, em uma mistura de repúdio e remorso. Era a primeira vez que Yoongi chorava daquele jeito na frente de alguém que não fosse Seokjin. Podia ouvir claramente alguns parentes mais distantes sussurrando coisas como "Se essa criança for a próxima a liderar-nos, estaremos perdidos", "Ele é fraco demais para assumir tal posto".

Então era isso? Agora uma pessoa não poderia sentir-se triste, pois isto significava que ela era fraca e incapaz?

Detestava tudo aquilo. Detestava todas aquelas pessoas. Aquele momento era apenas a prova de que ninguém ali importava-se com Minji ou Jihoon, e apenas com o próprio status social. Yoongi não conhecia nada que fosse mais desprezível que aquele tipo de gente. Era bem incomum alguém de idade tão precoce como a sua já pensar daquele jeito.

Mas esta era a verdade.

Desde o dia do ritual, Yoongi fora obrigado a amadurecer bem mais cedo que o normal. Os poucos anos que ainda restavam de sua infância foram trocados por aulas de etiqueta e treinos pesados demais para uma pessoa tão jovem.

E mesmo com os pedidos, ou melhor, ordens, para que parasse de chorar, Yoongi não parou. Não parou até o fim daquela cerimônia, e muito menos até o fim daquela tarde.

Aquela havia sido a última vez a qual Yoongi demonstrara algum sentimento em público.

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Tempo atual

Yoongi queria estar em qualquer lugar, menos ali.

Naquele fim de tarde, as famílias Min e Jung estavam reunidas no salão da Casa Verde, nada mais, nada menos que o local onde as decisões mais importantes do clã do Norte eram tomadas. Os Min representavam seu respectivo clã, enquanto os Jung o do Oeste. Era a primeira vez que os dois clãs reuniam-se de maneira tão extensa. Nas poucas vezes em que aquele tipo de encontro ocorria, geralmente apenas o líder de cada clã comparecia, e na maioria das vezes, as interações eram bem limitadas.

Mas naquele dia, as duas família inteiras estavam presentes. Duas diferentes gerações de bruxos estavam dividindo o mesmo ambiente, prestes a iniciar um importante debate à respeito da divisão do território de ambos os clãs.

Sabendo da demora daquela decisão, a família Jung estava hospedada em uma casa próxima à dos Min, normalmente utilizada em ocasiões como aquela.

E Yoongi simplesmente não queria estar ali, prestes a entrar naquele salão, precisando interagir com pessoas falsas e mesquinhas que mal importavam-se com sua existência. Preferia mil vezes ficar em casa ouvindo Seokjin suspirando à respeito do namorado do que permanecer plantado ali. Afinal, se estivesse em casa ao menos poderia dormir onde quisesse e quando quisesse sem que houvesse alguém enchendo-lhe a paciência sobre sua roupa que amassaria caso o fizesse.

Após aquele fatídico dia no enterro de sua mãe, o Yoongi sorridente e até mesmo animado havia sido substituído por um jovem apático com tudo e todos. A partir daquele dia, todas as suas filosofias haviam sido mudadas, como se uma nova visão de mundo tivesse chegado aos seus olhos. Sua apatia não se devia apenas à perda da mãe e do irmão, mas também ao fato de ter percebido o quão interesseiras eram as pessoas ao seu redor.

Em um grande resumo de todos os seus pensamentos confusos, basicamente havia por fim compreendido que praticamente ninguém próximo à si realmente "prestava". Tirando Seokjin e Jimin, nenhum ser vivo conseguia aproximar-se de Yoongi, que ao perceber a verdade por trás da família, fechou-se completamente do mundo. Ninguém conseguia manter uma conversa consigo, pois tornara-se completamente monossílabo e frio à qualquer tipo de contato. E com isso, aos poucos sua frieza começou a afastar cada vez mais as pessoas de si. Ninguém gostaria de ficar perto de alguém que aparentemente não demonstrava interesse em nada e ninguém, não é mesmo?

Não que realmente se importasse com aquilo. Ainda tinha Jimin e Seokjin, os únicos seres humanos que conseguiam compreender suas ideologias apáticas. E para Yoongi, aquilo já estava de bom tamanho.

Mesmo sem concordar completamente, passou a frequentar mais as aulas etiqueta, afinal não via mais sentindo em continuar fugindo daquilo, sendo que teria de fingir ser quem não era de qualquer maneira. Seokjin precisava praticamente persuadi-lo para sair consigo. Não por não querer que o irmão não comparecesse as aulas, mas porque não achava saudável alguém tão jovem se isolar daquele jeito.

Aos dezoito anos, já estava morando sozinho em um apartamento próximo à casa de seu pai. Coincidentemente, era no mesmo prédio em que Seokjin morava. Os dois eram separados apenas por algumas escadas de distância, o que significava que frequentemente Seokjin o visitava apenas para certificar-se de que estava tudo bem.

Respirou fundo e revirou os olhos. Então, finalmente adentrou o salão.

A primeira coisa que reparou foi a grande variedade de pessoas ali. Mesmo que fossem todos asiáticos, não era nem um pouco difícil diferencia-los. Haviam cabelos e roupas de todas as cores e tipos, como se fosse um saco de balas. Bem diferente do monótono cinza e preto que Yoongi estava acostumado a ver, tanto nos uniformes de escolas quanto nas vestimentas das pessoas que o rodeavam, principalmente na faculdade. Mesmo que estivesse de férias, ainda via pela janela de seu quarto pessoas andando pelas ruas como se estivessem envolvidas por uma densa nuvem de melancolia em seus trajes escuros. Talvez fosse devido à parte da cidade em que morava ou apenas seu jeito de ver as coisas.

Na verdade, Yoongi conhecia algumas pessoas que conseguiam exibir visualmente alguma emoção. No caso, estas pessoas eram Jimin e Seokjin, que tinham o costume de pintar os cabelos de cores vibrantes que na maioria das vezes retratavam seus estados de espírito. Certa vez até haviam conseguido convencer Yoongi a tingir os fios de verde claro, porém não foi algo que durou por muito tempo, pois o rapaz cansou-se muito rápido da cor e decidiu voltar logo ao preto básico de sempre.

As pessoas cumprimentavam-no brevemente, como se já estivessem cientes de que contato íntimo não era o seu forte.

Se o seu pai não o tivesse obrigado a ir com o argumento de que, como futuro líder, deveria manter uma boa impressão para os outros clãs se quisesse ser levado à sério no quesito administrativo, com toda certeza as pessoas ali não deveriam contar com sua presença.

Em passos firmes, atravessou o salão, tentando ao máximo não manter nenhum tipo de contato visual constante com qualquer pessoa. Se alguém ali estava com a intenção de socializar, com toda certeza não conseguiria fazer tal coisa com Yoongi, levando em consideração que o jovem não dizia mais nada além de "Olá" e "Obrigado".

Havia muita gente ali, para a sua infelicidade.

Enfim, encostou-se na parede enquanto seus olhos passavam de um lado para o outro naquele salão à procura de Seokjin, a única pessoa que poderia escoltá-lo dali com sucesso.

Yoongi simplesmente odiava ambientes com muitas pessoas. Não queria admitir, mas um breve pânico tomava conta de si quando precisava ficar em lugares fechados com uma grande quantidade de gente ocupando o mesmo local. Sentia-se sufocado e aprisionado, a sensação de falta de segurança tomava conta de si, ainda mais quando não conseguia ver a saída ou estava sem alguém que confiava por perto.

Inclinou um pouco a cabeça para trás, respirando fundo. Já podia sentir suas mãos suando e o coração começando a acelerar. Aquela sensação era terrível. Aos poucos, podia sentir seu corpo cedendo ao pesar do pânico e ansiedade de estar em um lugar fechado e povoado como aquele.

Após alguns minutos, pôde ver alguém aproximado-se. Era só o que lhe faltava naquele momento; além de estar à beira de uma crise de pânico, ainda um ser sem mais nada à fazer da vida para incomodar-lhe durante aquele momento de instabilidade.

Mas para a sua surpresa, aquela pessoa não incomodou-o ou coisa do tipo. Muito pelo contrário.

Os dedos longos encostaram em seus ombros e levantaram-no, sem que sequer percebesse que seu corpo estava deslizando em direção ao chão ou que estava tão cabisbaixo à ponto de não conseguir ver o rosto da pessoa, apenas seus pés calçados em sapatos brancos, assim como a calça social.

— Está tudo bem? — a voz melodiosa ecoou por seus ouvidos, enquanto uma das mãos subiu de seu ombro para o queixo, levantando-o e finalmente permitindo que pudesse visualizar o rosto da pessoa.

A sua frente, estava a personificação de um deus grego. Ninguém mais, ninguém menos que Min Seokjin, seu irmão mais velho.

Naquele dia, o maior realmente havia conseguido superar-se: com apenas uma calça social e blazer das mesmas cores, este que cobria uma camisa cor de vinho, Seokjin estava simplesmente lindo, como se tivesse a capacidade de ficar bem até mesmo usando um saco de batatas. Mas o que mais chamava a atenção no mais velho eram seus cabelos tingidos de rosa, fazendo-o parecer tão delicado quanto um cristal.

Era impossível passar e não olhar direto para seus fios coloridos tão exoticamente. Namjoon realmente tinha sorte de namorar alguém como Seokjin, pois este não era bonito apenas por fora. Por dentro, havia uma pessoa maravilhosa e gentil, que sempre pensava nos outros antes de qualquer coisa.

— Desculpe a demora, mas o papai acabou me fazendo falar com todo um pessoal aí. — Seokjin sabia perfeitamente bem da claustrofobia do irmão, o que deixava-o tão desesperado quanto este para encontrá-lo antes que realmente começasse a entrar em pânico — Falando nisso, eu consegui aliviar a sua barra com ele pra você não precisar ficar aqui até o fim.

— Ah... — foi o único som que conseguiu emitir. Sua garganta ainda estava fechada pela prévia da crise. Seokjin sabia muito bem que na linguagem de Yoongi, aquele "Ah" significava "Obrigado", mesmo que o menor não admitisse.

— Eu só vou falar um pouco com o Namjoon, aí a gente já dá o fora daqui, ok? — Seokjin e Namjoon, desde que começaram a namorar, eram completamente apegados um ao outro, quase como se fossem gêmeos siameses. Sempre que estavam distantes, como naquele momento, tiravam alguns minutos para conversarem por telefone em algum local mais privados, quase como se aquilo fosse uma necessidade.

— Ok. — Seokjin sorriu docemente para Yoongi. Então, conduzindo-o pelos ombros, o levou para fora do salão. O alívio já começava a manifestar-se em seu peito conforme o número de pessoa diminuía, acalmando-o — Enquanto você fala com o Namjoon, eu vou estar na sala de música.

E sem esperar por qualquer resposta de Seokjin, Yoongi seguiu pelos corredores da Casa Verde, fazendo um percurso que conhecia desde pequeno.

O mais velho suspirou, não podendo deixar de sorrir mais uma vez. Yoongi era sempre daquele jeito e, de alguma forma, aquilo tranquilizava à Seokjin. Afinal, seria bem estranho se repentinamente Yoongi parasse para esperar à resposta ou perguntasse se podia ir para a sala de música. Aí sim seria um motivo para começar a preocupar-se.

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Yoongi sentou-se no pequeno banco que havia em frente ao piano branco daquela sala. Era incrível como em anos, nada daquilo mudara. Eram os mesmos instrumentos de cordas pendurados nas paredes pintadas de vermelho, o mesmo piano no canto do quarto, bem ao lado da janela, proporcionando uma bela visão do jardim bem cuidado que havia do lado de fora da casa à qualquer um que decidisse sentar-se ali.

Desde pequenos, ele e Seokjin iam até aquela sala para fugir da monotonia das reuniões de família, geralmente passando tardes inteiras ali tocando ou apenas permanecendo deitados no tapete que cobria o chão de madeira.

Lentamente, seus dedos frios e alvos tocaram as teclas, reproduzindo sons delicados e melodiosos que ecoavam livremente pela sala. Já tocara aquela música tantas vezes que os próprios instrumentos ali presentes já deveriam estar fartos de ouvi-la. Mas mesmo assim, não importava-se de toca-la mais uma vez. Aquela música possuía um grande valor especial para si.

Afinal, fora a primeira música que sua mãe lhe ensinara a tocar.

Conhecia as notas daquela composição tão bem que poderia tocá-la até mesmo de olhos fechados.

Quando tocava-a, sentia que conseguia esquecer-se de todos os seus problemas e preocupações devido à toda a concentração que usava para executar as notas com perfeição. Estava tão concentrado que mal percebeu quando alguém adentrou a sala e encostou-se no batente da porta.

— Ah, então é daqui que estava vindo... — parou bruscamente ao ouvir a voz desconhecida. Então, virou o corpo lentamente naquele banco, até poder visualizar a face da pessoa — Estou atrapalhando?

Vinha de um rapaz jovem e alto, talvez não muito mais velho que Yoongi. O semblante sereno não enganava ao menor. Apesar de ostentar uma expressão calma e pacífica, os piercings em suas orelhas e os cabelos acobreados e desgrenhados diziam outra coisa. Seu blazer e calça eram negros, como obsidianas. Pela parte de cima estar completamente aberta, podia-se ver uma camisa cinza acobertando um torso esguio, porém forte. Ou seja, ao julgamento de Yoongi, aquele jovem era um daqueles caras que quebravam os polegares das pessoas caso não fizessem o que queriam e tatuavam "No pain, no gain" nos braços. O tipo de gente que Yoongi mais queria distância. Afinal, já haviam problemas demais em sua vida.

Além de seus cabelos, havia outra coisa que chamava a atenção: no início de quatro dedos de sua mão direita, haviam letras tatuadas em preto: H-O-P-E.

Esperança.

— Você é mudo? — ele perguntou, retirando Yoongi de seus pensamentos.

— Não. — respondeu por fim, com a voz rouca devido ao tempo que estava sem usá-la, então voltou a ficar em silêncio. Geralmente era neste momento em que a pessoa perdia todo o interesse em conversar consigo e deixava a sala, julgando-o como antissocial. Porém o rapaz de cabelos acobreados permaneceu ali.

— Você não deveria estar lá dentro? — aquela era a primeira vez em oito anos que alguém que não fosse Jimin ou Seokjin sustentava consigo uma conversa que durasse mais de cinco minutos.

— Sim. — revirou os olhos. Eu não quero conversar sobre isso com você. Afinal, se realmente fosse a pessoa que Yoongi pensava que fosse, ele provavelmente tiraria uma com seus pensamentos e chamaria-o de fresco.

— E por que você não está?

— Porque eu não quero. — por um momento, pensou que talvez tivesse sido grosso demais. Entretanto, se aquilo fosse o suficiente para fazer aquele garoto parar de fazer perguntas, então não via problema algum.

— Me deixa adivinhar: você detesta socializar com as pessoas e por isso tenta se distanciar ao mesmo de todo mundo. — o menor franziu o cenho. Estava assim tão na cara? — E você odeia tudo isso, principalmente quando precisa fingir ser quem não é.

Dessa vez, Yoongi não pôde deixar de abrir a boca. Aquela pessoa havia acabado de descrevê-lo sem nem ao menos conhecê-lo direito.

— Quem é você? — perguntou quase tão baixo quanto o som de uma breve brisa de verão.

— Jung Hoseok. — Ah, Yoongi já havia ouvido falar naquele nome. Aquele rapaz à sua frente era o sobrinho da líder do clã do Oeste, Jung Hyeogeun. Para falar a verdade, aquela era a única coisa que sabia à respeito do Jung. Fora isso, ele ainda permanecia sendo um completo desconhecido — Você é o Yoongi, né?

— Uhum. — agora curioso para saber como o Jung havia desvendado-o tão facilmente, acabou arriscando-se a fazer mais uma pergunta. Afinal, como alguém conseguia saber tanto sobre uma pessoa que nunca havia visto na vida? — Como você sabe tudo isso?

No exato momento em que fez a pergunta, Yoongi sentiu vontade de dar um tapa no próprio rosto. Hoseok podia muito bem estar apenas chutando.

— Talvez eu também já tenha sido assim um dia. — ele pareceu aéreo por um momento. Então, uma risada doce fez-se presente — Eu falo isso como se eu fosse um velhinho.

Yoongi soltou um breve "Ah". Por um momento, sentiu um leve interesse em conversar com o maior. O que na verdade era bem estranho, já que normalmente odiava aquele tipo de interação. Mas mesmo que quisesse, não sabia como fazer aquilo. Já faziam oito anos desde a última vez que conversara daquele jeito com alguém.

— Você não é muito falar, não é mesmo?

— É... — Hoseok deu outra risada, dessa vez mais contida, fazendo o menor franzir o cenho. O que era tão engraçado? — Você é esquisito.

— Eu sei. Mas não sou mais do que você. — mesmo que fosse uma brincadeira, Yoongi estava pensando seriamente em responder aquilo de uma maneira bem áspera. O que não fazia muito sentido, já que não havia motivos para ser rude com alguém que conhecera há menos de dez minutos. Aquilo seria realmente idiota de sua parte.

Yoongi já ouvira aquela frase tantas vezes que até perguntava-se como ainda não conseguia prever quando alguém lhe falava aquilo. Entretanto, sempre que diziam-lhe isto, era como se fosse algo ruim, repugnante. Porém Hoseok falava aquilo de um jeito calmo e divertido, como se fosse algo normal para ele. Talvez, só talvez, o maior não fosse a pessoa que Yoongi pensou que fosse.

Mas só talvez.

Ele não estava sendo insistente ou irritante, como pensou que fosse. Estava apenas sendo uma pessoa normal, como qualquer outra.

— Bom, a gente se vê por aí, Yoongi. — Hoseok acenou para Yoongi, então, deixou-o sozinho ali.

Mas afinal, que realmente era Jung Hoseok?

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À aquele ponto da reunião, algumas pessoas já estavam exaustas e não aguentavam mais todo aquele papo sobre política e negociação.

Hoseok estava sentado ao lado de sua tia, Hyeogeun, enquanto esta debatia com Sunggu à respeita da divisão do território. Sabiam que aquela seria uma decisão demorada, levando em consideração que precisariam entrar em um acordo e a decisão final precisaria ser aprovada pelo conselho. As rugas de cansaço já eram evidentes em sua testa e sua voz já começava a tornar-se rouca devido à quantidade de tempo que estava usando para falar. Aquele acordo provavelmente demoraria semanas para ser firmado, isso era certo.

De repente, Sunggu começou a tossir com cada vez mais frequência, até que simplesmente não conseguia mais falar sem ser interrompido por ataques constantes de tosse.

— O senhor não parece muito bem. — Hyeogeun comentou, ciente do estado de Min — Não é melhor adiarmos esta reunião para outro dia, até que esteja em condições adequadas?

— S-Sim, é melhor. — Sunggu abafou a tosse com uma das mãos — Estão dispensados.

Lentamente, as pessoas levantaram-se e gradativamente começaram a deixar o salão.

Assim que Hoseok e Hyeogeun distanciaram-se da maioria das pessoas e certificaram-se de que não havia mais ninguém por perto, começaram:

— E então, conseguiu falar com o Yoongi? — ela perguntou, séria.

— Sim. Vai ser um pouco difícil manter contato com ele. É aquele típico garoto revoltado com a vida e não quer mais saber de nada. Mas é só saber o que falar com ele que se solta rapidinho. Mas eu vou precisar de tempo.

— Tudo bem. Sunggu já está na palma da minha mão. Posso adiar essa reunião o quanto for necessário. — um sorriso diabólico surgiu em sua face — Você sabe o que fazer depois de conseguir o que eu quero, não é mesmo?

— Sim. Matá-lo e convencer os que se realmente importam de que ele sumiu do mapa. — a frieza com que Hoseok respondeu foi surpreendente até mesmo para Hyeogeun — E depois disso, você vai me dar o que eu quero.

Hoseok sabia fingir perfeitamente bem. Quem visse o jovem sorridente e alegre que mostrava ser para todos, mal acreditaria que na verdade o mais novo era praticamente a personificação da maldade devido à acontecimentos passados. As vezes Hyeogeun o via sorrindo verdadeiramente, porém estes eram momentos raros. Afinal, Hoseok perdera os pais com quinze anos em meio à uma acusação injusta da prática de magia negra sem fiscalização. A pena para este crime era a execução, que foi realizada bem diante de seus olhos. Aquilo amargurara seu coração puro de maneira profunda e pesada, transformando o jovem doce que um dia fora em alguém egoísta em ambicioso.

Assim, Hoseok passou a ser criado pela tia, acabando por se envolver em seus esquemas devido ao que ela lhe oferecera em troca de sua ajuda. Aquilo era loucura, mas quem importava-se? Há tempos que não sentia tanta disposição para fazer algo. No tempo que passou-se entre seus quinze anos e sua idade atual (no caso, dezenove), começou a realizar algumas tarefas para bruxos mercenários, recebendo recompensas como dinheiro, materiais raros para feitiços e, em ocasiões especiais, até mesmo sexo.

— Claro, temos um acordo afinal.

Hoseok simplesmente não importava-se em matar Yoongi para ter o que queria. Afinal, quando o fizesse, este já estaria com o coração completamente destruído, o que não seria muito diferente de estar morto.

Ou será que importava-se?

Iluminados pela luz do luar, os dois seguiram o caminho para a casa em que estavam hospedados. No dia seguinte, Hoseok colocaria seu plano em execução. Min Yoongi estava completamente perdido em suas mãos.

Seria uma pena se, por coincidência do destino,

Hoseok realmente começasse a se importar com Yoongi...

June 29, 2018, 7:30 p.m. 0 Report Embed 0
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